Vozes se elevam a favor da… vida?

Em muito por causa das críticas éticas negativas em torno da morte de embriões humanos para obtenção de células estaminais, desenvolveu-se recentemente uma ténica que permite obter estas células sem implicar a quebra no desenvolvimento embrionário. Mas nem assim as críticas diminuem

A principal autoridade do Vaticano em questões bioéticas critica um novo método de obter células estaminais que não destrói os embriões, considerando-o uma “manipulação” que não responde às preocupações éticas da Igreja Católica.

Argumentando que

“Se o resultado que aguardamos – ou seja, reproduzir apenas células embrionárias – é resultado de uma manipulação de um processo que, de outra forma, resultaria num embrião, a objecção ética mantém-se”, acrescentou.
(…)as promessas das células estaminais não devem ser realizadas à custa da vida humana, mesmo nas suas fases mais embrionárias.

Apesar de eu própria ser um pouco céptica quanto às supostas qualidades infindáveis das células estaminais, não posso deixar de considerar importante o seu estudo mais que não seja por se poderem utilizar células humanas como modelo celular, ao invés de se estudarem leveduras como actualmente. Estas células permitem ainda estudar o desenvolvimento e algumas doenças humanas com possível aplicação em inúmeros tratamentos.

Analisando os argumentos éticos apresentados contra… passam-me várias coisas pela cabeça

  1. Poderá considerar-se vida humana, um aglomerado de células que mesmo implantado tem uma percentagem mínima de sucesso de vir a ser alguma coisa? (tendo em conta que a maioria de embriões fertilizados naturalmente sem intervenção externa terminam o seu desenvolvimento poucos dias depois originando abortos imperceptíveis…)
  2. Poderá sequer considerar-se o potencial de tais embriões no seu valor ético? E isto lembra-me a “terrível” e cómica frase “every sperm is great, every sperm is sacred” … é melhor não adiantar mais nada neste ponto :evil:
  3. Que tal Bush e a Igreja Católica preocuparem-se mais com o potencial de vidas efectivamente a decorrer, como nos países sub-desenvolvidos em que morrem aos milhões e ninguém se preocupa? (será só a mim que cheira a hipocrisia esta moralidade toda em torno das células?)
  4.  Se o valor das células é estarem vivas… Bush preocupa-se com isso quando o alvo são os maus dos árabes? ou será que ele não considera que eles estejam vivos?
  5. Caindo no ridículo da questão… se o valor das células é estarem vivas… matar uma mosca (um organismo totalmente desenvolvido) é moralmente incorrecto? (não, não ando por aí a matá-las, não levem a frase à letra sff)

The Historian – O Historiador – Elizabeth Kostova

Vlad Tepes , o Empalador, foi responsável pelo Principado de Transilvânia (Romania) de 1456 a 1462, governando independentemente do Império Otomano. Na România, ficou conhecido por ter liderado uma Cruzada Cristã contra a expansão islâmica na Europa.

Dracula, o nome pelo qual é comummente conhecido, é muitas vezes relacionado com “Filho do Diabo”, mas tem origem na Ordem do Dragão, na qual o pai era membro.

A sua mítica crueldade é atribuída à estadia, enquanto criança, nas mãos de um sultão Otomano, ao qual terá sido entregue por seu pai. Como refém, terá assistido a torturas, sendo alvo de maus tratos. Mais tarde, enquanto príncipe, terá iniciado a sua liderança, exterminando grande parte da realeza que teria minado os anteriores governantes. A partir daí, o seu reinado é marcado por vários cenários de tortura, de sórdidos pormenores, mais vulgarmente empalações.

O Livro

Em Historian, ou o Historiador na edição portuguesa, o enredo tece-se em torno desta personagem histórica associando-a ao mito sobrenatural vampírico. Ao contrário do que pensei inicialmente, o livro não é um Romance Histórico, apesar de recorrer a várias referências históricas não só sobre Dracula, mas também sobre a política e a económia da Europa do Leste na Idade Média. É essencialmente um relato sobrenatural que se baseia em várias lendas ao longo dos séculos sobre vampiros.

A acção passa-se, no entanto, durante a Guerra Fria, e a história é-nos transmitida através de uma jovem mulher que descobre um livro misterioso na biblioteca do seu pai. Daí por diante, tomamos conhecimento dos factos, a partir de transcrições das narrativas do pai, de cartas de um historiador há muito desaparecido, e da própria jovem.

Embora com várias notas históricas interessantes, resultantes de uma pesquisa aprofundada, achei que as peças do puzzle não estavam congruentemente interligadas, como se o Romance principal não estivesse, no início, direccionado para o rumo que tomou.

Por outro lado, as repetidas referências ao livro do Stoker despertaram-me a curiosidade para este último – do qual já li as primeiras páginas e fantasticamente essas poucas elucidaram-me muito mais relativamente a diversos pormenores que no Historian possuem uma forma demasiado vaga, para alguém não familiarizado com a história do Dracula.

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