Setembro 2006


Bem sei que comentar os searchs pelo qual se encontram os blogs começa a ser banal. No entanto, após ver demasiadas coisas estranhas por aqui, decidi comentar algumas coisas…

“sexo geral de mulher com cavalo” – primeiro pensamento “como vieram cá parar” (googlar e puf… ah :S estranho), segundo pensamento – “sexo geral ? podia ser específico?” :S

“como faz para ter filho marciano ” – coitado do piqueno! … pai que procura disto não deve precisar de muito para conseguir

“luciana abreu nua” (não me lembro de ter referido o nome de tal pessoa por aqui, mas enfim… )

“como posso aumentar o meu penis” – esta posso ajudar ! Subscrevam a hotmail.com e em pouco tempo recebem mails com a resposta… dezenas com propostas diferentes ao gosto do fregues.

“almas perdidas” – não sei, mas acho que aqui não encontra… será que devo ter cuidado para não perder a minha?

“musicas em ingles com as palavras …”  – que tal um “Google searches for dummies”?

Tanto o título em portugues, como a tagline “When you need somebody, any body will do”, poder-se-ia esperar um filme de péssimo humor negro. Tal não se verifica (pelo menos a meu ver).

Robin Williams interpreta o papel principal, o do dono falido de uma agência de viagens, Paul Barbell, cuja esposa necessita de cuidados psiquiátricos. Em nome do irmão há muito desaparecido possui uma apólice de seguro, mas que não pode levantar enquanto não for dado como morto. Desesperado, Paul descobre um corpo no lixo e vai tentar fazê-lo passar pelo irmão, mas os donos do corpo aparecem para o reclamar.

Entre um estranho e fanático investigador dos seguros, um casal gay de gansgters, um irmão violento com institos homicidas, Paul Barnell vai tentar de tudo para salvar a sua mulher, doida mas querida, e arranjar o dinheiro para a curar.

Cómico, mórbido e inteligente, o filme consegue fazer-nos largar gargalhadas, sem cair no ridículo ou na exaustão – sem dúvida uma comédia a ver.

Um grupo de amigos festeja um aniversário a bordo de um iate. Em alto mar decidem dar um mergulho, acabando todos por sair do barco sem lançar a escada que lhes permitiria subir. Um bebé permanece a bordo, enquanto cá em baixo os 6 amigos tentam de alguma maneira voltar ao iate.

E a isto se resume o filme. Os 3 casais não param de se precipitar por decisões pouco inteligentes intercalando-as com as típicas reacções de pânico.

Um filme cansativo, pouco inovador que de suspense tem pouco e de acção ainda menos.

Conclusão – a desesperar pelas próximas estreias

É sabido que a proporção de pessoas alérgicas tem tido tendência a aumentar nos últimos anos.

Há quem refira a falta falta de selecção negativa (já que actualmente são raras as mortes por alergias)…

Alguns cientistas têm avançado a hipótese segundo a qual o crescimento em meios demasiado estéreis levaria o nosso sistema imunitário a responder perante o próprio corpo ou perante partículas inofensivas que constituem o nosso ambiente  ou a nossa alimentação.

Tal levaria não só a alergias como a doenças auto-imunes !
Quanto às alergias, se não deixamos de as ter… porque não modificar o que nos causa a alergia?

Seguindo este raciocínio, uma firma americana tem cruzado gatos que produzem menor quantidade de substância a que normalmente se é alérgico.

O resultado?

The cats will not cause the red eyes, sneezing and even asthma that some cat allergy sufferers experience, except in the most acute cases. Despite costing $3,950 (£2,104), there is already a waiting list to get one. Allerca first started taking orders for genetically engineered hypoallergenic cats back in 2004.

Coleccionador de olhos é um típico filme Gore. Esperem por ver arrancar olhos em primeiro plano, machadadas dispersas e cabeças a bater com tanta força que até ao espectador doi.

Mais típico é difícil – um deficiente mental em ponto grande, armado com um machado ou um gancho que mata quem lhe aparece à frente. A inteligência é pouca, mas a força é brutal.
Numa casa semi-abandonada ouvem-se horrendos gritos durante a noite – gritos de mulher. Por esta razão, dois polícias acorrem ao local. Um morre, o outro perde o braço, não sem antes disparar sobre a cabeça do gigante que consegue fugir.

Anos depois, 8 presos têm a oportunidade de diminuir a pena ajudando a limpar um velho hotel em ruínas. Nesse local o polícia que os acompanha volta a encontrar o terror dos seus sonhos.

Com cenas escabrosas que roçam muitas vezes o cómico, o filme consegue mesmo assim ser dos melhores do género – não é suposto apresentar grandes frases ou fingir profundidade intelectual. Tem uma grande parte expectável, mas mesmo assim consegue surpreender nalgumas tiradas. Para mim – cómico.

Gabriel García Márquez, escritor columbiano, nasceu em 1928 em Aracataca. Cresceu com os seus avôs maternos, indo para um colégio jesuíta onde se iniciou em legislação, mas os seus estudos foram interrompidos pelo seu trabalho como jornalista. Em 1954 partiu para Roma em trabalho para o jornal, tendo a partir daí vivido em diversos locais. Além de várias obras de ficção, escreveu peças e continou o seu trabalho como jornalista.

O Livro

Este livro corresponde a um compêndio de contos, nomeadamente
- um senhor muito velho com umas asas muito grandes
- O mar do tempo perdido
- O afogado mais formoso do mundo
- Morte constante para além do amor
- A última viagem do navio fantasma
- A Incrível e Triste História da Cândida Eréndira e da sua avó Desalmada

Bem ao estilo sul-americano, este livro pequeno com cerca de 120 páginas divide-se em 6 histórias. As primeiras contam as alterações em pobres e pequenas aldeias após acontecimentos estranhos que inicialmente mudam a vida de todos… A última história, que ocupa a maioria do livro, tem como personagem principal Eréndira, escrava de sua avó que continua a viver no passado, em tempos de esplendor e riqueza. 

Livro de contos mágicos, que reflectem a cultura sul-americana… em que não é só a história que interessa, mas o sentido especial de cada parágrafo, de cada frase, de cada palavra… este é livro para reler e guardar um canto especial…

Este livro corresponde a uma pequena selecção de contos de Yann Martel. Escritos no início da sua carreira e melhorados recentemente, os 4 contos constituem um conjunto estranho mas coeso.

O primeiro e maior que dá nome à compilação, The Facts Behind The Helsinki Roccamatios, conta a história de um rapaz que acompanha o amigo contaminado com SIDA, em fase terminal. Depois de esgotados os jogos e as diversões, os dois dedicam-se a escrever uma história sobre uma família de Helsínquia. Iniciando a história no princípio do século, e alternando os anos sobre os quais escrevem, os eventos que escolhem para enquadramento dos contos retratam o estado de espírito e o desenvolvimento da doença.

No segundo conto, um rapaz encontra-se de visita a Nova Iorque, cidade que pretende explorar exaustivamente de modo a conhecer as várias facetas. Assim decide assistir a um concerto num teatro decadente, que se revela um dos melhores que já teve oportunidade de ouvir.

Os diversos modos como um condenado à morte pode viver as suas últimas horas são retratados numa terceira história, sobre a forma de uma carta escrita pelo director à mãe do prisioneiro.

Um homem com aversão ao coleccionismo, visita a avo cleptomaníaca. Em casa desta vai desenterrando as relíquias que permanecem eternamente naquela casa, e simultaneamente vai ouvindo as memórias da sua avo. O relato vai no entanto se esfumando nos ouvidos do neto e sendo substituído por um barulho de fundo sem nexo.

Dominador de palavras, Yann Martel escreveu quatro contos que constituem uma interessante selecção de histórias aparentemente simples, mas que se revelam pequenas licções de vida.

Sendo este o primeiro livro que li do tão falado autor de Vida de Pi, a expectativa não me levou a ficar desiludida, muito pelo contrário, ainda mais a considerar o tão afamado livro como uma das próximas leituras.

Spoilers Ahead

Conto preferido – o segundo – o compositor de tal obra revela-se um empregado da limpeza que apesar do seu talento, permanece eternamente desconhecido sem se poder dedicar à composição de música. Conclusão – deve-se seguir os nossos talentos ou deixar que os sonhos sejam substituídos por pequenas certezas futuras que nos afastam do que gostamos?

Será desta que finalmente despenalizamos o aborto?

À terceira, parece ser de vez: a marcar o início do novo ano parlamentar, o PS volta hoje a apresentar na Assembleia da República a proposta de referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Com o debate e votação da iniciativa já marcado para 19 de Outubro, a consulta popular deverá contar agora com o apoio alargado do hemiciclo: além do anunciado apoio do Bloco de Esquerda, também PSD e CDS deverão juntar-se no voto favorável. O PCP não decidiu ainda o sentido de voto.

Não que esteja a favor do aborto em si, mas a actual lei é uma das principais hipocrisias vigentes neste país, sendo que os ricos emigram para o fazer, e os pobres submetem-se a meios duvidosos em vão de escada… Resultado – uns escondem-se por detrás das aparências de uma viagem ao estrangeiro, os outros morrem ou sofrem consequências da falta de condições em que vivemos.

A actual lei não previne abortos. Simplesmente pode levar à prisão das mulheres que o fazem – uma lei que ninguém faz cumprir, mas que limita o acesso à assistência médica e à informação.

Enfim… será que o país em que vivemos vai evoluir?

Composta inicialmente por três volumes, Across the nightingale floor, Grass for his pillow e Brilliance of the Moon, a saga dos Otori é notoriamente influcenciada pela cultura Japonesa. O autor, de pseudónimo Lian Hearn, terá se dedicado anteriormente à linguagem, História e literatura nipónicas, baseando-se no sistema feudal do século XV para escrever a saga.

No primeiro livro assistimos ao salvamento de Takeo pelo nobre Shigeru, aquando da dizimação da sua tribo. Adoptado pelo nobre, a vida de Takeo deixa a simplicidade da aldeia onde cresceu, para se adaptar à complexidade do código de honra dos guerreiros. Com o despultar de capacidades impensadas, vê-se envolvido em intrigas, conspirações, interesses maléficos – e é neste ambiente que conhece Kaede pela qual se apaixona. Kaede terá crescido como refém em casa do inimigo do pai, e todos os que por ela se apaixonam parecem estar destinados à morte.

De escrita simples, mas suficientemente elegante, a história, também simples, consegue captar o leitor. Embora inicialmente me tenha lembrado uma outra saga (de Raymond E. Feist), e com a qual é impossível não tecer alguns paralelismos na história, a saga dos Otori consegue possuir maior originalidade e levar a crer na maior capacidade de escrita de Lian Hearn.

Mesmo assim, parece haver alguma falta de maturidade no terceiro livro em que as batalhas são despachadas e parecem existir apenas para se adaptarem a uma profecia proferida. O final é expectável mas bonito.

Nota – Este final é o da trilogia inicial. O quarto volume inesperado foi publicado há cerca de um mês atrás. A trilogia inicial encontra-se publicada pela Presença em português.

Apesar da longa lista de fantasia arturiana disponível, Sarah Zettel escreveu um livro, que se distingue de muitos, por não se centrar nas personagens típicas – Arthur, Guinevere, Merlim…

A história centra-se em Rhian, filha de um nobre menor, que ve as suas perspectivas de casamento serem adiadas pela negação de todos os pretendentes, sem que para tal hajam razões aparentes.

Sem aguentar o desespero da filha, Jocosa recorre a métodos ardilosos se revele os motivos por detrás das sucessivas recusas…  O rei, pai de Rhian, teria trocado a vida de Jocosa pela de sua filha Rhian, promotendo-a a um feiticeiro. Após o descortinar de tal realidade, Rhian foge para se esconder num convento, mas é atacada pelo bruxo. No entanto, um cavaleiro corre em seu auxílio – o mítico e sedutor Gawain….

A lenda é recontada – uma história de amor com encontros e desencontros, com alguns dos fascinantes pormenores típicos das lendas celtas – um amor entre duas pessoas fortes e honradas que terão de se sujeitar a variadíssimas provas para poderem assumir o seu amor.

O ritmo da história não é muito constante, alterando entre trechos estagnados e movimentados.
Com o desenrolar da trama, a história, que é escrita inicialmente como um romance, vai ganhando os contornos de uma lenda… mas essa passagem é mais perceptível nas últimas páginas em que o tom faz lembrar o dos contos e a acção é condensada… culminando num final que parece ter sido despachado.

Mais um livro de fantasia arturiana, que apesar de se ler muito bem, não é nada de especial.

Inspirados pela estrutura celular, o Instituto de Pesquisa Biomédica em Chengdu (China) pretende construir um edifício inovador.

Simplesmente estranho ou demasiado à frente para a nossa época?? Para mim… é um alien simpático…

O último filme de Mike Binder debruça-se sobre um daqueles homens bem-sucedidos que parece se encontrarem no caminho da máxima concretização pessoal e proficcional – sócio de uma empresa bem sucedida e casado com uma modelo, Jack é arrogante e frio como necessário num homem de negócios. No entanto, a sua vida não é o mar de rosas que parece, e de tal só se apercebe depois de iniciar o seu novo hobbie – a escrita de um diário que irá conter todos os seus segredos, tanto profissionais como pessoais. O diário será o início de uma exploração pessoal que o levará a encarar algumas verdades da sua vida e o início de uma atribulada aventura.

Um filme com alguns momentos cómicos quanto baste, mas sério o suficiente, Man About Town é um filme interessante e divertido mas que provavelmente não me deixará grandes recordações.

No primeiro livro desta saga é-nos descrita uma sociedade medieval, com grandes senhores distantes e deuses manipuladores. É por capricho dos Deuses que surgem as espadas, forjadas por Vulcano aproveitando o sacrifício humano e distribuídas ao longo do continenente ao mesmo tempo que uma profecia se torna conhecida – quem possuisse as 7 espadas, tudo controlaria.

Assistimos então à luta de homens poderosos pela posse das espadas, que originam diversas guerras – as espadas parecem ter uma vontade própria e o papel principal na história.

Um grupo de amigos é reunido pelas espadas, e ao longo da história vão-se vendo entre os senhores que tudo querem controlar.

Com a deserção de Ben se inicia o segundo livro. Facilmente encontra os amigos perdidos e juntos partem em busca de fortuna. Guiados pelas espadas, unem-se a outro grupo de objectivos semelhantes e juntam esforços na tentativa de roubar um tesouro.

Se no primeiro livro as espadas possuiam um papel importante, manipulando toda a história, neste segundo quase são remetidas para meros objectos sem importância.

As passagens entre cenas nem sempre são lógicas, e alguns factos são explicados de forma demasiado naive. Os obsctáculos supostamente intransponíveis não convencem ninguém da sua dificuldade e embora no primeiro livro as personagens sejam palpáveis, no segundo parecem bonecos de papel arrastados sem grande motivação por objectivos mal definidos. Os conflitos entre personagens são estranhos e pouco compreensíveis – algo que não se restringe aos conflitos. A sensação de urgência é algo só descrito por palavras que não se transmite ao leitor.

Embora num primeiro volume a história até tenha tido algum interesse, este desvaneceu-se no segundo e a qualidade desceu ao medíocre.

Hum… parece que me calhou a vez a mim….

1. Sou mais sensível do que pareço… mas odeio que me tentem poupar com mentiras – a pura verdade pode doer, mas ao menos enfrenta-se de uma vez.

2. Gosto do mar cinzento esverdeado… não daquele azulão ou azul clarinho, mas o calmo esverdeado, misterioso para o qual se podem perder horas a olhar…

3. Odeio convencidos, prepotentes e mal-educados. E não, dinheiro não é razão para nenhuma destas coisas – pelo contrário mostra que apesar do dinheiro há pessoas que nunca sobem de nível… e provavelmente nunca subirão.

4. Gosto de coisas simples e de coisas complicadas… a maioria das coisas deve ser simples, mas nada como ser intelectualmente estimulada de forma inteligente.

5. Gosto de conhecer – novos lugares, novas pessoas, novas comidas, novas músicas, novos pensamentos…

6. Mais um “gosto de” (é muito mais dificil pensar no que não gosto) – estar com os meus amigos. Às vezes desdobro-me toda para conseguir estar com toda a gente… nem sempre se consegue, mas tenta-se.

Ops!!! tive de editar isto… já me esquecia de seleccionar os infelizes contemplados

Mauina

Random thoughts thrown at the universe…

Desenho Desanimado

Este é mais um livro a juntar aos inúmeros que se referem à Guerra de Tróia, que pretendem acrescentar algo de novo ou rivalizar com a Ilíada de Homero. A história em si é colossal, contendo uma série de pequenas histórias mais ou menos conhecidas que se entrelaçam num grande enredo de 10 anos.

A primeira metade do livro é fundamentalmente sobre os acontecimentos que precederam o início da Guerra – não só se debruçando sobre os elementos divinos (as querelas entre os deuses que acabam por envolver os comuns mortais), como sobre a história das personagens decisivas. Dá-nos também uma visão dos ideiais por detrás da Guerra, pois a fuga de Helena não é senão uma desculpa, uma justificação para partir em campanha.

Com um iníco algo mitológico e de redores mágicos, cedo me pareceu que nem sempre o escritor soube gerir a quantidade de informação e de história disponível para o enredo. Alguns pontos parecem esquecidos com o desenrolar da história, outros parecem encaixados por obrigatoriedade, nem sempre de forma adequada.

Não deixa, no entanto, de ser uma perspectiva interessante, em que a autora revela diferentes desfechos para algumas das personagens ou um desenrolar alternativo para uma mesma história.

Posso dizer que gostei do livro – muito mais do que a recente adaptação para cinema (singela demais para a grandiosa história por detrás), no entanto ficou longe do The Song of Troy de Colleen McCullough, este último também um romance histórico, mas de enredo bem administrado.

Não, não ligo muito a futebol… sou mesmo daquelas pessoas que só consegue dizer uns 20 nomes de jogadores… mas até eu tenho visto a parafernália de imagens, links, filmezinhos que surgiu após a tourada em campo no jogo França-Italia no Euro 2006…

E finalmente, desvenda-se o mistério

Estava a puxar-lhe a camisola e ele [Zidane] disse-me: se quiseres a minha camisola, dou-ta depois. Ao que respondi que preferia a sua irmã.

E aqui está uma bela e louvável maneira de acabar uma carreira ! (not)

Este clássico do cinema realizado em 1961, marca o auge da carreira de Audrey Hepburn, uma estrela eternamente recordada pelo seu estilo e elegância, que se encontra entre as maiores estrelas internacionais desde sempre.

Baseado num livro de Truman Capotte, Audrey representa neste filme o papel de Holly, uma rapariga que trabalha como acompanhante de luxo. De origem humilde, Holly procura na cidade de Nova Iorque um homem rico para se casar e poder cuidar do irmão, Fred. O seu estado de espírito vai alternando entre as neuroses e o flirt, e as depressões brancas são curadas ao tomar o pequeno almoço na montra da conceituada joalharia Tiffany, na qual pensa nada de mal lhe poder acontecer. É num estado neurótico que conhece Paul, o vizinho recém-mudado que apesar de escritor se encontra reduzido a amante de uma mulher casada. Tanto Paul como Holly não vivem de uma forma convencional, e entre eles se estabelece uma relação de amizade e compreensão que se vai aprofundando ao longo do filme.

Mas é de uma forma subtil e inconsequente que tudo isto nos vai sendo apresentado. É sem dúvida um clássico manobrado inteligentemente para escapar à censura da época, em que muito deve ser lido nas entrelinhas. Um filme para ser visto e revisto.

Nota: a personagem de Paul é protagonizada por George Peppard, que é actualmente conhecido pelo seu papel em Esquadrão Classe A.

Nascido em 1920 na Checolosváquia, Milan Kundera era filho de um pianista e musicologista da classe média. Tendo também estudado musicologia, nota-se a influência destes estudos no seu trabalho. Também iniciou estudos de literatura mas passou para filmes. Impedido de continuar os estudos por razões políticas, e expulso do Partido Comunista, dedica-se à literatura. Apesar das primeiras obras terem sido escritas em Checo, adoptou o francês quando se mudou para Paris em 1975.

O Livro

Teresa bate à porta de Tomas de malas e bagagens… ou melhor dizendo com uma única e pesadíssima mala. Partiu em busca de Tomas, um mulherengo que havia terminado recentemente uma tumultuosa relação com a ex-mulher, que a acolhe. Assim se inicia a historia que ao longo do livro vai sendo recontada pelas diversas pessoas nela envolvida. Com cada versão a história muda totalmente. Em segundo plano vamos sendo introduzidos num clima de perseguições políticas e de opressão russo-comunista.

Existem vários níveis na história – a história, o contexto, a reflexão da personagem e a reflexão externa como de um observador. A simbologia surge como um outro modo de expressar sentimentos ou pensamentos, mas sem uma pesada carga filosófica, sem uma extenuante análise frásica até aos significados últimos.

A reflexão existe, mas não para limitar os nossos pensamentos ou juizos de valor, mas para abrir novos horizontes e proporcionar novas maneiras de pensar.
De realçar o modo como ao longo do livro nos damos conta do diferente significado de uma mesma coisa para diferentes pessoas.

Existe amor e traição, mas sem a tragicidade de romance ou peça de teatro. Existe destino, definido não por grandes acontecimentos, mas por estranhas coincidências.

É um romance que não pretende contar uma grande história de amor, mas fazer-nos reflectir sobre o mundo e os acasos da vida – encontra-se no meu TOP10… :)

Não há dinheiro para as pensões dos idosos , não há dinheiro para aviões contra os incêndios, não há dinheiro para a educação, não há dinheiro para a acção social… mas há-o para pagar aos aviões que lançam pétalas sobre a procissão em Idanha-a-Nova…

Henrique VIII (1491-1547), segundo rei da Dinastia de Tudor, é conhecido pelos seus inúmeros casamentos, nos quais as suas esposas perdiam literalmente a cabeça. O primeiro casamento com Catarina de Aragão termina, no entanto, de outra maneira – anulado por não originar descendentes masculinos, mas somente aquela que seria Maria I, Henrique VIII implementa o Protestantismo, à luz do qual se casa com a segunda esposa. Desta união nasce Elizabeth I.

Ironicamente, a últimas das suas esposas, Catherina Perr é também conhecida como a rainha que mais vezes se casou, tendo somado 4 maridos durante o seu reinado.

O Livro

A história tem início após o segundo casamento de Henrique VIII, com a sedução de Elizabeth (filha de Ana Bolena), pelo padrasto, à qual assiste Hannah, filha de um vendedor de livros.
Hannah, de origem judia é uma fugitiva da Inquisição de Espanha, onde terá padecido a sua mãe. Tenta passar despercebida usando roupas de rapaz, mas o seu dom de antever o futuro atrai a atenção de uns clientes de seu pai, entre os quais Robert Dudley. Levada para a corte torna-se no Holy Fool depois de confrontar o rei com a sua pouca esperança de vida – verdade disfarçada pela corte.

Mas não se fica pelo seu papel de bobo – trabalhando como espia para Dudley, Hannah é enviada para servir Maria, a irmã mais velha do rei, a possível herdeira do trono.

Entre servir Maria I, a possível herdeira Elizabeth, e Robert Dudley, Hannah permanece na corte, e durante as curtas visitas ao pai, inicia contacto com o noivo que não aceita o papel dúbio e perigoso da sua prometida.

Ao longo do livro vamos assistindo aos tempos conturbados do reinado de Maria I, às várias tramas de intrigas que se tecem em torno do trono, e simultaneamente ao medo vivido pela comunidade judaica escondida na Inglaterra, em que se queimam todos aqueles que possam seguir uma fé diferente da estabelecida – uma altura em que a fé “correcta” muda com o monarca.

Apesar de não conhecer previamente a história da dinastia Tudor (só por alto), gostei do retrato feito da época, mas achei o papel de Hannah (personagem fictícia) pouco verosímil – judia, fugida de Espanha, acaba por tornar-se numa das principais confidentes da rarinha apesar de conhecida a sua lealdade a Robert Dudley (conhecido como traidor e envolvido nas tramas para depor a rainha).

E este acaba por ser, para mim, um dos principais pontos fracos do livro – ao querer recontar a mítica história da família Tudor, Philippa Gregory acaba por cair nalgumas incongruências.

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