Outubro 2006


De origem austríaca, Marie Antoinette casou com o herdeiro do trono de França para fortalecer uma aliança entre os dois países. Conhecida pelo seu modo de vida excessivo e exuberante, Marie Antoinette tornou-se célebre pela morte na guilhotina aquando da Revolução Francesa; assim como pela resposta “brioches” quando questionada sobre o que comeria o povo, terminado o pão.

Mas é essencialmente da vida protegida e alienada que este filme retrata, em que se poderá estabelecer um paralelismo entre a falta de senso da rainha com a de algumas pessoas da actualidade. Uma crítica social? Provavelmente. Se anteriormente eram os nobres os detentores de tal riqueza, ostentação e exuberância, por agora as semelhanças abundam com personagens mediáticas.

O filme não se restringe à ostentação da rainha, pairando sobre o seu estranho relacionamento com o rei – dois jovens desajeitados que não se acertam; deixando descair uma mirada sobre outras ligações sentimentais; e inclinando-se satiricamente sobre os pormenores da rotina diária que se alongam eternamente no protocolo francês complicado e ridículo.

O resultado, embora interessante, consegue deixar no espectador a sensação de se alongar demasiado – o que não é o caso, o filme tem a duração normal. A paisagem é um dos pontos fortes, a cenas são interessantes – mas o total não me agradou completamente. Diria que falta algo, embora não consiga descortinar o quê.

Pequena nota – a meio é visível um actual par de ténis – esquecido ou propositado? não sei. A imagem é demasiado rápida e nem todos conseguem dar por ela.

Neste livro Joanne Harris conta a história de uma senhora viúva (Framboise) que retorna à vila onde cresceu com os irmãos. Framboise esconde a sua identidade e abre uma “creperie” aproveitando o livro de receitas que a mãe lhe deixou. Mas o livro de receitas não é só um rol de ingredientes e instruções culinárias, mas também um apanhado dos momentos principais da família. E assim, Framboise vai relembrando a infância tumoltuosa no tempo da guerra, com os seus irmãos Cassis e Reine-Claude.. as lembranças são intercaladas com o relato do actual – a relação com o problemático sobrinho (filho de Cassis), a relação com as filhas, e a relação com um amigo de infância do qual tenta esconder a identidade.

Comparativamente a outros livros da autora, a história neste é contada de uma maneira mais lenta e talvez por se tratar de uma personagem idosa, a história é contada com tempo, e sem pressas de descortinar os mistérios pendentes.

I know, I know. You want me to get to the point. But this is at least as important as the rest, the method of telling, and the time taken to tell. It has taken me fifty-five to begin, at least let me do it in my own way.

O ritmo da acção é pausado, mas o da leitura não tem de o ser. A história está bem construída e apesar de ter criado uma embirrão inicial crónica acaba-se a torcer pela Françoise.

Embora a história possa ser comparada à de Chocolate, para mim resume-se ao ponto de partida – uma loja de doces abre as portas às mãos de uma estranha à povoação. Em Cinco Quartos de Laranja a acção principal é passada, e é sempre com este em mente que Françoise reage.

Não é o melhor da autora, mas aconselhável a quem gosta do género.

Bem, e o que sai quando um economista (que lecciona Teoria Política e faz parte de uma coisa estranha chamada Evolutionary Moral Psychology Group) resolve opinar sobre evolução na espécie humana? – Uma notícia na BBC News que deve ser algo como Monty Python para cientistas (ou conhecedores da teoria da evolução)… Infelizmente, o artigo pretende ter um teor sério e credível.

Mas tanto palreio sobre a teoria… afinal em que consiste?
Primeiro que tudo, supõe que a raça humana se ramificaria em duas partes. Mas a divisão não é a parte aberratória – em que consiste, isso sim é cómico.

Evolutionary theorist Oliver Curry of the London School of Economics expects a genetic upper class and a dim-witted underclass to emerge.

Basicamente pressupõe a formação da classe de escravos burros feios e estúpidos, verdadeiros anões; e de uma classe de elite, constituída por indivíduos saudáveis, de longevidade elevada, altos, esbeltos, férteis e de aspecto jovem.

Physical appearance, driven by indicators of health, youth and fertility, will improve, he says, while men will exhibit symmetrical facial features, look athletic, and have squarer jaws, deeper voices and bigger penises.

Women, on the other hand, will develop lighter, smooth, hairless skin, large clear eyes, pert breasts, glossy hair, and even features, he adds. Racial differences will be ironed out by interbreeding, producing a uniform race of coffee-coloured people.

Só algumas coisas

1. Nós não somos cães. Não só temos genes escondidos (muitas pessoas morenas têm gene para olhos azuis, mas o gene dos olhos castanhos sobrepõe-se), como normalmente as pessoas não escolhem os parceiros com o objectivo de apurar determinada característica genética. Além disso… os séculos de cruzamento entre elites resultaram em acumulação de doenças nas várias famílias reais europeias… e não na criação de uma classe perfeita

2. Diz-se que a Simetria Facial representa saúde e a ausência de doenças deformatórias na infância, mas com a diminuição das doenças, com o aumento dos tratamentos para tudo, e com as várias técnicas plásticas, provavelmente até serão bonitos e tal… agora o que tem isso a ver com os genes ou com a evolução da espécie? Simplesmente carregam os genes para todas as deficiências e mais algumas, mas tal não é visível.

3. Bigger Penises??? algum fetiche ou desejo do autor?

4. bem, é so a mim que parece haver incongruência no tom de pele ? “lighter, smooth, hairless skin”…. “coffee-coloured people”

5. hairless skin – no blog de um cientista na Science vêm dois interessantes argumentos. A) existe actualmente algum tipo de selecção negativa quanto a isto? as senhoras com mais pêlos rapam-nos … por isso… os homens não vêm se elas são peludas ou não… B) supostamente o número de pêlos que temos corresponde ao dos primatas nossos primos … diferença é que os temos vários finos, transparentes ou raquíticos….

6. pert breasts? outro comentário engraçado retirado do tal blog…. falta os homens começarem a adquirir vários tentáculos.

7. Que raio de diferenças raciais? segundo vários antropólogos, geniticistas e por aí fora, a variabilidade genética existente na espécie humana não é suficiente para definir raças…

8. Já agora, a coloração da pele parece que difere quanto ao local onde nascemos. Supostamente se as crianças nascerem em locais com pouco sol, desenvolvem uma tonalidade mais clara por não necessitarem da melanina produzida….

Oh wellll……. e depois ainda publica isto na BBC News…. Faz lembrar as notícias nos jornais que são chorrilhos de disparates…..

Os modelos matemáticos são muito utilizados hoje em dia – para prever resultados, para explicar fenómenos; e em praticamente todas as áreas da ciência – química, física, biologia e por aí fora.

Mas será que os modelos matemáticos ao serem abstractos, podem fazer com que a ciência se debruce sobre campos irreais ou não percepcionados pelo Homem? Sobre o perigo dos modelos matemáticos, saiu um interessante artigo na Science

Mathematics is at root a formal description of orderliness, and since the universe is orderly (at least on scales of space-time and mass-energy, which are within our power to observe), it should come as no surprise that the real world is well modeled mathematically. The mistake comes in turning this relationship on its head and expecting that every sequela of a mathematical model enjoys some real-world counterpart.

Lá porque um modelo se aplica à realidade conhecida, as suas outras resoluções possíveis não têm necessariamente de dilenear o que não se explorou.

E a dissertação na Science continua, relacionando a crença cega nos modelos com a visão antropomórfica e consequentemente com a especulação teológica que daí advém.

Com as novas teorias, alguns resultados são obtidos com base no que seria necessário para se originar vida, e não por observação. Isto traz alguns problemas, pois se nem todos os pressupostos estiverem correctos, apenas leva a um acumular sucessivo de erros.

Aqui fica mais um excerto deste interessante artigo

“We no longer have any evidence that our little piece of the universe is representative of the whole thing,” Susskind argues. And if the universe is not everywhere the same, then the properties of nature that physics has tried to specify would differ from place to place. “Once we agree that it’s diverse, then some features of it are environmental,” he says. “We have to figure out which ones.”

Mas falando em Teologia e em Ciência, surgiu agora um livro que parece interessante, do mesmo autor de Gene Egoísta

Richard Dawkins, who holds the interesting title of “Charles Simonyi professor of the public understanding of science” at Oxford University, is a master of scientific exposition and synthesis. When it comes to his own specialty, evolutionary biology, there is none better. But the purpose of this book, his latest of many, is not to explain science. It is rather, as he tells us, “to raise consciousness,” which is quite another thing.

Mais sobre o livro pode ser lido no NYTIMES

Não, não começou hoje. Eu sei que já teve início dia 20 de Outubro. Mas só agora consegui encontrar o site , após várias e infrutíferas procuras nos motores de busca. Por isso, aqui fica a informação para quem ainda for a tempo de aproveitar.

De realçar a presença de vários autores africanos e sul-americanos nos quais este ano a organização apostou em força. Há sessões de autógrafos, lançamentos, palestras, música… E não se assustem pelo local. O Festival decorre em frente a uma esquadra de polícia.

Pequena nota – sites muito bonitinhos e cheios de palhaçada normalmente dão nisto – pequenas incompatibilidades, pesados e passado algum tempo… irritantes.

Afastado da cidade, vive um famoso constructor de violinos com o seu simples filho. Procurando fugir ao contacto humano, espera pacientemente pelo dia em que poderá trabalhar um pedaço de madeira que colocará há anos a secar. O momento finalmente chega, e com ele um jovem enviado de Stradivarius. Silverius hesita em aceitá-lo como seu primeiro aprendiz – teme partilhar os segredos do ofício com um desconhecido. Mas as frases proferidas por Stradivarius levam-no a reconsiderar, e a deixar o recém-chegado trabalhar no precioso pedaço de madeira.

Espantosamente, o filho epilético recupera da estranha apatia, e estabelece com um jovem uma benéfica relação.

É um livro pequeno, uma história bonita – contudo demasiado simples.

De realçar a descrição da enfermidade do rapaz, e o modo como foi explorada a relação com o pai. No entanto, de um modo geral, as personagens têm pouca profundidade assemelando-se por vezes a contos infantis. A história em si poderia ter sido melhor desenvolvida.

Concluindo, é um livro engraçado e leve, que poderia ter sido melhor aproveitado.

Pode ler-se zdnetasia 

UWB technology can deliver data rates at up to 480 megabits per second at around 3 meters, with speeds dropping off as the range grows to a limit of about 10 meters. Real-world speeds will probably be a little slower, but this is as fast as the wired version of USB 2.0 and much faster than current Wi-Fi networks are capable of transmitting data.

Hum…. ! e já agora, vai gastar as fortunas em pilhas que gastam os actuais ratos wireless?

 Pictures taken on a digital camera could be immediately downloaded to a PC with the push of a button. The first time the devices notice each other, the PC would ask the user if it should connect to that particular camera, hard drive or smart phone.

Bem, isto já me parece mais interessante – mas se a autorização apenas tiver de provir do utilizador do pc… será que poderei começar a roubar as fotos dos telemóveis dos vizinhos?

Avacalhanços à parte, com a tecnologia que temos semi-disponível porque me parece que o avanço tecnológico está a ser lento ? estará a ser modelado para fazer render o peixe nos mercados? ou estaremos numa fase estacionário de aperfeiçoamento do que já temos ?

Serei então, imortal? esta é uma questão que tenho colocado a mim próprio dia e noite, há já trezentos e três anos, e mesmo assim, não lhe consigo responder. Ainda hoje detectei um cabelo branco entre os meus caracóis castanhos – isso denota seguramente uma deterioração. Contudo, ele pode ter permanecido ali escondido durante trezentos anos – pois há pessoas cujas cabeças se tornaram totalmente grisalhas antes dos vinte anos de idade.

Assim se introduz a colectânea de contos de Mary Shelley, autora de Frankenstein. Deste livro fazem parte 5 contos

- Mortal Imortal: um conto – história que dá nome ao livro e do qual faz parte o excerto acima. É uma estranha história de imortalidade, que reflecte a eternidade vivida sem alteração. Apesar de ser um conto simples, foi realmente este que mais me captou, talvez por a concretização de um dos maiores desejos da humanidade, se poder tornar num tal pesadelo.

- Transformação – nesta história, um jovem desperdiça a enorme riqueza herdada, em jogos, festas e ostentação – retornando à terra onde nasceu, aproxima-se do pai da sua prometida, mas é escorraçado pelos sucessivos abusos cometidos. Acaba a vaguear, amargurado por pensamentos de vingança, até encontrar um navio naufragado e um anão sobrevivente. A cobiça fá-lo “alugar” o seu corpo ao anão. Apesar de engraçado, achei que estava demasiado carregado de moralismo.

- Roger Dodsworth: O Inglês reanimado – um jovem congelado retorna à vida após vários anos, realizando que o seu mundo desapareceu – a herança não se encontra intacta, a noiva já terá morrido, e a realidade transformou-se – sente-se perdido num mundo ao qual já não está adaptado.

- O Sonho – para mim o conto de menor relevância nesta colectânea, em que uma dama terá perdido pais e irmãos às mãos da família do amante, considerando a hipótese de se deslocar para um convento. o amante tenta demove-la sem sucesso, e quando o rei presende mudar a ideia da dama, esta deixa recair a decisão sobre Deus indo dormir para a cama de Santa Catarina.

- Valério: O Romano reanimado - o último conto é semelhante ao do inglês reanimado. Um romano retorna a Roma vários séculos após a sua morte, chocando-se com as alterações que sofreu a Cidade Eterna – mas não o escandaliza tanto o estado de degradação de alguns edifícios, como a hedionda adaptação que estes sofreram ao cristianismo. Somente no coliseu se sente em casa, que apesar de ter sido construído após a sua morte, conserva ainda o esplendor do espírito romano.

A esperada sessão de autógrafos na FNAC do Colombo, que se destinava a promover o último livro de Sepúlveda publicado pela Asa (O Poder dos Sonhos), em pouco tempo se converteu em conversa política e transmissão de ideias.

Talvez por este livro ser essencialmente um conjunto de crónicas e de pequenos textos de opinião, a sessão de lançamento transformou-se, com as perguntas do público, em dissertação sobre assuntos intercontinentais – como a situação política da América do Sul, mas especificamente a complexidade da realidade brasileira; ou como a escolha da integração da Letónia, Estónia e Lituânia, enquanto a Turquia permanece no limiar europeu.

O autor apresenta-nos uma visão um pouco diferente, uma perspectiva de sul americano que vive há muitos anos em Espanha – ideias lançadas para germinar e fazer pensar: a assunção de que pensar pode ser perigoso, quando se questionam determinados factos – se questionas, é porque não acreditas piamente e isso é sinal de que não se é completamente domesticado. Outra ideia referida pelo autor refere-se à actual facilidade de divulgação de dados – sobre os quais é necessário reflectir, processar e concluir.Finalmente, mais uma curiosidade do que outra coisa, Luís Sepúlveda terá no Terreiro do Paço, um dos locais predilectos em Lisboa para contemplar o rio e terá questionado vários lisboetas quanto ao porquê da perpetuação das obras…. Várias e diferentes respostas terá escutado….

E eu que sempre pensei que tal se devia ao facto de tal zona ter sido construída em área conquistada ao rio com madeiras e género de diques… Alguém me terá dito que aquando das obras, a madeira antiga a descoberto não se manteria intacta fora de água, causando instabilidade no terreno… (alguém tem mais versões ?)

Vampiros, lobisomens e outras figuras demoníacas, podem ser encontradas no folclore europeu ao longo de vários séculos de histórias e crenças populares. Partindo desta panóplia de lendas e mitos, mas baseando-se na figura de Lorde Byron, Polidori escreveu a primeira obra inglesa sobre vampiros, que marcará a caracterização posterior destas criaturas no género.

Anos mais tarde, no final da época victoriana e no virar do século, Bram Stoker escreve Dracula, um clássico de horror/ terror que apesar de bem acolhido pelo público, demorou longos anos até ver a luz da publicação. Como inspiração para vampiro escolheu Vlad Tepes III o Empalador, um nobre da Transilvânia conhecido pela sua cultura, inteligência, mas acima de tudo, crueldade. Stoker prolonga os feitos da personagem além morte, fazendo com que esta encarne um vampiro estranhos poderes sobrenaturais.

E é ao castelo de Vlad Tepes, nas montanhas do Cárpato, que Jonathan Harker se desloca a partir de Ingalterra, para exercer as suas funções de solicitador. Durante a viagem, depara-se com a estranha reacção dos aldeões quando lhes revela o seu destino, e o troço final transforma-se num misto de irrealidade e de pesadelo. Finalmente no castelo, em pouco tempo se vê prisioneiro do conde, assistindo a episódios macabros e conhecendo personagens sedutoras e maléficas. Psicologicamente afectado, escapa após diversas tentativas, regressando aos braços da sua doce e virtuosa noiva Mina, na terra natal. Do terror vivido duvida, pondo em causa a sua própria sanidade. Pouco tempo depois, um barco atraca em Inglaterra, no meio de uma tempestade – a bordo, apenas sobreviveu um grande cão preto.

Entretanto Mina visita uma amiga de longa data, Lucy, na proximidade do seu casamento, e verifica que esta torna ao sonambulismo típico de infância – vítima do vampiro, a jovem sucumbe à fraqueza e a caça ao Dracula inicia-se.

No limiar entre a superstição e a ciência, entre o moderno e o tradicional, é visível o confronto, a passagem da crença para a tecnologia teve lugar na época Victoriana.

Por um lado utilizam-se os últimos avanços da medicina no tratamento e na perseguição do vampiro, por outro, baseam-se em crenças populares para definir as causas da doença e para a amenizar os sintomas.

As figuras heróicas são essencialmente homens, dispostos a enfrentar os piores pesadelos, mas não só – um dos papéis principais é feminino – uma mulher frágil, pura mas corajosa que inspira e incentiva a perseverança masculina.

É uma obra que reflecte a época em que foi escrita, e apesar de a história ser comummente conhecida, não deixa de ter o seu interesse.

Em Little Miss Sunshine acompanhamos a missão familiar de levar a filha mais nova a participarnum concurso de beleza. Para satisfazer o sonho da criança, o estranho agregado familiar partilha uma velha carripana – o tio, homossexual, em plena crise amorosa e existencial que recentemente tentou o suicídio; o filho mais velho, adolescente, em voto de silêncio para conseguir entrar na Força Aérea; o avo, expulso do lar por fumar heroína; o pai que vive num mundo a preto e branco de vencedores e falhados.

Com uma veia cómica pouco usual, uma banda sonora estrondosa, este nada vulgar filme inteligente, com a sua pequena dose crítica, surpreende positivamente ao longo dos seus 100 minutos.

Cientificamente correcto, graficamente espectacular, um estrondo de nos deixar de queixo caído – ainda mais fabuloso quando se pensa que nós temos milhões destas “maquinazinhas”

Não costumo deixar links para videos e afins, mas este vale a pena

O livro começa com Casaubon a admirar o Pêndulo… o seu movimento, o seu significado – a chave mestra do Plano. Casaubon encontra-se em Paris após um perturbante telefonema de Belbo, que lhe confessa a veracidade do Plano – “Que absurdo! Tínhamo-lo inventado nós”.

Mas, o que é o verdadeiramente o Plano? Antes de seguir para Paris, Casaubon terá ido a casa de Belbo e inspeccionado o diário no qual se encerram os textos construídos ao acaso, mas que resumem o rumo de Belbo. A leitura destes textos é intercalada com os longos diálogos, ambos carregados de laços factuais que se sucedem ininterruptamente, e de informação que jorra de modo estonteante. É assim que se enrola o enredo, cada vez mais complexo, mais irreal, no qual o leitor tem de ir retendo os dados mais importantes e ir criando âncoras para seguir o raciocínio, por vezes turvo, que culmina no Plano.

A enumeração e a descrição, que tinham conseguido ser q.b. no Baudolino, parecem-me aqui um pouco excessivas nalgumas passagens. É um livro carregado de conexões algo complexas que englobam a história dos últimos séculos, envolvida em referências esotóricas, sociedades secretas e charlatães.

Mas tal como Baudolino, as personagens principais criam um história mirabolante, pela qual se fascinam e na qual se afogam, desvanecendo-se a fronteira entre a história e a realidade.

Finalmente com PC em casa e de volta à internet…. :D A ver se agora retomo o anterior ritmo de escrita!

Comprado em resultado da vinda do autor a Portugal, esperava um vulgar e mesmo aborrecido livro de divulgação científica.

Felizmente a expectativa demasiado baixa foi ultrapassada. Numa obra em que todos os dados relacionados com a masculinidade são postos a cru, os homens são dissecados em frases hilariantes – desde os espermatozóides, ao pénis, aos caracteres secundários e ao cérebro.

Os factos são confrontados com as crenças populares, mitos urbanos ou ideias “científicas” comuns na Antiguidade.
Existe ainda uma interessante dissertação sobre a famosa teoria segundo a qual, o cromossoma Y desaparecia dentro de alguns anos, deixando a humanidade como uma multidão de fêmeas disseminadas assexuadamente.

Este é daqueles livros que passou directamente para um dos melhores de divulgação científica, não só pelo conteúdo, mas pela forma como autor soube aproveitar a temática.

O Autor

 Oriundo de Nova Iorque, Carl Sagan licenciou-se em Física e doutorou-se em Astronomia e Astrofísica. O primeiro a colocar a hipótese da existência de oceanos ou lagos em Europa (Lua de Júpiter) e em Titã, é geralmente conhecido pelo papel prepondurante na popularização da ciência através de série (Cosmos, por exemplo), ou de livros.

O Livro
Esta obra de divulgação científica encontra-se dividido em 3 partes:
- A força e a Beleza da quantificação
- O que estão os conservadores a conservar
- Onde o coração colite com a mente

Na primeira são referidas as unidades de medida, a nomenclatura científica, o valor real exponencial – uma introdução para a compreensão de conceitos mais aprofundados.

Sobre a conservação dedica-se uma considerável parte do livro. A autosuficiência de um pequeno mundo é inicialmente relatada como modo de comparação e extrapolação para a Terra – como se mantém a vida na Terra, o equilíbrio que existe e o modo como este é posto em causa pelo aquecimento global, e o buraco do ozono são explicados, terminando-se com a relação da ecologia com a política e a posição da religião face ao crescimento da população humana e à natureza.
Finalmente, a última parte contém um apanhado de textos sobre os mais diversos assuntos, desde a relação Rússia / Eua, Aborto, à Teoria dos jogos ou à evolução do poder destrutivo das armas (e do esforço dispendido nestas). Para último, ficam duas dissertações – sobre a vida no século XX e sobre a morte – o confronto com a morte testemunhado pelo próprio autor, e pela esposa nos último momentos de vida deste.

Embora possa ser extremamente interessante como introdução ao mundo da ciência e mais especificamente ao da física, o livro constitui um apanhado de cultural geral científica, com explicações simples de conceitos e ideias complicadas.

As dissertações foram, para mim , a parte mais interessante, encerrando com um testemunho inesperado e arrepiante da morte de um dos cientistas que mais contribuiu para levar às massas a Ciência.

As tecnologias não só evoluem como se tornam sucessivamente incompatíveis. São os novos sistemas digitais, as novas televisões… e a indecisão em comprar reina porque não sabemos o que surgirá meses depois.

Se os plasmas impressionam pela qualidade e nitidez de imagem, como serão as TVs a laser?

If you look at any screen today, the color content is roughly about 30-35 per cent of what the eye can see,” he said. “But for the very first time with a laser TV we’ll be able to see 90 per cent of what the eye can see. All of a sudden what you see is a lifelike image on display.”‘

Mas não só no ramo da comunicação existem extraordinárias revelações.

Esta semana encontra-se em pré-publicação um artigo na Nanomedicine da Elsevier segundo o qual uma nova substância poderá revoluccionar a saúde. De rápida polimerização, a substância bio-degradável permitirá estancar hemorrogias em escassos segundos, sem qualquer inconveniente encontrado até à data.

Até estar o artigo acessível, poderemos ler um pequeno resumo na New Scientist

Swab a clear liquid onto a gaping wound and watch the bleeding stop in seconds. An international team of researchers has accomplished just that in animals, using a solution of protein molecules that self-organise on the nanoscale into a biodegradable gel that stops bleeding.

Aplicações estudam-se não só para feridas como em complicadas cirurgias à vista ou em hemorrogias cerebrais.

O Coronel, um dos 200 oficiais da revolução a quem prometeram indemnizações e subsídios, é um homem orgulhoso que espera eternamente pelo cumprir da promessa… mas já passaram 25 anos e a resposta tarda…
Com a esposa asmática e sem comida na mesa, o coronel remete as suas esperanças para um galo herdado do filho recentemente falecido. Um galo de combate que, espera o coronel, lhe possibilitará pagar as dívidas contraídas e sustentar a casa até à chegada da carta… mas ninguem escreve ao coronel, e o galo não se alimenta de ar.

Este é dos primeiros contos escritos por Gabriel Garcia Marquez. Descreve a existência de uma familia em miséria orgulhosa, que vive em prol de promessas e esperanças vãs, esperando o dia que não chega.

O Coronel, homem de princípios, é uma daquelas personagens típicas que espera eternamente a pensão prometida mas nunca vista, relembrando com nostalgia o passado. A esposa doente e cansada, mulher dura que não verteu lágrimas aquando da morte do filho, vai-se deteriorando com a espera, instaurando-se o desgosto e a desilusão.

Este pequeno conto, isolado não nos envolve tão magicamente quanto os livros de contos que li anteriormente de Gabriel Garcia Marquez; e o final tornou-se para mim desconcertante. É no entanto, uma leitura agradável que perde em comparação com outras obras do autor.

Enquanto umas editoras continuam com medo das espreitadelas não pagas (não vá aperceberem-se que o interesse auspiciado nas contracapas não corresponde ao livro); outras elevam aos céus as novas possibilidades de busca do google

The director of the Oxford University Press said, ‘Google Book Search has helped us turn searchers into consumers.’ It seems to work in favor of the smaller publishers

Será este mais um passo para dizer adeus às elevadas limitações das actuais leis de copyright?

Dois ex-boxers seguem a carreira de polícias em L.A. – Mr Fire e Mr.Ice, constituindo os heróis da cidade. Chamados a desvendar o assassínio de Elizabeth Short, vão-se ver emocional e pessoalmente envolvidos.

Inicialmente centrado na vida no ring dos dois polícias, seguem-se momentos exaustivos sobre o relacionalmente de cumplicidade que os dois estabelecem.

Resultado de uma salgalhada de géneros, o filme vai deixando a sensação de que falta sempre algo – todos os rumos possíveis da história vão sendo explorados, e na tentativa de seguir tudo ao mesmo tempo, nenhuma das facetas fica completa ou atinge a perfeição. Frustada fica ainda a tentativa de nos representar os sombrios anos 40, deixando o espectador em irrealidade temporal – e se por breves e raros momentos podemos ver uma boa retratação dessa época, a personagem principal parece sempre saltar do ecrã directamente para os dias de hoje.

Abaixo das expectativas criadas pelo trailler, não será um filme para eu repetir tão cedo.

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