Novembro 2006


Título estranho, premissa ainda mais estranha – resultado hilariante.

Rodando em torno de Nick Nayor, porta-voz da associação tabaqueira, um intermediário entre dois sectores da sociedade, como ele próprio se designa, a história desenrola-se no modo como os vários lobbies são explorados – tabaco, alcóol e armas.

O que será que tem mais valor numa discussão pública? Convencer o adversário a mudar de opinião, ou convencer a audiência da inexactidão do parecer antagonista? Esta é a base da manipulação de Nick, que ao processar a informação de modo diferente, persuade a população americana a não se insurgir contra o tabaco.

Por outro lado, Joey, filho de Nick, acompanha-o em parte do seu trabalho e vendo no pai um modelo a seguir, capta o raciocínio preverso que é necessário estabelecer. Assistimos ao propagar da política manobradora.

Uma sátira ao mundo da informação e da manipulação através dos media, com críticas interessantes e actuais, o filme tem várias facetas – politicamente incorrecto, moralmente reprovável, uma crítica mordaz e inteligente ao modo como as populações se deixam manobrar. Em suma- assustador.

Adaptado a partir do  famoso romance de Patrick Suskind, Perfume (que se encontra ainda à espera de ser lido, numa das minhas prateleiras), o filme transporta-nos até à cidade de Paris no século XVIII, época onde abundavam todos os cheiros imagináveis e inimagináveis – o cheiro a podre ou a estagnado confunde-se com o dos dejectos deitados à rua, enquanto os mais sublimes perfumes das damas se elevam por breves momentos.

É sobre os restos de peixe podre que nasce Jean-Baptiste Grenouille, por entre as pernas de uma peixeira que pensa abandoná-lo. Mas o choro do bebé trai-a e alarma os circundantes. A mãe é enforcada e Jean é levado para um orfanato, onde cresce sem grande noção do que o rodeia, excepto dos odores. Para ele o mundo é constituído por cheiros e cada ser, cada objecto tem a sua essência específica. Fascinado pelos aromas que o rodeiam, alarma-se quando o odor de uma rapariga que sufocara, desaparece horas depois da sua morte. A partir daí, decide aprender a captar a essência de tudo – das flores, do ferro, da madeira ou do corpo humano.

A fama do livro é imensa, e as expectativas quanto ao filme eram elevadas – mesmo assim, conseguiu interessar de uma forma estranha, não previsível. Apesar de retratar um assassino, a história não se debruça sobre a moralidade de tais actos, mas sobre o encanto perante a exaltação excessiva de um sentido. Imagens chocantes? existem, mas o fascínio que as rodeia, faz com que o choque tenha sentido e faça parte de um todo.

Enfim, um filme a ir ver mesmo para quem não aprecia muito o género.

Retratando os primórdios da carreira de agende secreto 007, o filme começa com seguidas e variadas cenas de acção – assassínio frio, pancadaria, e uma excelente cena de perseguição. Bond, James Bond, segue o rasto de um bombista até aos financiadores do crime organizado.

Da personagem ficamos a saber mais do que provavelmente em todos os outros filmes juntos, explicando-se muito para quem nunca leu os livros – nos anteriores filmes, Bond é impenetrável, uma pedra sobre a qual dados pessoais são praticamente nulos. Não aqui.

Em termos de acção não desaponta – cenas de violência crua, desafios, perseguições e os habituais jogos de sedução. Apesar de não ter simpatizado totalmente com a escolha do actor para 007 (a meu ver, não tem a postura necessária), até devo dizer que não está assim tão mau como já tinha ouvido comentar. Menos boa, referia uma cena que achei particularmente lamechas e que a meu ver se prolonga demasiado. De resto, um jeitoso filme de acção baseado em premissas um pouco diferentes do mais famoso agente secreto.

Editado em Portugal com o nome Lenho Negro, neste segundo volume do ciclo, a história prossegue com o relato alternado das duas épocas – Murrau envelheceu alguns anos, e Murdo tem um filho que será aqui a personagem principal, Duncan.

Este parte com a morte da esposa, juntamente com um membro dos Célé Dé, contra a vontade de seu pai, para encontrar a cruz de Cristo.

Um início mal justificado para uma história que se caracteriza pelo aumento dos momentos reflectivos, e pela diminuição das guerras e das movimentações. O objectivo da viagem é algo forçado para cumprir os objectivos do livro e do autor. Por outro lado, a demasiada centralização numa só personagem , levou-me a gostar menos do segundo volume do ciclo.

Partindo de um trocadilho entre aviões e planos de existência Ursula K. Le Guin, chega ao pressuposto de que será possível deambular entre planos de existência, se estivermos num aeroporto, à espera de um avião. Para tal podem ser necessárias certas condições como sentir tédio, ansiedade ou stress.

It was Sita Dulip who discovered, whilst stuck in an airport, unable to get anywhere, how to change planes – literally. By a mere kind of a twist and a slipping bend, easier to do than describe, she could go anywhere – be anywhere – because she was already between planes …

Seguimos então um viajante que se passeia entre diversos mundos paralelos, alguns que, inicialmente, em pouco parecem diferir do nosso, mas em que as mínimas divergências se traduzem por características muito próprias dos habitantes sapientes – nalguns mundos as populações seguem ciclos migratórios como os animais, noutro os sonhos são partilhados por todos aqueles que se encontrem em redor, existindo ainda por locais habitados por pessoas geneticamente modificadas.

Cada mundo é uma história, simples, mas bonita contada com mestria. No entanto, não se pense que a esta beleza está associada a felicidade – algumas, para além de invulgares, são tristes, contendo situações caricatas, macabras ou impensáveis que se misturam para dar origem aos diferentes planos. Talvez outro autor optasse por explorar cada um dos mundos num livro – assim, o resultado compilado encontra-se repleto de novidades, sem chegar a cansar com o passar das páginas.

Apesar de apresentar algumas das que poderão ser consideradas das melhores histórias lidas, o conjunto não se tornou um dos preferidos da autora.

E porque eu não encontro este tipo de informação num só local, aqui vai uma listagem do que poderão esperar ao longo do que resta do mês

22 de Novembro

- Poemas de Brincar e Horas do Tempo – 21h00, FNAC do Chiado. Restantes informações na agenda FNAC
23 de Novembro 

- Long John Silver e A Saga de Gosta Berling – 18h30 na Casa Fernando Pessoa, informações mais completas no site Cavalo de Ferro 

- Diário de Paris – 18h30, no Teatro S. Luis, informações no site das Edições Asa

- O Auto da Nave dos Loucos – 18h30, FNAC Colombo. Restantes informações na agenda FNAC

24 de Novembro 

- Amar depois de Amar-te – 17h00, Livraria Índex (Torres Vedras)

- Amar depois de Amar-te -21h30, Bibioteca Municipal de Alcobaça (Alcobaça)

- A Eternidade Noutra Noite – 19h00, FNAC Sta. Catarina. Restantes informações na agenda FNAC 

25 de Novembro

- Os Amores de Salazar – 18h00, FNAC Norteshopping

- Primeiras Páginas , o século XX nos jornais portugueses – 18h30 na FNAC Chiado. Restantes informações na agenda FNAC

- S. Cristovão – 18h30, FNAC Gaiashopping. Restantes informações na agenda FNAC.  

26 de Novembro 

- Amor e um quarto de Hotel – 21h00, FNAC Cascais. Restantes informações na agenda FNAC

28 de Novembro

- Mozart e os Mistérios Iniciáticos – Local e hora a anunciar, sendo necessária confirmação da presença. Restantes informações em Ésquilo

- O Velho que Lia Romances de Amor (audiobook) – FNAC Colombo. Restantes informações na agenda FNAC

30 de Novembro 

- Sebastião e a vidente – 19h30, FNAC  Norteshopping. Restantes informações na agenda FNAC

- A Minha Andorinha – 18h00, FNAC Sta Catarina. Restantes informações na agenda FNAC  

Mais informações, sintam-se à vontade para comentar.

China Miéville, escritor inglês de ficção fantástica, gosta de descrever a sua obra como “weird” e, na realidade, se há palavra que defina na perfeição o livro, é “estranho”. No entanto, é um género de estranheza que se entranha

Cutter would look up, time to time, from his hammering or earth-laying, and see the glowering of the cacotopic stain in the near-distance: the snarl of sky and scene, a baby’s face, an explosion of leaves, an animal in the uncertainty in the air and the hills. We don’t even see it no more, he thought, amazed, and shook his head. The sky was clear, but a serein drizzled onto them. You can get used to the most monstrous absurdity, he thought.

Num clima de revolta controlada, de clandestinidade e de desafio, sob regime dictatorial, co-existem várias espécies sapientes numa mesma cidade. Um mito encorajador persiste – o do Iron Council. E é em busca deste que se inicia – devagar vamos percebendo e entrando neste mundo pouco usual, com regras distintas às que estamos habituados. Embora tal seja uma característica comum a tantos outros livros de fantasia, aqui tem um sentido diferente. Não esperem elfos, anões, fadas ou um ambiente medieval. Não esperem nada, porque quase de certeza que não corresponderá ao que está escrito. O fantástico está presente em praticamente todas as passagens – não de uma forma usual.

De realçar, o trabalho com as personagens – complexas, que seguem rumos não expectáveis, e sofrem evolução ao longo da história, sendo notória uma alteração da sua relevância com o desenrolar dos acontecimentos

Aconselhável a quem gosta do género fantástico, mas não deseja ler algo já muito rebatido e consumido.

A narrativa tem início no final do século XIX, em 1899, descrevendo o ritual de uma sociedade secreta aquando da passagem de Murray a um círculo mais interno. Somos, depois, remetidos para a época das crusadas, para a família de Murdo, cujo pai e irmãos mais velhos partem para a Terra Santa em busca da absolvição divina. Mais novo, foi obrigado a permanecer em casa juntamente com a mãe, tomando conta dos afazeres e dos negócios familiares durante um par de anos. Até que o azar se abate, e Murdo é obrigado a partir em busca do pai.

Neste livro, a história alterna entre os dois espaços temporais, entre Murray e Murdo, e o que têm em comum as duas personagens é algo que vamos descobrindo ao longo das 500 páginas. As duas faces são um pouco distintas – um mistério religioso que alterna com um romance histórico. Simultaneamente, é descrita uma excursão de peregrinos que tem como objectivo a conquista aos infiéis.

Pequeno aparte, a vertente de mistério religioso nada tem a ver com a recente onda Davinciana, até porque o livro foi publicado alguns anos antes.

Como obra de Stephen Lawhead, não é das suas melhores. Patrick é para mim o ex-libris deste autor, e um dos melhores livros do género. No entanto, as referências a épocas mais recentes estão melhor conseguidas neste romance do que na saga do Cântico de Albion.

Embora os livros de Colleen McCullough estejam no topo da minha listagem do género, o primeiro volume desta trilogia chega a atingir a qualidade desta autora, embora descure a parte estratégica das guerras, que talvez neste caso apenas viessem a complicar sem necessidade.

Recomendável para quem gosta do género, contudo não um dos melhores.

O Blogue Geração Rasca encontra-se em pleno desenvolvimento de uma interessante votação sobre os melhores blogues.

Desde já, agradeço as nomeações em Lâmpada AzulPlaneta Asterisco. No entanto, as minhas votações vão ser inexisistentes.

Razão  ? considero que não conheço suficientes blogues para que o meu voto seja devidamente ponderado. Deixo, no entanto, aqui , referência aos blogues que sigo mais regularmente

Stranger in a Strange Land

Há vida em Markl

Psicologicamente

Escrita

Jame Gleick, licenciado em Harvard, tem escrito vários ensaios e livros sobre ciência, trabalhando não só no desenvolvimento de software, como num jornal semanal de Minneapolis.

Em Caos, livro de divulgação científica, não se fala só da definição, mas principalmente da sua descoberta nas várias faces da ciência. Inicialmente definido numa área relativamente pouco delineada mesmo nos dias de hoje, a Metereologia, o Caos surgiu aquando da tentativa de simplificar o tempo como as marés, a um simples conjunto de fórmulas matemáticas. No entanto, os factores determinantes são tão diversos que o sistema toma uma forma aparentemente desordenada e espontânea – imprevisível.

Apesar de descoberto, a incomunicabilidade entre as várias áreas leva a que seja sucessivamente descortinado na matemática, na física e na biologia, decorrendo vários anos até à aceitação do Caos – a ciência demonstrou alguma resistência em deixar a crença de que o Mundo poderia ser facilmente simplificado e explicado e em aceitar a complexidade do real.
Não obstante as notas de rodapé, parecem existir alguns erros de tradução ou imprecisões. No entanto, o interesse no livro mantém-se por nos apresentar não só uma parte da história da ciência, como por apresentar as várias versões científicas do caos. De ter em conta a necessidade da compreensão ou conhecimento prévio de alguns conceitos de matemática e física.

O título deste filme italiano faria antever uma fucsia comédia romântica. Apesar de tal poder ser dito do filme, é muito mais do que isso, retratando não a vida romântica de um casal em particular, mas, sob o formato de manual, o Romance em geral, debruçando-se sob todas as fases de uma relação.

Caracterizado por um apurado sentido de humor, tipicamente italiano, a tragédia e a alegria co-existem de modo exuberante, antagónico, mas complementar.

Leve, simpático, cómico sem descer de nível, bonito sem ser banal. Gostei. Um filme que fica entre os melhores do mês, senão do ano.

Resultado da adaptação de um livro de PD James com o mesmo título, o filme retrata a colapso da nossa civilização, após a destruição das principais capitais – a Humanidade encontra-se estéril e com a fertilidade perdeu-se a esperança e o futuro.

É do ponto de vista de uma londrina população desalentada que se nos mostra o clima de segregação de todos os estrangeiros, enviados para campos. O dia-a-dia vive-se de forma vazia, e no dia da morte do ser humano mais jovem do planeta (18 anos), explode mais uma bomba na cidade que por pouco apanha Theo. Mas o azar não se fica por aí e este é raptado por algo semelhante a  grupo terrorista,  comandado pela sua ex-mulher, com a finalidade de ajudar no transporte de uma rapariga ilegal, miraculosamente grávida.

Algumas partes expectáveis, outras demasido inocentes face ao enquadramento do filme – a violência está presente q.b., e apesar de pertencer a um género muito explorado, consegue captar não só o espectador, como ter mais conteúdo que a média. Em suma, interessante.

Pior do que ver certas versões portuguesas de bonecos animados é pedir bilhetes para a versão original e levar com os da versão dobrada por engano na bilheteira.

Mas engano ou não, dobrado calhou, dobrado vi. E ou a tradução é péssima ou as piadas são pouquíssimas e restringem-se quase à segunda parte. Destas poucas, ainda é necessário recorrer a uma ou duas mais adultas para que os mais crescidos se riam.

O aspecto gráfico é banal e não traz nada de novo, a história não é extraordinária, mas onde o filme poderia ter ganho, perdeu redondamente – na comédia. Bem disposto , simpático – ve-se. Mas não mais do que isso.

Publicado em Setembro de 2001, a obra recebeu o Booker Prize de 2002, tendo-se tornado dos livros mais conhecidos ao qual foi atribuído o prémio mais importante da língua inglesa. No entanto, a escolha não foi acolhida sem polémica, pois a premissa principal já teria sido usado num outro livro, Max e os Felinos, de Scliar (um autor brasileiro) no qual um refugiado alemão atravessa o Oceano Atlântico num barco partilhado com um Jaguar.

No entanto, as semelhanças terminam por aqui e a história em A Vida de Pi não se resume à substituição de um refugiado alemão por um rapaz indiano ou de um jaguar por um tigre.

Piscinne Molitor Patel, filho do responsável de um jardim zoológico, cedo se faz conhecer como Pi para minimizar a troça dos colegas. Indiano, desde pequeno fascinado pela religião e por Deus, deixa que a curiosidade o leve a deambular entre a sinagoga, a mesquita e a igreja; apesar de nenhum dos pais ser religioso. Mas a educação de Pi realça-se ainda pelo extremo contacto com os animais, que o leva a desenvolver um respeito e uma compreensão pouco usuais para a sua idade.

Spoilers

Uma história que, segundo o autor, nos poderá fazer crer em Deus, uma história que é menos naive e infantil do que poderá parecer pelo modo como toca o irreal. Mas a realidade pesada e constrangedora, está em todos os momentos, mesmo os de aparência mais ingénua. E é no final que somos levados a optar pela versão da história – com ou sem metáfora, com ou sem magia.

Talvez por ser uma fusão de inocência com a implacável verdade, o filme será adaptado (segundo fonte do IMDB) por Jean Pierre Jeunet, o mesmo realizador de Un Long Dimanche de Fiançailles e Fabuleux Destin d’Amélie Poulain, dois dos meus filmes preferidos, eu que não costumo gostar de cinema francês.

É commumente aceite e referenciado o consumo do vinho para diminuir alguns dos males que afligem a nossa saúde. Há quem refira propriedades anti-oxidantes, mas a verdade é que tanto médicos como alguns cientistas, aconselham a presença deste produto na nossa alimentação.

A relação entre a nossa dieta e a nossa esperança média de vida ou a qualidade desta, continuam a ser amplamente estudados, utilizando várias espécies modelo.

Mas o que este estudo tem de interessante é a influência de uma substância constituinte do vinho, o Resveratrol, do impacto de uma dieta altamente calórica. O artigo foi publicado na Nature, e pode ser lido numa forma menos científica no NYtimes.

Para analisar os efeitos, utilizaram-se vários modelos biológicos conhecidos – ratos, C. elegans, leveduras e até moscas. As conclusões parecem ser concordantes.
Ratos mantidos sob dieta caloricamente rica, aos quais se administrou Resveratrol, demonstraram não só a manutenção de uma melhor forma física e uma maior esperança médica de vida, como uma menor percentagem no desenvolvimento da diabetes.

Another group of mice was fed the identical high-fat diet but with a large daily dose of resveratrol (far larger than a human could get from drinking wine). The resveratrol did not stop them from putting on weight and growing as tubby as the other fat-eating mice. But it averted the high levels of glucose and insulin in the bloodstream, which are warning signs of diabetes, and it kept the mice’s livers at normal size.

Even more striking, the substance sharply extended the mice’s lifetimes. Those fed resveratrol along with the high- fat diet died many months later than the mice on high fat alone, and at the same rate as mice on a standard healthy diet. They had all the pleasures of gluttony but paid none of the price.

São resultados interessantes, que poderão explicar porque na Europa menor percentagem da população desenvolve as doenças da tecnologia sob uma dieta semelhante.

Por enquanto, os cientistas envolvidos no estudo começaram a consumir Resveratrol sob a forma de comprimidos, mas nem a aplicabilidade em humanos nem as consequências de elevada concentração de Resveratrol foram ainda estudadas.

Perseguindo o sonho de ser jornalista numa grande cidade, quiçá no NYTimes, Andry Sachs segue a esperança até à cidade, mas o melhor emprego que encontra é o lugar de assistente numa conhecídissima revista de moda. Sem o desejar e sem pertencer ao esplendor que a rodeia, acaba por parar num trabalho pelo qual inúmeras seriam capazes de matar – frase proferida ad infinitum ao longo de toda a história.
Áparte de supostamente se basear numa história verídica, o filme poderia dar a sensação de banalidade, não fora a forte personagem protagonizada por Meryl Streep em torno da qual tudo gira – a editora de revista, Miranda Priestly, conhecida pelo cinismo e rudeza com que se estabelece como peça chave no mundo da moda. É com esta personagem, e principalmente pela excelente interpretação que o filme ganha força, vida e prende os espectadores.

Citando um amigo – o papel de Andry Sachs qualquer actriz do género o poderia fazer…. O de Miranda Priestly, só a Meryl Streep.

Uma crítica social, uma sátira ao mundo da moda, ao glamour que envolve o meio e aos fúteis objectivos de alguns… Um filme com momentos surpreendentes que consegue ultrapassar a barreira do vulgar.