Janeiro 2007


Autodidacta, Jack London foi um dos primeiros escritores americanos a enriquecer exclusivamente através da escrita. A sua formação consistiu basicamente nas leituras disponíveis nas bibliotecas públicas, tendo viajado pelo Alasca em busca de fortuna, durante uma das febres do ouro que possuiu os homens da época. Igualmente marinheiro, experimentou várias ocupações e percorreu vários países.

As experiências de vida, as ideias e as leituras reflectem-se na escrita, pelo menos em O Filho Do Lobo, que decorre essencial nas terras inóspidas e geladas do Norte; terras silenciosas e desabitadas onde vários homens terão trabalhado e explorado incessantemente.

As suas ideias evolucionistas, onde se realça a vitória do mais forte são observáveis quando refere os indígenas das regiões geladas, que serão dominados pelo filho do Lobo, o homem branco de proveniência europeia. Do mesmo modo, se denota a crença nas diferentes características raciais, que afecta o percurso dos contos.

Os homens que escolhem caminhar nas regiões gélidas são normalmente corajosos e temerários, vulgarmente acompanhados por mulheres indígenas igualmente incansáveis e virtuosas; abrindo ambos caminho por entre a intempérie.

Os contos possuem no início parágrafos introdutórios destinados a integrar o leitor no ambiente e na situação. No enanto, tanto a introdução como o decorrer das histórias encontram-se carregados de moralidade e de culto homens excepcionais sem semelhantes que se aventuraram, heróis destemidos que vivem sob o regime legal da sabedoria e da racionalidade envolvente. A justiça faz-se pela comunidade.

Publicado em Portugal pela Antígona, a edição possui um longo prefácio biográfico do autor. Parte da obra pode ser lida no site da editora.

Apesar de não ter sido cativada pela narrativa, mas de até ter apreciado alguns dos contos; foi esta constante imposição de moralidade que mais me irritou, levando-me a pensar em não ler nada do autor nos próximos tempos. Enfim, não gostei.

Harrold, um aborrecido fiscal das finanças, vive cronometradamente uma rotina delineada ao milímetro. Como seria de esperar, algo interfere com os seus hábitos. Assim, numa manhã como todas as outas, uma voz começa a narrar a sua vida – os seus actos, sentimentos ou pensamentos; uma voz que só ele ouve.

Transtornado, prossegue o seu dia apesar de perseguido pela narradora. Reage de forma estranha para com os colegas e aquando da fiscalização de uma pastelaria, tendo de adiar o seu trabalho. Apesar de abalado só se assusta quando a voz auspicia a sua morte, altura em que se decide a procurar um perito em Literatura Inglesa. Este resume a sua situação de modo simples – se faz parte de um livro ou é cómico e a história termina em casamento; ou é uma tragédia e culmina com a sua morte.

Simultaneamente, a escritora Karen Effiel escreve o seu romance desconhecendo que poderá influenciar a vida de um personagem não ficcional. Nervosa e obcecada por descobrir a maneira perfeita de matar a sua personagem continua a tecer a história em torno do final.

Comédia ou tragédia, Harrold continua a encontrar-se com a dona da pastelaria que estaria a fiscalizar, tira alguns dias do trabalho, e dedica-se a evitar o seu fim. Perante a morte, toda a rotina se altera e tenta aproveitar os momentos que podems ser os últimos.

Entre os dois géneros, o filme possui, na exploração de uma hipótese ficcional engraçada, momentos cómicos pouco usuais. Apesar de não o ter achado extraordinário, é um filme envolvente, simpático e algo diferente.

Ou Melancholy Death of Oyster Boy

Para os conhecedores dos filmes de Tim Burton, como Nighmare Before Christmas (Estranho Mundo de Jack) ou Corpe’s Bride (Noiva Cadáver), o ambiente carregado de elementos de horror e de fantasia, envolto em estranha magia é já familiar.

Nos filmes os contextos sinistros tornam-se fascinantes pela dualidade das sensações antagónicas que nos desperta, alternando entre a repulsa e a atracção.

Nightmare Before Chritmas e Corpe’s Bride destacam-se como dos meus filmes favoritos de animação – o reino das aparências desaparece para dar lugar à realidade, poucas vezes bonita. É nos cenários negros, cadavéricos ou tumulares que se descobre a vida ou a beleza improvável, são estes cenários supostamente taciturnos que servem de palco aos elencos irónicos e satíricos onde se exploram os valores da sociedade.

O livro, composto por pequenos contos em verso, permite-nos vislumbrar de novo a mente criadora destes dois filmes. Pequenas histórias sobre crianças diferentes das restantes, que se tornam em desculpa para o mau ambiente familiar, que acabam muitas vezes por ser renegadas pelos progenitores. Infelizes ou tristes por serem de tal forma distinguidas, algumas crianças lutam repetidamente para se enquadrarem. Outras há, cuja distinção se lhes torna familiar, deixando de se sentir desadaptadas de maneira invulgar.

Histórias inesperadas, engraçadas ou escabrosas – algumas simples quadras, outras longas páginas de rimas; mas todas marcadas pela imaginção indistinguivel de Tim Burton.

Em Portugal encontrei uma edição em capa dura, até há pouco tempo quase desconhecida pela recentemente falecida editora Errata. Entretanto aparece referência na Editora Antígona ao livro. A primeira encontra-se disponível na FNAC, a segunda parece ainda não ter sido lançada. Apesar de não conhecer o original, a tradução pareceu-me boa e cuidada nalgumas passagens que devem ter requerido imenso trabalho.


Tendo como princípio a forte influência do meio nas pessoas, inicia-se um projecto de remodelação em King’s Cross, Londres. Pretende-se re-desenhar uma zona pobre e de prostituição, onde permanecem os emigrantes e prolifera a criminalidade. A empresa instala-se na na área problemática, e os escritórios são constantemente assaltados, desaparecendo o material informático.

Will (papel representado por Jude Law), um dos sócios, vive com uma mulher de sonho, Liv. Mas nem por isso deixa de ter problemas familiares, começando a sentir-se cada vez mais afastado do núcleo familiar. De noite, monta guarda às instalações da empresa, procurando observar possíveis movimentações estranhas em torno do edifício, em companhia de uma prostituta com quem mantém um pouco usual relacionamento. Finalmente, detecta um jovem assaltante e persegue-o até casa. Não apresenta queixa, mas aproveita a profissão da mãe, costureira, para se aproximar.

Miro, o jovem e atlético assaltante, percorre a cidade através dos telhados, conjuntamente com o seu primo. Durante o assalto, fascina-se pelas maquetes do projecto e leva consigo dois ou três bonequinhos. Sobrevivente bósnio, é contratado e explorado por um grupo de adultos que contratam adolescentes para se intrometerem nos edifícios a saquear.

Numa cidade de contrastes, de riqueza e comodidade Vs pobreza e delinquência, pessoas de mundos diferentes aproximam-se de modo pouco usual. Apesar de não estarem sozinhos sentem a necessidade de conhecer outras pessoas, por se sentirem afastadas daquelas com as quais convivem há vários anos.

As relações urbanas não são exploradas com mestra, mas as pessoas que nos mostram estão longe de ser exemplos de perfeição, são humanas, mentem, fraquejam, reagem de modo inesperado e irracional, que nem elas próprias entendem; mas fazem o que for necessário para proteger os seus.

Longe do brilhantismo, seguindo algumas vezes pelo percurso mais provável, consegue ser um dos filmes mais cativantes das últimas sessões.

O primeiro livro que li do autor, Kafka on the shore (premiado, citado e referenciado em vários locais como um dos melhores do ano transacto) inclui-se dentro do género fantástico. Hard Boiled Wonderland And the End of the World, por sua vez, poderá talvez ser considerado ficção científica. Mas a classificação do género é o que menos importa.

Tal como livro que li anteriormente, são contadas duas histórias em paralelo.

Na primeira, acompanhamos um agente que trabalha para uma organização do estado. Chamado a um local sobejamente guardado, é acompanhado por uma jovem de fato cor-de-rosa através das instalações imaculadamente ordeiras. No escritório, é encaminhado para dentro do armário, a partir do qual tem acesso às instalações subterrâneas onde reside o cliente. O seu trabalho é codificar informações, utilizando como chave, o próprio subconsciente, alterado e fechado pela organização.

Simultaneamente, no fim do mundo, um homem é privado da sua sombra para poder entrar na cidade. Vizualiza as bestas que ali se movimentam e os olhos são-lhe feridos para poder ler sonhos na biblioteca. No entanto, deixa de poder suportar a luz do dia.

A relação entre as duas histórias nem sempre é evidente, mas são-nos deixadas pistas. Talvez por já não ser o meu primeiro livro do autor, a história pareceu-me menos extravagante. Os pormenores são pensados de modo inteligente, não existem pontas soltas ou incogruências, o que nos leva a uma história coesa e completa até ao final, do qual se aproxima calmamente e com mestria.

Existem pontos em comum entre os dois livros – o aspecto das sombras e o fim-do-mundo; o que me leva a pensar que parte ficcional de ambos é menos díspar do que poderia parecer. No entanto, em Hard Boiled Wonderland and The End of the World, aprofunda-se a relação consciente / subconsciente, tendo sido este um dos aspectos que mais apreciei.

Apesar de ter gostado mais do primeiro (talvez por me ter revelado a novidade), penso adquirir e ler os restantes livros do autor. Decididamente, gostei.


Numa noite chuvosa, um carro perseguido embate contra uma caravana. Do primeiro sai um criminoso, do segundo uma jovem que é feita refém. A polícia tenta controlar a situação, mas os tiros acabam por matar ambos.

Quentin Conners, é considerado um dos responsáveis pelo culminar da situação e é suspenso. Mas rapidamente retoma a actividade quando é chamado a um banco para resolver o roubo que envolve reféns. Com um novo colega, Shane Dekker, a situação volta a fugir ao controlo e os assaltantes fogem sem deixar rasto, tornando-se evidente a existência de fuga de informação na esquadra.

As pistas são poucas, pequenas e complexas e os dois polícias vêem-se na tentativa de descobrir um quebra-cabeças, que envolve dicas sobre a teoria do caos.

É impossível não deixar comparar com um outro filme do género, o Infiltrado (Inside Man) que conseguiu ultrapassar as expectativas para o género. Apesar de ter sido filmado primeiro, Chaos demorou algum tempo a passar para as salas de cinema. Por um lado, as reviravoltas não são tão brilhantes ou inexpectáveis. Por outro, Quentin, papel representado por Jason Staham torna-se uma personagem um pouco irritante por ser o típico macho demasiado seguro de si, com a resposta na ponta da língua, pronto a responder a todas as hostilidades, e cínico. A juntar a isto, alguns dos papéis secundários pecam pela interpretação abaixo da média.

Um bom filme de acção para se ver num Domingo a tarde, mas não uma grande produção ou algo que deixe grande memória ou marca.

Após ter lido o livro no qual se baseou, Clint Eastwood resolveu realizar um filme que retratasse não só o lado americano, como o lado japonês… mas parece que a complexidade e a quantidade de informação o levaram a optar por dois filmes.

A Segunda Guerra Mundial permanece como pano de fundo, mas no centro estão os soldados, o relacionamento entre eles, o sofrimento, as vivências e modo como encaram cada uma das etapas que se lhes deparam até ao cenário sanguinário.

Os ânimos estão elevados – ainda inexperientes, sem contacto prévio com a carnificina, os jovens soldados pouco tempo têm para se aperceber da realidade quando desembarcam na minúscula ilha japonesa.

Do outro lado do planeta, está o povo americano – esgotado, farto e cansado da separação e morte dos entes queridos – o tempo de privação prolonga-se demasiado e os custos tornam-se insuportáveis.

Uma foto é tirada aquando da substituição de uma bandeira – a imagem torna-se célebre, publicada em todos os jornais americanos, e os jovens tornam-se heróis – não combateram de modo extraordinário, não levaram a cabo nenhuma missão importante… ergueram um símbolo nacional, que na nação espalhou a ideia de vitória. Regressam ao seu país, ilesos, deixando antecipadamente a chacina, para dar a cara por uma campanha de angariação de fundos.

Um filme mais sobre os homens que lutaram do que sobre a Guerra, que capta a hipocrisia de que foram alvo e as hipocrisias que sofreram, é-nos transmitida também a perspectiva dos familiares. Morrem alguns jovens, uns voltam feridos, muitos voltam fisicamente ilesos, mas quase todos estão psicologicamente afectados.

Interessante, forte, não fartam as cenas sangrentas ou violentas, mas é sobretudo relevante pela perspectiva que nos dá a conhecer. No entanto, espero pelo segundo que me parece que trará um lado mais desconhecido – o japonês.

Após a primeira clonagem mundialmente conhecida, as ovelhas tornaram-se num dos animais mais referenciados quando o tema decaía na biotecnologia. Mas, por quanto tempo ocuparão o podium? not for long se olharmos para as novas técnicas desenvolvidas e que dizeram recentemente notícia na BBC News

Pelo mesmo instituto chega-nos uma nova invenção, que não pretende clonar galinhas, mas levá-las a produzir ovos contra o cancro!

The Roslin Institute, near Edinburgh, says it has produced five generations of birds that can produce useful levels of life-saving proteins in egg whites.

E nem será necessário aumentar os níveis de colesterol, já que a dita proteína se encontra na parte branca do ovo.

“The idea of producing the proteins involved in treatments of flocks of laying hens means they can produce in bulk, they can produce cheaply and indeed the raw material for this production system is quite literally chicken feed.”(…)

Some of the birds have been engineered to lay eggs that contain miR24, a type of antibody with potential for treating malignant melanoma, or skin cancer. Others produce human interferon b-1a, which can be used to stop viruses replicating in cells.

E porque será que eu … mesmo acreditando tanto na biotecnologia, ponho tantas reservas quanto a estes métodos que parecem saídos de um livro de Ficção Científica, apesar de desacreditar na maioria dos argumentos postulados por leigos no assunto?

Simplesmente… acho que não sabemos o suficiente dos mecanismos e da complexidade dos seres vivos, para termos manias divinas…

Adaptação de um livro com o mesmo nome de Goffredo Parise, por Mario Martone, o filme retrata a vida conjugal de um casal italiano de meia idade.

Carlo mantém uma amante, Lu, na casa de campo, com o conhecimento da mulher, Silvia. Abolido o regime de exclusividade, Silvia tem também os seus encontros extra-conjugais, mas quando um jovem alto, moreno, forte e denominador se aproxima, começam os ciumes de Carlo por sentir que esta não é uma relação como as anteriores.

Carlo entra em crise sentimental, entre a amante que não compreende as alterações súbitas de humor. Silvia, por sua vez, afasta-se cada vez mais do marido, e não consegue quebrar uma relação na qual se submete a todos os caprichos.

Neste filme não faltam os nus integrais femininos ou masculinos, nem as cenas de sexo explícito; mas não é por ai que o filme perde o interesse como o contar de uma história, mas por entrar na banalidade, num círculo que nada tem de novo e por se perder na confirmação dos factos já constatados.

Embora a história pudesse ter sido melhor explorada, o filme ficou-se, em minha opinião, pelo medíocre.

(pode conter spoilers, mas nada que eu considere fulcral para entender ou prever o final)

Baseado no livro de Christopher Priest com o mesmo título (cá, pode ser encontrado como O Prestigio ou O Terceiro Passo), recentemente em Portugal para lançar a versão nacional; o filme foi dos que mais me impressionou positivamente nos últimos meses. Apesar de lógico, ocontinuo a pensar no título O Terceiro Passo como muito pouco aliciante.

Christian Bale e Hugh Jackman representam respectivamente os papéis de Alfred Borden e Robert Angier, dois amigos que se tornam rivais após a morte da esposa de Robert, culpando-se parcial ou totalmente Alfred. Gera-se um jogo de vingança e de concorrência desleal pela supremacia na capacidade de ilusão – um jogo sem regras que pode ser levado a extremos.

Talvez por serem ambos passados no virar do século, com uma história rodeada por magia e ilusão, não posso deixar de comparar este filme ao recentemente estreado The Ilusionist que me desiludiu na fase final. Em The Prestige, o ponto fulcral não passa pelo amor entre um homem e uma mulher, mas pela dedicação à profissão escolhida. Tal como em Ilusionista, existe uma diferença entre aquilo que julgamos ver e aquilo que realmente é, mas em The Prestige, considerei que a reviravolta se torna menos previsível, menos vulgar e mais esplendorosa. Embora a história possa parecer à partida um pouco trivial, é essencialmente o modo como o autor a manobrou que a torna envolvente, impressionável e deslumbrante.

Sim, gostei muito, como já deve sido perceptível :)


Polaco, Jersy Kosinski passou parte da sua infância com uma família de aldeões para dissimular a sua origem judaica, tendo-se reunido após a Segunda Guerra Mundial aos seus familiares.

Mais tarde, formado, emigra para os EUA, onde adquire a cidadania americana. Dedica-se à escrita e torna-se essencialmente conhecido por três obras – The Painted Bird (1965), Stepes (1968), Being There (1971).

A primeira, The Painted Bird, retrata as deambulações de uma criança que, tal como o autor, foi deixado ao cuidado alheiro durante a Guerra, numa aldeia recondida da Polónia. Mas, neste caso, a velhota responsável morre, e o rapaz ve-se sozinho ao frio, em busca de abrigo e de alimento. Sucessivamente marginalizado pela sua tez morena entre os aldeões loiros de olhos azuis, vai sofrendo vários actos de agressividade preversa por o pensarem judeu ou cigano.

Onde o preconceito e a superstição reinam sobre os ignorantes, nascem os episódios macabros contados de maneria crua, que me criaram uma sensação de surrealidade. Ficcional ou verífica, a história mostra-nos várias vezes, como a crueldade humana, no meio da pobreza e da miséria da Guerra, apenas é limitada pela imaginaçao.

Livro polémico, que se julgou ter uma base auto-biográfica durante alguns anos, apesar de publicada como ficcional; foi reconhecido e aconselhado ao longo dos anos como um dos melhores retratos da Segunda Guerra Mundial. Uma obra marcante, não aconselhável a pessoas susceptíveis, diferente da maioria dos livros sobre a Guerra.

Jerzy Kosinski, The Painted Bird, Edição Portuguesa

Baseada na obra de Jeff Lindsay, Darkly Dreaming Dexter, a série explora uma nova vertente na temática da investigação criminal. Se nas mais “tradicionais” e famosas, procuram-se pistas através da mais alta tecnologia e técnicas mirabolantes, aqui, a acção não roda em torno dos casos policiais, mas na personagem que dá nome à série.

Dexter é normalmente desprovido de sentimentos… excepto nas raras ocasiões em que explora a sua vertente homicida. Ainda em criança, a sua índole é percebida pelo pai adoptivo, um polícia que se dedica a ensinar-lhe o código que honra que direcciona os seus instintos sobre pessoas que o mereçam… como outros assassinos.

Adulto, trabalha no departamento forense, um local apropriado não só por estar à vontade com a sua função de recolha de sangue, mas também por poder mais facilmente descobrir potenciais vítimas. Assim se depara com um caso excepcional em que os corpos das vítimas, cortados às postas, são deixados sem pinga de sangue.

De humor negro bem impregnado, as cenas lúgubres sucedem-se intercaladas pelas análises sociais de uma personagem sem percepção sentimental… que deve, no enanto, passar despercebida…

Embora inicialmente, seja o facto de ser a pouca convencionalidade e a diferença que tornam a série destacável, com o desenrolar, tornou-se, para mim, viciante de uma forma estranha. E… já há certeza de uma segunda série !

A nível de descobertas literárias , este deve ter sido um dos meus melhores anos – não só por ter lido grandes obras de autores já meus conhecidos ou alguns bons clássicos, como por ter encontrado novos autores excepcionais.

Dentro destes últimos destacaria o Kafka On The Shore de Haruki Murakami, um livro que pode ser considerado dentro do género fantástico. Gostei, não só a da história, como da forma como estava contada tornando-se numa das obras predilectas. Espero agora ler os restantes e não me deparar com uma forma de criação literária.

Clássicos como Dr. Jekyll and Mr. Hyde (Stevenson), Dracula (Bram Stoker), ou 1984 (George Orwell) dispensam apresentações e consegui lê-los este ano. Faltam ainda grandes livros de Ficção Científica ou de Horror, mas há-de chegar a sua vez.

Pássaro Pintado de Jerzy Kosinski é outro grande livro que até recentemente a existência me era desconhecida. Adquirido em versão portuguesa ilustrada, é considerado por muitos uma das mais importantes obras ficcionais sobre a Segunda Gerra Mundial.

Em obras ficcionais mais recentes, lidas este ano, destacaram-se sem dúvida, The Last Light of the Sun (Guy Gavril Kay) e Iron Council (China Miéville). O primeiro destaca-se do género da fantasia de ambiente medieval pela qualidade de narração e pelo modo como o autor nos expõe o enredo. Diria até que é o modo como é contada a história que a torna memorável. Com o segundo livro, Iron COuncil, mantive uma relação de amor-ódio durante a história – estranho até à medula, característica da qual o autor parece orgulhar-se das suas obras, despertou-me vários sentimentos contraditórios.

Entre as novidades deste ano, encontra-se City of Saints and Madmen de Jeff Vandermeer. O livro é constituído por um conjunto de contos passados num mundo próprio e original, que formam um agrupamento mais coeso do que é expectável no início da leitura. Adorei alguns contos, outros achei-os neutros, não me despertaram grande interesse. Outros começam de forma atraente mas pareceram-me explorados demasiado exaustivamente. Por essa razão, ainda não sei se devo enquadrar este livro entre os melhores do ano…

Em Ficção Científica, peguei no tão falado Never Let Me Go de Kazuo Ishiguro. Uma boa surpresa apesar de me terem contado o final antes de lhe pegar. A nível nacional, dentro do mesmo género, Disney no Ceú entre os dumbos destaca-se – gostei não só da esrita, como das analogias.

Entre o género da ficção histórica, muito descurada por mim, destacaria O Médico de Córdova de Herbert Le Porrier e as obras de Amin Maalouf. Deste último consegui ler O Périplo de Baldassare, Escalas do Levante e Samarcanda, pensando em ler nos próximos meses os restantes.

Vergonhosamente admito que só recentemente li de Luis Sepúlveda o famoso O Velho que Lia Romances de Amor, um livro sem dúvida para recordar.

E aqui fica um apanhado do melhor que 2006 me trouxe em livros, de entre os vários que me passaram pelas mãos. A meu ver, claro.