Agosto 2007


Nascido em 1948 em Belgrado, Zoran Zivkovic formou-se em Teoria da Literatura, tendo-se dedicado de seguida a diversas actividades, entre as quais à escrita ficcional. Esteve recentemente em Portugal por ocasião do Fórum Fantástico, onde apresentou Biblioteca, obra contemplada com o 2003 World Fantasy Award para melhor novela (10 000 a 40 000 palavras).

Obra pequena, Biblioteca encontra-se dividida em 6 partes, cada uma representando uma biblioteca mais fantástica, impossível e deliciosa que a anterior: virtual, particular, nocturna, infernal, mínima e requintada. Sobre cada uma um pequeno conto que nos deixa um sorriso nos lábios, mas é impossível descrever as histórias sem entragar o prazer de o ler.

Posso dizer que gostei. Cada parte se nos apresenta como uma surpresa sumarenta, e o conjunto de contos é de todo obrigatório para todos aqueles, em cuja vida, os livros tenham um papel importante.

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O perfeito cavaleiro tornado impecável armadura branca – perfeita, reluzente mas vazia. O que a move? a vontade, não deturpada pelos poluentes sentimentos humanos.

Assim o invólucro metálico move-se, segundo um pensamento lógico demasiado recto que não entende as excepções, de um modo irritantemente perfeccionista, cumprindo cegamente todas as regras e normas, até às últimas e ridículas consequências. Uma paródia ao cavalheirismo, aqui, em excesso.

Isenta de vida humana, a armadura sente-se superior aos seus companheiros viciosos, que por sua vez não compreendem o quadrado que caracteriza o pensamento metálico.

Da famosa trilogia de Italo Calvino apenas me falta agora um; e tanto em O Cavaleiro Inexistente como em O Barão Trepadro, o autor recorre-se a elementos semelhantes – situações impossíveis e fantásticas, sátiras e metáforas, o que resulta em O Cavaleiro Inexistente numa história mais simples mas hilariante pelo ridículo das situações.

Contada de forma rocambolesca, não achei a história tão complexa quanto a do Barão Trepador, embora em ambas o autor recorra a elementos semelhantes – situações impossíveis e fantásticas, sátiras e metáforas. As histórias de ambos os livros são bastante distintas e gostei de ambas, cada uma da sua maneira.

Belo slogan. Pena que nos centros de Turismo se dê primazia a quem vem de fora.

Sim. Isto é um desabafo.

Quando os centros fornecem guias, indicações e todas as facilidades aos estrangeiros; mas se negam a tratar de igual modo os viajantes portugueses (que pagam indirectamente este tipo de serviços); é altura para questionar algumas políticas nacionais.

Não. Não é a primeira vez que vejo situações estranhas destas acontecerem.

Selma Lagerlof, sueca, foi a primeira mulher destacada com um Nobel da literatura. Para além de professora primária e feminista, Selma Lagerlof ajudou na fuga de diversos intelectuais alemães.

Das suas obras, a mais conhecida será provavelmente A Viagem Maravilhosa de Nils Holgerssn através da Suécia, livro que li há já alguns anos. No entanto, na memória o que ficou foi uma série animada baseada nesta obra.

Em O Tesouro, a história inicia-se com Torarin, um simples vendedor de peixe que atravessa o continente de carroça, acompanhado pelo cão, ao qual pede frequentemente conselho. No entanto, ignora os uivos deste quando se decide a parar na casa do Senhor Arne, um dos homens mais ricos da região. Durante o jantar, a esposa é acometida pelo barulho de amolar facas, mas todos ignoram aquilo que julgam ser a alucinação de uma velhota. Torarin segue viagem após a refeição e só no dia seguinte toma conhecimento do assalto à casa do seu benfeitor que resultou na chacina de quase toda a família – a filha adoptiva ter-se-à escondido e assim, salvo, jurando vingar-se dos assaltantes. Torarin, com pena, leva-a para casa.

A história, bem construída e com laivos de fábula, toma por heroína a jovem inocente e torna-se numa tragédia de moral popular – uma espécie de lenda nórdica que mistura fantasia, superstição e religião.

Ainda que não se tenha tornado um dos meus livros favoritos, gostei.