Março 2008


Apesar de ter (como se deve reparar) uma preferência por obras de Fantasia ou Ficção Científica, ao contrário do que se possa pensar, nunca fui uma fã incondicional de Tolkien. Admiro o seu trabalho, o Mundo Fantástico que desenvolveu nos seus livros, a extraordinária mitologia que os rodeia e a sensação de surreal intemporal que me desperta. No entanto, não acho a sua escrita maravilhosa, mas até algo massuda ou aborrecida.

Foi com este espírito que peguei em O Último Anel de Kiril Yeskov. Dos fracos não reza a história, e será a versão dos vencedores que se trata em O Senhor dos Anéis. A obra deste autor russo, debruça-se exactamente sobre o lado oposto.

O início é, também, um pouco massudo e denso, com longas descrições que nos introduzem uma visão história diferente, e muito interessante. Felizmente, estas longas narrações diminuem para dar lugar a trechos mais movimentados e interessantes. Os que são conhecidos pelos “maus da fita” mais não são afinal que os lutadores honrados, que constituem um povo civilizado e tecnologicamente desenvolvido; enquanto que, os restantes, seguidores da magia, são os caprichosos e supersticiosos. Será por causa do rápido desenvolvimento tecnológico que Gandalf começa a tecer uma rede de intrigas que terminará na famosa guerra.

Claro que sabemos quem vence. Ainda assim, e talvez por isso mesmo, esta versão torna-se mais interessante, mais movimentada e mais tocante.

Não foi a melhor leitura recente com que me deparei. Ainda assim, gostei imenso.

Nascido no Brasil, e de ascendência portuguesa, Bartolomeu de Gusmão ou Bartolomeu Lourenço, emigrou para Portugal, onde estudou e se viria a dedicar à matemática e à física mecânica. Os conhecimentos que desenvolveu levam-no a construir várias invenções, de entre as quais um pequeno balão com a capacidade de se elevar do solo, no início do século XVIII. Constrói mais tarde a Passarola, que terá voado sobre Lisboa. As perseguições da Igreja terão levado Bartolomeu a fugir para Espanha, onde acaba por falecer.

Em Passarola Rising, é-nos contada uma história alternativa pelo irmão de Bartolomeu. Alvos das perseguições eclesiásticas fogem a bordo da Passarola para França, onde conhecem o Rei. Este, vendo as vantagens do invento voador, dá-lhes não só abrigo como importantes e perigosas missões, que os leva a percorrer terras inexploradas.

A meu ver, esta foi uma história que começou bem, pegando num episódio histórico interessante, mas que não foi bem aproveitada. Entre o fascínio da viagem aérea / descoberta e a solidão que se desenvolve, longe da civilização; há uma altura em que tudo parece rodar em torno da mesma rotina, e em que as mesmas questões são repisadas em monólogos circulares, pelo narrador da história. Sempre nostálgico e preso a bem definidos momentos do passado, a história parece entrar numa espiral, saindo de uma forma que não me convenceu de todo.

Ligeiro, um pouco engraçado… talvez, mas muito aquém de outras obras de história alternativa.

Gosto da cor do mar em dia nublado. Gosto de livros. Gosto de chocolate preto, amargo. Gosto de nadar. Gosto de andar na cidade, sozinha, ao fim do dia. Gosto de mimos e festinhas. Gosto de morangos, simples. Gosto de música. Gosto de pessoas fora do normal. Gosto de chá. Gosto de sorrir. Gosto de rir. Gosto de ciência. Gosto de documentários. Gosto de ler. Gosto do fantástico. Gosto de tecnologia. Gosto de fazer longas viagens, mesmo sozinha – dão para pensar. Gosto de experimentar coisas novas. Gosto do som do mar. Gosto de coisas que me puxem pela cabeça. Gosto de olhar nos olhos quando falo. Gosto de café. E de canela. Gosto de mecanismos. Já disse que gosto de livros? Gosto de observar antes de conhecer. Gosto de olhos verdes, e castanhos. Gosto de dançar. Gosto de vestir de escuro. Gosto de abraços dos que me são mais próximos. Gosto de ficção científica. Gosto de ouvir falar italiano. Gosto de conhecer novas pessoas. Algumas. Gosto de decotes em bico. Gosto de conversar. Gosto de sorrisos. Gosto de fazer puzzles com muitas peças. Gosto de picar. Gosto de filmes. Gosto de quando a minha voz fica rouca. Gosto de conhecer novas cidades. Gosto da noite.

Gosto…