Nos últimos tempos peguei em dois livros do Ray Bradbury, curiosamente, o mais recente Farewell Sumer, e o mais conhecido Fahrenheit 451.
O primeiro, Farewell Summer, não deixou grandes memórias. Talvez tenha pecado por ser demasiado abstracto, tem bons momentos, mas (para mim), falhou redondamente na concretização e no desenvolvimento do que poderia ter sido uma boa história SE se tivesse arrojado. Assim, quase roçou o medíocre, levantando boas hipóteses, mas não tendo a audácia de seguir nenhuma.
Uma distopia ou antiutopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utópica ou promove a vivência em uma “utopia negativa”[1]. São geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo bem como um opressivo controle da sociedade. Nelas, cai-se as cortinas, e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis.Assim, a tecnologia é usada como ferramenta de controle, , seja do Estado, de instituições ou mesmo de corporações.
In Wikipedia
Farhenheit 451, a par com Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley) ou 1984 (George Orwell), centra-se neste conceito – uma sociedade que se baseia no centralismo, na ausência de sentimento ou de pensamento, e na máxima “felizes os ignorantes”. Os livros são queimados para não transmitirem sentimentos e não suscitarem pensamentos mais profundos, as pessoas não conversam, apenas interagem em desportos. Ninguém se conhece verdadeiramente, até porque, o que há para conhecer, quando não se aprende a pensar, a gostar, simplesmente adquirindo as ideias que nos são transmitidas ou os gostos que estão na moda?
Da “trilogia” (Admirável Mundo Novo , 1984 e Farhenheit) o livro de Bradbury é o menos arrepiante (ainda que a ideia de queimar livros seja obscena) – em 1984 quase senti claustrofobia nas primeiras páginas e Admirável Mundo Novo contém algumas cenas cruas interessantes. No entanto, diria que Farhenheit 451 é talvez aquele que nos conta a história mais semelhante à sociedade actual – em que cada vez se pensa menos por si próprio. Um livro de leitura obrigatória para quem gosta do género.
Fahrenheit 451…The Temperature at Which Books Burn.

Setembro 28, 2009 at 12:11 am
[...] um dos autores com o qual tenho uma relação de amor-ódio. Gostei do conhecido (mas não adorei) Fahrenheit 451, e Farewell Summer ficou como uma leve memória de algo estranho que poderia ter sido e não foi. Por [...]