The Fourth Circle – Zoran Zivkovic

Zoran Zivkovic é um autor sérvio que publica essencialmente Ficção. Em Português um único livro foi publicado, A Biblioteca, pela Cavalo de Ferro, livro que terá ganho o World Fantasy Award. The Fourth Circle foi a sua primeira obra ficcional.

Em The Fourth Circle são contadas, alternadamente, várias histórias que, no final, não são mais do que uma, contada por vários prismas, em torno do círculo e da constante matemática que a ele está intimamente ligado.

Um velhote segue o seu mestre, pintor, por várias terras e assiste ao ténue equilíbrio com a sanidade e ao desenvolvimento das suas obras de arte sacra. Nestas é constante uma figura feminina que será talvez menos pura do que o pretendido nas obras.

Um budista moderno resolve seguir o isolamento, instalando-se num velho mosteiro e transportando consigo a sua criação: um computador consciente… mas fêmea, e por isso demasiado emotivo, capaz de crises de ciúme e com sentimentos de incompreensão masculina.

Entre estas duas histórias principais são-nos contadas muitas outras: a de um ilustre físico, em estado vegetativo, abusado pela enfermeira, ou a de um filósofo que, ante a visão da solução para os seus problemas, é morto por um grupo de soldados romanos.

O livro possui momentos altos com histórias espectacularmente tecidas e desenvolvidas – mas também os seus períodos baixos, com passagens paradas, meio perdidas que se perdem alongam demasiado. Talvez demasiado místicas para o meu gosto.

Um livro engraçado, The Fourth Circle ficou abaixo dos contos de A Biblioteca – talvez tivesse apreciado mais as mesmas histórias se as tivesse lido separadas e num enquadramento diferente.

Para os que tenham ficado curiosos em relação ao autor e ao livro, encontra-se um excerto do livro, online, assim como três histórias do autor: The Astronomer, Words e Fingernails.

Fábula de Bagdad – Brian K. Vaughan / Niko Henrichon

Pride of Baghdad, publicado em português pela BDMania como Fábula de Bagdad, foi vencedor dos prémios Harvey e Eagle.

Fábula de Bagdad é uma história pequena, baseada em factos verídicos, na qual seguimos a aventura de quatro leões que se vêm livres após o bombardeamento da cidade. Este grupo de leões, que há muito procurava escapar do zoo, vê-se agora livre, mas esfomeado, procurando nas ruas da cidade comida e abrigo. Durante as suas deambulações, estranham os edifícios, e analisam aquilo que vêm de forma naive.

Os leões formam um grupo estranho, por vezes discordante – enquanto uns se deleitam com a liberdade, outros recordam o passado na selva, onde eram livres, mas passavam fome. Da mesma forma, quando as paredes da jaula desmorronam, alguns animais aproveitam a oportunidade, enquanto outros permanecem no mesmo sítio:

There’s an old saying, Zill. Freedom can’t be given, only earned. 

Fábula de Bagdad impressionou-me pela qualiddade das imagens, que alternam entre os laranjas fortes nos momentos críticos e o tom pastel. A história, no entanto, decepcionou-me um pouco. Depois de ler várias críticas positivas esperava um maior desenvolvimento da história, descrita por muitos como uma espécie de alegoria ao Iraque, após a libertação pelos soldados americanos.

Gostei – ainda que tivesse ficado um pouco aquém das expectativas.

Links (2009-02-22) – Listas e mais listas

E quem não gosta de listas?

Em Birdbrain(ed) Book Blog podem encontrar uma lista dos 10 livros Fantásticos e juvenis que todos deveriam ler (10 YA Fantasy Novels Everyone Should Read (Yes, Even You)).

Entre os livros da listagem podem encontrar o famoso Coraline (Neil Gaiman) ou a trilogia de Jonathan Stroud que se inicia com Amulet of Samarkand (e que aconselho vivamente), assim como uma série de livros e autores que desconhecia.

Segue-se uma enumeração de 10 doutores da Ficção Científica (The Top 10 Doctors of SF), onde não poderia faltar Van Helsing (Dracula de Bram Stoker) e onde destacaria a menção a Simon Tam (da série Firefly).

Neste mesmo blog (Not a Planet Anymore) podem encontrar um Top de Motins (Top 5 SF Mutinies of TV and Film), As 10 razões pelas quais Lost é Ficção Científica (Top 5 reasons “Lost” remains hard sci-fi) ou o Top das últimas palavras mais famosas em Ficçao Científica (The Top 5 Famous Last Words in SF).

Topless Robot, por sua vez, apresenta-nos as 6 desculpas da Ficção Científica (Science Fiction’s 6 Excuses for Everything), onde as mais comuns serão a electricidade, a radioactividade e o lixo tóxico.

Por último, o site io9 reúne os 9 livros de FC que mereciam ser adaptados (Nine Scifi Books That Deserve To Be Films). Entre eles encontram-se Altered Carbon (Richard Morgan) e Jonathan Strange & Mr. Norrell (Susanna Clarke – Scifi??).

O Sol Nasce Sempre (Fiesta) – Ernert Hemingway

Decididamente, Hemingway não é para mim.

O Velho e o Mar, tão badalado, foi o primeiro livro que li do autor.  Achei engraçado, mas ficou muito aquém das expectativas (talvez demasiado elevadas). Resolvi, no entanto, dar uma segunda oportunidade ao autor, após as inúmeras referências a Fiesta, por um amigo.

O Sol Nasce Sempre (ou Fiesta) centra-se num grupo de americanos, pertencentes à Geração Perdida – a geração que, depois da Primeira Guerra Mundial, tentar dar um rumo e um objectivo à vida. Jack, a personagem principal, será um dos que mais marcado ficou pela Guerra, com lesões nos órgãos genitais que o impedem de estabelecer um relacionamento amoroso com Brett (também designada como Lady Ashley).

Após vários momentos introdutórios, a história arranca com a organização, por Jack, de uma viagem a Pamplona – para assistirem à Fiesta e, mais propriamente, às corridas de touros. O grupo que se reúne no destino é, no mínimo, estranho. A Jack e Bill (companheiro de guerra de Jack), reúnem-se Cohn, Brett e o noivo, Michael.

Cohn, um judeu rico que teve um pequeno romance com Brett, sente-se excluído do grupo, e dissemina a má disposição com os seus comentários azedos, nos piores momentos possíveis. Michael tenta controlar-se, mas sob o efeito do álcool deixa-se levar pelos comentários de Cohn. Brett, por seu lado, permanece ao lado de Michael, mas cedo repara na bela figura do toureiro principal da Fiesta.

Ainda que o livro possua retratos peculiares do carácter humano, a história, no seu todo, não me fascinou. As personagens pareceram-me algo distantes num enredo previsível. No final, o que mais apreciei foram as raras caracterizações das cidades espanholas e dos costumes do seu povo.

Long John Silver – Bjorn Larsson

Long John Silver era um dos principais piratas do livro Ilha do Tesouro, de Louis Stevenson (que espera aqui, numa prateleira, por ser lido), que deu nome ao livro e no qual se baseou Bjorn Larsson para escrever o seu romance.

Em ambas as obras, Silver é descrito como um homem que se destaca entre os demais – letrado, forte física e psicologicamente, não se perde em remorsos ou questionamentos filosóficos. Apesar da sua boa dose de bom senso perde por vezes a cabeça atemorizando os restantes piratas.

Terá começado como marinheiro com o objectivo de adquirir liberdade, mas ao instigar um motim para salvar a vida dos marinheiros num barco prestes a naufragar, torna-se um foragido – de contrabandista a pirata foi um pequeno passo.

Homem feito, terá sido a sua figura que terá inspirado a actual e comum figura de pirata que deambula nas ilhas tropicais, sem perna e de papagaio ao ombro.

Long John Silver será o relato biográfico de Silver, iniciando-se com o episódio que lhe terá dado a alcunha de Barbecue.  Uma boa amostra do homem que iremos acompanhar ao longo da história.

Livro de piratas que não se perde em buscas de tesouros, relata a hipotética vida de um homem que se vê de cabeça a prémio por seguir aquilo que pensa ser mais justo, mas que nem por isso é um santo, não lamentando as vidas que teve de ceifar e atribuindo-as sempre às circunstâncias.

Não há expiação, não há culpa… na verdade, não existem verdadeiras reflexões sobre os acontecimentos.  Silver não é homem de desculpas ou que tente fugir à realidade – o que aconteceu já não se pode mudar.

De leitura agradável e divertida, as páginas sucedem-se rapidamente umas às outras, e não tivesse de acordar cedo no dia seguinte, teria provavelmente engolido o livro de uma só vez. Sem grandes fantasias, um livro de aventuras com episódios divertidos que aconselho a todos os que desejarem um bom livro.

História Universal da Infâmia – Jorge Luis Borges

História Universal da Infâmia é uma pequena colectânea de contos de Jorge Luis Borges que foram inicialmente publicados no jornal Critica, aos Sábados, e descritos pelo próprio autor da seguinte forma:

São o jogo irresponsável de um tímido que não ousou escrever contos e se distraiu a falsear e tergiversar (sem justificação estética algumas vezes) histórias alheias.

Na sua maioria, os contos, são constituídos por meia dúzia de episódios da vida de uma personagem, que assim retratam alguém outrora real: um aventureiro, um assassino ou um trapaceiro.

Entre as diversas histórias, destacaria a viúva Ching, uma corsária que se vê no comando de vários barcos de piratas; a de Tom Castro, que se tenta fazer passar pelo falecido filho de Lady Tichborne; ou a de Hakim Merv que, de cara tapada, faz crer às populações que a visão da sua face cega os mortais, tornando-se um conhecido profeta.

Contos curtos, nostálgicos e cativantes que retratam as reviravoltas dos infames da História, pessoas imorais ou sem vergonha, que vencem (ou tentam vencer) na vida pela exibição da sua coragem e temeridade ou pela burla.

Inicialmente o livro foi publicado em 1935, conhecendo uma edição alargada em 1954, à qual foram acrescentadas três novas histórias curtas. A versão publicada, em português, pela BisLeya será um misto entre as duas edições, contendo apenas uma das três novas histórias da edição de 54.

Links (2009-02-16)

Apesar das várias vozes discordantes (de autores ou editoras), a disponibilização gratuita de obras com intuito publicitário tem-se generalizado, felizmente. Ainda que conheça poucas pessoas capazes de ler um livro inteiro, sem suporte palpável, a disponibilização de um livro inteiro incentiva muitos a começarem a leitura e, mais tarde, a comprar o livro. Isto é o que acontece comigo.

Estes são apenas alguns dos livros / contos recentemente disponibilizados:

Em Dark Roasted Blend foi lançada uma extensa listagem de nome pomposo - Ultimate Guide to Modern Writers of Fantastic Literature.

Esta listagem, da autoria de  Avi Abrams, contém não só uma classificação dos autores, como também algumas anotações sobre o género de livros que escreve.

Como o título indica, esta listagem terá como objectivo constituir uma espécie de guia, na imensidão de obras dentro do género, que são publicadas anualmente.

Entretanto, em The List Universe foi também publicada uma enumeração de obras, mas desta vez, curta e concisa, com as 10 grandes obras pós-apocalítpicas – 10 Great Post-Apocalyptic Science Fiction Novels.

The Stupidest Angel – Christopher Moore

Author’s Warning

IF you’re buying this book as a gift for your gradma or a kid, you should be aware that it contains cusswords as well as tasteful depictions of cannibalism and people in their forties having sex. Don’t blame me. I told you.

Dentro do mesmo espírito de A Dirty Job, a história de Stupidest Angel surge espontaneamente com a sobreposição das personagens pouco vulgares, em Pile Cove, na época do Natal:

  • O único polícia da cidade é um ex-ganzado, casado com uma actriz de filmes de série B que, sem a medicamentação, encarna a personagem dos filmes (uma guerreira de espada em punho, que mata mutantes, e ouve a voz de um Narrador que a instrui)
  • O anjo Raziel, habituado às missões de extermínio massivo, procura uma criança a quem conceder um desejo de Natal sem saber medir as consequências
  • A criança assiste à morte de um Pai Natal, que mais não é que um ex-marido violento que morre acidentalmente à frente de Lena
  • O piloto que, ao assistir ao acidente, vê em Lena uma oportunidade de não passar o Natal sozinho… mas com ele trás um bónus: uma espécie rara de morcego, em vias de extinção

E apresentadas as personagens, está construído um cenário de potencial desgraça, com os mortos da cidade a erguerem-se em busca de cérebros e do IKEA. O humor negro cobre todo o desenvolvimento da história, escorregando diversas vezes para piadas geeks. Falta-lhe, no entanto, a ironia ou o sarcasmo típicos de A Dirty Job.

The Stupidest Angel é, ainda assim, um livro engraçado e inteligente, aconselhável a quem pretende ler algo menos denso, mas nem por isso estúpido.

Em Portugal, foi publicada a versão 2.0 (contém um conto extra) pela Gailivro, como O Anjo Mais Estúpido. No site de Christopher Moore encontra-se disponível um excerto do livro e no site Unshelved podem ver uma pequena BD introdutória.

Lançamentos – Fantásticos e FC – 14.02.2009

No seguimento de Elspeth, a Senhora do Pensamento, a Bertrand Editora lança Elspeth – Os Libertadores do Pensamento. Da autoria de Isobelle Carmody, os livros, destinados a um público jovem, parecem rondar em torno de uma nova Inquisição, controladora e vigiante, num mundo em que se re-estabeleceu a caça às bruxas:

Desde que tomou posse de Obernewtyn, a comunidade de Inadaptados floresceu em segredo, ao abrigo da sua localização remota e isolada. O novo Senhor de Obernewtyn preside a um conselho de Irmandades que reúne os representantes de vários Talentos: subjugadores, curandeiros, videntes, perscrutadores, encantadores e a enigmática Irmandade do Engenho empenham-se em desenvolver os seus dons reprimidos, preparando o confronto inevitável com o Conselho tirânico que governa a Terra. Enquanto planeiam libertar um poderoso Inadaptado que vive no outro extremo da Terra, uma vidente prevê que o destino de Obernewtyn depende desta nova missão. Guiada por Elspeth Gordie, mestre da Irmandade dos Perscrutadores, a expedição mergulha nos escombros do velho mundo, em caminhos banidos dos mapas e na vertigem do conhecimento proibido. Elspeth terá de socorrer-se do seu extraordinário poder mental para enfrentar os perigos que ameaçam comprometer a expedição e conduzir à queda de Obernewtyn. Mas aguarda-a, ainda, um outro desafio: localizar as máquinas da morte e impedir uma segunda era de destruição. Elspeth prepara-se, em segredo, para esta viagem sombria, sabendo que nela se centram as esperanças e profecias dos mais sábios entre os sábios.

A Editorial Presença, por sua vez, publicou A Pantera das Nuvens (Kenneth Oppel) e O Ladrão da Tempestade (Chris Wooding). A Pantera das Nuvens (Kenneth Oppel) ganhou vários prémios, entre eles o School Library Journal Best Book e o Ruth and Sylvia Schwartz Children’s Book Award. Primeiro de uma trilogia, deverá ser adaptado para cinema pela Universal Pictures. Este será outro livro fantástico, mais virado para o público juvenil:

Ao cruzar as águas do Pacífico, Matt Cruse estava quase a acabar o seu turno de vigia, a bordo do esplendoroso Aurora, quando avistou um balão de ar quente num estado de quase total destruição. Antes de morrer, o piloto fala-lhe de criaturas fantásticas que tinha avistado a voar por entre as nuvens, mas só quando Matt conhece Kate de Vries, a acção começa verdadeiramente. O dirigível é assaltado por perigosos piratas do ar e a demanda dos dois heróis desenrola-se vertiginosamente, num mundo impensável fruto de uma poderosa imaginação.

O Ladrão da Tempestade, pertence ao mesmo autor que a trilogia Teia do Mundo, publicada, em Portugal, também pela Editorial Presença:

No meio de um vasto oceano, existe uma cidade-ilha chamada Orokos, onde nunca ninguém conseguiu entrar e donde nunca ninguém conseguiu sair. Em Orokos existe um estranho fenómeno, as tempestades de probabilidades, que têm o poder de alterar tudo à sua passagem. Rail e Moa são dois jovens ladrões que há muito vivem com as consequências das tempestades – até que um dia ficam na posse de um artefacto antigo, que os conduzirá até ao segredo mais tenebroso de Orokos.

Mais importante do que estes lançamentos, parece-me, é a re-edição de uma série de livros em formato de bolso, pela Bisleya.

Entre estes destacaria a História Universal da Infâmia de Jorge Luís Borges, Histórias Extraordinárias de Edgar Allan Poe, Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll ou O Processo de Franz Kafka.

Jorge Luís Borges é muitas vezes descrito como um dos autores que mais influenciou a literatura actual, tendo-se destacado fundamentalmente pelos seus contos e histórias curtas:

De acordo com as palavras do autor, História Universal da Infâmia «São a irresponsável brincadeira de um tímido que não se animou a escrever contos e que se distraiu em fabricar e tergiversar (sem justificativa estética, vez ou outra) alheias histórias.» As narrativas reunidas neste livro foram executadas de 1933 a 1934, e, segundo o autor: «Derivam, creio, das minhas releituras de Stevenson e de Chesterton e também dos primeiros filmes de Von Sternberg e talvez de certa biografia de Evaristo Carriego.»

Edgar Allan Poe, um dos percursores da ficção científica e da fantasia, é conhecido pelas suas histórias no género horror / terror, entre elas das mais conhecidas: The Black Cat, The Masque of the Read Death, The Fall of the House of Usher ou The Pit and the pendulum. Histórias Fantásticas é mais uma coletânea dos contos do autor.

New Books Around (2009-02-10)

As obras de Zoran Zivkovic estão a ser publicadas em força por várias editoras, entre as quais se destacam a PS Publishing  e a Aio Publishing. Ambas lançam versões de coleccionador, de aspecto atraente, de boa qualidade e com preço concordante.

Deste autor apenas podem encontrar, em português, Biblioteca, publicado pela Cavalo de Ferro, em edição de capa padronizada e, para mim, pouco atractiva. São seis belos contos, marcantes para quem gosta de tocar nas páginas de um livro, de ler eternamente novas obras ou de passar os dias entre livros.

Do autor conseguem encontrar alguns, poucos, contos: The Astronomer, Fingernails e Words.

Pela PS Publishing, serão publicados o tríptico The Writer, The Book, The Reader e The Bridge. Aqui fica a sinopse de The Bridge:

What is the link between red hair, a red bowling ball and a red bikini? Between an overcoat with asymmetrical lapels, a scarf with two blotches and a pair of non-matching sneakers? In this brainteasing trio of stories, Zoran Zivkovic explores the collision of realities: a man encounters an alternate self, a woman out on a shopping trip runs into her dead neighbour and a fourteen-year-old girl chases her seventeen-year-old future son across town. Rough absurd redicament, surreal situations and hot pursuit, Zivkovic addresses deep and ultimately poignant questions of fate and chance, the vagaries of human character and the hidden potential which lies within us all.

De Dan Simmons, o autor de Song of Kali (World Fantasy Best Novel), Hyperion (Hugo Best Novel winner), e do mais recente The Terror, é lançado Drood, por diversas editoras, mas já em este mês pela Little Brown and Company. Só em Abril será lançada a versão da Subterranean Press que apresenta a capa à direita:

On June 9th, 1865, Charles Dickens, “the most popular novelist in England, perhaps the world,” boards a train bound from Folkstone to London, accompanied by his youthful mistress, the actress Ellen Ternan. Shortly afterward, the train derails near the village of Staplehurst, toppling into an abyss. Dickens emerges from the carnage physically, if not mentally, unscathed. And he has a story to tell.

He tells it, with typical Dickensian brio, to his friend and occasional collaborator, Wilkie Collins, the narrator of this magisterial novel. The story concerns an otherworldly figure who calls himself “Drood,” and who moves through the wreckage like a pale, unholy apparition. The mysteries surrounding Drood form the heart of an epic narrative encompassing ancient religious practices, subterranean cities, hallucinatory visions, madness, murder, and the limitless power of the creative imagination. The result is a fever dream of a book that vividly recreates the sights, sounds, and smells of 19th century London, while illuminating the final years of a great writer’s life. Absorbing, moving, and constantly surprising, Drood shows us Dan Simmons at his inimitable — and mesmerizing — best.

The Rise of the Iron Moon é o livro mais recente de Stephen Hunt, o mesmo autor de The Court of the Air e The Kingdom Beyont the Waves. Supostamente, The Rise of the Iron Moon decorre no mesmo mundo de estilo victoriano. Podem encontrar um excerto do livro, online.

Born into captivity, orphan Purity Drake one day finds herself on the run with a foreign vagrant from the North. Her strange rescuer claims he is on the run himself from terrible forces who mean to enslave the Kingdom of Jackals as they conquered his own nation. As Jackals girds itself for war against an army of near-unkillable beasts serving an ancient evil with a terrible secret, it soon becomes clear that their only hope is a strange little royalist girl and the last, desperate plan of an escaped slave…

Schismatrix Plus – Bruce Sterling

Schismatrix Plus reune não só o livro Schismatrix, como uma selecção de contos decorridos no mesmo Universo criado por Bruce Sterling, um dos co-fundadores do Cyberpunk.

Neste Universo, futuro, os verdadeiros humanos deram lugar a duas facções rivais que ultrapassaram a barreira da humanidade e da mortalidade de duas formas bem diferentes: os Shapers utilizam a engenharia genética, os Mechanists utilizam a tecnologia e mais especificamente os computadores.

Neste mundo em guerra sonha-se pela entrada em cena dos extra-terretres, de cuja certeza não se tem e certeza. Com eles, pensa-se, virá a paz. E realmente, assim é. À chegada dos extra-terrestres comerciantes (conhecidos como comerciantes) estabelece-se a paz, mas também uma espécie de guerra fria, em que a espionagem e a política têm dois papéis principais: as rivalidades mantém-se e aumentam as facções.

Em Schismatrix, Abelard Lindsay é a personagem principal, um aristrocrata Mechanist que recebe treino diplomático e se une à causa dos Shapers. A história inicia-se com o suicídio de Vera, companheira de Lindsay. Exilado para um planeta de criminosos e renegados políticos, Lindsay consegue instaurar o caos e fugir na altura crítica. Este parece ser um dos grandes dons de Lindsay – integrar-se, singrar e fugir, na altura em que tudo vai desabar. Lindsay vive, assim, várias vidas, num mundo em que é possível a renovação, a transformação e viver eternamente.

As boas passagens da história, enérgicas e inteligentes, localizam-se essencialmente nas diversas reviravoltas da vida de Lindsay. Estas não constituem, infelizmente, o todo,  e pelo meio existem porções menos emocionantes, mais paradas e até por vezes aborrecidas que fazem prolongar a leitura do livro.

Esta é fundamentalmente a diferença para com os cinco contos que foram lançados antes de Schismatrix: Swarm, Spider Rose, Cicada Queen, Sunken Gardens e Twenty Evocations; curtos, bem construídos, directos e com hábeis reviravoltas que nos fazem sorrir ironicamente.

Para mim, Swarm e Spider Rose serão, sem dúvida os dois melhores. Ambos foram publicados, em 1982, na The Magazine of Fantasy and Science Fiction e nomeados para o Hugo.

Em Swarm, dois Sharpers tentam manipular uma colónia de extra-terrestres pouco inteligentes que se assemelham, em funcionamento social, a formigas ou abelhas. Mas será esta colónia assim tão fácil de controlar?

Spider Rose é o nome da personagem principal do conto, uma viajante solitária que negoceia com os extra-terrestres (Investidores), mas que não pretende riquezas, armas ou tecnologia.

Ainda que tenha gostado de Schismatrix, continuo a achar que Altered Carbon (Richard Morgan) é o melhor que li de Cyberpunk, talvez por conseguir manter sempre um ritmo acelerado, o que contribuiu para o ler de uma só vez. Por sua vez, Swarm, encontrar-se-á entre os melhores contos que já li.

Shelves (15)

Estas são as minhas mais recentes aquisições

Gentlemen of the Road, de Michael Chabon  foi comentado recentemente. Ainda que goste mais de livros de capa dura, a versão de capa mole, branca e dourada, consegue ser mais atraente.

Fantasy, the best of the year (2008) é uma antologia de contos cuja maioria dos autores não conheço (aqui a lista completa de conteúdos). De realçar a presença de Zoran Zivkovic, Theodora Goss e Ian R. MacLeod.

The Mount, de Carol Emshwiller (2002) ganhou o prémio Philip K. Dick e foi nomeado para o Nebula. Ainda que seja incluído dentro do género da Ficção Científica, possui uma sinopse que parece discordar:

Charley is an athlete. He wants to grow up to be the fastest runner in the world, like his father. He wants to be painted crossing the finishing line, in his racing silks, with a medal around his neck.

Charley lives in a stable. He isn’t a runner, he’s a mount. He belongs to a Hoot: The Hoots are alien invaders. Charley hasn’t seen his mother for years, and his father is hiding out in the mountains somewhere, with the other Free Humans. The Hoots own the world, but the humans want it back. Charley knows how to be a good mount, but now he’s going to have to learn how to be a human being.

Encontram-se dois capítulos do livros disponíveis gratuitamente (capítulo 1, capítulo 2).

The Portable Dorothy Parker não está enquadrado dentro daquilo que leio normalmente mas a capa foi algo que me fez pegar e simpatizar com o livro. The Portable Dorothy Parker reune versos, histórias, dissertações e artigos de Dorothy Parker.

Schismatrix Plus, de Bruce Sterling foi o livro recomendado por Fábio Fernandes, após  a minha dupla desilusão com Willliam Gibson (Neuromancer e Spook Country). Há muito encomendado, demorou uma eternidade até me chegar às mãos, mas vou agora a meio.

Robert Louis Stevenson é o autor de um dos clássicos da Ficção Científica,  Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, traduzido para português como o Médico e o Monstro. O livro que comprei contém não esta história clássica, como Treasure Island, The Master of Ballantrae e Kidnapped.

Vladimir Bartol foi um escritor esloveno, que se destacou com Alamut, obra que roda em torno de Hassan-i Sabbāh. Hassan-i-Sabbãh fundou o grupo dos míticos  Hashshashin, guerreiros destemidos que actuavam sob o efeito do haxixe e cujo nome deu origem à designação assassino.

Gentlemen of the Road – Michael Chabon

Michael Chabon é o autor de The Amazing Adventures of Kavalier and Clay e de The Yiddish Policemen’s Union, dois dos livros que o tornaram famoso. Com o primeiro ganhou o Pulitzer Prize, com o segundo ganhou o Nebula e foi nomeado para o British Science Fiction e para o Hugo.

Apesar de não ter aprecidado The Yiddish Policemen’s Union, talvez por ser misturar o género policial com a história alternativa, senti-me atraída pela capa e pela sinopse de Gentlemen of the Road:

In the Caucasus mountains around 950 AD, two wandering adveturers live by their wits as tricksteirs and swords for hire. Until, following a bloody coup in the Jewish kingdom of the Khazars, they get dragooned into a fugitive prince’s campaign to reclaim his throne. In this exhilarating tale of daring deeds, passion and friendship, Michael Chabon breathes fresh life – and winning humour – into the fables of old and delivers an irresistible novel.

Dois judeus, que se autodesignam os Gentlemen of the Road, percorrem as estradas fazendo vida através de burlas ou vendendo o serviço das suas espadas. Juntos fazem um par impensável: Zelikman é pálido, magro e médico; Amram é um africano enorme,  de língua afiada. Antes de conseguirem concretizar um golpe, são contratados para escoltarem um príncipe, Filaq, até casa do avó para ser protegido. Mas Filaq pretende vingar a família e reconquistar o trono perdido, conseguindo até, o comando de um exército.

Um livro pequeno, publicado inicialmente na  The New York Times Magazine e dedicado a Michael Moorcock, Gentlemen of the Road é uma história de aventuras com heróis humanos, imperfeitos, nem sempre corajosos que podem até, por vezes, fugir aos seus ideais.

Com personagens bem construídas e uma boa premissa, a história poderia ter sido desenvolvida para dar origem a um livro mais sólido. O resultado não é perfeito – Gentlemen of the Road tem passagens cativantes, mas também algumas pouco relevantes que amortecem a leitura. Ainda assim é um bom livro – de tal modo que penso ler o famoso The Amazing Adventures of Kavalier and Clay.

Premio DARDOS

Ainda que não seja dada a correntes, depois de receber dois prémio Dardos, no Post Weird Thoughts e no Nekko Mimi,  decidi deixar aqui uma pequena listagem de blogs que sigo diariamente.  Não considerem que é uma atribuição de um prémio, não pretendo que continuem a corrente, se o não desejarem; apenas a referência de alguns dos blogs que visito regularmente.

Se serão melhores ou piores, não sei – normalmente gosto de textos mais pequenos e directos:

- Ecstatic Days –  Este é o blog de Jeff Vandermeer, escritor e editor, que publica textos com pitadas de nonsense, críticas literárias ou notícias sobre os livros em que participa ou que escreve.

- Fantasy Book Fiction –  Entrevistas, lançamentos, ofertas de livros ou críticas – considero, sem dúvida, que este é um dos melhores blogs do género

- Bibliotecário de Babel – blog de José Mário Silva, é sucintamente, sobre livros – “O que está dentro dos livros, à volta dos livros, antes e depois dos livros”.

- Bloody Hell, It’s a Book Barrage – sobre…  coisas. Algumas críticas a livros, oferta de outros, e vários posts indescritíveis.

- Eric Novello – textos online, resenhas e outros posts de conteúdo variado, Eric Novello é escritor, “roteirista”, crítico e tradutor.

- Pós Estranho / Post-Weird Thoughts -  O primeiro é o blog, em português de Fábio Fernandes, o segundo, um blog em inglês de Fábio Fernandes e Jacques Garcia. Com vários artigos em comum, rodam fundamentalmente em torno da Ficção Científica e do Fantástico

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