Março 2009


O Prémio Bram Stoker, designado em honra do autor de Dracula, é atribuído pela Associação dos Escritores de Horror anualmente, desde 1987.

Entre os vencedores dos anos anteriores encontram-se Clive Barker, Neil Gaiman, Stephen King, Dan Simmons, Michael Moorcock, Richard Matheson, Joyce Carol Oates ou Chuck Palahniuk.

Os nomeados deste ano já foram anunciados.

Ysabel, de Guy Gavriel Kay foi uma das obras vencedoras do World Fantasy Award de 2008. Do autor apenas tinha lido The Last Light of the Sun, apesar de já cá ter Tigana à espera. Entre as suas obras mais famosas encontram-se The Fionavar Tapestry (publicado em Portugal como A Tapeçaria de Fionavar pela Editora Livros do Brasil) ou The Lions of Al-Rassan (publicado recentemente em Portugal pela Saída de Emergência).

Ysabel decorre na região francesa de Provença, centrando-se em Ned, um rapaz canadiano que acompanha o pai, notável fotógrafo, numa das suas sessões. Da equipa de trabalho fazem parte Greg, Steve e Melanie, esta última conhecida pela organização obsessiva, que chega ao ponto de programar os passeios turísticos de todos os elementos do grupo.

Aproveitando uma sessão na Catedral de Saint-Sauveur Ned explora, sozinho, o interior da igreja e conhece aí uma jovem americana, Kate. Supostamente, todas as entradas estariam fechadas, mas ainda assim encontram uma terceira pessoa no interior da Catedral: um homem soturno e perigoso, que parece escavar algo.

O que parecia ter sido apenas um encontro estranho, parece ter outras consequências: Ned descobre que possui uma estranha sensibilidade à presença de algumas pessoas; aquando de um passeio às montanhas adoece quando se aproxima do local onde foram chacinados milhares de celtas pelos romanos; e num final de tarde, em que re-encontra o estranho homem, é atacado por cães ferozes.

Estas são as pistas para algo maior: uma luta entre dois homens que dura há milénios, por uma mulher implacável que retorna à vida na noite de Baltane, ocupando o corpo de uma jovem, na presença de um feiticeiro e de um sacrifício animal.

A história, passada na actualidade, pode ser enquadrada dentro do género urbano e caracterizada como juvenil: Ned tem quinze anos e está na mudança de idade, Kate é uma geek de humor cortante, e o grupo de trabalho do pai comporta-se com uma juvenilidade despreocupada entre piadas e partidas.

Ainda que seja uma história engraçada, bem escrita e com pormenores interessantes, não é nada de especial: simples, pouco detalhada, com alguns acontecimentos forçados – esperava melhor do autor de um dos melhores livros do género Fantástico que tive oportunidade de ler. Ysabel revelou-se uma leitura leve, sem grande profundidade, mais apropriada a adolescentes.

Steampunk parece ser um sub-género outra vez na moda: histórias decorridas por volta do século XIX, mas com acesso a desenvolvimentos tecnológicos típicos da actualidade. Dentro deste sub-género pode-se enquadrar a série The League of Extraordinary Gentlemen, The Difference Engine (Bruce Sterling e William Gibson).

Em FlashLight Worhty podem ver uma pequena lista de 10 clássicos do Steampunk, por Cheryl Morgan.

Mas a época vitoriana não entusiasmou só o género literário, mas ajudou na fundação de um estilo real que linhas vitorianas com mobiliário e tecnologia actual, originando peças espectaculares, algumas das quais podem ser visualizadas no The Definitive Guide To Steampunk Gadgets.

Sem tecnologia à mistura e completamente vitoriano, os circos de pulgas humanas são algo que nunca me teriam passado pela cabeça.

Temas apocalípticos são muito frequentes, principalmente em livros de Ficção Científica. No site Exit Mundi podem encontrar várias imagens do Fim do Mundo:

Some people collect postal stamps; Exit Mundi collects scenarios of what could go wrong with the world.

Se em Exit Mundi se coleccionam imagens, em Dark Roasted Blend reuniram, explicaram e ilustraram 10 apocalipses provocados por experiências científicas.

Finalmente, no blog de Gerry Canavan aparece uma pequena banda desenhada, ilustrando uma comparação entre um Mundo Pré-apocalíptico e  o Mundo real em crise económica. Já agora, aproveitem para explorar o blog, que possui posts com títulos  como “Another round of Star Wars in classic art” ou “Kill Bill in one minute and one take”.

The Centauri Device, de John M. Harrison foi o livro escolhido para iniciar O Círculo de Leibowitz, e que já foi comentado por aqui e Mr. Pye de Mervyn Peake foi o último livro que li. Mervyn Peake é o autor de Gormenghast, uma série fantástica que estou para ler há já algum tempo e sendo Mr. Pye um livro mais curto, resolvi pegar-lhe primeiro:

Equipped with love, Mr Pye lands on the island of Sark; his mission is to convert the inhabitants into a crusading force for the undiluted goodness that he feels within. Mr Pye is, however, prone to excess and this is very nearly his downfall.

Dreamsongs 2 é a segunda parte de uma antologia de George R. R. Martin que reune 32 contos e novelas, entre os quais A Song for Lya, The Pear-Shaped Man e The Skin Trade.

Last Argument of Kings é uma incógnita. Depois de considerado por vários dos bloguistas mais conhecidos como um dos melhores livros de 2008, optei por comprar a série.

Ainda que The Fourth Circle de Zoran Zivkovic não me tenha convencido, os contos que já tinha lido encontram-se entre os melhores. Por essa razão resolvi adquirir os dois livros de contos curtos, duas edições fabulosas. Pelo menos Seven Touches of Music não me desapontou e contém várias histórias de excelente qualidade.

Sangue de Dragão é o primeiro livro de Ana Vicente Ferreira, do qual não devem ler a sinopse por correrem o risco de pesado spoiler.

O livro de Robert Masello, Blood & Ice, foi um dos oferecidos e possui uma sinopse um tanto ou quanto estranha:

On a diving expedition in the polar sea he discovers two bodies encased in ice. The pair, a man and a woman chained together, their dress from the nineteenth-century, are brought to the surface – along with a trunk containing a strange, but sinister cargo. As the ice around them begins to thaw, the mystery of these time-bound lovers begins to unravel. Michael is gradually drawn into a horrific story that starts in the London barracks in the 1850s and leads to the bloody battlefields of the Crimea and the tragic Charge of the Light Brigade. Now, in the Antarctic wastes, the Cavalry officer and his lover are reawakened into a world where the midnight sun lasts for months, where there’s nowhere to hide and no place left for the living to run…

2666, de Roberto Bolano é um dos livros de 2008 – altamente referenciado por diversos críticos e incluído no top 10 do NYTimes, 2666 tornou-se numa celebridade. Infelizmente, poucos dias após a compra, surgiu uma notícia onde se colocava a possibilidade de ter sido descoberta, entre os escritos do falecido autor, uma possível sexta parte do livro. É preciso ter azar.

The Reincarnationist é o primeiro livro de uma trilogia, da qual não sei o que esperar:

Desperate for answers, Josh turns to the world-renowned Phoenix Foundation–a research facility that scientifically documents cases of past life experiences. His findings there lead him to an archaeological dig and to Professor Gabriella Chase, who has discovered an ancient tomb–a tomb with a powerful secret that threatens to merge the past with the present. Here, the dead call out to the living, and murders of the past become murders of the present.

Por último, Preacher: Gone to Texas é um comic sangrento com um resumo promissor:

One of the most celebrated comics titles of the late 1990s, PREACHER is a modern American epic of life, death, love and redemption also packed with sex, booze, blood and bullets – not to mention angels, demons, God, vampires and deviants of all stripes.

At first glance, the Reverend Jesse Custer doesn’t look like anyone special-just another small-town minister slowly losing his flock and his faith. But he’s about to come face-to-face with proof that God does indeed exist. Merging with a bizarre spiritual force called Genesis, Jesse now possesses the power of “the Word,” an ability to make people do whatever he utters. He begins a violent and riotous journey across the country in search of answers from the elusive deity.

The Last Unicorn, publicado em Portugal como O Último Unicórnio, pelas Edições Século XXI, centra-se num unicórnio fêmea, bela e altiva, que concede à floresta onde vive algumas características mágicas: as folhas não caem, a neve nunca se vê e os animais parecem mais difíceis de caçar.

Um dia, ao ouvir uma conversa entre caçadores, descobre que poderá ser o último elemento da sua espécie. Tal afirmação perturba o ser imortal, até ao momento impassível a quem nada parece interessar. De espírito alterado, o unicórnio decide procurar pelos restantes membros da sua espécie, deixando assim a floresta onde vive.

Após alguns dias de viagem, é aprisionada e exibida num circo, onde conhece Schmendrick, um mágico trapalhão e sem talentos que a solta, e que com ela insiste em seguir viagem.

Durante as buscas descobrem que uma figura sobrenatural, o Touro Vermelho, talvez pertencente ao Rei Haggard poderá estar na cauda do desaparecimento dos unicórnios.

O Último Unicórnio poderá ser comparado a um conto de fadas, mas nem sempre possui a inocência deste. O unicórnio fêmea, ser imortal, irá perder alguma da sua insensibilidade ao mundo que o rodeia, o mágico trapalhão e cómico desenvolve-se em algo mais e os bandidos de estrada cantam na esperança de se parecerem aos guerreiros de Robin Hood que roubava aos ricos para dar aos pobres.

Apesar das figuras típicas de uma fábula, o desenrolar foge um pouco aos padrões, de um forma inteligente e por vezes satírica, que poderá não ser do gosto de todos. Mesmo assim não será do melhor que tenho lido, tendo personagens extremamente interessantes, mas também episódios que poderiam ter sido melhor explorados.

Em continuação ao livro terão sido publicadas duas histórias: Two Hearts (2005 Fantasy and Science Fiction Magazine) e The Line Between (2006); e espera-se o lançamento de uma série de novos contos em dois volumes ainda este ano.

O livro The Last Unicorn foi já adaptado para filme animado, com o mesmo nome.

(em continuação de Hugo – Nomeados (1))

Para a categoria de melhor novela, foram nomeados

  • The Erdmann Nexus - Nancy Kress (Asimov’s Oct/Nov 2008)
  • The Political Prisoner – Charles Coleman Finlay (F&SF Aug 2008)
  • The Tear – Ian McDonald ( Galactic Empires)
  • True Names – Benjamin Rosenbaum & Cory Doctorow ( Fast Forward 2)
  • Truth – Robert Reed (Asimov’s Oct/Nov 2008)

Nancy Kress é a autora de Beggars in Spain e de Dogs. Muitos dos seus contos podem ser encontrados nas revistas Asimov e gratuitamente online: Fountain of Age (vencedor de um Nebula e nomeado para o Hugo), My Mother, Dancing (nomeado para um Nebula) ou Safeguard (nomeado para um Nebula).

The Erdmann Nexus foi a novela nomeada, publicada na Asimov de Outubro / Novembro.  Na mesma revista, foi publicada outro dos contos nomeados: Truth, de Robert Reed. Este é outro daqueles autores que desconheço totalmente e cujas obras não me lembro de ter visto referenciadas.

Ian McDonald é o autor de Brasyl, River of Gods, Cyberabad Days ou Tendeleo’s Story.

Tanto The Political Prisionar como True Names encontram-se disponíveis online, gratuitamente.

Para a categoria de Melhor Noveleta, foram nomeados:

  • Alastair Baffle’s Emporium of Wonders - Mike Resnick (Asimov’s Jan 2008)
  • The Gambler – Paolo Bacigalupi ( Fast Forward 2)
  • Pride and Prometheus – John Kessel (F&SF Jan 2008)
  • The Ray-Gun: A Love Story – James Alan Gardner (Asimov’s Feb 2008)
  • Shoggoths in Bloom – Elizabeth Bear (Asimov’s Mar 2008)

De entre os cinco autores, apenas conheço um conto de Paolo Bacigalupi, Pump Six, um conto publicado na Fantasy & Science Fiction Magazine, que se destacou entre as histórias curtas que li em 2008. O conto nomeado, The Gambler, foi publicado em Fast Forward 2, uma antologia de Ficção Científica que contém também o True Names (Benjamin Rosenbaum & Cory Doctorow).

Tanto Mike Resnick como Paolo Bacigalupi ou John Kessel não são novos nestas andanças, tendo sido nomeados para vários Hugos ou Nebulas.

Finalmente, a pequena lista dos contos nomeados:

  • 26 Monkeys, Also the Abyss -  Kij Johnson (Asimov’s Jul 2008)
  • Article of Faith – Mike Resnick (Baen’s Universe Oct 2008)
  • Evil Robot Monkey - Mary Robinette Kowal ( The Solaris Book of New Science Fiction, Volume Two)
  • Exhalation – Ted Chiang ( Eclipse Two)
  • From Babel’s Fall’n Glory We Fled – Michael Swanwick (Asimov’s Feb 2008)

26 Monkeys, Also the Abyss pode ser lido, gratuitamente, no site oficial do autor.

É de realçar a quantidade de novelas e noveletas nomeadas que foram publicadas na Asimov.

Mervyn Peake é o autor da série Gormenghast e de Mr. Pye; tendo sido, em vida, mais conhecido pelas suas ilustrações a obras como Alice in Wonderland, Dr. Jekyll and Mr. Hyde ou Treasure Island; do que pela sua escrita.

Mr. Pye é o nome da personagem principal – um homem muito direito de costas e ideias, que deseja transformar a mente dos habitantes da ilha e traze-los para o caminho da luz.

Instalado em casa de Miss Dredger, rapidamente lhe modifica os hábitos e a transforma no seu braço direito. Para quebrar toda a malícia ou má vontade em Miss Dredger, convence-a a aproximar-se de uma grande inimiga, Miss George, uma velhota rabugenta e maliciosa, sempre pronta a lançar comentários maldosos e ofensivos.

Para além de modificar o quotidiano da sua hospedeira, Mr. Pye dedica-se a conhecer a ilha, assim como os seus habitantes, e inicia uma cruzada para aproximar os nativos aos visitantes. Mr. Pye não se deixa intimidar pelos modos rudes dos pescadores ou pelos comentários velhacos das quarentonas, ganhando rapidamente a confiança suficiente dos que o rodeiam para falar do Grande Companheiro, Deus.

Mas nem todos os seus planos grandiosos funcionam da melhor forma e o próprio Criador parece não aprovar a vaidade de Mr. Pye, transformando-o numa aberração – uma paródia ambulante. De tal modo que Mr. Pye se vê obrigado a mudar radicalmente os hábitos.

A personagem perfeita e demasiado confiante que é Mr. Pye consegue ser incomodativa e até irritante. Mas não só para o leitor – o sentimento é partilhado por alguns (poucos) habitantes das ilhas. Mr. Pye é de tal forma seguro de si e convencido que, por vezes, descura o que lhe dizem – quando a perfeição é assombrada (ou atingida, dependendo da perspectiva) não podemos deixar de sorrir.

Mr. Pye tem momentos irónicos e sarcásticos, tornando-se numa paródia à religião. Perde apenas nos episódios que exploram a harmonia perfeita do casal, nunca assumido, formado por Mr. Pye e Miss Dredger.

Mr. Pye foi adaptado para um miniserie em 1986, e para uma peça de rádio, pelo próprio autor, nos anos 50.  Tanto quanto saiba, do autor, só Titus Groan (da série Gormenghast) foi publicado em Portugal, pela Saída de Emergência.

A lista dos nomeados para o Hugo apresenta uma única semelhança com a apresentada para o Nebula: Little Brother de Cory Doctorow, distribuído online. Para além destes, foram nomeados Anathem (Neal Stephenson), The Graveyard Book (Neil Gaiman), Saturn’s Children (Charles Stross) e Zoe’s Tale (John Scalzi).

Anathem é um daqueles livros cuja sinopse e capa não me atraem – ambos me parecem de teor religioso. Apesar de ter sido referido por diversos blogs como uma das melhores leituras de 2008, o seu volume de páginas é intimidatório (podem encontrá-lo na FNAC) e para ler livros deste tamanho, só tendo a certeza que iria pegar em algo extraordinário. Aqui fica uma parte da sinopse:

Fraa Erasmas is a young avout living in the Concent of Saunt Edhar, a sanctuary for mathematicians, scientists, and philosophers, protected from the corrupting influences of the outside “saecular” world by ancient stone, honored traditions, and complex rituals. Over the centuries, cities and governments have risen and fallen beyond the concent’s walls. Three times during history’s darkest epochs violence born of superstition and ignorance has invaded and devastated the cloistered mathic community. Yet the avout have always managed to adapt in the wake of catastrophe, becoming out of necessity even more austere and less dependent on technology and material things. And Erasmas has no fear of the outside – the Extramuros – for the last of the terrible times was long, long ago.

Como praticamente tudo de Neil Gaiman, The Graveyard Book entrou para a minha Wishlist mesmo antes de ter sido lançado.

Também referenciado em várias listagens de melhores do ano, possui um resumo estranho e diferente, o que para mim é razão principal para considerar comprar um livro:

Bod is an unusual boy who inhabits an unusual place-he’s the only living resident of a graveyard. Raised from infancy by the ghosts, werewolves, and other cemetery denizens, Bod has learned the antiquated customs of his guardians’ time as well as their timely ghostly teachings-like the ability to Fade.

Can a boy raised by ghosts face the wonders and terrors of the worlds of both the living and the dead? And then there are things like ghouls that aren’t really one thing or the other.

Charles Stross é o autor de Accelerando (disponível online), um livro muito badalado, mas que não me convenceu.

Saturn’s Children parece enquadrar-se dentro do género Space Opera, um tributo de Stross aos últimos Heinlein. Entre a sinopse e a minha experiência anterior com Charles Stross, não penso em ler este livro nos próximos tempos:

Freya Nakamachi-47 has some major existential issues. She’s the perfect concubine, designed to please her human masters; there’s just one problem: she came off the production line a year after the human species went extinct. Whatever else she may be, she’s gloriously obsolete. But the rigid social hierarchy that has risen in the 200 years since the last human died, places beings such as Freya very near the bottom. So when she has a run-in on Venus with a murderous aristocrat, she needs passage off-world in a hurry — and can’t be too fussy about how she pays her way. If Venus was a frying pan, Mercury is the fire — and soon she’s going to be running for her life. Because the job she’s taken as a courier has drawn her to the attention of powerful and dangerous people, and they don’t just want the package she’s carrying. They want her soul …

John Scalzi é outro autor que desconheço, mas do qual já cá possuo um livro, à espera de ser lido: Android’s Dream, um título que relembra o Do Androids Dream of Electric Sheep do Philip K. Dick que promete uma história irónica de humor pelo menos acizentado.

Zoe’s Tale parece não se enquadrar neste espírito, como quarto livro da série Old’s Man War, um recontar da história que podem encontrar em The Last Colony, mas pela perspectiva de uma das personagens, Zoe. Zoe’s Tale parece também não se enquadrar no género que mais aprecio:

I ask because it’s what I have to do. I’m Zoe Boutin Perry: A colonist stranded on a deadly pioneer world. Holy icon to a race of aliens. A player (and a pawn) in a interstellar chess match to save humanity, or to see it fall. Witness to history. Friend. Daughter. Human. Seventeen years old.

Everyone on Earth knows the tale I am part of. But you don’t know my tale: How I did what I did — how I did what I had to do — not just to stay alive but to keep you alive, too. All of you. I’m going to tell it to you now, the only way I know how: not straight but true, the whole thing, to try make you feel what I felt: the joy and terror and uncertainty, panic and wonder, despair and hope. Everything that happened, bringing us to Earth, and Earth out of its captivity. All through my eyes.

It’s a story you know. But you don’t know it all.

O canal Sci Fi parece ser o responsável pela exposição de cabeças, braços, sereias e outros monstros de corpo inteiro que se encontra nos Armazéns do Chiado.

Todas estas peças foram utilizadas em efeitos especiais de filmes de cinema fantástico, e criadas por Tomoo Haraguchi. Estarão disponíveis até dia 25 de Março.

Desta 1ª Mostra faz ainda parte uma série de sessões de cinema, entre os dias 27 e 29 de Março, a decorrer no Cinema Londres.

Vão ser sete filmes: Let the Right One In, 20th century Boys, Midnight Meat Train, Martyrs, Sleep Dealer, Splinter e Mutant Chroniclespos; a 3 euros o bilhete. 

M. John Harrison é o autor da série Viriconium, assim como do premiado Nova Swing. Do autor tinha lido apenas Viriconium, uma edição da colecção FantasyMasterworks (pela Gollancz), que reúne três novelas e vários contos que decorrem em Viriconium, uma cidade fantástica.

Nesta série o ambiente é um misto de medieval bárbaro com erudição guerreira, em que a alta tecnologia existente é quase considerada magia. A narrativa é pausada, por vezes pesada, mas a história vai prosseguindo com toques míticos e fantásticos que dão ímpeto ao leitor.

Em Centauri Device, a narrativa também é, por vezes, densa, mas sem os toques que transformaram Viriconium num bom livro.

A personagem principal, John Truck, é o comandante de uma pequena nave que viaja sob contratos precários, e vê-se enrolado numa densa luta de interesses aquando do descobrimento do engenho ceutariano. John Truck é o último dos Centaurianos, uma raça humanóide, desaparecida e absorvida pela espécie humana, e o único que poderá controlar o engenho ceutauriano, uma arma poderosa cujas capacidades não são completamente previstas. Várias facções se interessam pela arma e esperam conseguir a colaboração de John Truck, através de promessas de riqueza ou de coação.

John Truck vê-se empurrado para o centro de uma guerra, obrigado a fugir e a procurar esconderijo. Em Terra possui uma companheira, alguém com quem não consegue viver mais do que algumas semanas de cada vez. Na nave, possui escassos companheiros, onde se destaca o piloto, Fix.

A história alonga-se, sempre em torno de Truck, uma personagem apática que parece deambular sem grande vontade própria, manipulado por todas as facções que desejam o engenho centauriano. Talvez essa apatia seja a herança de uma raça que se deixou extinguir facilmente.

Terminada a leitura, não simpatizei com o livro – achei-o, até, bastante medíocre. A história centra-se demasiado numa personagem pouco atractiva que parece arrastada de cena em cena; e os acontecimentos sucedem-se sem grande lógica.

Este foi a primeira leitura realizada no âmbito d’O Círculo de Leibowtiz, e conjuntamente com este post são realizadas críticas nos seguintes blogs:

- Blade Runner (João Seixas)

- Stranger in a Strange Land (Safaa Dib)

- Inner Space (Nuno Fonseca)

- Efeitos Secundários (Luís Filipe Silva)

Seven Touches of Music é uma pequena colectânea, de aspecto impressionante, que reúne sete contos da autoria de Zoran Zivkovic. Publicado pela Aio Publishing, de capa dura, é uma edição cozida de fazer brilhar os olhos a qualquer um que goste de livros.

Para além do aspecto, Seven Touches of Music distingue-se pelos sete contos que reúne, todos em torno de temas musicais: The Whisper, The Fire, The Cat, The Waiting Room, The Puzzle, The Violist, e The Violin-Maker.

Em quase todos os contos, um momento quebra a monotonia e transforma, por momentos ou definitivamente, a realidade, dependendo da personagem que vive a experiência, que pode escolher ignorá-la.

Por exemplo, no primeiro conto, The Whisper, um professor surpreende-se quando, ao som de Chopin, numa classe autista, uma criança escreve uma sequência de números, ao invés de círculos. Em The Fire um sonho de sabor acre transtorna o dia de uma mulher e em The Waiting Room é retratada a angústia de uma velhota que visiona o momento da morte das pessoas com quem se cruza, ao som de um violino.

Em todos os contos a música tem um papel fulcral, parecendo não só retratar a perfeição do Universo, como ser a expressão do Criador, um músico experiente. Nestas histórias são captados sentimentos e aspectos peculiares do dia-a-dia: um sonho que permanece durante o dia seguinte e nos deixa entorpecidos, acções rotineiras sem grande sentido mas que nos transmitem segurança, ou pequenos acontecimentos inexplicáveis que geram rumores.

Em The Fourth Circle tinha concluído que preferia os pequenos contos de Zoran Zivkovic que se reuniam em A Biblioteca. A opinião mantém-se – Seven Touches of Music estará ao mesmo nível que A Biblioteca e contem dos melhores contos que li ultimamente.

A recepção à exploração do Mundo Marvel por Neil Gaiman foi controversa – vencedor de vários prémios para melhor Graphic Novel, como o Quill Book Award, foi também listado como o pior comic do ano 2003 na Time Magazine.

Em 1602, Neil Gaiman aproveitou os heróis da Marvel e colocou-os num cenário e tempo diferente – entre o Mundo Novo em colonização e a Inglaterra da Rainha Elizabeth.

Neil Gaiman utilizou apenas personagens criadas até aos anos 60 e algumas destas são facilmente reconhecíveis: Carlos Javier é um espanhol que na época da Inquisição, dirige um colégio para os Witchbreed (X-men), pessoas com características especiais que têm de se esconder para não morrerem queimadas nas fogueiras; os Fantastic Four constituem um grupo mítico de aventureiros, que se transformam numa viagem de barco; o grande Inquisidor é Magneto; e o vilão principal é Doctor Doom.

Enquanto Virginia Dare (a primeira criança a nascer na colónia Roanoke) viaja para Inglaterra com o objectivo de pedir ajuda à Rainha (provisões e colonos), o tesouro dos Templários cruza a Europa numa carroça; e o herdeiro ao trono, James VI, colabora com os Inquisidores Espanhóis para obter o trono e retornar à caça das bruxas.

Sem termo comparativo com as restantes aventuras destas personagens, gostei do que li: a história aproveita a comparação do reino protestante de Isabel com a restante Europa, onde permanece a caça às bruxas; assim como o início da colonização, com a fundação da colónia Roanoke que no Mundo de 1602 não se teria tornado na Colónia Desaparecida.

O aspecto gráfico deve-se ao trabalho de Andy Kubert e Richard Isanove, distinguindo-se positivamente do aspecto dos comics típicos que a mim não me entusiasmam: gosto de papel lustroso e de imagens completamente coloridas que permitem a contemplação.

A editora Random House disponibilizou alguns ebooks de autores conhecidos:

Red Mars é o primeiro de uma trilogia de Kim Stanley Robinson, incluído na listagem dos 20 Essential Science Fiction Books of the Past 20 Years, enquanto que Assassin’s Apprentice é o primeiro da série Farseer, muito badalada e publica em Portugal recentemente pela SdE.

His Majesty’s Dragon de Naomi Novik é também o primeiro de uma trilogia e, dos livros disponibilizados, aquele que estou mais interessada em ler.

A Pyr, por sua vez, trouxe-nos, gratuitamente, em ebook,  The Crooked Letter de Sean Williams, o primeiro de uma série (Books of the Cataclysm). Autor por mim desconhecido, mas que cujas histórias podem ser encontradas em várias colectâneas de Best of.

Do extenso trabalho de Charles de Lint, autor premiado com o World Fantasy Award, e nomeado incontáveis vezes para uma série de outros prémios, ainda não li nada, mas pretendo dar-lhe uma oportunidade: são inúmeras as referência e os comentários sobre o autor e a qualidade do seu trabalho.

Spiritwalk, colectânea nomeada para um World Fantasy, encontra-se agora disponível pela TOR, em vários formatos: PDF, HTML, Mobi, e ePub.

Finalmente, podem fazer o download de Seaborn de Chris Howard nos formatos PDF e HTML e de Diamonds in the Sky de Mike Brotherton em ePub, Lit ou PDF.

Diamonds in the Sky é uma colecção de histórias de Ficção Científica, em torno da astronomia:

The purpose of the anthology is to provide stories with ample and accurate astronomy spanning a range of topics covered in introductory courses.

The Curious Case of Benjamin Button reúne outras duas histórias curtas, para além daquela que deu nome ao livro e que foi recentemente adaptada para cinema.

The Curious Case of Benjamin Button conta a história de Benjamin Button, um homem que nasce velho e morre bebé, cujo corpo segue o rimo inverso ao dos restantes seres humanos. Os pais sentem-se envergonhados com a criança de barba branca e olhos cansados, que não gosta dos brinquedos e prefere as enciclopédias.

E assim será grande parte da sua vida, impossibilitado de viver as experiências próprias da sua idade, ridicularizado pela sociedade e incompreendido pelos seus pares.

Bernice Bobs Her Hair conta os dias de uma jovem, Bernice, passados em casa da prima, durante as férias. As duas adolescentes não poderiam ser mais diferentes. Enquanto Bernice toma uma postura mais séria e composta, a prima diverte-se com flirts e piadas de mau gosto.

Finalmente em The Diamond as Big as the Ritz seguimos John Hunger de Hades, uma terra na província, enquanto visita um colega de escola às montanhas de Montana. Nas terras isoladas do colega depara-se com uma riqueza sem limites que provém da exploração de um diamante montanhoso.

Todos os três contos são engraçados, ainda que nem por isso extraordinários. O primeiro realça-se pela originalidade, o segundo pela reviravolta final.

Qualquer um dos três se encontra disponível para leitura:

Tanto Fábula de Bagdad como 1602 eram dois comics que procurava há muito. Com o primeiro rendi-me à inexistência de uma versão inglesa nas lojas circundantes, do segundo consegui encontrar uma versão inglesa completa, hoje.

Fábula de Bagdad, ainda que engraçado, deixou-me algo desiludida pelo pequeno tamanho da história e pelas expectativas acumuladas com a leitura de vários comentários positivos.  1602 comecei a ler assim que cheguei a casa, intercalando com o The Curious Case of Benjamin Button.

Este último é o livro de F. Scott Fitzgerald, que inspirou o filme premiado com três óscares. Publicado em 1921, encontra-se disponível em vários sites, como Wikisource, ou Project Gutenberg.

The Man Who Was Thursday, de Chesterton, foi publicado em 1908 e as várias referências ao livro parecem ter alguma dificuldade em transmitir algo de concreto sobre o género de história que se esconde por detrás da capa:

The Man Who Was Thursday: A Nightmare is a novel by G. K. Chesterton, first published in 1908. The book has been referred to as a metaphysical thriller. Its importance was recognized in its later revival in paperback by Ballantine Books as the thirty-second volume of the celebrated Ballantine Adult Fantasy series in July 1971.

The novel has been described as “one of the hidden hinges of twentieth-century writing, the place where, before our eyes, the nonsense-fantastical tradition of Lewis Carroll and Edward Lear pivots and becomes the nightmare-fantastical tradition of Kafka and Borges.”

In Wikipedia

Este é outro livro que poderão encontrar disponível em Project Gutenberg.

Depois de ler Cat’s Cradle e Slaughterhouse Five de Kurt Vonnegut,  Breakfast of Champions entrou na lista das possíveis leituras dos próximos tempos.

2666 de Roberto Bolano será um dos livros mais falados de 2008, senão o mais falado, tendo atingido a lista dos 10 melhores livros de 2008 no New York Times. De repente, surgiram várias críticas, comentários e referências em vários blogs e sites a 2666 e outros livros do autor. Autor Chileno, Roberto Bolano ganhou o prémio Rómulo Gallegos com Los Detectives Salvajes.

The Confusion é o segundo volume de uma extensa trilogia de Neal Stephenson, The Baroque Cycle, publicada em Portugal pelas Edições Tinta da China. Este era o único dos três que me faltava e poderei começar brevemente a leitura das milhares de páginas que compõem a série.

The Gone Away World é o primeiro e único livro de Nick Harkaway publicado. Ainda que as várias críticas não me tenham cativado, basta ler um pequeno resumo para perceber porque peguei no livro:

A wildly entertaining debut novel, introducing a bold new voice that combines antic humor (think Joseph Heller and Kurt Vonnegut) with a stunning futuristic vision (à la A Clockwork Orange and 1984, with a little Mad Max thrown in) to give us an electrifyingly original tale of love, friendship, and the apocalypse.

Equal parts raucous adventure, comic odyssey, geek nirvana, and ultra-cool epic, The Gone-Away World is a story of—among other things—love, pirates, mimes, greed, and ninjas.

Dos livros aqui referenciados, On The Road parece ser aquele que mais se distancia daquilo que costumo ler: uma obra autobiográfica, baseada nas viagens do próprio autor, Jack Kerouac. Porque o comprei? Talvez parecer tão diferente.

Finalmente, The Horror Stories of Robert E. Howard reúne vários contos do autor, algumas com as suas personagensmais conhecidas, Solomon Kane ou Bran Mak Morn; e A Sombra do Vento é o primeiro livro de Carlos Ruiz Zafón, que rapidamente se tornou um best-seller internacional. Fosse outro livro, provavelmente o facto de ser um best-seller ter-me-ia afastado:

Numa manhã de 1945 um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso, oculto no coração da cidade velha: o Cemitério dos Livros Esquecidos.

Aí, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona.

Para mais informações sobre o livro podem consultar o site oficial.

BURN THIS BOOK.
Go on. Quickly, while there’s still time. Burn it. Don’t look at another word.
Did you hear me?

Not.

One.

More.

Word.

Este é o pedido feito, linha após linha, página após página… e que preenche as dez primeiras folhas. Quase me fez desistir do livro. Mas depois começamos a ler a história do demónio por detrás das palavras, e as razões pelas quais ele deseja que queimemos o livro.

Jakabok é um demónio menor, sem poderes nem características especiais a não ser a voz poderosa que herdou da mãe, e a cauda bifurcada que herdou do pai. A sua história familiar é tipicamente a de uma série de seres humanos: diariamente aterrorizado pelo retorno, no final do dia, do pai, que os espancava demoradamente a todos.

O medo origina o ódio e  Jakabok liberta-o nas páginas de vários diários onde descreve as torturas às quais sonha submeter o pai. Infelizmente, a mãe descobre tais textos e queima-os – não antes do pai retornar e queimar Jakabok na mesma fogueira.

Jakabok sobrevive e consegue fugir, deixando o Mundo Subterrâneo e atingindo a superfície, onde se torna conhecido por Mister B. Gone. Queimado, a sua aparência não passa despercebida entre os humanos, e neste mundo irá conhecer terrores semelhantes ou piores do que aqueles que viveu no mundo dos demónios.

Mister B. Gone é um livro pequeno e engraçado, que se torna, a meu ver, demasiado linear, ao se centrar numa só personagem: ainda que outras influenciem a sua vida, tudo se irá resumir a Jakabok. Concluindo, a história lê-se bem e recomendo a quem quiser algo leve dentro do género fantástico / horror, mas a sua leitura não é essencial.

Aprendiz de Assassino é o primeiro livro da colecção Bang a ser lançado no ano de 2009, pela Saída de Emergência. Nomeado para o Prémio da British Fantasy Society, é o primeiro volume de uma trilogia muito conhecida e apreciada.

Li Aprendiz de Assassino há já alguns anos e não achei nada de extraordinário – um livro de aventuras num mundo fantástico.

Para o lançamento deste livro, a Saída de Emergência disponibilizou no site um vídeo, para além de um excerto.  Aqui fica a sinopse:

O jovem Fitz é filho bastardo do nobre Príncipe Cavalaria e cresce na corte do Rei Sagaz. Marginalizado por todos, o rapaz refugia-se nos estábulos reais, mas cedo o seu sangue revela o Talento mágico e, por ordens do rei, é secretamente iniciado nas temidas artes do assassino. Quando salteadores bárbaros atacam as costas, Fitz enfrenta a sua primeira e perigosa missão que o lançará num ninho de intrigas. E embora alguns o encarem como uma ameaça ao trono, talvez ele seja a chave para a sobrevivência do reino. Com uma narrativa povoada de encantamentos, heroísmo e desonra, paixão e aventura, o Aprendiz de Assassino inicia um das séries mais bem-amadas da fantasia épica.

A Teia do Mundo é uma trilogia fantástica, de Chris Wooding, que tem vindo a ser lançada pela Editorial Presença. No site do autor podem ter acesso a excertos de todos os livros da trilogia, assim como de outros dos seus livros.

Ainda que sinta alguma curiosidade em relação à série, não li nenhum dos livros e não sei se o farei (até ler algum comentário ou alguma crítica que me desperte especial interesse). Mais interessante me parece o último livro do autor, Retribution Falls, com capa de Martiniere.

O Veú da Revelação é título do terceiro volume da trilogia, que tem como sinopse:

O Véu da Revelação é justamente o culminar dos sangrentos conflitos que estão a destruir o Império. Os tenebrosos Tecedores controlam agora o trono e a capital está cheia de seres monstruosos e ávidos de sangue. Alguém terá de parar os Tecedores e descobrir o sinistro segredo que escondem nos labirintos da Teia. Só Kaiku e Lúcia, apoiados pelos resistentes, possuem as capacidades para liderar o combate, mas para isso terão antes de se confrontar com aquilo em que eles próprios se tornaram.

Pela Planeta Editora são lançados dois livros de contos, Contos Misteriosos e Fantásticos (Mary Shelley) e Histórias e Lendas Fantásticas dos Celtas.

Histórias e Lendas Fantásticas dos Celtas reúne contos de uma cultura que terá influenciado grandemente as histórias arturianas, assim como as mais diversas obras actuais de Fantástico.  Será somente mais um, ou terá contos celtas menos conhecidos?

Mary Shelley, autora de Frankenstein, terá escrito vários outros contos e histórias góticas que exploram a natureza humana:

Este livro Contos Misteriosos e Fantásticos, concede aos leitores, seguidores da literatura fantástica e admiradores do período romântico inglês, uma imagem mais completa e complexa desta escritora fabulosa, ao enfatizar a completa variedade e significado da sua escrita. Um livro obrigatório para compreender a narrativa de Shelley, que trouxe uma visão inovadora que deu expressão à imaginação criadora, às inquietudes, reflexões, descobrimentos e avanços da ciência e, às possíveis transformações sociais que abalaram a concepção tradicional da orbe. Transgrediu os limites dos espaços familiarizados do mundo, infringiu o tempo conhecido por todos nós (presente e passado histórico) e, abriu a porta à especulação de outras dimensões e elementos da realidade, a par da luz e da sombra, do belo e do feio, do bem e do mal. Mary Shelley advertiu-nos que todas as ambivalências são humanas, sendo necessário contemplá-las de modo amistoso. Sob o prazer heterodoxo declarou-nos que a fealdade não é medonha, pelo contrário, pode ser maravilhosamente sedutora, somente a ambição desmesurada nas diversas áreas funcionais do ser humano, e a repressão são valores não desejáveis.
Estes contos misteriosos e fantásticos, traduzidos pela primeira vez em português, comprovam o talento e a actualidade desta autora quando no século XXI procuramos aparentar aquilo que afinal não somos, como na obra-prima da literatura gótica: ‘Transformação’, conto macabro e sinistro.

Depois de publicado pela Bisleya, Editorial Presença, Planeta Editora, Saída de Emergência e mais umas quantas editoras, os contos de Poe conhecem agora mais duas re-edições, pela Livros Quetzal (Todos os Contos) e pela Guimarães Editores (Contos Fantásticos).

Todos os contos reúne as seguintes históritas: O Escaravelho de Ouro, Os Mistérios da Rua da Morgue, A Carta Roubada, O Gato Preto, O Poço e o Pêndulo, O Retrato Oval, Uma Descida no Maelström.

Contos fantásticos é uma selecção que inclui A Queda da casa de Usher, O coração revelador ou O barril de Amontillado.

The Lies of Locke Lamora, de Scott Lynch, tem sido um dos mais referenciados livros de fantasia do último ano, constando inclusivamente, nalgumas listagens de melhores leituras de 2008.

Locke Lamora é o nome da personagem principal, um órfão, com mais ambição do que inteligência que cedo se destaca pela tendência em seguir planos demasiado audaciosos para os meios de que dispõe. Assim acaba por ser vendido pelo chefe do grupo de órfãos a que pertence, a Chains.

Chains é tudo menos aquilo que parece ser – não um inofensivo e cego sacerdote do Décimo Terceiro Deus, um Deus obscuro que protege os ladrões; mas um charlatão profissional que tem a seu cargo outras três crianças, os Gentlemen Bastards, com o intuito de lhes ensinar o seu ofício.

Em Camorr todos os grupos de ladrões e burlões obedecem ao comando de Capa Barsavi, uma espécie de padrinho que ganha uma percentagem por todos os crimes cometidos. Uma só regra persiste, a Paz Secreta, segundo a qual os nobres e os guardas são intocáveis.

Com o tempo, as capacidades de Locke evoluem, e após a morte de Chains, torna-se o cabecilha dos Gentlemen Bastards, um grupo pequeno mas capaz, que cruza as capacidades dos gémeos Calo e Galdo, com as de Jean e Bug. Sob a ignorância de Capa Barsavi o grupo elabora golpes sobre os nobres da cidade, mas os planos iniciais são corrompidos quando são notados por uma misteriosa e perigosa personagem, o Rei Cinzento.

The Lies of Locke Lamora é um livro de aventuras que decorre num cenário imaginário, uma Viena medieval cujas águas são habitadas por estranhos e ferozes monstros, utilizados em espectáculos de gladiadores. Entre a nobreza distante e poderosa, e a burguesia trabalhadora, coexiste uma máfia estruturada e uma secreta sociedade de magos poderosos, famosos pela sua crueldade.

A história do pequeno órfão é contada em capítulos alternados com a do ladrão expedito que se tornou Locke: assim aprendemos como se formaram os Gentlemen Bastards e o que os motiva: entre pequenas escaramuças, fugas e peripécias estratégicas, a acção é uma constante que não cede lugar ao aborrecimento. Um dos pontos altos será, decididamente, o desenrolar dos projectos atrevidos de Locke (que por vezes caem no exagero, mas ainda assim, divertem).

The Lies of Locke Lamora é uma obra de tamanho médio que se lê rapidamente: de prosa estruturada, sem se perder em detalhes, leve mas não em demasia. Ainda que não o considere um dos melhores livros de Fantasia dos últimos tempos, é uma leitura altamente recomendável – pena que tenha sido retirado do Plano Editorial da Saída de Emergência, conjuntamente com a Antologia Matheson e Market Forces (Richard Morgan).

O Círculo de Leibowitz foi o nome dado a um clube de leitura virtual, composto inicialmente por 5 bloguistas, com o objectivo de partilhar críticas sobre o mesmo livro, que permitam gerar uma discussão em torno da obra.

Deste grupo de blogues fazem parte Blade Runner, Stranger in a Strange Land, Inner Space, Efeitos Secundários e Rascunhos; mas qualquer um se pode juntar, bastando para isso ler e escrever sobre o livro do mês.

O primeiro escolhido é The Centauri Device, de M. John Harrison, o mesmo autor de Viriconium ou Nova Swing; e poderão ler as críticas no próximo dia 21.

Sobre esta iniciativa podem ler mais detalhadamente em Blade Runner, por João Seixas.

Ricardo Pinto, luso-descendente, é o autor da trilogia The Stone Dance of the Chameleon (A Dança de Pedra do Camaleão). Os dois primeiros volumes foram traduzidos e publicados, em Portugal, pela Editorial Presença há quase 6 anos. Li ambos pouco tempo depois da sua publicação e recordo-me de procurar pelo terceiro volume… até perceber que ainda não tinha sido escrito.

A trilogia decorre num mundo ficcional, com uma sociedade dividida em castas, em que a classe governante se rege por um extenso protocolo, e as máscaras possuem um papel importante. Como seria de esperar, uma intrincada rede de influências, essencialmente masculinas, expande-se em busca de poder.

Lembro-me de não ter sido fácil ultrapassar as primeiras páginas de Os Escolhidos. No entanto, depois de ultrapassadas e recomposta da estranheza inicial, o texto fluiu.

A história possui alguns pormenores originais que a distinguem do que já tenho lido. No entanto, no final do segundo livro, ficou-me a sensação de amor / ódio que só poderá ser resolvida no terceiro livro com a conclusão da história.

E finalmente chegou The Third God – um título que, a meu ver, poderá ser um spoiler:

Amidst the massacre he himself helped bring about, Carnelian is now desperate to find a way to avoid more carnage. But it is too late for that. His spurned lover, Osidian, seeking revenge and determined to win back his stolen throne, has deliberately stoked the wrath of the Masters who rule the world from its center, Osrakum. Osidian’s actions have stirred into motion political events in Osrakum which threaten to overturn the millennial repressive order of the Commonwealth. Carnelian learns that he and those he loves are now inextricably enmeshed in the terrible power game of the Masters. If he and they are to survive, he has no choice but to play that game himself, though he does not know how. He has no choice but to stand with Osidian in defiance of the invincible power of the Masters. No choice but to take his loved ones deeper into peril. In his struggle he will find unlooked for allies and guidance with dreadful motives of its own. Ultimately, he will unleash apocalyptic forces which will bring him and his world to a reckoning none could have forseen, though it has been simmering for four thousand years.

God of Clocks é também o terceiro volume de uma saga, de Allan Campbell, do qual só li o primeiro, Scar Night, que me desiludiu – uma história engraçada com algumas potencialidades, mas também alguns clichés.

A personagem principal é um anjo – um dos últimos da sua espécie; órfão, sem a temeridade de seu pai, ridicularizado pelos que o rodeiam, e de quem se espera um papel muito acima do que ele parece ser capaz de desempenhar. Assim seguimos um pobre anjo, uma personagem que se torna cómica de tão naive, através de uma estranha aventura. O que me desapontou foi o final – confuso e com uma alta dose de lamechice. Ainda assim, esta impressão no final poderá ser esquecida, dependendo da orientação que o autor decida dar à história:

War, rebellion, betrayal—but the worst is still to come. For in the cataclysm of the battle of the gods, a portal to Hell has been opened, releasing unnatural creatures that were never meant to be and threatening to turn the world into a killing field. And in the middle, caught between warring gods and fallen angels, humanity finds itself pushed to the brink of extinction. Its only hope is the most unlikely of heroes.

Former assassin Rachel Hael has rejoined the blood-magician Mina Greene and her devious little dog, Basilis, on one last desperate mission to save the world from the grip of Hell. Carried in the jaws of a debased angel, they rush to the final defensive stronghold of the god of time—pursued all the while by the twelve arconites, the great iron-and-bone automatons controlled by King Menoa, the Lord of the Maze. Meanwhile, in the other direction, the giant John Anchor, still harnessed to his master’s skyship, descends into Hell itself to meet Menoa on his own ground.

But neither Heaven nor Hell is anything they could ever expect. Now old enemies and new allies join a battle whose outcome could be the end of them all. Rachel’s ally, the god Hasp, finds himself in the grip of a parasite and struggles against conflicting orders to destroy his own friends; and a dangerous infant deity comprised of countless broken souls threatens to overcome them all. As Rachel travels to the final confrontation she has both sought and feared, she begins to realize that time itself is unraveling. And so she must prepare herself for a sacrifice that may claim her heart, her life, her soul—and even then it may not be enough.

The Black Mirror and Other Stories: An Anthology of Science Fiction from Germany and Austria é uma colectânea de contos que já, por várias vezes, captou a minha atenção em vários blogs e sites ingleses ou americanos. Esta antologia possui histórias que remontam a 1871, a sua maioria desconhecida e nunca antes traduzida.

Mais informação sobre o livro, os autores e uma lista de conteúdos, pode ser encontrada no site da editora:

This is the first collection of classic and contemporary German-language science fiction in English. This entertaining anthology of twenty-five stories delivers great reading and an overview of German-language science fiction, including works by early pioneers through contemporary luminaries of the genre. The introduction provides a succinct history of German language science fiction, including its representation in Hugo Gernsback’s popular magazines. The book includes select bibliographies of writings on German science fiction.