Abril 2009


Jack Dann é um prolífero autor americano, que reside há vários anos na Austrália, cujo trabalho é comparado com Jorge Luís Borges, Roald Dahl, Lewis Carrol, J.G. Ballard e Philip K. Dick. Com as suas obras foi nomeado diversas vezes para vários prémios e venceu prémios tão sonantes como World Fantasy Award (com Dreaming Down-Under) ou Nebula (com Da Vinci Rising, um conto baseado em The Memory Cathedral ou O Caderno Secreto de Leonardo).

The Memory Cathedral ou O Caderno Secreto de Leonardo, como foi publicado em Portugal pela Saída de Emergência (em dois volumes), foi vencedor do prémio Aurealis, um importante prémio australiano que data de 1995.

Em O Caderno Secreto de Leonardo seguimos um dos artistas mais misteriosos da história na sua carreira multifacetada como pintor, escultor, engenheiro, matemático, inventor, anatomista, arquitecto, botânico, músico e escritor. Ainda que todas estas facetas sejam mostradas ao longo do romance, é nas capacidades pouco realizadas de engenheiro e inventor, que Jack Dann se centra.

Aproveitando alguns anos da vida de Leonardo pouco documentados, o autor encaixa a possibilidade de uma viagem ao Oriente, onde Leonardo terá tido a oportunidade de desenvolver e aplicar algumas das suas mais espectaculares invenções, principalmente aquelas de utilidade bélica.

No início do livro conhecemos o jovem Leonardo, um jovem aprendiz, enamorado por Ginevra, a filha de um rico comerciante que vê o seu futuro enegrecido aquando da proposta de casamento de um homem muito mais velho. Para salvar a riqueza e a honra da família, afasta-se de Leonardo. Este, destroçado, tenta aproximar-se da amada, mesmo depois do casamento. A seu cargo tem um jovem, Niccolò Machiaveli, o mesmo que terá escrito, anos mais tarde, O Príncipe, e que terá cunhado o termo maquiavélico.

Leonardo ganha fama através da qualidade das suas pinturas e esculturas, tornando-se um protegido d’O Magnífico, Lorenço de Medici. Ainda que apresente os belíssimos planos para potentes armas de guerra, pessoalmente ou por carta a vários possíveis candidatos, nenhum dos mecenas o vê como um engenheiro de guerra.

Após várias conspirações, a guerra silenciosa entre os Pazzi e os Medici, rebenta em Florença aquando da morte de Giuliano Medici, irmão de Lorenço. A cidade de Florença torna-se instável, e qualquer pessoa pode ser facilmente decapitada ou aprisionada. Leonardo é assim, obrigado a deixar a cidade, levando consigo Niccolò e acompanhado por alguns artistas. Entre os persas é obrigado a desenvolver as máquinas de guerra, que serão utilizadas para combater e amedrontar o enorme exército turco.

O Caderno Secreto de Leonardo explora Da Vinci não só enquanto artista, inventor e engenheiro, mas também como Homem, capaz de ceder à fúria e ao amor, influente e influenciável.

Cada capítulo se inicia com um separador, que contém citações de vários autores, inclusive de Leonardo. Ainda que graficamente o aspecto interno seja agradável, as capas são, para mim, o ponto negativo – são bem menos atractivas ao vivo do que olhando para as imagens.

Enquadrado dentro do género de História Alternativa, O Caderno Secreto de Leonardo constitui uma obra extensa de leitura aprazível, em que as páginas se sucedem rapidamente, sem momentos mortos ou aborrecidos – um livro recomendável para quem se interesse pelo Renascimento e pelo Homem Renascentista, Leonardo da Vinci.

O Locus Award é outro dos prémios esperados na área da ficção científica e da fantasia. Iniciado em 1971, os premiados baseiam-se nas votações dos leitores da revista Locus, e os vencedores são anunciados num jantar que ocorre anualmente, onde lhes é entregue um certificado. Inicialmente, o prémio teria como objectivo indicar possíveis escolhas para o prémio Hugo.

Entre os vencedores dos anos anteriores encontram-se The Yiddish Policemen’s Union (Michael Chabon), Un Lun Dun (China Miéville), Heart-Shaped Box (Joe Hill), Accelerando (Charles Stross) ou Iron Council (China Miéville)

Os nomeados para o prémio de 2009 foram anunciados na segunda-feira:

Science Fiction Novel

  • Matter, Iain M. Banks
  • City at the End of Time, Greg Bear
  • Marsbound, Joe Haldeman
  • Anathem, Neal Stephenson
  • Saturn’s Children, Charles Stross

Fantasy Novel

  • The Shadow Year, Jeffrey Ford
  • Lavinia, Ursula K. Le Guin
  • The Bell at Sealey Head, Patricia A. McKillip
  • The Dragons of Babel, Michael Swanwick
  • An Evil Guest, Gene Wolfe

First Novel

  • Thunderer, Felix Gilman
  • Black Ships, Jo Graham
  • Pandemonium, Daryl Gregory
  • The Gone-Away World, Nick Harkaway
  • Singularity’s Ring, Paul Melko

Young-Adult Novel

  • Little Brother, Cory Doctorow
  • The Graveyard Book, Neil Gaiman
  • Tender Morsels, Margo Lanagan
  • Nation, Terry Pratchett
  • Zoe’s Tale, John Scalzi

Novella

  • The Erdmann Nexus, Nancy Kress (Asimov’s 10-11/08)
  • Pretty Monsters, Kelly Link (Pretty Monsters)
  • The Tear, Ian McDonald (Galactic Empires)
  • Once Upon a Time in the North, Philip Pullman (Knopf)
  • True Names, Benjamin Rosenbaum & Cory Doctorow (Fast Forward 2)

Novelette

  • Pump Six, Paolo Bacigalupi (Pump Six and Other Stories)
  • The Ice War, Stephen Baxter (Asimov’s 9/08)
  • Shoggoths in Bloom, Elizabeth Bear (Asimov’s 3/08)
  • The Things that Make Me Weak and Strange Get Engineered Away, Cory Doctorow (Tor.com 8/08)
  • Pride and Prometheus, John Kessel (F&SF 1/08)

Short Story

  • King Pelles the Sure, Peter S. Beagle (Strange Roads)
  • Boojum, Elizabeth Bear & Sarah Monette (Fast Ships, Black Sails)
  • Exhalation, Ted Chiang (Eclipse Two)
  • The Kindness of Strangers, Nancy Kress (Fast Forward 2)
  • After the Coup, John Scalzi (Tor.com 7/08)

Magazine

  • Analog
  • Asimov’s
  • F&SF
  • Realms of Fantasy
  • Subterranean

Publisher

  • Ace
  • Baen
  • Night Shade Books
  • Subterranean Press
  • Tor

Anthology

  • The Year’s Best Fantasy and Horror 2008: 21st Annual Collection, Ellen Datlow, Kelly Link & Gavin Grant
  • Galactic Empires, Gardner Dozois
  • The Year’s Best Science Fiction: Twenty-Fifth Annual Collection, Gardner Dozois
  • Eclipse Two, Jonathan Strahan
  • The Starry Rift, Jonathan Strahan

Collection

  • Pump Six and Other Stories, Paolo Bacigalupi
  • The Drowned Life, Jeffrey Ford
  • Pretty Monsters, Kelly Link
  • The Best of Lucius Shepard, Lucius Shepard
  • The Best of Michael Swanwick, Michael Swanwick

Queen of Candesce é o segundo volume da série Virga, iniciado com Sun of Suns. Tal como no volume anterior, a capa é da autoria de Martiniere, uma imagem futurística, com rasgos tecnológicos, em tons esverdeados e azulados – uma imagem algo caótica de um mundo estranho e desconhecido.

Se Sun of Suns tinha como personagem principal Hayrden, um jovem revoltado que vivia tendo como objectivo a vingança dos pais, Queen of Candesce segue Venera Fanning, uma mulher que fazia parte da expedição ao Sol dos Sóis, para controlar o Universo de Virga.

Venera Fanning acorda num mundo diferente dos restantes de Virga, Spyre – um mundo demasiado tradicionalista onde a botânica tem um papel importante. Com a ajuda de alguns nativos, cedo Venera revela a sua veia manipuladora e vira o tabuleiro passando de nova cidadã oprimida a membro da nobreza governante.

Se Sun of Suns me tinha parecido uma história algo imatura em torno de uma personagem pouco original, Queen of Candesce aproveita a complexidade de Virga, para nos apresentar uma maior diversidade cultural, explicando-se algumas das crenças através da história do planeta gasoso.

Para além das tecnologias que sustém as nações em Virga, as descrições dos cavalos constituem também algo de original e interessante – devido à baixa gravidade, estes animais possuem longas pernas e longos pescoços, assemelhando-se ao retratos em Horse From The Temptation Of Saint Anthony, e sendo por isso designados por Cavalos de Dali.

Karl Schroeder deixou aquilo que em Sun of Suns era medíocre (a personagem principal com as suas questões filosóficas menores) e dedicou-se a explorar novos Mundos debruçando-se sobre outras personagens, o que deu origem a um livro bastante melhor que o primeiro da série, ainda que não extraordinário. O terceiro, Pirate Sun já cá está, à espera de ser lido.

Os nomeados tinham sido anunciados em Janeiro (podem ler estes dois posts para ficarem a saber mais sobre eles). Os vencedores foram agora anunciados:

  • Novel: Powers, Ursula K. Le Guin
  • Novella: The Spacetime Pool, Catherine Asaro
  • Novelette: Pride and Prometheus, John Kessel
  • Short Story: Trophy Wives, Nina Kiriki Hoffman
  • Script: WALL-E, Andrew Stanton & Jim Reardon
  • Andre Norton Award: Flora’s Dare, Ysabeau S. Wilce

Existem milhares de formas de se contar uma história, centenas de modos de se estruturar uma narrativa, mas pouco mais de uma dezena de maneiras de tornar uma obra original. Esta é a hora de revisitar, renovar ou rejeitar completamente um paradigma.

Esta é uma pequena antologia, constituída por 13 contos que se propõe a atingir um objectivo ambicioso: recriar histórias e quebrar trancas à imaginação; publicada no Brasil pela Tarja, uma editora dedicada à literatura fantástica.

Pequeno conjunto de páginas, como seria de esperar, nem todos os contos me fascinaram: algumas enveredam por uma onda demasiado urbana na fantasia, outros assemelham-se a coisas já lidas algures.

O conto de entrada, Mai-ni Expressas é talvez o mais sólido e coeso, da autoria do editor da antologia. Este conto centra-se em Cid, um entregador de encomendas de nível 6 – o que significa que é capaz de lidar com rufias brigões, ou de fazer entregas em áreas de guerra; sempre na sua mota topo de gama não poluente, que conduz através de uma realidade envolta em simulacro.

O segundo conto que realço é Una, de Roberta Nunes, que reconta a história mais velha da bíblia seguindo uma alienígena, talvez divindade, que vagueia de planeta em planeta e espalhando o prazer entre as espécies.

Fogo de Artifício é o conto de Eric Novello, que mistura sobrenatural com as personagens saídas de Alice no País das Maravilhas, assassinos perversos responsáveis por estranhas mortes em lojas de brinquedos. Uma mistura interessante para alguém que, como eu, nunca conseguiu simpatizar com o coelho atrasado, o gato irritante ou a rainha de copas.

A Lenda do Homem de Palha, de Leonardo Pezzella Vieira, parece-se com uma história tradicional, daquelas que assombram as crianças e alguns adultos, como a nossa Dama Pé de Cabra. O espantalho não seria um ser tão inanimado quanto parece, mas um ser que de noite ganha movimento para se alimentar, e recolhe a energia da Lua. De dia é alvo das partidas das crianças e jura vingar-se e reviver o medo ao Homem de Palha.

Ana Cristina Rodrigues apresenta-nos O Templo do Amor, a história de um assassino contratado para matar a amante, a sacerdotisa principal do Templo. Mas a sua sucessora irá também se tornar sua amante.

Por último, Madalena é um conto com raízes no folclore luso-brasileiro, segundo o qual:

A mulher que mantivesse relações sexuais com um padre seria transformada, como castigo, em uma mula desprovida de cabeça. De onde lhe nasceria a cabeça, o monstro cuspiria fogo e a galopar de seus cascos despedaçaria aqueles que cruzassem o seu caminho.

Madalena, uma criança numa missão, acorda assustada. Com medo dos pesadelos, com medo da realidade, questiona-se se serão apenas sonhos quando acorda marcada. Assustada, procura a ajuda de um padre a quem tenta explicar os tormentos nocturnos, sendo castigada e acusada de devassa.

A antologia constitui um conjunto diversificado de contos, que misturam o horror com a ficção científica, a fantasia ou o folclore. Aconselhável a quem deseje ler algo diferente, histórias de origem dispare da anglo-saxónica. Por último, resta apenas agradecer o envio do exemplar!

Dos três livros de Zoran Zivkovic publicados pela AIO publishing, Steps Through the Mist era o que me faltava:

Five women in various stages of life—all connected by a mysterious, obscuring mist—face the deterministic trap of fate in this mosaic novel. A freshman at a girl’s boarding school gains the strange ability to share other people’s dreams, whereas a young woman in a straitjacket desperately tries to select a very particular future from among countless possibilities. A middle-aged skier refuses to be a puppet on a string, while a mature fortune-teller experiences a faltering faith in her trade, and when an elderly woman’s precious alarm clock suddenly breaks, she suffers a vivid and troubling encounter with her past. An enticing mix of the ordinary with the surreal and the mundane with the sublime, these tales quietly twist trusted concepts.

Paradigmas é uma colectânea de 13 contos fantásticos de vários autores brasileiros e publicada pela Tarja Livros. Enviado por Eric Novello, será provavelmente uma das minhas próximas leituras (parte da sinopse):

A proposta é apresentar contos incomuns, mesmo que baseados em paradigmas consagrados. Os volumes podem ser lidos em qualquer ordem, assim como seu conteúdo. Para alcançar tamanha diversidade, foram selecionados 13 contos de autores fantásticos que se empenharam na busca do novo e do insólito sem deixar de lado o conhecimento acumulado, desenvolvido em séculos de literatura.

A arte de capa deste volume apresenta trancas e fechaduras, remetendo à clausura que o próprio tempo impôs à liberdade de criação. Tudo possui um padrão, como indica a espiral áurea. Estética, métrica e simétrica a serviço do bom senso, da unicidade de estilos. Mas mesmo na natureza existe o caos. Na beleza das formas assimétricas e, ainda assim, surpreendentes em sua perfeição. A concepção não deve ser encarcerada.

Quando Nietsche Chorou é daqueles livros que ando há anos para comprar. Mais especificamente desde que foi lançado. Finalmente decidi-me a comprá-lo com outro do mesmo autor, A Cura de Schopenhauer,  depois de os ver a 11 € na fnac, nas promoções da semana passada (Festa do Livro).

São várias as colectâneas de contos fantásticos ou de ficção científica, de autores americanos ou ingleses. The European Hall of Fame tinha sido já uma quebra a este lugar comum, apresentando histórias de diferentes países europeus. É sempre interessante verificar a variabilidade cultural e o quanto poderá influenciar a literatura.

Worlds Apart é uma colecção algo diferente que apresenta contos russos que datam da época medieval ou dos tempos da URSS. Como seria de esperar a maioria dos autores são-me totalmente desconhecidos:

Several slim anthologies of recent Russian SF have appeared in English over the years, but Levitsky, a professor of Slavic languages at Brown University, takes a more retrospective and scholarly tack with this weighty tome. The included stories, poems and novel excerpts date from the 1700s to the 1950s, with only a short final chapter reviewing the last half-century of the genre, though a companion volume of post-1957 literature may be in the works. Oft-translated authors such as Pushkin and Dostoevsky are in the minority, and most Western readers will be glad of Levitsky’s dense introductory essays, which carefully place each section in historical and political context. Despite the significant differences in culture, some story lines are familiar, as with “The Fatal Eggs,” a tale of scientific exploration gone awry that could easily have come from the pen of H.G. Wells.

Finalmente, The Prodigal Troll é o primeiro livro de Charles Coleman Finlay, constituindo uma expansão de uma novela, publicada inicialmente na Fantasy & Science Fiction Magazine:

Young Claye is the infant son of Lord Gruethrist, smuggled out of the castle before it fell in one of those bloody feudal wars that are the plot springs of so many fantasy novels. Unfortunately, Claye’s caretakers are killed, and he survives only through the kindness of a bereaved female troll and despite the loud objections of her husband–and a loud troll is very loud indeed. Growing up under the name Maggot, Claye learns a formidable array of survival skills from his neighbors, some of whom are creatures even weirder than trolls. It develops that he wants to win the hand of Lady Portia without using so many of his nonhuman skills that she will wonder what he really is and spurn him. Finlay’s short stories have given him a reputation for originality, to which this novel should add reputations for characterization, for world building, and for satire that never goes over the edge into bad taste. Roland Green

Vencedor do prémio Pulitzer para ficção e do prémio PEN / Faulkner, Michael Cunningham é o autor de The Hours e Specimen Days. Specimen Days é a primeira obra que leio do autor, e é composto por três histórias de género distinto, mas com vários componentes em comum que se centram sempre nas mesmas três personagens, que parecem encarnar ao longo dos tempos, na mesma cidade, Nova Iorque.

A primeira história é um conto de fantasmas, a segunda um thriller e a terceira enquadra-se dentro da Ficção Científica. As três componentes complementam-se e centram-se, à vez, em cada uma das três personagens: a primeira num rapaz desfigurado de nome Lucas; a segunda na psicóloga, Catherine; e a terceira num homem “sintético”, Simon.

Em todas as histórias a obra de Walt Whitman, Leaves of Grass, tem um papel importante. Colectânea de poemas, Leaves of Grass ter-se-á destacado pela utilização, pouco usual na altura, do verso livre, e por se encontrarem, nos seus versos, referências a assuntos como a morte e a prostituição.

A primeira história de Specimen Days, In the Machine, inicia-se com o funeral de Simon, um jovem que terá sido engolido pela máquina na fábrica onde trabalha, deixando a família e a jovem noiva, Catherine, desamparadas. Os pais deixam-se consumir pela depressão e é Lucas, uma criança desfigurada, que terá de sustentar a família, substituindo Simon na fábrica. Numa caixa de música a mãe deprimida pensa ouvir a voz do filho mais velho, e não tarda para que Lucas pense que o irmão assombra todas as máquinas que o rodeiam.

Obcecado em salvar Catherine de ser engolida por uma máquina, Lucas tem vários diálogos perturbadores e obscuros, onde intercala frequentemente os versos de Wal Whitam:

A child said, What is the grass? fetching it to me with full hands;
How could I answer the child?. . . .I do not know what it is any more than he.

Enquanto que a primeira história decorre no início da Revolução Industrial, a segunda história The Children’s Crusade, ocorre no século XXI: as mesmas personagens, diferente aspecto e disposição. Catherine é uma psicóloga ligada à investigação criminal, divorciada que terá perdido o filho, ainda uma criança. Responsável por atender as chamadas dos malucos da cidade que declaram as suas pretenções homicidas ou terroristas, Catherine cria alguma empatia pelo grupo de crianças que se explode. Simon é o amante jovem e rico de Catherine, que vê nela uma mulher exótica de profissão excitante.

As chamadas das crianças intercalam poemas de Whitman com frases como “ninguém está a salvo” – e, assim parece ser. Uma criança abraça um austero empresário, noutro dia uma criança abraça um jovem de ascendência africana nos subúrbios. Quer se seja rico ou pobre, qualquer que seja a cor da pele, poderá surgir das sombras uma criança que abraça e explode. A esse grupo de crianças pertence Lucas.

A última história decorre no futuro – um futuro com espécimes alienígenas na Terra e humanos fabricados. Catherine é agora um lagarto humanóide inteligente e Simon é um humano “sintético” com acções controladas por chips que cita Whitman. O emprego de Simon consiste em simular assaltos aos turistas na cidade de Nova Iorque e Catherine é babysitter. Juntos fogem da cidade e atravessam o país devastado, onde conhecem Lucas que resolve, também, partir em viagem.

Das três, a minha história favorita terá sido a última: a primeira torna-se algo paranóica, com uma criança desfigurada que qual áugure deposita frases de interpretação dúbia; e na segunda temos a mítica figura de mulher implacável que leva uma vida desprovida de sentido até conhecer alguém por quem virar o tabuleiro.

No total, é um conjunto engraçado, de leitura fácil, que cruza, de forma original, vários géneros literários. Não é um dos melhores livros do ano, nem sequer do mês, mas deixa uma ténue memória agradável.

São várias as listas sobre os melhores livros de Fantasia ou Ficção Científica, para algumas das quais já publiquei links num post anterior.

No site da TOR surgiu uma pequena listagem que não nomeia livros, mas antologias ou séries de antologias, algumas das quais me são totalmente desconhecidas. Entre os nomeados podem encontrar Leviathan ou The Year’s Best Science Fiction Volume.

Não uma lista de antologias, mas uma lista dos 40 melhores contos é o que nos propõe um artigo da Locus. Apesar do título da listagem, na realidade, encontram-se nomeadas 43 histórias curtas. A maioria das histórias terá sido publicada na antologia The Science Fiction Hall of Fame: Vol. 1.

No mesmo sítio (Locus roundtable) podem encontrar os comentários de Jonathan Strahan que se terá lançado na leitura das histórias, ao ritmo de uma por semana.

Por sua vez, no site Mania, foram listados os 20 Maiores Autores de Fantasia. Entre os autores podemos encontrar os esperados Tolkien, George R R Martin, Lord Dunsany, Neil Gaiman ou Zelazny.

Mas estranha, é a lista no blog de M. John Harrison, onde se encontram várias obras para mim totalmente desconhecidas, que serão interessantes de explorar, outras bastante conhecidas como The Wind in the Willows (Kenneth Grahame), At the Mountains of Madness (HP Lovecraft) ou That Hideous Strength (CS Lewis).

Por fim, não são os melhores, mas são boas obras que se terão perdido no tempo, face às inúmeras referências dos seus semelhantes – SF Signal obteve uma lista com base nas escolhas de vários escritores ou editores.  Entre os livros referidos podem encontrar Night’s Black Agents de Fritz Leiber, Eyes of Amber de Joan D. Vinge, The Plague Dogs de Richard Adams (mesmo autor de Watership Down) ou  The Death of Grass de John Christopher (publicado como A Última Fome na colecção de livros de bolso da Europa-América)

E já ganhei um !

No blog da Livros da Areia, a editora que publicou Rhys Hughes ou Jeff Vandermeer em Portugal, encontra-se a decorrer um passatempo para ganhar o novo livro de Lázaro Covadlo, a ser lançado em Maio, Buracos Negros.

Para ganhar o livro terão apenas de enviar uma prova em como possuem Criaturas da Noite, o primeiro livro de Lázaro Covadlo a ser publicado pela Livros de Areia.

Está a decorrer, ainda, um passatempo para ganhar a edição especial de A Canção de Kali de Dan Simmons.

A Canção de Kali , vencedor do World Fantasy Award, é um livro impressionante, com toques de horror, que aproveita o choque entre culturas para desenvolver o enredo. Numa terra de costumes estranhos à visão ocidental, uma família vê-se envolvida nos ritos do culto a Kali, a deusa da morte e da destruição.

A participação no passatempo, válido apenas para residentes em Portugal, pressupõe a esrita de uma frase sobre viagens à Índia, até 200 caracteres.

O prémio Philip K. Dick foi fundado no ano da morte do cérebre autor de Ficção Científica, e desde 2005 apadrinhad pela Sociedade de Ficção Científica da Filadélfia (Philadelphia Science Fiction Society).

Entre os vencedores dos anos anteriores encontram-se The Anubis Gates (Tim Powers), Neuromancer (William Gibson) ou Altered Carbon (Richard Morgan).

Este ano os nomeados foram:

  • Emissaries from the Dead – Adam -Troy Castro
  • Fast Forward 2
  • Judge – Karen Traviss
  • Plague War – Jeff Carlson
  • Terminal Wind – David Walton
  • Time Machines Repaired While-U-Wait – K.A. Bedford

Excepcionalmente, houve dois vencedores, assinalados a bold. Estranhamente, o único do qual me recordo ter ouvido falar antes do prémio, foi o Fast Forward 2.

Via SFSignal tomei conhecimento deste pequeno vídeo altamente nonsense. Resolvi partilhar (fica o link, caso não consigam visualizar directamente no post)

As minhas primeiras leituras fantásticas não terão sido livros com animais falantes ou fadas esvoaçantes. Longe disso. Terão sido antes as histórias que fazem parte das mitologias grega e romana, e até nórdica e indiana – histórias em que os Deuses passariam por humanos, não fossem os seus poderes e a sua imortalidade.

Os Deuses são implacáveis, mas também cedem aos sentimentos mais mundanos, como a inveja ou a luxúria, a avareza ou a raiva. Fazem-se ouvir através de oráculos, pelo voar dos pássaros ou as entranhas de um pombo, depositando rimas dúbias cuja interpretação poderá trazer a sorte ou a desgraça sobre um homem ou uma cidade inteira – e não há sorte que mais tarde não traga uma desgraça.

Das muitas histórias que constituem a mitologia grega, o conto de Psique é dos que me terá captado menos a atenção. Psique era uma bela jovem mortal e como qualquer jovem bela terá atraído a atenção dos Deuses, mais especificamente, a inveja de Vénus, que envia o seu filho, Cúpido, para a fazer apaixonar pela mais vil criatura da terra. Mas Cúpido apaixona-se por Psique e por um oráculo é sabido que Psique não irá desposar um ser mortal.

Psique é acorrentada e oferecida aos deuses numa Montanha. Com a ajuda do vento do Oeste, Psique é transportada para um palácio de Cúpido. Cúpido desposa Psique mas esta não poderá ver a sua cara, tendo para isso que apagar a luz, quando ele retorna durante a noite. Alguns dias depois Psique recebe a visita das irmãs que, face à estranha história, a instigam a ver o rosto do marido que se tratará de um monstro. Durante a noite Psique vê o rosto de Cúpido mas acorda-o e este foge. Com raiva e desesperada, Psique retorna à cidade, e conta a cada uma das irmãs como Cúpido a terá trocado por eles, bastando que elas se atirem do alto do penhasco para irem ao seu encontro. Assim Psique se vinga, à vez, das suas irmãs e parte em busca do marido.

Este mito é recontado por C.S. Lewis em No Reino de Glome pelo ponto de vista da irmã mais velha, Orual. As três irmãs, órfãs de mãe, são filhas de um pequeno Rei, mesquinho e violento. Orual é não só a mais inteligente, como a mais feia e sensível, acabando por tomar conta da irmã mais nova e bela, Psique. Mas não estão sozinhas – Orual, um escravo grego, acompanha-as e ensina-as a ler e a escrever, o cálculo, a filosofia e a poesia.

Após um ano de más colheitas e vários dissabores, é anunciado que Psique deve ser oferecida à Besta. Doente, Orual é incapaz de assistir à cerimónia, mas após a recuperação instiga um fiel oficial do castelo a subir à montanha para enterrar os ossos da irmã.

No local da cerimónia não encontra os restos mortais de Psique, mas a sua irmã, viva e de saúde, que a recebe no faustoso palácio onde vive e lhe descreve o marido que esconde o rosto. Mas ao invés de um palácio Orual vê uma gruta, e no lugar de um vestido encontra trapos. Temendo pela sanidade de Psique, Orual instiga-a a descobrir se o marido não será antes um vagabundo ou um monstro que se terá aproveitado da loucura de Psique. Nessa noite o Mundo abate-se na montanha e Psique cai em desgraça, não tornando a ser vista na cidade. Orual quebra-se de remorsos, recordando sempre que terá sido a causadora do destino de Psique.

Uma perspectiva diferente de um mito grego, No Reino de Glome perde bastante interesse após o desaparecimento de Psique. Não que esta seja uma personagem importante, apesar de ser a impulsionadora da história, Orual é a personagem forte. No entanto, sem Psique, as restantes páginas são um lamuriar de Orual e do velho escravo grego que, apesar de retornarem às suas tarefas, se abatem com a constante recordação da mais jovem princesa da casa.

Agora já estou velha e não temo a fúria dos deuses… irei escrever neste livro tudo aquilo que uma pessoa que é feliz não se atreveria a escrever. Vou acusar os deuses, especialmente o deus da Montanha cinzenta. Vou contar tudo o que ele me fez, como se estivesse a apresentar a minha acusação perante um juíz. Eu sou Orual, a filha mais velha de Trom, rei de Glome

No final, No Reino de Glome deixa-me duas imagens distintigas: a primeira parte constitui uma história sem verdadeiros vilões ou heróis, em que as crianças crescem sem amor, perante um pai tempestuoso que levanta tanto a mão como a voz; a segunda parte, esquecível, possui reviravoltas importantes mas às quais não se dá grande importância perante o ambiente.

Em Portugal o livro foi publicado pela Cavalo de Ferro.

Anualmente a Associação Britânica de Ficção Científica (BSFA –  The British Science Fiction Association) premeia algumas obras com base nos votos dos membros da associação e nos membros do Eastercon (convenção britânica de ficção científica).

São quatro as categorias: Best Novel, Best Short Fiction, Best Non-fiction e Best Artwork. No passado este prémios distinguiu livros como Brasyl (Ian McDonald), Air (Geoff Ryman), River of Gods (Ian McDonald) ou The Separation (Christopher Priest).

Para as quatro categorias, esta é a lista de nomeados, na qual os vencedores estão sublinhados:

Best Novel

  • Flood - Stephen Baxter
  • The Gone-Away World - Nick Harkaway
  • The Night Sessions - Ken MacLeod
  • Anathem - Neal Stephenson

Best Short Fiction

  • Exhalation – Ted Chiang
  • Crystal Nights – Greg Egan
  • Little Lost Robot – Paul McAuley
  • Evidence of Love in a Case of Abandonment – M. Rickert

Best Non Fiction

  • Physics for Amnesia - John Clute
  • Superheroes!: Capes and Crusaders in Comics and Films – Roz Kaveney
  • What It Is We Do When We Read Science Fiction - Paul Kincaid
  • Rhetorics of Fantasy – Farah Mendlesohn

Best Artwork

  • Cover of Subterfuge, ed. Ian Whates – Andy Bigwood
  • Cover of Flood by Stephen Baxter – Blacksheep
  • Cover of Swiftly by Adam Roberts – Blacksheep
  • Cover of Murky Depths 4 – Vincent Chong
  • Cover of Interzone 218 – Warwick Fraser Coombe

A primeira parte do livro de Brian Evenson tinha sido já publicado, sob outro nome, em 2003 – The Brotherhood of Mutilation. Neste retrata-se como Kline, um detective, perde a mão e a cauteriza a sangue frio, num jogo de vida ou morte.

Involuntariamente, o cenário da amputação fá-lo candidato de um culto cómico e tenebroso, que se rege pelo lema “Less is More”. Segundo este lema, a extracção de partes do corpo aproximaria os homens do divino.

Coagido a resolver um crime neste culto de amputados, vê-se obrigado a descartar algumas partes do seu corpo em troca de pistas vagas, e conversas vãs com os membros mais puros da seita (e por isso com menos corpo).

Escassas descobertas e alguns dedos depois, Kline duvida que tenha sequer existido um assassinato e talvez tudo não passe de um roubo, um logro ou até de uma armadilha. Seguem-se vários cenários de violência fria e de demonstração das aberrantes amputações, que atingem o ponto alto quando Kline resolve fugir – para se deparar com uma outra seita, em que todos se chamam Paul. Assim se inicia a segunda parte do livro.

Entre a inevitabilidade das amputações e o labirinto de pistas risíveis surge o horror surreal sob um olhar inumano, que nos faz presenciar toda a acção sem pestanejar e considerar com normalidade o queimar de um coto, logo após o retirar de um dedo.

O horror em Last Days não é psicológico, mas está presente na descrição das acções friamente cometidas, lembrando alguns filmes de Tarantino ou alguns comics mais violentos, em que o sangue é uma constante banal.

Last Days, terá sido o livro que impulsionou Victoria Blake a deixar a Dark Horse e a fundar a sua própria editora, a Underland Press. Encontram-se disponíveis excertos da obra, assim como entrevistas do autor em vários sites (Of Blog of the Fallen, Graeme’s Fantasy Book Review).

Ainda na onda do Steampunk, foi realizado entre Novembro do ano passado e Fevereiro de 2009, um concurso artístico denominado Steampunk, Myths & Legends. As criações deveriam enquadrar-se dentro do estilo do Steampunk, utilizando elementos associados a este, como sendo motores e engenhos, nos quais se enquadrariam figuras fantásticas conhecidas retiradas de fábulas ou histórias para crianças.

Os vencedores foram já escolhidos e entre as criações podem encontrar imagens de aspecto surpreendente e de humor peculiar. A imagem vencedora, de título Steamnocchio é um retrato de Gepeto face à sua criação, um pinóquio de metal ao invés de madeira.

Também entre os vídeos podem encontrar vários engraçados, entre os quais destacaria uma curta metragem animada, entitulada The Steampork.

In the Night Garden é o primeiro volume de Orphan’s Tales, onde uma pequena rapariga, que reside nos jardins do sultão, conta histórias fantásticas a um jovem príncipe.

A rapariga está marcada – duas auréolas escuras em torno dos olhos, distinguem-na dos restantes seres humanos e alimentam a crença de que se trata de um demónio. Ninguém a acolhe, ninguém tem coragem de a escorraçar não vá serem alvo da ira de um demónio.

Ao contrário das restantes crianças, um dos pequenos príncipes ganha coragem e aproxima-se da rapariga demónio. A menina conta-lhe então que as auréolas negras mais não são do que pequenas letras contando histórias, e movido pela curiosidade o príncipe pede-lhe que lhe narre os contos. Noite após noite se encontram, o príncipe trazendo comida, a rapariga apenas as palavras, criando-se uma forte amizade entre os dois.

As histórias da rapariga demónio misturam príncipes encantados e donzelas transformadas em aves, com bruxas bondosas e monstros simpáticos. As demandas dos príncipes não se resumem a salvar damas de torres e matar monstros, e as profecias não se podem levar a letra, pois possuem reviravoltas cómicas e inesperadas. Existem, claro, vilões, que assumem normalmente o papel de poderosos magos capazes de curvar as leis da vida e da morte, e dos restantes seres extraírem a sua magia.

Dentro de cada história há várias outras, porque se o príncipe se cruza com um taberneiro, também esse poderá ter uma fantástica lenda para contar – mas estas pequenas cenas não são um beco sem fim, mas uma nova camada na grande história formada pelo entrecruzar das vivências das diversas personagens.

Nomeado para o World Fantasy Award, as histórias que constituem In the Night Garden são originais. Apesar de possuírem referências a conhecidas figuras das lendas e contos populares, a maioria das personagens são seres inimagináveis. Os monstros são pessoas transfiguradas pela vida, cuja fealdade é descriminada pela sociedade, e se vêm, por isso, obrigadas a sair das grandes cidades, à imagem da vivência da própria rapariga que pelas marcas nos olhos é forçada a pernoitar nos jardins, subsistindo com as bagas e frutos das árvores. O único ponto negativo nas histórias será a, por vezes extrema, inocência infantil que transborda em todas as cenas e que se poderá tornar irritante.

In the Night Garden é uma história constituída por histórias, que se intercalam e enrolam como espirais, de aprazível leitura e entre as quais podem encontrar ilustrações de Kaluta.

No site oficial podem ler excertos das histórias e experimentar um pouco da magia contida em Orphan’s Tales (Volume I- Prelude ; Volume II – The Necromancer’s Tale).

Olaf Stapledon é outro dos autores cuja obra desconheço, mas cujos livros já por várias vezes me foram aconselhados. Entre os mais conhecidos encontram-se Last Men in London, Last and First Men ou Star Maker.

O primeiro, Last Men in London, e o último Star Maker, encontram-se disponíveis para Download, em vários formatos.

No blog de Paul Jessup, encontra-se uma listagem de livros de vários géneros, assim como os links para os sites onde foram disponibilizados gratuitamente. Neste post encontram-se listadas obras como The Ant King and Other Stories ou Murders in the Rue Morgue (Edgar Allan Poe)

The Nymphos of Rocky Flats, de Mario Acevedo, foi disponibilizado para leitura online, pela própria editora, HarperCollins.

Deathworld de Harry Harrison foi um dos livros nomeados, da extensa obra do autor, sendo o primeiro de uma série de livros que retrata uma guerra de vários anos entre colonos humanos e alienígenas num distante planeta, Pyrrys.

Para além dos livros, podem-se encontrar vários contos e noveletas online. No site SF Online podem encontrar links para 95 contos, de vários autores: John Barnes, Elizabeth Bear, Greg Bear, David Brin, Matthew Hughes, Larry Niven, Robert Reed, Mike Resnick ou S. M. Stirling.

Num outro post, no mesmo site, podem encontrar links para outros 41 contos, de Elizabeth Bear, Caitlín R. Kiernan, Paolo Bacigalupi ou Nancy Kress.

Joe Haldeman é o autor de alguns conhecidos livros de Ficção Científica, como The Forever War ou The Accidental Time Machine, vários vencedores dos prémios Hugo ou Nébula. Alguns dos seus livros podem ser encontrados em portugês, trazidos pela Europa-América (A Máquina do Tempo Acidental, Camuflagem, Guerra Sempre,  Liberdade Sempre, O Velho Século XX ou Paz Sempre). Mindbridge (de 1977) é um dos livros menos conhecidos de Haldeman, e será a primeira obra que lerei dele.

Nomeado para os prémios World Fantasy e British Fantasy Society em 2006, Vellum, Book of all hours tem recebido excelentes críticas em diversos sites (dando alguns exemplos – SF Reviews, SFF World, Infinity Plus). A sinopse promete uma luta entre o Céu e o Inferno, mas sem vilões nem heróis:

It’s 2017 and the end days are coming, beings that were once human gathering to fight in one last great war for control of the Vellum – the vast realm of eternity on which our world is just a scratch. But to a draft-dodging Irish angel and a trailer-trash tomboy called Phreedom, it’s about to become brutally clear that there’s no great divine or diabolic plan at play here, just a vicious battle between the hawks of Heaven and Hell, with humanity stuck in the middle, and where the easy rhetoric of Good and Evil, Order versus Chaos just doesn’t apply. Here there are no heroes, no darlings of destiny struggling to save the day, and there are no villains, no dark lords of evil out to destroy the world. Or at least if there are, it’s not quite clear which is which. Here, the most ancient gods and the most modern humans are equally fate’s fools, victims of their own hubris, struggling to save their own skins, their own souls, but sometimes…just sometimes…sacrificing everything in the name of humanity.

A saga de Elric (publicada pela Saída de Emergência), ou livros como Behold the Man (Eis o homem, também pela Saída de Emergência) e Mother London, são apenas alguns exemplos da extensa obra de Michael Moorcock.

Gloriana é apenas um dos seus livros premiados, incluído na colecção Fantasy Masterworks:

Gloriana rules an Albion whose empire embraces America and most of Asia. A new golden Age of peace, enlightenment and prosperity has dawned. Gloriana is Albion and Albion is Gloriana; if one falls, so too will the other. And Gloriana is oppressed by the burden this places upon her – and by the fact that she remains incapable of orgasm. The maintenance of the delicate balance that keeps Albion and Gloriana thriving depends of Montfallcon, Gloriana’s Chancellor, and on his network of spies and assassins – in particular on Quire, cold hearted seducer of virtue and murderer of innocence. When Quire falls out with Montfallcon, he forms an alliance with his greatest enemy and conceives a plan to ruin Gloriana, destroy Albion, the empire and the Golden Age itself. But even the utterly ruthless Quire does not fully understand what he has set in motion when he persuades the Queen to fall in love with him… Moorcock’s masterly evocation of Gloriana’s strange and secretive palace and of a vibrant London make this one of his most powerful and memorable novels.

Songs of the Dying Earth é uma antologia a ser publicada futuramente pela Subterranean Press, tendo como cenário, a terra criada por Jack Vance em Tales of the Dying Earth. Aliciada pela homenagem na antologia, na qual participam autores como Dan Simmons, Robert Silverberg, Neil Gaiman, Jeff Vandermeer ou George R R Martin, resolvi adquirir o Tales of the Dying Earth.

A revista Asimov deste mes é um volume duplo, com histórias de vários autores conhecidos: Brian Stableford, Michael Swanwick, Robert Reed e Nancy Kress. Brian Stableford é o autor de Império do Medo. Dos restantes autores, em português, apenas um conto de Michael Swanwick foi publicado. Micheal Swanwick é o autor de The Iron Dragon’s Daughter, e Nancy Kress, a autora de Beggars in Spain e de Dogs.

O livro de Brian Evenson, Last Days, terá sido a força empulsionadora que terá levado Victoria Blake  a deixar a Dark Horse e a fundar a sua própria editora. Ainda que não se pareça enquadrar dentro do género que costumo ler, este é outro caso onde as constantes referências a um livro me fizeram considerar adquiri-lo:

Intense and profoundly unsettling, Last Days is a down-the-rabbit-hole detective novel set in an underground religious cult. Still reeling from his brutal dismemberment, detective Kline is forcibly recruited to solve a murder inside a Fundamentalist society that takes literally the New Testament idea that you should cut of your hand if it offends you. Armed only with his gun, his wits, and a gift for self-preservation, Kline must navigate a gauntlet of lies, threats, and misinformation, discovering that the stakes are higher than he thought and that his survival depends on an act of sheer will.

Depois de ter adorado A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafon, soube ada existência de um livro, do mesmo autor, que decorre no mesmo ambiente, mas vários anos antes. Há quem diga que O Jogo do Anjo está aquém de A Sombra do Vento, mas várias pessoas me disseram tratar-se de algo ainda melhor.

Finalmente, continuo a adquirir as versões de The Dark Tower, no sentido de dar uma nova oportunidade ao tão falado Stephen King, cujo livro Insónia, me deixou tão negativamente marcada: um livro ao qual menos 500 páginas não fariam diferença, onde se repete sem fim um mesmo cenário.

Waltz with Bashir é a graphic novel corresponde ao filme de mesmo nome que não tive, ainda, oportunidade de ver. Provavelmente, a graphic novel irá esperar a visualização do filme antes da leitura.

Sangue Fresco é uma famosa série de livros sobre vampiros, da autoria de Charlaine Harris, na qual se baseou a série da HBO, True Blood.

Em Portugal a série está a ser lançada pela editora Saída de Emergência, utilizando os mais variados recursos – Blog, Passatempos, e Vídeo de Promoção ; à imagem do que fazem algumas editoras inglesas ou americanas. O primeiro volume encontra-se à venda desde dia 3 de Abril.

Podem ainda encontrar, disponível e em formato pdf, um excerto da obra.

Aqui fica a sinopse:

Uma grande mudança social está a afectar toda a humanidade.
Os vampiros acabaram de ser reconhecidos como cidadãos. Após a criação em laboratório, de um sangue sintético comercializável e inofensivo, eles deixaram de ter que se alimentar de sangue humano. Mas o novo direito de cidadania traz muitas outras mudanças…
Sookie Stackhouse é uma empregada de mesa numa pequena vila de Louisiana. É tímida, e não sai muito. Não porque não seja bonita – porque é – mas acontece que Sookie tem um certo “problema”: consegue ler os pensamentos dos outros. Isso não a torna uma pessoa muito sociável. Então surge Bill: alto, moreno, bonito, a quem Sookie não consegue ouvir os pensamentos. Com bons ou maus pensamentos ele é exactamente o tipo de homem com quem ela sonha. Mas Bill tem o seu próprio problema: é um vampiro.
Para além da má reputação, ele relaciona-se com os mais temidos e difamados vampiros e, tal como eles, é suspeito de todos os males que acontecem nas redondezas. Quando a sua colega é morta, Sookie percebe que a maldade veio para ficar nesta pequena terra de Louisiana. Aos poucos, uma nova subcultura dispersa-se um pouco por todos os lados e descobre-se que o próprio sangue dos
vampiros funciona nos humanos como uma das drogas mais poderosas e desejadas. Será que ao aceitar os vampiros a humanidade acabou de aceitar a sua própria extinção?

Onde os Últimos Pássaros Cantam de Kate Wilhelm é o grande lançamento da Gailivro.

Incluído na excepcional colecção SciFi Masterworks, Where Late the Sweet Birds Sang é uma história pós-apocalíptica, em que, como em várias obras do género,  a esterilidade atinge homens e mulheres, ameaçando a existência da espécie humana.

Ao contrário de vários outros livros de FC, não é descoberta nenhuma cura, nem se descobre uma Eva fértil – um grupo de cientistas descobre forma de se clonar, com sucesso. Mas estes clones, apesar da aparência humana, possuem algo de perturbante que os distingue da restante humanidade.

A sinopse retrata de forma concisa o cenário da Terra:

David, estou a contar-te aquilo que o maldito governo ainda não quer admitir. Estamos no início duma longa depressão que vai arrastar a nossa economia, e a de todas as nações deste mundo, para uma crise como nunca antes imaginámos. A poluição espalha-se mais rapidamente do que sabemos. Já estamos com um crescimento zero da população há alguns anos. A fome já se estende a um quarto do mundo, neste preciso momento. Há mais doenças agora do que quando Deus lançou as pragas sobre os egípcios. Há mais secas e cheias do que há registo. Espécies inteiras de peixes desapareceram, simplesmente desapareceram. Não há o raio duma colheita neste mundo que não sofra de algum tipo de praga ou doença, e as coisas só vão piorar. E eles não sabem o que fazer a respeito de nada disto. Estes loucos vão justificar cada catástrofe, atribuindo-a a uma condição isolada, e virarão as costas ao facto de se tratar de uma questão global, até ser tarde de mais para o evitar.

Também pela Saída de Emergência, é lançado o sétimo volume da série As Crónicas de Gelo e Fogo, O Festim dos Corvos, que corresponde à primeira parte do quarto volume da edição inglesa, A Feast for Crows.

Os direitos da série foram vendidos para a HBO, prevendo-se o lançamento de um episódio piloto antes da filmagem da série. Espera-se impacientemente pela série, e pelo lançamento do próximo livro, prometido há já vários anos…

Lud-in-the-mist é um clássico de Fantasia, incluído na série Fantasy Masterworks que data de 1926. Será o livro mais conhecido de Hope Mirrless, poeta, tradutora e escritora inglesa – e pelo que vi da restante bibliografia, o mais interessante.

Lud-in-the-mist é uma cidade imaginária, fundada entre dois rios num reino ladeado por montanhas que o separam do temido Reino das Fadas. Ainda que, da história do reino façam parte as lendas e as músicas oriundas das Fadas, com o tempo aprendeu-se a temer tudo o que provinha do reino vizinho, com medo que trouxesse a loucura. Mas pior que as músicas e lendas seriam as frutas das fadas, que inspirariam visões extravagantes e discursos alienados.

Numa cidade em que a simples menção às frutas das fadas pode significar a desgraça social, Nathaniel Chanticleer, um importante membro de Lud-in-the-mist, vê a sua posição ameaçada quando o filho alucina numa festa. Para o salvar, envia-o para uma quinta distante, sob o conselho de um misterioso médico.

Ainda que tenha tentado esconder o estado mental do filho, Nathaniel vê a situação revelada quando as filhas das mais austeras famílias fogem da academia em direcção ao reino das fadas. Caído em desgraça empreende várias investigações para descobrir a origem dos frutos na cidade.

Lud-in-the-mist recorda algumas histórias de origem celta ao tomar como tema principal o medo das fadas e dos feitiços, para o mundo das quais os humanos podem ser atraídos e nunca mais vistos. Reinam as supertições nos ignorantes enquanto os homens mais cultos se escondem sob o uso racional da legislação – como se as leis pudessem conceder alguma ordem à realidade e afungentar as sombras onde vive o povo silencioso.

O terror pelas fadas provém apenas do medo de tudo o que não é lógico nem pode ser previsto – Lud-in-the-mist é um retrato inocente e heróico, sem religiosidades nem lamechices. Apesar de bom, não o achei um grande livro. A história envelheceu bem, enquadrando-se dentro do género de High Fantasy, mas falta-lhe uma visão mais irónica e menos suave sobre a história, que teriam tornado o enredo mais interessante.

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