Maio 2009


Algumas das mais recentes aquisições não são de todo desconhecidas: Watchmen e From Hell são conjuntamente com V For Vendetta, das obras mais referenciadas de Alan Moore. Eis uma oportunidade para ler alguns dos comics mais célebres de Moore.

Dele só li até agora Lost Girls, um conjunto de histórias adultas que transformam Alice no País das Maravilhas, O Mundo de Oz e o Peter Pan em contos pouco infantis.

Fables: Legends in Exile é o primeiro volume de Fables, uma série de comics que coloca as personagens dos contos de fadas no nosso Mundo: exiladas e transformadas com a vida, a história não terminou com a frase “e viveram felizes para sempre”.

Estrela Distante é mais um livro do escritor chileno, Roberto Bolano – uma das primeiras obras do autor de Los detectives salvajes e 2666, uma expansão do último capítulo de Literatura nazi.

Adaptado recentemente para filme, Let the Right One In, é mais uma história de vampiros, do autor sueco John Ajvide Lindqvist.

Ainda não o li, mas segundo os resumos que encontrei, a história centra-se no relacionamento entre um rapaz de 12 anos e um vampiro de 200 de género indeterminado, focando aspectos como as drogas, o roubo, a pedofilia ou a prostituição.

Ferenc Karinthy é o autor de Metropole, um livro que acompanha Budai, um linguista que pensa ter desembarcado em Helsínquia, mas descobre encontrar-se numa outra cidade que não consegue identificar.

Best Short SF Novels pretende reunir, como o nome indica, as 13 melhores novelas do género FC:

  • Sailing to Byzantium – Robert Silverberg
  • Surfacing – Walter Jon Williams
  • The Hemingway Hoax – Joe Haldeman
  • Mr Boy – James Patrick Kelley
  • Beggars in Spain – Nancy Kress
  • Griffin’s Egg - Michael Swanwick
  • Outnumbering the dead – Frederick Pohl
  • Forgiveness day – Ursula K. Le Guin
  • The Cost to Be Wise – Maureen F. McHugh
  • Oceanic – Greg Egan
  • Tendeleo’s Story – Ian McDonald
  • New Light on the Darke Equation – Ian R. MacLeod
  • Turquoise Days – Alastair Reynolds

Por último, The Blade Itself, é o primeiro volume da trilogia The First Law, cujo terceiro volume foi considerado um dos melhores livros de 2008 por vários críticos e bloguistas. Despertada a curiosidade, aqui está o primeiro dos três.

De Fables conhecia apenas 1001 Nights of Snowfall, uma graphic novel que se debruça numa aventura de Branca de Neve que se no papel de Scheherazade quanto tenta angariar a ajuda do sultão na luta contra o temido invasor das terras fantásticas.

Legends in Exile é o primeiro volume de uma série de comics que se debruça sobre a vida das personagens exiladas no nosso Mundo. Em Legends in Exile deparamo-nos com uma Branca de Neve divorciada, com um lobo mau humano e detective e com o ex-marido de Branca de Neve, Prince Charming, um príncipe que vive à custa das suas conquistas. O casamento de Branca de Neve terá terminado quando encontrou o Príncipe na cama com a irmã, Rose Red.

Branca de Neve é agora uma pessoa influente que gere as personagens fantásticas no mundo real e apesar das divergências com a irmã, cola-se à investigação quando o Lobo Mau a informa do possível assassinato de Rose Red.

Este é um conjunto engraçado de histórias que se destaca principalmente pela premissa: a exploração de personagens conhecidas num cenário muito diferente. O Príncipe Charming deixa de ser um cavalheiro charmoso, a Branca de Neve não é a donzela doce e inocente e o Lobo Mau é uma personagem com a qual simpatizamos facilmente.

No final de Legends in Exile encontramos um pequeno conto, A Wolf in the Fold, que conta a história do Lobo Mau, iniciada em 1001 Nights of Snowfall. Vale a pena ler esta pequena história expecional através da qual compreendemos melhor a personagem complicada que é o conhecido vilão dos contos de crianças.

Em Io9 reunem-se as “prequelas” insucedidas - 10 Science Fiction Prequels, Ranked By Crappiness. Entre os escolhidos podem encontrar Star Wars, Dune ou Battlestar Galactica.

As próximas listas não são de livros, ou filmes nem de séries – mas de momentos: Os Dez Momentos Mais Estúpidos da Fantasia e Os Dez Momentos Mais Espectaculares da Fantasia. E realmente os momentos estúpidos são mesmo… Argh… estúpidos.

Em Listverse ou The List Universe podem encontrar duas listagens interessantes referentes a livros: 12 Novelas Distópicas e 15 Obras Apocalípticas. Na primeira não faltam as obras de William Golding, William Gibson, George Orwell, Ray Bradbury ou Aldous Huxley, mas também encontrei algumas que desconhecia totalmente.

As 15 obras apocalíptica referem-se a livros anteriores a 1945, trazendo-nos histórias menos conhecidas e autores mais obscuros.

No mesmo local podem encontrar pérolas como

… Melhor ainda, deixo-vos o link para o índice.

To Say Nothing of The Dog foi um dos livros escolhidos pelo SciFi and Fantasy Book Club para as leituras do mês de Maio. Decidi acompanhar.

Esta é uma história com uma premissa peculiar – uma novela de ficção científica, com toques de ridículo que decorre fundamentalmente na época vitoriana.

Ned Henry é um historiador do ano 2057 de Oxford que, com os seus colegas, viaja no tempo com o objectivo de conhecer o passado. Devido à falta de fundos, os historiadores são recrutados pela mecenas, Lady Schrapnell, para procurar um objecto que terá mudado a vida de uma ascendente distante, Tocelyn Mering (Tossie).

Após vários saltos no tempo em busca do singular objecto, Ned Henry começa a sofrer de time lag, a patologia de quem realiza várias viagens temporais em curto período. Para conseguir descansar Ned terá de fugir de Lady Schrapnell e nada melhor do que uma viagem à época vitoriana. Cansado, alucinado e com dificuldades em discernir o que o rodeia, Ned não foi preparado para a época onde se encontra.

Após uma curta viagem de comboio Ned empreende com Terence e o seu cão, uma viagem pelo rio Tamisa, onde se fazem várias analogias ao livro de Jerome K. Jerome, Three Men in a Boat, To Say Nothing of the Dog. Ao viajar de barco, Ned afasta Terence do primeiro encontro com a sua futura esposa e aproxima-o de Tossie, uma jovem inteligente e bela mas fútil. Esta encontra-se acompanhada pela chaperone Verity Kindle, uma outra historiadora, colega de Ned, que procura o diário da jovem e que terá causado uma incongruência espaço-temporal ao levar o gato branco de Tossie para o futuro.

A história centra-se na demanda de Ned e Verity restabeler o fluxo de acontecimentos original, e em conseguir descobrir o paradeiro do objecto que terá mudado a vida de Tossie. Durante o livro exploram-se algumas das mais recentes teorias da Física em torno das viagens no tempo e da teoria caótica – nunca se sabe que acontecimento ou objecto poderá influenciar o futuro.

Ainda assim, o tom não é sério: Terence é um desastrado inconsequentemente que constitue, com o seu cão Cyril o cerne cómico da história; Ned atordoado pelo time lag apaixona-se por Verity; e Tossie é uma jovem mimada e oca, cuja mãe vive atormentada pelos fantasmas que poderão habitar a casa, e cujo pai colecciona peixes raros que frequentemente terminam no estômago do gato de Tossie, Princess Arjumand.

Este é um livro de cerca de 500 páginas e de leitura pausada – a história decorre numa época sem pressas onde as conversas se alongam circundando o objectivo, e as jovens são educadas para permanecerem felizes e ignorantes. Existe uma diferença brusca entre a acção que decorre no ano de 2057 e a época vitoriana, tanto em tom como em velocidade.

Ainda que tenha gostado do livro, achei que alguns capítulos, como as da viagem de barco, se alongaram desnecessariamente, o que me terá quase feito largar a história a meio – mas é no meio que após a colocação das peças a história se torna mais interessante.

Nomeado para o prémio Nebula, To Say Nothing of the Dog ganhou os prémios Locus e Hugo. Para os interessados, existem algumas  histórias de Connie Willis disponíveis para leitura:

Proposto para Abril e adiado para Maio, River of Gods é a segunda leitura proposta no âmbito do Círculo de Leibowitz – para mim uma releitura não terminada devido ao tamanho da obra.

Deixo os links para as críticas de alguns dos elementos do Círculo:

- Blade Runner (João Seixas)

- Inner Space (Nuno Fonseca)

Elric: Stealer of Souls é o primeiro de três volumes que reunem o Elric original, a obra mais conhecida de Moorcock, cuja publicação se iniciou pela Del Rey. Os outros dois volumes foram denominados respectivamente To Rescue Tanelorn e The Sleeping Sorceress.

Stealer of Souls foi recentemente disponibilizado para download, em vários formatos (PDF, Kindle, Sony Reader) ou para leitura em Scribd.

Open Your Eyes é algo desconhecido de um autor para mim também desconhecido e sobre o qual não encontrei nada mais do que as três opiniões que se encontram no site da editora(onde se encontra disponível uma versão PDF).

Ainda assim, a descrição da obra captou a minha atenção: entre Space Opera e New Wave, com pitadas de paranóia Dickiana. Diria que vale a pena dar uma olhadela.

Em SF Signal encontra-se outra das longas listas de obras FC disponíveis para download, onde podem encontrar coisas como Nano Come to Clifford Falls (de Nancy Kress).

Não é um livro. Mas é algo interessante – a autora de Orphan’s Tales, Catherynne M. Valente, gravou a leitura de uma história. Mas não é um audiobook, antes a mistura de uma leitura de Golubash com sons em pano de fundo. O trabalho chama-se Wine is a Story.

Finalmente, também não é um livro, mas um comic – o primeiro volume de War Of Kings da Marvel. Algumas personagens são-nos conhecidas, e o aspecto gráfico é interessante. Quanto ao comic, não ainda não o li. Não o podem sacar, mas podem vê-lo aqui.

Para além dos livros de Zoran Zivkovic cujo lançamento pela PS Publishing já tinha anunciado recentemente, a mesma editora irá publicar, também, Impossible Stories 2. Este volume reúne três livros para além de outras duas histórias: Compartments, Four Stories Till the End Amarcord.

“Compartments”: On a strange train journey, in a series of six compartments, a traveller experiences unpredictable encounters, culminating in a meeting of epiphanic power. Through a narrative of dreamlike sharpness “Compartments” taps into the fears and absurdities, the beauties and mysteries of the unconscious mind, to achieve a consummation both moving and full of hope.

“Four Stories till the End”: In what strange edifice of the imagination do you find a condemned cell, a hotel room and a hospital room? What kind of hotel offers a zinc mine, a meat-packing plant, a weapons factory and a cemetery of famous artists among its attractions? Why do four people commit suicide in the same bathroom and why does a literature professor cut up several of the greatest works of literature into a confetti of letters? In this wildly imaginative, wildly funny satire on Art and Death nothing is quite what it seems and the maze of symbols grows more complex with each encounter.

“Amarcord”: Ten linked stories with resonant titles explore almost every conceivable aspect of human memory: the positive and the negative, the precious and the profane, the heavenly and the unbearably hellish. Živkovic’s deceptively simple tales anatomise the essence of what makes human beings tick, our passions, our vanities and yearnings; the very memories which make us who we are.

Por sua vez, Metratopolis parece ser o resultado de um projecto interessante. Resultado do interlaçar de cinco autores diferentes, Elizabeth Bear, Tobias Buckell, Jay Lake, Karl Schroeder e John Scalzi, Metratopolis reune histórias que decorrem num mesmo mundo, no futuro.

O livro será lançado em Julho pela Subterranean Press. Fica aqui parte da sinopse:

A strange man comes to an even stranger encampment… A bouncer becomes the linchpin of an unexpected urban movement… A courier on the run has to decide who to trust in a dangerous city… A slacker in a “zero-footprint” town get a most unusual new job… and a weapons investigator uses his skills to discover a metropolis hidden right in front of his eyes.

Welcome to the future of cities. Welcome to METAtropolis.

Wild Thyme, Green Magic é outro livro a publicar pela Subterranean Press: uma colectânea de histórias fantásticas e estranhas, de onde se destacam The World Thinker (o primeiro conto vendido), Chateau D If, Green Magic, Seven Exits from Bocz, The Seventeen Virgins:

When Jack Vance decided to become a writer, a million-word-a-year man as he put it so pragmatically at the time, he also gave fantastic literature one of its most cherished and distinctive voices. Though primarily a novelist throughout his long and distinguished career, this Hugo, Nebula, Edgar and World Fantasy Award-winning Grand Master also produced many short and mid-length works.

The Strain é um livro de vampiros – mas dado ser da autoria de Chuck Hogan e Guillermo del Toro (realizador de Labirinto do Fauno), não deverá ser um livro semelhante aos da Stephanie Meyer e afins.

Este é o primeiro de uma trilogia, cuja sinopse revela uma premissa semelhante a I Am Legend (ao livro, não ao filme), em que a praga de vampiros se deverá a um vírus que infecta e transforma os seres humanos.

Neste caso, a infecção encontra-se ainda no início, restando seres humanos suficientes para lutar contra os vampiros:

They have always been here. Vampires. In secret and in darkness. Waiting. Now their time has come.

In one week, Manhattan will be gone. In one month, the country.

In two months – the world.

The Lady of the Sorrows é o segundo volume da trilogia Bitterbynde, iniciada com The Ill-Made Mute.

De The Ill-Made Mute tinha apenas uma vaga recordação. A história inicia-se quando um jovem ferido é levado para o castelo. Sem voz e de face desfigurada, o jovem é presa fácil para todos aqueles que desejam descarregar as suas frustações. O jovem decide-se finalmente a fugir do castelo num dos navios voadores, onde descobre que é, afinal, uma rapariga. Escondendo o seu corpo, continua a passar por um rapaz. (Os próximos parágrafos podem conter spoilers)

O navio voador é assaltado e a jovem torna-se amiga de um dos piratas – Sianadh. Ao longo das suas aventuras ao lado de Sianadh conhece um jovem guerreiro por quem se apaixona, mas do qual não tem coragem de se aproximar por se encontrar desfigurada. No final, encontra uma curandeira que lhe restaura a voz e a face.

No segundo livro, a jovem pretende revelar ao rei uma teia de traidores e um imenso tesouro escondido. Para conseguir entrada no castelo a curandeira tinge-lhe o cabelo, compra novas roupas e a jovem apresenta-se como Lady of the Sorrows. Dada a ausência do rei da Corte, terá de divulgar às pessoas mais influentes o seu objectivo. Estes tomam as medidas necessárias perante os traidores e ajudam-na a integrar-se na Alta Sociedade. Como esperado, existem nobres que não vêm com bons olhos a presença da jovem e bela rapariga e que irão conspirar para a afastar do Castelo.

A história decorre num Mundo surreal populado por elementos fantásticos semelhantes ao do folclore celta e nórdico: existem duendes que executam o trabalho doméstico e fadas que raptam humanos para o seu Mundo ou os atormentam com adivinhas e tarefas. Estas figuras saídas de contos são essencialmente amorais, e com elas são recontadas algumas das lendas mais conhecidas, desde a do tocador de flauta que leva consigo todos os ratos de uma cidade; à de um homem regressa ao seu Mundo vários anos depois apesar de apenas ter passado uma noite de festim com as fadas.

Tal como tinha referido em relação ao primeiro volume, a história centra-se demasiado numa única personagem e possui, para mim, dois pontos fracos: demasiadas deambulações românticas e um tom demasiado inocente. Quando analisada friamente, estes dois pontos retiram alguma credibilidade à história. Ainda assim, a história consegue tornar-se simpática pela forma como é desenvolvida e apresentada e leva-nos, até, a sentir alguma empatia pela personagem principal.

Decididamente, a Amazon e a Feira do Livro desgraçam uma pessoa.

To Say Nothing of the Dog, We, Cosmos Latinos e The Black Mirror fazem parte da minha última encomenda da Amazon.

O primeiro encontrava-se na minha Wishlist há algum tempo. Vencedor do prémio Hugo e nomeado para o prémio Nebula, To Say Nothing of the Dog encontra-se referenciado como Ficção científica disfarçada de história victoriana.

Aproveitando uma leitura conjunta em Goodreads, resolvi adquirir o livro e já o comecei a ler. No mesmo âmbito penso aproveitar para ler Tigana de Guy Gavriel Kay, um livro que já esperou demasiado tempo na prateleira.

We, de Yevgeny Zamyatin, é uma distopia de origem russa que terá influenciado obras mais conhecidas como 1984 de George Orwell, The Dispossessed de Ursula Le Guin, ou Player Piano de Kurt Vonnegut.

Baseado na experiência das revoluções russa do próprio autor, a obra terá sido censurada na Rússica durante vários anos. A história parece basear-se na descoberta de um matemático de que teria uma alma individual. Este é mais um clássico de Ficção Científica com referência em todas ou quase todas as listas de melhores obras do género.

Obras de fantasia e ficção científica de origem anglo-saxónica abundam no mercado. Com o objectivo de diversificar esta tendência adquiri mais duas antologias: Cosmos Latinos e The Black Mirror.

Cosmos Latinos é uma colectânea de histórias provenientes da América Latina e de Espanha, que reúne contos a partir da segunda metade do século XIX. Entre os nomes dos vários autores reconheço apenas dois, Angelica Gorodischer (autora de Kalpa Imperial) e Elia Barceló (autora de O Segredo do Ourives, publicado pela editora Palavra, que esteve em Portugal recentemente por ocasião do Fórum Fantástico). Não encontrei antologia semelhante em língua espanhola, ou teria preferido a comprar uma tradução.

The Black Mirror & Other Stories é, por sua vez, uma antologia que reúne histórias de origem alemã ou austríaca, também a partir da segunda metade do século XIX. Se da anterior conhecia apenas dois autores, deste não reconheço um único nome.

Os restantes livros foram adquiridos na feira do Livro. O primeiro volume de Preacher foi comprado algumas semanas atrás na Feira dos Alfarrabistas que decorre todos os Sábados no Chiado, e foi lido num ápice, tendo-me decidido a adquirir os volumes seguintes.

Um padre é possuído por um ser divino, que lhe confere estranhos poderes sobre os restantes mortais. A sua voz é ordem, e frases como “Go Fuck Yourself” podem ser interpretadas literalmente. O padre segue viagem com a ex-namorada que terá abandonado sem qualquer justificação alguns anos antes. Esta encontra-se também na companhia de um homem de peculiar humor negro, com estranhos hábitos diurnos.

The World of Dark Crystal é da autoria da Brian Froud, contendo imagens das mesmas personagens que podem encontrar no filme de Jim Heson (criador dos Marretas, Rua Sésamo ou Labirinto).

Frederick Pohl é mais conhecido pelas suas obras de Ficção Científica dos anos 60 e 70, entre as quais se podem destacar, Homem Mais (Man Plus, publicado pela Europa-América) ou Gateway (A porta das Estrelas, publicado pela Livros do Brasil).

Jem ou A Construção duma Etopia, foi uma das suas obras nomeada para o Hugo e para o Nebula, publicada em Portugal pela Círculo de Leitores, pela Livros do Brasil e pela Gradiva. Esta é a edição da Gradiva. Segundo a história a Humanidade terá descoberto um planeta habitável. No entanto, este planeta já possui três espécies sapientes, que os humanos tentarão explorar.

A Vida Misteriosa dos Cadáveres, de Mary Roach, foi publicado em Portugal pela Esfera dos Livros. Aquando da sua compra tive oportunidade de ler algumas passagens e pareceu-me ser um livro de temática mórbida e humor negro, um pouco distante daquilo que costumo ler.

The Prince, de Niccolo Machiavelli, é daqueles livros que pretendo ler há vários anos. Talvez uma sátira, O Príncipe é a obra mais conhecida de Niccolo Machiavelli. Publicada após a morte do autor, terá sido com esta obra que se terá cunhado o termo “maquiavélico”.

Neste livro será descrito como um príncipe deverá manter o poder ou como um aspirante a governante poderá subir ao trono – os fins justificam os meios; e qualquer medida poderá ser aplicada.

Esta edição da Penguin faz parte da colecção Great Ideas, que reune alguns dos clássicos que terão ajudado a mudar o Mundo:

Throughout history, some books have changed the world. They have transformed the way we see ourselves – and each other. They have inspired debate, dissent, war and revolution. They have enlightened, outraged, provoked and comforted. They have enriched lives – and destroyed them. Now Penguin brings you the works of the great thinkers, pioneers, radicals and visionaries whose ideas shook civilization, and helped make us who we are.

Desta colecção farão parte obras como O Contrato Social (Jean-Jacques Rousseau – The Social Contract), o Manifesto Comunista (Karl Marx e Friedrich Engels – The Communist Manifesto) ou A Arte da Guerra (Sun-tzu – The Art of War).

The Remains of the Day é um dos livros mais conhecidos de Kazuo Ishiguro, o livro que terá dado origem ao filme com o mesmo nome e que terá ganho o Booker Prize de 1989.

Do autor apenas li Never Let Me Go, um livro de ficção científica que não é apreciado por todos os que o leram. Apesar de entender a posição de quem não gostou do livro (personagens demasiado apáticas), eu gostei, imenso.

Após a leitura de The Man Who Was Thursday decidi-me a ler algo mais do autor. The Complete Father Brown reune as várias histórias de G. K. Chesterton em torno de um padre detective – uma personagem provavelmente baseada numa personagem real.

Finalmente, Gravity’s Rainbow de Thomas Pynchon foi nomeado para o prémio Nebula e venceu o National Book Award. Com cerca de 400 personagens, a obra debruça-se sobre vários temas como a psicologia e a sexualidade, o comportamento ou as teorias da conspiração.

Preacher pode ser descrito de forma sucinta como um comic politicamente incorrecto. A personagem principal, Jesse Custer, é padre numa pequena vila do Texas na qual, como em qualquer pequena povoação, os habitantes possuem segredos que todos conhecem. Após um ataque de fúria os paroquianos comparecem em peso à missa de Domingo, morrendo queimados quando Jesse Custer é possuído por Genesis, um ser sobrenatural originado pelo cruzamento de um demónio com um anjo.

Após este acidente Jesse Custer encontra a ex-namorada que terá abandonado sem qualquer justificação anos antes. Esta encontra-se à boleia de um homem de peculiar humor negro, com estranhos hábitos diurnos que se revela um vampiro.

Jesse Custer descobre que, com Genesis, a sua voz é ordem e qualquer humano que a oiça irá obedecer, mesmo contra vontade – frases como “Go Fuck Yourself” podem ser interpretadas literalmente. O estranho grupo segue viagem, fugindo de um enorme grupo de xerifes e polícias, assim como de um caçador implacável que procura Genesis.

Tanto o vampiro como Jesse Custer possuem tiradas de forte humor negro e violento, por vezes fortes críticas religiosas, sociais ou culturais: o Texas pode ser descrito como o Inferno, os anjos têm comportamentos dúbios e Deus poderá fugir às suas responsabilidades. Os nossos heróis são, felizmente, imperfeitos – não só podem estoirar miolos entre palavrões, como bebem e fumam. Para além da violência são também frequentes as referências sexuais.

Recomendável aos menos sensíveis ou susceptíveis, Preacher – Gone to Texas é o primeiro volume da série, que já me cativou e me fez adquirir os próximos três.

Clarke Award é um prémio inglês atribuído a obras de ficção científica, originalmente estabelecido com fundos de Arthur C. Clarke com o objectivo de promover este género em Inglaterra. O vencedor é escolhido de entre uma pequena lista de seis obras, por uma juri de voluntários entre escritores, críticos ou fans.

Este ano faziam parte da listagem:

  • Song of Time: Ian R. MacLeod – PS Publishing
  • The Quiet War: Paul McAuley – Gollancz
  • House of Suns: Alastair Reynolds – Gollancz
  • Anathem: Neal Stephenson – Atlantic
  • The Margarets: Sheri S. Tepper – Gollancz
  • Martin Martin’s on the Other Side: Mark Wernham – Jonathan Cape

Destes seis, um dos mais falados tem sido sem dúvida a obra de Neal Stephenson, Anathem. No entanto, o vencedor foi Song of Time, de Ian R. MacLeod.

Fica aqui a sinopse, disponível no site da editora PS Publishing:

A man lies half-drowned on a Cornish beach at dawn in the furthest days of this century. The old woman who discovers him, once a famous concert violinist, is close to death herself… or a new kind of life she can barely contemplate. Does death still exist at all, or has it finally been obliterated? And who is this strange man she’s found? Is he a figure returned from her past, a new messiah, or an empty vessel? Is he God, or the Devil?

Filled with love and music, death and life, mind-stretching ideas and sheer, simple humanity, spanning the world from the suburbs of Birmingham to the streets of a new-Renaissance Paris via the ruins of post-apocalyptic India, Multi-award winning author Ian R MacLeod here creates some of his most powerful scenes, and his most extraordinary, and yet most believable, characters. If you care about the future, if you care about good story-telling, Song of Time is a must-read.

The Man Who Was Thursday é o livro mais conhecido de Chesterton, um prolífero escritor, crítico e historiador, que viveu entre o final do século XIX e o início do século XX.

O livro centra-se em Gabriel Syme, um poeta que, para além de cavaleiro, é um filósofo recrutado pela Scotland Yard para incorporar uma brigada anti-anarquista. O recrutamento para este corpo de detectives é realizada de forma peculiar – após uma conversa de teor filosófico sobre anarquismo com um polícia responde a um pequeno questionário e comparece a uma entrevista que ocorre numa sala às escuras.

Ingresso nas fileiras, Syme ouve e participa numa discussão de poetas que resvala para a anarquia. Gregory, um outro poeta, afirma publicamente ser uma anarquista – afirmação essa que Syme ridiculariza quando duvida abertamente da sua veracidade. Nessa mesma noite, Gregory convence Syme a acompanhá-lo a um local secreto, sob promessa de sigilo. Assim Syme conhece um dos centros dos anarquistas:

I don’t often have the luck to have a dream like this. It is new to me for a nightmare to lead to a lobster. It is commonly the other way

Após revelar a Gregory ser um membro da Scotland Yard, Syme assiste à reunião dos anarquistas, na qual Gregory esperava ser eleito representante. Perante a revelação, Gregory deposita um discurso medíocre que Syme facilmente supera, sendo eleito para o cargo de Thursday. Como representante local, Syme comparece a um pequeno conselho, em que os membros possuem títulos respectivos a cada dia da semana – Sunday é o presidente, uma personagem carismática e imponente que inspira respeito e temor.

The Man Who Was Thursday poderia ser referido, de uma maneira simples, como um livro de detectives, não fosse muito mais do que isso – é uma paródia ou uma alegoria à sociedade e à sua estratificação que nos faz pensar sobre o que nos rodeia, mas sem o peso dos tratados filosóficos. Syme é uma personagem peculiar, um cavaleiro que, por vezes, é quase inocente na sua forma de pensar e de agir, e que arrasta os que o rodeiam na sua animação pela vida, mesmo quando os acontecimentos se tornam demasiado obscuros.

Esta é uma história bem-humorada, com uma pequena dose de demência, que contém várias preciosas citações, por vezes provérbios distorcidos, que nos poderão fazer lançar uma gargalhada

Thieves respect property. They merely wish the property to become their property that they may more perfectly respect it.

The madman is not the man who has lost his reason. He is the man who has lost everything except his reason.

Inicialmente publicado em 1908, The Man Who Was Thursday encontra-se disponível para leitura e download gratuitos em vários sites, inclusive em Project Gutenberg.

Este é o terceiro livro de Zoran Zivkovic que leio este ano. Tal como Seven Touches of Music, é um pequeno livro preto, de aspecto apaixonante, que contem seis contos bem estruturados. Em todos as histórias rondam em torno de encontros impossíveis com personagens surreais, entre extraterrestres e personagens de livros.

No primeiro conto, The Window, um homem vê-se num corredor após a sua morte. Mas este não era o tradicional túnel com luz branca, antes um corredor cujas paredes se encontram preenchidas com quadros, inclusive um retrato seu, para o qual ele não se recorda de ter pousado.

The Cone é o conto que se segue. Neste, um jovem sobe diariamente ao topo de uma montanha, onde um dia encontra um outro homem, com o qual tem uma estranha conversa retrospectiva.

Em The Bookshop somos levados a uma livraria de livros de Ficção Científica, cujo dono é um escritor do género. Neste género de estabelecimentos não faltam as visitas de doidos que falam de extraterrestres e de naves espaciais – mas o lunático que naquele dia entra na loja não pertence a nenhum dos grupos habituais.

No conto seguinte, The Train, o vice presidente de um banco apanha um comboio e viaja em primeira classe, esperando que mais ninguém ocupe a sua carruagem. Mas numa paragem remota entra um homem que se revela Deus, e lhe concede a possibilidade de fazer uma pergunta – qualquer pergunta.

Um padre deixa-se adormecer frequentemente no confessionário – para ser acordado por um homem que inverte os papéis da confissão e revela saber mais sobre o padre do que ele próprio se recorda.

Finalmente, em The Atelier, um escritor encontra-se em frente ao monitor do computador, bloqueado, sem conseguir escrever nada há demasiado tempo. Até que uma das personagens do seu livro lhe bate à porta.

Tal como os restantes livros de contos de Zoran Zivkovic, Impossible Encounters reune alguns dos melhores contos fantásticos ou até FC que já li.

Guerra das Salamandras, de Karel Čapek, é considerado um dos clássicos de Ficção Científica, apesar de não ser uma das obras mais falada do género. Publicado em 1936, expõe a história de descoberta de salamandras inteligentes que pouco a pouco se vão habituando aos humanos e ganhando algumas das suas características.

Em portugês o livro teve já três edições distintas, duas pela Caminho e uma pela Livros do Brasil.  Vai ter agora uma quarta, pela Europa-América, com uma capa mais apresentável que a edição da Caminho.

Apesar de possuir um tom satírico, com o qual se tornou conhecido ao prever alguns acontecimentos históricos, não é um livro que me tenha deixado grandes lembranças. Ainda assim, aconselhável para os amantes do género Ficção Científica.

O sexto livro de As Crónicas de Allaryia, de Filipe Faria, é o lançamento do mês pela Editorial Presença. Desta saga apenas li os primeiros três e tenho a dizer sucintamente que não pretendo ler os restantes: um misto entre várias histórias fantásticas conhecidas, não me atraiu o suficiente para continuar a leitura pelo dobro dos volumes.

Deixo aqui a sinopse para os potenciais interessados:

Os deuses estão mortos, e a sua queda deixa Allaryia à beira de uma espiral de desordem e destruição. As sementes dos planos d´O Flagelo germinam em segredo, e Aewyre Thoryn e os seus companheiros são os únicos que estão cientes da insidiosa ameaça, bem como os únicos em condições de a combater. Dá-se então início a uma desesperada corrida contra o tempo, enquanto servos renegados de Seltor conspiram para levarem a cabo a queda de Ul-Thoryn. Uma ameaça de tempos imemoriais acerca-se entretanto da Pérola do Sul, ameaçando cortar pela raiz a resistência contra O Flagelo. Este é ponto de viragem da Oitava Era, após o qual nada será como dantes em Allaryia, que neste sexto volume levanta a parada num inesquecível épico de acção e aventura.

Pela Saída de Emergência há que realçar dois lançamentos: Clube de Patifes e o segundo volume de O Caderno Secreto de Leonardo.

O Caderno Secreto de Leonardo, de Jack Dann, é o livro que já tive oportunidade de rever, num outro post.  Publicado em português em dois volumes, reconta a história de Leonardo da Vinci, aproveitando alguns anos não documentados da sua vida, para explorar a faceta de inventor e engenheiro.

Desta forma, desenvolve um Leonardo da Vinci que se terá aventurado no Ocidente e tido a oportunidade de desenvolver e aplicar as suas invenções para as quais apenas conhecemos os esboços em papel amarelado.

Por sua vez, Clube de Patifes (em inglês Crook Factory) um livro de Dan Simons, o mesmo autor de A Canção de Kali (em português publicado também pela Saída de Emergência), um dos melhores livros de horror que já tive a oportunidade de ler.

Clube de Patifes parece, no entanto, ser um livro bastante diferente, quase um misterioso thriller:

Cuba. 1942. Ernest Hemingway descobre um segredo tão perigoso que só há uma fuga possível: o suicídio. Um thriller soberbo baseado em factos verídicos e com uma versão arrepiante para a verdadeira razão da morte do escritor.

No Verão de 1942, Joe Lucas, agente do FBI, chega a Cuba por ordens de J. Edgar Hoover para manter Hemingway debaixo de olho. O famoso escritor reunira um grupo, a que chamara Clube de Patifes, para se envolver num perigoso jogo amador de espionagem. Mas é então que Lucas e Hemingway, contra todas as expectativas, descobrem informações secretas vitais… e o jogo torna-se verdadeiramente mortal. Em Clube de Patifes, Dan Simmons desenvolve os factos conhecidos e transforma-os numa grande obra de suspense histórico nas paisagens sensuais da Cuba dos anos quarenta.

E se… em Inglaterra a Rainha Isabel tivesse perecido antes de vencida a Grande Armada, sendo o país conquistado pelos espanhóis e subjugado à Igreja Católica? E se o poder da Santa Igreja nunca tivesse esmorecido e a Inquisição continuasse a queimar e a torturar inocentes por vários séculos mais?

Tal como Harry Turtledove em O Dilema de Shakespeare, Keith Roberts explora o cenário inglês sob o domínio católico. Mas se, no primeiro, se explora a premissa em torno da personagem que deu o nome ao livro, em Pavane, após uma breve descrição dos acontecimentos, somos levados a um século XX em que persiste a sociedade feudal, e as inovações científicas são vistas como blasfémias e necromancia.

Keith Roberts não se limita a contar uma história, mas sim sete, o que permite conhecer diferentes facetas da estranha sociedade que se desenvolveu ao longo dos séculos sob a soberania da Igreja Católica e da sua temida Inquisição. Murmura-se, no entanto, sobre uma revolta.

Na primeira história, The Lady Margaret, conhecemos o jovem Strange que recentemente herdou uma pequena transportadora, constituída por comboios que não circulam sob carris. Esta história introduz-nos no mundo estranho que se tornou Inglaterra, onde ainda se acredita piamente na presença do povo das fadas. Em The Signaller acompanhamos uma criança que cedo descobriu o seu futuro – pertencer aos sinaleiros, uma Ordem responsável por manter um método primitivo de comunicação à distância. Por sua vez, Brother John é a história de um frade, de humiledes origines que terá seguido a vida monástica pela sua vocação artística. É por esta faceta que é requisitado ao centro da actual Inquisição onde assiste à tortura de vários inocentes.

Algumas das histórias interligam-se: são-nos relatadas algumas gerações da família Strange, que servem para ilustrar a evolução de Inglaterra nesses poucos anos, em que se fala sorrateiramente de liberdade e autonomia da Igreja Católica.

Pavane é, para além de uns melhores livros de história alternativa que já li, uma obra que retrata, com coerência, um mundo que podia ter existido Se.

A maioria das histórias que constituem Pavane foram inicialmente publicadas pela Science Fantasy, posteriormente reunidas num único volume. A versão que tive oportunidade de ler pertence à colecção Scfi Masterworks da Gollancz, mas a obra foi já traduzida e publicada, sob o nome Pavana, em Portugal, pela Saída de Emergência.

O primeiro livro que li de Michael Chabon autor foi The Yiddish Policemen’s Union. Este é um policial enquadrado na história alternativa, vencedor dos prémios Hugo e Nebula, que ronda em torno de uma fuga bem sucedida da maioria dos judeus ao Holocausto. Sinceramente, não gostei. Ainda assim, peguei em Gentlemen of the Road, um pequeno livro de aventuras engraçadas que junta alguns heróis pouco tradicionais.  Depois de Gentlemen of the Road, resolvi dar outra oportunidade ao autor e ler a obra que lhe terá valido o Pullitzer em 2001: The Amazing Adventures of Kavalier & Clay.

Os seis livros que se seguem pertencem à colecção Space Operas da Gollancz. Nesta colecção podem encontrar livros como The Centauri Device de M. John Harrison (que não gostei principalmente pela conjuntação do ritmo com a medíocre personagem principal), Rendezvous with Rama de Arthur C. Clarke, Ilium de Dan Simmons ou o recentemente lido, Stone de Adam Roberts (que apesar da premissa surrealista de um mundo perfeito, me conseguiu cativar com o desenvolvimento de uma personagem psicologicamente danificada).

Lankhmar pertence a outra colecção da Gollancz recentemente lançada – The Ultimate Fantasies. Este volume reune Swords and Deviltry, Swords against death, Swords in the mist e Swords Against Wizardry.

Em Decameron, um grupo de sete mulheres e três homens foge da peste em Florença e instala-se numa vila no campo. Como passatempo, à noite, cada pessoa conta uma história, o que perfaz as 100 histórias de Decameron (por semana existe um dia reservado para coros e outro para descanso).

The Shipping News despertou-me a atenção desde que foi publicado em Portugal pela Cavalo de Ferro. Premiado com o Pulitzer em 1993, parece ter uma história estranha:

Uma sequência súbita de acontecimentos vai alterar a vida de Quoyle.

A sua mulher morre com o amante num acidente de automóvel, os pais suicidam-se, e Quoyle vê-se subitamente sozinho com duas filhas e sem emprego. Neste momento conturbado, a sua tia Agnis convence-o a largar o pouco que tem, e regressar a Newfoundland, a terra originária da família.

Ao longo deste primeiro Inverno em Newfoundland, Quoyle, as filhas e a tia, confrontam-se com os seus próprios demónios e navegam entre catástrofes e pequenos triunfos. Quoyle descobre mistérios negros e lendas na família, luta para redescobrir a sua força interior e é surpreendido pelos diferentes nós da amizade e do amor.

Ali, Quoyle consegue um lugar no jornal local, o Gammy Bird, especializado em parangonas sexuais e acidentes de carros. Quoyle fica encarregue das notícias do porto e do mar.

Os restantes são comics – V for Vendetta dispensa apresentações. Após ver o filme no cinema, quis comprar o volume, mas o tradicional aspecto de comic que possuem as ilustrações não me atraem – papel fraquinho, com imagens de cores esbatidas. Eu gosto mais de comics de papel lustroso, ilustrações de página inteira que chocam o cérebro com desenhos fabulosos. Ainda assim, a oportunidade de adquirir V for Vendetta a baixo preço surgiu na feira do livro, e aproveitei.

The Looking Glass Wars, da autoria de Frank Beddor tem o aspecto gráfico que eu gosto. Depois de o adquirir, fui investigar a origem do livro – a história é inspirada nos dois mais conhecidos livros de Lewis Carrol, Alice’s Adventures in Wonderland e Through the Looking Glass, apresentando uma versão alternativa.

Finalmente, Conan and the Midnight God é um dos volumes que constituem uma série da Dark Horse, com a adaptação da personagem de Robert E. Howard.

Adam Roberts é o escritor responsável por vários livros miniatura como The Soddit, ou The McAtrix Derided que têm como objectivo brincar com obras como The Hobbit ou The Matrix (respectivamente). Estas paródias são escritas sob vários pseudónimos, A.R.R.R. Roberts, A3r Roberts ou Don Brine.

Para além destes livros, Adam Roberts escreve Ficção Científica sendo talvez mais conhecido por livros como Salt ou Gradisil, obras nomeadas para o prémio Arthur C. Clarke. Stone, publicado na recentemente lançada colecção Totally Space Opera da Gollancz, apresentou-se-me como um livro atraente não só pela colecção da qual faz parte, como também pela premissa.

O Mundo é perfeito. Ou quase. Os t’T dominam a tecnologia – são capazes de realizar viagens acima da velocidade da luz e de viver centenas de anos graças à nanotecnologia. Estas pequenas máquinas são responsáveis pela manutenção do corpo dos seres humanos até ao penúltimo detalhe – o cérebro, órgão responsável pela consciência humana é o único local ao qual não têm acesso.

Ae é o único criminoso conhecido desta civilização extremamente evoluída, uma aberração viva, uma raridade quase digna de museu. Aprisionado dentro de uma estrela, tem apenas como companhia a carcereira e o seu companheiro. É esta que lhe retira a nanotecnologia, o que significa torná-lo um ser humano mortal em rápido envelhecimento, com dores e lacunas físicas visíveis.

A capacidade de matar outros seres humanos torna Ae único e valioso aos olhos dos seus empregadores que pretendem eliminar a vida humana de um planeta inteiro, sem no entanto divulgarem a sua identidade ou a razão do crime. Tratam no entanto, de o libertar e de lhe fornecer os meios para cumprir a sua missão.

O facto de nos descreverem uma sociedade paradisíaca sem crimes, desprovida de ambições e repleta de hobbies é algo que desperta a ironia no leitor e quase promete uma obra medíocre – não fosse a personagem principal ser um esquizofrénico assassino, que desenvolve AI’s no cérebro e se envolve em teorias da conspiração para descobrir quem são os seus empregadores.  Ae não tem remorsos nem simpatia pelos seus semelhantes.

Os mundos que nos são dados a conhcer, assim como os detalhes sociais são interessantes – mas é a personagem principal a força motora da história. Por outro lado, a acção é uma constante que nos deixa pouco espaço para pensar seriamente nas cenas de violência crua que se desenrolam.

A premissa da história possui vários defeitos quando analisada cruamente, mas a maioria destes não são visíveis durante a leitura, tendo sido por isso que Stone se encontra entre os livros de FC que mais apreciei nos últimos tempos.

Em Dark Roasted Blend foi reunido um enorme conjunto de fotos a estátuas estranhas espalhadas por várias cidades de todo o Mundo. Nestas fotos podem ver de tudo, personagens de livros, representações irónicas: um anjo a descansar, um Nazgul sentado ou um homem a sair dos esgotos.

Vale a pena ver o conjunto. E em Portugal, será que também temos estátuas fantásticas destas?

À semelhança do mês passado, foram disponibilizados mais três livros, no mesmo local:

  • Weapons of Choice - John Birmingham
  • Elric: The Stealer of Souls – Michael Moorcock
  • Kiss of Midnight – Lara Adrian

Dos três, apenas Elric, de Moorcock me era conhecido.

Weapons of Choice parece ser um livro algo bizarro. Caracterizado como um thriller com altas injecções de tecnologia, é o primeiro volume de uma trilogia que utiliza como personagens secundárias vários escritores conhecidos como Harry Turtledove, Tom Clancy ou Garth Nix. No mínimo, curioso.

Kiss of Midnight, de Lara Adrian, parece ser mais um exemplar de Fantasia Urbana, apresentando paixões ardentes com vampiros.

Por último, mas mais interessante, é a disponibilização de Warbreaker no próprio site do autor Brandon Sanderson, o escritor escolhido para completar a série de livros de Robert Jordan. Existem várias versões para download, que correspondem às várias edições do manuscrito.

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2009-03-14

2009-04-11

Richard Matheson é mais conhecido como o autor de I Am Legend, obra adaptada para cinema pelo menos três vezes, a última protagonizada por Will Smith no papel de Neville.

Ao contrário da personagem apresentada no filme, Neville é, no livro, um homem atormentado, imune à doença pela mordida de um morcego. Segundo o livro, os humanos não se tornaram semelhantes a zombies, mas sim em vampiros que dormem em casas fechadas durante o dia, e que Neville se dedica a matar pacientemente.

Em The Shrinking Man não existem vampiros, zombies ou monstros sobrenaturais de qualquer género. Tal como I Am Legend, The Shrinking Man centra-se num homem que, sozinho, tem de enfrentar os seus pesadelos reais.

Scott Carey é um homem vulgar que tenta sustentar a sua família como qualquer pai dedicado, até reparar que, todos os dias, decresce vários centímetros. Quando confronta a esposa com o óbvio, a reacção desta é a incredibilidade e a negação. Nos dias seguinte Scott sujeita-se a médicos e análises profundas que confirmam o encolher diário do seu corpo, sem que seja encontrado qualquer remédio ou tratamento.

Cada vez mais pequeno, vê-se gradualmente impossibilitado de seguir uma vida normal: dispensado do trabalho, distanciado da esposa e de diminuída respeitabilidade perante os olhos da filha bebé. Por fim, fica isolado no seu pequeno mundo, onde a cada busca por comida ou água enfrenta uma temível aranha viúva negra.

Se I Am Legend tinha sido um livro que impressionava pela descrição de horrores e pela presença constante de vampiros hediondos, The Shrinking Man baseia-se na exploração de um acontecimento – o dia-a-dia de homem adulto que se vê decrescer inevitavelmente, perdendo pouco a pouco o lugar que ocupa na sociedade, impotente para lutar contra um adulto abusador ou um grupo brigão de crianças.

De leitura fácil, recomendaria The Shrinking Man a quem deseje ler Ficção Científica, sem naves espaciais ou tecnologias futurísticas, mas um clássico que relembra livros como The Invisible Man (H. G. Wells) ou The Curious Case of Benjamin Button (F. Scott Fitzgerald).

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