


The Fifth Head of Cerberus de Gene Wolfe, é a leitura próxima leitura proposta, a terminar a 21 de Julho.
Junho 28, 2009



The Fifth Head of Cerberus de Gene Wolfe, é a leitura próxima leitura proposta, a terminar a 21 de Julho.
Junho 27, 2009
O nome Christopher Barzak apareceu-me pela primeira vez entre os autores dos livros da lista preliminar de nomeados para o prémio Nebula. O livro, One for Sorrow. A descrição disponível na net indicava uma obra com laivos fantásticos um pouco diferente do que é habitual, criada em resposta a The Catcher in the Rye:
Part thriller, part ghost tale, part love story, One for Sorrow is a novel as timeless as The Catcher in the Rye and as hauntingly lyrical as The Lovely Bones. Christopher Barzak’s stunning debut tells of a teenage boy’s coming-of-age that begins with a shocking murder and ends with a reason to hope.
Nomeado para uma série de prémios pouco conhecidos, One for Sorrow é a primeira obra de Christopher Barzak. Curiosa, comprei o segundo livro do autor, The Love We Share Without Knowing, acessível nos vendedores que costumo utilizar.
Também com uma componente sobrenatural (fantasmas), The Love We Share Without Knowing explora os relacionamentos amorosos e as amizades que se estabelecem entre americanos ou ingleses que decidem viver durante algum tempo no Japão, e os nativos.
Em todos os casos existe decididamente um choque cultural – a subtileza do japonês contrasta com a frontalidade ocidental, e ainda que a princípio pareça fácil conhecer novas pessoas, estas desaparecem tão facilmente quanto aparecem, satisfeita a curiosidade.
Cada capítulo é uma história que se interliga com as restantes, contando várias perspectivas de uma mais complexa e que envolve várias personagens. Um dos temas bastante referido é o suicídio, mais especificamente o colectivo; assim como a solidão numa multidão.
Na primeira história, um jovem americano é obrigado a mudar-se para o Japão com a família e numa das viagens à cidade conhece uma rapariga vestida de rapousa, Midori. Quando tenta, no dia seguinte, re-encontrá-la em casa, descobre pelo pai que Midori se suicidou vários anos antes.
O suicídio de Midori não é o único de que tomamos conhecimento, e anos depois a melhor amiga de Midori participa num suicídio colectivo. Os participantes são pessoas que não descobriram qualquer sentido para a vida que levam, nem estabeleceram relações duradoiras que os satisfaçam. Ao londo das várias histórias vamos conhecendo cada um, directa ou indirectamente, por relato em primeira mão, ou por observação de um amigo ou amante.
Alguns dos conceitos culturais revelados em The Love We Share Without Knowing são-me completamente alienígenas – a crença de que uma mulher se não casa até aos trinta está acabada, a existência de profissões destinadas ao sexo feminino, a forma como as pessoas evitam confrontos emocionais ou como se preocupam mais com o pensamento dos vizinhos do que com o sentimento dos familiares. Se algumas ideias parecem saídas de uma sociedade medieval, outras parecem provir de uma do século XXI.
Talvez por isso, aquilo que mais senti durante o livro foi estranheza – algumas passagens são belíssimas, outras são algo decepcionantes pelo resultado do confronto entre culturas. Nalguns casos parece existir eternamente uma barreira composta de expectativas e preconceitos que impede a correcta comunicação entre as pessoas – uma pré-formatação da mente que tenta encaixar os novos conhecimentos naqueles que já possui. Este foi o facto mais arrepiante das histórias – não os suicídios ou os fantasmas; mas a incapacidade de ver o outro através do filtro que cada mente estabelece, algo que acontece diariamente, inclusive entre pessoas da mesma cultura.
Não se tornou um dos meus livros favoritos, mas deixou-me um espaço para reflexão e talvez faça aquilo que raramente faço com um livro – repetir a leitura. Não é um livro de fadas e dragões, e muito menos alegre – possui alguma melancolia e tristeza mas também amor e alegria, como não podia deixar de ser num livro que explora os relacionamentos humanos.
Junho 25, 2009
The Atrocity Exhibition é uma das obras mais controversas de J. G. Ballard, um dos mais conhecidos escritores ingleses de Ficção Científica. Recentemente falecido, resolvi-me a adquirir algumas das suas obras e talvez tenha começado a ler pelo livro errado.
The Atrocity Exhibition é um conjunto experimental de pequenas histórias, cujas partes possuem títulos como Why I Want to Fuck Ronald Reagan ou Love and Napalm: Export USA, e cuja premissa de um conto terá sido aproveitada e expandida para escrever Crash, um dos livros mais conhecidos do autor.
Experimental talvez seja realmente a melhor palavra que define The Atrocity Exhibition, um livro composto por vários fragmentos de histórias, algumas que se intercalam, sem ordem nem sequência lógica, outras que permanecem isoladas e quase descontextualizadas. Estes fragmentos reflectem, por vezes, a mente de um médico demente, que encena, vezes sem conta, a morte de figuras públicas ou pessoas mais próximas, talvez para lhes dar algum sentido.
Entre esses pedaços de histórias, lemos a ideia que supostamente irá dar ideia a Crash - a sensualidade de um desastre de automável, o acto simbólico do coito num embate de metal, a transposição da derradeira barreira que afasta dois amantes.
No final, vi-me a acelerar a leitura, não por estar ciosa pelo final (que na realidade não existe neste conjunto pouco coeso de pedaços), mas porque não apreciei este género de escrita ou disposição de pensamentos. Decididamente, não me captou e nada tem a ver com as atrocidades descritas que me passaram ao lado, friamente, sem acordar qualquer sentimento relevante. Talvez não seja o meu género de livro.
Junho 23, 2009
O Último Unicórnio será, sem dúvida, um dos livros mais conhecidos de Peter S. Beagle e o único, até agora, que tive oportunidade de ler.
We Never Talk About My Brother é um daqueles livros cujo título não me fascina – lembra-me demasiado algum romance trágico, sentimental, meloso e cor-de-rosa. Não é o caso. Na realidade é uma pequena antologia de contos com pitadas fantásticas, pequenas histórias fascinantes e originais aconselháveis a qualquer leitor do género.
O livro abre com Uncle Chain and Aunt Rifke and The Angel, o conto responsável pela ilustração da capa e que conta como um anjo desce à terra para servir de inspiração a um pintor. Apesar das asas o anjo nem sempre se comporta angelicamente e em busca do quadro perfeito o tio do narrador pinta quadro após quadro, com obsessão crescente.
Segue-se o conto que dá nome ao livro, We Never Talk About My Brother, que narra como um rapaz se apercebe que o irmão mais novo poderá controlar a ordem dos acontecimentos, fazendo morrer alguém no passado ou provocando imensas catástrofes, a seu belo prazer, por vingança ou ciúme.
The Tale of Junko and Sayuri é a terceira história e uma das mais fascinantes do livro, contando como um jovem de classe baixa se eleva na sociedade feudal japonesa e arranja uma esposa com a capacidade de se transformar em qualquer animal.
King Pelles The Sure foi outro dos contos que se realçou – num reino estável e próspero, o rei anseia por canções bélicas que imortalizem o seu nome. Para tal terá de ser induzida uma pequena guerra, uma pequena escaramuça com um vizinho fraco. Não conta, no entanto, com o ciúme dos restantes reinos circundantes que rapidamente tecem alianças contra ele.
Para além destas histórias, um americano transforma-se gradualmente num francês de gema, um fantasma força o morador da casa para um duelo (mas tomando como arma, poemas), um fugitivo encontra esconderijo junto de um velhote com estranhos poderes e um poema relata a história por detrás das Tapecearias do Unicórnio. Estes contos quase que seriam histórias normais não fosse algum elemento perturbador que pode conferir ironia, tragicidade ou apenas estranheza.
Concluindo, apesar da impressão inicial conferida pelo título, o conjunto de histórias revelou-se original e interessante, conseguindo fazer-me lembrar num ou outro conto um dos meus autores preferidos de histórias curtas, Zoran Zivkovic.
Junho 22, 2009
Os Mythopoeic Award são escolhidos pelos membros da Mythopoeic Society, e seleccionados por um comité da mesma sociedade. Esta possui como objectivo a promoção do estudo, discussão e entusiasmo pela literatura fantástica ou mitológica.
O prémio possui quatro categorias (Adult Literature, Children’s Literature, The Mythopoeic Scholarship Award in Inklings Studies e The Mythopoeic Scholarship Award in Myth and Fantasy Studies).
Entre os vencedores dos anos anteriores encontram-se autores como Peter Beagle, Michael Bishop, Tim Powers, Patricia A. McKillip, Susanna Clarke ou Neil Gaiman.
Os nomeados deste ano foram já anunciados.
Adult Literature
Children’s Literature
Neil Gaiman, The Graveyard Book (HarperCollins)O nome dos vencedores será conhecido na Mythcon XL, a realizar entre os dias 17 e 20 de Julho.
Junho 21, 2009
Mindbridge foi o meu primeiro livro de Haldeman, um autor muito referenciado, mas do qual me tinha mantido afastada até agora. Enquadrado dentro da ficção científica militar, com títulos como Forever War (Guerra Sempre pela Europa-América), War Year ou Camouflage, os livros de Haldeman pareciam afastar-se bastante do meu género de leitura e foi com surpresa que me vi a apreciar Mindbridge.
A história centra-se numa personagem masculina algo estereotipada, um homem duro com tendência para a violência, extremamente inteligente sem cair na esquizofrenia – Jacque LeFavre. Filho de um físico, facto que irá marcar toda a sua vivência, Jacque constitui parte de uma equipa de reconhecimento, que explora novos mundos potencialmente habitáveis.
As viagens à velocidade da luz são ainda um sonho, mas graças a um acidente científico, descobriu-se uma espécie de teletransporte que permite viajar instantaneamente para um determinado local, durante um período de tempo limitado. Decorrido esse tempo, os viajantes reaparecem no local de origem. Todos os objectos que transportem consigo irão desaparecer após o mesmo tempo que durou a viagem.
Numa das primeiras explorações de Jacque são descobertos seres aparentemente simples, mas que conferem, a quem lhes toca, fortes capacidades telepáticas. Possuem também a capacidade de se defenderem, podendo induzir a morte aos seres humanos que pretendam magoá-los. Estes pequenos seres não são o único imprevisto nas explorações humanas, e será encontrada uma outra espécie sapiente mas violenta, os L’vrai.
Um dos aspectos que me cativou desde o início de Mindbridge foi a escrita – concisa, sem se perder por deambulações demasiado filosóficas, ainda que tenha algum (pequeno) espaço de meditação, carregado de discurso directo e intercalado por gráficos e esquemas explicativos (nada de complexo). Algumas das hipóteses científicas são engraçadas, assim como as histórias paralelas que podemos encontrar dentro da história principal, um aspecto que costuma elevar a minha opinião por conferir alguma consistência.
Após a leitura e dado algum distanciamento crítico da história, verifico que alguns factos podem ser considerados forçados – Jacque tem algumas características especiais enquanto ser humano e está no local certo na hora certa, o tipo de experiências que são realizadas com seres alienígenas ou o modo como são conduzidas as expedições.
Nenhum destes aspectos nublou o meu gozo pela leitura, e no final ficou a sensação de um bom livro de ficção científica muito diferente do que esperava. Talvez um estímulo em pegar em mais alguma coisa de Joe Haldeman.
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No âmbito do Círculo de Leibowitz podem encontrar outras críticas ao livro:
Junho 20, 2009
Sunless Countries, de Karl Schroeder é o quarto volume da trilogia Virga, que se iniciou com o Sun of Suns e que melhorou no segundo, Queen of Candesce. Sim, não me enganei – quarto volume da trilogia. Sunless Countries constitui, segundo o autor, um livro isolado que poderá ser lido independentemente, ainda que decorra no mesmo Mundo que Virga.
A série decorre num mundo gasoso em que as nações se constroem em torno de sóis artificiais e o poder é determinado pelo acesso à gravidade e à luminosidade das estrelas artificiais. Sunless Countries decorre exactamente nas nações que a luz solar nunca atingiu:
In an ocean of weightless air where sunlight has never been seen, only the running lights of the city of Sere glitter in the dark. One woman, Leal Hieronyma Maspeth, history tutor and dreamer, lives and dreams of love among the gaslit streets and cafés. And somewhere in the abyss of wind and twisted cloud through which Sere eternally falls, a great voice has begun speaking.
As its cold words reach even to the city walls—and as outlying towns and travelers’ ships start to mysteriously disappear—only Leal has the courage to try to understand the message thundering from the distance. Even the city’s most famous and exotic visitor, the sun lighter and hero named Hayden Griffin, refuses to turn aside from his commission to build a new sun for a foreign nation. He will not become the hero that Leal knows the city needs; so in the end, it is up to her to listen, and ultimately reply, to the worldwasp.
The Very Best of Gene Wolfe é um dos próximos lançamentos da PS Publishing, um volume que reúne algumas das melhores e mais conhecidas obras, cerca de 32 histórias, de entre as quais se destacam:
Para os aficcionados em histórias de zombies, a Subterranean Press lança The New Dead, uma colectânea ilustrada com histórias de autores de vários géneros, desde mainstream, fantasia, mistério, histórico e claro, horror.
Entre os autores podemos encontrar Joe Hill, Tad William, David Liss, Tim Lebbon e Kelley Armstrong.
The 21st century has brought an explosion of interest in zombie stories. Tales of death and resurrection have never been so popular, from massive bestsellers like Max Brooks’ World War Z to dozens of young adult novels to comic book series like Robert Kirkman’s The Walking Dead and films like Shaun of the Dead. George A. Romero may have spawned the last century’s “modern” zombie story with Night of the Living Dead, but four decades have passed since then. So what accounts for the current zombie craze?
That is the question that the contributors to The New Dead were asked to ruminate upon while writing the stories in this volume. Do we turn to tales of intimacy with death to deal with its constant presence in our media and our lives? Do zombie stories provide a way to process our feelings about the horrors of war and torture? Or is it merely that death is the final frontier available to us in this new millennium, and we cannot help but explore?
Pela Dalkey Archive Press chega-nos chega-nos uma obra checa de Michal Ajvz – uma história em que a cidade de Praga é populada por fantasmas, animais que falam ou estátuas impossíveis – The Other City.
Este é daqueles livros que após ler a descrição, entrou directamente para a minha Wishlist:
The Other City is a guidebook to this invisible, “other Prague,” overlapping the workaday world: a place where libraries can turn into jungles, secret passages yawn beneath our feet, and waves lap at our bedspreads. Heir to the tradition and obsessions of Jorge Luis Borges, as well as the long and distinguished line of Czech fantasists, Ajvaz’s Other City—his first novel to be translated into English—is the emblem of all the worlds we are blind to, being caught in our own ways of seeing.
Junho 19, 2009
Obras como Perdido Street Station, The Scar ou Iron Council são conhecidos exemplos do género New Weird, um recente movimento literário que inclui, para além de China Mieville, autores como Jeff Vandermeer, John Harrison ou Mark. Z. Danieleewski.
Para além de Iron Council, tinha lido já, de China Mieville, Un Lun Dun, um livro mais suave e infantil que fala de uma cidade reflexo de uma outra cidade, Londres, onde a lógica que rege o nosso Mundo não se aplica. The City & The City é algo semelhante, mas ao contrário de Un Lun Dun, Neverwhere (de Neil Gaiman) ou The Secret History of Moscow (de Ekaterina Sedia) não se baseia na existência de uma cidade por detrás de outra, mas na sobreposição de duas cidades, em que ambos os lados são visíveis, mas os habitantes se ignoram mutuamente.
Beszel e Ul Qoma são os nomes das duas cidades que coexistem espacialmente, mas com línguas, costumes e economias bem distintas, separadas por um fenómeno difícil de explicar designado como “The Breach” – uma entidade que supervisiona e garante a separação das duas cidades (excepto em pontos chave, neutros), castigando aqueles que quebram as regras e por mais do que segundos, interajam com algo que pertença à outra cidade.
É na cidade menos desenvolvida e mais pobre, Beszel que se inicia a história – o corpo de uma jovem estrangeira é depositado num terreno baldio por uma carrinha que se suspeita ter provido de Ul Qoma. Tyador Borlú é o inspector da polícia chamado para resolver o crime, que cedo se apercebe da influência de forças superiores e se vê obrigado a viajar até Ul Qoma, em busca de pistas.
Ao contrário de algumas críticas que li, não achei que The City & The City fosse genial – é engraçado, bem escrito, interessante, mas faltou-lhe algo que me cativasse por completo, como aconteceu com The Iron Council. Talvez porque este último continha uma fatalidade sombria e uma estranheza fascinante que me fizeram querer ler rapidamente o livro ainda que não seja um page turner carregado de acção. The City & The City possui ainda um teor policial que achei, estranhamente, demasiado inocente.
Junho 13, 2009
Depois do sucesso de A Sombra do Vento, a Dom Quixote publica O Jogo do Anjo, um romance que decorre no mesmo espaço (Barcelona), numa época anterior mas com algumas das mesmas personagens secundárias.
O romance inicia-se com um parágrafo enigmático, cujo sentido apenas é percebido na totalidade, após o final da história:
Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita umas moedas ou um elogio a troco de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente no sangue o doce veneno da vaidade e acredita que, se conseguir que ninguém descubra a sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de lhe dar um tecto, um prato de comida quente ao fim do dia e aquilo por que mais anseia: ver o seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente lhe sobreviverá. Um escritor está condenado a recordar esse momento pois nessa altura já está perdido e a sua alma tem preço.
Estas palavras devem-se à personagem principal, Martin, um jovem que trabalha num jornal onde começa a publicar pequenos textos, protegido por Pedro Vidal, um homem poderoso na cidade de Barcelona. A mãe de Martin terá abandonado a família vários anos antes aquando do retorno do marido da Guerra – um soldado entorpecido que da vida apenas conhece a bebida e a morte, e que após saltitar entre vários empregos aos quais não se adapta, morre às portas do jornal La Voz de La Industria como segurança.
Martin ganha o seu próprio sustento no mesmo jornal, onde as suas capacidade literárias cedo o tornam alvo do ciúme dos colegas. Pedro Vidal acaba por lhe conseguir um contrato com uma editora que lhe permitirá viver da escrita: aproveitando a avultada soma de dinheiro que consegue pelos seus livros, arrenda uma austera mas temida casa, que consigo traz fantasmas do passado. Apaixonado pela secretária de Vidal, Cristina, a vida de Martin resume-se a ansiar pela sua atenção e em escrever mais livros, ao mesmo tempo que é assediado pelo dono de uma editora francesa para um projecto especial.
Na casa onde habita terá vivido há vários anos um outro escritor, apaixonado por uma artista de origens duvidosas, que terá conhecido o dono da mesma editora francesa, e terá sido contratado para pertencer ao mesmo projecto especial. Nos quartos há muito fechados existem fotos perturbantes e a curiosidade fará Martin iniciar uma investigação em torno dos antigos habitantes da casa.
Em O Jogo do Anjo não só retornamos ao cemitério dos livros tão falado em A Sombra do Vento, como conhecemos um Sr. Barceló mais novo e as gerações anteriores da família Sempere, ainda que aqui tenham um papel secundário. Para além das personagens, a história de Martin recorda levemente a do escritor investigado por Daniel Sempere, Julian Carax.
Apesar de algumas semelhanças O Jogo do Anjo pareceu-me uma história mais madura onde encontro dois pontos fracos: Martin é um jovem que deixa passar a vida demasiado facilmente; e o sobrenatural tem um forte papel nos acontecimentos.
Para além destes dois pontos, fiquei positivamente surpreendida pela diferença de tom entre os dois livros - Martin torna-se uma personagem caústica em cuja boca as verdades são, por vezes, disparadas de forma crua; e algumas das personagens revelam-se algo muito diferente do que estávamos à espera. Reinam as aparências, a cobardia e o sentimento de culpa por acções passadas e os descendentes nem sempre poderão desligar-se do passado familiar. Deixa-se de parte a inocência ainda que as intenções sejam boas.
Esta é, sem dúvida, uma história mais negra que A Sombra do Vento, mas onde também os livros possuem um papel fulcral no desenrolar dos acontecimentos. Talvez por isso tenha gostado imenso da história, ainda que de forma diferente do primeiro livro que li do autor.
Junho 12, 2009
Após a leitura do volume 1 de Preacher (Gone to Texas) continuei pelos volumes 2 e 3 que retratam as aventuras de Preacher, namorada e amigo em busca de Deus. Infelizmente chamam a atenção de poderosos grupos religiosos e não religiosos que pretendem aproveitar-se das capacidade de Preacher ou eliminá-los por alguma ofensa passada.
Em Proud Americans (volume 3) tinha-se já reservado um pequeno espaço para explicar a origem de Cassidy(And Justicy for All), o vampiro que acompanha as aventuras de Preacher – uma versão interessante da vida de alguns irlandeses que emigraram para os Estados Unidos no início do século XX.
O volume 4 de Preacher, Ancient History, continua com a mesma premissa, explorando as histórias paralelas de algumas personagens que conhecemos nas aventuras anteriores – Saint of Killers, You-Know-Who, The Good Old Boys.
Saint of Killers terá sido um homem duro, um cowboy de sangue frio que participou em várias guerras onde se torna lendário pela quantidade de homens que mata. Mas até os homens mais duros conhecem o amor, e Saint of Killers conhece uma mulher capaz de o amar. Claro que a história de tal personagem nunca poderia ter terminado bem e após a morte da família por causa de uma febre, o ódio e a vontade de matar aqueles que atrasaram a obtenção do remédio apoderam-se de Saint of Killers.
You-Know-Who é o jovem Root de cara desfeita que conhecemos em Gone to Texas, o filho de um Xerife do Texas cuja mente está condicionada por uma moral duvidosa mas implacável – o racismo, a crença nos extraterrestres negros que raptam pessoas, a imagem de um pai / marido que mantem a ordem em casa pela força da pancada. Numa vila de interior Root não é considerado muito normal – ouve Nirvana, fuma charros e não se interessa por desportos como o Basebol ou o Futebol Americano.
Finalmente, The Good Old Boys retrata uma das aventuras de Jody e T.C., dois capangas da avó de Preacher (Ms. L’Angelle), que tinhamos já encontrado em Proud Americans. Nesta pequena história assistimos às façanhas de Jody, um jovem musculado e implacável, acompanhado por T.C., um maluco perverso a quem qualquer buraco poderá servir para se aliviar sexualmente – incluindo animais mortos. Quando encontram o típico casal de polícia e ex-modelo detective, Jody decide divertir-se à custa do polícia e aproveitar a companhia da jovem que de loira típica tem tudo.
Este é um volume que pode ser lido independentemente, contendo três histórias bastante interessantes e diferentes – a primeira é trágica, apesar de ter alguns elementos irónicos no final que aliviam a história; a segunda é também trágica, mas com traços de ridículo pelo estereótipo de uma família de costumes rígidos com o macho é a lei; a terceira é leve e cómica, mas de uma forma bastante inteligente.
Junho 11, 2009
Depois de Bocca, COP’3 e Faz Figura, seguiram-se outros dois restaurantes – L’Appart e Eleven.

O primeiro encontra-se dentro do Hotel Tiara, perto do Parque Eduardo VII – um restaurante que prima no luxo na decoração, na simpatia e na discrição dos empregados. A comida, pataniscas de camarão com arroz de feijão também foi muito apreciada por todos, assim como a sobremesa. O ambiente e a decoração recordam o interior de uma casa austera, com livros nas estantes e mesas isoladas em recantos.

Mas o auge de todos os restaurantes terá sido o Eleven – vista esplendorosa sobre o Parque Eduardo VII e rio Tejo, um serviço impecável e uma refeição muito agradável – desde os pãezinhos de tomate e azeitonas, ao frango recheado com requeijão e ervas e batata gratinada (se não me falha a memória para a descrição do prato).
Finalizando, a experiência Lisboa Restaurant Week permitiu experimentar uma série de restaurantes excelentes. De todos o Eleven é aquele ao que mais facilmente voltarei para uma refeição especial, ainda que o Faz Figura e o L’Appart me tenham deixado boas recordações. O COP’3 não é mau, mas comparativamente aos três assinalados é mais fraco e por último, o Bocca que foi, sem dúvida, a pior experiência, destacando-se pela falta de qualidade do serviço.
Junho 10, 2009

Há cerca de um mês a Bis lançou um pequeno concurso no âmbito do Dia Mundial do Livro, em que o prémio seria um exemplar à escolha da colecção Bis. O escolhido foi Alice no País das Maravilhas, que se encontra no topo da pilha de livros. Por alguma razão Alice no País das Maravilhas era uma história que com a qual nada simpatizava quando pequena – simplesmente odiei o gato (irritante), o coelho stressado e nunca consegui simpatizar com a rapariga de nome Alice. Do desenho animado é esta a recordação que me ficou, mas com os anos li algumas coisas interessantes sobre o livro que me despertaram a curiosidade.
Iron Angel é o segundo volume de uma trilogia iniciada com Scar Night, um livro engraçado de fantasia que retrata a vida de um jovem anjo, o último da sua espécie e um fraco sucessor à temida imagem do pai. Recordo Scar Night como um livro cujo final estragou em parte a história, o que talvez tenha sido remediado em Iron Angel.
O livro que deu origem ao filme Blade Runner, tem como título Do Androids Dream of Electric Sheep? – um título curioso para uma obra que, grande falha minha, nunca li. Finalmente após algumas tentativas em adquirir em inglês, decidi-me a aproveitar uma encomenda para o incluir.
De Mr Weston’s Good Wine não tenho grande ideia sobre o que vai sair, a não ser que se trata de uma estranha alegoria religiosa (conforme indicam todos os comentários que li ao livro):
“Mr Weston’s Good Wine” is the unusual tale of the struggle between the forces of good and evil in a small Dorset village. Its action is limited to one winter’s evening when time stands still and the bitter-sweet gift of awareness falls upon a dozen memorable characters. During the book a child knocked down by his car is miraculously brought back to life; the sign ‘Mr Weston’s Good Wine’ lights up the sky; and the villagers soon discover that the wine he sells is no ordinary wine.
Ballard é dos autores mais conhecidos de Ficção Científica, outro daqueles cujo trabalho desconheço e que resolvi adquirir. Tanto The Atrocity Exhibition como Crash são duas das suas obras mais controversas. O primeiro é um conjunto experimental de pequenas histórias, cujas partes possuem títulos como Why I Want to Fuck Ronald Reagan ou Love and Napalm: Export USA. O segundo, Crash, explora o fetiche com acidentes de carros, em que as personagens sentem estímulo sexual quando participam em acidentes automobilísticos. No mínimo, estranho. The Atrocity Exhibition é o livro que estou a ler de momento e a experiência é totalmente alienígena – ainda não sei o que pensar do que estou a ler, talvez no final.
The Love We Share Without Knowing é o segundo livro de Christopher Barzark, lançado em 2008 e alvo de excelentes críticas até ao momento. O primeiro, One for Sorrow, tinha-me deixado curiosa, mas não o sufiente. Algumas críticas positivas ao segundo livro levaram-me a dar uma oportunidade ao autor supostamente do género fantástico, ainda que os títulos recordem romances lamechas.
The Girl with Glass Feet é um pequeno romance pouco usual com pitadas de fantasia – engraçado e de leitura rápida, mas nada de espectacular. Uma jovem vê os seus pés transformarem-se gradualmente em vidro, e atrás deles os calcanhares…. Em busca de um remédio procura um homem que lhe terá falado de uma doença semelhante, e para tal origina um mar de encontros que desenterram memórias passadas.
De Peter Beagle apenas li The Last Unicorn, uma história que tem menos de conto de fadas do que parece, em que as personagens sofrem uma evolução interessante na história de contornos por vezes satíricos. We Never Talk About My Brother é o mais recente livro de Peter Beagle, uma colectânea de contos:
Modern parables of love, death, and transformation are peppered with melancholy in this extraordinary collection of contemporary fantasy. Each short story cultivates a whimsical sense of imagination and reveals a mature, darker voice than previously experienced from this legendary author.

The Best of Michael Moorcok pretende reunir os melhores contos e histórias curtas de um autor que dispensa apresentações, propondo-se a revelar um autor um pouco diferente do do famoso Elric. Uma listagem de conteúdos pode ser consultada no site oficial da editora.
Beyond Armageddon é o primeiro livro de uma colecção com o mesmo nome, onde se incluem outras obras como Last Man (Mary Shelley) ou The Queen of Springtime (Robert Silverberg). O livro em questão é um conjunto de contos de diversos autores em torno de uma única premissa – a vida depois de uma guerra nuclear. Entre os autores dos contos podemos encontrar Poul Anderson, Carol Emshwiller, Ballard, Michael Swanwick ou Ray Bradbury.
Chegamos então à secção de BD’s e Comics, The Complete Maus, Joker e o terceiro volume de Dark Tower. Maus retrata a luta pela sobrevivência do pai de Spiegelman durante o Holocausto e todas as personagens são representadas por animais (por exemplo, os judeus são ratos).
Junho 8, 2009
Estrela distante é um dos livros escrito por Roberto Bolano, autor chileno que após a morte parece ter-se tornado uma celebridade em ascensão, com a publicação do seu romance incompleto, 2666. Se este último é um calhamaço de 1000 páginas, Estrela distante é exactamente o oposto – um livro fino que não chega a contar as 160.
A história centra-se na observação de um aspirante a poeta, um auto-didacta que comparece a encontros de poetas que se torna amigo apenas dos membros do género feminino, principalmente das gémeas Garmendia: Alberto Ruiz-Tagle. Personagem dúbia, Alberto destaca-se por parecer um homem culto e talvez talentoso, cujos poemas se caracterizam como impessoais e distantes.
Com o desenrolar da história, observador e observado separam-se, mas através de relatos de amigos é-nos revelada uma outra face de Alberto, um homem de crenças obscuras e múltiplas capacidades, a quem são atribuídos alguns dos actos mais hediondos praticados durante o Regime de Pinochet.
Estrela distante é mais do que um romance em torno de uma personagem complexa, é também o relato indirecto da vida sob o regime ditatorial chilena e a permanência dos fugitivos e exilados na Europa, chegando a ser, até uma crítica ao Chile.
Este é, no mínimo, um livro estranho, onde a par com a observação de uma personagem dúbia se relatam pequenos episódios cuja ironia apenas poderia ser captada por um bom observador – como um maluco que poderia ter fugido no momento certo, não fosse maluco. Talvez por ser um livro tão pequeno, gostei, mas não me fascinei – ficou a curiosidade em ler algo mais do autor.
Junho 7, 2009
O Faz Figura foi o terceiro restaurante escolhido, desta vez para jantar durante a semana. Ao lado do Hospital da Marinha, possui uma excelente vista sob o rio Tejo, que não pudemos usufruir pela hora adiantada. A decoração é simples, mas confortável e pode ser visualizada numa tour virtual e o serviço foi impecável.

O menu, esse, era variado e dava a possibilidade de escolher de entre vários pratos. Para entrada tínhamos
O prato principal era escolhido de entre estes
Finalmente, a sobremesa:
Todos os pratos escolhidos (a italico) estavam impecáveis, e o ponto fraco terá sido apenas o arroz do caril vermelho. Por sua vez, a (já mítica) sopa de morangos foi considerada por todos como o ponto forte
Junho 6, 2009
Elric – Os Mares do Destino é o título do terceiro volume de Elric, uma personagem fantástica, publicado pela Saída de Emergência durante o mês de Maio. Podem encontrar um excerto do livro no próprio site da editora.
Para além de Elric, a Saída de Emergência publicou ainda o segundo volume d’A Saga do Assassino e Marcada, o primeiro de uma saga de vampiros.
A Saga do Assassino continua a história de Fitz, um jovem assassino a serviço do rei. Esta é uma das trilogias mais conhecidas do género fantástico. Deixo-vos a sinopse e o link para o excerto:
Fitz mal escapou com vida à sua primeira missão como assassino ao serviço do rei. Regressa a Torre do Cervo, enquanto recupera do veneno que o deixou às portas da morte, mas a convalescença é lenta e o rapaz afunda-se na amargura e dor. O seu único refúgio será a Manha, a antiga magia de comunhão com os animais, que deve manter em segredo a todo o custo.
Enquanto recupera, o reino dos Seis Ducados atravessa tempos difíceis com os ataques sanguinários dos Navios Vermelhos. A guerra é inevitável e preparam-se frotas de combate para enfrentar o inimigo, mas o rei Sagaz não viverá por muito mais tempo.
Sem os talentos de Fitz, o reino poderá não sobreviver. Estará o assassino real à altura das profecias do Bobo que indicam que o rapaz irá mudar o mundo?
Marcada (excerto) é a nova aposta no género fantástico que se tornou moda após Crepúsculo, um romance juvenil sobrenatural onde vampiros co-existem com os humanos:
Zoey Redbird tem 16 anos e vive num mundo igual ao nosso, com uma única excepção: os vampyros não só existem como são tolerados. Os humanos que os vampyros “marcam” como especiais entram na Casa da Noite, uma escola onde se vão transformar em vampyros ou, se o corpo o rejeitar, morrer.
Para Zoey, apesar do medo inicial, ser marcada é uma verdadeira bênção. É que ela nunca encaixou no mundo normal e sempre sentiu que estava destinada a algo mais. Mas mesmo na nova escola a jovem sente-se diferente dos outros: é que a marca que a Deusa Nyx lhe fez é especial, mostrando que os seus poderes são muito fortes para alguém tão jovem.
Na Escola da Noite, Zoey acaba por encontrar amizade e amor, mas também mentira e inveja. Afinal, nem tudo está bem no mundo dos vampyros e os problemas que pensava ter deixado para trás não se comparam aos desafios que tem pela frente.
Deuses Americanos, de Neil Gaiman, é a aposta deste mes pela Editorial Presença. Vencedor dos prémios Hugo, Bram Stoker e Nebula foi também nomeado para o prémio da British Science Fiction e World Fantasy, sendo o livro mais premiado de Neil Gaiman.
Dentro do género fantástico, este é um livro obrigatório para os fans de Nei Gaiman:
Sombra, acabado de sair da prisão, aceita trabalhar para um estranho, o Sr. Quarta-Feira, que não é nada mais nada menos que a encarnação de um deus antigo. Por estarem a ser ultrapassados por ídolos modernos, os deuses antigos encontram-se em vias de extinção, e Sombra e Quarta-Feira têm de reunir o maior número de divindades para se prepararem para o conflito iminente que paira no horizonte. Mas esperam-nos inúmeras surpresas…
Bestseller distinguido com diversos prémios, Deuses Americanos é uma aventura onde o mágico e o mundano, o mito e o real, caminham lado a lado, levando-nos numa viagem repleta de humor ao extraordinário potencial da imaginação humana.
Foi com a trilogia de Sevenwaters que Juliet Marillier se iniciou como escritora. 9 anos depois do lançamento do terceiro volume, Marillier escreveu Heir to Sevenwaters, publicado agora pela Bertrand em Português como O Herdeiro de Sevenwaters.
Ainda que, agora, o género de fantasia de Juliet Marillier não se enquadre naquilo que costumo ler, para os que gostaram da trilogia, eis uma oportunidade para regressar a Sevenwaters.
Os chefes de clã de Sevenwaters são há muito guardiões de uma vasta e misteriosa floresta, um dos últimos refúgios dos Tuatha De Danann, as Criaturas Encantadas que povoam as velhas lendas. Aí, homens e habitantes do Outro Mundo coabitam lado a lado, separados pelo finíssimo véu que divide os dois reinos e unidos por uma cautelosa confiança mútua. Até à Primavera em Lady Aisling de Sevenwaters descobre que está grávida e tudo se transforma. Clodagh teme o pior, uma vez que Aisling já passou há muito tempo a idade segura para conceber uma criança. O pai de Clodagh, Lorde Sean de Sevenwaters, depara-se com as suas próprias dificuldades, vendo a rivalidade entre clãs vizinhos ameaçar fronteiras do seu território. Quando Aisling dá à luz um filho varão – o novo herdeiro de Sevenwaters – Clodagh é incumbida de cuidar da criança duarnte a convalescença da mãe. A felicidade da família cedo se converte em pesadelo quando o bebé desaparece do quarto e uma coisa não natural é deixada no seu lugar. Para reclamar o irmão de volta, Clodagh terá de entrar nesse reino de sombras que é o Outro Mundo e confrontar o poderoso princípe que o rege. Acompanhada nesta missão por um guerreiro que não é exactamente o que parece, Clodagh verá a sua coragem posta à prova até ao limite da resistência. A recompensa, porém, talvez supere os seus sonhos mais audazes…
Finalmente, a Bisleya lançou, em formato bolso, Frankenstein de Mary Shelley, um clássico do género da ficção científica, que muito pouco tem a ver com a versão mais conhecida da história.
O primeiro capítulo foi disponibilizado em formato pdf :
Frankenstein conta a história de Victor Frankenstein, um jovem estudante, que a partir de corpos de seres humanos que obtinha em cemitérios e hospitais consegue dar vida a um monstro que se revolta contra a sua triste condição e persegue o seu criador até à morte. Frankenstein foi adaptado inúmeras vezes ao cinema, mas a mais memorável imagem do monstro foi encarnada pelo actor Boris Karloff, em 1931, fazendo ainda hoje parte da cultura popular.
Junho 4, 2009
Na continução da Lisboa Restaurant Week, o COP’3 foi o segundo restaurante para o qual conseguimos reservas.
Logo que entramos, é notória a diferença para o restaurante anterior, Bocca – os empregados são mais atenciosos e a decoração não é fria ou minimalista, o que torna o ambiente mais acolhedor.
O primeiro prato era um misto de legumes com queijo mozarella e salada, que assim exposto parece um prato complicado, mas basicamente é uma salada com queijo.
Seguiu-se o prato principal que podíamos escolher de entre vários. O escolhido foi Bife da vazia com molho de mostarda antiga e roácea de batata – divinal.
Para terminar, a sobremesa foi um gelado de abóbora e passas. A descrição poderá parecer estranha, mas o resultado é bom. Não tanto quanto o gelado de azeite com pudim de azeitonas que nos serviram no Bocca.

Junho 3, 2009
We será uma das obras distópicas mais influentes do início do século. O autor ter-se-à baseado na sua experiência directa com a Revolução Russa, e o seu livro terá influenciado obras como 1984 (George Orwell), The Dispossessed (Ursula K. le Guin) ou Player Piano (Kurt Vonnegut). Compreensivelmente, We encontra-se entre as obras banidas na União Soviética.
A obra de Yevgeny Zamyatin constitui o diário de um matemático, D-503, o responsável pela construção de uma nave espacial que se espera levar a felicidade atingida na Terra às culturas alienígenas. Todos os dias D-503 descreve a sociedade onde se encontra, uma sociedade que se rege pela estabilidade e previsão de todos os momentos seguintes.
But then, the sky! Blue, untainted by a single cloud (the Ancientes had such barbarous tastes given that their poets could have been inspired by such stupid, sloppy, silly-lingering clumps of vapour). I love – and i’m certain that i’m not mistaken if i say we love – skies like this, sterile and flawless! On days like these, the whole world is blown from the same shatterproof, everlasting glass as the glass of the Green Wall and of all our structures. On days like these, you can see to the very blue depths of things, to their unknown surfaces, those marvelous expressions of mathematical equality – which exist in even the most usual and everyday objects.
Qual 1984 existe uma figura paternal que representa o estado, mas que aqui se designa de Grande Benfeitor. Não existem câmaras em casa, mas as paredes são de vidro e todos os sentimentos são desencorajados – controlam-se os desejos e a sua satisfação e até a sexualidade é supervisionada pelo Estado. As pessoas são referidas como cifras e nomeadas por números e letras que relembram, talvez propositadamente, nomes de robots.Pretende-se atingir a perfeição pela ausência de imprevistos e pelo controlo extremo:
The only means of ridding man of crime is ridding him of freedom
Com o desenrolar da história assistimos a uma gradual mudança de discurso – a perfeição conhecida por D-503 é quebrada quando conhece I-330, uma mulher inquietante que lhe revela uma realidade muito diferente e pouco expectável, onde um grupo de resistentes planeia uma revolução. D-503 descreve-se então como doente – de noite é acossado por sonhos, os sentimentos interferem com os pensamentos e o reconhecimento de uma alma em si atormenta-o.
Livro impressionante, não achei We tão chocante quanto 1984 ou Admirável Mundo Novo. 1984 tinha-me deixado uma forte sensação de claustrofobia e o último atingiu-me com uma pedra com a extrema desvalorização de um ser humano. Ainda assim é uma obra excepcional, recomendável a todos os que gostam de distopias.
Junho 2, 2009
Restaurant Week é um evento internacional com raízes em Nova Iorque em que, durante alguns dias, alguns restaurantes disponibilizam menus pelo preço de 20€. Tal iniciativa permite experimentar restaurantes nos quais o preço de uma refeição é um pouco acima das possibilidades de um cidadão de rendimento médio.
Em Lisboa o evento conhece a sua primeira edição e embora estivesse marcado para durar apenas duas semanas, irá alongar-se pela próxima. O preço é de 20€ mas conta já com 1€ para causas sociais.
A lista de aderentes, assim como mais detalhes do evento, podem ser visualizados no site oficial.

No sentido de experimentar um dos restaurantes aderentes desloquei-me, com uns colegas de trabalho, ao Bocca. Ainda que do menu constassem vários elementos que não me agradam, resolvi alinhar pela experiência:
Espaço agradável e mesa no meio da sala – tudo parecia em ordem para conhecer um novo restaurante, bem localizado e luminoso. Digo parecia, porque cedo nos apercebemos de algo errado entre os empregados – assim que referimos a iniciativa Restaurant Week (nota que não tinha ficado esquecida aquando da reserva).
O empregado que nos tinha indicado a mesa é chamado à atenção mais do que uma vez e de forma muito pouco discreta – pelo lugar onde nos tinha colocado. De seguida, não foi a refeição que ficou amarga, mas os modos com que nos serviam – a garrafa de água deixava sempre um rasto na toalha, os pratos eram depositados secamente à nossa frente escapando-se sempre o barulho do cair que correspondia ao toque com a mesa, a tigela da sopa bate pelo menos quatro vezes num copo.
De resto, e apesar das queixas de um ou outro colega, a refeição estava boa – e eu que não gosto de Pipis… mas a estrela eleite por unanimidade foi, sem dúvida, a sobremesa – tanto o pudim como o gelado eram por si só óptimos, mas a junção dos dois é divinal.
Infelizmente a impressão final ficou tingida pelos modos (ou falta deles).
Junho 1, 2009
Já deram por vocês a ler um livro pela premissa?
Na realidade, o que me fez pegar no livro foi a capa. Ainda que num ecrã de computador não pareça nada de espectacular, ao vivo, o alto relevo da tinta preta destaca-se da capa azul clara e branca, criando um contraste atraente.
Depois li a sinopse, que me recordou a premissa de vários livros de Haruki Murakami, Ray Bradbury ou Roadl Dahl: num determinado local ocorrem vários estranhos fenómenos que poucos questionam. Neste caso, entre pequeno gado voador, uma alta frequência de animais albinos e anémonas que brilham no oceano; os pés de Ida transformam-se lentamente em vidro.
Ida procura uma cura, pistas para descobrir que doença será esta que lhe torna os pés pesados e cristalinos. Procura mais especificamente Henry, um homem que terá conhecido antes e lhe terá falado de homens transformados em vidro. Deambulando cautelosamente pela floresta, Ida conhece Midas, um tímido e jovem fotógrafo que ficará obsecado em fotografar o aspecto monocromático e frágil de Ida.
Ainda que possua vários elementos fantásticos, a história não possui a estranheza da prosa dos autores referidos anteriormente, e a semelhança fica-se pelo peculiar encontro de fenómenos típicos do local onde decorre a acção. É, em suma, um romance, uma pequena história de amor, um desenrolar de encontros e desencontros ao longo dos anos, que com o encontro de Ida e Midas são conhecidos e percebidos.
O livro não é mau, mas também não é excepcional – simples e de leitura rápida, mas com interessantes elementos surreais e personagens peculiares que parecem subaproveitadas no cenário onde se encontram.