Setembro 2009


Conheci as histórias de Tim Lebbon recentemente através da colectânea As the Sun Goes Down, que reúne alguns contos excelentes do género horror. São histórias que exploram medos humanos comuns ou as más decisões que algumas pessoas podem tomar quando se encontram sob pressão.

Changing of Faces, uma novela publicada pela PS Publishing segue uma premissa semelhante, baseando-se, como nos indica Simon Clarck, no medo que a humanidade alimenta, de um apocalipse – o mesmo medo que terá gerado, ao longo dos séculos uma extensa mitologia em várias culturas.

Se nalgumas histórias como The Strain ou I Am Legend a humanidade é ameaçada por uma praga de vampiros que se propagam rapidamente, em Changing of Faces o apocalipse inicia-se com uma ameaça igualmente comum – zombies.

Os acontecimentos centram-se em Jack que se encontra com o pai, num barco com um pequeno grupo de sobreviventes. Mas nem no meio de água se encontram a salvo e se o cenário dos mortos vivos era já bastante horrendo, outros seres se aproximam – enormes animais de olhar inteligente que exalam um intenso cheiro a podre. Estes estranhos animais que os atacam são algo bastante diferente do que parecem.

Changing of Faces é uma história engraçada, mas não mais do que isso – Jack é um rapaz de 12 anos que se revela um pouco diferente dos (poucos) restantes seres humanos que o rodeiam (cliché?), e a história explora um relacionamento platónico com uma jovem sarcástica, Lucy (algures nesta fase o meu cérebro volta a gritar – cliché?!) .

Bastante abaixo dos contos que li anteriormente, Changing of Faces possui uma premissa interessante que poderia ter sido explorada de melhor forma  – a dos enormes animais de olhar inteligente. Esta história será a continuação de Naming of Parts, mas pode ser lido isoladamente.

No topo encontra-se VAO, o recentemente comentado livro de Geoff Ryman, cuja história se debruça sobre a velhice e a degenerescência mental – um livro engraçado do mesmo autor de Was, Child Garden (publicado pela Clássica como Jardim de Infância) ou Air (publicado pela Gailivro com o título Ar).

Segue-se Little Machines de Paul McAuley, uma colectânea de contos de vários géneros: fantástico, horror, ficção científica ou história alternativa. Já conhecendo obras de géneros distintos do autor, este é um livro que me interessa bastante – Pasquale’s Angel (ou A Invenção de Leonardo, em português pela Saída de Emergência) decorre numa Florença onde as invenções de Leonardo ganham consistência; e em Fairyland proliferam as fadas (seres humanos assexuados e modificados geneticamente) e a nanotecnologia. Ainda que não considere a escrita de McAuley uma das melhores, as histórias exploram geralmente possibilidades interessantes.

Moby Jack é outra colectânea de contos que reune géneros distintos – fantasia chinesa, ficção científica e horror. O autor, Garry Kilworth iniciou sua carreira de escritor com obras de ficção científica, mas actualmente dedica-se à fantasia e aos romances históricos.

Jeffrey Ford é o autor de livros como The Phsysiognomy ou The Portrait of Mrs. Charbuque. The Cosmology of the Wider World promete ser uma história fantástica diferente do tradicional. Centrada num minotauro é um pouco mais do que uma fábula, tocando em assuntos como sexo ou drogas.

The Voyage of the Night Shinning White pertence ao género de história alternativa – num mundo dominado pela China Imperial iniciam-se as viagens espaciais com destino a Marte, com o objectivo de explorar as riquezas minerais e expandir território. Uma das naves é Night Shinning White que transporta exemplares minerais para análise – mas a meio da viagem o sistema falha.

Escritor de horror e fantasia negra Tim Lebbon é o autor de uma das melhores antologias de histórias curtas que já li - As the  Sun Goes Down. Estas são pequenas histórias que exploram os medos mais comuns dos seres humanos e as atrocidades que são capazes de cometer quando sob pressão.

Changing of Faces explora também um medo humano, a do apocalipse. Neste caso acompanhamos um pequeno grupo de sobreviventes que, num barco, luta contra zombies e estranhas e enormes criaturas. Ainda que tenha gostado de Changing of Faces, não se encontra entre as melhores histórias do autor quando comparado comalgumas de As the Sun Goes Down.

Ray Bradbury é um dos autores com o qual tenho uma relação de amor-ódio. Gostei do conhecido (mas não adorei) Fahrenheit 451, e Farewell Summer ficou como uma leve memória de algo estranho que poderia ter sido e não foi. Por sua vez em I Sing the Body Electric encontrei excelentes e irritantes contos, e Something Wicked This Way Comes é simultaneamente uma das melhores e mais estranhas histórias. Dandelion Wine é um dos primeiros livros do autor que se parece destacar um pouco da temática habitual:

You do things and you don’t watch… then, all of a sudden, you look at what you’re doing and it’s like the very first time. It happens to everyone at least once. And while it lasts, the ordinary business of living becomes a magical series of discoveries and revelations.

It happened to Douglas Spalding the summer he was twelve years old… the summer of 1928, when he discovered that he was truly alive and he yelled it a dozen times in celebration.

Helllo Summer, Goodbye é uma das obras mais conhecidas de Michael Coney, que decorre num planeta alienígena de características particulares que promete estranhas criaturas nativas e fenómenos naturais próprios. Considerado por alguns como um clássico na ficção científica, este é, dos livros que aqui se encontram, um dos que tenho mais curiosidade em ler.

Infecção é um dos mais recentes lançamentos pela Gailivro, na colecção que enquadra os géneros de fantástico e ficção científico – 1001 Mundos. Este é mais uma história apocalíptica em que a humanidade se vê assombrada por uma praga mortal. Desta vez não são zombies ou vampiros, antes uma doença que transforma os seres humanos em masoquistas e assassinos brutais – uma doença provocada por um parasita artificial.

Na base da pilha de livros encontram-se mais dois volumes da viciante série de comics, Fables.

Ao longo destes volumes exploram-se as histórias anteriores ao êxodo das personagens dos contos de fadas – os seus amores e perdas, os seus traumas e ambições. Os vilões revelam-se mais humanos que os príncipes encantados e algumas princesas revelam-se meninas mimadas e egoístas.

VAO – Victim Activated Ordnance.

VAO é o sistema de defesa, numa sociedade ligeiramente mais avançada que a nossa,  que protege os cidadãos comuns de ladrões e outros delinquentes. Mas este desenvolvido sistema de protecção não é totalmente imbatível e um grupo de velhotes (Age Rage) consegue corrompê-lo para expressar a revolta contra a sociedade. À parte alguns avanços tecnológicos, a história podia descrever a vida de muitas famílias, em que os membros mais velhos se descobrem com míseras reformas em lares onde definham lentamente.

Gus é um destes velhotes, mas não se encontra num lar qualquer, antes uma clínica luxuosa que paga atacando informaticamente as contas bancárias de outras pessoas. Os moradores desta clínica são alimentados e cuidados, mas sempre vigiados por câmaras e sistemas de localização – uma espécie de prisão dourada. Aquando dos ataques do grupo Age Rage os velhotes da clínica são envolvidos nas investigações policiais, principalmente Gus, o que dificulta a continuação das actividades ilícitas que pagam a elevada despesa mensal.

Enquadrado no género de ficção científica, VAO é um livro que se centra mais nas pessoas do que na tecnologia que as rodeia, desenvolvendo um tema que raramente é focado – a velhice e a degenerescência neuronal. Geoff Ryman aproveita não só a idade das personagens, como as moléstias físicas e mentais que os acompanham para desenvolver a história.  Ainda que não tenha considerado VAO um livro excelente, destaca-se pela abordagem inteligente, por vezes irónica, de um tema varrido muitas vezes para debaixo do tapete.

Publicado na colecção Space Opera da Gollancz (da qual também fazem parte The Centauri Device (M. John Harrison) e Stone (Adam Roberts)) é uma das obras de Poul Anderson nomeada para o prémio Hugo.

Baseado numa história curta, To Outlive Eternity, Tau Zero conta a história de um grupo de 50 pessoas que deixa o Sistema Solar a borda da nova Leonora Christine, com o intuito de fundar uma nova colónia, a 35 anos luz da Terra. Como seria de esperar, algumas alianças e relacionamentos estabelecem-se mesmo antes dos futuros colonos embarcarem, e a história centra-se no romance entre Charles Reymont e Ingrid Lindgreen.

A viagem decorre sem contratempos até encontrarem uma nublosa que danifica o sistema de desaceleração. Dado que a nave só pode ser reparada num local de baixa radição, os tripulantes vêem-se obrigados a acelerar continuamente para atingir um espaço entre galáxias. Com o aumento contínuo de velocidade aumenta a diferença entre o tempo a bordo da nave e o tempo decorrido no exterior – esta discrepância atinge valores absurdos o que afecta psicologicamente os tripulantes, afastados fisica e cronologicamente de tudo o que conheciam.

A obra explora uma temática bastante comum – a colonização de outros planetas; adicionando-lhe um factor de stress extremo ao lançar os viajantes num futuro incerto para além de todas as expectativas. Ainda que haja uma exploração extensa do relacionamento entre os seres humanos, a história centra-se na possibilidade de acelerar eternamente uma nave, de tal forma que, dentro dela, se assiste à evolução do Universo.

É um livro pequeno e interessante, ainda que não tenha apreciado totalmente – a premissa da aceleração é desenvolvida ao extremo e, no limite, torna-se surreal. Por outro lado, ainda que a história se debruce sobre alguns dos relacionamentos a bordo da nave, senti que estes eram, por vezes, demasiado analisados, o que pode alienar o leitor.

Já devem ter ouvido falar. Ou se calhar não. Vai decorrer este fim de semana (19 e 20 de Setembro) e irá transformar a Praça Luís de Camões numa sala de leitura durante 24h: desde leituras a debates, entre passatempos e ateliers.

Este evento é promovido pela editora Objectiva, que se iniciou este mês com o lançamento dos livros A Morte de Bunny Munro (Nick Cave) e A Estirpe (Guillermo Del Toro). De entre a programação intensiva realçaria a tertúlia A Literatura fantástica e o Universo vampírico.

Para os potenciais interessados, o programa encontra-se disponível no site oficial.

The Alchemy of Stone é a terceira obra de Ekaterina Sedia, a mesma autora de The Secret History of Moscow, um livro que recorda Neverwhere ao explorar a possibilidade de uma cidade subterrânea invisível aos comuns cidadãos. Ainda que seja engraçado, não fiquei fascinada por The Secret History of Moscow.

O terceiro livro de Ekaterina Sedia é bastante diferente de The Secret History of Moscow, podendo enquadrar-se no género steampunk: numa cidade quase medieval construída por gárgulas, onde o duque é apenas um símbolo, co-existem duas elites , a dos alquimistas e a dos mecânicos.

Os alquimistas desempanham diversos papéis: entre químicos e médicos, exploram as propriedades das substâncias que encontram, curam doentes ou fazem poções de amor. Por sua vez, os mecânicos são os inventores, responsáveis pelos autómatos que agora proliferam na cidade, limpando ou transportando pessoas.

Mattie é um autómato, mas bastante diferente dos restantes, dotada de pensamento e sentimentos, é uma mulher de metal que escolheu a profissão de alquimista. Ainda que emancipada não está livre do seu criador, Loharri, um mecânico que oscila entre um idoso melancólico e carente e um homem perverso e manipulador.

A existência pacífica de Mattie cesa quando, numa noite, as gárgulas a contratam para as libertar da prisão de pedra que a todas espera. Simultaneamente, germina uma revolução na cidade que coloca todos contra todos na busca de um bode espiatório. Entre Loharri, o trabalho encomendado pelas gárgulas e as novas amizades Mattie sente-se confusa e dividida.

The Alchemy of Stone apresentou-se como um livro mais sólido que The History of Moscow, um bom conto fantástico que explora os sentimentos humanos, apresentando-os através dos olhos de uma personagem que é, simultaneamente, criança e mulher – um autómato fêmea cujo carácter evolui com a exposição ao intrincado mundo dos humanos.

Nomeado para o prémio Philip K. Dick, City of Pearl é o primeiro livro de Karen Traviss, uma série que se alongou já por seis volumes. Para além desta saga, Karen Traviss tem contribuído para vários volumes da série Star Wars e Gears of War.

Ainda que seja o primeiro de uma saga, City of Pearl pode ser lido isoladamente. A personagem principal, Shan Frankland pertence a uma polícia de segurança ecológica que, num mundo devastado tem como intuito, por exemplo, tentar proteger os últimos elementos de espécies raras.

Devido à sua elevada posição e extenso currículo Shan é contratada para participar numa estranha missão, cujos detalhes esquece como resultado de um género de hipnose. E assim se vê numa nave a caminho de um outro planeta, no qual terá parecido uma colónia humana.

Neste outro planeta existem, no entanto, várias outras espécies inteligentes alienígenas: uma nativa (bezeri), uma outra que pretende conquistar novos espaços (isenj) e uma terceira que tem como objectivo regular os interesses de ambas (wess’har).

Na nave de Shan viajam militares e cientistas e é com surpresa que vêm a nave neutralizada quando chegam ao destino e descobrem uma colónia de seres humanos cristãos. Shan terá então de gerir um grupo de militares irrequietos e um grupo de cientistas curiosos que tentarão por todos os meios obter amostras biológicas ainda que de tal tenham sido proibidos pela espécie alienígena com maior potencial militar.

A história tem alguns aspectos que considero fracos, centrando-se demasiado numa única personagem, uma mulher forte mas pouco flexível e linear na sua visão do mundo. Por outro lado, Shan estabelece dois relacionamentos proibidos – uma com um militar que não pode consumar porque este se encontra continuamente monitorizado; outra com um alienígena com quem tem vários aspectos em comum.

A relação entre as várias espécies inteligentes e o desenvolvimento da colónia humana constituem as componentes mais interessantes do livro: as várias espécies possuem interesses diferentes no mesmo planeta, uns pretendem manter o seu habitat intacto, outros (sobrepopulados) pretendem expandir-se; por seu lado, a colónia humana coagida pelos alienígenas, aprendeu a viver sem afectar o ambiente que os rodeia e vive acreditando ter um papel chave na evolução da espécie humana.

Ainda assim, gostei do que li. A história não é perfeita, mas Karen Traviss soube construir uma história interessante, misturando preocupações ecológicas com colonização de outros planetas e conflitos entre espécies inteligentes.

Peter Straub propõe-se a reunir em dois volumes vários contos e histórias americanas de terror ou horror, sob o título American Fantastic Tales. O primeiro contém histórias de Poe aos anos 40, passando por autores como Irving, Poe, Henry James, Lovecraft, Robert E. Howard ou Scott Fitzgerald. Entre os autores do segundo volume podem-se realçar Fritz Leiber, Richard Matheson, Tim Power, Michael Chabon ou Kelly Link.

Esta parece uma interessante colecção para quem aprecia o género.

The Mammoth Book of Mindblowing SF é outra das antologias lançadas este ano e, até agora, uma das mais polémicas, senão a mais polémica, não por causa do conteúdo, mas pelo conjunto de autores escolhidos: todos homens de raça branca.

Após a publicação da completa lista de conteúdos, vários escritores e bloguistas se pronunciaram referindo diversas autoras ou autores de outras raças que poderiam facilmente ter sido seleccionados.

Polémica àparte, da antologia fazem parte alguns nomes sonantes, como Arthur C. Clarke, Michael Swanwik, Paul di Filipo, John Varley ou Robert Silverberg.

Misturando tecnologia actual num tempo passado, o Steampunk caracteriza-se por uma mistura apelativa dos géneros história alternativa e ficção científica. Enquadrado nesta vertente encontra-se Boneshaker, o primeiro de uma trilogia por Cherie Priest.

Para os interessados, o resumo da história encontra-se em Fantastic Fiction,  e no site da Subterranean press podem encontrar gratuitamente a primeira história, Tanglefoot, que decorre no mesmo universo (Clockwork Century).

Entre as várias antologias a ser lançadas nos próximos tempos, uma das que me parece mais interessante é Apex Book of World SF.

Entre os autores escolhidos conheço apenas Zoran Zivkovic, um autor autor sérvio, responsável por alguns dos melhores contos que já li.

Mas o que torna a colectânea interessante é o objectivo – apresentar ficção de diversos países, continentes e culturas – Tailândia, China, Israel ou Malásia são apenas alguns exemplos da origem de algumas das histórias. Esta será uma boa oportunidade para ler perspectivas diferentes dos géneros aos quais já estou habituada.

(mais…)

Escritor de fantasia negra e horror, Tim Lebbon ganhou já o prémio Bram Stoker por uma história curta, e o Britisth Fantasy Society pela obra Dusk. Por sua vez, As the Sun Goes Down não ganhou nenhum prémio mas foi nomeado para o prémio Bram Stoker e é uma das melhores colectâneas de contos que li nos últimos tempos.

Em Dust, uma das histórias que mais apreciei, acompanhamos um homem obeso que, numa nave espacial, fica preso num quarto. Esta prisão não foi um evento acidental, antes um acto premeditado dos colegas para que ele não consuma o escasso conteúdo da depensa. Os poucos sobreviventes aguardam, na nave encalhada, por auxílio que poderá não chegar a tempo.

Numa outra realidade onde os mortos retornam algum tempo após a sua morte, para acompanhar os entes queridos e vivos, uma mulher encontra o falecido marido numa cadeia do quarto e sabe que terminaram os seus dias de sossego – os mortos acompanham os vivos, mas apáticos, quais sombras, calados e insensíveis, não deixando transparecer qualquer pensamento ou sentimento. É esta a premissa do conto The Last Good Times.

King of the Dead conta a história de um rei que a seu cargo mantém três necromantes. Embora o povo daquele reino seja pacífico e esteja bem localizado geograficamente, é atacado por uma medonha e sobrenatural força que se prevê implementar o terror na região. O rei resolve então pedir aos necromantes para utilizarem os seus negros poderes.

Na sua maioria os contos de Tim Lebbon exploram hipóteses negras do dia a dia – um rapaz que face à queda de um amigo num buraco negro na floresta vê a hipótese de lhe ficar com os brinquedos; um casal que espera re-estabelecer o relacionamento durante uma viagem; uma rapariga a quem a mãe odeia; ou um homem a quem o preço de ter sido salvo da queda de um avião se torna demasiado elevado.

Publicado em sólida capa dura, As the Sun Goes Down possui várias histórias negras que não se enquadram no típico terror ou horror. Não existem assassinos de faca na mão ou monstros escorregadios que possam mudar de forma – apenas pessoas reais que podem ser algo mais do que vemos ou que fazem escolhas maldosas sem razão lógica.

The Strain foi o livro com que se estreou Guillermo del Toro na escrita. Escrito conjuntamente com Chuck Hogan é um livro de acção e horror carregado de vampiros semelhantes a zombies, de mandíbula flexível e probóscis sugador; onde não faltam alguns clichés dos filmes de terror. A história lê-se rapidamente e irei com certeza comprar a restante trilogia. O primeiro volume irá conhecer a luz da edição portuguesa pela Editora Objectiva, com tradução directa do título: A estirpe.

Será também durante este mês que será lançado Orbias, o livro do novo autor português Fábio Ventura. Enquadrado dentro do género fantástico, o livro promete oferecer acção, humor e magia. Para os potenciais interessados, o autor possui um blog, onde publicita informações sobre o livro e o seu lançamento, ou ainda passatempos.

Pela editora Planeta será lançado A Cidade dos Ossos, de Cassandra Clare. Este é o primeiro de uma trilogia juvenil, The Mortal Instruments que parece se ter tornado já um bestseller nos Estados Unidos da América. Neste primeiro volume a vida de uma jovem de 16 anos muda ao testemunhar um assassínio por um grupo de jovens com armas medievais – caçadores de sombras que se dedicam a expulsar demónios desta dimensão.

Na onda recente de vampiros românticos ou pouco românticos será lançado, dia 15 de Setembro, o primeiro da trilogia Nocturnus, da autoria de Rafael Loureiro, com o título Memórias de um vampiro. Detalhes sobre o livro ainda não se encontram no site da editora (ou pelo menos não os encontrei), mas podem consultar o site do autor.

Teen é o título da nova colecção juvenil-adulto da Saída de Emergência. De capa dura e de aspecto aliciante, a colecção inicia-se com Daenerys de George R.R. Martin, o mesmo livro que foi disponibilizado em formato Ebook no site da editora. Para os potenciais interessados, serão oferecidos 10000 de Daenerys pela Bertrand para compras acima de um determinado valor.

Pela Gailivro será lançado um dos livros mais esperados do mês, O Nome do Vento de Patrick Rothfuss. O livro possui já um trailler . Vencedor do prémio Quill, é um livro sobre o qual estou curiosa, em parte devido às numerosas críticas, algumas excepcionalmente boas, outras reticentes.

A história centra-se num jovem que cresceu num grupo itinerante e entre criminosos nas ruas da cidade, que se irá tornar no maior mágico da história. Embora enquadrado na colecção 1001 Mundos, a capa não deixa transparecer o género a que pertence.

Finalmente, a Saída de Emergência irá continuar com a edição da Saga Marcada, iniciada com A Casa da Noite, publicando Traída.

Será também publicado Mar de Ferro, o oitavo livro de As Crónicas de Gelo e Fogo, uma das melhores sagas de Fantasia.

Este mês o grande lançamento da Saída de Emergência será Darwinia. Nomeado para o prémio Hugo, poderá ser enquadrado no género História Alternativa: no ano de 1912 a Europa desaparece, substituída por um continente primitivo, onde a evolução seguiu um rumo diferente. Onde alguns vêem o paraíso, outros contemplam a possibilidade de explorar a sua ambição.

Robert A. Heinlein foi uma dos escritores mais conhecidos de ficção científica, referenciado por obras como Stranger in a Strange Land (publicado em português como Estranho numa terra estranha – Livros do Brasil e Europa-América )The Moon Is a Harsh Mistress (publicado em português como Revolta na LuaLivros do Brasil) ou Friday (publicado em português com o mesmo título – Europa-América). Farmer in the Sky é mais  um livro do autor que resolvi ler na língua original.

City of Pearls é o primeiro livro de uma série, nomeado para o prémio Philip K. Dick. Enquadrado dentro do género ficção científica que expõe a tentativa de coexistência de sociedades alienígenas num outro planeta. Foi esta sinopse, conjuntamente com algumas críticas do livro que me levaram a adquiri-lo.

Depois de ler We Never Talk About My BrotherThe Rhinoceros Who Quoted Nietzsche and Other Odd Acquaintances pode-se dizer que fiquei fã de Peter Beagle. Vencedor do prémio Mythopoeic e nomeado para o World Fantasy Award, em Tamsin a história não parece ter traços de unicórnios, antes de fantasmas.

Ray Bradbury encontra-se entre os autores cujos livros me deixam com um misto de ódio / fascínio. Não tanto livros como Fahrenheit 451 ou Farewell Summer, mas os seus contos curtos que se enquadram entre o fantástico e o horror que encontramos, por exemplo, em I Sing the Body Electric ou Something Wicked this Way Comes.

The Ilustrated Man é uma pequena colectânea de contos, dezoito diferentes visões do destino da humanidade. Em portugês este livro foi publicado como O Homem Ilustrado (Livros do Brasil e Europa-América).

Entre a melhor ficção científica japonesa seleccionada pela HAIKASORU para publicação, encontra-se The lord of the sands of time. Ainda que nalguns detalhes a história me faça recordar O Exterminador Implacável, este parece um livro interessante: Um mensageiro cyborg do futuro desloca-se ao passado para unir a humanidade contra a ameçada futura de exterminação – mas no passado encontra o amor.

O Visconde Cortado ao Meio é um dos livros que forma um trio conjuntamente com O Barão Trepador e Cavaleiro Inexistente. Tal como os restantes, centra-se numa personagem a quem é imposta uma condição impossível constituindo uma alegoria de onde muitos retiram significado político.

O test de Turing é uma proposta de um teste para verificar a capacidade de uma máquina em demonstrar inteligência. Este teste propõe que um juri tenha uma conversa natural com um humano e com uma máquina – caso não se consiga distinguir a máquina do ser humano, então a máquina terá passado o teste.

Descrito nos anos 50 por Alan Turing, este teste tem sido utilizado em diversos livros de ficção científica, dando também origem ao título da colectânea de Chris Beckett, publicado pela Elastic Press , um conjunto de 14 histórias que têm como premissa central a dualidade autenticidade Vs ilusão, e o que realmente significa ser humano.

Medicine Road, por sua vez, é a re-edição de uma colectânea de contos de Charles de Lint pela Tachyon, com ilustrações de Charles Vess (o responsável pelas ilustrações em Stardust ou The Ladies of Grace Adieu). O poema que abre Medicine Road pode ser lido no site da Subterranean Press (a editora responsável pela primeira edição do livro)

Ekaterina Sedia é a autor de The Secret History of Moscow e de The Alchemy of Stone, assim como a editora de Paper Cities, um conjunto de histórias que decorrem nas mais diversas cidades, reais ou imaginárias, no passado, no presente ou no futuro. Entre os autores das histórias podemos encontrar vários autores como Hal Duncan, Cat Rambo ou Catherynne M. Valente.

Finalmente, no final encontra-se uma antologia do melhor de Michael Moorcock,  a continuação da série de comics Preacher (Vol 1 / Vol 4), e a adaptação de uma história da personagem Solomon Kane (de Robert E. Howard).

Lançado em edição limitada pela PS Publishing, Illyria é um livro pequeno que conta uma história comum de forma mágica. Maddy é a irmã mais nova de uma numerosa família, da mesma forma que o primo Rogan, é o mais novo. Nascidos no mesmo dia e filhos de pais gêmeos, a relação que se estabelece entre Maddy e Rogan é mais forte do que aquela que possuem com os irmãos mais velhos ou do que com os restantes primos.

Maddy é uma jovem desengonçada, mas inteligente e dotada. Rogan é, por sua vez, descrito como um pequeno Deus – gracioso, inteligente, bonito e talentoso, com uma voz poderosa e um dom inegável para o teatro, alguém a quem ninguém fica indiferente. Com a idade vem a adolescência e a relação entre os primos passa de amizade a romance proibido sob os olhares críticos dos pais.

Para além dos pais, Maddy e Rogan crescem sob a influência da Tia, que recorda os tempos da ribalta de uma antepassada, influenciando os dois jovens no gosto pelo teatro. Será também no teatro que o nome do livro tem origem, mais especificamente na peça Twelfth Night de Shakespeare.

Nenhuma das personagens tem uma vida ideal como num conto de fadas, antes uma existência quase banal o que nos faz simpatizar com Maddy e Rogan. Em Illyria, novela premiada com o World Fantasy Award, não são os factos que são excepcionais, mas a forma como nos são relatados – o que me fez gostar bastante de uma história que de outra forma teria considerado banal.

Michael Moorck é um dos autores mais prolíferos no género do Fantástico, sendo mais conhecido como o criador de Elric (publicado em português pela Saída de Emergência)

Em The Best of Michael Moorck são-nos apresentados alguns dos seus melhores contos, novelas ou noveletas, destacando-se Behold The Man (publicado em português pela Saída de Emergência, com o título Eis o Homem),  Lunching with the Antichrist, My experiences in the Third World War ou London Bone.

A primeira história, A Portait in Ivory, é um conto que tem como personagem principal, Elric. Mas não assistimos a batalhas ou lutas, antes conhecemos a versão reflectiva do príncipe. Numa taberna uma mulher se aproxima com uma misteriosa proposta, onde se propõe a estimular intelectualmente Elric.

Behold the Man, vencedor do prémio Nebula, tinha já lido em português. Uma releitura deu-lhe, no entanto, maior profundidade. Inicialmente escrita como uma novela foi mais tarde expandida e publicada isoladamente. A versão apresentada na colectânea é mais próxima da original. Neste conto um homem que não é psicologicamente saudável, resolve deslocar-se ao passado para testemunhar o aparecimento de Jesus. Os acontecimentos com que se depara não são, no entanto, os que esperava.

Lunching with the Antichrist explora Edwin Begg, um membro da família Von Bek, uma família em torno da qual Moorcock teceu várias histórias. Nesta história um homem conhece o revoltado pastor religioso que se encontra agora afastado da ribalta, vivendo sossegadamente os seus últimos dias. Todas as semanas, Edwin Begg cozinha e assistimos às conversas dos dois homens que exploram diferentes visões da vida.

As várias histórias partilham uma visão melancólica da vida e as personagens principais parecem algo distanciadas dos que os rodeiam. Elric é um guerreiro que se arrepende de muitas das suas acções passadas, Karl Glogauer (Behold the Man) é um homem neurótico que tem um relacionamento amoroso instável, Begg (Lunching with the Antichrist) é um homem idoso que recorda os seus tempos aureos, Victor (My experiences in the Third World War) é um espião em solo ocidental que recorda o seu passado russo.

Como seria de esperar, gostei mais de umas histórias do que outras, ainda que tenha apreciado a colectânea no geral. Achei, no entanto, que alguns contos perderam impacto ao serem intercalados por noveletas.