Lançamentos nacionais – Fantastico e FC (31.05.2010)

Lançado dia 20 de Maio pela Porto Editora, Hush, Hush é o primeiro livro de Becca Fitzpatrick. Se a moda até agora eram os vampiros, esperem uma vaga de anjos este ano. Após o sucesso do primeiro livro, encontra-se planeado um segundo, uma sequela, de título Crescendo.

A sinopse de Hush Hush deixa antever um romance paranormal, envolvendo uma humana e um anjo:

Apaixonar-se não fazia parte dos planos de Nora Grey. Nunca se sentira atraída por nenhum dos rapazes da sua escola, apesar da insistência de Vee, a sua melhor amiga. Então, aparece Patch. Com um sorriso fácil e uns olhos que mais parecem trespassar-lhe a alma, Patch seduz Nora, deixando-a completamente indefesa. Mas, após uma série de encontros assustadores com Patch, que parece estar sempre onde ela está, Nora não consegue decidir se há-de cair-lhe nos braços ou fugir sem deixar rasto.

Em busca de respostas para o momento mais confuso da sua vida, Nora dá consigo no centro de uma antiga batalha entre imortais. E quando é chegada a altura de escolher um rumo, a opção errada poderá custar-lhe a vida.

Também já a antecipar a moda dos anjos, a Editorial Presença disponibiliza, em pré-venda, Angeologia, de Danielle Trussoni. Este é também o primeiro trabalho ficcional da autora, e tem sido descrito como cruzando referências de O Código da Vinci e Labirinto (de Kate Mosse):

Desde o início dos tempos que os nefilins, a raça que descende de anjos e humanos, procura dominar a humanidade semeando o medo, provocando guerras e infiltrando-se nas mais poderosas e influentes famílias da história. Apenas a sociedade secreta de angelologistas, com os seus conhecimentos ancestrais, tem conseguido detê-los. Agora, a Irmã Evangeline do Convento de Santa Rosa, no estado de Nova Iorque, está prestes a juntar-se a eles. Mas conseguirá ela resistir ao imenso poder dos nefilins e evitar o apocalipse? Uma narrativa vigorosa, complexa e inteligente que funde elementos bíblicos, míticos e históricos e envolve o leitor da primeira à última página.

Também pela Editorial Presença, A estranha vida de Nobody Owens foi o título português dado ao livro The Graveyard Book de Neil Gaiman. Vencedor do prémio Hugo, e nomeado os prémios Locus e World Fantasy, é uma história juvenil de fantástico negro, centrado em Nobody Owens, um rapaz cuja família foi assassinada, e encontrou refúgio num cemitério. Educado por fantasmas, adquire poderes estranhos que lhe permitirão sobreviver no mundo exterior.

Engraçado, torna-se demasiado linear ao se debruçar apenas no rapaz, desprezando possíveis desenvolvimentos que poderiam ter tornado a história mais sólida e interessante.

Aproveitando a Feira do Livro, a Editorial Presença lançou O Terceiro Deus com a presença do autor, Ricardo Pinto. Este é o terceiro volume da Trilogia A Dança de Pedra do Camaleão, que já esperava há alguns anos:

Na sequência do massacre das tribos de o Céu da Terra, Carnelian Suth sente-se revoltado por tudo aquilo que presenciou e pretende pôr fim à carnificina levada a cabo por Osidian Nephron, o Deus-Imperador. Porém, este continua sedento de vingança contra aqueles que usurparam o seu trono e provoca a ira dos Mestres que governam a Comunidade a partir do seu centro, Osrakum. A guerra é inevitável e Carnelian compreende que a sua sobrevivência e a de todos os que lhe são queridos depende da sua aliança com Osidian. No fim, Carnelian compreenderá que ele próprio ajuda a desencadear forças apocalípticas e a revelar segredos atrozes. O Terceiro Deus é a conclusão de uma das epopeias mais notáveis das duas últimas décadas da literatura fantástica.

O Verdadeiro Dr. Fausto de Michael Swanwick é uma das apostas da Saída de Emergência para o mês de Junho. Enquadrado no género da ficção científica, Steampunk, centra-se em Fausto, a quem é dada a possibilidade de possuir todo o conhecimento do Universo, no século XVI.

Se inicialmente se pensava que este conhecimento seria utilizado apenas para o bem, o rumo dos acontecimentos revela-se outro com o descobrimento das armas nucleares.

Nomeado para os prémios Hugo, Locus e BSFA, este deverá ser um dos grandes lançamentos do ano, no género.

Pela Gailivro, A Floresta de Mãos e Dentes de Carrie Ryan, um livro de zombies, em que os humanos não contaminados se isolam, gerando uma sociedade distópica, caracterizada pela violência e pela repressão. Caracterizado como sendo um livro para jovens, tem obtido comentários simpáticos, e é o primeiro de uma trilogia:

Mary sabe pouco sobre o passado ou sobre o porquê de no mundo existirem dois tipos de pessoas: os que residem na sua vila e os mortos-vivos do lado de fora da cerca, que vivem de devorar a carne dos vivos. As Irmãs protegem a Vila e promovem a continuidade da raça Humana. Depois de a sua mãe ser mordida e se juntar aos amaldiçoados, Mary é enviada às Irmãs para se preparar para o Casamento com o seu amigo Harry. Mas as cercas são quebradas e o mundo que Mary conhece desaparece para sempre. Mary, Harry, Travis, que Mary ama mas que está prometido à sua melhor amiga, o irmão de Mary, a sua mulher e um pequeno órfão partem rumo ao desconhecido em busca de um lugar seguro, respostas às suas perguntas e uma razão para continuar a viver.

Também pela Gailivro, podemos esperar A Breve Segunda Vida de Bree Tanner, a história de Crepúsculo sob a perspectiva de uma outra personagem, uma vampira:

Ao contrário dos outros romances da série, narrados segundo a perspectiva de Bella, a “eterna” namorada do jovem vampiro Edward Cullen, A Breve Segunda Vida de Bree Tanner dá-nos uma outra visão da história, agora através da vampira recém-nascida Bree Tanner, que em Eclipse morre dez páginas após aparecer.

Fragmento é outra das apostas recentes da Porto Editora, desta vez no género da ficção científica:

Seis jovens cientistas aceitam o desafio de um reality show e, entre amizades, amores, intrigas e uma descoberta que tem tanto de fascinante como aterrorizadora, vivem a aventura mais emocionante das suas vidas.

Quando a tripulação e elenco do reality show “Sealife” encontram a inexplorada ilha Henders, no Pacífico Sul, rapidamente percebem que não se trata da Lagoa Azul. Henders desenvolveu-se num total isolamento do resto do mundo, densa e habitada pelas mais exóticas e inimagináveis espécies predadoras. Enquanto os cientistas a bordo do “Sealife” se deslumbram com as descobertas, os políticos decidem se a investigação em curso compensa o risco que as criaturas da ilha podem representar para a Humanidade. É então que, a horas de se concretizar a destruição total da ilha, é descoberta vida inteligente em Henders, diferente de tudo o que alguma vez foi visto na Terra.

Pela Contraponto é publicado O Beijo dos Elfos, de Aprilynne Pike, um livro que terá atingido a lista de Best-sellers do New York Times. Primeiro livro da autora, chega-nos com uma diminuta sinopse que pouco deixa antever :

Nesta extraordinária história de magia, intriga e romance perigoso, tudo o que pensavas conhecer sobre o mundo das fadas vai mudar

O Livro das Coisas Perdidas é a aposta da Bertrand no fantástico, uma história que parece enquadrar-se no género juvenil:

Quando David, um menino de doze anos, se refugia do seu sofrimento nos mitos e contos de fadas de que a sua mãe, agora morta, tanto gostava, percebe que o mundo real e a fantasia se confundem. É então que começam a acontecer coisas más. E chega o Corcunda. David é violentamente impelido para uma terra habitada por heróis, lobos e monstros, cujo rei guarda os seus segredos num livro lendário… O Livro das Coisas Perdidas!

Ainda que desenquadrado da temática, mas digno de nota, a Livros de Areia publica Fome de Elise Blackwell. No site oficial encontra-se um excerto disponível para leitura:

Leninegrado, 1942. O cerco das tropas de Hitler vai obrigar os homens e as mulheres da cidade a compromissos e sacrifícios para além dos limites do admissível. No Instituto Botânico, Alena e outros cientistas juram protecção às sementes raras, mesmo na iminência da grande fome. Mas o marido de Alena, o nosso cuidadoso narrador, não está tão seguro assim… E quem consegue responder com segurança à pergunta: o amor e a honra podem mais do que a fome?

Esta semana (29.05.2010)

Esta semana podemos encontrar críticas a vários livros de autores portugueses, assim como uma crítica aos contos de Imaginários (Vol. 2):

- Reflexões do Diabo – João Cerqueira (Bela Lugosi is Dead)

- Morse de Morte – Arsénio Mota (A Lâmpada Mágica)

- Sputnik, Meu Amor – Haruki Murakami (Lydo e Opinado)

- O Beijo dos Elfos – Aprilynne Pike (Bela Lugosi is Dead)

- As Jaulas Nada Subtis – Rhys Hughes (A Lâmpada Mágica)

- A Vingança do Lobo – Vitor Frazão (Morrighan)

- Imaginários Vol. 2 – Vários Autores (Floresta de Livros) – post a post, os vários contos vão sendo comentados.

- A Cidade de Vidro - Cassandra Clare (Segredo dos Livros)

- Inishmore - Carla Ribeiro (Páginas Desfolhadas)

- A Marca de Kushiel – Jacqueline Carey (As Leituras do Corvo)

- La Muerte del Capitán Futuro – Allen Steele (A Lâmpada Mágica)

- Jaguar – J. Pedro Baltasar (Muito para Ler) – o livro será apresentado amanhã, dia 30 de Maio, na FNAC Almada, pelas 15h

- Shadow, O Confronto – Joana Miguel Ferreira (Taste This Book)

- Orgulho e Preconceito e Zombies – Jane Austen e Seth Grahame-Smith (As Leituras do Corvo)

- O Hotel “A Queda do Alpinista” - Strugatski (A Lâmpada Mágica)

- A Quinta dos Animais – George Orwell (Falling into Infinity)

- The Clear Blue Seas of Luna – Gregory Benford (A Lâmpada Mágica)

- Eternidade – Alyson Noel  (Morrighan)

- Os Livros que Devoraram o meu pai – Afonso Cruz (Bibliotecário de Babel)

Para além das críticas, podemos encontrar um apanhado das melhores capas de BD para Julho 2010, e David Soares fala de um novo projecto em Cadernos de Daath:

- As melhores capas de BD – Julho 2010 (Bela Lugosi is Dead)

- É de noite que faço as perguntas – David Soares (Cadernos de Daath)

The Bridge – Zoran Zivkovic

Zoran Zivkovic é dos meus autores favoritos, escrevendo essencialmente histórias curtas em torno de uma só temática. Em Biblioteca encontramos contos sobre livros, em Impossible Encounters são-nos descritos vários encontros impossíveis ou em Seven Touches of Music a música tem um papel fulcral nas histórias.

Em The Bridge encontramos também três histórias ligadas, onde três personagens têm encontros  improváveis: um homem encontra-se a si próprio, uma senhora idosa cruza-se com a vizinha falecida, e uma jovem reconhece o filho que ainda não nasceu. Em todos os três encontros a personagem decide-se a seguir disfarçadamente a pessoa que segue assistindo a estranhos episódios: o homem que se encontra a si próprio vê-se a pintar o cabelo de ruivo e a passear com uma bola vermelha de bowling na mão, enquanto a vizinha falecida participa numa competição de comida.

Escritos com mestria, as três histórias relembram sonhos tanto pelas personagens que descrevem, como pelos episódios que vivem. Ainda assim, embora tenha achado o conjunto engraçado, não se encontra, a meu ver, entre os melhores do autor, talvez por não se centrarem em nenhum elemento específico.

Notícias Fantásticas (2010.05.25)

É já a partir de dia 29 de Maio que decorre o VI Festival Internacional de BD de Beja, até 13 de Junho. O horário do evento encontra-se no site oficial, e podem esperar exibições, eventos e venda de BD’s. Entre os eventos podem encontrar lançamento de As Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy, a apresentação do projecto Voyager ou sessão de autógrafos de A Fórmula da Felicidade.

Entretanto, encontra-se disponível para download, a Revista Bang N.º 7 no site da editora.

The Master and Margarita – Mikhail Bulgakov

Escritor russo, Mikhail Bulgakov tornou-se conhecido pelas peças e adaptações de várias obras ao teatro, tendo sido apenas após a sua morte que se publicou a obra que se associa automaticamente ao seu nome The Master and Margarita. Tendo conhecido várias edições, a primeira com passagens censuradas, The Master and Margarita é considerado um clássico do século XX. Para além deste, Mikhail Bulgakov escreveu ainda algumas histórias que se enquadram no género de ficção científica, como Heart of a Dog ou The Fatal Eggs.

Produzido durante um período da vida de Bulgakov em que este se encontrava viciado em morfina, é uma obra fantástica que fornece alguns detalhes que caracterizavam a sociedade russa da época. Numa altura em que se abole a religiosidade na Rússia, Bulgakov apresenta-nos a história, com uma conversa entre um editor e um poeta, sobre a inexistência de Deus. O poeta, cujo nome significa Homeless, terá escrito um poema que humaniza Cristo e o torna numa personagem negativa, quando o que o editor, Berlioz, pretendia era um poema que denunciasse Cristo como  uma personagem inventada.

Esta conversa será interrompida por um estrangeiro, um homem que se revela um mágico, que afirma ter assistido à crucificação e conhecido Pilatos. Depois de relatar como Cristo terá sido encaminhado para a cruz, profetiza que Berlioz será decapitado por mulheres. E assim acontece, para espanto de Homeless, na mesma tarde, quando Berlioz escorrega e cai na linha do eléctrico, conduzido por uma mulher, perdendo a cabeça. Homeless endoidece e tenta denunciar o mágico como um estrangeiro sem permissão de permanência no país, responsável pela morte de Berlioz. Perdendo o rasto ao mágico, acaba por ser dado como maluco e internado num hospício. Este é apenas o primeiro de vários estranhos episódios.

Igor Kantorovitch

O mágico habita o apartamento de Berlioz conjuntamente com os seus cúmplices, um gato preto capaz de falar, um ex-mestre de coro, um assassino de garras e uma succubus. Mas não é apenas o apartamento do falecido que o mágico ocupa, influenciando também a organização literária de Berlioz: as pessoas que ocupam os cargos mais elevados vão entrando no hospício, e estranhos espectáculos de magia decorrem na sala de espectáculos. Nestes, mulheres trocam as suas roupas por outros trajes mais ricos descobrindo mais tarde estar nuas, ou um homem perde a cabeça, e recupera-a, mas com consequências.

Se na primeira metade do livro acompanhamos os acontecimentos em torno da organização literária e do hospício que nos permitem conhecer O Mestre, um historiador que terá escrito um livro em torno da crucificação de Cristo e de Pilatos; a segunda metade centra-se  em Margarita, uma jovem de poses elevadas mas vida vazia, que se terá apaixonado pelo Mestre. Desconhecendo que o apaixonado se encontra num hospício, para o encontrar aceita a proposta do mágico. Desta forma, utiliza numa noite de lua cheia, um creme rejuvenescedor, saindo a voar numa vassoura e transformando-se numa bruxa.

Igor Kantorovitch

As situações imprevistas são acompanhadas por  detalhes da época: a forma como os estrangeiros são encarados, com desconfiança; a economia fechada, que não permite a posse de dinheiro estrangeiro; ou os regulamentos que coordenavam a atribuição de apartamentos. De ambiente surreal, a história é caracterizada por episódios estranhos e satíricos assim como de imagens fortes: uma escadaria sem fim no interior de um  apartamento, uma mulher nua que atravessa a cidade voando num porco ou um gato de metralhadora em punho.

Esta semana (21.05.2010)

Esta semana a quantidade de críticas e comentários em blogs nacionais levou-me a considerar passar a fazer dois resumos semanais, um ao Sábado e outro à quarta. Se a quantidade se mantiver, provavelmente é isso que passarei a fazer.

De realçar que continuam a surgir críticas a O Evangelho do Enforcado, de David Soares e Se Acordar Antes de Morrer, de João Barreiros, e também o livro de Afonso Cruz, Os Livros Que Devoraram o Meu Pai. A livros de autores estrangeiros, podemos ler as críticas feitas a Usurper of the Sun de Housuke Nojiri ou The Catcher in the Rye de J. D. Salinger.

A Noite e o Sobressalto – Pedro Medina Ribeiro (I Dream in Infrared) – Rogério Ribeiro comenta o livro de Pedro Medina Ribeiro, um conjunto de sete contos com influências de Poe.

- Orgulho e Preconceito e Zombies – Jane Austen e Seth Grahame-Smith (Bela Lugosi is Dead)

- O Ciclope Espanhol – Rhys Hughes (A Lâmpada Mágica)

- Goor / A Crónica de Feaglar – Pedro Ventura (Google reproduzida em Correio do Fantástico)

- O Estranho Caso do Cão Morto – Mark Haddon (Estante de Livros) – uma história diferente, em torno de um menino autista que tenta descobrir o que aconteceu ao cão

- Treze à Mesa – Lorde Dunsany (A Lâmpada Mágica)

- Crepúsculo – a novela gráfica, vol. I – Stephenie Meyer e Young Kim (As Leituras do Corvo)

- O Evangelho do Enforcado – David Soares (Bela Lugosi is DeadFalling into infinity)

- El Superhéroe – José Vicente Ortuño (A Lâmpada Mágica)

- Marcada – P. C. Cast & Kristin Cast (Lydo e Opinado)

- O Mago – Raymond E. Feist  (Bela Lugosi is Dead)

- Crónicas Marcianas – Ray Bradbury (A Lâmpada Mágica)

- Dança com o Diabo – Sherrilyn Kenyon  (As Leituras do Corvo)

- Os Livros que Devoraram o meu Pai – Afonso Cruz (Estante de Livros) – mais uma crítica positiva ao livro que tanto pode ser lido por crianças, como por adultos

- Usurper of the Sun – Housuke Nojiri (Bela Lugosi is Dead) – crítica a um dos livros publicados pela Haikasoru, numa colecção organizada por Nick Mamatas

- O Piquenique Milenar – Ray Bradbury (A Lâmpada Mágica)

- Em Busca do Carneiro Selvagem – Haruki Murakami (Lydo e Opinado)

- Indomável – P.C. Cast e Kristin Cast (As Leituras do Corvo)

- Senhores da noite – Carla Ribeiro (Bela Lugosi is Dead)

- Meio-Dia Azul - Scott Westerfeld (Morrighan)

- O Feiticeiro de terramar – Ursula le Guin (Muito para ler)

- Se Acordar Antes de Morrer – João Barreiros (Correio do Fantástico e As Leituras do Corvo) – a crítica de Morrighan é publicada no Correio Fantástico

- As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy - Filipe Melo, Pablo Parés (Bela Lugosi is Dead) – a BD publicada pela Tinta da China continua a dar que falar

- The Catcher in the Rye – J. D. Salinger (O Cantinho do Bookholic)

- The Forest of Hands and Teeth – Carrie Ryan (Floresta de Livros)

Para além das críticas e comentários a livros, em Correio do Fantástico é anunciado o atraso do Jornal Conto Fantástico, e continua a exploração de locais em Lisboa onde poderá ser agradável ler:

- Jornal Conto Fantástico atrasado (Correio do Fantástico)

- Jardim das Oliveiras – CCB (Falling into infinity)

Shelves (39)

Robert Silverberg é um dos autores mais prolíferos de ficção científica, sendo conhecido pela série Majipoor, ou por livros como Sailing to Byzantium, Enter a Soldier. Later: Enter Another, ou Nightwings. The Longest Way Home decorre num planeta distante da Terra, onde os seres humanos terão colonizado o planeta em duas vagas distintas, sendo que a segunda domina a primeira.

Apesar da má experiência com Heroes and Villains, de Angela Carter resolvei adquirir The Infernal Desire Machines of Doctor Hoffman, após várias críticas positivas.

Set in an unspecified Latin American country, the novel features Desiderio, a government minister in the main city, currently under attack by Doctor Hoffman’s reality distorting machines. Desiderio embarks on a journey to find Hoffman’s former physics teacher, eventually bringing him to Hoffman’s castle.

The End of Mr. Y de Scarlett Thomas conheceu já duas edições em língua portuguesa. De premissa estranha, parece-me um livro fantástico juvenil em torno de um livro amaldiçoado:

A cursed book. A missing professor. Some nefarious men in gray suits. And a dreamworld called the Troposphere? Ariel Manto has a fascination with nineteenth-century scientists—especially Thomas Lumas and The End of Mr. Y, a book no one alive has read. When she mysteriously uncovers a copy at a used bookstore, Ariel is launched into an adventure of science and faith, consciousness and death, space and time, and everything in between. Seeking answers, Ariel follows in Mr. Y’s footsteps: She swallows a tincture, stares into a black dot, and is transported into the Troposphere—a wonderland where she can travel through time and space using the thoughts of others. There she begins to understand all the mysteries surrounding the book, herself, and the universe. Or is it all just a hallucination? With The End of Mr. Y, Scarlett Thomas brings us another fast-paced mix of popular culture, love, mystery, and irresistible philosophical adventure.

Rosny aîné é o pseudónimo utilizado por Joseph Henri Honoré Boex, um dos escritores mais importantes da ficção científica francesa. As suas histórias do final do século XIX contém extraterrestres, espécies mutantes e vampiros com origem numa mutação genética. Algumas decorrem num tempo futuro, pós-apocalíptico. Para além de ficção científica, Rosny âiné escreveu alguma ficção pré-histórica, como Vamiré e A Guerra do Fogo, os dois únicos livros do autor que encontrei traduzidos para português.

Red Spikes é o título de um livro de contos da autoria de Margo Lanagan, o mesmo que escreveu Tender Morsels, um dos melhores livros de fantástico do ano 2009. Aproveitando-se dos elementos fantásticos para explorar e expor sentimentos, Red Spikes revelou-se, para mim, um fiasco. Como comentei num post isolado, a fórmula que funcionou em Tender Morsels por nos envolvermos com as personagens ao longo das páginas do livro, alienou-me completamente.

Segue-se O Grande Retrato de Dino Buzzati. Dino Buzzati tornou-se um dos meus autores favoritos com O Segredo do Bosque Velho, tendo também adorado O Deserto dos Tártaros, se bem que de forma totalmente diferente.

Se O Segredo do Bosque Velho consegue ser bastante distinto de O Deserto dos Tártaros, O Grande retrato torna-se bastante diferente de ambos pela forma como explora a premissa.

O Castelo dos Destinos Cruzados foi a minha última aquisição de outro autor de cujas obras gosto bastante – Italo Calvino:  em O Barão Trepador tinha-nos contado a história de um rapaz  que sobe às árvores para nunca mais retornar e em As Cidade Invisíveis imagina ou transfigura cidades.

A forma como O Castelo dos Destino Cruzados surgiu faz-me pensar que também este livro se destacará dos restantes:

Apliquei-me sobretudo a observar as cartas de tarot com atenção, com olhos de quem não sabe o que sejam, e a extrair delas sugestões e associações, a interpretá-las de acordo com uma iconologia imaginária. Quando as cartas alinhadas ao acaso me davam uma história em que eu reconhecia um sentido, punha-me a escrevê-la…

Eternidade é o nome do primeiro volume de uma série fantástica de Alyson Noel: Os Imortais. Centrando-se numa jovem de 16 cuja família terá sido vítima de um acidente, apresenta-nos seres de um mundo encantado onde ninguém morre:

Ever sees Damen and feels an instant recognition. He is gorgeous, exotic and wealthy, and he holds many secrets. Damen is able to make things appear and disappear, he always seems to know what she’s thinking – and he’s the only one who can silence the noise and the random energy in her head. She doesn’t know who he really is – or what he is. Damen equal parts light and darkness, and he belongs to an enchanted new world where no one ever dies.

Quase no final, Se Acordar Antes de Morrer, o livro de João Barreiros que reúne várias das suas melhores histórias. Um livro indispensável para quem aprecie ficção científica pura e dura, rodeada por um ambiente negro de sarcasmo e ironia.

Esqueçam os finais felizes e preparam-se para ser chocados com sátiras violentas a que poucos sobrevivem, enterrem as personagens da vossa infância, o Noddy e o Pai Natal.

Por último, impressionante pelo seu grafismo acizentado, Animal’Z. Num mundo devastado ecologicamente, a água torna-se um tesouro, e a única forma de sobrevivência é a luta individual longe dos núcleos urbanos.

Red Spikes – Margo Lanagan

Margo Lanagan é o autor de Tender Morsels, considerado um dos melhores livros de 2009 no género fantástico. Apesar de ter apreciado a história em Tender Morsels, carregada de fortes sentimentos, não a achei excelente. Ainda assim, decidi-me a ler algo mais, neste caso um conjunto de histórias fantásticas.

Tal como em Tender Morsels, Margo Lanagan usa, em Red Spikes, o género fantástico para explorar emoções fortes: o nascimento de uma criança, o pânico do papão ou o sentimento de vingança. Mas se no livro esta forma de expor sentimentos escapa pela empatia criada para com as personagens principais, resultou pessimamente comigo em Red Spikes. I could not care less.

Sem tempo para estabelecer um relacionamento para com as personagens, senti-me alienada. Num conto, uma menina tenta escapar daquele que será um devorador de crianças, visualizando restos das anteriores refeições. Num outro conto, um rapaz vê-se perante uma mulher a dar à luz, a rainha de um reino fantástico, tendo, sozinho que a ajudar no parto.

Algumas das histórias possuem uma premissa engraçada, que foi, para mim, desperdiçada. Numa história que se baseia na exploração de sentimentos, só existem duas opções, ou se é envolvido completamente ou afastado. Se as reviravoltas ajudaram a alienar-me quando começava a entrar na história, a resignação e o sentimento de culpa das personagens contribuíram ainda mais para antipatizar com os contos. No final, ficou um sentimento de perda, a pena daquilo que poderia ter sido e nunca chegou a ser.

Sempre Vivemos no Castelo – Shirley Jackson

A versão inglesa do livro de Shirley Jackson, We Have Always Lived in the Castle há muito que me tinha chamado à atenção. De resumo pouco vulgar, a capa auspiciava uma história estranha e negra. Publicado em 1962, pensa-se que os ataques fóbicos de uma das personagens terão como base os da própria autora. No entanto, ela terá admitido que as duas personagens principais foram baseadas nas filhas.

A história inicia-se com a ida de Merricat à aldeia, com o intuito de abastecer a despensa de casa. De uma das famílias mais importantes da localidade, Blackwood, é ostracizada pelos aldeões de tal forma que a viagem semanal é uma tormenta apenas ultrapassada com recurso a jogos mentais e alienações:  escolhe o dia da semana em que se julga mais forte, ganha pontos consoante o trajecto e os obstáculos que contorna, ignora os comentários e imagina a tortura dos que, de soslaio, comentam a sua presença.

Com os sapatos da mãe, logo nos perguntamos porque é que uma jovem de 18 anos, de família abastada, se vê obrigada a deslocar, sozinha à aldeia e a transportar, ela própria as compras sozinha. Tal estará relacionado com a reacção dos aldeões que ostentam um misto entre inveja contida e fermentada pelos anos, e repulsa pela tragédia que se terá abatido sobre os Blackwood. Da numerosa família apenas restam três membros: Merricat, a irmã, Constance, e o tio.

Se Merricat se esconde num mundo imaginário, a irmã, Constance, não tolera a ideia de sair de casa e frequentar locais públicos, uma fobia que constantemente planeia ultrapassar, e o tio, impossibilitado de se movimentar, vive quase sempre no passado, obcecado em escrever um livro com os detalhes do fatídico dia que terá causado a sua imobilização e a morte de quase toda a família. Esta monotonia é quebrada pela chegada de um primo que, sob a pretensa de ajudar a família, pretende apropriar-se da fortuna dos Blackwood.

Apesar dos 18 anos, Merricat comporta-se como uma criança de cinco, refugiando-se num mundo imaginário sempre que alguma dificuldade se apresenta, plantando talismãs no quintal, ou mantendo intocáveis, de forma obsessiva, os pertences dos anteriores membros da família. Se Merricat é incapaz de encarar a realidade, Constance, apesar da fobia, revela-se estranhamente complacente e conformada com o ter de cuidar da irmã e do tio acamado.

Sempre vivemos no castelo é uma história trágica, mas de tom bem distinto do que seria de esperar: os acontecimentos são relatados pelos olhos de Merricat, entre a inocência de uma criança e a malvadez inconsequente de um louco, que ora se refugia na lua, ora descarrega a sua raiva nos objectos que apanha. Torna-se desta forma um relato excelente da crueldade humana que cruza diferentes insanidades com as consequências do medo fortalecido: Merricat tem medo da mudança, Constance não suporta as multidões, e os aldeões temem o que não compreendem.

Hábitos de Leitura

Não costumo seguir correntes ou aderir a modas de questionários, mas este pareceu-me interessante, sobre hábitos de leitura.

Petiscas enquanto lês? Se sim, qual é o teu petisco favorito?

Não costumo, mas pode acontecer com caju.

Qual é a tua bebida preferida enquanto lês?

Chá ! Chá de maçã e canela ou chá preto com especiarias ! Também vai roibos ou pu-erh.

Costumas fazer anotações enquanto lês, ou a ideia de escrever em livros horroriza-te?

Só se escreve em livros de estudo ! Tirando isso, vá de metro! Ok, ok. O autor do livro pode autografá-lo.

Como é que marcas o local onde ficaste na leitura? Um marcador de livros? Dobras o canto da página? Deixas o livro aberto?

Vejamos… dobrar, nunca. Deixar o livro aberto, só se o for largar durante uns segundos, senão fica com a lombada danificada. Costumo usar um marcador, mas não de papel. É um género de clip (e por isso não salta da página que marca), mas que não rasga a folha.

Ficção, não-ficção, ou ambos?

Ambos. Se bem que ultimamente, só ficção. De preferência ficção científica e fantasia, em inglês, espanhol ou português. Pode aparecer pelo meio um romance histórico ou algo puramente literário.

És do tipo de pessoa que lê até ao final do capítulo, ou paras em qualquer sítio?

Em qualquer sítio. Antes tinha por hábito ler no autocarro pelo que não era muito prático sair dez paragens à frente para conseguir terminar o capítulo. Tento parar no final de parágrafos, mas nem sempre dá.

És leitor para atirar um livro para o outro lado da sala ou para o chão quando o autor te irrita?

Nunca !  Os livros são sagrados cá em casa ! Ai de alguém que eu veja fazer tal coisa cá em casa !

Se te deparares com uma palavra desconhecida, paras e vais pro­curar o seu significado?

Claro! Dicionário online, dicionário em papel, naquilo que estiver mais perto. Em último recurso pergunto a quem estiver mais perto.

O que é que estás a ler actualmente?

Terminei The Master and Margarita de Mikhail Bulgakov e vou começar Almanaque do Dr. Tackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas, de vários autores.

Qual foi o último livro que compraste?

Últimos – foi uma encomenda da Amazon com The Usurper of the Sun (Nojiri), The Second Year of Clarkesworld Magazine, Adventures in Unhistory (Avram Davidson), The Golden Age (Michal Ajvaz), The House of Storms de Ian R. MacLeod e finalmente The Scar de China Miéville.

Lês só um livro de cada vez, ou consegues ler mais que um ao mesmo tempo?

Só costumo ler um livro de cada vez. Mas por vezes alterno um inglês ou espanhol com um português, ou um livro de prosa densa com um de contos.

Tens um lugar/altura do dia preferido para ler?

Lê-se em qualquer sítio, mas prefiro estar deitada de barriga para baixo. Altura do dia, quanto mais tarde melhor: não gosto muito de exercitar o cérebro de manhã.

Preferes livros incluídos em séries ou independentes?

Prefiro os independentes, ou os que, pertencendo a uma série, podem ser lidos isoladamente.

Existe algum livro ou autor específico que estejas sempre a reco­mendar?

Sim ! O Segredo do Bosque Velho de Dino Buzzati (não entendo porque não é um livro mais conhecido, visto que todos os que o leram após a recomendação gostaram), Zoran Zivkovic (principalmente os livros de contos publicados pela Aio Publishing), Perdido Street Station de China Miéville (para os que gostam de livros fora do vulgar, este é dos melhores que já li).

Em autores portugueses é fácil: Barreiros para FC, Afonso Cruz para fantástico mais literário, David Soares para horror (ainda tenho de ler o último).

Como é que organizas os teus livros?

Separo os lidos dos não lidos, depois coloco por colecção a que pertencem ou por tamanho, agrupo por número quando pertencem a uma colecção, por autor / género quando possuem tamanhos semelhantes. Ficção história tende a ficar com ficção histórica, ficção científica com ficção científica e fantasia com fantasia.  As edições portuguesas são mais fáceis de organizar – quase todas as editoras publicam no mesmo formato.

Esta semana (15.05.2010)

Esta semana recordaram-se alguns clássicos de ficção científica publicados em português (por Luís Filipe Silva em Efeitos Secundários), e Carla Ribeiro tem destaque no Correio do Fantástico:

Neuromante – William Gibson (Efeitos Secundários) – Luís Filipe Silva recorda as edições portuguesas de alguns clássicos de ficção científica, e centra-se em Neuromante

- Os Despojados – Ursula Le Guin (Efeitos Secundários) – incluído na colecção FC da Europa-América, este será, segundo Luís Filipe Silva, um dos melhores do género

- Senhores da noite – Carla Ribeiro (Correio do Fantástico)

- Pela Sombra Morrerão – Carla Ribeiro (Correio do Fantástico)

- Indomável – P.C. Cast + Kristin Cast (Bela Lugosi is Dead)

- Sacrament – Clive Barker (Der Wanderer’s Blog)

- Entrevista com o vampiro – Anne Rice (Falling into infinity)

- A Glória dos Traidores – George R.R. Martin (Lydo e Opinado)

Crepúsculo – A Novela Gráfica Volume I – Stephanie Meyer (Bela Lugosi is Dead e I Dream in Infrared)

- O Punhal do Soberano – Robin Hobb (Sombra dos Livros)

- O Abraço da Noite - Sherrilyn Kenyon (Bela Lugosi is Dead)

- A Feiticeira – Michael Scott (Estante de Livros)

Mas esta semana não foi só de críticas literárias, destacando-se a revelação da capa do Correio Fantástico e o texto de João Seixas sobre Frank Frazetta:

- As melhores capas de BD -Junho 2010 (Bela Lugosi is Dead)

- R.I.P.: Frank Frazetta (1928-2010) (Blade Runner) – ilustrador de ficção científica e fantástico, Frank Frazetta é recordado por João Seixas

- A Capa de Correio Fantástico (Correio do Fantástico)

- Video 7 (Memórias da Ficção Científica) – a moda dos vampiros é cíclica…

- David Soares (of Blog of the Fallen) – não é português, mas é sobre um português. Larry, um dos meus críticos preferidos, critica duas obras de David Soares.

Distant Early Warnings – Canada’s Best Science Fiction

Em Distant Early Warnings Robert J. Sawyer propõe-se a reunir as melhores histórias de ficção científica com data de publicação superior a 2000, cujos escritores se encontrem em solo canadiano. O autor de Flashforward reúne assim, nesta colectânea, 14 histórias e um poema, de autores tão diversos como Karl Schroeder ou Robert Charles Wilson.

A primeira história, In Spirit, relata a experiência de um jovem a quem é dada a oportunidade de participar numa experiência científica para contornar a pesada pena a que foi condenado. Apesar de não ter praticado directamente nenhum crime, este jovem terá sido cúmplice dos actos terroristas no 11 de Setembro. Vinte anos depois é-lhe dada a oportunidade de, através de uma máquina do tempo, retornar ao fatídico dia e testemunhar o resultado de ter mantido em segredo os planos terroristas. A máquina não permite um transporte real do corpo: consegue observar o que a rodeia sem ser vista, mas não interage com as restantes pessoas, uma espécie de presença fantasma.

The Ray-Gun é uma história estranha de James Alan Gardner, uma aproximação aos heróis de banda desenhada, mas com uma perspectiva irónica. A personagem principal, Jack, é um rapaz normal que, para fugir aos colegas brigões, retorna a casa pelo caminho através dos bosques.  É desta forma que encontra uma arma extraterrestres. Entre alertar as autoridades e ficar com a arma, Jack opta pela segunda hipótese. Pensando-se predestinado, Jack altera o rumo da sua vida: começa a praticar intensivamente desporto para um dia se tornar num herói, e envereda pelo estudo da física, de modo a poder perceber um dia o funcionamento da arma.

Shed Skin, de Robert Sawyer,  é outra das histórias que se destaca nesta colectânea. Num mundo em que a longevidade humana é ampliada graças à possibilidade de se poder migrar a mente para um novo corpo, as perspectivas de vida após a migração são diferentes: se por um lado, as propriedades e direitos humanos são transferidos para a consciência que se encontra no novo corpo, por princípios éticos, o antigo corpo mantém-se vivo, numa espécie de prisão paradisíaca.

Outra das historias que se realçou foi a de Peter Watts, The Eyes of God. Num futuro onde tudo é monitorizado, a vigilância atinge o auge nos aeroportos, existindo máquinas capazes de percorrer a mente humana em busca de desvios, sejam eles de teor criminoso ou sexual.

Em A Raggy Dog, a Shaggy Dog, uma mulher centra a sua existência nas plantas, mais especificamente, nas orquídeas. Esta actividade profissional torna-se uma obsessão, de tal forma que chega a dormir com as plantas em lençóis impermeáveis, e a fazer disparar o alarme de incêndio nas casas onde vive, de modo a permitir que algumas floresçam no ambiente húmido criado.

Do autor de Darwinia, Robert Charles Wilson, The Cartesian Theatre é uma das histórias mais aterradoras pela premissa. Um homem pretende montar um espectáculo em que simula a morte sem chegar a magoar qualquer animal (se se considerar que a simulação por ele criada não é um animal) satisfazendo os desejos da plateia de observar um ser vivo em sofrimento.

No final da colectânea encontram-se cinco histórias curtas, de uma página, de onde se destaca Ars Longa, Vita Brevis de James Alan Gardner: um conto irónico que conta como a humanidade se desinteressou da astronomia, depois de entrar em contacto com os extraterrestres e descobrir que a actual disposição das estrelas e corpos celestes resulta da expressão artística de uma espécie de alienígenas.

No conjunto é um conjunto de história interessantes, destacam-se algumas excepcionais (como The Cartesian Theatre) mas que possui, também, algumas que não me suscitaram reacção.

New Books Around (11.05.2010)

Durante o mês de Maio, a chancela de livros de ficção especulativa japoneses, Haikasoru, propõe lançar 4 novos títulos. O primeiro, The Stories of Ibis, de Hiroshi Yamamoto, decorre num futuro em que os andróides terão criado a sua própria civilização, e os seres humanos escasseiam:

In a world where humans are a minority and androids have created their own civilization, a wandering storyteller meets the beautiful android Ibis. She tells him seven stories of human/android interaction in order to reveal the secret behind humanity’s fall. The stories that Ibis speaks of are the “seven novels” about the events surrounding the announcements of the development of artificial intelligence (AI) in the 20th and 21st centuries. At a glance, these stories do not appear to have any sort of connection, but what is the true meaning behind them? What are Ibis’s real intentions?

Hiroshi Sakurazaka é o autor de All You Need Is Kill, um dos primeiros livros publicados pela editora, e autor de uma das próximas quatro obras, Slum Online:

Etsuro Sakagami is a college freshman who feels uncomfortable in reality, but when he logs onto the combat MMO Versus Town, he becomes “Tetsuo,” a karate champ on his way to becoming the most powerful martial artist around. While his relationship with new classmate Fumiko goes nowhere, Etsuro spends his days and nights online in search of the invincible fighter Ganker Jack. Drifting between the virtual and the real, will Etsuro ever be ready to face his most formidable opponent?

Loups-Garous é um mistério que decorre no futuro, onde a comunicação entre seres humanos se faz quase exclusivamente pela net, um meio controlável:

In the near future, humans will communicate almost exclusively through online networks— face-to-face meetings are rare and the surveillance state nearly all-powerful. So when a serial killer starts slaughtering junior high students, the crackdown is harsh. The killer’s latest victim turns out to have been in contact with three young girls: Mio Tsuzuki, a certified prodigy; Hazuki Makino, a quiet but opinionated classmate; and Ayumi Kono, her best friend. And as the girls get caught up in trying to find the killer—who might just be a werewolf— Hazuki learns that there is much more [to their monitored communications] than meets the eye.

Hiroshi Sakurazaka não é o único autor repetente nesta colecção. Também Issui Ogawa vê uma segunda obra publicada nesta colecção, The Next Continent (a primeira tinha sido The Lord of the Sands of Time):

The year is 2025 and Otaba General Construction—a firm that has built structures to survive the Antarctic and the Sahara—has received its most daunting challenge yet. Sennosuke Touenji, the chairman of one of the world’s largest leisure conglomerates, wants a moon base fit for civilian use, and he wants his granddaughter Taé to be his eyes and ears on the harsh lunar surface. Taé and Otaba engineer Aomine head to the moon where adventure, trouble, and perhaps romance await.

Digital Domains: A Decade of Science Fiction & Fantasy é o nome de uma das mais recente antologias organizadas por Ellen Datlow, que reúne as melhores histórias que terá editado na OMNI, Event Horizon e SCIFICTION.

Entre os autores podemos encontrar Kelly Link, Jeffrey Ford, Carol Emshwiller ou James P. Blaylock. Uma lista completa do conteúdo encontra-se disponível no blog de Ellen Datlow.

Paul di Filippo é o autor de livros como The Steampunk Trilogy, ou Lost Pages, uma antologia nomeada para o prémio Philip K. Dick. O seu próximo livro Roadside Bodhisattva, parece ser algo bem diferente:

Kid A, sixteen, a runaway, determined to equal the hobo exhilarations and revelations described in the books of Jack Kerouac, is wandering the highways of the American Northeast. Stopping to sleep for the night under a particularly hospitable tree, he meets Sid, a fifty-something old-timer of the roads, who steps into the Kid’s life like an apparition, full of stories and existential wisdom. The two do not travel together far before settling down to work at the Deer Park Kitchen–Motel and Filling Station attached–for what should be a brief, restorative stint. But Deer Park is full of interesting personalities, some expansive, some in need, and the short stay comes to span many weeks, which will change forever the lives of both Sid and Kid A…

In the ensuing epiphanies and misunderstandings befalling Kid A, hope and disappointment are mixed, as sexual attraction, honest hard labour, growing knowledge of strangers, and curious philosophical insights combine into the boy’s first proper experience of the world.

El carpintero y la lluvia é o primeiro de quatro volumes do ciclo Drimar. Este ciclo reúne as histórias de ficção científica de Rodolfo Martínez publicadas nos anos 90. Apesar de independentes, estas histórias possuem temas e ambientes semelhantes, justificando a sua junção no ciclo. Rodolfo Martinez é o autor de Sabedoria dos Mortos (livro com o qual ganhou o prémio Asturias), publicado em Portugal pela Saída de Emergência. Sobre as histórias publicadas em El Carpintero y la lluvia, fica aqui o resumo disponibilizado pela editora:

«Un agujero por donde se cuela la lluvia»: Un joven autista es trasladado a la estación espacial situada en el punto L3 entre la Tierra y la Luna y, a su llegada, empiezan a tener una serie de sucesos extraños que acabarán involucrando a todos los personajes y llevando a algunos al borde la locura.

«La carretera»: Un hombre recorre una y otra vez una carretera en apariencia interminable en el planeta Bluyeiuey. Mientras avanza hacia un futuro incierto repasa también un pasado oscuro.

«El alfabeto del carpintero»: Durante una guerra, un pelotón queda varado en Bluyeiuey. Años más tarde, los dos supervivientes volverán a encontrarse, sólo para descubrir que, desde entonces, nada ha vuelto a funcionar en sus vidas como debería.

En El carpintero y la lluvia, Rodolfo Martínez explora la realidad y la irrealidad, las obsesiones y las posibilidades en un juego literario claramente deudor de Philip K. Dick.

The Lord of the Sands of Time – Issui Ogawa

Haikasoru é uma chancela determinada em trazer ao mercado americano os melhores livros de ficção científica japonesa, numa colecção organizada por Nick Mamatas. Entre os primeiros livros publicados encontram-se All you need is kill (que irá ser adaptado para cinema pela Warner Bross), Usurper of the Sun e The Lord of the Sands of Time.

Issui Ogawa é um escritor japonês de ficção científica, premiado por duas vezes com Seiun, um prémio japonês para a melhor ficção científica publicada no Japão. The Lord of the Sands of Time é o seu primeiro livro traduzido para inglês, esperando-se um segundo, The Next Continent, ainda para este mês, também pela Haikasoru.

The Lord of the Sands of Time inicia-se com a descrição de um pequeno passeio de Miyo, imperatriz de um reino japonês medieval graças aos seus poderes divinatórios, que tenta escapar ao papel de fantoche imposto pelo chefe militar. Interrompida por um rapaz que faz parte da corte, pensa em retornar do passeio clandestino quando são atacados por um demónio. O rapaz rapidamente fica ferido, e Miyo, indefesa, é salva da situação fatal por um estranho  homem de armadura, um mensageiro do futuro, de um Universo paralelo, Orville.

Parte de um grupo de mensageiros, Orville é uma entidade artificial inteligente, que reage de forma semelhante a um ser humano, principalmente por ter vivido alguns anos entre humanos no mundo de origem tendo-se, até, apaixonado por uma mulher. Impossibilitado de retornar ao mundo de origem, Orville foi construído para viajar de mundo em mundo, com o intuito de combater uma praga de extraterrestres que tenta exterminar a espécie humana em vários universos paralelos. Após combater o extraterrestre que atacou Miyo, Orville tenta reunir os exércitos disponíveis e gerir os recursos naturais de modo a combater a invasão alienígena, com a ajuda da imperatriz.

Explorando a teoria dos universos paralelos que se multiplicam a cada possibilidade de decisão, Issui Ogawa construiu uma história de guerra espacial em tudo diferente das que já li anteriormente, contra uma praga de extraterrestres cujos motivos são desconhecidos, que saltam de realidade em realidade. Também aqui existem inteligências artificiais, andróides semelhantes a humanos, mas ao invés de se revelarem frios e distantes, possuem personalidades próprias amadurecidas por uma  maior longevidade. Estranha, mas sobretudo original, esta é uma história de ficção científica de leitura fácil, inteligentemente construída.

Esta semana (08.05.2010)

- From Hell – Alan Moore e Eddie Campbell (As Leituras do Corvo)

- O Abraço da noite – Sherrilyn Kenyon (Bela Lugosi is Dead)

- A Criança Roubada – Keith Donahue (Efeitos Secundários)

- Dívida de Sangue – Charlainne Harris (Este meu cantinho)

- Titus, O Herdeiro de Gormenghast - Mervyn Peake (Bela Lugosi is Dead)

- Vaga Sem Praia – C. J. Cherryh (Efeitos Secundários)

- O Veneno de Ofiúsa – Francisco Dionísio (Estante de Livros)

- A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao – Junot Diaz (Efeitos Secundários)

- As Incríveis Aventura de Dog Mendonça e Pizzaboy – Filipe Melo, Pablo Parés (Bela Lugosi is Dead)

- Infecção – Scott Siegler (Efeitos Secundários)

Para além das críticas

- Dia Louco na Feira do Livro (I Dream in Infrared) – Rogério Ribeiro resume os eventos fantásticos disponíveis neste Sábado

- Ler em Lisboa (Falling into infinity) – No blog Falling into infinity iniciou-se uma rubrica sobre locais em Lisboa em que será agradável pegar num livro.

- Para uma nova etimologia do Gótico (Cadernos de Daath) – artigo de David Soares

The Illustrated Man – Ray Bradbury

The Illustrated Man é um conjunto de histórias curtas que se desenrolam nas costas de um homem completamente tatuado. Estas ilustrações terão sido a sua ruína e a razão pela qual não consegue manter nenhum trabalho por mais do que meses: no único espaço em branco aparece, por vezes, a história que retrata a hora da morte de quem observa.

A personagem principal, de quem nunca conhecemos o nome, observa o desenvolvimento de 16 histórias, simultaneamente fascinantes e tenebrosas, onde o efeito da tecnologia se traduz na insensibilidade dos seres humanos.

Assim, encontramos crianças obcecadas por uma sala simuladora de ambientes, que reflecte o estado mental das crianças. Após encontrarem na sala um cenário de África onde não faltam os leões, os pais resolvem fechar temporariamente a sala.

Noutra história ocorre um acidente no espaço, e os astronautas são lançados em direcções opostas sem que nada os possa parar ou salvar. Humanos substituídos por robots ou a reconstrução de um casa de Usher num mundo onde todos os livros fantásticos foram banidos são premissas para mais histórias que cruzam o horror com a ficção científica.

No conjunto este é um excelente conjunto de histórias onde se explora o lado negro dos seres  humanos, debruçando-se sobretudo sobre as escolhas negativas quando dada a oportunidade.

Lançamentos – Fantástico e FC

Em Portugal já começou a moda de fundir obras clássicas a monstros fantásticos, dando origem a Viagens na Minha Terra com Vampiros. Chega agora a tradução do livro que originou a moda,Orgulho e Preconceito e Zombies por Seth Grahame-Smith e Jane Austen, lançado em Portugal pela Gailivro.

Segundo a Saída de Emergência será finalmente este mês que é lançada a re-edição de Titus – O Herdeiro de Gormenghast de Mervyn Peake, através da Chancela Camões & Companhia, em novo e mais fresco visual. (Correcção – afinal ainda não será este mês).

O grande lançamento do mês pela Saída de Emergência será o Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas, um compêndio de doenças imaginadas por Alan Moore, Neil Gaiman, Jeff Vandermeer ou China Miéville,  que inclui maleitas descritas por autores portugueses como David Soares.

A Marca de Kushiel é o segundo volume da série Kushiel da autoria de Jacqueline Carey. Dado que o segundo volume apresenta visual gráfico distinto do primeiro volume, a editora optou por oferecer com A Marca de Kushiel uma capa para O Dardo de Kushiel.

Por sua vez, Indomável de P.C. Cast e Kristin Cast é o quarto volume da saga A Casa da Noite.

Ainda pela Saída de Emergência, mas através da colecção Teen foi publicado recentemente O Veneno de Ofiúsa de Francisco Dionisio e será lançado este mês Estrela de Narien de Susana Almeida e Hora H de Ted Bell. Enquanto o primeiro retrata uma guerra entre os deuses e os humanos, acompanhando uma demanda na Lusitânia, Estrela de Narien decorre num Império em guerra, ameaçado por um artefacto poderoso (e que dá título ao livro). Finalmente, Hora H passa-se no ano de 1939, centrando-se num rapaz, Nick, que descobre um baú. Perseguido por piratas do passado, descobre que dentro do baú se encontra uma máquina do tempo.

A Bruxa de Oz de Gregory Maguire apresenta-nos uma versão alternativa do reino de Oz, em que a bruxa má do Oeste, Elphaba é na verdade uma jovem lutadora incompreendida numa cidade demasiada estratificada, em que os animais sapientes são marginalizados.

O Leão de Oz é o terceiro volume desta trilogia que se centra no Leão cobarde, salvo por Elpaba quando era apenas uma cria.

O fim do Senhor Y de Scarlett Thomas foi re-editado com nova capa pela Bertrand. A história centra-se na descoberta de um exemplar de um livro raro e amaldiçoado, O fim do Sr Y:

Quando Ariel Manto descobre uma cópia do livro O Fim do Senhor Y numa loja de livros em segunda mão, nem consegue acreditar no que está a ver. Já tinha ouvido falar no seu autor, um cientista vitoriano de nome Thomas Lumas, e este é o seu livro mais famoso – e completamente raro. Muitos acreditam que contém uma maldição. Todos os que o leram, inclusive o próprio Lumas, desapareceram sem deixar rasto. Com o livro debaixo do braço, Ariel é empurrada para uma aventura onde fé, física, amor e morte se misturam. Em parte mistério gótico e em parte história de amor com viagens no tempo, Scarlett Thomas conduz-nos numa demanda selvagem e irresistível até ao mais íntimo do nosso ser.

Esta semana (2010-05-01)

Esta semana assistimos a duas críticas a livros portugueses por parte de Rogério Ribeiro. Se o comentário a Enciclopédia da Estória Universal de Afonso Cruz vem confirmar que se trata de uma excelente obra, a crítica ao livro de Octávio dos Santos, Espíritos das Luzes, põe por escrito aquilo que apenas tinha sido comentado por alguns leitores: que ainda que a ideia seja interessante, parece ter algumas falhas na concretização. O autor parece não ter gostado da crítica e tentou contestar, diga-se, nem sempre da melhor forma.

Cordeiro: O Evangelho segundo Biff, o amigo de infância de Jesus Cristo – Christopher Moore (As Leituras do Corvo)

- O Feitiço das Trevas – A. P. Cabral (Bela Lugosi is Dead)

Espíritos das Luzes – Octávio dos Santos (I Dream in Infrared)

- Sangue Fresco – Charlainne Harris (Este meu Cantinho)

- O Abraço da Noite – Sherrilyn Kenyon (Bela Lugosi is Dead)

- Eternidade – Alyson Noël (Estante de Livros)

- Ascensão de Arcana – Nocturnus – Rafael Loureiro (Sombra dos Livros)

- The Tombs of Atuan – Ursula K. Le Guin (Der Wanderer’s Blog)

- No Limiar das Trevas – Midnighters – Scott Westerfeld (As Leituras do Corvo e Bela Lugosi is Dead)

- Enciclopédia da Estória Universal – Afonso Cruz (I Dream in Infrared)

- Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll (Estante de Livros)

- Sangue Furtivo – Charlaine Harris (As Leituras do Corvo)

- O Bobo – Christopher Moore (Bela Lugosi is Dead)

- Bang 7 – Vários autores (Falling into infinity)

- Golfinho de Júpiter – Mary Roseblum (Correio do Fantástico)

- Fables Vol. 1 – Bill Willingham (Floresta de Livros)

- Dead Witch Walking – Kim Harrison (Floresta de Livros)

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