A Torre dos Anjos – Philip Pullman

His Dark Materials é uma trilogia fantástica por Philip Pullman, em que apenas o primeiro volume, Os Reinos do Norte, foi adaptado para cinema (The Golden Compass). Tendo lido este primeiro há já alguns anos, decidi-me finalmente a pegar em A Torre dos Anjos (The Subtle Knife em inglês).

Este primeiro volume trazia-nos já o início de uma história engraçada, ainda que introdutório, onde nos era apresentado um mundo diferente, onde os seres humanos possuem um génio, um ser do qual não pode ser separado e que apresenta a forma de um animal. Enquanto que, nas crianças, os génios podem mudar constantemente de forma, nos adultos, esta é uma forma fixa, que possui algumas semelhanças com a personalidade do adulto.

É em A Torre dos Anjos que nos apercebemos que este é um mundo paralelo ao nosso, onde conhecemos Will, um rapaz habituado a virar-se sozinho: o pai perdeu-se numa expedição, e a mãe, paranóica, nem sempre tem condições de tratar de uma criança. Will aprende a esconder a doença da mãe, protegendo-a, de forma a não ser retirado de casa pelas autoridades. Desta forma, aprende a arte de passar despercebido – fazer um ar pouco inteligente e até apático, restringindo as suas próprias acções.

Quando uns homens suspeitos começam a rondar a casa de Will, este vê-se obrigado a deixar a mãe com uma amiga velhota, e a procurar um esconderijo. Antes de fugir, a casa é arrombada, e ao tentar escapar um dos homens morre ao cair pelas escadas. Will corre com uma pasta contendo informação do pai, e ao seguir um gato num jardim, descobre a janela para um outro mundo, onde encontra Lyra.

Lyra é a criança que acompanhámos no primeiro volume da trilogia: abandonada no colégio Jourdan pelos pais (ambos riquíssimos, mas separados), mete-se em sarilhos e aventuras que a levam aos Norte para ajudar a salvar crianças de uma estranha experiência científica, onde são separadas dos seus génios. No final descobre o portal para um estranho mundo onde, para além das pessoas não terem  génios, existem espectros, presenças semelhantes a fantasmas que sugam a consciência dos adultos, mas ignoram as crianças.

Se o primeiro volume já era interessante, este segundo surpreendeu-me pela positiva. Apesar de serem juvenis, este volume revela mais sobre a teoria por detrás da história, semelhante à dos mundos paralelos: em cada mundo a evolução seguiu um curso diferente, e entre esses mundos podem ser abertas portas. Ainda que seja uma história juvenil estas crianças não apresentam sempre um humor alegre e despreocupado, notando-se um desenvolvimento das personagens com as provas a que vão sendo submetidas.

Bem estruturado, este segundo volume prepara a história para o final, desenvolvendo quer as personagens, quer a história, e apresentando sempre novidades. Embora seja dirigido para um público jovem, é uma história cativante que se lê bem por adultos que gostem de fantasia. Em Portugal esta trilogia foi publicada pela Editorial Presença.

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Uma resposta to “A Torre dos Anjos – Philip Pullman”

  1. O Telescópio de Âmbar – Philip Pullman « Rascunhos Says:

    [...] ou matéria pó, encontrou uma janela para outro mundo, o mundo dos espectros que conhecemos em A Torre dos Anjos. Daí, viaja para um outro mundo onde não existem seres humanos, povoado por seres sapientes onde [...]


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