Novembro Fantástico – Parte 3 (Fórum Fantástico)

Depois do lançamento da Bang! 8 e do colóquio Mensageiro das Estrelas, ainda tivemos o Fórum Fantástico no mês de Novembro, nos dias 12, 13 e 14, na Biblioteca de Telheiras.

12 de Novembro, Sexta-Feira:

17:00 – Painel “Arte Fantástica”, com Victor Lages, Bruno Krippahl e Tiago Lobo Pimentel, moderado por Ana Maria Baptista.

Visualmente interessante, neste painel mostraram-se imagens que têm o fantástico como tema, algumas das quais que integram jogos de computador. Neste sentido, desenrolou-se um pequeno debate entre os apresentadores e alguns dos membros da plateia sobre o significado de arte: seriam as imagens de Photoshop arte? E o que dizer dos jogos de computador? Será que podem, também, ser considerados arte?

18:30 – Lançamento “A Simbólica do Espaço em O Senhor dos Anéis”, com a autora Maria do Rosário Monteiro.

Maria do Rosário Monteiro apresentou A Simbólica do Espaço em O Senhor dos Anéis, um ensaio em torno da obra de Tolkien, onde a autora explora os distintos palcos da história. Este foi um lançamento bastante interessante, onde se notou o quão habituada a autora está a expor as suas ideias. No final, as perguntas não paravam, e não fosse por falta de tempo a apresentação ter-se-ia alongado mais.

13 de Novembro, Sábado:

15:00 – Painel “Lisboa Fantástica”, moderado por Rui Tavares, com João Barreiros, David Soares e Octávio dos Santos.

Excelentemente moderado, este painel apresentou a noção da cidade que cada um dos autores possui: luminosa ou escura, escondida ou revelada. Se Octávio dos Santos expande a cidade, João Barreiros já a explodiu por diversas vezes nas suas histórias, e David Soares escolhe uma Lisboa pré-terramoto caracterizada por ruelas pouco iluminadas e um ambiente mais soturno.

16:00 – Cinema Fantástico Português – Curtas (“A Audição”, de Francisco Campos e Henrique Bagulho; “Nocturna”, de Francisco Carvalho; “A Aposta”, de Vasco Sequeira).

Apenas assisti à curta A Audição, mas acostumada às pasteladas do cinema português achei esta curta bastante melhor, quer em termos de imagem e som, quer em termos de história.

17:30 – Lançamento “A Luz Miserável”, com o autor David Soares.

A Luz Miserável, de páginas pretas e letras brancas (e odor indescritível), traz-nos três novas histórias negras do autor David Soares, que terão relação com os seus últimos três romances: do suspense ao splatterpunk. Como sempre uma apresentação interessante e inteligente do autor. O livro esse, aguarda a leitura de Lisboa Triunfante e de O Evangelho do Enforcado, pelo que não poderei comentá-lo – por enquanto.

18:00 – À Conversa com Ricardo Pinto, por Rogério Ribeiro.

Ricardo Pinto é o autor da trilogia fantástica lançada pela Editorial Presença, A Dança de Pedra do Camaleão. Após longos anos de espera, o terceiro e último volume foi publicado recentemente. Uma espécie de purga psicológica do autor luso-descendente, a história decorre num ambiente fantástico diferente do usual, numa sociedade patriarcal onde os nobres nunca tiram as máscaras. Um ambiente interessante que me recordo de gostar, apesar de ainda não ter lido o último volume.

Durante a conversa Ricardo Pinto revelou algumas características da sua vivência familiar que terão sido exploradas nos livros, e falou sobre a experiência de escrita. No final, revelou que, depois de outros projectos que tem em curso, talvez volte a escrever algo passado no mesmo mundo.

18:30 – À Conversa com Stephen Hunt, por Luís Corte-Real.

Enquadrados no género Steampunk, os livros de Stephen Hunt terão sido dos primeiros do género a obter uma grande exposição comercial. A Corte do Ar é o primeiro de uma série, onde cada um dos volumes pode ser lido independentemente.

19:00 – À Conversa com Peter V. Brett, por Pedro Reisinho.

A série fantástica de Peter V. Brett é uma das mais viciantes dos últimos tempos. Apresentando uma realidade onde a tecnologia terá sido esquecida e os demónios sobem das profundezas todas as noites para caçar humanos, Peter V. Brett explora o desenvolvimento de um Messias que irá expulsar os demónios. Até agora as personagens têm-se revelado humanas, ou seja, não são inteiramente boas ou más, ainda que de vez em quando as suas acções possam ser interpretadas como tal. Para um dos próximos volumes, o autor prometeu explorar o lado dos demónios.

14 de Novembro, Domingo:

15:00 – Sugestões de Leitura, com Ana Cristina Alves e João Barreiros.

João Barreiros fala com um entusiasmo contagiante! Entre os livros referidos encontramos Kraken de China Miéville, Finch de Vandermeer, Locke & Key de Gabriel Rodriguez  e Joe Hill, The Quantum Thief de Hannu Rajaniemi ou The Passage de Justin Cronin.

15:30 – Painel “Banda-Desenhada”, com Filipe Melo, Nuno Duarte, Osvaldo Medina, Rui Ramos, Fil, André Oliveira e Diogo Carvalho.

Este quase que já pode ser considerado O Painel Anual de Banda Desenhada, onde os autores apresentam os seus novos projectos (existem algumas presenças constantes). Ainda que tenha gostado das apresentações, acho que gostaria de ter visto alguns daqueles projectos mais esmiuçados, ou seja, seria interessante dar mais tempo aos lançamentos deste ano, com rubrica própria no horário ao invés de concentrados na mesma meia hora. Isto porque… começam a ser projectos a mais para apresentar em tão pouco tempo. Ou foi esta a sensação com que fiquei.

17:00 – Painel “Fantástico como forma literária”, moderado por João Morales, com Afonso Cruz e João Pedro Duarte.

Com uma moderação impecável e perspicaz João Morales aproveitou as obras dos autores para lhes colocar perguntas sobre o género, desenvolvendo-se uma conversa interessante e inteligente.

_______________________

Para os interessados, existe uma página no facebook onde se reúnem vídeos e opiniões do evento.

Algumas considerações

Há já algum tempo que tenho vontade de discorrer sobre a evolução da relação literatura Vs internet, mais especificamente da forma como algumas editoras e autores (não) utilizam este meio de comunicação cada vez mais barato para publicitar novos livros e eventos associados.

Numa altura em que se utiliza, cada vez mais, motores de busca como a google, para encontrar informações, parece-me que algumas editoras se negam a encarar a realidade: não possuem uma página oficial, ou o que possuem não a utilizam. Procura-se uma sinopse, uma simples informação sobre o livro ou autor, e mais facilmente esta se encontra num site genérico como o da FNAC ou da Wook, que na página oficial da editora, que anda às moscas, vá-se lá saber porquê (talvez por não ser actualizado há vários meses ou possuir informação confusa ou de difícil acesso?).

Entramos aqui também noutro domínio – o da acessibilidade dos sites. Acho que todos gostamos de ver uma página com música e de design composto, mas a médio ou longo prazo, de que serve uma página de lento acesso, onde a informação é de difícil obtenção e para a qual é complicado gerar links ou retirar as imagens oficiais? Não estou a falar de plagiar informação ou de a utilizar para proveito próprio, mas sim para propagar a informação e fazer algo tão simples como mostrar a um amigo, ou dissertar num fórum e conseguir dizer “foi esta a obra que me fascinou”. Em ambas as situações estamos a falar de publicidade gratuita que pode originar mais vendas.

Voltemos então à actualização das páginas oficiais das editoras: parece-me absurdo tomar conhecimento de um novo livro primeiro através de um site genérico e não através do oficial da editora. Ainda mais absurdo se torna quando a informação sobre o livro desejado nunca aparece na página oficinal: um espaço que pode ser consultado a qualquer momento, e que não depende do humor do livreiro ou de uma taxa qualquer para permanecer nas prateleiras principais.

Mas se existem, aos pontapés exemplos de má utilização de uma ferramenta de publicidade barata, não tão limitada quanto um jornal ou a montra de uma livraria, existem já editoras portuguesas a utilizar em pleno o potencial desta ferramenta. Entre as páginas oficiais actualizadas podemos encontrar blogs oficiais das editoras relacionados com os dos próprios autores, eventos marcados no facebook, fóruns ou até passatempos e comentários / críticas em blogs independentes das editoras: as estratégias parecem aproximar-se daquilo que há já alguns anos se vê nos mercados inglês e americano. Todas estas utilizações contribuem para aumentar a expectativa e a curiosidade nos potenciais leitores, com a criação de laços às próprias editoras ou autores.

Por último, qual o papel dos blogs independentes no meio disto tudo? (questão dúbia dado estarmos num blogs sobre livros.) Antes de mais e tentando esquecer que estamos num, o que procuro quando navego entre blogs literários? É fácil: opiniões concisas e límpidas, factos concretos, notícias sobre futuros lançamentos. Independentemente da opinião positiva ou negativa (que há-de ter o seu peso), procuro dados sobre a obra que me permitam discernir se irei, ou não, gostar da obra em questão. Agora falando da minha própria experiência enquanto leitora, encerrado um livro percebo, por vezes, que o li na altura errada ou que não o consegui apreciar por razões que fazem parte da minha própria personalidade (experiência de vida ou complexidade emocional). Há que tentar (nem sempre se consegue), separar as águas, o que está no livro e o que está em mim.

Desta forma, existem alguns blogs cuja referência me pode levar directamente a adquirir um livro (como o Of Blog of the Fallen), não porque tenha o mesmo gosto literário de quem escreve, mas porque normalmente me consegue apresentar um resumo concreto do que é o livro. Existem, ainda, aqueles em que só depois de várias referências considerarei a aquisição, ou aqueles em que as referências me levam a procurar mais informações. Entra aqui, também, o papel dos passatempos, que ajudam a realçar uma determinada obra, ao criarem um investimento emocional no concorrente, um envolvimento que poderá ajudar na aquisição da obra.

Posta esta dissertação amadora baseada apenas na minha experiência, aproveito para realçar que continuo sem perceber como algumas editoras descuram o papel positivo da internet enquanto meio de comunicação, numa perspectiva que foge claramente à realidade que nos rodeia.

Retrospectiva 2009 – As melhores leituras

Mantendo a congruência para com os anos anteriores (2008, 2007 e 2006), aqui fica a minha pequena lista de melhores leituras de 2009 (para uma listagem completa do que li ao longo desse ano, consultar a página L09):

The Secret History of Moscow (Ekaterina Sedia), The Other City (Michal Ajvaz) e The City & The City (China Mieville) são três livros do género fantástico que nos revelam uma cidade sob outra cidade.

O livro de Ekaterina Sedia é engraçado e interessante, mas não o achei extraordinário – a história nunca nos chega a envolver totalmente, e o final desprega-nos da história de uma forma insonsa. Para The City & The City as expectativas eram altas, ou não fosse o seu autor o badalado China Miéville. Centrado em duas cidades sobrepostas, a premissa é engraçada, mas a história revela-se um romance policial demasiado inocente e pouco credível.

Finalmente, The Other City foi, destes três, aquele que mais apreciei. Do autor checo Michal Ajvaz, descreve-nos uma outra face da cidade de Praga para onde desaparecem alguns dos seus habitantes.

Apesar de sentir alguma curiosidade pelo livro de Peter Beagle O Último Unicórnio, este foi o ano em que tive oportunidade para ler o livro. Não o achei fascinante, mas resolvi pegar em mais dois livros de contos do mesmo autor, We Never Talk About My Brother e The Rhinoceros Who Quoted Nietzsche and Other Odd Acquaintances. Gostei de ambos, mas o primeiro possui alguns dos melhores contos que li este ano, desde a história de um anjo que se torna a musa inspiradora e obsessão  de um pintor, a um conto com laivos de mitologia japonesa.

Master and Margarita é a obra mais conhecida de MikhailBulgakov, mas enquanto esta aguarda na prateleira por uma oportunidade de leitura, peguei em The Heart of a Dog, um livro mais curto, de ficção científica, que me recordou outras histórias como Frankenstein ou Dr. Jekyll and Mr. Hyde. A personagem principal é um cão vadio, adoptado por um médico que decide realizar uma operação que o irá humanizar e transformar numa personagem peculiar.

Enquanto The Yiddish Policement’s Union é um romance de história alternativa, Gentlemen of the Road é um livro que facilmente se pode tornar um clássico centrando-se nas aventuras de dois judeus aventureiros, heróis humanos e imperfeitos, nem sempre corajosos que às vezes fogem aos seus próprios ideais.

The Man Who Was Thursday é um clássico do início do século XX, um livro que é muito mais do que uma história de detectives, uma paródia ou alegoria à sociedade e à estratificação social, que nos faz pensar no que nos rodeia, através de uma personagem estranha, um cavaleiro que é quase inocente na sua forma de pensar e de agir, que induz aos que o rodeiam a animação que faz da sua própria vida, mesmo nos momentos  mais obscuros.

Enquadrado na colecção Fantasy Masterworks, The Dragon Waiting, de John M. Ford, cativou-me. A história pressupõe a existência de uma Europa ameaçada pelo Império Bizantino, o que leva à convergência, num mesmo grupo, de personagens díspares em ideologia: um médico, um feiticeiro e um vampiro. Apesar de existirem vários aspectos que poderiam ter impossibilitado a minha leitura (as personagens são quase insonsas, existem demasiadas particularidades e informações a reter ao longo da história, e o rumo é demasiado mirabolante), de alguma forma o conjunto de factores funcionou e gostei do livro.

Pandemonium é o primeiro livro de Daryl Gregory e, para mim, um dos melhores lançamentos fantásticos deste ano. Num mundo em tudo semelhante ao nosso, as possessões por demónios são quase banais e induzem episódios repetitivos de loucura nos hospedeiros. A personagem principal foi possuída em criança, e após um acidente volta a apresentar sintomas suspeitos. Escrito de forma simples e directa, baseado numa premissa original, a história possui pequenos twists coerentes que o tornam numa das melhores histórias que já li.

Se em Metamorfose, de Kafka, um rapaz acorda transformado em barata, em Kockroach – A Metamorfose, uma barata acorda transformada em homem, mas sem abandonar alguns dos seus hábitos de insecto. Por vezes arrepiante, por vezes asqueroso, sem passagens paradas ou mortas, sem comoções, um livro sobre os poderes dos seres humanos, entre os quais uma reles barata singra.

As the Sun Goes Down de Tim Lebbon é um livro de contos de horror que exploram hipóteses negras nos acontecimentos mais vulgares – um casal que espera reatar o relacionamento amoroso durante uma viagem, um homem que se salva da queda de um avião (mas que terá de pagar um preço demasiado caro) ou um rapaz que face à queda de um amigo num buraco negro na floresta, explora a possibilidade de herdar os brinquedos. Não existem assassinos de faca na mão ou monstros escorregadios – apenas pessoas reais que optam pelo caminho maldoso, por vezes sem qualquer razão lógica.

Primeiro volume de uma trilogia The Lies of Locke Lamora era um dos livros pelo qual nutria as mais elevadas expectativas, e não fiquei desiludida. A personagem principal é um ladrão atrevido, Locke, que tece elaborados planos para roubar fortunas às personagens mais proeminentes da sociedade. Estruturado, sem se perder em detalhes, o livro lê-se rapidamente. Não é o melhor de fantasia que já li, mas encontra-se entre os melhores do ano de 2009, principalmente pela capacidade de divertir o leitor.

Como já referi inúmeras vezes, As atribulações de Jacques Bonhomme encontra-se entre os melhores livros de ficção científica publicados em Portugal nos últimos tempos. Escrito por um autor português, e publicado pela Gailivro, possui vários contos de final abrupto que consistem na visão estreita de uma só personagem. O que poderia nalguns casos ser um defeito, torna-se aqui uma vantagem. Algumas das histórias no livro não são FC, nem fantasia… na realidade não se enquadram em nenhum género – são histórias que poderiam acontecer nas nossas ruas, amigos traídos, agentes à paisana confundidos com delinquentes ou criminosos em despique. Esqueçam o optimismo e os finais felizes – as histórias retratam a selva da vida real.

Há livros estranhos e The Last Dragon será um dos mais estranhos livros que já li. Violência e tramas políticas são misturadas com magia para levar a cabo vários planos intercruzados de vingança. Intercalando os relatos de vários personagens, a história é um puzzle cujas peças só unimos no final quando os acontecimentos convergem e conseguimos obter a ordem cronológica das várias linhas narrativas.

Kurt Vonnegut foi uma das minhas mais recentes descobertas literárias, e Slaughterhouse five foi o segundo livro do autor. É considerado anti-guerra não porque disserte sobre a guerra, mas pela forma como a apresenta, retratando os soldados como jovens imberbes, que pouco ou nada sabem da vida, com corpos e mentes imperfeitas, e que, sem saberem muito bem como, se encontram nas trincheiras. Para além da guerra existe ainda lugar para viagens no tempo e extraterrestres – a personagem principal, Billy, não vive num fio de acontecimentos temporalmente sucessivos, mas saltanto de época em época, de criança a velhote, de homem a bebé.

To say nothing of the dog é um livro de cerca de 500 páginas cuja acção decorre entre a época vitoriana e um futuro no qual as viagens no tempo são possíveis. Do mesmo modo que a acção alterna entre épocas, alterna igualmente o ritmo da prosa, entre pausado na época victoriana, e um ritmo alucionante no futuro. Esta história uma paródios que reúne vários elementos cómicos e até ridículos: um historiador que procura um objecto nas suas viagens no tempo, vê-se obrigado a viajar para a época victoriana para relaxar; a mecenas do instituto de investigação de história transforma os historiadores em seus empregados, conferindo-lhes missões que pouco ou nada têm a ver com os seus objectivos; uma jovem da época victoriana procura o gato perdido e um gato aparece numa cesta de uma historiadora após uma viagem ao passado.

A Sombra do Vento foi das obras que mais apreciei este ano. Há quem o considere bom, mas não excelente – para mim possui vários elementos que o aproximam da perfeição: a acção decorre na cidade de Barcelona, e os livros possuem um papel fulcral no desenrolar da história.

Entre o romance e o mistério, a história decorre durante a ditadura de Franco, um tempo caracterizado pelo medo e a desinformação, o que confere à história um ambiente nublado. Como não poderia deixar de ser, assuntos como a Guerra Civil e a opressão são uma sombra constante  na vida das personagens.

Zoran Zivkovic tem-se tornado um dos meus autores favoritos, mais um daqueles a cujas histórias retorno, tal como Gabriel Garcia Marquez, Italo Calvino, Borges, Buzzati ou Umberto Eco. Seven Touches of Music é uma das colectâneas de contos que tive a oportunidade de ler do autor. Edição de luxo, reúne histórias em que a música tem um papel fulcral, parecendo retratar a perfeição do Universo e, em última análise, a expressão de um Criador, um músico perfeito. Um dos aspectos mais interessantes dos contos, para além da música, é o captar de gestos e sentimentos que compõem o nosso quotidiano: acções rotineiras pouco lógicas, mas que nos conferem conforto; sonhos que nos deixam entorpecidos pela manhã, ou pequenos acontecimentos inexplicáveis que geram os mais variados rumores.

Organizado por Ekaterna Sedia, Paper Cities é capaz de ser das melhores e mais equilibradas colectâneas de contos que já tive oportunidade de ler, reunindo histórias fantásticas em cenário medieval, realismo mágico e até histórias de fantasmas.

Ainda que não se encontrem entre as melhores leituras deste ano, gostei do estranhamente irritante All the Windwracked Stars: demasiado lamechas e rodeado por um fatalismo excessivo, por alguma razão estou com vontade de adquirir e ler o próximo volume; adorei Darwinia, um livro enquadrado na história alternativa que, no início do século XIX substitui o continente europeu por uma terra inóspita povoada de monstros estranhos; achei piada a Lathe of Haven, em que um homem muda a realidade consoante os seus sonhos e a A Mecânica do Coração, um romance curto com pitadas de steampunk; diverti-me com o surreal The Wind-up Bird Chronicle, e o absurdo The Stupidest Angel; deliciei-me com Clube de Patifes e o Best of de Michael Moorcock.

Poucos foram os livros que não gostei este ano, quanto muito houve alguns que se ficaram pela nota “normal” – esta é sobretudo uma lista pessoal que revela a minha tendência para ler principalmente em inglês, dentro dos géneros fantástico e SF, sem dispensar algum horror ou romance históricos  e ficcionais.

Caso tenha tempo, pretendo ainda fazer um pequeno post sobre os melhores contos e um pequeno resumo sobre Graphic novels / BD.

World Fantasy Award Winners

Os prémios deste ano não me revelaram novos autores, mas foram a distinção de profissionais já conhecidos no meio:

Novel: Ysabel, Guy Gavriel Kay (Viking Canada/Penguin Roc)
Novella: Illyria, Elizabeth Hand (PS Publishing)
Short Story: “Singing of Mount Abora”, Theodora Goss (Logorrhea, Bantam Spectra)
Anthology: Inferno: New Tales of Terror and the Supernatural, Ellen Datlow, Editor (Tor)
Collection: Tiny Deaths, Robert Shearman (Comma Press)
Artist: Edward Miller
Special Award, Professional: Peter Crowther for PS Publishing
Special Award, Non-Professional: Midori Snyder and Terri Windling for Endicott Studios Website

Os livros de Guy Gavriel Kay, e mais especificamente, Tigana, encontram-se quase sempre nas listas dos melhores do Fantástico; menções estas mais do que merecidas, se forem todos tão bons ou melhores que The Last Light of the Sun. Três dos seus livros tinham já sido nomeados anteriormente para este prémio – Tigana em 1991, Sailing to Sarantium em 1999 e Lord of Emperors em 2001. Chegou a vez de Ysabel:

Provence, in the south of France, is one of those parts of the world that can truly be called a paradise. But history teaches us that paradises are coveted, and fought over, and those sun-dappled vineyards and river valleys have also seen millennia of invasions and violence, strangers coming time after time to lay claim to it. Accompanying his photographer father to the celebrated city of Aix-en-Provence, near Marseilles, 15-year-old Ned Marriner finds himself drawn into a centuries-old battle as dangerous, mythic figures from the Celtic and Roman conflicts of long ago erupt into the present, claiming and changing lives. The larger-than-life figures of a 2,500-year-old romantic triangle seem to be in the world again, and Ned and his family and friends are shockingly drawn into their tale on one night when the borders between the living and the dead are blurred and fires are lit upon the hills …

Guy Gavriel Kay iniciou a sua carreira como escritor ao ajudar o filho de Tolkien na compilação de Silmarillion. Para além dos elementos fantásticos, nos seus livros podem-se encontrar detalhes culturais de várias sociedades medievais, como a Nórdica, a Francesa ou a Espanhola de vasta influência mourisca.

Elizabeth Hand é daquelas autoras da qual já tinha visto várias referências, nenhuma que me despertasse o interesse. Neste caso, o que me fez parar e olhar não foi tanto o prémio, mas a editora, Ps Publishing, conhecida pela qualidade do que publica. Para além de Illyria, entre as obras de Elizabeth Hand contam-se vários outros nomeados e vencedores do prémio World Fantasy Award.

A informação disponível sobre Illyria é escassa, mas aqui fica o resumo que se pode encontrar no site oficial da editora:

Teenagers Maddy and Rogan Tierney are cousins, two among dozens living in a tumbledown family enclave outside New York.
Secretly, or not so secretly, the pair are lovers, and if this weren’t bad enough, they are also drawn to the stage, to music, reviving a Tierney tradition of artistic involvement long since abandoned for more practical, worldly pursuits. Parents and siblings radiate disapproval.
But encouraged by their mysterious Aunt Kate, and by a magically animated toy theatre hidden in a forgotten attic room, Rogan and Maddy become involved in a school production of Twelfth Night. Their own lives eerily echoing the play’s concerns with twinning and disguise, they are thereby destined for brief apotheosis and lasting heartbreak, in a narrative of stark emotional power and potent nostalgic richness.
Elegant and fraught as only Elizabeth Hand’s novellas can be, Illyria is a superb tale of illicit devotion and the fleeting potentials of childhood, one of the finest stories of the year.

Theodora Goss escreve, fundamentalmente, contos, vários dos quais já destacados com prémios e nomeações para o Nébula ou o World Fantasy Award. Livros publicados, tem um – In the Forest of Forgetting, uma compilação que possui histórias espectacularmente bem escritas.

O conto nomeado, Singing of Mount Abora, foi publicado inicialmente em Logorrhea, uma colectânea que pretendia reunir os contos dos melhores Storytellers actuais

Inferno: New Tales of Terror and the Supernatural, por sua vez, é uma compilação organizada por Ellen Datlow, que pediu a vários dos seus autores favoritos para:

“provide the reader with a frisson of shock, or a moment of dread so powerful it might cause the reader outright physical discomfort; or a sensation of fear so palpable that the reader feels compelled to turn on the bright lights and play music or seek the company of others to dispel the fear.”

Entre os autores escolhidos podem-se destacar Elizabeth Bear, Joyce Carol Oates ou Conrad Williams:

Each author approaches fear in a different way, but all of the stories’ characters toil within their own hell. An aptly titled anthology, Inferno will scare the pants off readers and further secure Ellen Datlow’s standing as a preeminent editor of modern horror.

Tiny Deaths de Robert Shearman era o livro totalmente desconhecido desta listagem de vencedores:

Robert Shearman’s debut collection offers a gravity-defying spectacle: a procession of perfectly weighted what-ifs floating just above the real world, self-contained hypotheticals all buoyed up by a single, infinitely variable theme: mortality. Whether questioning our deepest metaphysical assumptions about death, or playing tricks with its analogies – the death of a relationship, or the petit mort of the title – Shearman continually surprises and subverts. Alien intelligence, reincarnation, imaginary children, even conversations with Hitler’s childhood pet, are all deployed to unpack the complexity, absurdity and blessedness of seemingly ordinary people.

O artista premiado foi Edward Miller, o pseudónimo do artista Les Edwards. Ilustrações sob ambos os nomes podem ser encontradas nas capas de várias revistas ou livros. Destacam-se as capas feitas para a coleccção SF Masterworks (Last and First Men, Earth Abides), Pern Series (Dragonsfire) , Ilario de Mary Gentle,  Wizard of Earthsea de Ursula le Guin ou Song of time de Ian MacLeod.

New Books Around (2008-10-25)

Catherynne Valente era-me totalmente desconhecida até ter participado no blog de Jeff Vandermeer. Ainda que não tenha lido nda da autora, os seus livros despertaram-me grande interesse não só pelos elementos fantásticos como pelo ambiente negro.

Palimpest , a mais recente obra da autora que será publicada em Fevereiro, teve origem num conto que pode ser lido online e que foi publicado na Antologia Paper Cities, An Anthology of Urban Fantasy.

Uma capa misteriosa e pouco reveladora do conteúdo que infelizmente me parece a re-utilização da mesma ideia utilizada emApocrypha, um livro de poemas da mesma autora.

Sobre a cidade, Palimpest, é-nos deixada uma descrição pesada e sinistra, que até agora me tem parecido, característica da autora:

There is a city you have never heard of. It is a city of dreams and flesh, of night-terrors and exaltation. It is a city that exists as a virus, passed from person to person, on skin and on bone, streets and alleys and factories and orchestral halls crawling and thriving, infinitesimally small, on the bodies of those who have been touched by Palimpsest. And once you have entered this place, once you have tasted it, you will do anything to get back.

Para além das colectâneas, New Weird, Steampunk e Best American Fantasy 2 (2008) o casal Vandermeer publicará ainda este ano,  Fast Ships, Black Sails . Esta conterá vários contos sobre piratas que pelas descrições e críticas disponíveis parece ser um conjunto de histórias engraçadas e dementes.

Da total lista de participantes (que se encontra disponível aqui), realçaria Naomi Novik (Saga Temeraire publicada em Portugal pela Presença), Rhys Hughes (publicado pela Livros de Areia) e Moorcock (em Portugal pela Saída de Emergência).

Os restantes autores são-me totalmente desconhecidos.

Mas para aguçar o apetite, deixou-vos a sinopse:

Do you love the sound of a peg leg stomping across a quarterdeck? Or maybe you prefer a parrot on your arm, a strong wind at your back? Adventure, treasure, intrigue, humor, romance, danger–and, yes, plunder. Oh, the Devil does love a pirate–and so do readers everywhere.
Swashbuckling from the past into the future and space itself, Fast Ships, Black Sails, edited by Ann & Jeff VanderMeer, presents an incredibly entertaining volume of original stories guaranteed to make you walk and talk like a pirate.
Come along for the voyage with bestselling authors Naomi Novik, Garth Nix, Carrie Vaughn, Dave Freer, Michael Moorcock, and Eric Flint, as well as such other stellar talents as Kage Baker, Sarah Monette, Elizabeth Bear, Steve Aylett, and Conrad Williams–all offering up a veritable treasure chest of piratical adventure, the likes of which has never been seen in the four corners of the Earth. Highlights include a brand-new Garth Nix Sir Hereward & Mr. Fitz novella, as the two clever ne’er-do-wells storm the sea-gates of the scholar-pirates of Sarkoe.
If ever you had a yearning for adventure on the high seas, now’s the time to indulge it, with Fast Ships, Black Sails. You’ll return with a sword shoved through your sash, booty in a safe harbor, and beer on your breath. We promise.

Os próximos, não são novos, mas são re-edições espectacularmente pensadas que formam colecções coerentes, com capas diferentes e pouco associadas ao género fantástico ou FC:

- Totally Space Opera - que inclui obras como Ilium (Dan Simmons) , Eon (Greg Bear) ou Rendezvous with Rama (Arthur C. Clarke)

- Os próximos 10 clássicos de FC – sobre os quais já me tinha referido e onde se incluem Hyperion (Dan Simmons) ou Altered Carbon (Richard Morgan)

- Alguns Fantasy Masterworks – como Elric (Moorcock), Chronicles of Amber (Zelazny), Darker Than You Think (Jack Williamson), Song of Kali (Dan Simmons) ou Lyonesse (Jack Vance)

- Penguin Classics Read Red - uma colecção composta por obras de horror / terror, de onde se podem destacar the Dunwich Horror (Lovecraft) ou de The Masque of the Red Death (Edgar Allan Poe).

Confesso que nalguns casos fiquei com pena de já ter os livros… e de não ter o hábito de comprar novas edições dos que já tenho…

The books I have and definitely want to read

As a book lover i do have a great number of books longing to be read – Fantasy, Sci-fi, romances, huge hardcovers or tiny paperbacks, written in portuguese, english or spanish, short-stories collections or a series single volume, memorable authors or non-remarkable writers.

Some of them were bought a couple of years ago – when i was a different person, with a different perspective or life ideals. As years gone by, my book taste has also changed. I don’t recall being a pink, happy full and naive story lover, but more frequently i long for different stories, with unimaginable twists, reckless beasts, and characters mirroring real world (imperfect, insecure, that do not always take the right decision). Maybe my taste reflects the way I see the world. Who knows?
Nevertheless, I do have acquired a little library of my own. One that is very dear to me – some of her tenants have kept me company, some made me grow or add a different point of view to my thoughts – some are just a shadowy memory of a story in which I can’t perceive my opinion, so ordinary they were.

Today, I woke up, not thinking in my known shelves’ friends, but in those that lay still unread. And I made up a decision – to grab 10 off the shelves in order to read them soon. And strange this seemed, it was not a hard decision at all. Of these ten, none is a real story, only 4 authors are previous known and only 3 are portuguese editions. But given a thought, none of the 7 english books has a portuguese translation. The majority are big HC that I never had the opportunity to read – nice, pleasant but too heavy to walk around.

  • Dan Simmons – The Terror
  • Hunter’s Run – George R R Martin, Gardner Dozois, Daniel Abrahm
  • The SWFA european hall of fame
  • Accelerando – Charles Stross
  • A derrocada da baliverna – dino buzzati
  • River of Gods – Ian McDonald
  • The Etched city – K J Bishop
  • Se numa noite de Inverno um viajante – Italo Calvino
  • A Loucura de Deus – Juan Miguel Aguillera
  • Black Man – Richard Morgan

Leituras – Retrospectiva 2007

Quase no final do ano, é altura de olhar para trás e fazer o balanço, neste caso, olhar para a listagem de livros lidos, e recordar (ou não) o que me deixaram (como no ano passado…)

Para além das más recordações, há as obras que não deixaram nenhumas, o que considero ser o pior.

Como com as pessoas, há livros com os quais não vamos à bola – mas que acabam por nos marcar de alguma maneira. Lembramo-nos de terem cruzado o nosso caminho e provavelmente o “não gostar” não passa de uma embirração derivada do estado de espírito da leitura – mas pior, é a indiferença sentida por uma obra.

No entanto, há livros que acabam por nos desiludir. Não por não termos gostado, mas porque a expectactiva foi tanta que, quando finalmente os lemos, pensamos “Afinal, era isto”. Neste estado de espírito deixaram-me A Guerra das Salamandras (Karel Capek), The Clerkenwell Tales (Peter Ackroyd), e o tão badalado The Road (Cormac McCarthy). O primeiro, uma obra FC de referência, revelou-se um tanto ou quanto aborrecido. O segundo, andou pelo mesmo caminho. O terceiro, deve ter sido dos livros mais falados este ano. Desde recomendações no NYTimes, a referências em blogs e fórums (se não me engano, foi um dos livros aconselhados pela Oprah), o livro esteve em todo o lado. Talvez por isso. Não o achei um espectáculo…

Ainda bem que algumas obras se destacaram positivamente, das quais deixo uma listagem de 11 (entre a dezena e a dúzia, para não deixar de fora nenhum dos que queria incluir):

- A Bondade dos Estranhos (João Barreiros) – como no ano anterior, o que leio deste autor, acaba por se incluir entre o melhor. Mais palavras aqui para quê , se já foram escritas?

- O Segredo do Bosque Velho (Dino Buzzati) – após as várias sugestões para ler esta obra, a expectativa era grande. Mas nem por isso me desiludiu, pelo contrário, levou-me a comprar, e bem depressa, os outros dois livros do autor, publicados pela Cavalo de Ferro. Ainda que não me tivesse apercebido na altura, foi este que, dos três, mais me ficou na memória (e ao mesmo tempo que escrevo isto, recordo os outros dois e atinge-me a indecisão… mas, bolas, foi este que recordei primeiro e é este que fica na listagem).

- House of Leaves (Mark Z. Danielewski) – a escrita de um comentário alongado no blog tem sido sucessivamente adiado, mas este é daqueles livros que, sem dúvida, tem de constar da lista. Um livro labiríntico em todos os sentidos, desperta sentimentos opostos, oscilando entre a sedução e a repulsa… E devo parar por aqui, senão acabo por escrever o tão adiado comentário aqui… É quando parece que não vamos conseguir parar de falar (ou escrever) sobre um livro que nos apercebemos o quão bom é – para ficarem com uma melhor ideia deixo link

- A Sereia da Curitiba (Rhys Hughes) – o segundo livro que li deste autor, revelou-se uma escolha tão boa como o primeiro. Mas achei este mais hilariane, mais non-sense, carregado de referências e pequenas private jokes – um daqueles livros que nos traz um sorriso aos lábios… Talvez também por ter assistido à sua apresentação pelo autor… Mas o melhor é ler um post de um outro blog

- A Game of Thrones (George R R Martin) – Ah e tal… fantasia… pura e dura. Mas não é para crianças… ou então é para crianças crescidas. Sarcasmo, ironia, enredos, traições, amizades, mortes… não, o autor não pretende poupar ninguém. O primeiro livro da série entusiasmou-me e dizem-me que isto ainda melhora… a ver vamos, que o segundo já cá mora.

- Hard Boiled Wonderland and the end of the world (Haruki Murakami) – outro autor que se repete na listagem deste ano… do qual espero ler mais alguma coisa nos próximos tempos. Que dizer? fiquei fã. Pena que o After Dark me tenha desiludido um pouco…

- O Dilema de Shakespeare (Harry Turtledove) – livro de História Alternativa, conseguiu divertir-me o suficiente para ser incluído e pensar em adquirir outros via net (já que , que eu saiba, mais nenhum se encontra publicado em Português).

- Biblioteca (Zoran Zivkovic) – acho que não cheguei a “publicar” um post para este livro (pelo menos não o encontrei, ainda que me lembre de o ter escrito). Um livro de seis contos indispensável a todos os que gostam de livros e de bibliotecas… e de livros, e livrinhos, e livros encadernos e um sem fim de histórias, contos, páginas repletas de frases, palavras, letras por lá espalhadas…

- Watership Down (Richard Adams) – o estranho não é o livro estar nesta lista, mas ser um livro sobre coelhos… Sim. Aqueles roedores felpudos que vivem em tocas.

- O Livro do Deslumbramento (Lord Dunsany) – outro livro de fantasia, este, com referências a quase tudo o que existe no género… só que foi escrito antes do que é actualmente conhecido (ou pelo menos, da maioria).

- Viriconium (John M Harrison) – décimo primeiro, não necessariamente o último (já que a ordem foi aleatória). Este é outro livro de fantasia, que possui várias histórias em torno da mesma cidade imaginária que toma vários nomes ao longo do tempo… Para perceber um pouco melhor, não muito, é ler o artigo na Wikipedia sobre a cidade.

Mas não foram só estes que me ficaram na memória – outros houve que merecem uma referência. Claro. Livros como O Cavaleiro Inexistente (de Italo Calvino, que não consta da listagem talvez pela comparação com o Barão Trepador, que gostei imenso), Criaturas da Noite (de Lazaro Covadlo, livro impressionante, mas não o suficiente para ser incluído na listagem acima, em minha opinião), Man in the Hight Castle (de Philip K. Dick – até gostei imenso, não fora o final…), UnLunDun (de China Miéville, um livro de fantasia diferente do anterior que li do mesmo autor, mais virado para o público juvenil mas ainda assim, muito bom) ou Chance (de Jerzy Kosinsky, é um livro arrepiante, não por ter, como Pássaro Pintado, cenas de extrema malvadez e violência, mas pela hipótese que suporta a história).

And That’s All Folks !

Mais evoluídos do que se pensava ? …

Segundo os antropologistas, das várias etapas ultrapassadas até ao desenvolvimento da nossa espécie, podem-se destacar o bipedismo, a utilização de ferramentas, a capacidade de caçar ou o uso do fogo e o cultivo de alimentos.

Nos primatas, conhecia-se a capacidade de utilizarem ferramentas, mas a sua conservação ou utilização específica para a caça nem sempre é comummente aceite. A primeira pressupõe a capacidade de se abstrair do presente, a segunda uma escolha da ferramenta e premeditação. Ambas implicam alguma capacidade de abstração do presente e capacidade de pensar nos momentos seguintes.

Anthropologists have known for some time that chimpanzees are adept at making and using stick and stone tools, for example to probe termite mounds or crack nuts. And researchers have seen gangs of male chimps kill monkeys by beating and biting. But they thought only humans used tools to hunt.

Pois bem, se já se tinha verificado que alguns chimpanzés utilizavam e guardavam pedras que podiam desempenhar alguma função específica, parece verificar-se agora que estão mais evoluídos do que se julgava

Pruetz says the chimps’ intent was clear: They jabbed the sticks in the holes with enough force to injure prey and far more vigorously than when probing for termites. And bush baby remains were common in chimp feces, indicating they were regular fare.

Nota – bush babies são uma espécie de pequenos macacos, e encontram-se nos buracos das árvores, mas para serem caçados têm de ser espetados com paus agudos e retirados.

Sobre o referendo…

Vários são os posts na blogosfera, vários os discursos atirados ao vento que não fazem mudar a opinião dos decididos. Falácias discursivas, argumentos manipuláveis, raciocínios sentimentais – podem e são usados pelas duas faces, em prol das crenças de cada fracção.

Enfim, não vou aproveitar para expor argumentos a favor ou contra a despenalização do aborto.

SIM, NÃO, EM BRANCO se na realidade não estiverem decididos por uma resposta – mas votem; porque sinceramente considero uma vergonha a percentagem de abstenção no último referendo.

é tudo

Quantos serão necessários ? Farewell!

Considerada há muito em extinção, esta espécie de golfinho residente na China, desencadeou a formulação de vários projectos em seu auxílio.

Fugindo da poluição e dos navios, a espécie entrou em rápido declínio com a ascenção económica da China, tendo sido criada em 1992 uma reserva para protecção da espécie. Em 1997 foram detectados apenas 13 no rio, e por volta de 2002, falou-se em transferir alguns exemplares para criação em condições artificiais.

Recentemente, foi programada uma expedição para monitorização da espécie. O resultado é o esperado: extinta.

On Wednesday, an expedition in search of any baiji, run by Chinese biologists and baiji.org, a Swiss foundation, ended empty-handed after six weeks of patrolling its onetime waters in the middle and lower stretches of the river, the baiji’s only known habitat. (…)

On Wednesday, Mr. Pfluger distributed a news release concluding that the baiji was “functionally extinct.” (Decades must pass before international scientific organizations take the formal step of declaring it officially extinct.)

(NYTimes)

Será a espécie humana como aquelas pessoas que afastam todos os amigos, até que acordam um dia e se apercebem que estão … sozinhos?

Ficção… Ou não…

Ao contrário do que se sugere repetidamente nos dias de hoje, nem sempre o fenómeno de globalização está directamente relacionado com o desaparecimendo de determinados padrões culturais ou na perda de culturas mais dispares (depreenda-se, mais afastadas do que é considerada a norma, ou a média).

Numa primeira fase, a curiosidade aleou-se à capacidade e foram notórias algumas das modificações, principalmente tecnológicas. Em termos culturais, observa-se muitas vezes o oposto – o conhecimento das restantes normais sociais em torno do globo ficam-se, em geral, pelo superficial, gerando pressupostos, preconceitos. Surge então a necessidade de afirmar a elevada moralidade que caracteriza a “nossa” cultura, de defender determinados valores não porque se conheçam os restantes, mas porque as pessoas se sentem chocadas quando confrontadas nas questões que consideram fulcrais para a sua existência mental.

Tal observa-se em famílias, credos, grupos de jovens. O indivíduo é orientado por vários factores, mas um dos determinantes é a família. E esta, transfere as suas crenças, conhecimentos à pessoa em formação. É incontornável. Relativamente às escolhas do indívuduo, ele poderá ou não tomá-las quando crescer. Esta é a transmissão compreensível, própria do desenvolvimento de um indivíduo.

Será compreensível a passagem de uma característica genética para limitar obrigatoriamente um indivíduo a uma cultura? Actualmente, parece que tal já é possível – escolher as deficiências genéticas de um filho

In other words, some parents had the painful and expensive fertility procedure for the express purpose of having children with a defective gene. It turns out that some mothers and fathers don’t view certain genetic conditions as disabilities but as a way to enter into a rich, shared culture.

(…)

“A hearing baby would be a blessing,” Ms. Duchesneau was quoted as saying. “A deaf baby would be a special blessing.”(in NYTimes)

Não sou nem nunca fui uma defensora da padronização – aprecio muito a diversidade humana, a existência de vários padrões, de vários raciocínios, de vários gostos… mas anda tudo doido, ou sou só eu que não tenho a capacidade de encaixar isto, e achar razoável?

Globalização? cheira-me que daqui a uns anitos teremos várias comunidades isoladas… e não serão só religiosas, linguísticas…

Lançamento de Livros em Novembro

E porque eu não encontro este tipo de informação num só local, aqui vai uma listagem do que poderão esperar ao longo do que resta do mês

22 de Novembro

- Poemas de Brincar e Horas do Tempo – 21h00, FNAC do Chiado. Restantes informações na agenda FNAC
23 de Novembro 

- Long John Silver e A Saga de Gosta Berling – 18h30 na Casa Fernando Pessoa, informações mais completas no site Cavalo de Ferro 

- Diário de Paris – 18h30, no Teatro S. Luis, informações no site das Edições Asa

- O Auto da Nave dos Loucos – 18h30, FNAC Colombo. Restantes informações na agenda FNAC

24 de Novembro 

- Amar depois de Amar-te – 17h00, Livraria Índex (Torres Vedras)

- Amar depois de Amar-te -21h30, Bibioteca Municipal de Alcobaça (Alcobaça)

- A Eternidade Noutra Noite – 19h00, FNAC Sta. Catarina. Restantes informações na agenda FNAC 

25 de Novembro

- Os Amores de Salazar – 18h00, FNAC Norteshopping

- Primeiras Páginas , o século XX nos jornais portugueses – 18h30 na FNAC Chiado. Restantes informações na agenda FNAC

- S. Cristovão – 18h30, FNAC Gaiashopping. Restantes informações na agenda FNAC.  

26 de Novembro 

- Amor e um quarto de Hotel – 21h00, FNAC Cascais. Restantes informações na agenda FNAC

28 de Novembro

- Mozart e os Mistérios Iniciáticos – Local e hora a anunciar, sendo necessária confirmação da presença. Restantes informações em Ésquilo

- O Velho que Lia Romances de Amor (audiobook) – FNAC Colombo. Restantes informações na agenda FNAC

30 de Novembro 

- Sebastião e a vidente – 19h30, FNAC  Norteshopping. Restantes informações na agenda FNAC

- A Minha Andorinha – 18h00, FNAC Sta Catarina. Restantes informações na agenda FNAC  

Mais informações, sintam-se à vontade para comentar.

Mais evidências do benefício do vinho

É commumente aceite e referenciado o consumo do vinho para diminuir alguns dos males que afligem a nossa saúde. Há quem refira propriedades anti-oxidantes, mas a verdade é que tanto médicos como alguns cientistas, aconselham a presença deste produto na nossa alimentação.

A relação entre a nossa dieta e a nossa esperança média de vida ou a qualidade desta, continuam a ser amplamente estudados, utilizando várias espécies modelo.

Mas o que este estudo tem de interessante é a influência de uma substância constituinte do vinho, o Resveratrol, do impacto de uma dieta altamente calórica. O artigo foi publicado na Nature, e pode ser lido numa forma menos científica no NYtimes.

Para analisar os efeitos, utilizaram-se vários modelos biológicos conhecidos – ratos, C. elegans, leveduras e até moscas. As conclusões parecem ser concordantes.
Ratos mantidos sob dieta caloricamente rica, aos quais se administrou Resveratrol, demonstraram não só a manutenção de uma melhor forma física e uma maior esperança médica de vida, como uma menor percentagem no desenvolvimento da diabetes.

Another group of mice was fed the identical high-fat diet but with a large daily dose of resveratrol (far larger than a human could get from drinking wine). The resveratrol did not stop them from putting on weight and growing as tubby as the other fat-eating mice. But it averted the high levels of glucose and insulin in the bloodstream, which are warning signs of diabetes, and it kept the mice’s livers at normal size.

Even more striking, the substance sharply extended the mice’s lifetimes. Those fed resveratrol along with the high- fat diet died many months later than the mice on high fat alone, and at the same rate as mice on a standard healthy diet. They had all the pleasures of gluttony but paid none of the price.

São resultados interessantes, que poderão explicar porque na Europa menor percentagem da população desenvolve as doenças da tecnologia sob uma dieta semelhante.

Por enquanto, os cientistas envolvidos no estudo começaram a consumir Resveratrol sob a forma de comprimidos, mas nem a aplicabilidade em humanos nem as consequências de elevada concentração de Resveratrol foram ainda estudadas.

Paródia Evolutiva Humana – Elfos ou anões?

Bem, e o que sai quando um economista (que lecciona Teoria Política e faz parte de uma coisa estranha chamada Evolutionary Moral Psychology Group) resolve opinar sobre evolução na espécie humana? – Uma notícia na BBC News que deve ser algo como Monty Python para cientistas (ou conhecedores da teoria da evolução)… Infelizmente, o artigo pretende ter um teor sério e credível.

Mas tanto palreio sobre a teoria… afinal em que consiste?
Primeiro que tudo, supõe que a raça humana se ramificaria em duas partes. Mas a divisão não é a parte aberratória – em que consiste, isso sim é cómico.

Evolutionary theorist Oliver Curry of the London School of Economics expects a genetic upper class and a dim-witted underclass to emerge.

Basicamente pressupõe a formação da classe de escravos burros feios e estúpidos, verdadeiros anões; e de uma classe de elite, constituída por indivíduos saudáveis, de longevidade elevada, altos, esbeltos, férteis e de aspecto jovem.

Physical appearance, driven by indicators of health, youth and fertility, will improve, he says, while men will exhibit symmetrical facial features, look athletic, and have squarer jaws, deeper voices and bigger penises.

Women, on the other hand, will develop lighter, smooth, hairless skin, large clear eyes, pert breasts, glossy hair, and even features, he adds. Racial differences will be ironed out by interbreeding, producing a uniform race of coffee-coloured people.

Só algumas coisas

1. Nós não somos cães. Não só temos genes escondidos (muitas pessoas morenas têm gene para olhos azuis, mas o gene dos olhos castanhos sobrepõe-se), como normalmente as pessoas não escolhem os parceiros com o objectivo de apurar determinada característica genética. Além disso… os séculos de cruzamento entre elites resultaram em acumulação de doenças nas várias famílias reais europeias… e não na criação de uma classe perfeita

2. Diz-se que a Simetria Facial representa saúde e a ausência de doenças deformatórias na infância, mas com a diminuição das doenças, com o aumento dos tratamentos para tudo, e com as várias técnicas plásticas, provavelmente até serão bonitos e tal… agora o que tem isso a ver com os genes ou com a evolução da espécie? Simplesmente carregam os genes para todas as deficiências e mais algumas, mas tal não é visível.

3. Bigger Penises??? algum fetiche ou desejo do autor?

4. bem, é so a mim que parece haver incongruência no tom de pele ? “lighter, smooth, hairless skin”…. “coffee-coloured people”

5. hairless skin – no blog de um cientista na Science vêm dois interessantes argumentos. A) existe actualmente algum tipo de selecção negativa quanto a isto? as senhoras com mais pêlos rapam-nos … por isso… os homens não vêm se elas são peludas ou não… B) supostamente o número de pêlos que temos corresponde ao dos primatas nossos primos … diferença é que os temos vários finos, transparentes ou raquíticos….

6. pert breasts? outro comentário engraçado retirado do tal blog…. falta os homens começarem a adquirir vários tentáculos.

7. Que raio de diferenças raciais? segundo vários antropólogos, geniticistas e por aí fora, a variabilidade genética existente na espécie humana não é suficiente para definir raças…

8. Já agora, a coloração da pele parece que difere quanto ao local onde nascemos. Supostamente se as crianças nascerem em locais com pouco sol, desenvolvem uma tonalidade mais clara por não necessitarem da melanina produzida….

Oh wellll……. e depois ainda publica isto na BBC News…. Faz lembrar as notícias nos jornais que são chorrilhos de disparates…..

O Perigo dos Modelos Matemáticos

Os modelos matemáticos são muito utilizados hoje em dia – para prever resultados, para explicar fenómenos; e em praticamente todas as áreas da ciência – química, física, biologia e por aí fora.

Mas será que os modelos matemáticos ao serem abstractos, podem fazer com que a ciência se debruce sobre campos irreais ou não percepcionados pelo Homem? Sobre o perigo dos modelos matemáticos, saiu um interessante artigo na Science

Mathematics is at root a formal description of orderliness, and since the universe is orderly (at least on scales of space-time and mass-energy, which are within our power to observe), it should come as no surprise that the real world is well modeled mathematically. The mistake comes in turning this relationship on its head and expecting that every sequela of a mathematical model enjoys some real-world counterpart.

Lá porque um modelo se aplica à realidade conhecida, as suas outras resoluções possíveis não têm necessariamente de dilenear o que não se explorou.

E a dissertação na Science continua, relacionando a crença cega nos modelos com a visão antropomórfica e consequentemente com a especulação teológica que daí advém.

Com as novas teorias, alguns resultados são obtidos com base no que seria necessário para se originar vida, e não por observação. Isto traz alguns problemas, pois se nem todos os pressupostos estiverem correctos, apenas leva a um acumular sucessivo de erros.

Aqui fica mais um excerto deste interessante artigo

“We no longer have any evidence that our little piece of the universe is representative of the whole thing,” Susskind argues. And if the universe is not everywhere the same, then the properties of nature that physics has tried to specify would differ from place to place. “Once we agree that it’s diverse, then some features of it are environmental,” he says. “We have to figure out which ones.”

Mas falando em Teologia e em Ciência, surgiu agora um livro que parece interessante, do mesmo autor de Gene Egoísta

Richard Dawkins, who holds the interesting title of “Charles Simonyi professor of the public understanding of science” at Oxford University, is a master of scientific exposition and synthesis. When it comes to his own specialty, evolutionary biology, there is none better. But the purpose of this book, his latest of many, is not to explain science. It is rather, as he tells us, “to raise consciousness,” which is quite another thing.

Mais sobre o livro pode ser lido no NYTIMES

Wireless USB

Pode ler-se zdnetasia 

UWB technology can deliver data rates at up to 480 megabits per second at around 3 meters, with speeds dropping off as the range grows to a limit of about 10 meters. Real-world speeds will probably be a little slower, but this is as fast as the wired version of USB 2.0 and much faster than current Wi-Fi networks are capable of transmitting data.

Hum…. ! e já agora, vai gastar as fortunas em pilhas que gastam os actuais ratos wireless?

 Pictures taken on a digital camera could be immediately downloaded to a PC with the push of a button. The first time the devices notice each other, the PC would ask the user if it should connect to that particular camera, hard drive or smart phone.

Bem, isto já me parece mais interessante – mas se a autorização apenas tiver de provir do utilizador do pc… será que poderei começar a roubar as fotos dos telemóveis dos vizinhos?

Avacalhanços à parte, com a tecnologia que temos semi-disponível porque me parece que o avanço tecnológico está a ser lento ? estará a ser modelado para fazer render o peixe nos mercados? ou estaremos numa fase estacionário de aperfeiçoamento do que já temos ?

Sepúlveda na FNAC

A esperada sessão de autógrafos na FNAC do Colombo, que se destinava a promover o último livro de Sepúlveda publicado pela Asa (O Poder dos Sonhos), em pouco tempo se converteu em conversa política e transmissão de ideias.

Talvez por este livro ser essencialmente um conjunto de crónicas e de pequenos textos de opinião, a sessão de lançamento transformou-se, com as perguntas do público, em dissertação sobre assuntos intercontinentais – como a situação política da América do Sul, mas especificamente a complexidade da realidade brasileira; ou como a escolha da integração da Letónia, Estónia e Lituânia, enquanto a Turquia permanece no limiar europeu.

O autor apresenta-nos uma visão um pouco diferente, uma perspectiva de sul americano que vive há muitos anos em Espanha – ideias lançadas para germinar e fazer pensar: a assunção de que pensar pode ser perigoso, quando se questionam determinados factos – se questionas, é porque não acreditas piamente e isso é sinal de que não se é completamente domesticado. Outra ideia referida pelo autor refere-se à actual facilidade de divulgação de dados – sobre os quais é necessário reflectir, processar e concluir.Finalmente, mais uma curiosidade do que outra coisa, Luís Sepúlveda terá no Terreiro do Paço, um dos locais predilectos em Lisboa para contemplar o rio e terá questionado vários lisboetas quanto ao porquê da perpetuação das obras…. Várias e diferentes respostas terá escutado….

E eu que sempre pensei que tal se devia ao facto de tal zona ter sido construída em área conquistada ao rio com madeiras e género de diques… Alguém me terá dito que aquando das obras, a madeira antiga a descoberto não se manteria intacta fora de água, causando instabilidade no terreno… (alguém tem mais versões ?)

Evolução Tecnológica

As tecnologias não só evoluem como se tornam sucessivamente incompatíveis. São os novos sistemas digitais, as novas televisões… e a indecisão em comprar reina porque não sabemos o que surgirá meses depois.

Se os plasmas impressionam pela qualidade e nitidez de imagem, como serão as TVs a laser?

If you look at any screen today, the color content is roughly about 30-35 per cent of what the eye can see,” he said. “But for the very first time with a laser TV we’ll be able to see 90 per cent of what the eye can see. All of a sudden what you see is a lifelike image on display.”‘

Mas não só no ramo da comunicação existem extraordinárias revelações.

Esta semana encontra-se em pré-publicação um artigo na Nanomedicine da Elsevier segundo o qual uma nova substância poderá revoluccionar a saúde. De rápida polimerização, a substância bio-degradável permitirá estancar hemorrogias em escassos segundos, sem qualquer inconveniente encontrado até à data.

Até estar o artigo acessível, poderemos ler um pequeno resumo na New Scientist

Swab a clear liquid onto a gaping wound and watch the bleeding stop in seconds. An international team of researchers has accomplished just that in animals, using a solution of protein molecules that self-organise on the nanoscale into a biodegradable gel that stops bleeding.

Aplicações estudam-se não só para feridas como em complicadas cirurgias à vista ou em hemorrogias cerebrais.

Google Book Search

Enquanto umas editoras continuam com medo das espreitadelas não pagas (não vá aperceberem-se que o interesse auspiciado nas contracapas não corresponde ao livro); outras elevam aos céus as novas possibilidades de busca do google

The director of the Oxford University Press said, ‘Google Book Search has helped us turn searchers into consumers.’ It seems to work in favor of the smaller publishers

Será este mais um passo para dizer adeus às elevadas limitações das actuais leis de copyright?

Malucos a metro

Um homem salta pelo corredor do metro… e canta… canta… canta… algo imperceptível. Um velhote sentado comenta o cantor saltitante… deixando transparecer que também ele já não tem grande discernimento do que faz.

Depois do autocarro parar perto de um manicónio, alguém se senta no banco de trás… alguém que sussurra alongadas frases meio tremidas… “eu tenho uma facaaaaaa!… bem afiiiiadaaaaa” (Hum… será que estou aqui bem?”) “e vou espetá-laaaa…. BEM FUNDO!”. Próxima paragem sai-se a correr. Nao sem antes olhar para trás. Sentado está um jovem catatónico, quase que demasiado inerte para se mover.

Assim continuam os episódios nos transportes de Lisboa… e talvez por encontrar sempre pessoas pouco normais por lá, ou por reparar em coisas estranhas, acho engraçado as histórias que por aí andam…

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 34 outros seguidores