Notícias Fantásticas (18.11.2009)

E foi revelado o programa para o evento Conversas Fantásticas, a decorrer nos dias 21 e 28 de Novembro, na biblioteca de Telheiras. No dia 21 para além da mesa redonda concept artists nacionais, podemos assistir às curtas metragens FRUNC, Papá Wrestling e I’ll See You In My Dreams, sob o tema Cinema Fantástico Português.

O dia 28 inicia-se com uma mesa redonda sobre auto-edição em Portugal, seguindo-se um espaço para sugestões de leitura, e mesas redondas sobre Novidades em Banda Desenhada,  Novas aventuras do Fantástico Portugês e A Literatura Fantástica Portuguesa: Passado e Presente.

E parece que a Dagon vai ser publicada em papel, encontrando-se abertas as submissões para as várias  secções: música, conto, poesia, artigo, cinema e desenho. Para mais detalhes vejam o post no Correio Fantástico.

Pelo Anagrama Anárquico tomei conhecimento do lançamento da antologia Imaginarios.  De realçar que do segundo volume fazem parte histórias de alguns autores portugueses: João Barreiros, Jorge Candeias e Luís Filipe Silva.

Entretanto, foi adicionado um novo conjunto de links no blog – Pedindo Submissões.  Nesta secção irão constar links para editoras ou afins, onde estejam abertas submissões para publicação. Claro que os links estão lá, com o respectivo descritivo (basta passar o cursor), mas não me responsabilizo pelo resultado – alguns serão mais sérios do que outros.  Caberá aos interessados ler os regulamentos e fazer a sua própria sentença de cada

Notícias fantásticas – eventos e editoras

Ainda esta semana irá ocorrer o lançamento da colecção Teen (Tonifica E Estimula os Neurónios), a mais nova aposta da Saída de Emergência em fantástico direccionado para um público mais jovem que a colecção Bang. Desta colecção fazem já parte Alex 9 A Guardiã da Espada (Martin S. Braun), Illusya – O Reino Encantado (Bruno Matos), Daenerys – A Mãe dos Dragões (George R. R. Martin) e esta semana O Príncipe da Prisão Dourada (Nathalie Mallet).

O evento irá decorrer esta sexta, dia 9 de Outubro, na FNAC do Colombo (Lisboa), entre as 19h e as 20h, contando com a participação de Bruno Matos e Bruno Soares, os autores respectivamente de Illusya e Alex 9.

Para quem costuma assistir ao Fórum Fantástico todos os anos (como eu), já deve ter dado pela sua falta este ano. Em compensação está agendado um evento diferente, as Conversas Fantásticas. A colaboração entre Rogério Ribeiro e a BMOR irá trazer, entre os dias 21 e 28 de Novembro, um conjunto de apresentações e debates, com espaço para cinema, concept art, literatura e banda desenhada, apenas aberto para participantes nacionais. No meu calendário já está marcado.

Mas eventos à parte.  Para quem escreve e deseja ver a sua obra publicada, a Antagonista Editora prepara-se para lançar uma colecção de novelas de FC e terror fantástico, aceitando de momento manuscritos e prontificando-se a dar resposta,  positiva ou negativa, a todas as submissões.

Zombieland – Demência em estado bruto


Dispensa palavras…

Fórum Fantástico – Parte 2

Anunciado o calendário, o local e o cabeça de cartaz do evento, foram sendo revelados mais pormenores sobre o evento – aqui fica um resumo do que já se sabe!

Para além do lançamento do livro de Richard Morgan, serão também lançados os seguintes livros

  • David Soares – Lisboa Triunfante
  • Ana Cristina Luz – Contos a Oeste
  • Murmúrios das Profundezas
  • Renato  Fontinha – Chichen Itza

Poderão, ainda encontrar em Pré-venda

  • Richard Morgan – Carbono Alterado
  • Pavana – Keith Roberts
  • A glória dos Traidores – George R R Martin

E serão exibidas as curtas

  • Aqua de Leonardo António
  • L’egoland – Eurico Coelho

The Ark – Grzegorz Jonkajtys

An unknown virus has destroyed almost the entire human population. Oblivious to the true nature of the disease, the only remaining survivors escape to the sea. In great ships, they set off in search of uninhabited land. So begins the exodus, led by one man …

Esta é a sinopse da curta metragem de Grzegorz Jonkajtys. Em 2007 foi nomeada para a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Depois de ganhar alguns prémios foi disponibilizada e pode ser visualida nos seguintes links:

A curta metragem em cenário pós apocalíptico tem um aspecto gráfico impressionante. A história, acompanhada apenas por música revelou-se muito mais do que estava inicialmente à espera. Que dizer mais? Vejam.

Sobre Grzegorz Jonkajtys podem consultar este artigo.

No site da Platigue podem ainda ver outras curtas, como Cathedral, de Tomasz Baginski, que venceu um óscar. Podem encontrar o mesmo vídeo aqui, num formato mais amigável.

Oktoberfest

Oktoberfest é um festival internacional de cinema de FC e Fantástico que decorre numa única noite. Este será o primeiro ano do evento que infelizmente se localiza em Londres.

A programação divide-se entre os dois filmes principais: Terra e Dark Floors; e três categorias: Anime, Zombie and Laugh until it hurts.

Terra é uma animação enquadrada no género FC, graficamente interessante, com uma classificação no IMDB de 7.5. Ainda que à primeira vista a história não me pareça nada de extraordinário, vou tentar arranjar maneira de ver nem que seja em casa.

Mala (Evan Rachel Wood) is a precocious girl living on the beautiful planet Terra, a place where peace and tolerance are celebrated. Unbeknownst to Mala and her fellow Terrians, the last inhabitants of Earth have exhausted the resources of their planet and those of three others, and are now searching for a new home. This Earthforce has discovered that the use of a Terraformer will make Terra habitable for humans but poisonous for Terrians. When the Earthlings embark on a hostile invasion of Terra, Mala’s father, Roven (Dennis Quaid), is kidnapped. Hoping to save her father, Mala captures and hides a crashed human pilot named Jim (Luke Wilson). While Mala nurses Jim back to health, the two forge a friendship and a plan that could save both the human race and the planet of Terra. Soon, however, they realize that peace will not be secured unless they can combat both the Terraformer and dark political forces that will stop at nothing in their drive to achieve power for power’s sake.

Dark Floors, por sua vez, parece-me algo muito estranho que se poderá resumir à frase promocional: The LORDI motion picture.

Das três categorias, aquela que mais me interessaria seria mesmo a Anime, em que se podem encontrar as mais variadas personagens – Vampiros, Aliens, Mágicos ou Samurais.

Não, não vou poder estar em Londres por essa altura, mas poderei tentar arranjar os filmes…

The Dark Crystal

No género fantástico existem inúmeros trabalhos gráficos espectaculares, dos mais diversos autores que se podem facilmente destacar. Um deles, Brian Froud, tem para mim, algumas das imagens mais interessantes – imagens de beleza pouco angelical, representando ora feiosos monstros traquinas, ora belas fadas preversas que de um modo ou de outro, se tornam fascinantes. Felizmente, não só as típicas personagens mitológicas são o tema principal.

The Dark Crystal realça-se nesse ponto, possuindo várias raças surreais e peculiares. Mas o mundo de The Dark Crystal não é “só” o tema de um livro de Brian Froud, mas também o de um filme de Jim Henson, responsável por séries tão conhecidas como The Muppets (Os Marretas), ou Storyteller. Tal como nestas conhecidas séries, em The Dark Crystal, as personagens são boneco, facto de que facilmente se esquece decorridos poucos minutos.

A história roda em torno de Jem, o últimos dos Gelfling, raça que terá sido chacinada pelos poderosos e maus Skeksis, por medo de uma profecia que se cumprirá aquando do alinhamento dos três sóis, que iluminam o planeta onde habitam. Entre as várias raças estranhas encontram amigos e inimigos, sendo que o objectivo é o cumprir de um destino cujos pormenores o próprio Jem desconhece.

Embora possua vários momentos previsíveis, como num bom típico filme cuja personagem principal tem um objectivo explícito a cumprir, existem aspectos interessantes como o ambiente fantástico no qual decorre a acção ou, realço outra vez, as raças que habita aquele planeta.
Não é o mais fantástico filme de fantasia. É demasiado inocente, em minha opinião. Falta-lhe perversidade. Ainda assim, é jeitoso, talvez mesmo um clássico dentro do género. Mais do que jeitoso, é bom. Eu, pelo menos, gostei.
Informação mais detalhada na Wikipedia

A última legião – The Last Legion

O trailler já prenunciava um filme algo burlesco… e a expectativa coincidiu com a realidade.

A história que serviu de base à adaptação não parece, por si só, a mais esplendorosa maravilha do género, mas poderia ter sido melhor apresentada.

Ainda que do elenco façam parte vários actores conhecidos, as primeiras cenas transmitiram-me logo uma falta de seriedade gritante, e a qualquer momento esperava que os actores se desmanchassem a rir, mesmo nas partes mais sérias e trágicas.

Existem várias lutas, mas com malabarismos raramente bem enquadrados, fazendo lembrar um tosco filme de Jackie Chan. As batalhas, no entanto, safaram-se, emprestando à segunda metade do filme alguma capacidade de diversão, apesar do final expectável. No meio de tudo isto, existem igualmente alguns (poucos) elementos fantásticos, que parecem desenquadrados e despropositados.

O filme, esse, no seu conjunto – vê-se…

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Omohide Poro Poro – Only Yesterday – Memories of teardrops

Em Omohide Poro Poro, Taeko, de 27 anos, recorda constantemente os seus dez anos, e as situações marcantes daquele idade. Embora tente resistir às mudanças próprias da vida, é constantemente atormentada pelas irmãs por continuar solteira, resolvendo partir, pela segunda vez, para o campo.

Embora parado, um pouco lamechas e de animação ultrapassada (de 1991), o filme é simplesmente adorável – pela personagem, pela maneira como a história está contada, torna-se uma animação agradável e pouco superficial.
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Snow Cake

Vivienne, uma jovem despachada e extrovertida, espera conseguir uma boleia num restaurante à beira de estrada. Numa mesa encontra Alex, homem pouco falador e aparentemente vulgar que, após várias tentativas, concorda em levá-la. Acabado de sair da prisão, Alex cede ao espírito de Vivienne, e começa a falar de si, até serem abalroados por um camião. No acidente, Vivienne morre. Acossado por um injustificado sentimento de culpa, Alex sente-se compelido a falar com a família mas, em casa, apenas encontra a mãe autista, que necessita de apoio. Os avos partiram à boleia pelo país, incomunicáveis, e Alex acaba por ficar a organizar o funeral. Simultaneamente, conhece a misteriosa vizinha, com quem inicia uma relação despreocupada.

Num Mundo caótico, a mente autista precisa de regras básicas que ordenem o espaço e o tempo, assim como de prazeres e diversões simples para compensarem a desordeira realidade, que se altera sem pré-avisos. Os sentimentos, esses, existem, mas nem sempre são expressos como seria socialmente previsível. Mas nem por isso deixam de existir.

Acima de tudo, um filme simples, que ao explorar a singularidade autista, nos mostra o Mundo de outra forma – uma obra que toca em assuntos sérios e até trágicos, mantendo um ambiente leve e descontraído.

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Sunshine – Missão Solar


Neste filme de FC, recentemente estreado, a acção decorre no futuro, daqui a 50 anos. A estrela do nosso sistema encontra-se em rápido declínio, e com ela terá fim a humanidade. A única salvação consiste em atirar achas para a fogueira solar, e para tal uma nave, Icarus I, levará uma bomba. Após o falhanço, lança-se Icarus II, que transporta a última oportunidade de “re-acender” o Sol.

Dentro da nave, uma equipa heterogénea enfrenta a prematura quebra de contacto com a Terra, quando recebe uma inesperada comunicação da Icarus I, há muito pensada perdida no espaço. Com um psicólogo que abusa dos lesivos banhos solares e um engenheiro de comunicações demasiado egocêntrico, a bordo vão surgindo alguns conflitos entre os passageiros. Como se espera, nem tudo corre bem e difíceis decisões devem ser tomadas.

Um filme normal dentro do género… até metade, altura em que escorrega e cai precipício abaixo, atingindo o mínimo de qualidade no final.

(POSSÍVEIS SPOILERS)

Algumas decisões pouco racionais, algumas partes previsíveis – mas não foi isto que fez derrapar o filme; antes o elemento  clandestino na nave, e o modo como se desenrolou a acção após o encontro com Icarus I. A segunda metade é estranha…. negativamente estranha, tornando um filme que poderia ser normal e até jeitoso, em algo duvidoso e esquecível.

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Indie Lisboa 2007 parte 2

Se há cerca de dois meses se definiram as datas e os locais onde decorreria o evento, encontram-se agora no site, não só o programa completo como os resumos dos filmes.

Do programa ainda só destaquei dois, A Scanner Darkly (que não estreou nas salas de cinema quando deveria)

Esta adaptação do livro de 1977 de Philip K. Dick, baseado na sua própria experiência com drogas, conta a história de Bob Arctor (Keanu Reeves), polícia infiltrado num grupo de toxicodependentes, que tem como missão descobrir a origem da nova e poderosa droga “D”. Mas, aos poucos, ele próprio fica viciado nesse poderoso alucinogénio e empreende uma corrida contra o tempo, de forma a conseguir cumprir a sua missão.

Recorrendo às técnicas de animação já utilizadas em Waking Life (2001), Linklater cria um universo fluído que faz justiça à degradação psíquica do protagonista, ajudando a criar cenários que representam as alucinações das personagens.

e Death of a President

O filme tem a forma de um documentário televisivo que elata os factos do assassinato de George W. Bush, a 17 de Outubro de 2007. Este “documentário” combina materiais de arquivo e entrevistas e começa com uma montagem de um discurso do presidente num hotel.

Cá fora a multidão está fora de controlo. A tensão vai aumentando e culmina no assassinato de Bush. Depois do ataque sucedem-se as investigações do FBI e a caça ao homem suspeito do assassinato. Fantasiando sobre o futuro, Gabriel Range toca num dos pontos mais sensíveis dos dias que correm: o poder dos meios decomunicação e as suas capacidades de manipulação.

Mais sugestões?

Silent Hill

Embora conheça o género no qual se integra o filme, não conheço o jogo que lhe terá dado origem – feliz ou infelizmente, já que como filme deve ter sido dos piores, senão o pior que terei visto numa sala de cinema.

No início somos apresentados a uma criança sonâmbula que deambula durante a noite murmurando silent hill enquanto é procurada pelos pais preocupados. Bem, na verdade, apresentados não será o termo mais correcto, já que praticamente não existe qualquer introdução ou apresentação ao filme, passando-se por uma sequência de acções sem sentido que nos levam até à vila assombrada onde a menina se separa da mãe. Não existe sequer a criação de um ambiente misterioso ou de suspense.

Os diálogos, praticamente inexistentes, até poderiam não ter sido mostrados de tão maus que se tornam, e as frases em paredes ou umbrais, que talvez pretendessem causar algum assombro ou impacto, são sequências de palavras desconexas. E se as frases proferidas deixam algo a desejar, também as interpretações não são de todo satisfatórias, e os figurantes, então, são de temer.

Ah. Existem monstros. Conjuntos estranhos pouco originais que lembram múmias que se deslocam com alguns ossos partidos. Mas, cereja em cima do bolo são mesmo as adaptações horripilantes de possíveis fétiches masculinos – enfermeiras de uniforme justo em poses estranhas e cenas que lembram remotamente hentai.

Finalmente, e como se não tivesse sido já dado a entender, nada faz sentido. Ainda que filmes do género estejam normalmente repletos de momentos pouco inteligentes, aqui o nonsense impera do princípio ao fim. E não, nem para rir deu.

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A Maldição da Flor Dourada – The Curse of the Golden Flower – Man cheng jin dai huang jin jiaera

Do mesmo realizador que The House of the Flying Daggers ou Hero, The Curse of the Golden Flower é um dos filmes pelo qual esperava a estreia. Destes, Hero foi o que mais marcou, não só pela lógica estranha, diferente e surpreendente, mas também por não nos apresentar uma linha simples, antes uma história escamada de diferentes versões que achei espectacular. Também The House of the Flying Daggers, com uma bonita banda sonora, me fascinou ainda que em menor medida.

The Curse of the Golden Flower , por sua vez, retrata uma família imperial nos dias que antecedem um importante festival (Chong Yang). Apesar de ser um pequeno núcleo familiar, existem relacionamentos obscuros, traições imprevistas e pesados segredos encobertos pela sede de poder. O primogénito, filho da primeira consorte, deseja afastar-se e abdicar, e a imperatriz que borda flores sem parar, é assomada por estranhos tremores.

Referências à semelhança com obras de Shakespeare ou com famílias mafiosas como os Bórgia parecem-me apropriadas e embora haja quem considere esta comparação favorável (por provar uma semelhança entre famílias poderosas de sociedades opostas), acho que foi esta ocidentalidade que me decepcionou um pouco. Considerei que grande parte do desenrolar era previsível, e que as personagens poderiam ter sido melhor exploradas – apesar de as ter visto descritas como complexas, a maioria não passou do insípido.

A favor, o bom aspecto dos cenários e vestuários que transmitem uma extravagância e uma beleza raramente vistas no ecrã. De resto, vê-se bem, tem momentos altos interessantes, mas não pode ser comparável aos anteriores.

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Pequeno aparte e fora do tema do tópico – é incrivel, inacreditável que filmes como The Fountain apenas estreiem em 2 locais do país, quando existem cinemas com 14 e mais salas. Enfim…

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El Laberinto Del Fauno – O Labirinto do Fauno

Cuentan que hace mucho, mucho tiempo en el reino subterráneo, donde no existe la mentira ni el dolor, vivía una princesa que soñaba con el mundo de los humanos

… assim nos é introduzido o Mundo imaginário d’ El Laberinto del Fauno, caracterizado tanto por uma surpreendente e misteriosa beleza como por um ambiente mítico que oscila entre a sedução e a repelência.

Orfã de pai, Ofelia viaja com a mãe, grávida, para a zona rural onde reside temporariamente o padrasto,um general espanhol que luta contra os poucos rebeldes que ousam ainda revoltar-se após a Guerra Civil Espanhola. Sob a capa da civilização, é um homem bruto e cruel. O local onde habitam é o centro de operações do exército, e a floresta que os rodeia esconde um labirinto antigo, impulsionador da fantasia na cabeça de Ofelia, já povoada pelas fadas dos contos. No labirinto, conhece um fauno que lhe revela a existência de um mundo subterraneo onde será princesa, se conseguir passar as provas que lhe são destinadas.

Na sanguinária e desumana realidade que habita, o mundo subterraneo revela-se como uma escapatória promissora – começar uma nova vida e permanecer criança. Mas se a vivência é dolorosa, o modo como se apresenta a alternativa é também assustador e medonho, escondendo provas horripilantes, tão maldosas como o mundo que a rodeia.

Embora a fantasia esteja sempre presente ao longo da história, não é um filme inocente ou puro que se destine a crianças; e ainda que não supere a maldade do real, o mundo criado não se apresenta como inofensivo.

Adorei não só o aspecto gráfico como o ambiente criado pela língua espanhola – fiquei fascinada pelos contrastes. O final, esse, compôs a história tornando-a completa, bela de um modo estranho. Fiquei com vontade de repetir a experiência e considero a possibilidade de o voltar a ver no cinema nos próximos dias, o que é muito raro em mim.

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Diário de um escandalo – Notes on a Scandal

A nova professora de arte, Sheba Hart, é o sonho de qualquer rapaz adolescente – elegante, loira, atraente e tão branda que não consegue controlar os alunos e acaba por se tornar a razão de algumas brigas.

De tal personagem espera-se uma vivência idílica – marido jovem de carreira promissora, família típica, imagem de perfeição reveladora de um estatuto elevado. Mas a realidade é bem diferente – casada com um homem muito mais velho, cuida do filho com Sindroma de Down e acompanha a filha em auge da adolescência. Adulto responsável, Sheba Hart, abdicou dos últimos 10 anos de vida para cuidar do filho, e sente-se agora na necessidade de cometer actos irresponsáveis ou mesmo escandalosos, o que a leva a manter uma relação extra-conjugal com um dos seus alunos de 15 anos.

Barbara, por sua vez, lecciona na mesma escola – professora antiga, pouco amada pelos alunos mas que consegue impor respeito, personificando a imagem de tradição e de reverência numa escola moderna em que os novos tempos se fazem sentir. Aproxima-se de Sheba como colega, mas ao se deparar com a realidade familiar desta, decide-se a estreitar a amizade entre elas. Descobre a relação escandalosa e aproveita o segredo para egoisticamente se fazer aceitar no quotidiano de Sheba.

A história é-nos narrada por Barbara, através do diário que escreve todos os dias, onde revela não só os seus sentimentos, pensamentos ou segredos, mas também as suas intenções corrompidas pelo interesse, reflexo de uma mente tortuosa e manipuladora.

Embora de contornos diferentes, a história principal desenrola-se de modo esperado. O drama acentua-se até o climax, momento que conseguiu, para mim, quebrar o espírito do filme, e tornar banal a tragédia. Talvez devido ao centralismo nas duas personagens, talvez pela divisão das revelações por vários momentos, o filme não me conseguiu agradar totalmente, ficando apenas retido o desempenho das duas actrizes principais Judi Dench e Cate Blanchett.

Esperava melhor…

The Pursuit of Happyness – Em busca da felicidade

Em busca da felicidade retrata uma familia falida em S. Francisco, na qual os adultos embora trabalhem arduamente, vêem acumular dívidas sucessivas. O pai tenta vender aparelhos portáteis de consultório em consultório, e a mãe trabalha numa fábrica de turnos duplos.

Ao se cruzar com um corrector da bolsa, Chris Gardner toma consciência de todo um mundo à parte, constituído por pessoas bem-sucedidas, ricas e felizes. Resolve então investir num estágio não remunerado que poderá ser o seu bilhete para a felicidade. Mas é nesta altura que a mulher desiste e abandona a família, ficando Christopher inteiramente ao cargo do pai. O dinheiro esgota-se, e são obrigados a sair de casa, dormindo em abrigos. Ainda assim, Chris não desiste do estágio.

Ambos, Will Smith e Jaden Smith, representando respectivamente Chris e Christopher, se podem destacar pelas suas interpretações, mas numa história que embora seja engraçada, se revela demasiado linear e estandardizada, ao seguir o espírito típico do “american dream” e acabando por nada nos trazer de novo.

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Bobby

Após a morte de Luther King, é em Kennedy que o povo americano deposita as suas esperanças – o fim da guerra, a melhoria de vida, a integração dos mexicanos e africanos na sociedade.

Tendo como palco o Hotel onde irá decorrer a festa de Kennedy durante a noite das eleições, o filme centra-se nas personagens que assistiram ao atentado, principalmente nos empregados, para nos introduzir no ambiente e no espírito da época – uma rapariga casa-se para salvar o amigo da frente de batalha, as drogas espalham-se entre a juventude e o aparente glamour permanece rodeado de iminente decadência.

São-nos igualmente apresentadas imagens originais do discurso de Kennedy, que se refere não só aos problemas ambientais, mas ao sofrimento do povo e à segregação dos estrangeiros com a fomentação das diferenças que desencadeiam desconfiança, medo e conflitos.

O fim, já se conhece.

Com alguns momentos memoráveis, interpretados por Laurence Fishburne, um chefe de cozinha, e por Anthony Hopkins um velhote ex-porteiro do hotel; as cenas de aspecto clássico podem possuir alguns clichés, mas conseguem-nos fazer sorrir. Pena que a qualidade não se mantenha em todas as cenas.

No final, ficou-me a comparação do discurso de Kennedy com o dos presidentes e politicos americanos actuais, estes últimos tão arrogantes e prepotentes quando comparados com o responsável e visionário do primeiro.

Indie Lisboa 2007

Deste tão esperado acontecimento anual, pouco se sabe por enquanto…

Fica-se a saber que decorrerá entre 19 e 29 de Abril, incluindo-se este ano o S. Jorge no círculo de cinemas da Avenida de Roma.

As inscrições continuam abertas, e espera-se impacientemente o programa do acontecimento para poder escolher as sessões a que poderei ir…

Site Oficial

Pecados Íntimos – Little Children

Sarah, formada em literatura, dedica-se agora a cuidar da sua filha com a qual passa a maior parte do dia. No parque, onde a leva, encontra-se com outras mães com as quais pouco se idenfica – mulheres tradicionais de uma vila pequena, de mentalidade conservadora.

Brad, por sua vez, tenta sem sucesso ser aprovado na ordem dos advogados, mas já falhou por duas vezes o exame. Como tal, o seu dia-a-dia é passado igualmente a tomar conta do filho enquanto a sua esposa trabalha na produção de documentários.

Conhecem-se no parque e após trocarem algumas palavras, beijaram-se para escandalizar as púdicas mães presentes. Mas este é um beijo que deixa marca.

Paralelamente, um tarado sexual, Ronnie, é liberto da prisão e vai morar com a mãe na vizinhança. Os maltratos e a marginalização entristecem a mãe velhota que tenta defender Ronnie.

Nomeado para três óscares, nas categoras de melhor actor secundário, melhor actriz secundária e melhor adaptação, as expectativas em torno deste filme eram elevadas, demasiado elevadas.

Embora tenha começado bem, num tom peculiar que criou um ambiente muito característico e agradável, este perdeu-se com o decorrer do filme; que se revelou demasiado longo com vários momentos parados.

Apesar de ter gostado, o desenrolar é algo expectável e pouco ou nada trouxe de novo. No entanto, é de realçar a interpretação de Kate Winslet e de Patrick Wilson, respectivamente nos papéis de Sarah e de Brad.

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