[Círculo de Leibowitz] O Caçador de Brinquedos e outras histórias – João Barreiros

Desta vez o círculo contou com uma única crítica, por Nuno Fonseca em Inner Space. Pode ser que para a próxima ronda aumentem as participações.

Deixo só aqui que este livro contém contos óptimos, excelentes, recomendáveis a todos que gostem de um texto inteligente de ficção científica, sarapintada de ironia.

[Círculo de Leibowitz] The Fifth Head of Cerberus – Gene Wolfe

Este livro não possui uma única história, mas três que decorrem num mesmo mundo, colonizado por seres humanos, onde teria existido anteriormente uma outra espécie sapiente. A história que dá nome ao livro foi originalmente publicada numa antologia e nomeada para os prémios Hugo e Nebula. Posteriormente, a esta novela foram acrescentadas A Story e V.R.T.

Todas as histórias decorrem numa dupla de planetas colonizados, Sainte Anne e Sainte Croix, pensando-se terem existido, no primeiro, uma espécie inteligente. Não se encontram, no entanto, vestígios de uma outra civilização e surgem as teorias mais díspares sobre o assunto.

Num mundo onde as leis do planeta Terra não se aplicam, existem clones e até escravos que são vendidos num mercado ao ar livre. Os seres humanos que possuem algum estatuto social vivem como os de hoje, existindo apenas alguns detalhes espaçados que levam a crer numa tecnologia extremamente avançada, mas não facilmente disponível.

Em The Fifth Head of Cerberus seguimos um rapaz, etiquetado pelo pai como o Quinto – um jovem cuja mente é estimulada desde tenra idade, e cujas experiências do pai debilitam fisicamente. A tia deste é uma conhecida cientista que terá postulado a hipótese de Veil, segundo a qual os humanos que iriam colonizar a terra terão sido substituídos pelos alienígenas sapientes que possuíam a capacidade de modificar a forma do seu corpo – a farsa terá sido tão bem ensaiada que até os próprios actores terão perdido a capacidade para vestir outra pele.

A segunda história, A Story, relata um povo alienígena com desenvolvimento semelhante ao homem pré-histórico. Possuem algumas ferramentas com as quais caçam, acreditam no vento e na magia e com fome vivem o presente tentando apenas conseguir sobreviver o dia que se apresenta. Assim conhecemos Sandwalker, um rapaz que terá um irmão gémeo perdido no mundo e que pretende consultar-se com o mago. Para tal terá de conseguir uma oferta digna.

V.R.T intercala as páginas de um diário de excursão antropológica, com descrições de vida prisional e gravações de interrogatórios a John Marsch, o suposto autor do conto anterior. Preso por espionagem, John nega as acusações sem sentido que o levaram à cadeia, depois de ter deambulado vários anos nos desertos em busca dos seres inteligentes que outrora terão habitado o planeta. Com obstinação vai escrevendo as memórias nas folhas de papel que lhe disponibilizam.

No geral, o conjunto deixou-me algo decepcionada. Talvez por fazerem parte de uma história maior, pequenas porções de uma realidade de dimensão superior, fiquei com a sensação de que lhes faltava algo. A primeira novela possui uma reviravolta estranha, inoportuna e até irracional como se a história tivesse de ser terminada e para tal se tivesse sacrificado o fio condutor. A Story possui excelentes momentos e foi aquela que me pareceu mais completa, ainda que a acha incongruente com o restante conjunto e finalmente V.R.T. é coeso mas demasiado estático.

Mas não é só à primeira história que parece faltar algo. Também o conjunto, quando analisado após a leitura, parece incompleto – as três novelas são demasiado díspares e talvez fosse necessária uma quarta para tornar o conjunto mais coerente. Ou talvez bastasse mudar a ordem pela qual nos são apresentadas. No final, fica-nos um enigma cuja solução apenas poderá ser imaginada pelo leitor, que irá criar a sua própria teoria sobres os reais acontecimentos.

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Este comentário foi realizado no âmbito do Círculo de Leibowitz e poderão encontrar outras críticas nos seguintes espaços

  • Inner Space
  • Blade Runner

[Círculo de Leibowitz] The Fifth Head of Cerberus – Gene Wolfe

The Fifth Head of Cerberus de Gene Wolfe, é a leitura próxima leitura proposta, a terminar a 21 de  Julho.

[Círculo de Leibowitz] Mindbridge – Joe Haldeman

Mindbridge foi o meu primeiro livro de Haldeman, um autor muito referenciado, mas do qual me tinha mantido afastada até agora. Enquadrado dentro da ficção científica militar, com títulos como Forever War (Guerra Sempre pela Europa-América), War Year ou Camouflage, os livros de Haldeman pareciam afastar-se bastante do meu género de leitura e foi com surpresa que me vi a apreciar Mindbridge.

A história centra-se numa personagem masculina algo estereotipada, um homem duro com tendência para a violência, extremamente inteligente sem cair na esquizofrenia – Jacque LeFavre. Filho de um físico, facto que irá marcar toda a sua vivência, Jacque constitui parte de uma equipa de reconhecimento, que explora novos mundos potencialmente  habitáveis.

As viagens à velocidade da luz são ainda um sonho, mas graças a um acidente científico, descobriu-se uma espécie de teletransporte que permite viajar instantaneamente para um determinado local, durante um período de tempo limitado. Decorrido esse tempo, os viajantes reaparecem no local de origem. Todos os objectos que transportem consigo irão desaparecer após o mesmo tempo que durou a viagem.

Numa das primeiras explorações de Jacque são descobertos seres aparentemente simples, mas que conferem, a quem lhes toca, fortes capacidades telepáticas. Possuem também a capacidade de se defenderem, podendo induzir a morte aos seres humanos que pretendam magoá-los. Estes pequenos seres não são o único imprevisto nas explorações humanas, e será encontrada uma outra espécie sapiente mas violenta, os L’vrai.

Um dos aspectos que me cativou desde o início de Mindbridge foi a escrita – concisa, sem se perder por deambulações demasiado filosóficas, ainda que tenha algum (pequeno) espaço de meditação, carregado de discurso directo e intercalado por gráficos e esquemas explicativos (nada de complexo). Algumas das hipóteses científicas são engraçadas, assim como as  histórias paralelas que podemos encontrar dentro da história principal, um aspecto que costuma elevar a minha opinião por conferir alguma consistência.

Após a leitura e dado algum distanciamento crítico da história, verifico que alguns factos podem ser considerados forçados – Jacque tem algumas características especiais enquanto ser humano e está no local certo na hora certa, o tipo de experiências que são realizadas com seres alienígenas ou o modo como são conduzidas as expedições.

Nenhum destes aspectos nublou o meu gozo pela leitura, e no final ficou a sensação de um bom livro de ficção científica muito diferente do que esperava. Talvez um estímulo em pegar em mais alguma coisa de Joe Haldeman.

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No âmbito do Círculo de Leibowitz podem encontrar outras críticas ao livro:

[Círculo de Leibowitz] River of Gods – Ian McDonald

Proposto para Abril e adiado para Maio, River of Gods é a segunda leitura proposta no âmbito do Círculo de Leibowitz – para mim uma releitura não terminada devido ao tamanho da obra.

Deixo os links para as críticas de alguns dos elementos do Círculo:

- Blade Runner (João Seixas)

- Inner Space (Nuno Fonseca)

[Círculo de Leibowitz] – O próximo livro

[O Círculo de Leibowitz] The Centauri Device – M. John Harrison

M. John Harrison é o autor da série Viriconium, assim como do premiado Nova Swing. Do autor tinha lido apenas Viriconium, uma edição da colecção FantasyMasterworks (pela Gollancz), que reúne três novelas e vários contos que decorrem em Viriconium, uma cidade fantástica.

Nesta série o ambiente é um misto de medieval bárbaro com erudição guerreira, em que a alta tecnologia existente é quase considerada magia. A narrativa é pausada, por vezes pesada, mas a história vai prosseguindo com toques míticos e fantásticos que dão ímpeto ao leitor.

Em Centauri Device, a narrativa também é, por vezes, densa, mas sem os toques que transformaram Viriconium num bom livro.

A personagem principal, John Truck, é o comandante de uma pequena nave que viaja sob contratos precários, e vê-se enrolado numa densa luta de interesses aquando do descobrimento do engenho ceutariano. John Truck é o último dos Centaurianos, uma raça humanóide, desaparecida e absorvida pela espécie humana, e o único que poderá controlar o engenho ceutauriano, uma arma poderosa cujas capacidades não são completamente previstas. Várias facções se interessam pela arma e esperam conseguir a colaboração de John Truck, através de promessas de riqueza ou de coação.

John Truck vê-se empurrado para o centro de uma guerra, obrigado a fugir e a procurar esconderijo. Em Terra possui uma companheira, alguém com quem não consegue viver mais do que algumas semanas de cada vez. Na nave, possui escassos companheiros, onde se destaca o piloto, Fix.

A história alonga-se, sempre em torno de Truck, uma personagem apática que parece deambular sem grande vontade própria, manipulado por todas as facções que desejam o engenho centauriano. Talvez essa apatia seja a herança de uma raça que se deixou extinguir facilmente.

Terminada a leitura, não simpatizei com o livro – achei-o, até, bastante medíocre. A história centra-se demasiado numa personagem pouco atractiva que parece arrastada de cena em cena; e os acontecimentos sucedem-se sem grande lógica.

Este foi a primeira leitura realizada no âmbito d’O Círculo de Leibowtiz, e conjuntamente com este post são realizadas críticas nos seguintes blogs:

- Blade Runner (João Seixas)

- Stranger in a Strange Land (Safaa Dib)

- Inner Space (Nuno Fonseca)

- Efeitos Secundários (Luís Filipe Silva)

O Círculo de Leibowitz

O Círculo de Leibowitz foi o nome dado a um clube de leitura virtual, composto inicialmente por 5 bloguistas, com o objectivo de partilhar críticas sobre o mesmo livro, que permitam gerar uma discussão em torno da obra.

Deste grupo de blogues fazem parte Blade Runner, Stranger in a Strange Land, Inner Space, Efeitos Secundários e Rascunhos; mas qualquer um se pode juntar, bastando para isso ler e escrever sobre o livro do mês.

O primeiro escolhido é The Centauri Device, de M. John Harrison, o mesmo autor de Viriconium ou Nova Swing; e poderão ler as críticas no próximo dia 21.

Sobre esta iniciativa podem ler mais detalhadamente em Blade Runner, por João Seixas.

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