Novembro Fantástico – Parte 3 (Fórum Fantástico)

Depois do lançamento da Bang! 8 e do colóquio Mensageiro das Estrelas, ainda tivemos o Fórum Fantástico no mês de Novembro, nos dias 12, 13 e 14, na Biblioteca de Telheiras.

12 de Novembro, Sexta-Feira:

17:00 – Painel “Arte Fantástica”, com Victor Lages, Bruno Krippahl e Tiago Lobo Pimentel, moderado por Ana Maria Baptista.

Visualmente interessante, neste painel mostraram-se imagens que têm o fantástico como tema, algumas das quais que integram jogos de computador. Neste sentido, desenrolou-se um pequeno debate entre os apresentadores e alguns dos membros da plateia sobre o significado de arte: seriam as imagens de Photoshop arte? E o que dizer dos jogos de computador? Será que podem, também, ser considerados arte?

18:30 – Lançamento “A Simbólica do Espaço em O Senhor dos Anéis”, com a autora Maria do Rosário Monteiro.

Maria do Rosário Monteiro apresentou A Simbólica do Espaço em O Senhor dos Anéis, um ensaio em torno da obra de Tolkien, onde a autora explora os distintos palcos da história. Este foi um lançamento bastante interessante, onde se notou o quão habituada a autora está a expor as suas ideias. No final, as perguntas não paravam, e não fosse por falta de tempo a apresentação ter-se-ia alongado mais.

13 de Novembro, Sábado:

15:00 – Painel “Lisboa Fantástica”, moderado por Rui Tavares, com João Barreiros, David Soares e Octávio dos Santos.

Excelentemente moderado, este painel apresentou a noção da cidade que cada um dos autores possui: luminosa ou escura, escondida ou revelada. Se Octávio dos Santos expande a cidade, João Barreiros já a explodiu por diversas vezes nas suas histórias, e David Soares escolhe uma Lisboa pré-terramoto caracterizada por ruelas pouco iluminadas e um ambiente mais soturno.

16:00 – Cinema Fantástico Português – Curtas (“A Audição”, de Francisco Campos e Henrique Bagulho; “Nocturna”, de Francisco Carvalho; “A Aposta”, de Vasco Sequeira).

Apenas assisti à curta A Audição, mas acostumada às pasteladas do cinema português achei esta curta bastante melhor, quer em termos de imagem e som, quer em termos de história.

17:30 – Lançamento “A Luz Miserável”, com o autor David Soares.

A Luz Miserável, de páginas pretas e letras brancas (e odor indescritível), traz-nos três novas histórias negras do autor David Soares, que terão relação com os seus últimos três romances: do suspense ao splatterpunk. Como sempre uma apresentação interessante e inteligente do autor. O livro esse, aguarda a leitura de Lisboa Triunfante e de O Evangelho do Enforcado, pelo que não poderei comentá-lo – por enquanto.

18:00 – À Conversa com Ricardo Pinto, por Rogério Ribeiro.

Ricardo Pinto é o autor da trilogia fantástica lançada pela Editorial Presença, A Dança de Pedra do Camaleão. Após longos anos de espera, o terceiro e último volume foi publicado recentemente. Uma espécie de purga psicológica do autor luso-descendente, a história decorre num ambiente fantástico diferente do usual, numa sociedade patriarcal onde os nobres nunca tiram as máscaras. Um ambiente interessante que me recordo de gostar, apesar de ainda não ter lido o último volume.

Durante a conversa Ricardo Pinto revelou algumas características da sua vivência familiar que terão sido exploradas nos livros, e falou sobre a experiência de escrita. No final, revelou que, depois de outros projectos que tem em curso, talvez volte a escrever algo passado no mesmo mundo.

18:30 – À Conversa com Stephen Hunt, por Luís Corte-Real.

Enquadrados no género Steampunk, os livros de Stephen Hunt terão sido dos primeiros do género a obter uma grande exposição comercial. A Corte do Ar é o primeiro de uma série, onde cada um dos volumes pode ser lido independentemente.

19:00 – À Conversa com Peter V. Brett, por Pedro Reisinho.

A série fantástica de Peter V. Brett é uma das mais viciantes dos últimos tempos. Apresentando uma realidade onde a tecnologia terá sido esquecida e os demónios sobem das profundezas todas as noites para caçar humanos, Peter V. Brett explora o desenvolvimento de um Messias que irá expulsar os demónios. Até agora as personagens têm-se revelado humanas, ou seja, não são inteiramente boas ou más, ainda que de vez em quando as suas acções possam ser interpretadas como tal. Para um dos próximos volumes, o autor prometeu explorar o lado dos demónios.

14 de Novembro, Domingo:

15:00 – Sugestões de Leitura, com Ana Cristina Alves e João Barreiros.

João Barreiros fala com um entusiasmo contagiante! Entre os livros referidos encontramos Kraken de China Miéville, Finch de Vandermeer, Locke & Key de Gabriel Rodriguez  e Joe Hill, The Quantum Thief de Hannu Rajaniemi ou The Passage de Justin Cronin.

15:30 – Painel “Banda-Desenhada”, com Filipe Melo, Nuno Duarte, Osvaldo Medina, Rui Ramos, Fil, André Oliveira e Diogo Carvalho.

Este quase que já pode ser considerado O Painel Anual de Banda Desenhada, onde os autores apresentam os seus novos projectos (existem algumas presenças constantes). Ainda que tenha gostado das apresentações, acho que gostaria de ter visto alguns daqueles projectos mais esmiuçados, ou seja, seria interessante dar mais tempo aos lançamentos deste ano, com rubrica própria no horário ao invés de concentrados na mesma meia hora. Isto porque… começam a ser projectos a mais para apresentar em tão pouco tempo. Ou foi esta a sensação com que fiquei.

17:00 – Painel “Fantástico como forma literária”, moderado por João Morales, com Afonso Cruz e João Pedro Duarte.

Com uma moderação impecável e perspicaz João Morales aproveitou as obras dos autores para lhes colocar perguntas sobre o género, desenvolvendo-se uma conversa interessante e inteligente.

_______________________

Para os interessados, existe uma página no facebook onde se reúnem vídeos e opiniões do evento.

Notícias fantásticas – eventos e editoras

Ainda esta semana irá ocorrer o lançamento da colecção Teen (Tonifica E Estimula os Neurónios), a mais nova aposta da Saída de Emergência em fantástico direccionado para um público mais jovem que a colecção Bang. Desta colecção fazem já parte Alex 9 A Guardiã da Espada (Martin S. Braun), Illusya – O Reino Encantado (Bruno Matos), Daenerys – A Mãe dos Dragões (George R. R. Martin) e esta semana O Príncipe da Prisão Dourada (Nathalie Mallet).

O evento irá decorrer esta sexta, dia 9 de Outubro, na FNAC do Colombo (Lisboa), entre as 19h e as 20h, contando com a participação de Bruno Matos e Bruno Soares, os autores respectivamente de Illusya e Alex 9.

Para quem costuma assistir ao Fórum Fantástico todos os anos (como eu), já deve ter dado pela sua falta este ano. Em compensação está agendado um evento diferente, as Conversas Fantásticas. A colaboração entre Rogério Ribeiro e a BMOR irá trazer, entre os dias 21 e 28 de Novembro, um conjunto de apresentações e debates, com espaço para cinema, concept art, literatura e banda desenhada, apenas aberto para participantes nacionais. No meu calendário já está marcado.

Mas eventos à parte.  Para quem escreve e deseja ver a sua obra publicada, a Antagonista Editora prepara-se para lançar uma colecção de novelas de FC e terror fantástico, aceitando de momento manuscritos e prontificando-se a dar resposta,  positiva ou negativa, a todas as submissões.

1ª Lisboa Restaurant Week – L’Appart e Eleven

Depois de Bocca, COP’3 e Faz Figura, seguiram-se outros dois restaurantes – L’Appart e Eleven.

O primeiro encontra-se dentro do Hotel Tiara, perto do Parque Eduardo VII – um restaurante que prima no luxo na decoração, na simpatia e na discrição dos empregados.  A comida, pataniscas de camarão com arroz de feijão também foi muito apreciada por todos, assim como a sobremesa. O ambiente e a decoração recordam o interior de uma casa austera, com livros nas estantes e mesas isoladas em recantos.

Mas o auge de todos os restaurantes terá sido o Eleven – vista esplendorosa sobre o Parque Eduardo VII e rio Tejo, um serviço impecável e uma refeição  muito agradável – desde os pãezinhos de tomate e azeitonas, ao frango recheado com requeijão e ervas e batata gratinada (se não me falha a memória para a descrição do prato).

Finalizando, a experiência Lisboa Restaurant Week permitiu  experimentar uma série de restaurantes excelentes. De todos o Eleven é aquele ao que mais facilmente voltarei para uma refeição especial, ainda que o Faz Figura e o L’Appart me tenham deixado boas recordações. O COP’3 não é mau, mas comparativamente aos três assinalados é mais fraco e por último, o Bocca que foi, sem dúvida, a pior experiência, destacando-se pela falta de qualidade do serviço.

1ª Lisboa Restaurant Week – Faz Figura

O Faz Figura foi o terceiro restaurante escolhido, desta vez para jantar durante a semana. Ao lado do Hospital da Marinha, possui uma excelente vista sob o rio Tejo, que não pudemos usufruir pela hora adiantada. A decoração é simples, mas confortável e pode ser visualizada numa tour virtual e o serviço foi impecável.

O menu, esse, era variado e dava a possibilidade de escolher de entre vários pratos. Para entrada tínhamos

  • Sopa fria de tomate com espuma de coentros
  • Rosti de Alheira com maçã, moscatel e compota de cebola roxa
  • Folhado de Queijo da Serra com Mel e Alecrim
  • Salada Tépida de Pintada com Canonigos e Vinagrete de Pêssego

O prato principal era escolhido de entre estes

  • Asa de Raia Confitada com citrinos e puré de batata doce
  • Caril vermelho de gambas
  • Empada de Capão com vinagrete de maçã
  • Lombinho de porco preto lacado com puré de batata e trufa

Finalmente, a sobremesa:

  • Mousse de chocolate branco com framboesas
  • Sopa de Morangos
  • Soufflé de café com espuma de laranja

Todos os pratos escolhidos (a italico) estavam impecáveis, e o ponto fraco terá sido apenas o arroz do caril vermelho. Por sua vez, a (já mítica) sopa de morangos foi considerada por todos como o ponto forte

1ª Lisboa Restaurant Week – COP’3

Na continução da Lisboa Restaurant Week, o COP’3 foi o segundo restaurante para o qual conseguimos reservas.

Logo que entramos, é notória a diferença para o restaurante anterior, Bocca – os empregados são mais atenciosos e a decoração não é fria ou minimalista, o que torna o ambiente mais acolhedor.

O primeiro prato era um misto de legumes com queijo mozarella e salada, que assim exposto parece um prato complicado, mas basicamente é uma salada com queijo.

Seguiu-se o prato principal que podíamos escolher de entre vários. O escolhido foi Bife da vazia com molho de mostarda antiga e roácea de batata – divinal.

Para terminar, a sobremesa foi um gelado de abóbora e passas. A descrição poderá parecer estranha, mas o resultado é bom. Não tanto quanto o gelado de azeite com pudim de azeitonas que nos serviram no Bocca.

1ª Lisboa Restaurant Week – Bocca

Restaurant Week é um evento internacional com raízes em Nova Iorque em que, durante alguns dias, alguns restaurantes disponibilizam menus pelo preço de 20€. Tal iniciativa permite experimentar restaurantes nos quais o preço de uma refeição é um pouco acima das possibilidades de um cidadão de rendimento médio.

Em Lisboa o evento conhece a sua primeira edição e embora estivesse marcado para durar apenas duas semanas, irá alongar-se pela próxima. O preço é de 20€ mas conta já com 1€ para causas sociais.

A lista de aderentes, assim como mais detalhes do evento, podem ser visualizados no site oficial.

No sentido de experimentar um dos restaurantes aderentes desloquei-me, com uns colegas de trabalho, ao Bocca. Ainda que do menu constassem vários elementos que não me agradam, resolvi alinhar pela experiência:

  • Gaspacho de Basílico com Sardinha Marinada
  • Risotto de “pipis”
  • Pudim de azeitona com gelado de azeite

Espaço agradável e mesa no meio da sala – tudo parecia em ordem para conhecer um novo restaurante, bem localizado e luminoso. Digo parecia, porque cedo nos apercebemos de algo errado entre os empregados – assim que referimos a iniciativa Restaurant Week (nota que não tinha ficado esquecida aquando da reserva).

O empregado que nos tinha indicado a mesa é chamado à atenção mais do que uma vez e de forma muito pouco discreta – pelo lugar onde nos tinha colocado. De seguida, não foi a refeição que ficou amarga, mas os modos com que nos serviam – a garrafa de água deixava sempre um rasto na toalha, os pratos eram depositados secamente à nossa frente escapando-se sempre o barulho do cair que correspondia ao toque com a mesa, a tigela da sopa bate pelo menos quatro vezes num copo.

De resto, e apesar das queixas de um ou outro colega, a refeição estava boa – e eu que não gosto de Pipis… mas a estrela eleite por unanimidade foi, sem dúvida, a sobremesa – tanto o pudim como o gelado eram por si só óptimos, mas a junção dos dois é divinal.

Infelizmente a impressão final ficou tingida pelos modos (ou falta deles).

Links (2009-01-11)

Vou deixar aqui uma série de links que achei interessantes e decidi partilhar.

No site da TOR, por altura do Natal, começou a ser publicada uma série de Comics sobre Zombies - são 12 peças de humor negro que roçam a demência e que considero geniais. A primeira de todas podem ver aqui, à direita.

The Endicott Studio é uma fundação que data de 1987, dirigida por Terry Windling e por Midori Snyder.

Publicam periodicamente uma revista online, Journal of Mythic Arts na qual podem encontrar arte e contos de vários artistas e escritores, entre os quais Brian Froud ou Charles Vess, Ekaterina Sedia, Catherynne M. Valente ou Theodora Goss. Possuem ainda um blog com novidades, comentários a livros, entre outros.

Para aqueles que tiveram oportunidade de ver e apreciar Dr. Horrible Sing-Along, que esteve disponível gratuitamente durante curto espaço de tempo, parecem existir boas notícias.

De modo a publicitar o lançamento do próximo livro de Jonathan Barnes, The Domino Men, Somnambulist, o primeiro do autor, foi disponibilizado na net, gratuitamente.

Pelo que li até agora, parece enquadrar-se no género Steampunk, decorrendo numa fantástica Londres Victoriana. Sobre o livro, podem ler resenhas em SF Diplomat e Strange Horizons – e assim começa o livro:

Be warned. This book has no literary value whatsoever. It is a lurid piece of nonsense, convoluted, implausible, peopled by unconvincing characters, written in drearily pedestrian prose, frequently ridiculous and willfully bizarre. Needless to say, I doubt you’ll believe a word of it.

Num site, houve uma pintura que me chamou a atenção, um misto entre Lovecraft (Chtulu) e Júlio Verne. O artista é Myke Amend. Algumas das suas obras podem ser vistas online, e os temas rodam quase sempre em torno do fantástico e do horror. Esta foi a imagem que me cativou:

Vá para fora, cá dentro

Belo slogan. Pena que nos centros de Turismo se dê primazia a quem vem de fora.

Sim. Isto é um desabafo.

Quando os centros fornecem guias, indicações e todas as facilidades aos estrangeiros; mas se negam a tratar de igual modo os viajantes portugueses (que pagam indirectamente este tipo de serviços); é altura para questionar algumas políticas nacionais.

Não. Não é a primeira vez que vejo situações estranhas destas acontecerem.

Fiona Apple – Extraordinary Machine

fiona-apple.jpg
Não, o apelido do Shrek não é Apple, embora também seja verde… Fiona Apple é “só” a dona de uma estranhamente agradável voz com algumas canções espectaculares como Extraordinary Machine ou Better Version of Me… A Must Listen…

Vodka Molecular

vodka-molecular.jpg

Juntando o útil ao agradável, porque não aplicar as técnicas laboratoriais para fazer cocktails e outras bebidas…como lasers e seringas? Como uma imagem vale mais que 1000 palavras…

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 34 outros seguidores