Interview questions for bloggers to answer

Em Of Blog of The Fallen foi deixado um pequeno desafio aos bloggers que me pareceu interessante. Desta forma, resolvi responder ao questionário apresentado. Aqui ficam as perguntas e respectivas respostas. Achei interessante, será que mais alguém seguirá a ideia?

1. Without giving anything away, what can you tell readers about your blog?

Quando comecei tinha por objectivo despejar algumas ideias e pensamentos: comentários a notícias absurdas, ou refilar de um péssimo filme. Há quatro anos já existiam milhares de blogs em torno destes temas, mas poucos, portugueses, que se dedicassem apenas a livros, quanto mais fantasia e ficção científica, publicada em português ou inglês.

2. What can you tell readers about your future themed review months? Are there any sequels in the works?

Não costumo fazer meses temáticos, até porque gosto de intercalar géneros e autores. No entanto, anunciados os convidados do fórum fantástico, vou tentar ler e comentar alguma coisa de todos eles antes do evento. De resto, espero ler, nos próximos tempos, qualquer coisa enquadrada na mais recente moda dos Anjos, livros de Zoran Zivkovic, John Wyndham, Christopher Moore, assim como mais uns volumes da Haikasoru. Intercalados com estes, pretendo pegar em Criaturas Maravilhosas e Anjos Pistoleiros, a publicar durante este mês, em Portugal.

3. What do you feel is your strength as a blogger/reviewer?

Primeiro que tudo, não me importo de expor pontos negativos de uma história, ou seja, mesmo conhecendo o autor, se existir algum ponto que não me agrade, escrevo-o. Aquilo que não gostei num livro pode ser exactamente o que outro leitor poderá considerar a cereja em cima do bolo. A minha opinião resulta sempre da minha percepção da leitura e outros podem não ter a mesma ideia com a mesma história.

Para além disso, gosto de ler em inglês, logo comento livros que tão cedo não verão a tradução portuguesa, e consigo atingir cerca de 100 páginas por hora, a ler em português.

4. If you could go back in time, what advice would you give the younger you concerning your blogging/reviewing career?

Inicialmente tinha alguma dificuldade em comentar alguns livros: ou eram densos ou deixavam-me com sentimentos opostos. Algo que me apercebi entretanto, é que nem sempre um bom livro é uma boa leitura, e nem sempre uma boa leitura é um bom livro. Ou seja, existem histórias excelentes mal contadas, e péssimas histórias bem apresentadas.

Normalmente, os melhores livros correspondem àqueles que, envolvendo-nos na história, estão tão bem escritos e estruturados que não existem quebras de raciocínio, nem nos sentimos esmorecer ao final de alguns parágrafos. Existem, no entanto, livros leves, divertidos com pouco conteúdo, que não são excelentes, mas que nos captaram, da mesma forma que existem os que se limitam a ser um extenso exercício de escrita, mas que são aborrecidos.

5. What was the spark that generated the idea that drove you to start your blog/reviewing career?

O blog surgiu primeiro como uma forma de expor sentimentos e pensamentos. Às vezes, uma óptima forma de esquecer tudo o resto, é pensar em algo e escrever, ainda mais durante a noite. Paralelamente, comecei a escrever os primeiros comentários a livros em fóruns, como Filhos de Athena, Sci-Freaks ou Bad Books Don’t Exist. Pequenas e tímidas frases atabalhoadas, receosas pelo aparecimento de alguém mais lido, que matasse, à nascença, um argumento. Depois, comecei por tentar fundamentar o que achava, tentar encontrar diferenças entre os autores e pensar no que sentia ao longo da leitura. Quanto mais revia, mais me obrigava a estruturar os pensamentos. O fechar do livro deixou de ser o fim da obra, mas ao comentar obrigava a rever em memória a história e acabava por me aperceber de falhas na história ou por admirar, ainda mais, o que tinha lido.

Foi desta forma que comecei a expor comentários sobre tudo (livros, filmes ou pensamentos) principalmente para mim, para me obrigar a estruturar e organizar ideias.

6. Were there any perceived conventions of blogging/reviewing that you wanted to twist or break when you set out to start blogging/reviewing?

Quando comecei queria, apenas, deixar ideias e pensamentos. Depois comecei a direccionar para a temática que possui hoje, que para mim é mais um estilo de vida: a leitura. Neste momento, pretendo trazer novas ou esquecidas leituras.

7. In retrospect, is it safe to say that the online blogging/reviewing world wasn’t quite ready for your blog/review column? Blogging/reviewing was dominated by powerhouses such as Wil Wheaton, Dave Itzkoff, and Harriet Klausner at the time. Looking back, was your blog/review column too avante-garde in style and tone?

Hum. O meu blog era e continua a ser, o que sou, com mais ou menos exposição dos meus sentimentos e pensamentos. Agora mais voltado para livros e literatura, continua a debruçar-se sobre os livros. Não pretendo revolucionar, apenas ser.

8. Honestly, do you believe that bloggers/revieers will ever come to be recognized as veritable critics? Truth be told, in my opinion there has never been this many good blogs/online review columns as we have right now, and yet there is still very little respect (not to say none) associated with them.

Existem blogs que respeito e considero excelentes guias de leitura. Na sua maioria, estes caracterizam-se normalmente por apresentar

  1. Criticas positivas e negativas – e com isto não quero dizer que tenham de existir críticas a dizer que o livro é horroroso, péssimo ou intragável, mas nem todos os livros são excelentes, óptimos e enquadráveis na lista de obras primas.
  2. Vários géneros literários – podem ser direccionados, ou seja, conter comentários sobretudo de livros de um só género, mas também é agradável ler comentários a livros fora do género, e perceber o que as pessoas acham
  3. Vários critérios – tomam em consideração vários aspectos na crítica, existe o gostar de um livro, e o ser um bom livro

Considerando o que às vezes se vê em determinados jornais e revistas, sinceramente, confio mais nalguns blogs do que neles.

9. How would you like to be remembered as a blogger/reviewer? What is the legacy you’ll leave behind?

Gostava de acreditar que alguns livros não publicados em Portugal passarão a ser conhecidos por mais leitores portugueses.

10. Do you ever worry that your blog articles/reviews are being misinterpreted? Ever ball up your fists, shoot steam from your ears and yell, “But you just don’t get it!” while reading a comment to a review? Even if they don’t get it, is that opinion still wrong?

Depende. Se se tratam daqueles comentários, deixados por crianças da primária que demonstram saber escrever muito mal e interpretar ainda pior, não, não me preocupo. Por vezes, sim, existe essa sensação de que a mensagem não passou claramente. Significa apenas que tenho de me explicar melhor, ou aprender a expor melhor as minhas ideias.

Opiniões são opiniões. Não existem opiniões erradas, apenas discordantes.

11. If you take a reviewer like Adam Roberts, as his ramble-y, engaging reviews of Robert Jordan’s The Wheel of Time series and put them up against some of the reviews found on Amazon.com, you’re going to find people who appreciate one or the other. Many of those reviews on Amazon.com are written by what we’re calling ‘bad readers’, but there’s certainly an audience (a very large audience), who appreciate those ‘you’ll love this book if you loved ‘Book X’ or ‘Movie Y’. Are Roberts’ reviews objectively better? Would Joe Blow at the grocery store, who only chooses his novels solely on cover art think so?

Há críticas para todos os gostos. Há quem goste de comparações puras e simples, ou seja, gostam de um determinado género, independentemente das semelhanças na escrita. Quantas vezes não ouvi já alguém pedir essas comparações para ter uma ideia do que o espera? Depois existem aqueles que procuram algo mais, não procuram itens semelhantes, mas formas de escrita semelhantes.

12. Given the choice, would you take a paid review or column for an online or print publication, or a Book Blogger Appreciation Week award? Why, exactly?

Se me importava de ser paga para fazer o que já faço? Claro que não. Se receberia dinheiro para publicar uma opinião positiva? Não.

Hábitos de Leitura

Não costumo seguir correntes ou aderir a modas de questionários, mas este pareceu-me interessante, sobre hábitos de leitura.

Petiscas enquanto lês? Se sim, qual é o teu petisco favorito?

Não costumo, mas pode acontecer com caju.

Qual é a tua bebida preferida enquanto lês?

Chá ! Chá de maçã e canela ou chá preto com especiarias ! Também vai roibos ou pu-erh.

Costumas fazer anotações enquanto lês, ou a ideia de escrever em livros horroriza-te?

Só se escreve em livros de estudo ! Tirando isso, vá de metro! Ok, ok. O autor do livro pode autografá-lo.

Como é que marcas o local onde ficaste na leitura? Um marcador de livros? Dobras o canto da página? Deixas o livro aberto?

Vejamos… dobrar, nunca. Deixar o livro aberto, só se o for largar durante uns segundos, senão fica com a lombada danificada. Costumo usar um marcador, mas não de papel. É um género de clip (e por isso não salta da página que marca), mas que não rasga a folha.

Ficção, não-ficção, ou ambos?

Ambos. Se bem que ultimamente, só ficção. De preferência ficção científica e fantasia, em inglês, espanhol ou português. Pode aparecer pelo meio um romance histórico ou algo puramente literário.

És do tipo de pessoa que lê até ao final do capítulo, ou paras em qualquer sítio?

Em qualquer sítio. Antes tinha por hábito ler no autocarro pelo que não era muito prático sair dez paragens à frente para conseguir terminar o capítulo. Tento parar no final de parágrafos, mas nem sempre dá.

És leitor para atirar um livro para o outro lado da sala ou para o chão quando o autor te irrita?

Nunca !  Os livros são sagrados cá em casa ! Ai de alguém que eu veja fazer tal coisa cá em casa !

Se te deparares com uma palavra desconhecida, paras e vais pro­curar o seu significado?

Claro! Dicionário online, dicionário em papel, naquilo que estiver mais perto. Em último recurso pergunto a quem estiver mais perto.

O que é que estás a ler actualmente?

Terminei The Master and Margarita de Mikhail Bulgakov e vou começar Almanaque do Dr. Tackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas, de vários autores.

Qual foi o último livro que compraste?

Últimos – foi uma encomenda da Amazon com The Usurper of the Sun (Nojiri), The Second Year of Clarkesworld Magazine, Adventures in Unhistory (Avram Davidson), The Golden Age (Michal Ajvaz), The House of Storms de Ian R. MacLeod e finalmente The Scar de China Miéville.

Lês só um livro de cada vez, ou consegues ler mais que um ao mesmo tempo?

Só costumo ler um livro de cada vez. Mas por vezes alterno um inglês ou espanhol com um português, ou um livro de prosa densa com um de contos.

Tens um lugar/altura do dia preferido para ler?

Lê-se em qualquer sítio, mas prefiro estar deitada de barriga para baixo. Altura do dia, quanto mais tarde melhor: não gosto muito de exercitar o cérebro de manhã.

Preferes livros incluídos em séries ou independentes?

Prefiro os independentes, ou os que, pertencendo a uma série, podem ser lidos isoladamente.

Existe algum livro ou autor específico que estejas sempre a reco­mendar?

Sim ! O Segredo do Bosque Velho de Dino Buzzati (não entendo porque não é um livro mais conhecido, visto que todos os que o leram após a recomendação gostaram), Zoran Zivkovic (principalmente os livros de contos publicados pela Aio Publishing), Perdido Street Station de China Miéville (para os que gostam de livros fora do vulgar, este é dos melhores que já li).

Em autores portugueses é fácil: Barreiros para FC, Afonso Cruz para fantástico mais literário, David Soares para horror (ainda tenho de ler o último).

Como é que organizas os teus livros?

Separo os lidos dos não lidos, depois coloco por colecção a que pertencem ou por tamanho, agrupo por número quando pertencem a uma colecção, por autor / género quando possuem tamanhos semelhantes. Ficção história tende a ficar com ficção histórica, ficção científica com ficção científica e fantasia com fantasia.  As edições portuguesas são mais fáceis de organizar – quase todas as editoras publicam no mesmo formato.

Algumas considerações

Há já algum tempo que tenho vontade de discorrer sobre a evolução da relação literatura Vs internet, mais especificamente da forma como algumas editoras e autores (não) utilizam este meio de comunicação cada vez mais barato para publicitar novos livros e eventos associados.

Numa altura em que se utiliza, cada vez mais, motores de busca como a google, para encontrar informações, parece-me que algumas editoras se negam a encarar a realidade: não possuem uma página oficial, ou o que possuem não a utilizam. Procura-se uma sinopse, uma simples informação sobre o livro ou autor, e mais facilmente esta se encontra num site genérico como o da FNAC ou da Wook, que na página oficial da editora, que anda às moscas, vá-se lá saber porquê (talvez por não ser actualizado há vários meses ou possuir informação confusa ou de difícil acesso?).

Entramos aqui também noutro domínio – o da acessibilidade dos sites. Acho que todos gostamos de ver uma página com música e de design composto, mas a médio ou longo prazo, de que serve uma página de lento acesso, onde a informação é de difícil obtenção e para a qual é complicado gerar links ou retirar as imagens oficiais? Não estou a falar de plagiar informação ou de a utilizar para proveito próprio, mas sim para propagar a informação e fazer algo tão simples como mostrar a um amigo, ou dissertar num fórum e conseguir dizer “foi esta a obra que me fascinou”. Em ambas as situações estamos a falar de publicidade gratuita que pode originar mais vendas.

Voltemos então à actualização das páginas oficiais das editoras: parece-me absurdo tomar conhecimento de um novo livro primeiro através de um site genérico e não através do oficial da editora. Ainda mais absurdo se torna quando a informação sobre o livro desejado nunca aparece na página oficinal: um espaço que pode ser consultado a qualquer momento, e que não depende do humor do livreiro ou de uma taxa qualquer para permanecer nas prateleiras principais.

Mas se existem, aos pontapés exemplos de má utilização de uma ferramenta de publicidade barata, não tão limitada quanto um jornal ou a montra de uma livraria, existem já editoras portuguesas a utilizar em pleno o potencial desta ferramenta. Entre as páginas oficiais actualizadas podemos encontrar blogs oficiais das editoras relacionados com os dos próprios autores, eventos marcados no facebook, fóruns ou até passatempos e comentários / críticas em blogs independentes das editoras: as estratégias parecem aproximar-se daquilo que há já alguns anos se vê nos mercados inglês e americano. Todas estas utilizações contribuem para aumentar a expectativa e a curiosidade nos potenciais leitores, com a criação de laços às próprias editoras ou autores.

Por último, qual o papel dos blogs independentes no meio disto tudo? (questão dúbia dado estarmos num blogs sobre livros.) Antes de mais e tentando esquecer que estamos num, o que procuro quando navego entre blogs literários? É fácil: opiniões concisas e límpidas, factos concretos, notícias sobre futuros lançamentos. Independentemente da opinião positiva ou negativa (que há-de ter o seu peso), procuro dados sobre a obra que me permitam discernir se irei, ou não, gostar da obra em questão. Agora falando da minha própria experiência enquanto leitora, encerrado um livro percebo, por vezes, que o li na altura errada ou que não o consegui apreciar por razões que fazem parte da minha própria personalidade (experiência de vida ou complexidade emocional). Há que tentar (nem sempre se consegue), separar as águas, o que está no livro e o que está em mim.

Desta forma, existem alguns blogs cuja referência me pode levar directamente a adquirir um livro (como o Of Blog of the Fallen), não porque tenha o mesmo gosto literário de quem escreve, mas porque normalmente me consegue apresentar um resumo concreto do que é o livro. Existem, ainda, aqueles em que só depois de várias referências considerarei a aquisição, ou aqueles em que as referências me levam a procurar mais informações. Entra aqui, também, o papel dos passatempos, que ajudam a realçar uma determinada obra, ao criarem um investimento emocional no concorrente, um envolvimento que poderá ajudar na aquisição da obra.

Posta esta dissertação amadora baseada apenas na minha experiência, aproveito para realçar que continuo sem perceber como algumas editoras descuram o papel positivo da internet enquanto meio de comunicação, numa perspectiva que foge claramente à realidade que nos rodeia.

Novo Layout

Estava um pouco cansada do aspecto anterior – apesar de ter mudado a imagem do cabeçalho há algum tempo, não foi o suficiente. Queria uma imagem mais simples e limpa. Optei por esta. Em boa verdade não me agrada totalmente, parece demasiado um rascunho (o que se calhar condiz bem com o título).

Ainda assim, deixei estar à experiência e reparei num fenómeno expectável – com a maior visibilidade dos separadores e das caixas laterais, aumentou o número de encadeamentos para áreas do blog que sempre lá estiveram mas que só agora alguns repararam. Igualmente, aumentou o número de cliques em links.

Conclusão: devo manter este visual por mais algum tempo.

Next 10

E como tinha falado num tópico anterior, foram escolhidas as próximas 10 leituras. São 10 que quero mesmo ler, mas tenho-os adiado – ou são muito grandes e pesados, ou o seu género não é o que pretendo em determinada altura – a ver se consigo cumprir esta pseudo-decisão.

The books I have and definitely want to read

As a book lover i do have a great number of books longing to be read – Fantasy, Sci-fi, romances, huge hardcovers or tiny paperbacks, written in portuguese, english or spanish, short-stories collections or a series single volume, memorable authors or non-remarkable writers.

Some of them were bought a couple of years ago – when i was a different person, with a different perspective or life ideals. As years gone by, my book taste has also changed. I don’t recall being a pink, happy full and naive story lover, but more frequently i long for different stories, with unimaginable twists, reckless beasts, and characters mirroring real world (imperfect, insecure, that do not always take the right decision). Maybe my taste reflects the way I see the world. Who knows?
Nevertheless, I do have acquired a little library of my own. One that is very dear to me – some of her tenants have kept me company, some made me grow or add a different point of view to my thoughts – some are just a shadowy memory of a story in which I can’t perceive my opinion, so ordinary they were.

Today, I woke up, not thinking in my known shelves’ friends, but in those that lay still unread. And I made up a decision – to grab 10 off the shelves in order to read them soon. And strange this seemed, it was not a hard decision at all. Of these ten, none is a real story, only 4 authors are previous known and only 3 are portuguese editions. But given a thought, none of the 7 english books has a portuguese translation. The majority are big HC that I never had the opportunity to read – nice, pleasant but too heavy to walk around.

  • Dan Simmons – The Terror
  • Hunter’s Run – George R R Martin, Gardner Dozois, Daniel Abrahm
  • The SWFA european hall of fame
  • Accelerando – Charles Stross
  • A derrocada da baliverna – dino buzzati
  • River of Gods – Ian McDonald
  • The Etched city – K J Bishop
  • Se numa noite de Inverno um viajante – Italo Calvino
  • A Loucura de Deus – Juan Miguel Aguillera
  • Black Man – Richard Morgan

De….

Gosto da cor do mar em dia nublado. Gosto de livros. Gosto de chocolate preto, amargo. Gosto de nadar. Gosto de andar na cidade, sozinha, ao fim do dia. Gosto de mimos e festinhas. Gosto de morangos, simples. Gosto de música. Gosto de pessoas fora do normal. Gosto de chá. Gosto de sorrir. Gosto de rir. Gosto de ciência. Gosto de documentários. Gosto de ler. Gosto do fantástico. Gosto de tecnologia. Gosto de fazer longas viagens, mesmo sozinha – dão para pensar. Gosto de experimentar coisas novas. Gosto do som do mar. Gosto de coisas que me puxem pela cabeça. Gosto de olhar nos olhos quando falo. Gosto de café. E de canela. Gosto de mecanismos. Já disse que gosto de livros? Gosto de observar antes de conhecer. Gosto de olhos verdes, e castanhos. Gosto de dançar. Gosto de vestir de escuro. Gosto de abraços dos que me são mais próximos. Gosto de ficção científica. Gosto de ouvir falar italiano. Gosto de conhecer novas pessoas. Algumas. Gosto de decotes em bico. Gosto de conversar. Gosto de sorrisos. Gosto de fazer puzzles com muitas peças. Gosto de picar. Gosto de filmes. Gosto de quando a minha voz fica rouca. Gosto de conhecer novas cidades. Gosto da noite.

Gosto…

Pale White

Existem pedaços de músicas que conseguem trazer-nos todos os sentimentos possíveis e imaginários à memória. Torrentes de sentimentos em poucos instantes – trazem-nos uma lágrima numa nota ou um sorriso aos lábios na próxima entoação. Correm lembranças do que somos, do que fomos. Lembranças de nós próprios e dos outros que por nós passaram.

Não apetece respirar. Apenas suster para não estragar a música. Ou então, respirar com o instrumento de cordas que por detrás se faz ouvir.

Fechar os olhos para nos deixarmos invadir, e para deixar correr as teclas por entre os dedos. Mas devagar. Para não se sobrepor à música, para não se fazer sentir na pele como aquela palavra dita de forma especial.

Há músicas assim, com as quais nos identificamos qualquer que seja a altura da nossa vida, que nos lembram de nós próprios, que nos lembram dos outros que fazem e fizeram parte da nossa vida. Com alguma melancolia sim. Mas sem tristeza. Life is what it is.

Pale White – Yann Tiersen

Este foi o momento sentimental do blog. Porque sim. Apeteceu-me.

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Vá para fora, cá dentro

Belo slogan. Pena que nos centros de Turismo se dê primazia a quem vem de fora.

Sim. Isto é um desabafo.

Quando os centros fornecem guias, indicações e todas as facilidades aos estrangeiros; mas se negam a tratar de igual modo os viajantes portugueses (que pagam indirectamente este tipo de serviços); é altura para questionar algumas políticas nacionais.

Não. Não é a primeira vez que vejo situações estranhas destas acontecerem.

Aparências científicas

Podem ler-se nos jornais notícias sobre o aumento do investimento na ciência. Ouve-se falar de novas parcerias, novas instituições, novos ramos de investigação. Ouve-se, le-se. Ver é mais difícil. Infelizmente a maioria das posições parecem ser mais para dar a sensação de um avanço. Novos institutos, novos fundos ou novas parcerias. É tudo muito bonito. Pergunto-me, e então o que já existe?

Aumentam os fundos, sim senhora, mas com o desviar do orçamento para novos projectos (sonantes sem dúvida) baixa muitas vezes o investimento nos laboratórios que se encontram já a produzir resultados.

Se alturas houve já em que abriam anualmente dois concursos por ano para bolsas de doutoramento, o único do ano passado abriu tarde, prolongou-se para além do esperado, e os resultados saíram falhando mais uma vez as datas previstas (para além da barracada que houve em torno das listagens). O resultado dos recursos, por sua vez, só agora começa a ser conhecido. Nisto, esperou-se uma eternidade e em que situação ficam os investigadores que não têm outro modo de sustento? Isto só falando nas bolsas. Avaliação de projectos, essa então… é melhor nem escrever mais nada.

Na realidade, não temos muitos cientistas portugueses. Diria que estamos abaixo da média europeia (esse monstro comparativo que nos assombra). A andar assim não teremos muitos mais. Não sei porquê.

Sobre o referendo…

Vários são os posts na blogosfera, vários os discursos atirados ao vento que não fazem mudar a opinião dos decididos. Falácias discursivas, argumentos manipuláveis, raciocínios sentimentais – podem e são usados pelas duas faces, em prol das crenças de cada fracção.

Enfim, não vou aproveitar para expor argumentos a favor ou contra a despenalização do aborto.

SIM, NÃO, EM BRANCO se na realidade não estiverem decididos por uma resposta – mas votem; porque sinceramente considero uma vergonha a percentagem de abstenção no último referendo.

é tudo

Quantos serão necessários ? Farewell!

Considerada há muito em extinção, esta espécie de golfinho residente na China, desencadeou a formulação de vários projectos em seu auxílio.

Fugindo da poluição e dos navios, a espécie entrou em rápido declínio com a ascenção económica da China, tendo sido criada em 1992 uma reserva para protecção da espécie. Em 1997 foram detectados apenas 13 no rio, e por volta de 2002, falou-se em transferir alguns exemplares para criação em condições artificiais.

Recentemente, foi programada uma expedição para monitorização da espécie. O resultado é o esperado: extinta.

On Wednesday, an expedition in search of any baiji, run by Chinese biologists and baiji.org, a Swiss foundation, ended empty-handed after six weeks of patrolling its onetime waters in the middle and lower stretches of the river, the baiji’s only known habitat. (…)

On Wednesday, Mr. Pfluger distributed a news release concluding that the baiji was “functionally extinct.” (Decades must pass before international scientific organizations take the formal step of declaring it officially extinct.)

(NYTimes)

Será a espécie humana como aquelas pessoas que afastam todos os amigos, até que acordam um dia e se apercebem que estão … sozinhos?

Ficção… Ou não…

Ao contrário do que se sugere repetidamente nos dias de hoje, nem sempre o fenómeno de globalização está directamente relacionado com o desaparecimendo de determinados padrões culturais ou na perda de culturas mais dispares (depreenda-se, mais afastadas do que é considerada a norma, ou a média).

Numa primeira fase, a curiosidade aleou-se à capacidade e foram notórias algumas das modificações, principalmente tecnológicas. Em termos culturais, observa-se muitas vezes o oposto – o conhecimento das restantes normais sociais em torno do globo ficam-se, em geral, pelo superficial, gerando pressupostos, preconceitos. Surge então a necessidade de afirmar a elevada moralidade que caracteriza a “nossa” cultura, de defender determinados valores não porque se conheçam os restantes, mas porque as pessoas se sentem chocadas quando confrontadas nas questões que consideram fulcrais para a sua existência mental.

Tal observa-se em famílias, credos, grupos de jovens. O indivíduo é orientado por vários factores, mas um dos determinantes é a família. E esta, transfere as suas crenças, conhecimentos à pessoa em formação. É incontornável. Relativamente às escolhas do indívuduo, ele poderá ou não tomá-las quando crescer. Esta é a transmissão compreensível, própria do desenvolvimento de um indivíduo.

Será compreensível a passagem de uma característica genética para limitar obrigatoriamente um indivíduo a uma cultura? Actualmente, parece que tal já é possível – escolher as deficiências genéticas de um filho

In other words, some parents had the painful and expensive fertility procedure for the express purpose of having children with a defective gene. It turns out that some mothers and fathers don’t view certain genetic conditions as disabilities but as a way to enter into a rich, shared culture.

(…)

“A hearing baby would be a blessing,” Ms. Duchesneau was quoted as saying. “A deaf baby would be a special blessing.”(in NYTimes)

Não sou nem nunca fui uma defensora da padronização – aprecio muito a diversidade humana, a existência de vários padrões, de vários raciocínios, de vários gostos… mas anda tudo doido, ou sou só eu que não tenho a capacidade de encaixar isto, e achar razoável?

Globalização? cheira-me que daqui a uns anitos teremos várias comunidades isoladas… e não serão só religiosas, linguísticas…

Mais evidências do benefício do vinho

É commumente aceite e referenciado o consumo do vinho para diminuir alguns dos males que afligem a nossa saúde. Há quem refira propriedades anti-oxidantes, mas a verdade é que tanto médicos como alguns cientistas, aconselham a presença deste produto na nossa alimentação.

A relação entre a nossa dieta e a nossa esperança média de vida ou a qualidade desta, continuam a ser amplamente estudados, utilizando várias espécies modelo.

Mas o que este estudo tem de interessante é a influência de uma substância constituinte do vinho, o Resveratrol, do impacto de uma dieta altamente calórica. O artigo foi publicado na Nature, e pode ser lido numa forma menos científica no NYtimes.

Para analisar os efeitos, utilizaram-se vários modelos biológicos conhecidos – ratos, C. elegans, leveduras e até moscas. As conclusões parecem ser concordantes.
Ratos mantidos sob dieta caloricamente rica, aos quais se administrou Resveratrol, demonstraram não só a manutenção de uma melhor forma física e uma maior esperança médica de vida, como uma menor percentagem no desenvolvimento da diabetes.

Another group of mice was fed the identical high-fat diet but with a large daily dose of resveratrol (far larger than a human could get from drinking wine). The resveratrol did not stop them from putting on weight and growing as tubby as the other fat-eating mice. But it averted the high levels of glucose and insulin in the bloodstream, which are warning signs of diabetes, and it kept the mice’s livers at normal size.

Even more striking, the substance sharply extended the mice’s lifetimes. Those fed resveratrol along with the high- fat diet died many months later than the mice on high fat alone, and at the same rate as mice on a standard healthy diet. They had all the pleasures of gluttony but paid none of the price.

São resultados interessantes, que poderão explicar porque na Europa menor percentagem da população desenvolve as doenças da tecnologia sob uma dieta semelhante.

Por enquanto, os cientistas envolvidos no estudo começaram a consumir Resveratrol sob a forma de comprimidos, mas nem a aplicabilidade em humanos nem as consequências de elevada concentração de Resveratrol foram ainda estudadas.

Paródia Evolutiva Humana – Elfos ou anões?

Bem, e o que sai quando um economista (que lecciona Teoria Política e faz parte de uma coisa estranha chamada Evolutionary Moral Psychology Group) resolve opinar sobre evolução na espécie humana? – Uma notícia na BBC News que deve ser algo como Monty Python para cientistas (ou conhecedores da teoria da evolução)… Infelizmente, o artigo pretende ter um teor sério e credível.

Mas tanto palreio sobre a teoria… afinal em que consiste?
Primeiro que tudo, supõe que a raça humana se ramificaria em duas partes. Mas a divisão não é a parte aberratória – em que consiste, isso sim é cómico.

Evolutionary theorist Oliver Curry of the London School of Economics expects a genetic upper class and a dim-witted underclass to emerge.

Basicamente pressupõe a formação da classe de escravos burros feios e estúpidos, verdadeiros anões; e de uma classe de elite, constituída por indivíduos saudáveis, de longevidade elevada, altos, esbeltos, férteis e de aspecto jovem.

Physical appearance, driven by indicators of health, youth and fertility, will improve, he says, while men will exhibit symmetrical facial features, look athletic, and have squarer jaws, deeper voices and bigger penises.

Women, on the other hand, will develop lighter, smooth, hairless skin, large clear eyes, pert breasts, glossy hair, and even features, he adds. Racial differences will be ironed out by interbreeding, producing a uniform race of coffee-coloured people.

Só algumas coisas

1. Nós não somos cães. Não só temos genes escondidos (muitas pessoas morenas têm gene para olhos azuis, mas o gene dos olhos castanhos sobrepõe-se), como normalmente as pessoas não escolhem os parceiros com o objectivo de apurar determinada característica genética. Além disso… os séculos de cruzamento entre elites resultaram em acumulação de doenças nas várias famílias reais europeias… e não na criação de uma classe perfeita

2. Diz-se que a Simetria Facial representa saúde e a ausência de doenças deformatórias na infância, mas com a diminuição das doenças, com o aumento dos tratamentos para tudo, e com as várias técnicas plásticas, provavelmente até serão bonitos e tal… agora o que tem isso a ver com os genes ou com a evolução da espécie? Simplesmente carregam os genes para todas as deficiências e mais algumas, mas tal não é visível.

3. Bigger Penises??? algum fetiche ou desejo do autor?

4. bem, é so a mim que parece haver incongruência no tom de pele ? “lighter, smooth, hairless skin”…. “coffee-coloured people”

5. hairless skin – no blog de um cientista na Science vêm dois interessantes argumentos. A) existe actualmente algum tipo de selecção negativa quanto a isto? as senhoras com mais pêlos rapam-nos … por isso… os homens não vêm se elas são peludas ou não… B) supostamente o número de pêlos que temos corresponde ao dos primatas nossos primos … diferença é que os temos vários finos, transparentes ou raquíticos….

6. pert breasts? outro comentário engraçado retirado do tal blog…. falta os homens começarem a adquirir vários tentáculos.

7. Que raio de diferenças raciais? segundo vários antropólogos, geniticistas e por aí fora, a variabilidade genética existente na espécie humana não é suficiente para definir raças…

8. Já agora, a coloração da pele parece que difere quanto ao local onde nascemos. Supostamente se as crianças nascerem em locais com pouco sol, desenvolvem uma tonalidade mais clara por não necessitarem da melanina produzida….

Oh wellll……. e depois ainda publica isto na BBC News…. Faz lembrar as notícias nos jornais que são chorrilhos de disparates…..

Google Book Search

Enquanto umas editoras continuam com medo das espreitadelas não pagas (não vá aperceberem-se que o interesse auspiciado nas contracapas não corresponde ao livro); outras elevam aos céus as novas possibilidades de busca do google

The director of the Oxford University Press said, ‘Google Book Search has helped us turn searchers into consumers.’ It seems to work in favor of the smaller publishers

Será este mais um passo para dizer adeus às elevadas limitações das actuais leis de copyright?

Malucos a metro

Um homem salta pelo corredor do metro… e canta… canta… canta… algo imperceptível. Um velhote sentado comenta o cantor saltitante… deixando transparecer que também ele já não tem grande discernimento do que faz.

Depois do autocarro parar perto de um manicónio, alguém se senta no banco de trás… alguém que sussurra alongadas frases meio tremidas… “eu tenho uma facaaaaaa!… bem afiiiiadaaaaa” (Hum… será que estou aqui bem?”) “e vou espetá-laaaa…. BEM FUNDO!”. Próxima paragem sai-se a correr. Nao sem antes olhar para trás. Sentado está um jovem catatónico, quase que demasiado inerte para se mover.

Assim continuam os episódios nos transportes de Lisboa… e talvez por encontrar sempre pessoas pouco normais por lá, ou por reparar em coisas estranhas, acho engraçado as histórias que por aí andam…

Seis coisas…

Hum… parece que me calhou a vez a mim….

1. Sou mais sensível do que pareço… mas odeio que me tentem poupar com mentiras – a pura verdade pode doer, mas ao menos enfrenta-se de uma vez.

2. Gosto do mar cinzento esverdeado… não daquele azulão ou azul clarinho, mas o calmo esverdeado, misterioso para o qual se podem perder horas a olhar…

3. Odeio convencidos, prepotentes e mal-educados. E não, dinheiro não é razão para nenhuma destas coisas – pelo contrário mostra que apesar do dinheiro há pessoas que nunca sobem de nível… e provavelmente nunca subirão.

4. Gosto de coisas simples e de coisas complicadas… a maioria das coisas deve ser simples, mas nada como ser intelectualmente estimulada de forma inteligente.

5. Gosto de conhecer – novos lugares, novas pessoas, novas comidas, novas músicas, novos pensamentos…

6. Mais um “gosto de” (é muito mais dificil pensar no que não gosto) – estar com os meus amigos. Às vezes desdobro-me toda para conseguir estar com toda a gente… nem sempre se consegue, mas tenta-se.

Ops!!! tive de editar isto… já me esquecia de seleccionar os infelizes contemplados

Mauina

Random thoughts thrown at the universe…

Desenho Desanimado

Gestão de recursos

Não há dinheiro para as pensões dos idosos , não há dinheiro para aviões contra os incêndios, não há dinheiro para a educação, não há dinheiro para a acção social… mas há-o para pagar aos aviões que lançam pétalas sobre a procissão em Idanha-a-Nova…

Selecção de Embriões

Embora não possa concordar com a selecção de embriões para que um filho tenha olhos azuis ou cabelo loiro, considero algo bastante útil quando se trata de doenças letais geneticamente transmitidas, como sejam algumas variedades de cancro

For most parents who have used preimplantation diagnosis, the burden of playing God has been trumped by the near certainty that diseases like cystic fibrosis and sickle cell anemia will afflict the children who carry the genetic mutation that causes them. The procedure has also been used to avoid passing on Huntington’s disease, a severe neurological disease that typically does not surface until middle age but spares no one who carries the mutation that causes it.

No entanto, selecções mais egoistas deveriam ser evitadas

Already, it is possible to test embryos for an inherited form of deafness or a mild skin condition, or for a predisposition to arthritis or obesity. Some clinics test for gender. As scientists learn more about the genetic basis for inherited traits, and as people learn more about their genetic makeup, the embryo screening menu and its array of ethical dilemmas are only expected to grow.

Ainda que seja difícil de entender, este tipo de selecção em relação a características não letais é algo que acabará por nos prejudicar a todos como espécie, mais que não seja por diminuição da variabilidade genética…. E uma característica que nos poderá parecer esteticamente bonita poderá se revelar mais tarde um cavalo de tróia…

De realçar que é raro um gene ter uma só função e que ainda não se estabeleceu um claro paralelismo bioquímico entre determinados genes e o desenvolvimento das características visíveis e invisíveis de um ser humano….

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