Best of 2010 – Lá fora

Anualmente, tanto em sites de grandes cadeias que vendem livros, como em sites de críticas literárias, se publicam listas daqueles que consideram ser os melhores livros do ano. Aqui reúno links paras algumas das listas que considerei mais interessantes, sobretudo dos géneros fantástico, horror ou sci-fi.

- Amazon.com - A Amazon americana reuniu vários tops de literatura, um geral com os melhores 100 e outros organizados por género

- Amazon.co.uk – tal como a americana, a amazon inglesa, também organizou listagens com os melhores livros do ano:

- The New York Times – Desde listas dos vários críticos a listas genéricas dos livros mais notáveis

- LJ Best Books 2010: Genre Fiction - Com várias listas de literatura de género, uma delas para ficção científica e fantasia.

-  The Of Blog - conhecido tanto pela quantidade de livros que lê, como pela qualidade das críticas que costuma apresentar, organizou várias listas sobre as suas leituras em 2010:

- Strange Horizons - os vários críticos do site reúnem o melhor de 2010 quer em livros quer em filmes, referindo diversos livros interessantes

-  Sf Signal - com uma secção para livros, contos ou revistas, possui algumas propostas que me passaram ao lado

- Asking the Wrong Question - entre os listados existem alguns que não pertencem a 2010, existindo uma secção para os melhores e outra para as decepções

-  The Book Smuglers - Paul Smith reuniu uma lista que, para mim, resume 2010.

Ficção Especulativa Portuguesa em 2010 (Fantasia, Ficção Científica e Horror)

À semelhança do ano passado irei colocar aqui uma lista dos lançamentos de autores portugueses nos géneros fantástico, ficção científica e horror. A ideia teve origem no blog da Ana Cristina Rodrigues que fez algo semelhante para os lançamentos de autores brasileiros o ano passado. Este ano destacam-se as antologias Vaporpunk e Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead, assim como Se Acordar Antes de Morrer, os livros de Afonso Cruz e de David Soares.

Com certeza que faltarão alguns livros e BD’s na listagem, pelo que peço que me indiquem estas falhas caso as detectem:

- Alex 9 - A Coroa dos Deuses - Martin S. Braun – incorporado na colecção TEEN, é o segundo volume de uma aventura fantástica juvenil.

- Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas - Este volume reúne descrições de doenças imaginárias por autores estrangeiros, bem como por autores portugueses. Neste conjunto os autores portugueses não se deixam ficar na sombra de grandes autores, como Neil Gaiman ou Michael Moorcock, e ultrapassam, por vezes, as histórias destes.

- Ascensão de Arcana - Rafael Loureiro –  Publicado pela Editorial Presença, este é o segundo volume da trilogia de vampiros da autoria de Rafael Loureiro.

A Boneca de Kokoschka – Afonso Cruz – com menos elementos de fantástico que Enciclopédia da Estória Universal ou Os Livros que Devoraram o meu pai, possui uma história simples que se vai ramificando e complicando, ao mesmo tempo que vai envolvendo o leitor.

- Campos de Odelberon - Rodrigo McSilva – primeiro volume de uma saga de dimensão indeterminada, foi publicado pela Editorial Presença este ano.

- Os Doze Reinos - Madalena Santos – Último livro da saga de quatro livros Terras de Corza

- O Escolhido - Samuel Pimenta

- Uma Espécie de Sentido - João Pedro Duarte –  uma história leve que decorre numa futura sociedade matriarcal, com pitadas de humor satírico. Embora possua bons momentos, a impressão final que ficou foi a de estar atabalhoada, ou seja, possui alguns episódios confusos e apressados.

- Estrela de Narien - Susana Almeida – série fantástica juvenil, lançada através da colecção TEEN, e que conta já com dois volumes.

- O Evangelho do Enforcado - David Soares – referenciado em diversas listas de melhores do ano, este ter-se-á tornado o livro mais conhecido do autor e espero lê-lo em breve.

- O Feitiço das Trevas - A. P. Cabral – lançado este ano pela Guerra e Paz é na verdade uma re-edição de Igorj de Harmeling.

- Jaguar - J. Pedro Baltazar

- A Luz Miserável – David Soares – lançado em edição especial durante o Fórum Fantástico, apresenta quatro contos de horror do autor, relacionados com quatro das suas mais recentes obras.

- Os livros que devoraram o meu pai - Afonso Cruz – história juvenil com pitadas fantásticas, apresenta um rapaz que procura o pai, engolido pelos livros que devorava. Um pouco menos simples do que parece à primeira vista, apresenta várias camadas e referências a diversos clássicos de ficção especulativa.

- O Monstro - Catarina Araújo

- A Noite e o Sobressalto – Pedro Medina Ribeiro – Primeiro livro do autor, apresenta um conjunto de sete histórias enquadradas principalmente no género horror. Ainda que haja, por vezes, alguns pontos a melhorar em termos de história, este conjunto surpreendeu-me positivamente, caracterizando-se por uma qualidade de escrita bastante superior ao que esperava, revelando potencial para crescer. Aguardo agora futuros trabalhos do autor e espero que cresça em capacidade narrativa.

- Orbias – O Demónio Branco - Fábio Ventura

- Pela Sombra Morrerão - Carla Ribeiro

- Se Acordar Antes de Morrer - João Barreiros – Publicado pela Gailivro, esta colectânea reúne vários contos de João Barreiros, alguns publicados anteriormente em pequenos volumes de edição limitada ou revistas online de impossível aquisição actualmente. Ainda que conhecesse algumas das histórias esta foi sem dúvida uma aquisição obrigatória para quem gosta do trabalho do autor.

- Senhores da Noite - Carla Ribeiro

- Só no Escuro podes ver as Estrelas - Cristina Boaventura

- Vaporpunk -  Esta colectânea lançada no Brasil reuniu noveletas no género steampunk de autores portugueses a brasileiros, tendo sido organizada por Gerson Lodi-Ribeiro e Luis Filipe Silva e publicada pela Editora Draco. Algumas das histórias são muito boas e a colectânea tem conseguido alguma projecção internacional tendo, até, trechos traduzidos para inglês por Fábio Fernandes e Larry Nolen.

- Terra Sonora: Sonambular - Nuno Viana

- O Veneno de Ofiúsa - Francisco Dionísio

- Viagens na Minha Terra com Vampiros – Pedro Manuel Calvete

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Revistas e Fanzines

- Bang! – Volume 7

- Bang! – Volume 8

- Conto Fantástico

- Fénix

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Banda Desenhada

- As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy -

- Zona BD (site oficial)

Os últimos quinze dias de 2010 (esta semana)

Passou-se o Natal e a Passagem de Ano e o resumo semanal de críticas a obras de literatura especulativa não se realizou. Aqui fica, então, um apanhado dos últimos quinze dias do ano. Dos livros referidos nestas críticas estou interessada em pegar em Deixa-me Entrar (apenas vi o filme) e A Tapeçaria do Sinai de Edward Whittemore.

19-12-2010

- O Livro Maléfico - Magnus Myst (As Leituras do Corvo)

- O Dardo de Kushiel - Jacqueline Carey (Páginas Desfolhadas)

- Firmin – Sam Savage (Floresta de Livros)

- Eternidade - Alyson Nöel (Pedacinho Literário)

- Enquanto Durar o Sol - Italo Calvino (A Lâmpada Mágica)

- A Luz Miserável – David Soares (Manuscritos Malditos)

- A Conspiração dos Abandonados - António de Macedo (A Lâmpada Mágica)

- Midnight’s Daughter – Karen Chance (Livros, livros e mais livros)

20-12-2010

- Voo – Angie Sage (As Leituras do Corvo)

- Desejo Insaciável - (As Histórias de Elphaba)

- Sempre Vivemos no Castelo - Shirley Jackson (Estante de Livros)

21-12-2010

- The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories - Tim Burton (A Lâmpada Mágica)

22-12-2010

- Perfeitos – Scott Westerfeld (As Histórias de Elphaba)

- O Mundo de Jon - Philip K. Dick (A Lâmpada Mágica)

23-12-2010

- Biblioteca - Zoran Zivkovic (Estante de Livros)

24-12-2010

- Evernight - Cláudia Gray (Clube dos Livros)

- Anjo Mecânico - Cassandra Clare (As Leituras do Corvo)

- Lua Azul – Alyson Noel (Páginas com memória)

- Discurso Inaugural – Fabián Labeau (A Lâmpada Mágica)

25-12-2010

- Deixa-me Entrar - John Ajvide Lindqvist (Clube dos Livros)

- A Rapariga Que Roubava Livros – Markus Zusak (O Papiro de Seshat)

26-12-2010

- O Livro Maléfico - Magnus Myst (Clube dos Livros)

- Horns – Joe Hill (Intergalacticrobot)

- A Coroa de Sangue – Madalena Santos (Câmara Obscura)

27-12-2010

- Grimm Fairy Tales - Volume 4 (Floresta de Livros)

- Anjo Caído – Lauren Kate (As Leituras do Corvo)

- A Tapeçaria do Sinai - Edward Whittemore (Bela Lugosi is Dead)

- Lua Azul – Alyson Noel (As Histórias de Elphaba)

28-12-2010

- Diário de um Vampiro Banana - Tim Collins (Páginas com memória)

29-12-2010

- Crown of Acorns – Catherine Fisher (Bela Lugosi is Dead)

- Rosemary and Rue – Seanan McGuire (Livros, livros e mais livros)

30-12-2010

- Anjo Mecânico - Cassandra Clare (Bela Lugosi is Dead)

- A Tatuagem Negra - Sam Enthoven (Porta VIII)

- A Luz Miserável – David Soares (O Papiro de Seshat)

- A Marca de Kushiel - Jacqueline Carey (Páginas Desfolhadas)

31-12-2010

- A Lança do Deserto - Peter V. Brett (As Leituras do Corvo)

Para além das críticas

- O Cerne da Questão (I dream in Infrared)

- Texto vencedor do Concurso de Escrita: “O Carrossel”, de João Rogaciano (Que a Estante nos Caia em Cima)

- Revista Antologia (site oficial)

Retrospectiva 2010 – As melhores leituras

Sem demoras, eis o meu top para o ano de 2010, sem nenhuma ordem em especial:

De entre os livros escolhidos, apenas um é de este ano, The Golden Age, de Michal Ajvaz, e três foram lançados este ano em português, O Grande Retrato, Sempre vivemos no Castelo e Sonho Febril.

The Golden Age capta o leitor essencialmente pelas ideias diferentes e pelas imagens fortes. É também este um dos pontos fortes de The Master and Margarita, que se caracteriza por um ambiente surreal carregado de ironia e sátira. Little, Big é sem dúvida uma obra fantástica, mas subtil que nos apresenta um enredo familiar ao longo de várias gerações, que vão sendo influenciadas pelas fadas para a construção de uma história maior. Suavemente apaixonante. Bastante diferente, mas também de teor fantástico, Adventures in Unhistory é um conjunto de ensaios em torno de figuras ou acontecimentos míticos, sobre os quais o autor disserta inteligentemente.

Mister Pip é uma história excelente passada numa ilha onde os nativos sobrevivem entre as milícias e os exércitos. Devido à falta de professores, o único homem branco da ilha resolve ensinar as crianças, recorrendo à história de Great Expectations, de Charles Dickens. Sem dúvida, emocionante.

Esqueçam os vampiros românticos e penteados, e arrepiem-se com as criaturas criadas por George R. R. Martin em Sonho Febril. Com criaturas também pouco reais mas menos sobrenaturais, Perdido Street Station é um dos melhores livros de fantástico de todos os tempos: o autor constrói um mundo excepcional e dá-lhe vida, constrói e destrói personagens. Se pensar em Perdido Street Station me deixa apreensiva pela sua carga melancólica, pensar em The Last Book traz-me um sorriso. Misto entre fantástico, mistério e ficção científica, este é, para mim, um dos melhores livros do autor.

A lista termina com dois clássicos, O Grande Retrato e Sempre vivemos no castelo. O primeiro poderá ser considerado como ficção científica, possuindo cenas cómicas com pitadas de terror, onde se realça o ambiente sombrio. Também sombrio é o segundo, consequência da loucura das personagens.

Destaques para

Se Acordar Antes de Morrer só não consta da lista dos melhores por ser uma colectânea onde algumas das histórias já conhecia. Mas realço que a maioria dos contos são excelentes com a pitada de humor característica de João Barreiros. Também quase no top, Enciclopédia da Estória Universal de Afonso Cruz, que só descobri em 2010.

Os livros de Peter V. Brett distinguiram-se por serem viciantes, ainda que não excelentes, e City of Ruin surpreendeu-me ao melhorar relativamente ao primeiro volume. Boneshaker é uma história divertida  e The Dream of Perpetual Motion é uma obra nostálgica e intemporal que merecia ter sido aperfeiçoada de  modo a tornar-se mais coesa. Finalmente, Finch é um final excelente para a cidade de Ambergris e Flatland é um clássico que, embora divertido e inteligente, não me fascinou totalmente como história.

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Melhores de

- 2009

- 2008

- 2007

- 2006

Lista completa de livros lidos em 2010

 

The Windup Girl – Paolo Bacigalupi

The Windup Girl é a primeira história longa de Paolo Bacigalupi, um autor conhecido pelos contos em mundos arrasados por desastres ecológicos. Nomeado para os prémios Hugo e Nebula, a história ocorre num mundo futuro de recursos esgotados, em que os combustíveis fósseis foram substituídos pela força motriz de seres humanos ou animais, acumulada em baterias especiais. Para além dos recursos energéticos, também a maioria dos espécies animais e vegetais se extinguiram, devido a alterações climáticas e pragas dizimadoras, que atingiram os seres humanos sob a forma de doenças hemorrágicas de rápida propagação.

A Tailândia é um dos poucos países que se manteve intacto, em parte pela existência de diques que impedem o avançar das águas (cujo nível subiu), em parte por manter uma força semi-militar que trava a propagação de pragas através de medidas drásticas, ou impede a importação de transgénicos que poderão desestabilizar o frágil equilíbrio ecológico. Jaideee é o chefe de uma destas forças semi-militares, um camisa branca,  um dos poucos que é honesto, o que lhe valerá poderosos inimigos.

Os limitados recursos energéticos contrastam com uma extensa capacidade biotecnológica, e para além de elefantes melhorados e espécies vegetais reinventadas encontramos seres humanos artificiais. Manipulados geneticamente, estes seres humanos foram aperfeiçoados para determinadas funções, domésticas ou militares, mantendo uma característica comum que os identifica, uma falha constante na fluidez dos movimentos, que justifica a alcunha de pessoas de corda.

Emiko é uma rapariga de corda, construída para colmatar a falta de mulheres no Japão, foi programada para servir, constituindo a companheira perfeita: dócil, obediente e fiel. Para além de cuidar da casa e executar as tarefas de secretária, será a companheira sexual perfeita do seu dono. Abandonada na Tailândia, vê-se reduzida a prostituta, onde os seus movimentos pouco fluídos são aproveitados num humilhante espectáculo. Ainda que humilhada, não pode fugir do bordel por ser considerada, na Tailândia, apenas um objecto biologicamente nocivo.

Parcialmente isolada, a Tailândia terá acolhido milhares de refugiados chineses, designados por cartões amarelos. Hock Seng é um deles. Apesar de trabalhar como coordenador, procura recuperar o estatuto social perdido desviando dinheiro. Desconhece, no entanto, que a fábrica onde trabalha é uma fachada, uma forma de o gestor, o demónio branco, Anderson, procurar na Tailândia o banco genético que permite ao país produzir algumas espécies vegetais supostamente extintas.

De ritmo pausado, The Windup Girl é uma história excelente, que se diferencia da maioria da ficção científica por se debruçar sobre temas ecológicos. Num mundo de recursos energéticos esgotados, os seres humanos recorreram a alternativas tecnologicamente interessantes, provocando um contraste irónico entre o extenso conhecimento científico e a regressão das condições em que vive a humanidade.

Bastante melancólico, explora a saudade por um mundo saudável de grande diversidade animal e vegetal ao mesmo tempo que nos descreve uma realidade monótona em sabores, cores e vida. Esta é a visão das próprias personagens que, embora interessantes, nem sempre captam o leitor. Alguns dos seus pensamentos são-nos revelados, mas existe um afastamento constante, uma alienação, que resulta num envolvimento incompleto na história.

Em suma, apesar de ter gostado imenso da forma como o autor nos apresentou um apocalipse ecológico, ficou a sensação de que, não fosse a forma como as personagens foram desenvolvidas, e esta obra poderia ser um clássico do género.

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Uma versão mais curta deste comentário foi publicada na Bang 8!, agora disponível online (download gratuito).

Novembro Fantástico – Parte 3 (Fórum Fantástico)

Depois do lançamento da Bang! 8 e do colóquio Mensageiro das Estrelas, ainda tivemos o Fórum Fantástico no mês de Novembro, nos dias 12, 13 e 14, na Biblioteca de Telheiras.

12 de Novembro, Sexta-Feira:

17:00 – Painel “Arte Fantástica”, com Victor Lages, Bruno Krippahl e Tiago Lobo Pimentel, moderado por Ana Maria Baptista.

Visualmente interessante, neste painel mostraram-se imagens que têm o fantástico como tema, algumas das quais que integram jogos de computador. Neste sentido, desenrolou-se um pequeno debate entre os apresentadores e alguns dos membros da plateia sobre o significado de arte: seriam as imagens de Photoshop arte? E o que dizer dos jogos de computador? Será que podem, também, ser considerados arte?

18:30 – Lançamento “A Simbólica do Espaço em O Senhor dos Anéis”, com a autora Maria do Rosário Monteiro.

Maria do Rosário Monteiro apresentou A Simbólica do Espaço em O Senhor dos Anéis, um ensaio em torno da obra de Tolkien, onde a autora explora os distintos palcos da história. Este foi um lançamento bastante interessante, onde se notou o quão habituada a autora está a expor as suas ideias. No final, as perguntas não paravam, e não fosse por falta de tempo a apresentação ter-se-ia alongado mais.

13 de Novembro, Sábado:

15:00 – Painel “Lisboa Fantástica”, moderado por Rui Tavares, com João Barreiros, David Soares e Octávio dos Santos.

Excelentemente moderado, este painel apresentou a noção da cidade que cada um dos autores possui: luminosa ou escura, escondida ou revelada. Se Octávio dos Santos expande a cidade, João Barreiros já a explodiu por diversas vezes nas suas histórias, e David Soares escolhe uma Lisboa pré-terramoto caracterizada por ruelas pouco iluminadas e um ambiente mais soturno.

16:00 – Cinema Fantástico Português – Curtas (“A Audição”, de Francisco Campos e Henrique Bagulho; “Nocturna”, de Francisco Carvalho; “A Aposta”, de Vasco Sequeira).

Apenas assisti à curta A Audição, mas acostumada às pasteladas do cinema português achei esta curta bastante melhor, quer em termos de imagem e som, quer em termos de história.

17:30 – Lançamento “A Luz Miserável”, com o autor David Soares.

A Luz Miserável, de páginas pretas e letras brancas (e odor indescritível), traz-nos três novas histórias negras do autor David Soares, que terão relação com os seus últimos três romances: do suspense ao splatterpunk. Como sempre uma apresentação interessante e inteligente do autor. O livro esse, aguarda a leitura de Lisboa Triunfante e de O Evangelho do Enforcado, pelo que não poderei comentá-lo – por enquanto.

18:00 – À Conversa com Ricardo Pinto, por Rogério Ribeiro.

Ricardo Pinto é o autor da trilogia fantástica lançada pela Editorial Presença, A Dança de Pedra do Camaleão. Após longos anos de espera, o terceiro e último volume foi publicado recentemente. Uma espécie de purga psicológica do autor luso-descendente, a história decorre num ambiente fantástico diferente do usual, numa sociedade patriarcal onde os nobres nunca tiram as máscaras. Um ambiente interessante que me recordo de gostar, apesar de ainda não ter lido o último volume.

Durante a conversa Ricardo Pinto revelou algumas características da sua vivência familiar que terão sido exploradas nos livros, e falou sobre a experiência de escrita. No final, revelou que, depois de outros projectos que tem em curso, talvez volte a escrever algo passado no mesmo mundo.

18:30 – À Conversa com Stephen Hunt, por Luís Corte-Real.

Enquadrados no género Steampunk, os livros de Stephen Hunt terão sido dos primeiros do género a obter uma grande exposição comercial. A Corte do Ar é o primeiro de uma série, onde cada um dos volumes pode ser lido independentemente.

19:00 – À Conversa com Peter V. Brett, por Pedro Reisinho.

A série fantástica de Peter V. Brett é uma das mais viciantes dos últimos tempos. Apresentando uma realidade onde a tecnologia terá sido esquecida e os demónios sobem das profundezas todas as noites para caçar humanos, Peter V. Brett explora o desenvolvimento de um Messias que irá expulsar os demónios. Até agora as personagens têm-se revelado humanas, ou seja, não são inteiramente boas ou más, ainda que de vez em quando as suas acções possam ser interpretadas como tal. Para um dos próximos volumes, o autor prometeu explorar o lado dos demónios.

14 de Novembro, Domingo:

15:00 – Sugestões de Leitura, com Ana Cristina Alves e João Barreiros.

João Barreiros fala com um entusiasmo contagiante! Entre os livros referidos encontramos Kraken de China Miéville, Finch de Vandermeer, Locke & Key de Gabriel Rodriguez  e Joe Hill, The Quantum Thief de Hannu Rajaniemi ou The Passage de Justin Cronin.

15:30 – Painel “Banda-Desenhada”, com Filipe Melo, Nuno Duarte, Osvaldo Medina, Rui Ramos, Fil, André Oliveira e Diogo Carvalho.

Este quase que já pode ser considerado O Painel Anual de Banda Desenhada, onde os autores apresentam os seus novos projectos (existem algumas presenças constantes). Ainda que tenha gostado das apresentações, acho que gostaria de ter visto alguns daqueles projectos mais esmiuçados, ou seja, seria interessante dar mais tempo aos lançamentos deste ano, com rubrica própria no horário ao invés de concentrados na mesma meia hora. Isto porque… começam a ser projectos a mais para apresentar em tão pouco tempo. Ou foi esta a sensação com que fiquei.

17:00 – Painel “Fantástico como forma literária”, moderado por João Morales, com Afonso Cruz e João Pedro Duarte.

Com uma moderação impecável e perspicaz João Morales aproveitou as obras dos autores para lhes colocar perguntas sobre o género, desenvolvendo-se uma conversa interessante e inteligente.

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Para os interessados, existe uma página no facebook onde se reúnem vídeos e opiniões do evento.

As melhores leituras do ano pela Amazon

Ainda faltam dois meses para terminar o ano e já foram lançadas listas com os melhores livros deste ano, pela Amazon. Para os géneros ficção científica e fantasia, existem duas listas, uma americana e outra inglesa, sem títulos coincidentes.

Na lista americana podemos encontrar os seguintes títulos:

  1. The Golden Age – Michal Ajvaz
  2. How to Live Safely in A Science Fictional Universe – Charles Yu
  3. Redemption in Indigo – Karen Lord
  4. The Half-Made World - Felix Gilman
  5. The Hundred Thousand Kingdoms – N.K. Jemisin
  6. The Orange Eats Creeps – Grace Krilanovich
  7. The Dream of Perpetual Motion – Dexter Palmer
  8. Who Fears Death – Nnedi Okorafor
  9. The Fixed Stars: Thirty-Seven Emblems for the Perilous Season – Brian Conn
  10. Kill the Dead – Richard Kadrey

Com uma capa graficamente pouco atraente num monitor, The Golden Age é, sem dúvida, um excelente livro que explora todos os sentidos, ficando na memória pelas fortes imagens e sensações numa ilha surreal, onde podemos encontrar histórias dentro de histórias.

Segue-se o livro de Charles Yu,  How to Live Safely in A Science Fictional Universe, com uma premissa interessante, mas um desenvolvimento leve, explorando a relação da personagem principal com os pais, que acaba por influenciar a sua relação com o mundo. Embora seja uma história engraçada, ficou bastante abaixo das expectativas e, acredito que irá facilmente cair no esquecimento em pouco tempo (pelo menos comigo).

The Dream of Perpetual Motion, de Dexter Palmer, foi o terceiro e último livro que li desta lista. Ainda que possa ser referido como pertencente ao Steampunk e possua elementos característicos do género, apresenta uma história que se torna independente de qualquer género ou época. Na sociedade descrita os avanços tecnológicos permitiram a libertação das tarefas mais banais para alguns seres humanos, que se vêm lançados numa busca de um sentido nos actos mais bizarros ou até hediondos. Uma boa história que se poderia ter tornado excelente não fosse algumas falhas na exposição e ritmo.

Dos restantes,  sinto curiosidade por pegar em The Half-Made World,  The Orange Eats Creeps (devido às críticas extensas e excelentes que foram surgindo) e talvez The Hundred Thousand Kingdoms.

A lista inglesa apresenta propostas bem diferentes:

  1. Towers of Midnight: Book Thirteen of The Wheel of Time – Robert Jordan
  2. Surface Detail – Iain M. Banks
  3. Against All Things Ending: The Last Chronicles of Thomas Covenant – Stephen Donaldson
  4. The Evolutionary Void – Peter F. Hamilton
  5. The Ambassador’s Mission: The Traitor Spy Trilogy, Book 1 – Trudi Canavan
  6. The Passage – Justin Cronin
  7. Kraken – China Mieville
  8. The Technician – Neal Asher
  9. The Black Lung Captain: Tales of the Ketty Jay: Bk. 2 – Chris Wooding
  10. The Tree of Seasons – Stephen Gately

Desta lista nada li até ao momento, e serei capaz de ler poucos: The Passage já cá o tenho, à espera de ser lido, Kraken penso ler mais pelo autor do que por curiosidade pela obra, e dada as múltiplas referências à série de livros sobre Thomas Covenante, sou capaz de pegar num ou dois nos próximos tempos (muito provavelmente, não este que se encontra na lista).

Para além das listas de Ficção científica e Fantástico,  a Amazon lançou ainda listagens com os melhores comics e graphic novels, ou simplesmente, os 100 melhores livros do ano.

E por aí, que livros leram destas listas e o que acharam? E que livros gostariam de ter visto referidos?

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