Dying Inside – Robert Silverberg

Nomeado para os prémios Hugo, Nebula e Locus, Dying Inside é um dos livros mais conhecidos de Robert Silverberg, um dos escritores mais conhecidos e prolíferos de ficção científica.

Dying Inside centra-se em David Selig, um homem que possuiu em tempos um forte poder psíquico que lhe permitia, não só ler pensamentos e emoções, como conhecer toda a vivência e a a aura das pessoas que o rodeavam. Com o decorrer dos anos este poder tão translúcido enfraquece, deixando-o, por vezes, surdo aos pensamentos.  Ainda que possua esta capacidade extraordinária, David nunca concretizou nada de especial com ela, subsistindo pelos trabalhos que vende aos alunos da faculdade.

Melancólico e atormentado pela progressiva perda dos seus poderes psíquicos, David vai recordando os vários episódios que o terão marcado: o encontro com outro ser humano com as mesmas capacidades com quem viveu durante alguns meses, a vivência desconfiada com a irmã adoptiva, ou uma namorada que se distinguiu por ser incapaz de lhe ler os pensamentos.

Uma história interessante pela forma diferente como explora um poder sobrenatural, ao tornar o detentor do poder numa pessoa medíocre ao invés de num herói. David tira prazer do contacto com a aura dos restantes seres humanos, e nunca utilizou as suas capacidades a não ser para seu próprio proveito. O facto de conhecer os pensamentos e sentimentos dos que o rodeiam tornaram-no uma pessoa desconfiada, anti-social e cínica, mas agora que o poder psíquico enfraquece, começa a ser capaz de estabelecer alguns laços emocionais.

Apesar de se centrar num ser humano com um super poder, torna-se bastante diferente das habituais histórias ao se debruçar sobre o lado negro e melancólico. Uma boa leitura ainda que não excelente.

Lançamentos – Fantástico e FC

Em Portugal já começou a moda de fundir obras clássicas a monstros fantásticos, dando origem a Viagens na Minha Terra com Vampiros. Chega agora a tradução do livro que originou a moda,Orgulho e Preconceito e Zombies por Seth Grahame-Smith e Jane Austen, lançado em Portugal pela Gailivro.

Segundo a Saída de Emergência será finalmente este mês que é lançada a re-edição de Titus – O Herdeiro de Gormenghast de Mervyn Peake, através da Chancela Camões & Companhia, em novo e mais fresco visual. (Correcção – afinal ainda não será este mês).

O grande lançamento do mês pela Saída de Emergência será o Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas, um compêndio de doenças imaginadas por Alan Moore, Neil Gaiman, Jeff Vandermeer ou China Miéville,  que inclui maleitas descritas por autores portugueses como David Soares.

A Marca de Kushiel é o segundo volume da série Kushiel da autoria de Jacqueline Carey. Dado que o segundo volume apresenta visual gráfico distinto do primeiro volume, a editora optou por oferecer com A Marca de Kushiel uma capa para O Dardo de Kushiel.

Por sua vez, Indomável de P.C. Cast e Kristin Cast é o quarto volume da saga A Casa da Noite.

Ainda pela Saída de Emergência, mas através da colecção Teen foi publicado recentemente O Veneno de Ofiúsa de Francisco Dionisio e será lançado este mês Estrela de Narien de Susana Almeida e Hora H de Ted Bell. Enquanto o primeiro retrata uma guerra entre os deuses e os humanos, acompanhando uma demanda na Lusitânia, Estrela de Narien decorre num Império em guerra, ameaçado por um artefacto poderoso (e que dá título ao livro). Finalmente, Hora H passa-se no ano de 1939, centrando-se num rapaz, Nick, que descobre um baú. Perseguido por piratas do passado, descobre que dentro do baú se encontra uma máquina do tempo.

A Bruxa de Oz de Gregory Maguire apresenta-nos uma versão alternativa do reino de Oz, em que a bruxa má do Oeste, Elphaba é na verdade uma jovem lutadora incompreendida numa cidade demasiada estratificada, em que os animais sapientes são marginalizados.

O Leão de Oz é o terceiro volume desta trilogia que se centra no Leão cobarde, salvo por Elpaba quando era apenas uma cria.

O fim do Senhor Y de Scarlett Thomas foi re-editado com nova capa pela Bertrand. A história centra-se na descoberta de um exemplar de um livro raro e amaldiçoado, O fim do Sr Y:

Quando Ariel Manto descobre uma cópia do livro O Fim do Senhor Y numa loja de livros em segunda mão, nem consegue acreditar no que está a ver. Já tinha ouvido falar no seu autor, um cientista vitoriano de nome Thomas Lumas, e este é o seu livro mais famoso – e completamente raro. Muitos acreditam que contém uma maldição. Todos os que o leram, inclusive o próprio Lumas, desapareceram sem deixar rasto. Com o livro debaixo do braço, Ariel é empurrada para uma aventura onde fé, física, amor e morte se misturam. Em parte mistério gótico e em parte história de amor com viagens no tempo, Scarlett Thomas conduz-nos numa demanda selvagem e irresistível até ao mais íntimo do nosso ser.

Se Acordar Antes de Morrer – João Barreiros (parte I)

Poucos são autores de Ficção Científica em Portugal, mas entre os poucos que existem, João Barreiros é decididamente o melhor entre eles. O primeiro livro que tive oportunidade de ler foi A Verdadeira Invasão dos Marcianos,  publicado pela Editorial Presença, uma história que explora A Guerra dos Mundos de Wells, numa sátira aos clichés. Por sua vez, pela Caminho ainda conseguimos encontrar alguns exemplares de O Caçador de Brinquedos e Terrarium (autoria partilhada com Luís Filipe Silva).

Mais recentemente, tive a oportunidade de ler Disney no céu entre os Dumbos (publicado em edição numerada e assinada pela Livros de Areia) e A Bondade dos Estranhos pela Chimpanzé Intelectual, assim como os contos publicados na colectânea Brinca Comigo e no segundo volume de Imaginarios.

Na maioria as histórias de João Barreiros possuem uma pitada de ironia e sarcasmo, algumas (q.b.) reviravoltas mirabolantes e situações surreais. Ainda que não tenha apreciado todos de igual forma são acima da média em qualidade.

Foi, assim, com grande interesse, que soube que iria ser publicada, pela Gailivro, uma colectânea que reúne imensas histórias do autor, num único volume: Se Acordar Antes de Morrer.

A primeira história que encontramos é Disney no céu entre os Dumbos, carregada de ironia e humor negro, já a conhecia do volume da Livros de Areia, e já teve direito a um post apropriado, pelo que não me irei debruçar sobre ela.

Segue-se Efemérides que segue uma geração de rapazes que nasceram na Lua e apenas conhecem as paisagens lunares. Isso não impede Russell de se refugiar em sonhos terrestres, onde vê as ruas de grandes cidades e livrarias carregadas de graphic novels. Os sonhos não o impedem de acordar às 6h da manhã num dormitório de rapazes, caracterizado pelos típicos odores corporais, e de enfrentar a realidade que o rodeia: uma base lunar onde a escassez de água influencia todo o dia-a-dia.

Fantascom é a terceira história, que nos apresenta o sonho e o terror de qualquer escritor: a de ser um best seller com milhões de seguidores e a de descobrir que as vendas dos seus livros não atingiram os valores publicitados. Gervásio Quiroga é o nome da personagem principal, o autor de uma extensa série fantástica portuguesa (cujas descrições relembram o Senhor dos Anéis de Tolkien). Conhecido e idolatrado, Gervásio alimenta a arrogância de não ler outros autores (não vá influenciar a sua obra), vivendo recluso num apartamento  luxuoso, e mantendo, à distância, os seguidores da saga. Para além de Gervásio, conhecemos Aristides, o representante da editora, que se sente atraído por Gervásio, Nissa Valmundo, uma gótica de aparência frágil, a poetisa do momento que em todos os momentos da história parece desfalecer; e finalmente, um grupo de esquecidos autores portugueses que descobrem a verdade por detrás das vendas do último livro de Gervásio, e possuem um plano anárquico para liquidar as inteligências artificiais de Rowling, Paulo Coelho, Dan Brown, Asimov, Robert Jordan, Feist e McCaffrey, que se encontram condenadas a escrever para sempre.

Nesta demente aventura de personagens contrastantes numa distopia portuguesa, realça-se um episódio em torno do sistema de ensino, um episódio que se assemelha um pouco à nossa realidade: alunos que não aprendem e não querem aprender, que não sabem ler, mas que, possuem implantes ligados directamente ao cérebro, disponibilizando toda a informação possível. Mecanismo esse que é, na verdade, inútil, dado que, para obter a informação é necessário saber procurá-la. Por outro lado, para além da sua própria energia, os alunos contam com uma quota que os professores devem ceder obrigatoriamente.

Se o mundo é negro em Fantascom, em Liscon é também caótico. Os vírus proliferam e a mata cada vez mais selvagem estende-se pelo país: Álvaro decide fazer a viagem de Porto a Lisboa para apresentar a sua obra, mas não sem antes adquirir um grupo de clones de ataque, crianças de dentes serrilhados e unhas retractéis, autênticas armas de guerra.  Pelo caminho, encontra a Vara dos Leitões Selvagens, a Seita dos Baladeiros Coimbrães e os Gnurls (extraterrestres aracnídeos). Mas se o caminho está carregado de provações, Lisboa proporcionará também os seus encontros fantásticos.

Esta semana (2010.04.10)

Alguns dos lançamentos de este mês começam já a ser revistos em vários blogs. Exemplo disso são as críticas a O Clã da Loba de Maite Carranza ou Senhores da Noite de Carla Ribeiro. Para além destas, podem encontrar críticas a um conto de Michael Swanwick ou ao mais recente livro de David Soares:

O Clã da Loba – Maite Carranza (As Leituras do Corvo e Sombra dos Livros)

- Um Conto de Londres – Lorde Dunsany (A Lâmpada Mágica)

Senhores da Noite – Carla Ribeiro (Bela Lugosi is Dead e O Cantinho da Tati)

- Un Punto Negro, Celeste – Martín Panizza (A Lâmpada Mágica)

- As Filhas das Trevas – L. J. Smith (As Leituras do Corvo)

- Virão Chuvas Suaves – Ray Bradbury (A Lâmpada Mágica)

- Acheron – Sherrilyn Kenyon (Livros, livros e mais livros)

- O Quarto das Tapeçarias – Walter Scott (A Lâmpada Mágica)

- O Abraço da Noite – Sherrilyn Kenyon (As Leituras do Corvo)

- Despertar do Físico – Gerson Lodi-Ribeiro (A Lâmpada Mágica)

- A Cidade das Cinzas – Cassandra Clare (As Leituras do Corvo)

- The Little Cat Laughed to See Such Sport – Michael Swanwick  (A Lâmpada Mágica)

- O Evangelho do Enforcado – David Soares (Lydo e Opinado)

Pesadelo a 20.000 Metros de Altitude – Richard Matheson (A Lâmpada Mágica)

Shadow – O Confronto Joana Miguel Gomes Ferreira (Taste This Book)

- A Cidade dos Pestanejos – Rhys Hughes (A Lâmpada Mágica)

- After Dark – Haruki Murakami (Conspiração das Letras)

- Clube de Sangue / Sangue Oculto – Charlainne Harris (Letras sem fundo)

- A Janela Maravilhosa – Lorde Dunsany (A Lâmpada Mágica)

Esta semana (2010.03.13)

- Song of Kali – Dan Simmons (Der Wanderer’s Blog) – publicado em português pela Saída de Emergência, dá-nos a conhecer uma Índia caótica e carregada de superstição, onde proliferam os cultos sangrentos. Um livro excelente, como tudo o que já li, até agora, do autor, Dan Simmons.

-  A Coroação do Sr. Thomas Shap – Lorde Dunsany (A Lâmpada Mágica)

- O Highlander Negro – Karen Marie Moning (As Leituras do Corvo)

- Una Realidad Perfecta, Fernando A. Cao (A Lâmpada Mágica)

Guinevere, O Cavaleiro do Lago Sagrado - Rosalind Miles (Este meu cantinho)

- Watchmen – Alan Moore e Dave Gibbons (As Leituras do Corvo)

- A Guilda dos Mágicos – Trudi Canavan (Sombra dos Livros)

- O Nome do Vento – Patrick Rothfuss (Bookshelf da Betita)

- O Anjo Mais Estúpido – Christopher Moore (As Leituras do Corvo)

- Os Observadores – Ray Bradbury (A Lâmpada Mágica)

- Dívida de sangue – Charlaine Harris (Muito para Ler)

New Books Around (12.03.2010)

Soulless de Garil Carriger foi o primeiro volume da série Parasol Protectorate, com uma capa que auspiciaria um romance lamechas, na melhor das hipóteses. No entanto, as críticas têm apontado tratar-se de uma história dentro do género Steampunk, com vampiros, lobisomens e fantasmas, com espaço para algumas tiradas cómicas. Ainda que não parecesse o meu género de livro, o primeiro da série já cá está. Entretanto, é lançado o segundo volume da série, Changeless. Sobre a série podem espreitar o blog da autora.

Do mesmo autor de Cloud Atlas e Black Swan Green, David Mitchell, será lançado The Thousand Autumns of Jacob de Zoet. Neste romance a história transporta-nos para o Japão de 1799, mais especificamente para Dejima, uma ilha pertencente ao Império Japonês isolado, onde, apesar de guardada, é possível o encontro de pessoas dos dois lados. Jacob de Zoet é um homem que terá viajado em busca de dinheiro suficiente para casar, mas acaba por se apaixonar pela filha de um samurai.

The Mammoth Book of Alternate Histories é uma antologia ao género das da série The Mammoth Book, dedicada a contos e novelas que se enquadrem em História Alternativa.

Entre os autores podemos encontrar Fritz Leiber com Catch That Zeppelin, Paul McAuley com A Very British History, Keith Roberts com Weinachtsabend ou Kim Stanley Robinson com The Lucky Strike. Deixo aqui o link para uma lista completa de conteúdos.

Mais conhecido pelos livros que decorrem na cidade imaginária de Ambergris, de Jeff Vandermeer é agora publicado The Third Bear, uma colectânea dos contos do autor, onde podemos encontrar histórias como The Situation (publicada anteriormente pela PS Publishing) e The Surgeon’s Tale (com Cat Rambo, publicada numa antologia com o mesmo nome).

No blog do autor, Jeff Vandermeer, podem encontrar uma listagem completa das histórias que poderão encontrar em The Third Bear.

De Cherie Priest, a autora de Boneshaker, chega-nos Clementine, pela Subterranean Press, uma história de 200 páginas, que parece enquadrar-se também no género Steampunk. A história centra-se numa espia que terá sido obrigada a desistir da profissão como resultado de um estrondoso sucesso numa missão anterior.

Torna-se assim detective, e o seu primeiro trabalho irá levá-la a bordo de um dirigível controlado por um escravo fugitivo, uma personagem perigosa.

Grendel – John Gardner

Pensa-se que o poema épico Beowulf remonte aos séculos VIII ou XI, decorrendo na Dinamarca e na Suécia. Considerado uma das importantes obras da literatura anglo-saxónica, centra-se no herói que dá nome à obra, que batalha contra três distintos monstros: Grendel, a mãe de Grendel e um dragão.

Em Grendel John Gardner dá a volta ao poema épico, e centra a história no monstro meio humano, acompanhando-o desde a infância. O ser monstruoso que é cresce inocente até encontrar seres humanos, pelos quais se sente, simultaneamente, fascínio e repulsa. Desta forma, assiste ao aparecimento do rei Hrothgar, e à forma como este consegue fazer um reino do que eram antes vilas em guerra constante, oferecendo protecção em troca de um tributo.

Grendel tenta estabelecer contacto com os humanos, mas o seu aspecto não lhe permite uma aproximação pacífica.  Entre os dois sentimentos opostos que nutre, as noites de Grendel passam a centrar-se nos seres humanos, entre as belas narrativas do bardo e as incursões violentas em que se deleita com as pernas e braços que arranca. Imortalizado por um dragão, o monstro meio humano torna-se cada vez mais violento, como que em busca da sua própria perdição.

Nomeado para o Mythopeic Fantasy Award, esta não é uma comum história fantástica, antes uma história para adultos que ao, se centrar no vilão, debate a complexidade das emoções e da personalidade, entre odes irónicas e tristes, e relatos violentos em que vamos sentindo empatia e repulsa por Grendel, a mesma que este sente pelos seres humanos.

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No topo podem encontrar Por Universos Nunca Dantes Navegados, uma antologia de histórias curtas de autores portugueses e brasileiros, organizada por Jorge Candeias e Luís Filipe Silva. Para a antologia foram consideradas histórias de vários géneros da literatura fantástica e ficção científica, incluindo terror gótico e história alternativa. Entre as histórias escolhidas podemos encontrar nomes conhecidos como João Ventura, Octávio Aragão ou Telmo Marçal.

Segue-se Song of Time de Ian R. MacLeod, uma história estranha pela qual sinto alguma curiosidade há já algum tempo, principalmente pela sinopse que diz pouco e muito ao mesmo tempo:

A man lies half-drowned on a Cornish beach at dawn in the furthest days of this century. The old woman who discovers him, once a famous concert violinist, is close to death herself… or a new kind of life she can barely contemplate. Does death still exist at all, or has it finally been obliterated? And who is this strange man she’s found? Is he a figure returned from her past, a new messiah, or an empty vessel? Is he God, or the Devil?

Filled with love and music, death and life, mind-stretching ideas and sheer, simple humanity, spanning the world from the suburbs of Birmingham to the streets of a new-Renaissance Paris via the ruins of post-apocalyptic India,
Multi-award winning author Ian R MacLeod here creates some of his most powerful scenes, and his most extraordinary, and yet most believable, characters. If you care about the future, if you care about good story-telling, Song of Time is a must-read.

Everland and Other Stories é a colecção de doze histórias Paul Witcover, onde se inclui Left of the Dial (finalista para o prémio Nebula) e cinco histórias inéditas, que misturam elementos de fantasia, ficção científica e horror:

In “Mayaland,” a callow young man with a romantic attachment to a bloody past learns that there is a price to pay for ignorance . . . and for understanding.
Fundamentalism meets fascism in “Twilight of the Dogs,” a horror story that is also a ghost story that morphs into a science fiction story and then . . .
In “Lighthouse Summer,” a young boy has the adventure of several lifetimes when a summer storm washes an eccentric traveler ashore . . .

Grendel e Os Leões de Al-Rassan são dois livros publicados pela Saída de Emergência na colecção Bang. O primeiro, nomeado para o Mythopoeic Fantasy Award, conta a história mítica de Beowulf pela perspectiva de Grendel, o monstro meio humano que de noite ataca o salão do rei Hrothgar. Mas afinal o monstro é, por vezes, mais civilizado que os humanos que o perseguem, seres humanos traiçoeiros de visão estreita, e vive observando, entre o fascínio e a repulsa, o dia a dia do salão.

Por sua vez, Os Leões de Al-Rassan, da autoria de Guy Gavriel Kay, é uma história épica inspirada na Península Ibérica que decorre na terra de Al-Rassan, terra que reúne três culturas diferentes.

Por sua vez Best of Michael Swanwick é uma antologia que reúne histórias do início da carreira do autor, assim como contos mais recentes, entre os quais dois finalistas ao prémio Nebula, e cinco vencedores do prémio Hugo:

In these pages, Janis Joplin is worshiped as a god, teenagers climb down the edge of the world, zombies are commodified, a vengeful man tracks a wizard across the surface of a planet-sized grasshopper, dinosaurs invade Vermont, a train leaves New York City bound for Hell, and those lovable Post-Utopian con men, Darger and Surplus, seek their fortunes in Buckingham Labyrinth.

Peter Pan e As Aventuras de Pinóquio são dois clássicos de fantasia infantil, há pouco tempo publicados em edição de capa dura, pela editora Cavalo de Ferro, ambos com ilustrações de Paula Rego. Já andava de olho em ambos os volumes, mas aproveitei uma recente promoção da FNAC para os adquirir.

Black Orchid foi a última BD que tive oportunidade de ler – da autoria de Neil Gaiman, apresenta-nos uma heroína peculiar, pouco dada a show off mas eficaz, numa história melancólica carregada de anti-clichés.

Também entre os clássicos infantis encontra-se o último item do monte de livros, The Wonderful Wizard of Oz, desta vez, não uma edição ilustrada, mas uma doce adaptação para Graphic Novel da Marvel, com imagens em tom pastel e personagens inocentemente caracterizadas.

Tender Morsels – Margo Lanagan

Margo Lanagan é uma autora australiana cujos livros e histórias costumam ser publicados apenas na Austrália. No entanto, os seus últimos livros tornaram-se alvo de grandes atenções, mais especificamente Black Juice (que ganhou dois World Fantasy Awards) e Tender Morsels, um dos livros mais lidos e referenciados de 2009, também vencedor de um World Fantasy Award com The Shadow Year de Jeffrey Ford.

Inicialmente Tender Morsels foi lançado com uma capa desinteressante que recordava histórias infantis de ursos de peluche. Desenganem-se. Esta não é uma história para crianças ou adolescentes muito jovens, com referências constantes a assédios, mortes, abusos ou violações. A segunda capa deixa transparecer melhor o conteúdo, mas ainda assim, relembra demasiado imagens de vampiros e outras criaturas das trevas.

Tender Morsels inicia-se com a história de uma jovem, orfã de mãe e muito inocente, que vive numa cabana na floresta com o pai, por quem é abusada constantemente. Um dia sente-se mais pesada e deixa de ter a menstruação, facto resolvido pouco tempo depois pelo pai, com uma mesinha de bruxa de aldeia. A jovem Liga apercebe-se então da relação que existe entre as noites forçadas pelo pai, as menstruações e criança que desaparece agora. À segunda gravidez esconde as evidências.

Com a morte do pai e uma filha nos braços, a vida parece melhorar pela ausência dos maus tratos ausentes. Mas só parece. Vivendo sozinha na cabana pouco tempo passa até que é abusada por um grupo de rapazes que a irão engravidar. Desesperada, Liga pensa em matar-se levando consigo a filha, mas acaba por ter um estranho sonho onde lhe são concedidas duas pedras para plantar no quintal, que a irão proteger, e às duas filhas.

A cabana regenera-se, deixa de ser um barracão torto, os habitantes da vila parecem ser mais afáveis e ensinam-lhe uma profissão, com a qual sustenta a casa. O dia a dia ameno é cortado pelo aparecimento de um urso inteligente cujos olhos deixam transparecer pensamentos complexos.

No início a história parecia-me mais um romance em torno de mulheres abusadas, vítimas constantes de todo o tipo de violência. Apesar de Tender Morsels partir  de um princípio semelhante, nem tudo o que parece é, e os factos que até meio parecem ser desconexos, talvez resultantes de um escritor desleixado, ganham depois sentidos e tornam a história coesa. É nesta parte que a história atinge o auge, com alguns acontecimentos inesperados que quebram aquilo que seria a resolução mais provável.

Tender Morsels torna-se assim uma obra fantástica engraçada, mas carregada por factos fortes, em suma uma alegoria que pode ser interpretada de várias formas. Ainda que tenha tido momentos surpreendentes, a história atingiu o exponente máximo a meio, tendo um fim algo banal que me terá desiludido um pouco. É, no entanto, uma obra que parece ter alguns pontos em aberto, que poderão servir para formar uma sequela.

Não tendo lido os restantes candidatos ao prémio World Fantasy Award, e apesar de ter apreciado a história de Tender Morsels, achei que a história de Pandemonium era muito mais original, apesar de, no início parecer comum.

Shelves (34)

Desta vez existe uma presença notória de um autor em particular: Zoran Zivkovic. Aproveitando duas promoções em simultâneo da editora (livros a 60% de desconto e três livros pelo preço de dois), resolvei encomendar os que me faltavam do autor. The Twelve Collections and The Teashop foi uma leitura recente, onde se realçou a história que originou a segunda parte do título: The Teashop, um conto misterioso e fascinante, onde no menú de uma casa de chá se pode pedir chá feito de histórias.

Impossible Stories I e II são outras duas antologias do autor, também pela PS Publishing. No primeiro volume podemos encontrar novas histórias assim como ciclos publicados anteriormente em outras edições: Time Gifts, Impossible Encounters, Seven Touches of Music, The Library ou Steps Through the Mist. Impossible Encounters reúne histórias de extraordinários encontros improváveis, em Seven Touches of Music podemos encontrar contos onde a música têm um papel fundamental e em The Library conhecemos variadas bibliotecas. De realçar que em português, apenas este último conjunto foi publicado, pela Cavalo de Ferro.

Impossible Stories II reúne apenas três ciclos de histórias, e todos me são desconhecidos: Compartments reflecte encontros de um viajante em seis compartimentos diferentes de um comboio, Four Stories till the End mostra um estranho edifício onde se pode encontrar uma cela de prisão, um quarto de hotel e um quarto de hospital, e finalmente, Amarcord é constituído por dez histórias interligadas que exploram a memória humana: the positive and the negative, the precious and the profane, the heavenly and the unbearably hellish.

O quarto livro de Zoran Zivkovic, The Bridge,  é um pequeno volume de três histórias que estabelecem ligação entre três diferentes objectos vermelhos: cabelo ruivo, uma bola de bowling e um bikini. Um homem encontra-se a si próprio, uma mulher reconhece numa viagem a vizinha falecida e uma jovem de 14 anos persegue o futuro filho de 17 anos pela cidade.

Para além de Zoran Zivkovic, marcam presença três volumes da série Fables, que li recentemente de um trago.  As personagens do conto de fadas continuam no nosso mundo, fugidos do grande imperador que conquistou os vários reinos fantásticos. Os perseguidos resolvem inverter a situação e passar a atacantes, após largos anos a acumular informação sobre a identidade do imperador e a origem dos seus seguidores.

Get Done é o segundo volume de The Boys, uma série de comics de Garth Ennis que pretende superar The Preacher. Se The Boys supera em violência e frieza, preferi, até agora, The Preacher, que embora tenha demorado mais tempo a arrancar, construiu uma história mais sólida em torno das personagens principais.

O volume do fundo, preto de capa grossa reúne a série de comics Surrogates, que nos transporta para o ano de 2054, onde os seres humanos utilizam surrogates (humanoid remote control vehicles) para interagir. A história parece interessante, e o interior tem bom aspecto – esta será com certeza uma das minhas próximas leituras em comics.

Babylon de Richard Calder foi também lançado pela PS Publishing, decorrendo a história no ano de 1888, num mundo alternativo, onde a civilização mesopotâmica é soberana, e Jack o estripador ataca prostitutas babilónicas. The Babylonian Trilogy por sua vez, reúne três diferentes histórias, em torno de três personagens que se encontram nos jardins da Babilónia.

The Extraordinary Voyage of Jules Verne – Eric Brown

The Extraordinary Voyage of Jules Verne é um pequeno livro publicado pela PS Publishing, da autoria de Eric Brown, uma homenagem a Júlio Verne, considerado um dos pais da ficção científica.

Nesta aventura Júlio Verne é retirado do seu tempo antes de escrever qualquer um dos seus livros, vivendo, ele próprio uma estranha aventura, que mistura viagens no tempo com distopias. Levado para o tempo dos dinossauros por um aventureiro, é capturado por formigas gigantes que se revelam uma inteligente espécie alienígena em luta contra um déspota do futuro que irá condenar o planeta Terra e a humanidade.

A história relembrou-me o recentemente lido Senhor da Guerra dos Céus de Michael Moorcock: uma personagem do passado viaja para o futuro, descobrindo uma sociedade aparentemente mais perfeita, mas que se revela basear na exploração de outras culturas, sob o comando de um tirano. Os dirigíveis são, em ambos os livros, um dos principais meios de transporte civil e militar, e nas duas histórias a humanidade segue um caminho distinto do actual.

Esta é uma história interessante, mas muito abaixo da de Michael Moorcock, com a qual, dadas as semelhanças não pude deixar de comparar ao longo de todas as páginas. Se a personagem principal é Júlio Verne, podia ser outra qualquer, servindo a sua identidade apenas como razão para o terem escolhido na viagem ao futuro, com o intuito de relatar as aventuras do ditador.  Em suma, é engraçado, lê-se bem, mas pouco ou nada traz de novo.

New Books Around (17.11.2009)

Escher loops zoran zivkovicLançado recentemente mas já incluído na lista da Amazon nos 10 melhores livros de Ficção Científica e Fantasia, Eclipse 3 é a terceira edição que se propõe a seguir os passos das anteriores antologias, Eclipse 2 e Eclipse, vencedoras de vários prémios. Sem temática pré-definida, entre os autores podemos encontrar Peter S. Beagle, Paul Di Filippo, Jeffrey Ford, Caitlin R. Kiernan ou Daniel Abaraham.

Escher’s Loops é o próximo lançamento da PS Publishing de Zoran Zivkovic, um dos meus autores favoritos, do qual em Portugal apenas podemos encontrar a Biblioteca. Em Escher’s Loops realçaria a capa, da autoria de uma amiga. A sinopse promete algo semelhante ao que conheço de Zoran, ou seja, mais uma leitura obrigatória:

Like one of Escher’s drawings, the narrative threads lead one through a dizzying labyrinth of recurring themes, images and characters, all of which are linked with elegant mathematical precision: God and suicide, food and poison, monks, athletes, soldiers and soccer players all take their places in the circle-dance. Absurdity, surreality and humour abound; death is the ultimate destiny, yet always the next story offers infinite ways of escape.

Depois de Heart-Shaped Box, de Joe Hill (o filho de Stephen King) é publicado Horns. A edição limitada da PS Publishing está a esgotar-se a uma velocidade estonteante, a capa já se conhece, e a sinopse encontra-se finalmente disponível. Recordo-me de não ter apreciado grandemente o Heart-Shaped Box, mas ainda assim, a premissa deste Horns, captou-me :

Ignatius Perrish spent the night drunk and doing terrible things. He woke up the next morning with one hell of a hangover, a raging headache . . . and a pair of horns growing from his temples.

Já tem quase dois meses, mas é digno de referência – The Mammoth Book of Best New SF 22. Publicada em Setembro, esta colectânea reunida por Gardner Dozois, começa com um resumo do ano de 2008: prémios, revistas, contos, lançamentos de pequenas e grandes editoras.

Seguem-se contos de vários autores conhecidos do género, como: The Gambler (de Paolo Bacigalupi, nomeado para a categoria de melhor noveleta nos prémios Hugo de 2009 e disponível na blog da Pyr ),  From Babel’s Fallen Glory We Fled (de Michael Swanwick, também pode ser lido no site online da revista Asimov), Crystal Nights (de Greg Egan, nomeado para o BSFA e disponível gratuitamente no site da editora). Podem ainda encontrar Ian McDonald, Paul McAuley, Greg Egan, Geoff Ryman ou Nancy Kress.

Outra antologia lançada em Setembro que me parece interessante, é Passing for Human, pela PS Publshing.  Editada por Michael Bishop e Steven Utley, os contos recolhidos têm como principal tema os extraterrestres viverem mascarados entre nós, humanos.

Nesta antologia participam Theodore Sturgeon, Ray Bradbury, Paul DiFilippo, Robert Silverberg, Jeff Vandermeer e Carol Emshwiller, entre outros.

Esta semana … (2009.11.07)

Atrasado, mas ainda a tempo :) . Aqui fica um pequeno apanhado das críticas a livros fantásticos e FC desta semana.

- Drood, Dan Simmons (Blog Saída de Emergência) – se já pensava ler o livro, agora ainda fiquei mais curiosa. Em princípio este será um dos próximos livros do autor a ser publicado em português, assim como The Terror, pela Saída de Emergência. Para quem não conhece, este é o autor de A Canção de Kali e Clube de Patifes.

- A Corte dos Traidores, Robin Hobb (Bela Lugosi is Dead e Estante de Livros)

Ghostgirl – A Rapariga Invisível, Tonya Hurley (As Leituras do Corvo e Bela Lugosi is Dead)

- Fúria, L. J. Smith (As Leituras do Corvo)

- O Homem Pintado, Peter V. Brett (Páginas desfolhadas  e Estante de Livros)

- Os Jogos da Fome, Suzanne Collins (Correio do Fantástico) – este é outro que me começa a intrigar, pelas sucessivas críticas muito positivas.

- American Gods, Neil Gaiman (Der Wanderer’s Blog)

Não é uma crítica literária, mas depois do artigo publicado no blog da Pó dos livros, fica o post no blog da Safaa Dib sobre pseudo-editoras. De leitura obrigatório para todos aqueles que desejam um dia ser publicados.


Jardim de Infância – Geoff Ryman

Vencedor dos prémios Arthur C. Clarke e John W. Campbell Memorial, The Child Garden basea-se num conto curto, Love Sikness que terá ganho também o prémio British SF para melhor história curta.

Em Portugal o livro foi publicado pela Clássica Editora, numa colecção dirigida por João Barreiros, um dos melhores (para mim o melhor) autores de ficção científica português, com livros como A Bondade dos EstranhosA Verdadeira Invasão dos Marcianos ou O Caçador de Brinquedos e Outras Histórias. Tendo lido a edição portuguesa, reparei que peca em dois pontos importantes: a rosa na capa vermelha relaciona-se bem com a história, mas para quem não a conhece, assemelha o livro a um pegajoso romance cor-de-rosa; por outro lado, a encadernação é de baixa qualidade, e os cadernos foram-se separando durante a leitura.

Para além de The Child Garden,  de Geoff Ryman, foram também publicados em Portugal, Ar e O Guerreiro que Trazia a vida, respectivamente pela Gailivo e pela Caminho. Tendo li Ar há pouco tempo, não deixo de sentir algum paralelismo nas duas histórias: apesar de se centrarem em espectaculares avanços tecnológicos, centram-se nas relações humanas e na forma como a tecnologia pode afectar a sociedade e consequentemente os relacionamentos.

Em The Child Garden a esperança média de vida é curta, rondando os 30 anos. Em compensação, são administrados vírus aos bebés que lhes possibilitam aprender rapidamente e ter disponível um enorme volume de informação. Estes vírus recordam a nanotecnologia de se fala hoje em dia – são capazes de reparar tecidos e de actuar como sistema imunitário. No livro, os vírus modulam também comportamentos e memórias, podem ser utilizados para normalizar tendências sexuais ou pensamentos.

Ainda que envelheçam por volta dos 30 anos, graças aos vírus, estes seres humanos aprendem a falar muito mais cedo e amadurecem precocemente, escolhendo uma profissão aos 10 anos. Neste mundo de elevada capacidade tecnológica, os seres humanos sofrem as consequências de uma estrondosas descoberta que terá eliminado o cancro mas terá, também trancado as sequências genéticas. Após a cura descobriu-se que as células cancerígenas tinham um papel fundamental na manutenção da juventudade, estimulando a replicação das células saudáveis vizinhas.

Milena é uma jovem orfã que se destacou desde muito cedo por ser resistente à maioria dos vírus que são administrados aos restantes, tendo recebido, aos 10 anos uma dose demasiado forte que lhe terá retirado todas as memórias do passado. Por ser resistente, Milena nunca foi lida, ou seja,  nunca foi submetida a testes psicológicos com o objectivo de lhe corrigirem as tendências sexuais. Desta forma, mantem-se capaz de se apaixonar por uma criatura do mesmo sexo, mas de espécie diferente, um ser humano modificado geneticamente para se assemelhar a um urso, que escondida na cala da noite, canta belíssimas óperas.

Jardim de Infância explora não só as consequências da busca de uma vivência perfeita, com a descoberta da cura permanente para o cancro; como também o limite da normalização dos seres humanos, em que todos possuem as mesmas tendências e o mesmo conhecimento, tendo-se perdido a capacidade de imaginar e de criar. Em boa verdade, o livro apresenta-nos uma realidade distópica de forma suave em que as vantagens tecnológicas se tornam limitações à espécie humana, barreiras sufocantes à criatividade.

The Child Garden é daqueles livros, raros, em que não se sente a falta de outras personagens ou pontos de vista – Milena é instável e imprevista q.b. para tornar a história interessante, ainda que não tenha simpatizado totalmente com ela.

New Books Around (11.10.2009)

O nome Cory Doctorow ouviu-se várias vezes nos últimos meses, em associação com o livro Little Brother, finalista dos prémios Hugo e Nebula. Este ano lança Makers, uma história centrada em dois inventores que não se limitam a construir autómatos úteis, definindo também novos sistemas económicos que transforma o país:

Perry and Lester invent things – seashell robots that make toast, Boogie Woogie Elmo dolls that drive cars. They also invent entirely new economic systems, like the ‘New Work,’ a New Deal for the technological era. Barefoot bankers cross the nation, microinvesting in high-tech communal mini-startups like Perry and Lester’s. Together, they transform the country, and Andrea Fleeks, a journo-turned-blogger, is there to document it.

Then it slides into collapse. The New Work bust puts the dot.combomb to shame. Perry and Lester build a network of interactive rides in abandoned Wal-Marts across the land. As their rides, which commemorate the New Work’s glory days, gain in popularity, a rogue Disney executive grows jealous, and convinces the police that Perry and Lester’s 3D printers are being used to run off AK-47s.

Hordes of goths descend on the shantytown built by the New Workers, joining the cult. Lawsuits multiply as venture capitalists take on a new investment strategy: backing litigation against companies like Disney. Lester and Perry’s friendship falls to pieces when Lester gets the ‘-fatkins’ treatment, turning him into a sybaritic gigolo.

Acompanhando a onda mais recente que integra zombies nos clássicos (como Pride and Prejudice and Zombies), é publicado I Am Scrooge: A Zombie Story for Christmas de Adam Roberts (o autor de Stone, Salt ou Gradisil). A sinopse que acompanha o livro é estranha, mas apenas destacaria esta frase “Can Scrooge be persuaded to go back to his evil ways, travel back to Christmas past and destroy the brain stem of the tiny, irritatingly cheery Patient Zero?”.

Mais interessante parece-me a antologia The Hellbound Heart, inspirada na novela de Clive Barker com o mesmo nome, adaptada para o filme Hellraiser. The Hellbound Heart reúne histórias de autores como Tim Lebbon, Conrad Williams ou Kelley Armstrong, assim como uma pequena graphic novel da autoria de Neil Gaiman. Para os interessados, encontra-se disponível uma lista completa de conteúdos.

Dentro do género História Alternativa, o livro de Scott Westerfeld, Leviathan, decorre numa Primeira Guerra Mundial onde o armamento militar não é apenas mecanizado, mas também vivo – várias criaturas são desenvolvidas especialmente para fins bélicos.  O príncipe do império austro-húngaro foge do país a bordo de Leviathan, uma nave voadora que é uma baleia. Uma das pessoas que controla a nave é uma rapariga disfarçada de rapaz que constitui a outra personagem central. Intrigante.

O primeiro capítulo encontra-se disponível para leitura, e em torno da história podem encontrar algumas imagens interessantes.

Por último, os seguidores da saga The Wheel of Time podem descansar (ao contrário dos que esperam a continuação de The Song of Ice and Fire) porque finalmente sai a primeira parte do último livro, The Gathering Storm.

Após a morte de Robert Jordan, Brandon Sanderson foi o escolhido para terminar a série, decidindo dividir o último volume em três partes. Para quem não conhece o estilo de Brandon Sanderson, Warbreaker foi disponibilizado gratuitamente pelo próprio autor.

New Books Around (12-09-2009)

Peter Straub propõe-se a reunir em dois volumes vários contos e histórias americanas de terror ou horror, sob o título American Fantastic Tales. O primeiro contém histórias de Poe aos anos 40, passando por autores como Irving, Poe, Henry James, Lovecraft, Robert E. Howard ou Scott Fitzgerald. Entre os autores do segundo volume podem-se realçar Fritz Leiber, Richard Matheson, Tim Power, Michael Chabon ou Kelly Link.

Esta parece uma interessante colecção para quem aprecia o género.

The Mammoth Book of Mindblowing SF é outra das antologias lançadas este ano e, até agora, uma das mais polémicas, senão a mais polémica, não por causa do conteúdo, mas pelo conjunto de autores escolhidos: todos homens de raça branca.

Após a publicação da completa lista de conteúdos, vários escritores e bloguistas se pronunciaram referindo diversas autoras ou autores de outras raças que poderiam facilmente ter sido seleccionados.

Polémica àparte, da antologia fazem parte alguns nomes sonantes, como Arthur C. Clarke, Michael Swanwik, Paul di Filipo, John Varley ou Robert Silverberg.

Misturando tecnologia actual num tempo passado, o Steampunk caracteriza-se por uma mistura apelativa dos géneros história alternativa e ficção científica. Enquadrado nesta vertente encontra-se Boneshaker, o primeiro de uma trilogia por Cherie Priest.

Para os interessados, o resumo da história encontra-se em Fantastic Fiction,  e no site da Subterranean press podem encontrar gratuitamente a primeira história, Tanglefoot, que decorre no mesmo universo (Clockwork Century).

Entre as várias antologias a ser lançadas nos próximos tempos, uma das que me parece mais interessante é Apex Book of World SF.

Entre os autores escolhidos conheço apenas Zoran Zivkovic, um autor autor sérvio, responsável por alguns dos melhores contos que já li.

Mas o que torna a colectânea interessante é o objectivo – apresentar ficção de diversos países, continentes e culturas – Tailândia, China, Israel ou Malásia são apenas alguns exemplos da origem de algumas das histórias. Esta será uma boa oportunidade para ler perspectivas diferentes dos géneros aos quais já estou habituada.

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As cruzadas vistas pelos árabes – Amin Maalouf

Ao contrário de outros livros de Amin Maalouf como O Périplo de Baldassare, As cruzadas vistas pelos árabes não é um romance histórico ou ficcional – antes um relato puro e duro das várias invasões com o objectivo de conquistar Jerusalém em nome do Papa, entre os séculos XI e XIII.

Em As Cruzadas Vistas Pelos Árabes é-nos apresentada uma visão algo diferente das que estamos acostumados, a dos invadidos por um povo que consideram bárbaro quando comparado científica e culturalmente. Os europeus são descritos como bárbaros, porcos, incultos e sem honra, o que face aos relatos não se pode negar totalmente:

Thabet respondeu: “Trouxeram à minha presença um cavaleiro que tinha um abcesso na perna e uma mulher que sofria de consumpção. Pus um emplastro ao cavaleiro; o tumor abriu e melhorou. À mulher, receitei uma dieta para lhe baixar a temperatura.” Mas chegou então um médico franco e disse: “Este homem não sabe tratar deles !” E, dirigindo-se ao cavaleiro, perguntou-lhe: “O que preferes, viver com uma só perna ou morrer com as duas?” Tendo o paciente respondido que antes queria viver com uma só perna, o médico ordenou: “Tragam-me um cavaleiro robusto com um machado bem afiado”. Vi chegar logo o cavaleiro e o machado. O médico franco assentou a perna sobre um cepo de madeira, dizendo ao recém-chegado :”Dá uma boa machadada para a cortar de lado a lado!” Sob o meu olhar, o homem desferiu na perna um primeiro golpe, depois, como ela ainda estava presa, bateu-lhe uma segunda vez. A medula da perna esguichou e o ferido morreu no mesmo instante. Quanto à mulher, o médico granco examinou-a e disse: “tem em cima da cabeça um demónio que se apaixonou por ela. Cortem-lhe o cabelo!”. Cortaram-lho. A mulher recomeçou então a comer os seus alimentos com alho e mostarda, o que agravou a consumpção. “Nesse caso, é porque o diabo entrou na cabeça”, afirmou o médico deles. E, pegando numa navalha, fez-lhe uma incisão em forma de cruz, deixou à mostra o osso da cabeça e esfregou-o com sal. A mulher morreu ali mesmo.

Escandalizado com a ignorância dos ocidentais, o certo é que Ussama ainda o fica mais com os seus costumes “Os Franj, exclama ele, não têm o sentido da honra! Se um deles sai à rua com a esposa e encontra outro homem, este toma a mão da mulher, puxa-a para o lado a fim de lhe falar, enquanto o marido se afastada aguardando que ela acabe a conversa. Se a coisa dura demasiado tempo, deixa-a com o seu interlocutor e vai-se embora !” E o emir sente-se perturbado: “Reparai nesta contradição. Tal gente não tem ciúmes nem sentido de honra, quando afinal tem tanta coragem! A coragem não provém no entanto senão do sentido da honra e do desprezo que está mal!”.

Chacina após chacina, os Franj (como são conhecidos os europeus invasores) ganham terreno graças às disputas religiosas e familiares na região. Cada cidade tem o seu governador e os sultões raramente são os chefes militares o que dá azo a traições e revoltas. Ao invés de se unirem contra a ameaça comum, cada cidade acaba por lutar praticamente sozinha e nem aquelas que se entregam são por vezes poupadas ao massacre.

O sentido de honra dos Franj é realmente peculiar e facilmente se desconsidera a palavra dada a um árabe por ser de outra religião. Com uma medicina baseada em superstições e uma escassa higiene, só pelo poder dos números é que os Franj conseguem conquistar e manter os territórios – mas não eternamente.

Ainda que As Cruzadas Vistas pelos Árabes seja um ensaio e não um romance, é um livro que aconselho a todos os que apreciam história ou ficção história, em que, para além dos relatos de Amin Maalouf se encontram passagens escritas por alguns dos cronistas da época.

World Fantasy Award – os Nomeados

Foram anunciados os nomeados para os World Fantasy Award, para as diversas categorias:

Novel

  • The House of the Stag, Kage Baker (Tor)
  • The Shadow Year, Jeffrey Ford (Morrow)
  • The Graveyard Book, Neil Gaiman (HarperCollins; Bloomsbury)
  • Pandemonium, Daryl Gregory (Del Rey)
  • Tender Morsels, Margo Lanagan (Allen & Unwin; Knopf)

Novella

  • Uncle Chaim and Aunt Rifke and the Angel”, Peter S. Beagle (Strange Roads)
  • If Angels Fight”, Richard Bowes (F&SF 2/08)
  • The Overseer”, Albert Cowdrey (F&SF 3/08)
  • Odd and the Frost Giants”, Neil Gaiman (Bloomsbury; HarperCollins)
  • Good Boy”, Nisi Shawl (Filter House)

Short Story

  • Caverns of Mystery”, Kage Baker (Subterranean: Tales of Dark Fantasy)
  • 26 Monkeys, Also the Abyss”, Kij Johnson (Asimov’s 7/08)
  • Pride and Prometheus”, John Kessel (F&SF 1/08)
  • Our Man in the Sudan”, Sarah Pinborough (The Second Humdrumming Book of Horror Stories)
  • A Buyer’s Guide to Maps of Antarctica”, Catherynne M. Valente (Clarkesworld 5/08)

Anthology

  • The Living Dead, John Joseph Adams, ed. (Night Shade Books)
  • The Del Rey Book of Science Fiction and Fantasy, Ellen Datlow, ed. (Del Rey)
  • The Year’s Best Fantasy and Horror 2008: Twenty-First Annual Collection, Ellen Datlow, Kelly Link, Gavin J. Grant, eds. (St. Martin’s)
  • Paper Cities: An Anthology of Urban Fantasy, Ekaterina Sedia, ed. (Senses Five Press)
  • Steampunk, Ann & Jeff VanderMeer, eds. (Tachyon Publications)

Collection

  • Strange Roads, Peter S. Beagle (DreamHaven Books)
  • The Drowned Life, Jeffrey Ford (HarperPerennial)
  • Pretty Monsters, Kelly Link (Viking)
  • Filter House, Nisi Shawl (Aqueduct Press)
  • Tales from Outer Suburbia, Shaun Tan (Allen & Unwin; Scholastic ’09)

Artist

  • Kinuko Y. Craft
  • Janet Chui
  • Stephan Martinière
  • John Picacio
  • Shaun Tan

Special Award-Professional

  • Kelly Link & Gavin J. Grant (for Small Beer Press and Big Mouth House)
  • Farah Mendlesohn (for The Rhetorics of Fantasy)
  • Stephen H. Segal & Ann VanderMeer (for Weird Tales)
  • Jerad Walters (for A Lovecraft Retrospective: Artists Inspired by H.P. Lovecraft)
  • Jacob Weisman (for Tachyon Publications)

Special Award- Non-Professional

  • Edith L. Crowe (for her work with The Mythopoeic Society)
  • John Klima (for Electric Velocipede)
  • Elise Matthesen (for setting out to inspire and for serving as inspiration for works of poetry, fantasy, and SF over the last decade through her jewelry-making and her “artist’s challenges.”)
  • Sean Wallace, Neil Clarke, & Nick Mamatas (for Clarkesworld)
  • Michael Walsh (for Howard Waldrop collections from Old Earth Books)

New Books Around (2009-05-16)

Para além dos livros de Zoran Zivkovic cujo lançamento pela PS Publishing já tinha anunciado recentemente, a mesma editora irá publicar, também, Impossible Stories 2. Este volume reúne três livros para além de outras duas histórias: Compartments, Four Stories Till the End Amarcord.

“Compartments”: On a strange train journey, in a series of six compartments, a traveller experiences unpredictable encounters, culminating in a meeting of epiphanic power. Through a narrative of dreamlike sharpness “Compartments” taps into the fears and absurdities, the beauties and mysteries of the unconscious mind, to achieve a consummation both moving and full of hope.

“Four Stories till the End”: In what strange edifice of the imagination do you find a condemned cell, a hotel room and a hospital room? What kind of hotel offers a zinc mine, a meat-packing plant, a weapons factory and a cemetery of famous artists among its attractions? Why do four people commit suicide in the same bathroom and why does a literature professor cut up several of the greatest works of literature into a confetti of letters? In this wildly imaginative, wildly funny satire on Art and Death nothing is quite what it seems and the maze of symbols grows more complex with each encounter.

“Amarcord”: Ten linked stories with resonant titles explore almost every conceivable aspect of human memory: the positive and the negative, the precious and the profane, the heavenly and the unbearably hellish. Živkovic’s deceptively simple tales anatomise the essence of what makes human beings tick, our passions, our vanities and yearnings; the very memories which make us who we are.

Por sua vez, Metratopolis parece ser o resultado de um projecto interessante. Resultado do interlaçar de cinco autores diferentes, Elizabeth Bear, Tobias Buckell, Jay Lake, Karl Schroeder e John Scalzi, Metratopolis reune histórias que decorrem num mesmo mundo, no futuro.

O livro será lançado em Julho pela Subterranean Press. Fica aqui parte da sinopse:

A strange man comes to an even stranger encampment… A bouncer becomes the linchpin of an unexpected urban movement… A courier on the run has to decide who to trust in a dangerous city… A slacker in a “zero-footprint” town get a most unusual new job… and a weapons investigator uses his skills to discover a metropolis hidden right in front of his eyes.

Welcome to the future of cities. Welcome to METAtropolis.

Wild Thyme, Green Magic é outro livro a publicar pela Subterranean Press: uma colectânea de histórias fantásticas e estranhas, de onde se destacam The World Thinker (o primeiro conto vendido), Chateau D If, Green Magic, Seven Exits from Bocz, The Seventeen Virgins:

When Jack Vance decided to become a writer, a million-word-a-year man as he put it so pragmatically at the time, he also gave fantastic literature one of its most cherished and distinctive voices. Though primarily a novelist throughout his long and distinguished career, this Hugo, Nebula, Edgar and World Fantasy Award-winning Grand Master also produced many short and mid-length works.

The Strain é um livro de vampiros – mas dado ser da autoria de Chuck Hogan e Guillermo del Toro (realizador de Labirinto do Fauno), não deverá ser um livro semelhante aos da Stephanie Meyer e afins.

Este é o primeiro de uma trilogia, cuja sinopse revela uma premissa semelhante a I Am Legend (ao livro, não ao filme), em que a praga de vampiros se deverá a um vírus que infecta e transforma os seres humanos.

Neste caso, a infecção encontra-se ainda no início, restando seres humanos suficientes para lutar contra os vampiros:

They have always been here. Vampires. In secret and in darkness. Waiting. Now their time has come.

In one week, Manhattan will be gone. In one month, the country.

In two months – the world.

Bram Stoker Awards finalists

O Prémio Bram Stoker, designado em honra do autor de Dracula, é atribuído pela Associação dos Escritores de Horror anualmente, desde 1987.

Entre os vencedores dos anos anteriores encontram-se Clive Barker, Neil Gaiman, Stephen King, Dan Simmons, Michael Moorcock, Richard Matheson, Joyce Carol Oates ou Chuck Palahniuk.

Os nomeados deste ano já foram anunciados.

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