Últimas aquisições

IMG_7185

Da Família de Valério Romão foi o livro que fiquei com vontade de ler depois de assistir ao lançamento. Tendo-me deslocado ao local por curiosidade em relação ao livro de Joana Bértholo, gostei bastante do conto que o autor leu – uma história negra com uma boa dose de ironia que me pareceu bem construída. Deixo aqui a sinopse:

Um dos mais desafiantes escritores da actualidade regressa com um conjunto de 11 contos, alguns deles anteriormente publicados em revistas como Grantaou Egoísta. Em estilo de grande crueza lírica, expande aqui  o  seu  universo  para  o  tema  omnipresente  da  família,  desenhando  com  inusitada  autenticidade extraordinárias personagens e ambientes apocalípticos.Na capa, um pequeno espelho, que o tempo e o uso riscarão, lembra que ninguém, nenhum dos incautos leitores, consegue escapar do retrato de família, uma qualquer família. «O nascimento do Rogério foi a coisa mais bonita a acontecer-nos enquanto casal, diria mesmo que o foi o momento pelo qual ambos esperávamos como se de um crisma se tratasse e ele viesse de frança, do céu, do bico de uma cegonha, cansada daqueles três quilos e oitocentos confirmar  finalmente  a  nossa  união,  por  não  podermos  nunca  mais,  desde  o  advento  do  cristianismo, sermos só e apenas dois: a unidade é a trindade, repetia-me a Marta, no lusco-fusco, quando esgotados  e satisfeitos de muitas formas distintas caíamos, um em cima do outro, fruta madura num alguidar de linho à espera do consolo da noite e do silêncio.»

IMG_7217

Aventuras de João Sem Medo de José Gomes Ferreira é um dos livros do Plano Nacional de Leitura, contando as aventuras fantásticas de um rapaz que deixa a sua aldeia para viver o mundo. Explorando conscientemente os clichés das lendas e dos contos de fadas, Aventuras de João Sem Medo permite uma dupla leitura das histórias que contem, uma mais inocente onde nos rimos da audácia de João Sem Medo, e uma segunda de crítica social e política, sob as mais variadas formas de estilo. Um livro extraordinário para jovens e graúdos que decerto agradará a muitos.

O próximo livro, Inventário do Pó, é então o mais recente lançamento de Joana Bértholo, autora cujo trabalho conheço apenas das publicações em parceria com outros autores, pela Prado. Baseando-se na obra de René Bértholo, a autora desenvolveu várias histórias ficcionais, dispondo-se o texto de acordo com o seu conteúdo, sempre em letras da cor do pó. Sim, todo o interior, letras ou imagens, possuem a mesma cor que a capa.

IMG_7237

Uma Mentira Mil Vezes Repetida de Manuel Jorge Marmelo é um daqueles livros que ando há anos para comprar, mas não tendo apanhado, até ao momento, uma promoção que tornasse o preço mais aliciante, me tenho inibido de adquirir. Recentemente, a FNAC lançou uma promoção com 30% de desconto em todos os livros. E aproveitei para adquirir. A história parece borgiana, mas apenas saberei quando o puder ler:

Para escapar ao anonimato de uma vida comum, à solidão da escrita e ao esquecimento dos futuros leitores, o narrador de “Uma Mentira Mil Vezes Repetida” inventou uma obra monumental, um autor – um judeu húngaro com uma vida aventurosa – e uma miríade de personagens e de histórias que narra entusiasticamente a quem ao pé dele se senta nos transportes públicos. Assim vai desfiando as andanças literárias de Marcos Sacatepequez e o seu singular destino, a desgraça do Homem-Zebra de Polvorosa, o caos postal de Granada, a maldição do marinheiro Albrecht e as memórias do velho Afonso Cão, amigo de Cassiano Consciência, advogado e proprietário do único exemplar conhecido de Cidade Conquistada, a obra-prima de Oscar Schidinski. Enquanto o autocarro se aproxima de Cedofeita, ou pára na rua do Bolhão, quem o escuta viaja do Belize a Budapeste, passando pelas Honduras, por estâncias alpinas, por Toulon ou por Lisboa. Mas se o nosso narrador não encontrou a glória – senão por breves momentos e na mente alheada de quem cumpre uma rotina – talvez tenha encontrado o amor. Ou será ele também inventado?

Apesar de Há Sempre Tempo Para Mais Nada ser apenas o segundo livro, Filipe Homem Fonseca não é um novato na escrita, sendo mais conhecido mais conhecido para os textos que escreve para a televisão ou para o teatro, escreveu também ficção num formato curto (relembro a participação na Antologia de Ficção Científica Fantasporto. A sinopse (que deixo abaixo) já me tinha despertado a curiosidade, mas acabei por aproveitar a tal promoção da FNAC.

O mundo anda faminto de qualquer coisa que não sabe o que é. Mãos estendidas, estômagos vazios, gente que morre à espera. “Há Sempre Tempo Para Mais Nada” é uma história de perda colectiva e individual, pombos e pilotos suicidas, mosquitos assassinos, macacos raivosos, e rostos sem corpo. A extinção pessoal de um viúvo, embalado numa dança de miséria irresistível que faz da distância um pormenor. Uma viagem de Lisboa a Varanasi, na Índia, terra de morte definitiva num tempo em que nem todas o são, onde o viúvo espera consumar, afundada no rio Ganges, a mais triste das despedidas.

IMG_7242

Do lado esquerdo, o resultado da mais recente parceria da Levoir com o Pùblico, uma colecção de banda desenhada em capa dura e a preço acessível. Do lado direito, um dos lançamentos da Image deste ano, Outcast. De ambiente negro, este volume inicia uma história misteriosa e inquietante onde a apatia da personagem principal, traumatizada por vários acontecimentos na infância, contagia o leitor, conferindo um sentimento de anestesia perante a violência de algumas cenas – talvez por ser mais subtil, e termos conhecimento dos acontecimentos sem necessariamente os visualizarmos, a sensação com que ficamos é a de que este primeiro volume é suficiente para intrigar, mas talvez não para viciar e cativar o leitor para os próximos. Deixo-vos a sinopse:

Kyle Barnes has been plagued by demonic possession all his life and now he needs answers. Unfortunately, what he uncovers along the way could bring about the end of life on Earth as we know it.

Aventuras de João Sem Medo – José Gomes Ferreira

IMG_7163

Enquadrado no Plano Nacional de Leitura, Aventuras de João sem medo é um excelente e surpreendente conjunto de histórias em torno de um rapaz que parte por terras encantadas, esperando todos os habituais clichés das aventuras com fadas e monstros com um espírito crítico que confere à narrativa um interessante aspecto cómico, muitas vezes em tom de comentário social ou político.

João sem medo nasceu na aldeia Chora-Que-Logo-Bebes, um lugar onde todos os habitantes passam os dias a chorar por tudo e por nada. Cansado desta forma de viver, João jurou não ter medo de nada (ou pelo menos não o mostrar) e decide-se a partir em aventura apesar dos receios generalizados em o deixar passar a fronteira.

É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir

Com esta frase inicia-se a grande aventura de João que logo tem de fazer uma escolha entre o caminho a seguir: o asfaltado ou o de pedregulhos. O primeiro, caminho de fácil pavimento, conduz à felicidade, mas no final terá de perder a cabeça (literalmente). Já o outro prevê-se difícil, mas ao menos irá manter o cérebro no lugar.

Esta é apenas a primeira de muitas escolhas que João terá de fazer e que o irão conduzir por caminhos inusitados onde terá de demonstrar as suas características bondosas e a coragem – não de forma inocente. João espera todas estas provas, sabendo que fazem parte das grandes aventuras mágicas e vai fazendo pequenas tiradas irónicas ou insolentes:

O descabeçado, de cigarrilha na boca do estômago, expôs-lhe então com paciência burocrática:

– Ninguém pode seguir o caminho asfaltado que leva a Felicidade Completa sem se sujeitar a este programa bem óbvio. Primeiro: consentir que lhe cortem a cabeça para não pensar, não ter opinião nem criar piolhos ou ideias perigosas. Segundo e último: trazer nos pés e as mãos correntes de ouro…

João Sem Medo ouriçou-se numa reacção instintiva:

– Nunca! Bem se vê que não tens a cabeça no seu lugar.

(…)

– Deixá-lo. Prefiro tudo a viver sem cabeça. Nem calculas a falta que ela me faz.

Este episódio inicial demonstra facilmente a dupla leitura que a maioria destas aventuras permite, metáforas de um comentário social e político, muitas deles retratando aspectos do regime Salazarista. Entre príncipes que se julgam demasiado belos para contemplar, cidades viradas do avesso e fadas travestis, João Sem Medo vai resistindo a cada aventura até que se decide voltar a casa – mas só metade!

Assim foi: Recordar os Esquecidos (sessão de 25 de Julho)

IMG_7143

Esta sessão foi marcada pela presença de dois autores bastante conversadores – tão conversadores que dava a sensação de que poderiam alongar-se noite dentro sem deixar de falar dos livros e escritores que os trouxeram a esta sessão. Estou a falar, claro, dos convidados, Fernando Pinto do Amaral e David Soares. Ainda que seja costume a sala estar composta, nesta sessão estava cheia, quase sem lugares suficientes para todos os que queriam assistir. Aqui fica uma listagem das obras referidas, bem como alguns (poucos) apontamentos que fui fazendo ao longo da sessão.

obaraodelavos_i8

A conversa começou com Fernando Pinto do Amaral a apresentar Abel Botelho com a obra Barão de Lavos. Simpático e fluído no discurso, Pinto do Amaral terá escolhido esta referência mais pelo autor do que pela obra. Sem edições recentes, será uma das poucas obras da época a fazer alusão à homossexualidade mas como exemplo de degradação da sociedade. Na família do Barão de Lavos, personagem principal, persiste um clima mórbido, de comportamentos desviados e patológicos, resultantes da extensa consanguinidade. Tendo casado com uma burguesa, vai tendo pequenos encontros com um jovem, que traz para o círculo social. Este será um dos cinco volumes de um conjunto que o autor terá denominado de Patologia Social, sendo os restantes O Livro de Alda, Amanhã, Fatal Dilema e Próspero Fortuna.

Esta obra encontra-se disponível gratuitamente em formato digital através da Biblioteca Nacional de Portugal.

avelhicedopadreeterno_ed_i8.ilus

A primeira referência de David Soares foi a A velhice do padre eterno de Guerra Junqueiro. Poeta de esquerda, desvincula-se da primeira república e defende, até ao final, a ideia do regicídio. Este, A Velhice do padre eterno, será uma resposta a uma bula de 1885 que tinha como objectivo manter os estatutos dos estados papais reforçando a posição contra os ideais então revolucionários como a liberdade de expressão e o racionalismo. Ao apresentar mais alguns factos da vida de Guerra Junqueiro David Soares referiu outras das suas obras, como Horas de Luta e Vibrações Líricas.

Esta obra, A velhice do padre eterno, também se encontra disponível gratuitamente em formato digital, tanto na Biblioteca Nacional de Portugal, como no projecto Gutenberg.

alexandria

Voltando a Fernando Pinto do Amaral, a próxima referência é O Quarteto de Alexandria de Lawrence Durrell, um conjunto de quatro obras, cada uma com o nome de uma personagem. Com grande densidade psicológica das personagens, apresenta, nos três primeiros volumes, três perspectivas diferentes dos mesmos acontecimentos – mas sem linearidade. Tal como nos nossos pensamentos, apresenta os acontecimentos sem uma sequência cronológica (e nesta fase Fernando Pinto do Amaral refere o efeito de um caleidoscópio – curioso – recentemente ouvi a mesma comparação no lançamento de A Família de Valério Romão).

o+caos

Segue-se O Caos e a Noite, de Henry de Montherlant, apresentado por David Soares. O autor terá tido um berço tradicional, conservador como Guerra Junqueiro, mas de ideais à direita. Demasiado satírico, afirma, aquando da terceira república que o país estaria acabado, e passou a dizer mal da república nos jornais. A sua visão elitista é expressa quando a Alemanha conquista a França, afirmando que nada menos seria de esperar de um país enfraquecido pelos ideais que abraçou – posição que o conota de simpatizante com o regime nazi.

Em O Caos e A Noite a personagem principal é Celestino. Um homem rico, de boas famílias, que se juntou aos anarquistas na guerra civil espanhola. Vive na noite, paranoico – característica exacerbada quando lhe comunicam a morte da irmã e se vê obrigado a viajar a Madrid onde começa logo a ver terrores, pensando nos franquistas que estarão por toda a cidade.

a mulher pobre

David Soares passou então a A Mulher Pobre de Léon Bloy. Romancista católico, não se enquadra na categoria de romance como alegoria religiosa. A história decorre em torno de uma mulher pobre que serve de modelo para desenho a nu para um pintor. Apresentando-a no círculo de artistas, ficam surpresos pela nobreza de espírito que apresenta, fascinando pelas qualidades apesar de pobre de inculta.

A história em si terá um mistura de luz e treva, de podridão e redenção. Em torno de personagens corrompidas encontram-se outras, mais raras que são fonte de bondade, ainda que não possam ser santos – condição a que aspiraria o próprio autor que tentou levar vida de pobreza (referindo-se Histórias desagradáveis, outro livro do mesmo autor).

joaquim todos os contos e novelas

De seguida, Fernando Pinto do Amaral trouxe-nos dois irmãos, os autores Joaquim Paço D’Arcos e Henrique Paço D’Arcos. De família aristocrática, Joaquim Paço d’Arcos não se afasta dessa linha conservadora, mantendo-se à direita. Sem conotação política, retrata a vida da classe média / media alta, como em Crónica da Vida Lisboeta, expressando dilemas morais e existenciais, com muita hipocrisia social e ironia, mas sem pretensiosismo.

E já que se fala em Joaquim Paço D’Arcos, referiu-se também Maria Judite de Carvalho, contista que também apresenta personagens muito apagadas, afeitas ao quotidiano cinzento, sem o discurso habitual de uma condição que almeja a algo mais ou que alimenta a esperança de.

Já o irmão, Anrique Paço D’Arcos terá sido uma personagem mais apagada, com menor visibilidade social, apresentando na sua obra uma certa mística da tristeza e da melancolia (Poesias Completas).

IMG_7123

A próxima referência de David Soares é Diálogos em Roma de Francisco D’Ollanda, livro que causou espanto por parte da assistência, pelas ilustrações. O autor, artista lisboeta, terá sido enviado num périplo mediterrânico pelo rei para estudar as obras clássicas – ainda que se suspeite de um objectivo mais obscuro, estudar os desenvolvimentos bélicos. Durante estas viagens terá sido convidado a conversar com Miguel Ângelo, sendo estes Diálogos em Roma uma transcrição dessas conversas, sem prosa artística, quase jornalística.

enciclopedia

O último autor escolhido para a sessão foi Danilo Kis, por David Soares, com A Enciclopédia dos Mortos (que desconhecia ter sido publicado em Portugal) e Hourglass. O segundo, pesado e soturno, centra-se numa personagem que vai ser enviada para um campo, espelhando várias recordações e memórias, e permitindo ao leitor construir o percurso da personagem. No primeiro, A Enciclopédia dos Mortos, apresentam-se várias histórias partindo de um livro onde se encontram todas as pessoas que morreram desde 1798.

Últimas aquisições

IMG_6882

Conclusão. Estar de férias faz mal aos bolsos! Os dois primeiros são dois volumes de Clive Barker que adquiri numa passagem pela Livraria Bivar por me interessarem estas edições – ainda que goste de algumas obras do autor, já tinha o Weaveworld noutra edição mais moderna e o The Great and Secret Snow tenho em banda desenhada.

IMG_6896

Se passar na Bivar já era de prever a desgraça, passar no Sci-Fi LX já foi tentar o destino. Acabei por comprar dois livros de António de Macedo que há algum tempo queria, bem como um volume da Trema que me tinha escapado há uns anitos.

IMG_6918

Este volume da Trema possui textos de Luís Filipe Silva, Artur Coelho, João Campos e Rogério Ribeiro, entre outros. Do lado esquerdo encontra-se um dos volumes da colecção Fantástica da Colares Editora, onde encontramos obras como O Covil de Kafka, O Fantasma de Canterville de Oscar Wilde, ou O Magnetizador de E.T.A Hoffman.

IMG_6930

Do lado direito, O Veneno de Ofiúsa de Francisco Dionísio é uma aquisição em segunda mão de um dos volumes da breve colecção TEEN da Saída de Emergência. Há algum tempo que procuro os lançamentos TEEN de autoria portuguesa em preços mais em conta e acabei por aproveitar para adquirir este:

Numa luta entre deuses e homens, só os verdadeiros heróis poderão fazer a diferença. Chegou o tempo há muito anunciado em que os deuses deverão partir e deixar o destino da Terra entregue aos homens. Mas nem todos os deuses aceitam fazê-lo, e um terrível conf lito entre homens e divindades é inevitável. É neste cenário que dois jovens guerreiros, Anio e Camal, percorrem a Lusitânia em busca do guardião da joia da Deusa-mãe – uma pedra capaz de aniquilar as próprias divindades. Inspirado nos povos pré-romanos da Península Ibérica, “O Veneno de Ofiúsa” é uma viagem para um tempo mágico há muito esquecido. Estás preparado para a guerra com os deuses?

IMG_6942

Por último, The Water Knife é um dos últimos lançamentos de um dos meus escritores favoritos de ficção científica, Paolo Bacigalupi:

The American Southwest has been decimated by drought, Nevada and Arizona skirmish over dwindling shares of the Colorado River, while California watches. When rumors of a game-changing water source surface in Phoenix, Las Vegas water knife Angel Velasquez is sent to investigate.

With a wallet full of identities and a tricked-out Tesla, Angel arrows south, hunting for answers that seem to evaporate as the heat index soars and the landscape becomes more and more oppressive. There, Angel encounters Lucy Monroe, a hardened journalist who knows far more about Phoenix’s water secrets than she admits, and Maria Villarosa, a young Texas migrant who dreams of escaping north to those places where water still falls from the sky.

As bodies begin to pile up and bullets start flying, the three find themselves pawns in a game far bigger, more corrupt, and dirtier than any of them could have imagined. With Phoenix teetering on the verge of collapse and time running out, their only hope for survival rests in one another’s hands. But when water is more valuable than gold, alliances shift like sand, and the only truth in the desert is that someone will have to bleed if anyone hopes to drink.

Tony Chu Detective Canibal Vol. 2 – Sabor Internacional

IMG_6491

Felizmente não decorreu muito tempo desde a leitura do primeiro volume de Tony Chu (Ao Gosto do Freguês) para que o segundo ficasse disponível – Sabor Internacional. Mantendo a qualidade de publicação do primeiro, este volume traz-nos um Tony Chu que apresenta já uma maior maturidade e desenvoltura, contornando regras e tecendo planos para que alguns acontecimentos corram conforme desejado.

Relembro que, no volume anterior, Tony Chu tinha incorporado a FDA graças à estranha capacidade de captar as memórias dos animais e vegetais que come. Neste, Tony Chu consegue convencer o seu odiável de que é um inimigo quase mortal do seu antigo parceiro. Vendo uma oportunidade de o martirizar, o chefe junta-os numa equipa perfeita – é que o antigo parceiro já não é um comum mortal e durante a sua recuperação tornaram-se grandes amigos.

IMG_6512

Ainda assim, parece-me que ainda não é desta que veremos a total potencialidade desta nova parceria – encontrando uma estranha fruta com sabor a frango Tony Chu viaja sozinho para um dos estados federados da Micronésia onde se encontram outras personagens já conhecidas: o irmão, conhecido chefe que fecha os olhos a pequenas ilegalidades; e Amelia, a jovem crítica com poder de conseguir reproduzir, em quem lhe lê as críticas, o sabor da refeição.

Também não é desta que percebemos alguns dos acontecimentos pendentes do primeiro volume, apesar de serem descobertas algumas pistas. Esta história, carregada de pontos hilariantes afasta-se um pouco dessa componente da história, explorando a confiança recém-adquirida de Tony Chu enquanto detective e fazendo crescer a personagem.

IMG_6532

As características da história introduzidas  no primeiro volume já não são novidade – as capacidades de Tony Chu levam-no a provar os pedaços orgânicos mais estranhos e nojentos. Estas provas continuam em Sabor Internacional, ainda que, com menor impacto. Os episódios violentos em que as personagens descarregam as suas frustrações, também continuam, ainda que, pareceu-me, agora mais centrados no próprio Tony Chu.

Entre as explosões de violência e as provas nojentas de comida o nosso herói começa a criar a base para prosseguir os vilões das galinhas. Ainda que se perca o sabor da novidade com o perpetuar dos elementos já conhecidos, a história aguenta-se, criando dinamismo nas personagens e abrindo caminho para os próximos volumes. Sem dúvida, uma séries para continuar a ler.

Assim foi: Lançamento Da Família e Inventário do Pó

IMG_6820

Confesso que não estava a pensar aparecer, mas após um passeio em família vi-me disponível e sem vontade de  ir para casa. Foi quando me recordei do lançamento dos livros com conversa moderada por Joana Neves, mais conhecida pelo projecto Contos não vendem (a frase que supostamente se ouve de editores quando se fala em publicar antologias).

Comecemos pelo espaço, uma loja d’A Vida Portuguesa bastante mais agradável, quer em disposição quer em luminosidade, do que a loja mais conhecida na Rua da Anchieta. À entrada estava a decorrer uma degustação de refrescos mesmo a calhar com o calor que se fazia sentir depois de uma caminhada. No interior tive a surpresa de encontrar um espaço mais bem concebido para apresentações do que em muitas livrarias.

IMG_6840

E hoje é dia de confissões. O que fez aparecer foi o nome de Joana Bértholo, participante nos projectos da Prado (O caso do cadáver esquisito e Microenciclopédia micro-organismos, microcoisas, nanocenas e seus amigos de A a Z) desconhecendo totalmente o autor do outro livro, Valério Romão. No final, apesar de ter vontade de ler o da Joana Bértholo, fiquei mais curiosa com o livro Da Família de Valério Romão.

Após uma curta introdução começa-se por ler um conto de Valério Romão, onde se apresenta uma história psicótica que escala lentamente de violência, mas sempre num tom brando. Aliás a história apresenta-se do ponto de vista do narrador, um homem que escreve à esposa expressando indignação por se julgar incompreendido – que são umas chapadas bem dadas de vez em quando? E porque tenta ela traí-lo instigando os filhos a abandoná-lo quando se divertem tanto a torturar bichinhos?

Entre os vários contos os nomes das personagens serão repetidos, como um caleidoscópio em que várias partes resultam em combinações infinitas (comparação do próprio autor).

IMG_6841

Entre questões sobre processos de escrita, ideias por detrás dos livros e formatos preferidos (romance ou conto), Joana Bértholo leu um dos seus contos, onde a humanidade, farta de produzir tecnologia, inventa máquinas de produzir natureza iniciando-se a próxima moda – ter mais naturezas do que aquelas que se conseguem consumir.

Este conjunto de histórias terá um contexto comum, inspirando-se num familiar distante – não pretendem retratar episódios reais, mas terão tido origem na produção artística de René Bértholo e constituirão uma antologia coesa e lógica, com elementos surreais, quase fantásticos.

Colecção Bang! – Saída de Emergência

Há uns anitos não era só a colecção 1001 Mundos da Gailivro que lançava obras de fantasia e ficção científica. Pela Saída de Emergência tinhamos a Bang! que ainda persiste, embora com menor volume de lançamentos, e no seguimento da qual vários autores do género vieram a Portugal. Agora, por ocasião do lançamento do número 18 da revista de mesmo nome, alguns elementos da colecção encontram-se em promoção pela FNAC. Ainda assim, convém recordar que os volumes mais antigos da colecção se encontram a um preço excepcional no site da própria editora. Eis destaque para alguns dos livros que podem encontrar a preços que não ultrpassam os 7€.

IMG_6763

Na componente de ficção científica encontramos, entre outros, os clássicos Pavana de Keith Roberts, O Senhor da Guerra dos Céus de Michael Moorcock ou O Homem do Castelo Alto de Philip K. Dick. O lançamento do primeiro, Pavana, foi pouco comentado apesar de pertencer à colecção Sci-fi Masterworks. Apresenta-nos uma realidade alternativa através de várias histórias interligadas, onde a Inglaterra caiu sob as mãos dos espanhóis, mantendo-se a Inquisição durante longos séculos (opinião mais detalhada). Sendo, entre os publicados “recentemente”, um dos melhores do género, encontra-se agora a 5€.

IMG_6753

Entre os diversos volumes publicados nesta colecção destaca-se sem dúvida, para mim, o Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas. Encontrado por diversas vezes na secção de medicina das livrarias, é uma obra 100% ficcional onde diversos autores discorrem sobre doenças inventadas, relatando sintomas, causas e curas fantásticas. Para além do tipo de obra (um almanaque / dicionário inventado) destaca-se pela conjugação de participações estrangeiras e portuguesas – o volume não contem apenas as histórias da versão original, mas também algumas de autores portugueses que se juntaram com os seus relatos, finalizando um extenso volume. Mas as participações portuguesas nesta colecção não se ficam pela participação em antologias. David Soares é um dos nomes portugueses que mais encontramos, com obras como A Conspiração dos Antepassados, Batalha ou Lisboa Triunfante.

IMG_6720

De interior bastante ilustrado e cuidado, A Sombra Sobre Lisboa é uma antologia de contos lovecraftianos que possuem como cenário a capital portuguesa. As participações são maioritariamente portuguesas destacando-se as de João Barreiros, António de Macedo e David Soares. Grendel de John Gardner é outro dos lançamentos esquecidos desta colecção. Aqui a história é contada pelo ponto de vista do monstro que apenas pretende aproximar-se dos humanos mas é sempre mal percepcionado por conta do aspecto.

 

IMG_6741

Tendo esta entrada como intuito destacar os volumes da colecção que se encontram bastante acessíveis à carteira, não gostaria de deixar passar a oportunidade de referir brevemente, outros grandes lançamentos (e decerto esquecerei alguns). Autores de ficção científica como Richard Morgan (Forças do MercadoCarbono Alterado), Robert Charles Wilson (Darwinia) ou Paul McAuley (Anjos Pistoleiros e A Invenção de Leonardo) dificilmente teriam sido publicados em português noutras colecções portuguesas e no género de fantasia há que lembrar as séries Gormenghast de Mervyn Peake, Tigana de Guy Gavriel Kay ou Locke Lamora de Scott Lynch.

Os Favoritos (parte III)

(Os Favoritos – Parte I / Parte II)

Claro que não me podia ficar apenas pelos quatro autores apresentados, com tantas outras boas leituras que já tive oportunidade de apanhar. E ainda não é desta que começo a falar de autores portugueses.

IMG_6449

5 – Amin Maalouf

Não, não li todos os livros que foram publicados do autor em português. Infelizmente descobriu-o numa altura em que já estava a parar de ler romances históricos. Ainda assim, O Périplo de Baldassare destacou-se pelas aventuras atribuladas vividas por um mercador genovês no ano de 1665, ano de caos na Europa pela proximidade ao mítico número da besta, 666. Perto do que acreditavam ser o Fim do Mundo os homens começam a ter comportamentos pouco previsíveis e até erráticos.

IMG_6441

As Cruzadas Vistas pelos Árabes tem um tom bastante mais académico, descrevendo os acontecimentos que rodearam a Guerra Santa, pela perspectiva de quem viu a guerra trazida à sua Terra por bárbaros mal educados, pouco honrados e pouco civilizados – uma propagação de caos que iria fragilizar a zona às conquistas turcas.

IMG_6409

6 – Ursula (K.) le Guin

Aqui está um nome que não podia faltar. Começando pela vertente fantástica, a série The Earthsea é uma das melhores sagas do género que li. Para além do mundo bem estruturado destacam-se as personagens e o seu desenvolvimento ao longo da série. Apesar de poder ser lida por adultos, a saga encontra-se publicada em português na colecção Estrela do Mar da Editorial Presença.

IMG_6423

Mas passando à vertente de ficção científica da autora, que se encontram, também, entre os meus favoritos no género. Claro que The Left Hand of Darkness ou The Dispossessed são incontornáveis referências ao nos apresentarem civilizações humanas onde pequenas diferenças resultam em utopias distópicas – mundos onde a perfeição é relativa, resultando em obras de elevada carga política e social, que conferem vasto alimento para introspecção.

Dentro do mesmo ciclo encontramos The Word for the World is Forest, um visceral livro de conflito entre duas civilizações planetárias humanas, que relembra a intensiva colonização pelos Europeus, com a exploração desenfreada dos recursos naturais, e o tratamento pouco civilizado dos habitantes de outros continentes.

IMG_6429

Já na ficção curta há a destacar The Ones Who Walk Away from Omelas, uma poderosa história utópica que esconde, também, uma distopia. Mas não devem ser esquecidas as obras menos conhecidas. The Lathe of Heaven apresenta-nos um homem capaz de modelar a realidade com os seus sonhos, Changing Planes centra-se na capacidade de mudar de plano de existência enquanto se espera por um avião.

Últimas aquisições

IMG_6563

E estas foram as mais recentes aquisições, quase todas aproveitando as promoções da Bertrand de pelos menos 20% em todos os livros. O primeiro, Os sete loucos é um dos recentes lançamentos da Cavalo de Ferro que tem estado no meu radar há alguns meses:

Em risco de ir parar à prisão por ter desfalcado a empresa onde trabalha, abandonado pela mulher e frustrado nas suas pessoais ambições de genial inventor, Remo Erdosain, angustiado pelo rumo que a sua vida tomou, procura a solução dos seus problemas nas ruas mal-afamadas de Buenos Aires. É nestas que entra em contacto com um obscuro grupo de conspiradores que planeia instaurar no país um novo regime político que sirva os seus próprios interesses, uma combinação ideológica de populismo, comunismo e fascismo, assente na mentira e financiado pela gestão de
uma rede de bordéis.

Publicado em 1929, em vésperas da ditadura argentina, que antecipou de forma profética, Os sete loucos é considerado um dos romances que inauguram a moderna literatura argentina e fonte de inspiração para autores como Cortázar, Sábato e Onetti. Uma obra-prima literária de visionarismo e ironia, uma «viagem ao fim da noite» em tons sul-americanos.

 

IMG_6643

Por sua vez, O que esperam os macacos de Yasmina Khadra possui uma capa repelente (não pela capa em si, mas por se assemelhar à das obras românticas de tom repetitivo). O facto de ser um livro muito badalado não auspicia uma grande obra, mas tanto o título como a sinopse convenceram-me a dar-lhe uma oportunidade:

Uma jovem estudante é encontrada assassinada na floresta de Baïnem, perto de Argel. Uma mulher, Nora Bilal, é encarregada de conduzir a investigação, longe de pensar que a sua rectidão é um perigo mortal num país entregue aos tubarões de águas turvas.”Que Esperam os Macacos” é uma viagem pela Argélia de hoje onde o Mal e o Bem se sentem constrangidos no meio dos malefícios naturais dos homens.

IMG_6650

A Misteriosa Mulher da Ópera relembrou-me, em conceito, O Caso do Cadáver Esquisito, publicado pela Prado onde, também, vários autores se juntaram para contar uma história. Tendo ambos a participação de Afonso Cruz, resolvi experimentar:

Um desafio. Sete autores. Catorze mãos. Sete personagens inesquecíveis. Uma única história. Uma trama arrebatadora que contém de tudo, desde crimes misteriosos, o fantasma de uma avó violinista, flûtes de champanhe, um gato persa chamado Psiché que por vezes se vê obrigado a fazer de pêndulo de Foucault, uma caixa de violino suspeita de assassinato, uma taberna onde se canta o fado em Xabregas, e amor, amor em catadupas, uma grande paixão, desencontros terríveis, equívocos inexplicáveis, reencontros inesperados. A aventura vai das avenidas de Paris, à Rua Heróis de Quionga, ao Teatro Nacional de São Carlos, ao cais de Xabregas e a um cacilheiro que parte para Veneza deixando um cadáver para trás.

O último do conjunto de novas aquisições é o segundo volume de Tony Chu, publicado em Portugal pela G Floy, em preço e formato atraente.

Promoções: Editorial Presença: Hora H

Fase-1-header-diaH

É só hoje, mas ainda vão a tempo. A Editorial Presença encontra-se com descontos em todos os livros, com grande maioria a chegar aos 50%. Entre as obras que se encontram abrangidas pelos 50% podem encontrar A Verdadeira Invasão dos Marcianos de João Barreiros, Nome de Código de Portograal de Luís Corredoura, vários livros de Philip K. Dick e Ursula Le Guin, Little Brother de Cory Doctorow, Chocky de Wyndham ou Mais que humano de Theodore Sturgeon.

Os Favoritos (parte I)

Acho que na últimas semanas já me perguntaram umas cinco ou seis vezes pelos meus autores favoritos. Pergunta difícil para quem já leu vários géneros e vários autores – é daquelas perguntas que me param a fala pela quantidade de informação que me enche o cérebro ainda que efectivamente exista uma lista de favoritos. Nunca me dediquei foi a compilá-la por ser uma lista volátil. De certeza que vou ler novos livros e (espero) encontrar novos autores, ou de certeza que noutro dia qualquer me recordo de mais qualquer coisa que li algures no tempo.

IMG_6091

Ray Bradbury

Raramente falo deste autor e nem sempre estou com disposição para ler algo dele. Preciso de estar no ponto para apreciar as loucuras de alguns contos ou as ideias curiosas de outros. Mas sempre que leio fico rendida. Entre contos e versões digitais o que li não há-de chegar a metade. Na verdade nem a um décimo. E ainda assim, é um dos meus autores favoritos, apesar da relação amor-ódio que tenho com algumas das suas histórias.

Para todos os que gostam de livros a premissa de Fahrenheit 451 é arrepiante por se centrar na queima destes objectos, bem como na felicidade de advém da ignorância. Reminiscências desta história podem ser encontras no espectacular Crónicas Marcianas, a última leitura do autor, onde me perdi na sucessão de contos absurdos sobre a colonização humana de Marte em que nunca se sabe o que espera os exploradores. O primeiro teve pelo menos duas edições em português (pela Livros da Brasil e pela Europa-América).

IMG_6075

Mas claro que existe um lugar especial para as histórias de Something Wicked This Way Comes ou I Sing the Body Electric, que roçam a ténue fronteira entre o sonho e o pesadelo, explorando por vezes o lado humano com as reacções face a situações insólitas e inquietantes. O primeiro foi publicado recentemente pela Saída de Emergência como Algo Maligno Vem Aí.

IMG_6125

2. Colleen McCullough

Não estou a falar da Colleen McCullough que trazia o pão à mesa escrevendo tórridos romances baratos e simplistas para entreter donas de casa entediadas, mas sim da sua faceta que escreveu a série O Primeiro Homem de Roma. Sei que já li esta série há demasiados anos e que provavelmente não iria ter hoje a mesma opinião. Mas vejamos o contexto da ficção histórica disponível no mercado português onde se destacam alguns bons autores rodeados de escrita a metro, onde esta série se destacava não só por explorar a componente história (com margem para interpretação e desenvolvimento ficcional) mas sobretudo pela complexidade e densidade das teias políticas na sociedade romana intercaladas com estratégias de guerra – ou não fossem os romanos os pais da burocracia a par com a política e corrupção que haveriam de levar a sua sociedade ao declínio.

 

IMG_6132

Publicada em português pela DIFEL a preços proibitivos, mas por longos anos cobiçada, esta foi uma das séries que me fez começar a encomendar em inglês pela diferença no orçamento. E apesar da densidade da narrativa sobrevivi. Julgo que o interesse que a história me despertou derivou também da minha paixão pelas civilizações antigas em conjugação com o prazer dos jogos de estratégia mas terá sido mantido pela mestria com que a autora caracteriza personagens como Cícero, Gaio Mário ou Sula (para já não falar de César).

(continua…)

Assim foi: David Brin Lecture

IMG_6045

Chegada à livraria, é no andar de baixo que nos espera David Brin – um autor carismático com vários livros publicados em Portugal pela Europa-América, na colecção de ficção científica. Como em qualquer evento em Portugal esperaram-se mais dez minutos para além da hora não fosse alguém chegar atrasado e foi neste compasso de espera que aproveitei para questionar se o autor iria poder assinar livros. A resposta não só foi positiva, como o autor tratou logo de sacar da caneta e autografar os 13 livros que levei. Sim. 13. E ainda ficaram alguns cá por assinar.

 

IMG_5750

A sessão iniciou-se com uma introdução de Maria Paula, onde se resumem alguns dos princípios fundamentais de cada um dos livros de David Brin. Após este resumo David Brin começa por apresentar alguns dos livros que tenta espelhar nas suas histórias: resistência à autoridade, excentricidade, diversidade, tolerância e individualidade. Partindo destes princípios, e passando por clássicos como 1984 de Orwell e Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley o autor continuou dissertando sobre a evolução da sociedade.

Após alguns minutos foram óbvias as bases em torno das quais rodavam as ideias apresentadas: a comparação entre a estrutura hierárquica fixa (triângulo típico característico da idade média) e a estrutura mais dinâmica em losango da sociedade actual; o ridículo da unidimensonalidade da política (esquerda e direita); ou o colectivo como suporte ao indivíduo. Entre estes conceitos é de realçar a opinião de David Brin sobre a vigilância em que refere que esta deveria servir para vigiar todos (ao menos seria igualitária).

 

IMG_5768

Mas houve mais. Ideias de como contornar a sociedade consumista ou breves noções da evolução do ser humano na literatura enquanto criador (de realçar os exemplos tradicionais de Frankenstein e Ilha do Dr. Moreau mas também A Guerra da Elevação do próprio autor). Finalmente, entre perguntas da audiência falou-se também do conceito de overmind, sendo perspectiva do autor de que esta poderia surgir como mais uma camada na psique humana, uma mente partilhada e comum.

Claro que estas são poucas linhas para descrever o muito que o autor falou de vários temas, alguns dos quais são visíveis nos livros, aproveitando o autor, também para publicitar o seu mais recente livro. Concordando-se (ou não) com algumas das ideias apresentadas, há que lhe dar o crédito devido – David Brin é um excelente orador que explorou algumas teorias interessantes de forma coerente, tendo esta sido uma sessão bastante envolvente, não só pela ficção científica, como pelas ideias expostas.

Últimas aquisições

IMG_5793

Entre passagem na FNAC com cheque oferta, e a livraria Fyodor, estas foram as últimas aquisições. No topo encontra-se Robot Dreams, uma compilação de histórias de Isaac Asimov cujo título me relembra o tão conhecido Do Androids Dream of Electric Sheep de Philip K. Dick. A compilação abre com Little Lost Robot, um conto publicado na Astounding Science Fiction que terá sido adaptado na série televisiva Out of this world. Entre as restantes histórias destaca-se também a história que dá título ao livro, Robot Dreams que terá sido nomeada para um prémio Hugo, ou The Martian Way, uma das escolhidas dentro das melhores novelas de 1965.

IMG_5833

À direita encontra-se EVE de Tony Gonzales:

A clone with no name or past awakens to a cruel existence, hunted mercilessly for crimes he may never know; yet he stands close to the pinnacle of power in New Eden.A disgraced ambassador is confronted by a mysterious woman who knows everything about him, and of the sinister plot against his government; his actions will one day unleash the vengeful wrath of an entire civilization.

And among the downtrodden masses of a corporation-owned world, a man named Tibus Heth is about to launch a revolution that will change the course of history. The confluence of these dark events will lead humanity towards a tragic destiny. The transcendence of man to the dream of immortality has bred a quest for power like none before it; empires spanning across thousands of stars will clash in the depths of space and on the worlds within. Those who stand before the tides of war, willingly or not, must face the fundamental choices that have been with man for tens of thousands of years, unchanged since the memory of Earth was lost.

This is EVE, The Empyrean Age. A test of our convictions and the will to survive.

IMG_5817

Aqui estão duas primeiras edições, dois livros que provavelmente nunca foram lidos – as páginas custam a abrir. A conjura de José Eduardo Agualusa retratará sonhos africanos de há largos anos:

Entre 1880 e 1911, na velha cidade de S. Paulo da Assunção de Luanda, histórias se passaram que a História não guardou. Histórias de amores e de prodígios: rumores que persistem em antigas canções. Nessa época, de turbulentos sucessos e mudanças, quando nas ruas de Luanda se cruzavam as tipóias dos nobres senhores africanos com as quibucas de escravos e os degredados víndos do Reino se entranhavam pelos matos em busca de fortuna, nessa época todos os sonhos eram ainda possíveis. “A Conjura” conta um desses sonhos. Talvez o maior…

IMG_5837

Eis os que foram, para mim, dois dos grandes lançamentos de banda desenhada nos últimos tempos (a par, claro, com o volume 2 de Saga). O livro de André Oliveira já o li e contem excelentes histórias curtas ilustradas por diferentes e interessantes estilos.

Maio de 2015

Aqui fica mais um resumo mensal sobre ficção especulativa em Portugal. Esta listinha resume o que achei mais interessante este mês em solo nacional (ou sobre projectos portugueses). Claro que se resume ao que tive acesso, existindo de certeza mais artigos que poderiam cá constar. Convido a deixarem novos blogs a seguir ou outros artigos que tenham achado interessantes.

estamos todos_

Lançamentos Nacionais Relevantes

Este foi um bom mês para os lançamentos nacionais:

O Grande Bazar – Peter V. Brett – Asa;

Número zero – Umberto Eco – Gradiva;

Os bebés de água – Charles Kingsley – Tinta-da-china;

A pedra das águas – Terry Goodkind – Porto Editora;

A espada de Shannara – Terry Brooks – Saída de Emergência;

Estamos todos completamente fora de nós – Karen Joy Fowler – Clube do autor;

O Dragão de gelo – George R. R. Martin – Gailivro;

Viagens de Chapéu – Susana Cardoso Ferreira – Oficina do livro.

Críticas interessantes

wayward_

Ficção científica

Dreaming 2074 – Vários autores – Intergalacticrobot;

The Lifecycle of Software Objects – Ted Chiang – Que a Estante nos Caia em Cima;

Wayward Pines – Blake Crouch – Livros, livros e mais livros;

O Guardião de Memórias – Lois Lowry – Folhas do Mundo;

Over the top – Vários autores – Intergalacticrobot;

Mais que humano – Theodore Sturgeon – Que a Estante nos Caia em Cima;

insonho 2

Fantasia

Insonho: Durma bem – Vários autores – Que a Estante nos Caia em Cima;

Monstros fantásticos e onde encontrá-los – Newt Scamander – Deus me Livro;

A Ironia e Sabedoria de Tyrion Lannister – George R. R. Martin – Leituras do Corvo;

As Terras Devastadas – Stephen King – Nuno Ferreira;

A Lâmina – Joe Abercrombie – Livros, livros e mais livros;

O Dragão de gelo – George R. R. Martin – Deus me Livro;

Solomon – Carlos Pedro – aCalopsia;

Sete minutos depois da meia-noite – Patrick Ness – Uma Biblioteca em Construção;

Roy Just Wants to Have Fun – Victor Frazão – Uma Biblioteca em Construção;

Dias de sangue e glória – Laini Taylor – Deus me Livro;

Deixa-me entrar – John Ajvide Lindqvist – Livros, livros e mais livros;

Universos Literários – Vários autores – Floresta de Livros;

O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro – Deus me Livro;

saga_

Banda desenhada

Mort Cinder – Héctor Oesterheld – Intergalacticrobot;

Bando de dois – Danilo Beyruth – As leituras do Pedro;

Saga (Vol. 1 e 2) – Brian Vaughan – Leituras de BD;

O Cavaleiro de Westeros – George R. R. Martin – Leituras do Corvo;

O Long Halloween – Jeph Loeb – Que a Estante nos Caia em Cima;

Fatale (Vol. 2) – Ed Brubaker e Sean Philips – As leituras do Pedro;

O livro do Mr. Natural – Robert Crumb – Intergalacticrobot;

alquimista

Outros

As Cidades Invisíveis – Italo Calvino – Nuno Ferreira;

A Alquimista das Cores – Aimee Bender – As Leituras do Corvo;

fran

Outros Artigos

– Quem tem medo de Palmer Eldritch – Máquina de Escrever;

– O Templo do Espírito Santo – Flannery O’Connor – Contos não Vendem;

– “Frankenstein” na Quinta da Regaleira – Câmara Municipal de Sintra;

– Entrevista a Lauren Beukes – Jornal i;

– Hazul por Hazul – Diário de Notícias;

– Reportagem Antena 1 sobre banda desenhada – RTP;

Science Fiction and Fantasy Books at Bivar Bookshop;

– 17 Imagens que colocam Portugal no Centro da Arte Urbana – Green Savers;

Eventos

– Outras literaturas: Ficção científica – Intergalacticrobot;

– Sustos às sextas V – Intergalacticrobot;

– Feira do Livro do Centro de Recursos Poeta José Fanha – Intergalacticrobot;

– XI Festival Internacional de BD de Beja – Leituras de BD – Fotoreportagem e Opinião;

– Tolkien: Constructor de Mundos – Viagem a Andrómeda [mini];

Recordar os Esquecidos;

Resumos mensais anteriores

Fevereiro 2015

Março 2015

Abril 2015

Últimas aquisições

IMG_5665

Ou como me desgracei na Feira do Livro. Sim, estas foram as aquisições de uma passagem rápida (1H) em que aproveitei algumas das promoções que me interessavam. Logo na entrada da feira deparo-me com os stands dos alfarrabistas, completamente atoladas de visitantes. Entre os vislumbres lá encontrei este volume da Afrodite, O Encoberto de Natália Correia.

IMG_5686

A próxima paragem foi no stand da Tinta da China e lá aproveitei um bom desconto num dos livros da colecção de literatura de viagem, neste caso um livro carregado de peculiares ilustrações:

Sempre acompanhado de um caderno onde se misturam desenhos e anotações, tenho viajado pela chamada “Etiópia histórica”.
Escrevo e desenho para lembrar o que é desaparecer do meu mundo habitual e continuar ainda assim vivo, podendo ver, ouvir, cheirar e falar. Faço-o para criar um testemunho gráfico do que sinto como viagens de ida e volta a um mundo ao contrário. Quando viajei pela primeira vez para a Etiópia, em 1999, ressuscitei um prazer que me tinha negado durante anos, desde a traumática perda de um caderno de desenhos em Tavira: o de desenhar desperocupada mas obsessivamente quando viajo. Desde então, tenho uma consciência mais aguda do que implica fixar, em caderno, clichês memoriais: enquanto viajo, o desenho não passa de um subproduto irrelevante da minha actividade de desenhador e fixador de visões, mas quando regresso a casa o desenho torna-se um precioso catalisador da memória e do imaginário.

IMG_5694

Claro que não podia deixar de aproveitar a boa promoção do vencedor do prémio Adamastor, Nome de Código Portograal de Luís Corredoura, que há algum tempo se mantém na minha lista de desejos. Por sua vez Estamos todos completamente fora de nós de Karen Joy Fowles é um lançamento recente que, olhando apenas para a capa, dificilmente me teria interessado:

Aplaudido pela crítica e pelos leitores, Estamos todos completamente fora de nós é um romance sobre pessoas afetuosas, mas humanas, cujas boas intenções desencadeiam consequências devastadoras para aqueles que mais amam.

Quando tinha cinco anos, Rosemary foi passar o verão a casa dos avós. Ao regressar para junto da família, descobre que a irmã desapareceu e, mais inquietante ainda, esse é um assunto de que não se fala. Os anos passam e ela permanece filha única apesar de em tempos ter tido uma irmã da sua idade e um irmão mais velho. Ambos desapareceram. Lowell é um fugitivo, procurado pelo FBI. Mas onde está Fern, a sua cúmplice, a sua alma gémea?

IMG_5704

Finalmente, dois volumes de uma banda desenhada que, como livro do dia, me despertou interesse.

 

Assim foi: Sustos às sextas (Sessão de 15 de Maio)

sustos 1

Foto retirada da página oficial do Evento

À entrada esperavam-nos árvores aparentemente fantasmagóricas – grandes esculturas que a parca iluminação fazia alongar os ramos, em assombrosas sombras de braços longos – tudo apropriado ao evento que se seguia, a última sessão da primeira temporada dos Sustos às Sextas, que tem ocorrido mensalmente.

IMG_5383

Depois da usual visita às salas de exposição, que desta vez continuam aquosas e fantásticas obras de arte, eis que se inicia a sessão, com um pequeno resumo de todo o ciclo, onde se realçaram as várias vertentes do evento (desde a música, ao teatro, passando pela literatura e pelo cinema) – um pequeno resumo que recorda a necessidade de existirem eventos diferentes, fora dos tradicionais moldes e temáticas.

5

Foto retirada da página oficial do Evento

E eis que se inicia a apresentação de Rogério Ribeiro que seguiu a divergência do sobrenatural e da ciência ao longo das últimas décadas, onde o moralismo mais fechado da ditadura portuguesa afastou o tema espiritismo dos circuitos da normalidade, ainda que, na literatura, tenham continuado associados, principalmente nos mais conhecidos clássicos do género.

2

Depois da leitura do conto Aniversário, vencedor do Concurso Literário de Contos de Terror, seguiu-se o Questionário de Terror que se tornaria um dos momentos mais divertidos do evento pela interacção entre as equipas. Depois de uma animada disputa pelo título os vencedores foram dois especialistas no género, David Soares e Gisela Monteiro.

Notou-se a vontade e o esforço dos organizadores, mas essencialmente o prazer, em apresentar temas e vertentes variadas do Horror, com especial destaque para o trabalho de vários portugueses.Agora é aguardar que haja oportunidade para uma segunda temporada do Evento ao qual já nos tínhamos habituado!

Últimas aquisições

IMG_5210

Com alguns adquiridos em segunda mão, outros em promoção, o conjunto desta semana tem especial destaque para o segundo volume de Saga pela G Floy – finalmente vou poder continuar esta série fantástica e desesperar então pelo terceiro:

Dois soldados de lados opostos de um imenso conflito apaixonam-se, e correm o maior dos riscos: criar uma nova vida, que vai constituir uma ameaça tremenda à narrativa belicista de uma galáxia em guerra. Hazel, a recém-nascida filha de Alana e Marko, já sobreviveu a assassinos a soldo, exércitos em batalha e monstros terríveis, mas, no vácuo gelado do espaço, irá encontrar um desafio bem diferente… os seus avós.

IMG_5228

Vencedor do prémio Nobel de 1961, Ivo Andric é o autor de O Pátio Maldito. Lançado em português pela Cavalo de Ferro, parece uma leitura interessante para os próximos dias:

 Frei Petar, monge bósnio cristão, é preso por engano e encarcerado na prisão de pior reputação duma Istambul, então Constantinopla, capital do Império Otomano: «O pátio maldito». Nesta, cruzam-se assassínos, violadores, assaltantes, conspiradores, mas também inocentes e falsos acusados de todas as classes e religiões, cada qual com um percurso, uma história e várias mentiras.

No «pátio maldito», o frade vai conhecendo as histórias dos seus companheiros de infortunio. A sua voz vai-se diluíndo nos muitos relatos dos outros prisioneiros até desaparecer entre as diversas histórias que ouve, as mentiras que cada um inventa e as diferentes noções de justiça e de realidade… Entre ódios e recordações vão-se misturando presente e passado, realidade e ficção, numa história de histórias.

Uma notável metáfora sobre a harmonia entre os homens em condições adversas. Andric descreve os processos pelos quais a História se entranha na vida dos indivíduos e neles se reflete, num eterno jogo entre o particular e o universal, ao mesmo tempo que põe a nu a raiz dos conflitos que têm assolado os Balcãs ao longo dos séculos.

IMG_4864

Já o da direita, Uma Ilha na Lua, promete não ser uma leitura pacífica:

Texto em prosa, esta farsa inclassificável de Blake, Uma Ilha Na Lua, escarnece da pretensão científica. Uma Ilha Na Lua é uma obra inacabada e incompleta, constituída por um conjunto de diálogos e canções sem um nexo óbvio, a não ser o facto de constituírem paródias da conversação de homens e mulheres burgueses nos serões literários e musicais dos círculos londrinos frequentados por William Blake na penúltima década do século XVIII. Nas conversas e canções afloram temas como a educação da criança,  a ciência moderna, as relações entre sexos, a moda ou a religião. Através de um grupo singular de habitantes da lua, cujos nomes alegóricos tipificam as personagens, são postas em cena, por vezes de forma absurda, um conjunto de práticas artísticas, educativas, religiosas e científicas.

Trata-se, de certo modo, de um talk-show do século XVIII, em que a conversação pública tem lugar nos salões polidos onde a burguesia pratica a troca de ideias. No texto de Blake surgem lado a lado o laboratório químico, o púlpito, a sala de aula e a sala de estar, numa espécie de zapping sobre os tópicos de conversa que faziam a agenda do dia. As personagens incluem filósofos, matemáticos, arqueólogos, cirurgiões, químicos. Fazem-se experiências, especula-se, bebe-se e canta-se.

IMG_5242

E porque um Nobel nunca vem só, eis Estrela Errante de J.M.G.Le Clézio, acompanhado por Bestiário de Julio Córtazar:

Volume composto por oito famosos contos, publicado originalmente em 1951, “Bestiário” de Julio Cortázar é um dos marcos da carreira deste autor e da moderna literatura.

Animais invisíveis, como o tigre do conto que dá título ao volume, que se desloca a seu bel-prazer pelos quartos de uma casa, obrigando a família que ali vive a mil cuidados e precauções a fim de evitar encontros indesejados; animais imaginários, como as “mancúspias” que anunciam as fases da Cefaleia; animais que despontam do nada, como os coelhinhos da “Carta a uma rapariga em Paris”; ou outros ainda subjugados ao poder de feitiçarias arcaicas que ganham novas formas e sentidos em “Circe”, todos eles compõem este bestiário fantástico de Julio Cortázar, no qual a descrição realista de atmosferas familiares faz luz sobre a vida secreta de uma sociedade povoada por tensões misteriosas e irracionais.

IMG_4874

Eis por sua vez, Bestas de Lugar Nenhum de Uzodinma Iweala e Tratado da vida sóbria de Alvise Conaro, o primeiro sobre guerras que envolvem crianças, o segundo uma visão interessante do efeito do meio na saúde. Eis parte da sinopse:

O seu Tratado da Vida Sóbria – uma das mais famosas autobiografias da Renascença – continua a pôr em causa a corporação médica mundial, por esta se ter esquecido da base biológica que rege o corpo humano a partir da escolha dos alimentos, da sua qualidade e, sobretudo, da justa medida de calorias necessárias a cada pessoa, individualmente, pois todos os estudos mais ou menos científicos apontam o excesso (ou a carência) como principal causa de disfunções graves.

Este livro é também anticonsumo, anticapitalista, um hino à alegria de viver com saúde e, acima de tudo, um sério aviso àqueles que se submetem cegamente aos poderes da medicina, depois manipulados e explorados de acordo com os interesses dos consultórios e das multinacionais que fabricam os medicamentos.

IMG_5226

Finalmente, estes dois livros de aspecto sombrio são os dois últimos volumes da colecção Novela Gráfica, lançada pela Levoir com o Público.

 

À espera de … (lançamentos internacionais)

1 loose

Depois de várias antologias apocalípticas descrevendo cenários de fim da humanidade pelos mais diversos motivos, eis uma nova colectânea, mais focada em desastres ambientais. A listagem de autores incluídos auspicia uma boa amostra de histórias:

Collected by the editor of the award-winning Lightspeed magazine, the first, definitive anthology of climate fiction—a cutting-edge genre made popular by Margaret Atwood.

Is it the end of the world as we know it? Climate Fiction, or Cli-Fi, is exploring the world we live in now—and in the very near future—as the effects of global warming become more evident. Join bestselling, award-winning writers like Margaret Atwood, Paolo Bacigalupi, Kim Stanley Robinson, Seanan McGuire, and many others at the brink of tomorrow. Loosed Upon the World is so believable, it’s frightening.

2 library

Atraem-me histórias sobre livros e bibliotecas – e esta, estará de acordo com a expectativa elevada que estabelece?

Carolyn’s not so different from the other people around her. She likes guacamole and cigarettes and steak. She knows how to use a phone. Clothes are a bit tricky, but everyone says nice things about her outfit with the Christmas sweater over the gold bicycle shorts.  After all, she was a normal American herself once.

That was a long time ago, of course. Before her parents died. Before she and the others were taken in by the man they called Father. In the years since then, Carolyn hasn’t had a chance to get out much. Instead, she and her adopted siblings have been raised according to Father’s ancient customs. They’ve studied the books in his Library and learned some of the secrets of his power. And sometimes, they’ve wondered if their cruel tutor might secretly be God.

Now, Father is missing—perhaps even dead—and the Library that holds his secrets stands unguarded. And with it, control over all of creation. As Carolyn gathers the tools she needs for the battle to come, fierce competitors for this prize align against her, all of them with powers that far exceed her own. But Carolyn has accounted for this. And Carolyn has a plan. The only trouble is that in the war to make a new God, she’s forgotten to protect the things that make her human.

3 snuff

Nem toda a ficção tem de ser anglosaxónica – de origem russa tem uma descrição deveras peculiar:

Damilola Karpov is a pilot. Living in Byzantium, a huge sky city floating above the land of Urkaina, he makes his living as a drone pilot – capable of being a cameraman who records the events unfolding in Urkaina or, with the weapons aboard his drone, of making a newsworthy event happen for his employers: ‘Big Byz Media’. His recordings are known as S.N.U.F.F.: Special Newsreel/Universal Feature Film.

S.N.U.F.F. is a superb post-apocalyptic novel, exploring the conflict between the nation of Urkaina, its causes and its relationship with the city ‘Big Byz’ above. Contrasting poverty and luxury, low and high technology, barbarity and civilisation – while asking questions about the nature of war, the media, entertainment and humanity.

4 cities

In the fantastical, gaslit underground city of Recoletta, Oligarchs from foreign states and revolutionaries from the farming communes vie for power in the wake of the city’s coup. The dark, forbidden knowledge of how the city came to be founded has been released into the world for all to read, and now someone must pay. Inspector Liesl Malone is on her toes, trying to keep the peace, and Arnault’s spy ring is more active than ever. Has the city’s increased access to knowledge put the citizens in even more danger? Allegiances change, long-held beliefs are adjusted, and things are about to get messy!

Abril de 2015

Aqui fica mais um resumo mensal sobre ficção especulativa em Portugal. Esta listinha resume o que achei mais interessante este mês em solo nacional (ou sobre projectos portugueses). Claro que se resume ao que tive acesso, existindo de certeza mais artigos que poderiam cá constar. Convido a deixarem novos blogs a seguir ou outros artigos que tenham achado interessantes.

gigante 2

Lançamentos Nacionais Relevantes

Talvez por causa da proximidade da Feira do Livro, ou simplesmente coincidência, este foi um bom mês para a ficção especulativa

O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro – Gradiva;

O Homem do Castelo Alto – Philip K. Dick – Saída de Emergência (é uma nova edição);

Dias de sangue e Glória – Laini Taylor – Porto Editora;

Bestiário – Julio Cortazar – Cavalo de Ferro;

A Música do Silêncio – Patrick Rothfuss – Asa;

Fatale Vol.2 – G Floy;

Saga Vol.2 G Floy;

long2

Críticas interessantes

Ficção científica

Continuam a ser poucos os que criticam SF, mas eis alguns relevantes:

The New Atlantis – Ursula K. Le Guin – Nuno Ferreira;

The Long Tomorrow – Leight Brackett – Intergalacticrobot;

Seventy-two Letters – Ted Chiang – Que a Estante nos Caia em Cima;

Contos vários Fantasy&Co – Tales of Gondwana – estão a ser comentados vários dos contos disponíveis gratuitamente, alguns de autores já conhecidos de antologias portuguesas como Ricardo Dias, Carina Portugal ou Pedro Cipriano;

Behold the Man – Michael Moorcock – Intergalacticrobot;

insonho 3

Fantasia

De realçar o aparecimento contínuo de livros de autores portugueses:

A segunda vinda de Cristo à Terra – João Cerqueira – Uma Biblioteca em Construção;

Insonho: Durma bem – Vários autores – Intergalacticrobot;

O Lobatruz e outras desventuras – Judith Nogueira – Deus me Livro;

Bons Augúrios – Neil Gaiman e Terry Pratchett – Nuno Ferreira;

A cada dia – David Levithan – Floresta de Livros;

A Música do Silêncio – Patrick Rothfuss – Uma Biblioteca em Construção;

Coisas frágeis – Neil Gaiman – Nuno Ferreira;

mucha 2

Banda desenhada

Mucha – David Soares – Intergalacticrobot;

A Metrópole Féerica – José Carlos Fernandes – aCalopsia;

Le Confesseur Sauvage – Philippe Foerster – As Leituras do Pedro;

A Arte de Voar – Altarriba e Kim – Intergalacticrobot;

Comprimidos azuis – Frederik Peeters – Leituras de BD;

Em Busca de Peter Pan – Cosey – As Leituras do Pedro;

Moonhead and the Music Machine – Andrew Rae – Máquina de escrever;

Outros

Os que não me parecem encaixar directamente em nenhuma das categorias anteriores:

História Universal da Infâmia – Jorge Luís Borges – Deus me Livro;

Swan song – Robert McCammon – Intergalacticrobot;

sdom 2

Outros Artigos

Estranhos são os dias em que estou a adicionar uma ligação ao Correio da Manhã…

Colecção Universo Marvel – Que a Estante nos caia em cima;

Um desabafo e uma bela colecção de banda desenhada – Caderião Voltaire;

Bairro problemático na periferia de Lisboa vira galeria de Arte – Conexão Lusófona;

Tracking with close-ups (7) – Viagem a Andrómeda – e porque o título diz muito pouco, fala-se de Terry Pratchet;

A Ficção de ideias de Ted Chiang – Que a Estante nos caia em cima;

Corrida infestada de Zombis em Sintra – Correio da Manhã;

Muitos poucos dedos de conversa sobre cinema de forma quase nada informada – Ficções Distópicas – Que a Estante nos caia em cima;

Luís Corredoura galardoado com um encouragement award – Jornal de Mafra;

Eventos

Sustos às sextas – espreitem também a perspectiva em Intergalacticrobot, bem como os vídeos em Cadernos de Daath,

Animacomics 2015 – Intergalacticrobot, aCalopsia;

Festival In – Intergalacticrobot – as coisas interessantes que se puderam ver na FIL, ficção científica tornada realidade;

Recordar os Esquecidos.

Resumos mensais anteriores

Janeiro 2015

Fevereiro 2015

Março 2015