Promoções: Editorial Presença: Hora H

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É só hoje, mas ainda vão a tempo. A Editorial Presença encontra-se com descontos em todos os livros, com grande maioria a chegar aos 50%. Entre as obras que se encontram abrangidas pelos 50% podem encontrar A Verdadeira Invasão dos Marcianos de João Barreiros, Nome de Código de Portograal de Luís Corredoura, vários livros de Philip K. Dick e Ursula Le Guin, Little Brother de Cory Doctorow, Chocky de Wyndham ou Mais que humano de Theodore Sturgeon.

Os Favoritos (parte I)

Acho que na últimas semanas já me perguntaram umas cinco ou seis vezes pelos meus autores favoritos. Pergunta difícil para quem já leu vários géneros e vários autores – é daquelas perguntas que me param a fala pela quantidade de informação que me enche o cérebro ainda que efectivamente exista uma lista de favoritos. Nunca me dediquei foi a compilá-la por ser uma lista volátil. De certeza que vou ler novos livros e (espero) encontrar novos autores, ou de certeza que noutro dia qualquer me recordo de mais qualquer coisa que li algures no tempo.

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Ray Bradbury

Raramente falo deste autor e nem sempre estou com disposição para ler algo dele. Preciso de estar no ponto para apreciar as loucuras de alguns contos ou as ideias curiosas de outros. Mas sempre que leio fico rendida. Entre contos e versões digitais o que li não há-de chegar a metade. Na verdade nem a um décimo. E ainda assim, é um dos meus autores favoritos, apesar da relação amor-ódio que tenho com algumas das suas histórias.

Para todos os que gostam de livros a premissa de Fahrenheit 451 é arrepiante por se centrar na queima destes objectos, bem como na felicidade de advém da ignorância. Reminiscências desta história podem ser encontras no espectacular Crónicas Marcianas, a última leitura do autor, onde me perdi na sucessão de contos absurdos sobre a colonização humana de Marte em que nunca se sabe o que espera os exploradores. O primeiro teve pelo menos duas edições em português (pela Livros da Brasil e pela Europa-América).

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Mas claro que existe um lugar especial para as histórias de Something Wicked This Way Comes ou I Sing the Body Electric, que roçam a ténue fronteira entre o sonho e o pesadelo, explorando por vezes o lado humano com as reacções face a situações insólitas e inquietantes. O primeiro foi publicado recentemente pela Saída de Emergência como Algo Maligno Vem Aí.

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2. Colleen McCullough

Não estou a falar da Colleen McCullough que trazia o pão à mesa escrevendo tórridos romances baratos e simplistas para entreter donas de casa entediadas, mas sim da sua faceta que escreveu a série O Primeiro Homem de Roma. Sei que já li esta série há demasiados anos e que provavelmente não iria ter hoje a mesma opinião. Mas vejamos o contexto da ficção histórica disponível no mercado português onde se destacam alguns bons autores rodeados de escrita a metro, onde esta série se destacava não só por explorar a componente história (com margem para interpretação e desenvolvimento ficcional) mas sobretudo pela complexidade e densidade das teias políticas na sociedade romana intercaladas com estratégias de guerra – ou não fossem os romanos os pais da burocracia a par com a política e corrupção que haveriam de levar a sua sociedade ao declínio.

 

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Publicada em português pela DIFEL a preços proibitivos, mas por longos anos cobiçada, esta foi uma das séries que me fez começar a encomendar em inglês pela diferença no orçamento. E apesar da densidade da narrativa sobrevivi. Julgo que o interesse que a história me despertou derivou também da minha paixão pelas civilizações antigas em conjugação com o prazer dos jogos de estratégia mas terá sido mantido pela mestria com que a autora caracteriza personagens como Cícero, Gaio Mário ou Sula (para já não falar de César).

(continua…)

Assim foi: David Brin Lecture

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Chegada à livraria, é no andar de baixo que nos espera David Brin – um autor carismático com vários livros publicados em Portugal pela Europa-América, na colecção de ficção científica. Como em qualquer evento em Portugal esperaram-se mais dez minutos para além da hora não fosse alguém chegar atrasado e foi neste compasso de espera que aproveitei para questionar se o autor iria poder assinar livros. A resposta não só foi positiva, como o autor tratou logo de sacar da caneta e autografar os 13 livros que levei. Sim. 13. E ainda ficaram alguns cá por assinar.

 

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A sessão iniciou-se com uma introdução de Maria Paula, onde se resumem alguns dos princípios fundamentais de cada um dos livros de David Brin. Após este resumo David Brin começa por apresentar alguns dos livros que tenta espelhar nas suas histórias: resistência à autoridade, excentricidade, diversidade, tolerância e individualidade. Partindo destes princípios, e passando por clássicos como 1984 de Orwell e Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley o autor continuou dissertando sobre a evolução da sociedade.

Após alguns minutos foram óbvias as bases em torno das quais rodavam as ideias apresentadas: a comparação entre a estrutura hierárquica fixa (triângulo típico característico da idade média) e a estrutura mais dinâmica em losango da sociedade actual; o ridículo da unidimensonalidade da política (esquerda e direita); ou o colectivo como suporte ao indivíduo. Entre estes conceitos é de realçar a opinião de David Brin sobre a vigilância em que refere que esta deveria servir para vigiar todos (ao menos seria igualitária).

 

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Mas houve mais. Ideias de como contornar a sociedade consumista ou breves noções da evolução do ser humano na literatura enquanto criador (de realçar os exemplos tradicionais de Frankenstein e Ilha do Dr. Moreau mas também A Guerra da Elevação do próprio autor). Finalmente, entre perguntas da audiência falou-se também do conceito de overmind, sendo perspectiva do autor de que esta poderia surgir como mais uma camada na psique humana, uma mente partilhada e comum.

Claro que estas são poucas linhas para descrever o muito que o autor falou de vários temas, alguns dos quais são visíveis nos livros, aproveitando o autor, também para publicitar o seu mais recente livro. Concordando-se (ou não) com algumas das ideias apresentadas, há que lhe dar o crédito devido – David Brin é um excelente orador que explorou algumas teorias interessantes de forma coerente, tendo esta sido uma sessão bastante envolvente, não só pela ficção científica, como pelas ideias expostas.

Últimas aquisições

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Entre passagem na FNAC com cheque oferta, e a livraria Fyodor, estas foram as últimas aquisições. No topo encontra-se Robot Dreams, uma compilação de histórias de Isaac Asimov cujo título me relembra o tão conhecido Do Androids Dream of Electric Sheep de Philip K. Dick. A compilação abre com Little Lost Robot, um conto publicado na Astounding Science Fiction que terá sido adaptado na série televisiva Out of this world. Entre as restantes histórias destaca-se também a história que dá título ao livro, Robot Dreams que terá sido nomeada para um prémio Hugo, ou The Martian Way, uma das escolhidas dentro das melhores novelas de 1965.

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À direita encontra-se EVE de Tony Gonzales:

A clone with no name or past awakens to a cruel existence, hunted mercilessly for crimes he may never know; yet he stands close to the pinnacle of power in New Eden.A disgraced ambassador is confronted by a mysterious woman who knows everything about him, and of the sinister plot against his government; his actions will one day unleash the vengeful wrath of an entire civilization.

And among the downtrodden masses of a corporation-owned world, a man named Tibus Heth is about to launch a revolution that will change the course of history. The confluence of these dark events will lead humanity towards a tragic destiny. The transcendence of man to the dream of immortality has bred a quest for power like none before it; empires spanning across thousands of stars will clash in the depths of space and on the worlds within. Those who stand before the tides of war, willingly or not, must face the fundamental choices that have been with man for tens of thousands of years, unchanged since the memory of Earth was lost.

This is EVE, The Empyrean Age. A test of our convictions and the will to survive.

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Aqui estão duas primeiras edições, dois livros que provavelmente nunca foram lidos – as páginas custam a abrir. A conjura de José Eduardo Agualusa retratará sonhos africanos de há largos anos:

Entre 1880 e 1911, na velha cidade de S. Paulo da Assunção de Luanda, histórias se passaram que a História não guardou. Histórias de amores e de prodígios: rumores que persistem em antigas canções. Nessa época, de turbulentos sucessos e mudanças, quando nas ruas de Luanda se cruzavam as tipóias dos nobres senhores africanos com as quibucas de escravos e os degredados víndos do Reino se entranhavam pelos matos em busca de fortuna, nessa época todos os sonhos eram ainda possíveis. “A Conjura” conta um desses sonhos. Talvez o maior…

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Eis os que foram, para mim, dois dos grandes lançamentos de banda desenhada nos últimos tempos (a par, claro, com o volume 2 de Saga). O livro de André Oliveira já o li e contem excelentes histórias curtas ilustradas por diferentes e interessantes estilos.

Maio de 2015

Aqui fica mais um resumo mensal sobre ficção especulativa em Portugal. Esta listinha resume o que achei mais interessante este mês em solo nacional (ou sobre projectos portugueses). Claro que se resume ao que tive acesso, existindo de certeza mais artigos que poderiam cá constar. Convido a deixarem novos blogs a seguir ou outros artigos que tenham achado interessantes.

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Lançamentos Nacionais Relevantes

Este foi um bom mês para os lançamentos nacionais:

O Grande Bazar – Peter V. Brett – Asa;

Número zero – Umberto Eco – Gradiva;

Os bebés de água – Charles Kingsley – Tinta-da-china;

A pedra das águas – Terry Goodkind – Porto Editora;

A espada de Shannara – Terry Brooks – Saída de Emergência;

Estamos todos completamente fora de nós – Karen Joy Fowler – Clube do autor;

O Dragão de gelo – George R. R. Martin – Gailivro;

Viagens de Chapéu – Susana Cardoso Ferreira – Oficina do livro.

Críticas interessantes

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Ficção científica

Dreaming 2074 – Vários autores – Intergalacticrobot;

The Lifecycle of Software Objects – Ted Chiang – Que a Estante nos Caia em Cima;

Wayward Pines – Blake Crouch – Livros, livros e mais livros;

O Guardião de Memórias – Lois Lowry – Folhas do Mundo;

Over the top – Vários autores – Intergalacticrobot;

Mais que humano – Theodore Sturgeon – Que a Estante nos Caia em Cima;

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Fantasia

Insonho: Durma bem – Vários autores – Que a Estante nos Caia em Cima;

Monstros fantásticos e onde encontrá-los – Newt Scamander – Deus me Livro;

A Ironia e Sabedoria de Tyrion Lannister – George R. R. Martin – Leituras do Corvo;

As Terras Devastadas – Stephen King – Nuno Ferreira;

A Lâmina – Joe Abercrombie – Livros, livros e mais livros;

O Dragão de gelo – George R. R. Martin – Deus me Livro;

Solomon – Carlos Pedro – aCalopsia;

Sete minutos depois da meia-noite – Patrick Ness – Uma Biblioteca em Construção;

Roy Just Wants to Have Fun – Victor Frazão – Uma Biblioteca em Construção;

Dias de sangue e glória – Laini Taylor – Deus me Livro;

Deixa-me entrar – John Ajvide Lindqvist – Livros, livros e mais livros;

Universos Literários – Vários autores – Floresta de Livros;

O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro – Deus me Livro;

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Banda desenhada

Mort Cinder – Héctor Oesterheld – Intergalacticrobot;

Bando de dois – Danilo Beyruth – As leituras do Pedro;

Saga (Vol. 1 e 2) – Brian Vaughan – Leituras de BD;

O Cavaleiro de Westeros – George R. R. Martin – Leituras do Corvo;

O Long Halloween – Jeph Loeb – Que a Estante nos Caia em Cima;

Fatale (Vol. 2) – Ed Brubaker e Sean Philips – As leituras do Pedro;

O livro do Mr. Natural – Robert Crumb – Intergalacticrobot;

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Outros

As Cidades Invisíveis – Italo Calvino – Nuno Ferreira;

A Alquimista das Cores – Aimee Bender – As Leituras do Corvo;

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Outros Artigos

– Quem tem medo de Palmer Eldritch – Máquina de Escrever;

– O Templo do Espírito Santo – Flannery O’Connor – Contos não Vendem;

– “Frankenstein” na Quinta da Regaleira – Câmara Municipal de Sintra;

– Entrevista a Lauren Beukes – Jornal i;

– Hazul por Hazul – Diário de Notícias;

– Reportagem Antena 1 sobre banda desenhada – RTP;

Science Fiction and Fantasy Books at Bivar Bookshop;

– 17 Imagens que colocam Portugal no Centro da Arte Urbana – Green Savers;

Eventos

– Outras literaturas: Ficção científica – Intergalacticrobot;

– Sustos às sextas V – Intergalacticrobot;

– Feira do Livro do Centro de Recursos Poeta José Fanha – Intergalacticrobot;

– XI Festival Internacional de BD de Beja – Leituras de BD – Fotoreportagem e Opinião;

– Tolkien: Constructor de Mundos – Viagem a Andrómeda [mini];

Recordar os Esquecidos;

Resumos mensais anteriores

Fevereiro 2015

Março 2015

Abril 2015

Últimas aquisições

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Ou como me desgracei na Feira do Livro. Sim, estas foram as aquisições de uma passagem rápida (1H) em que aproveitei algumas das promoções que me interessavam. Logo na entrada da feira deparo-me com os stands dos alfarrabistas, completamente atoladas de visitantes. Entre os vislumbres lá encontrei este volume da Afrodite, O Encoberto de Natália Correia.

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A próxima paragem foi no stand da Tinta da China e lá aproveitei um bom desconto num dos livros da colecção de literatura de viagem, neste caso um livro carregado de peculiares ilustrações:

Sempre acompanhado de um caderno onde se misturam desenhos e anotações, tenho viajado pela chamada “Etiópia histórica”.
Escrevo e desenho para lembrar o que é desaparecer do meu mundo habitual e continuar ainda assim vivo, podendo ver, ouvir, cheirar e falar. Faço-o para criar um testemunho gráfico do que sinto como viagens de ida e volta a um mundo ao contrário. Quando viajei pela primeira vez para a Etiópia, em 1999, ressuscitei um prazer que me tinha negado durante anos, desde a traumática perda de um caderno de desenhos em Tavira: o de desenhar desperocupada mas obsessivamente quando viajo. Desde então, tenho uma consciência mais aguda do que implica fixar, em caderno, clichês memoriais: enquanto viajo, o desenho não passa de um subproduto irrelevante da minha actividade de desenhador e fixador de visões, mas quando regresso a casa o desenho torna-se um precioso catalisador da memória e do imaginário.

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Claro que não podia deixar de aproveitar a boa promoção do vencedor do prémio Adamastor, Nome de Código Portograal de Luís Corredoura, que há algum tempo se mantém na minha lista de desejos. Por sua vez Estamos todos completamente fora de nós de Karen Joy Fowles é um lançamento recente que, olhando apenas para a capa, dificilmente me teria interessado:

Aplaudido pela crítica e pelos leitores, Estamos todos completamente fora de nós é um romance sobre pessoas afetuosas, mas humanas, cujas boas intenções desencadeiam consequências devastadoras para aqueles que mais amam.

Quando tinha cinco anos, Rosemary foi passar o verão a casa dos avós. Ao regressar para junto da família, descobre que a irmã desapareceu e, mais inquietante ainda, esse é um assunto de que não se fala. Os anos passam e ela permanece filha única apesar de em tempos ter tido uma irmã da sua idade e um irmão mais velho. Ambos desapareceram. Lowell é um fugitivo, procurado pelo FBI. Mas onde está Fern, a sua cúmplice, a sua alma gémea?

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Finalmente, dois volumes de uma banda desenhada que, como livro do dia, me despertou interesse.

 

Assim foi: Sustos às sextas (Sessão de 15 de Maio)

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Foto retirada da página oficial do Evento

À entrada esperavam-nos árvores aparentemente fantasmagóricas – grandes esculturas que a parca iluminação fazia alongar os ramos, em assombrosas sombras de braços longos – tudo apropriado ao evento que se seguia, a última sessão da primeira temporada dos Sustos às Sextas, que tem ocorrido mensalmente.

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Depois da usual visita às salas de exposição, que desta vez continuam aquosas e fantásticas obras de arte, eis que se inicia a sessão, com um pequeno resumo de todo o ciclo, onde se realçaram as várias vertentes do evento (desde a música, ao teatro, passando pela literatura e pelo cinema) – um pequeno resumo que recorda a necessidade de existirem eventos diferentes, fora dos tradicionais moldes e temáticas.

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Foto retirada da página oficial do Evento

E eis que se inicia a apresentação de Rogério Ribeiro que seguiu a divergência do sobrenatural e da ciência ao longo das últimas décadas, onde o moralismo mais fechado da ditadura portuguesa afastou o tema espiritismo dos circuitos da normalidade, ainda que, na literatura, tenham continuado associados, principalmente nos mais conhecidos clássicos do género.

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Depois da leitura do conto Aniversário, vencedor do Concurso Literário de Contos de Terror, seguiu-se o Questionário de Terror que se tornaria um dos momentos mais divertidos do evento pela interacção entre as equipas. Depois de uma animada disputa pelo título os vencedores foram dois especialistas no género, David Soares e Gisela Monteiro.

Notou-se a vontade e o esforço dos organizadores, mas essencialmente o prazer, em apresentar temas e vertentes variadas do Horror, com especial destaque para o trabalho de vários portugueses.Agora é aguardar que haja oportunidade para uma segunda temporada do Evento ao qual já nos tínhamos habituado!

Últimas aquisições

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Com alguns adquiridos em segunda mão, outros em promoção, o conjunto desta semana tem especial destaque para o segundo volume de Saga pela G Floy – finalmente vou poder continuar esta série fantástica e desesperar então pelo terceiro:

Dois soldados de lados opostos de um imenso conflito apaixonam-se, e correm o maior dos riscos: criar uma nova vida, que vai constituir uma ameaça tremenda à narrativa belicista de uma galáxia em guerra. Hazel, a recém-nascida filha de Alana e Marko, já sobreviveu a assassinos a soldo, exércitos em batalha e monstros terríveis, mas, no vácuo gelado do espaço, irá encontrar um desafio bem diferente… os seus avós.

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Vencedor do prémio Nobel de 1961, Ivo Andric é o autor de O Pátio Maldito. Lançado em português pela Cavalo de Ferro, parece uma leitura interessante para os próximos dias:

 Frei Petar, monge bósnio cristão, é preso por engano e encarcerado na prisão de pior reputação duma Istambul, então Constantinopla, capital do Império Otomano: «O pátio maldito». Nesta, cruzam-se assassínos, violadores, assaltantes, conspiradores, mas também inocentes e falsos acusados de todas as classes e religiões, cada qual com um percurso, uma história e várias mentiras.

No «pátio maldito», o frade vai conhecendo as histórias dos seus companheiros de infortunio. A sua voz vai-se diluíndo nos muitos relatos dos outros prisioneiros até desaparecer entre as diversas histórias que ouve, as mentiras que cada um inventa e as diferentes noções de justiça e de realidade… Entre ódios e recordações vão-se misturando presente e passado, realidade e ficção, numa história de histórias.

Uma notável metáfora sobre a harmonia entre os homens em condições adversas. Andric descreve os processos pelos quais a História se entranha na vida dos indivíduos e neles se reflete, num eterno jogo entre o particular e o universal, ao mesmo tempo que põe a nu a raiz dos conflitos que têm assolado os Balcãs ao longo dos séculos.

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Já o da direita, Uma Ilha na Lua, promete não ser uma leitura pacífica:

Texto em prosa, esta farsa inclassificável de Blake, Uma Ilha Na Lua, escarnece da pretensão científica. Uma Ilha Na Lua é uma obra inacabada e incompleta, constituída por um conjunto de diálogos e canções sem um nexo óbvio, a não ser o facto de constituírem paródias da conversação de homens e mulheres burgueses nos serões literários e musicais dos círculos londrinos frequentados por William Blake na penúltima década do século XVIII. Nas conversas e canções afloram temas como a educação da criança,  a ciência moderna, as relações entre sexos, a moda ou a religião. Através de um grupo singular de habitantes da lua, cujos nomes alegóricos tipificam as personagens, são postas em cena, por vezes de forma absurda, um conjunto de práticas artísticas, educativas, religiosas e científicas.

Trata-se, de certo modo, de um talk-show do século XVIII, em que a conversação pública tem lugar nos salões polidos onde a burguesia pratica a troca de ideias. No texto de Blake surgem lado a lado o laboratório químico, o púlpito, a sala de aula e a sala de estar, numa espécie de zapping sobre os tópicos de conversa que faziam a agenda do dia. As personagens incluem filósofos, matemáticos, arqueólogos, cirurgiões, químicos. Fazem-se experiências, especula-se, bebe-se e canta-se.

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E porque um Nobel nunca vem só, eis Estrela Errante de J.M.G.Le Clézio, acompanhado por Bestiário de Julio Córtazar:

Volume composto por oito famosos contos, publicado originalmente em 1951, “Bestiário” de Julio Cortázar é um dos marcos da carreira deste autor e da moderna literatura.

Animais invisíveis, como o tigre do conto que dá título ao volume, que se desloca a seu bel-prazer pelos quartos de uma casa, obrigando a família que ali vive a mil cuidados e precauções a fim de evitar encontros indesejados; animais imaginários, como as “mancúspias” que anunciam as fases da Cefaleia; animais que despontam do nada, como os coelhinhos da “Carta a uma rapariga em Paris”; ou outros ainda subjugados ao poder de feitiçarias arcaicas que ganham novas formas e sentidos em “Circe”, todos eles compõem este bestiário fantástico de Julio Cortázar, no qual a descrição realista de atmosferas familiares faz luz sobre a vida secreta de uma sociedade povoada por tensões misteriosas e irracionais.

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Eis por sua vez, Bestas de Lugar Nenhum de Uzodinma Iweala e Tratado da vida sóbria de Alvise Conaro, o primeiro sobre guerras que envolvem crianças, o segundo uma visão interessante do efeito do meio na saúde. Eis parte da sinopse:

O seu Tratado da Vida Sóbria – uma das mais famosas autobiografias da Renascença – continua a pôr em causa a corporação médica mundial, por esta se ter esquecido da base biológica que rege o corpo humano a partir da escolha dos alimentos, da sua qualidade e, sobretudo, da justa medida de calorias necessárias a cada pessoa, individualmente, pois todos os estudos mais ou menos científicos apontam o excesso (ou a carência) como principal causa de disfunções graves.

Este livro é também anticonsumo, anticapitalista, um hino à alegria de viver com saúde e, acima de tudo, um sério aviso àqueles que se submetem cegamente aos poderes da medicina, depois manipulados e explorados de acordo com os interesses dos consultórios e das multinacionais que fabricam os medicamentos.

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Finalmente, estes dois livros de aspecto sombrio são os dois últimos volumes da colecção Novela Gráfica, lançada pela Levoir com o Público.

 

À espera de … (lançamentos internacionais)

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Depois de várias antologias apocalípticas descrevendo cenários de fim da humanidade pelos mais diversos motivos, eis uma nova colectânea, mais focada em desastres ambientais. A listagem de autores incluídos auspicia uma boa amostra de histórias:

Collected by the editor of the award-winning Lightspeed magazine, the first, definitive anthology of climate fiction—a cutting-edge genre made popular by Margaret Atwood.

Is it the end of the world as we know it? Climate Fiction, or Cli-Fi, is exploring the world we live in now—and in the very near future—as the effects of global warming become more evident. Join bestselling, award-winning writers like Margaret Atwood, Paolo Bacigalupi, Kim Stanley Robinson, Seanan McGuire, and many others at the brink of tomorrow. Loosed Upon the World is so believable, it’s frightening.

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Atraem-me histórias sobre livros e bibliotecas – e esta, estará de acordo com a expectativa elevada que estabelece?

Carolyn’s not so different from the other people around her. She likes guacamole and cigarettes and steak. She knows how to use a phone. Clothes are a bit tricky, but everyone says nice things about her outfit with the Christmas sweater over the gold bicycle shorts.  After all, she was a normal American herself once.

That was a long time ago, of course. Before her parents died. Before she and the others were taken in by the man they called Father. In the years since then, Carolyn hasn’t had a chance to get out much. Instead, she and her adopted siblings have been raised according to Father’s ancient customs. They’ve studied the books in his Library and learned some of the secrets of his power. And sometimes, they’ve wondered if their cruel tutor might secretly be God.

Now, Father is missing—perhaps even dead—and the Library that holds his secrets stands unguarded. And with it, control over all of creation. As Carolyn gathers the tools she needs for the battle to come, fierce competitors for this prize align against her, all of them with powers that far exceed her own. But Carolyn has accounted for this. And Carolyn has a plan. The only trouble is that in the war to make a new God, she’s forgotten to protect the things that make her human.

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Nem toda a ficção tem de ser anglosaxónica – de origem russa tem uma descrição deveras peculiar:

Damilola Karpov is a pilot. Living in Byzantium, a huge sky city floating above the land of Urkaina, he makes his living as a drone pilot – capable of being a cameraman who records the events unfolding in Urkaina or, with the weapons aboard his drone, of making a newsworthy event happen for his employers: ‘Big Byz Media’. His recordings are known as S.N.U.F.F.: Special Newsreel/Universal Feature Film.

S.N.U.F.F. is a superb post-apocalyptic novel, exploring the conflict between the nation of Urkaina, its causes and its relationship with the city ‘Big Byz’ above. Contrasting poverty and luxury, low and high technology, barbarity and civilisation – while asking questions about the nature of war, the media, entertainment and humanity.

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In the fantastical, gaslit underground city of Recoletta, Oligarchs from foreign states and revolutionaries from the farming communes vie for power in the wake of the city’s coup. The dark, forbidden knowledge of how the city came to be founded has been released into the world for all to read, and now someone must pay. Inspector Liesl Malone is on her toes, trying to keep the peace, and Arnault’s spy ring is more active than ever. Has the city’s increased access to knowledge put the citizens in even more danger? Allegiances change, long-held beliefs are adjusted, and things are about to get messy!

Abril de 2015

Aqui fica mais um resumo mensal sobre ficção especulativa em Portugal. Esta listinha resume o que achei mais interessante este mês em solo nacional (ou sobre projectos portugueses). Claro que se resume ao que tive acesso, existindo de certeza mais artigos que poderiam cá constar. Convido a deixarem novos blogs a seguir ou outros artigos que tenham achado interessantes.

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Lançamentos Nacionais Relevantes

Talvez por causa da proximidade da Feira do Livro, ou simplesmente coincidência, este foi um bom mês para a ficção especulativa

O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro – Gradiva;

O Homem do Castelo Alto – Philip K. Dick – Saída de Emergência (é uma nova edição);

Dias de sangue e Glória – Laini Taylor – Porto Editora;

Bestiário – Julio Cortazar – Cavalo de Ferro;

A Música do Silêncio – Patrick Rothfuss – Asa;

Fatale Vol.2 – G Floy;

Saga Vol.2 G Floy;

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Críticas interessantes

Ficção científica

Continuam a ser poucos os que criticam SF, mas eis alguns relevantes:

The New Atlantis – Ursula K. Le Guin – Nuno Ferreira;

The Long Tomorrow – Leight Brackett – Intergalacticrobot;

Seventy-two Letters – Ted Chiang – Que a Estante nos Caia em Cima;

Contos vários Fantasy&Co – Tales of Gondwana – estão a ser comentados vários dos contos disponíveis gratuitamente, alguns de autores já conhecidos de antologias portuguesas como Ricardo Dias, Carina Portugal ou Pedro Cipriano;

Behold the Man – Michael Moorcock – Intergalacticrobot;

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Fantasia

De realçar o aparecimento contínuo de livros de autores portugueses:

A segunda vinda de Cristo à Terra – João Cerqueira – Uma Biblioteca em Construção;

Insonho: Durma bem – Vários autores – Intergalacticrobot;

O Lobatruz e outras desventuras – Judith Nogueira – Deus me Livro;

Bons Augúrios – Neil Gaiman e Terry Pratchett – Nuno Ferreira;

A cada dia – David Levithan – Floresta de Livros;

A Música do Silêncio – Patrick Rothfuss – Uma Biblioteca em Construção;

Coisas frágeis – Neil Gaiman – Nuno Ferreira;

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Banda desenhada

Mucha – David Soares – Intergalacticrobot;

A Metrópole Féerica – José Carlos Fernandes – aCalopsia;

Le Confesseur Sauvage – Philippe Foerster – As Leituras do Pedro;

A Arte de Voar – Altarriba e Kim – Intergalacticrobot;

Comprimidos azuis – Frederik Peeters – Leituras de BD;

Em Busca de Peter Pan – Cosey – As Leituras do Pedro;

Moonhead and the Music Machine – Andrew Rae – Máquina de escrever;

Outros

Os que não me parecem encaixar directamente em nenhuma das categorias anteriores:

História Universal da Infâmia – Jorge Luís Borges – Deus me Livro;

Swan song – Robert McCammon – Intergalacticrobot;

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Outros Artigos

Estranhos são os dias em que estou a adicionar uma ligação ao Correio da Manhã…

Colecção Universo Marvel – Que a Estante nos caia em cima;

Um desabafo e uma bela colecção de banda desenhada – Caderião Voltaire;

Bairro problemático na periferia de Lisboa vira galeria de Arte – Conexão Lusófona;

Tracking with close-ups (7) – Viagem a Andrómeda – e porque o título diz muito pouco, fala-se de Terry Pratchet;

A Ficção de ideias de Ted Chiang – Que a Estante nos caia em cima;

Corrida infestada de Zombis em Sintra – Correio da Manhã;

Muitos poucos dedos de conversa sobre cinema de forma quase nada informada – Ficções Distópicas – Que a Estante nos caia em cima;

Luís Corredoura galardoado com um encouragement award – Jornal de Mafra;

Eventos

Sustos às sextas – espreitem também a perspectiva em Intergalacticrobot, bem como os vídeos em Cadernos de Daath,

Animacomics 2015 – Intergalacticrobot, aCalopsia;

Festival In – Intergalacticrobot – as coisas interessantes que se puderam ver na FIL, ficção científica tornada realidade;

Recordar os Esquecidos.

Resumos mensais anteriores

Janeiro 2015

Fevereiro 2015

Março 2015

Arquivos de Dresner – Afonso Cruz

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E porque nem sempre me dá para ler os livros pela ordem correcta e até porque, neste caso, não há grande diferença, acabei por ler o mais recente volume de A Enciclopédia da Estória Universal, Mar, antes deste Arquivos de Dresner. O estilo é o mesmo dos restantes volumes de A Enciclopédia, pequenas histórias interligadas contadas por ordem alfabética, que vão construindo uma história maior a cada entrada.

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A primeira grande história que vai ecoando pelo restante volume é a de um homem que, obsecado com a poesia de Petar Stramboliski, acaba por visitar a tribo Obokowo, onde o poeta terá vivido nos seus últimos dias. Admirado pela peculiar filosofia de vida da tribo, vai-nos contando pequenas e fascinantes histórias rocambolescas.

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Entre tartarugas bicéfalas e atletas que param a meio de importantes corridas, encontramos Sr. Abbott Abbott em exercícios temporais e pequenos trechos de sabedoria índia, intercalados com poemas de Stramboliski discorridos por um pássaro.

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Apesar de ter apreciado mais as histórias presente no volume Mar (talvez por causa da temática, mais dada a pensamentos perdidos), Arquivos de Dresner, surpreende sobretudo ao partir da influência de um livro na vida de um homem, e nas passagens centradas nos Obokowo. Como sempre, divertido, inteligente e leve, mas que não se confunda esta leveza com falta de conteúdo – cada pequena passagem pode dar origem a pequenos sorrisos ou pensamentos mais profundos.

Últimas aquisições

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Os novos habitantes das estantes são pouquinhos mas jeitosos. Os dois primeiros são dois exemplares da colecção Argonauta, da autoria de Clifford D. Simak, de quem li apenas, City, mas fiquei muito bem impressionada. Este Mundos Simultâneos parece uma história algo arrepiante pela premissa:

Lâminas de barba que nunca se gastavam, automóveis eternos, maravilhosas casas pré-fabricadas – tudo isso vendido a preços incrivelmente baixos, eis o suficiente para pôr em perigo de morte e economia mundial. E havia também estranhos acontecimentos: por exemplo, famílias inteiras desapareciam sem deixar vestígios.

Jay Vickers, o escritor, reflectiu sobre esses problemas desconcertantes. Pouco a pouco, o seu inquérito conduziu-o à verdade: a espécie humana encontrava-se num dos pontos críticos da sua história.

Os Mutantes possuem a faculdade extraordinária de passar, por uma simples concentração mental, do nosso planeta para um outro planeta absolutamente idêntico, uma espécie de Terra n.º 2, virgem de casas e cidades, onde tudo é novo, onde tudo está por construir. Este planeta repete-se igualmente, e assim sucessivamente até ao infinito. Não é uma única Terra que gira em volta do Sol, mas uma série de mundos simultâneos, oferecendo aos homens maravilhosas possibilidades de expansão e felicidade.

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Aparentemente de temática bastante diferente parece Caminhavam como Homens:

Autor apresentado em Portugal através da colecção argonauta, Clifford D. Simak dá-nos com o presente romance um estranho e envolvente universo, em que tudo de conjuga para prender o leitor e o escravizar à leitura. Caminhavam como homens é a visão inquietante dum futuro possível que o tempo poderá tornar real.

Entre estes dois encontra-se A Música do Silêncio de Patrick Rothfuss. Ignorando todas as indicações do autor, estou a ler este livro que decorre no mesmo Universo que a sua saga fantástica. Este A Música do Silêncio constituirá uma história à parte e de tom bastante diferente do restante trabalho do autor:

Sob a Universidade há um lugar escuro. Poucas pessoas sabem da sua existência: uma rede descontínua de túneis antigos, corredores serpenteantes e salas abandonadas. Ali, no meio desse local esquecido, situado no coração dos Subterrâneos, vive uma jovem. O seu nome é Auri, e é uma jovem cheia de segredos.”A Música do Silêncio” é um vislumbre breve e agridoce da sua vida, uma pequena aventura só dela. Ao mesmo tempo alegre e inquietante, esta história oferece-nos a oportunidade de ver o mundo pelos olhos de Auri. E dá-nos a oportunidade de conhecer algumas coisas que só ela sabe… Neste livro, Patrick Rothfuss leva-nos ao mundo de uma das personagens mais enigmáticas da série «A Crónica do Regicida». Repleto de segredos e mistérios, A Música do Silêncio é uma narrativa sobre uma jovem ferida a tentar viver num mundo destruído.

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E estes são dois dos volumes da colecção Novela Gráfica que está a ser publicada com o Público pela Levoir. No mínimo curiosos!

Últimas aquisições digitais

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O mais recente lançamento do projecto Adamastor foi, também, uma das minhas mais recentes leituras, Do passado para o futuro, e do futuro para o passado, é um retrato ficcional interessante de um Portugal que ainda não existe e esperemos que nunca exista. Infelizmente, a realidade poderá vir a aproximar-se da ficção.

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Eis um livro que está na minha wishlist há já alguns anos, e que tive oportunidade de ler numa subscrição gratuita do serviço SCRIBD. Deixo a minha opinião, bem como uma sinopse do livro:

Since the time of pre-history, carpetmakers tie intricate knots to form carpets for the court of the Emperor. These carpets are made from the hairs of wives and daughters; they are so detailed and fragile that each carpetmaker finishes only one single carpet in his entire lifetime. This art descends from father to son, since the beginning of time itself.

But one day the empire of the God Emperor vanishes, and strangers begin to arrive from the stars to follow the trace of the hair carpets. What these strangers discover is beyond all belief, more than anything they could have ever imagined… Brought to the attention of Tor Books by Orson Scott Card, this edition of The Carpet Makers contains a special introduction by Orson Scott Card.

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Ganhando um cheque Amazon num passatempo internacional, lembrei-me de procurar que mais havia do autor de The Carpet Makers e eis que encontro este Lord of All Things:

Winner of the 2012 Kurd-Laßwitz-Preis for best German science fiction novel, Lord of All Things is also a story about love against all odds.

They are just children when they meet for the first time: Charlotte, daughter of the French ambassador, and Hiroshi, a laundress’s son. One day, Hiroshi declares that he has an idea that will change the world. An unprecedented idea of how to sweep away all differences between rich and poor.

When Hiroshi runs into Charlotte several years later, he is trying to build a brighter future through robotics. Determined to win Charlotte’s love, he resurrects his childhood dream, convinced that he can eradicate world poverty by pushing the limits of technology beyond imagination. But as Hiroshi circles ever closer to realizing his vision, he discovers that his utopian dream may contain the seeds of a nightmare—one that could obliterate life as we know it.

Crisscrossing the globe from Tokyo to the hallowed halls of MIT to desolate Arctic islands and Buenos Aires and beyond—far beyond—Lord of All Things explores not only the dizzying potential of technology but also its formidable dangers.

 

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E, como não poderia deixar de ser, eis mais um Story Bundle, um conjunto de livros digitais pelo qual se paga o que se quer, sendo que alguns dos livros apenas ficam disponíveis pagando acima de um determinado limite. Desta vez o tema são as edições Indie, mais propriamente os sobreviventes – o organizador escolheu de entre vários livros publicados, os que não só sobreviveram após as primeiras páginas de leitura, como ainda conseguiram entusiasmá-lo:

Every morning, he gets on his treadmill, opens a new indie fantasy or science fiction ebook, and starts his morning walk. Any book that can hold his attention for the duration of that forty minute stroll gets labeled a survivor. But getting there is not easy. Every time he reads something that breaks his immersion in the story—bad grammar, inconsistent worldbuilding, illogical character behaviors, etc.—that book earns a red flag, called a WTF. If he finds three WTFs before he finishes his walk, the clock stops, the book closes, and he goes off to write up a report about what went wrong.

He did this 114 times. These books are the survivors.

 

Série de links interessantes

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Bar steampunk – Romania

E existe alguma razão para que estas compilações se iniciem por diversas vezes com o tema Steampunk – o cruzamento das engenhocas com qualquer estilo originam belíssimos espaços e peças de arte. Neste caso trata-se de um bar na Romania. No artigo podemos ver que, entre mesas toscas e quadros de cavaleiros com goggles, se encontram zeppelins a servir de candeeiro, transportes aquáticos semelhantes a polvos, e máscaras robóticas com engenhocas de roldanas.

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Esculturas surrealistas de Ellen Jewett – clicar na imagem para visualizar artigo e outras esculturas

Mudando totalmente de estilo,esta delicada escultura é apenas uma das muitas que podem visualizar no artigo sobre a arte de Ellen Jewett. Surrealistas e pouco densas, como que recordando um sonho ou uma mistura do essencial dos corpos com a imaginação, a maioria das esculturas junta partes de mais de um animal ou objecto, resultando em fantásticas peças mesmerizantes. Caso estejam curiosos, as peças estão à venda na galeria oficial da artista, desde preços acessíveis (65€) a proibitivos (2 500€).

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Menos naturais e mais metálicas, mas igualmente fantásticas, são as esculturas de Richard Stainthorp. Explorando principalmente a figura humana em transfigurações fantasiosas de imensa fluidez, as peças conseguem ser fabulosas. Apesar da uniformidade em material e cor possuem uma estranha vivacidade.

Eis, outros artigos sobre arte fantástica, bastante interessantes:

Fantast in Focus: Daniel Merriam – imagens espectaculares carregadas de arabescos que transformam qualquer estrutura banal em algo espectacular;

Salvador Dali illustrates Alice in Wonderland – em 1969 o artista terá realizado 12 gravuras para uma versão ilustrada do livro, cada uma mais espectacular do que a anterior.

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Agora para um tema mais literário – alguém recorda o fantástico Baudolino de Umberto Eco? Um livro passado em terras imaginárias com animais míticos, tudo envolto em tropelias de mentiroso? Bem, eis a razão pela qual me recordei desta obra – Legendary Lands, também de Umberto Eco, explora mapas de sítios imaginários e apresenta dissertações sobre a nossa atracção por estes temas. Neste artigo podem ver um pouco mais do que nos espera com a leitura. Continuando com terras inventadas baseadas na realidade, aconselho a leitura deste artigo – Fantasy Worlds that break history’s back. Aqui encontram uma pequena dissertação sobre a transfiguração da história e da realidade.

E entre os artigos que mais gosto de manter, encontram-se sempre algumas listagens de livros, por títulos curiosos:

13 Fantasies Inspired by Mythology from the British Isles – esta pequena lista possui alguns livros óbvios como Mythago Wood de Robert Holdstock, mas também obras menos conhecidas que valerá a pena explorar para quem gosta deste género;

Five books that are also labyrinths – novamente pela TOR.com, um curtíssimo conjunto que possui alguns dos meus livros favoritos e outros que, neste seguimento, foram logo adicionados à lista de aquisições futuras;

Five books about weird metropolises – outra lista que contem obras favoritas, mas à qual, sem pensar muito, juntava muitos mais! Como The Other City de Michal Ajvaz;

16 Ecologically-minded speculative fictions – e se o conceito vos repele ou vos desinteressa, basta olhar para o início da listagem para perceber que talvez estejam a passar à frente de boas obras: Annihilation de Jeff Vandermeer, Oryx and Crake de Margaret Atwood, ou Stand on Zanzibar de John Brunner.

OK, Where do I start with that – a lista das listas – Jo Walton fez um grande índice alfabético explorando a cada letra um conjunto de autores e sugerindo livros para iniciar a leitura. Concordando-se ou não com algumas das escolhas, contem excelentes sugestões, que ainda não tive tempo de explorar para além da letra C. Sim, o conjunto é assim tão grande!

Finalmente, sem qualquer categoria específica eis mais quatro artigos:

Origins of the ghoul – figura explorada raramente nas recentes obras de fantástico negro ou horror, apresenta-se como uma transfiguração da espécie humana;

Jessamy Taylor’s top 10 castles in fiction – castelos que inspiraram ou serviram de palco para grandes obras;

11 Facts about Shirley’s Jackson The Lottery – o excelente conto distópico deu que falar e incomodou muita gente;

9 Great songs about libraris, librarians and books – e porque não ouvirmos, também, algo relacionado com livros?

Março de 2015

Aqui fica mais um resumo mensal. Esta listinha resume o que achei mais interessante este mês em solo nacional (ou sobre projectos portugueses). Claro que se resume ao que tive acesso, existindo de certeza mais artigos que poderiam cá constar. Convido a deixarem novos blogs a seguir ou outros artigos que tenham achado interessantes.

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Críticas interessantes

Ficção científica

Escasseiam as públicações, as leituras e consequentemente as críticas de ficção científica. Ainda assim, vão aparecendo, dois livros de contos, e, bastante supreendente, dois de autoria portuguesa, ainda que um não seja publicado sob o cunho de SF:

Teremos sempre Paris – Ray Bradbury – Leituras do Corvo Fiacha;

O Último Europeu – Miguel Real – Simetria;

Por mundos divergentes – vários autores – Floresta de livros.

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Fantasia

Já publicação de livros de fantasia há com fartura, mas pouca é aquela que não é juvenil ou excessivamente romantizada e pouco original. Eis alguns dos livros que no meio das dezenas de publicações se destacam (mesmo A Quimera de Praga sendo juvenil parece, pelas críticas, interessante):

Insonho: Durma bem – vários autores – Tales of Gondwana;

The Whispering Swarm – Intergalacticrobot;

A Lenda do Vento – Stephen King – Nuno Ferreira;

A quimera de Praga – Laini Taylor – Uma Biblioteca em construção.

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Banda desenhada

Neste ramo não faltam as boas publicações e são imensos os leitores e críticas. Difícil é escolher as melhores:

Saga 4 – Brian K. Vaughan – Que a estante nos caia em cima;

Beterraba – a vida numa colher – Miguel Rocha – aCalopsia;

Foi assim a guerra nas trincheiras – Jacques Tardi – As leituras do Pedro;

A viagem – Edmond Baudoin – Intergalacticrobot;

Eu mato gigantes – Joe Kelly e Ken Nimura – aCalopsia;

Que luz estarias a ler – Ana Biscaia e João Pedro Messeder – Cadeirão Voltaire;

Um contrato com Deus – Will Eisner – Intergalacticrobot;

A louca do sacré-coeur – Jodorowski e Moebius – aCalopsia.

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Outros

Sobre aqueles livros que, no meu entender, não encaixam em nenhuma das anteriores categorias, ainda que genericamente possam ser considerados como ficção especulativa. Eis os artigos que me ficaram:

O grande manuscrito – Zoran Zivkovic – Deus me livro;

O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada – Maurice Druon – Leituras do Corvo Fiacha;

Sete minutos depois da meia-noite – Patrick Ness – Deus me livro;

As raparigas cintilantes – Lauren Beukes – Nuno Ferreira;

Golpes – Jean Meckert – Deus me livro.

Outros artigos

Menos literários, ou não se centrando apenas num livro, mas mais num autor ou acontecimento, eis outros artigos interessantes que fui encontrando este mês, ou projectos de destaque (como Contos não Vendem ou Biblioteca Fantasma).

Lobos. História de guerra e de paz com magia dentro – Público;

O Episcopado da Argentina de Bernard Quiriny lido por Pedro Vieira – Contos não vendem;

No one is actually dead until the ripples they cause the world die away – Viagem a Andrómeda;

Como a tecnologia nos muda, ou não… – Virtual Illusion;

Batman: 75 anos de aventuras – As leituras do Pedro;

Ilustrador convidado – Hélio Frazão – Bang;

Biblioteca Fantasma – Imaginauta.

Lançamentos nacionais relevantes

Os lançamentos são poucos, mas ainda vão surgindo alguns:

A colecção Lua Cheia – Civilização Editora – à falta de site próprio da editora, deixo a listagem consultável na FNAC;

1974 – Filipe Verde – estarei a ver história alternativa portuguesa?

Eventos

E nesta altura do ano que costuma ser um vazio de eventos, Março continuou mostrando que 2015 é excepção. Esperemos que assim continue:

– Sustos às sextas (aqui podem encontrar o relato de Artur Coelho, e aqui, o meu) – o evento deste mês teve direito a apresentação de João Barreiros sobre o horror e a exposição de várias obras em torno dos monstros clássicos;

Recordar os esquecidos – cada vez mais movimentado de sessão a sessão, teve como convidadas Patrícia Portela e Irene Pimentel.

Outros resumos

Dezembro 2014

Janeiro 2015

Fevereiro 2015

Destaque da semana: Novas edições pela Colecção Lua Cheia

Lua cheia

As mais recentes colecções da Civilização Editora são de encher os olhos! Mas neste caso o destaque é para a colecção Lua Cheia onde podemos encontrar novas edições de livros de ficção especulativa, mais propriamente clássicos dos géneros da ficção científica, do fantástico e do horror. Para além dos títulos interessantes e das capas graficamente impressionantes, o preço é bastante razoável e está agora a 20% de promoção.

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Quem não conhece a fantástica história da Dama pé de cabra, aqui compilada por Alexandre Herculano

“A Dama Pé-de-Cabra”, conto que dá título ao livro, conta a história de um nobre que, ao encontrar na serra uma dama, se perde de amores por ela; mas a dama não é quem parece ser e o nobre terá de sofrer muito em consequência das suas escolhas. Um conto misterioso, intrigante, marcante pelo tom com que é apresentado e onde os elementos sobrenaturais são soberanos. “A Abóbada” fala da construção do Mosteiro da Batalha, em particular, da abóbada da casa do capítulo. Este conto envolvente, marcado por descrições soberbas, ilustra como o orgulho excessivo pode ser a ruína de um homem. Um poderoso relato de uma época de grande poder e forte superstição.

frankenUm dos primeiros livros enquadrados no género de ficção científica, um clássico no género que pode ser também classificado como sendo de horror:

É Mary Shelley quem nos remete diretamente para a Antiguidade Clássica ao considerar o seu Frankenstein como o Prometeu moderno. O fogo dos deuses é agora o segredo da vida, que se vê materializado na criatura engendrada pelo Dr. Frankenstein através de uma heterodoxa abordagem do método científico, onde também se cruza alguma da investigação feita em torno do galvanismo e da medicina forense, em voga na época. Apesar de tomar como seu um atributo divino, o Dr. Frankenstein não será capaz de controlar completamente as implicações próprias da sua criação, o que terá, naturalmente, consequências funestas. Temos pois um olhar romântico sobre Prometeu e o mito de Pandora, onde se vislumbram os homúnculos de Paracelso e o Golem da tradição judaica.

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Alicerçada na tradição folclórica do Leste europeu e nas primeiras produções literárias sobre o tema, Carmilla haveria de dar origem ao arquétipo do vampiro feminino na literatura universal. Exerceu um papel fundamental na elaboração de Drácula (1897), sendo considerada a obra que deu a Bram Stoker a ideia e a inspiração para escrever o seu romance. Certa noite, após um acidente de carruagem, uma jovem muito atraente, Carmilla, uma das passageiras, é convidada a ficar hospedada no castelo da família de Laura para se recuperar.Carmilla é uma figura alegre e exótica, totalmente oposta a Laura. Entre elas desenvolve-se uma intensa e apaixonada amizade, mas os estranhos hábitos de Carmilla começam a despertar a curiosidade dos empregados. Quando uma “estranha doença” começa a conduzir à morte várias jovens da redondeza, Laura, cujas noites de sono são dominadas por terríveis pesadelos, procura descobrir os segredos da nova amiga e resistir aos seus encantos

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“Os Crimes da Rua Morgue” é considerado por muitos a primeira obra policial de sempre. Mãe e filha são encontradas mortas num edifício situado na Rua Morgue, uma artéria parisiense. As vítimas foram brutalmente assassinadas e a sala onde foram descobertos os corpos encontrava-se trancada por dentro. Para adensar o mistério, os vizinhos alegam ter ouvido o assassino falar numa língua que ninguém consegue identificar. Quando um homem é acusado do crime, C. Auguste Dupin, um indivíduo solitário e de aguçada inteligência, oferece-se para ajudar a polícia a resolver este caso e impedir que um homem inocente seja preso por um crime que Dupin acredita não ter cometido. Um pelo encontrado junto dos corpos leva-o a crer que o assassino poderá não ser humano…

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O comportamento do Dr. Jekyll, um conceituado médico londrino, começa a preocupar os seus empregados e amigos, especialmente porque, cada vez mais isolado no seu laboratório, recebe frequentemente o intrigante e violento Mr. Hyde.Temendo pela vida do amigo, o advogado Utterson resolve tirar a limpo a história e vai à residência do médico procurar a explicação para tão bizarro comportamento. E é aí que descobre o que realmente se está a passar.

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Em carta datada de 25 de outubro de 1915, dirigida a G. H. Meyer, da Kurt Wolff Verlag, Kafka exprime de forma veemente a sua preocupação pelo facto de o ilustrador escolhido para a sua obra, Ottomar Starke, poder vir a querer representar um inseto na capa de Die Verwandlung (A Metamorfose). “Isso de maneira nenhuma, por favor”, escreve Kafka, em antecipação. “O inseto em si não pode ser esboçado. Não pode ser visto sequer à distância.” Volvidos cem anos em 2015, a Civilização propõe aos seus leitores uma leitura renovada de “A Metamorfose”, de Franz Kafka, no cumprimento estrito da vontade expressa pelo autor, que julgamos reveladora.

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Os contos fantásticos de Machado de Assis, bem pautados pelo estilo francês, concentram o teor mágico e insólito das suas narrativas no elemento onírico. É por meio do sonho, loucura, delírios ou alucinações que os protagonistas se defrontam com aparições fantasmagóricas, aventuras inacreditáveis, ameaças de morte, encontros com cientistas insanos e viagens astrais. Geralmente o enredo tem início em ambientes verosímeis, que em nada remetem ao surreal. E dessa forma Machado conduziu muito bem os seus textos deste teor. Vivendo num mundo crível, monótono e enraizado no quotidiano, os protagonistas são repentinamente lançados em ambientes mágicos, maravilhosos, e que fogem das leis normais da compreensão humana, como em “A Chinela Turca”, conto que dá título a este livro.

Eventos: Recordar os Esquecidos – Patrícia Portela e Irene Pimentel

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Está agendada e planeada mais uma sessão de Recordar os Esquecidos,  a decorrer na Livraria Almedina no Atrium Saldanha, com moderação de João Morales. A sessão deste mês conta com a presença de Patrícia Portela, autora que terá participado em ambos os livros da Prado, Microenciclopédia micro-organismos, microcoisas, nanocenas e seus amigos de A a Z e O Caso do Cadáver Esquisito.

Depois da leitura de ambos a curiosidade levou-me mais longe e já cá anda um livro da autora pelas estantes, Para Cima e Não para Norte.  Por completa coincidência comecei a lê-lo este Domingo, e logo nas primeiras páginas se realçam as referências a Flatland.

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Eis uma publicação portuguesa. De capa simples e interessante, esta pequena colectânea reúne cinco autores de Joel Pulga. Eis parte da sinopse disponibilizada pelo autor (podem ler a completa aqui):

O Último – Aterrorizado com a ideia da morte, um homem deixa-se contaminar pelo vampirismo de forma a prolongar a sua vida indefinidamente. Porém, quando as legiões do Céu e do Inferno se enfrentam na derradeira batalha, vê-se como o último ser humano na Terra. Deixar-se-á arrastar pacificamente para um dos reinos do pós-morte?

Sasabonsam – Durante a Guerra da Guiné, um grupo de guerrilheiros guineenses abate um avião português. Ao investigar os destroços, descobrem não só que o piloto sobreviveu, mas também que este não é humano. Intelectual, um dos guerrilheiros, vê-se obrigado a enfrentar o monstro, assim como o tribalismo que infecta as mentes dos seus camaradas.(…)

Uma Demanda Literária – Na sua busca por livros raros, Cirio encontra a ilusiva livraria de Mormont, cuja localização muda regularmente, mas que se diz conter volumes quase impossíveis de achar. Contudo, mesmo depois de tudo o que passou para ali chegar, terá Cirio concluído a sua demanda?

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De seguida, eis um conjunto de livros de viagens no tempo, organizado pelo Story Bundle, um site que promove conjuntos de livros digitais a preço acessível. E qual o preço? O que quiserem por seis dos livros, 14 dólares para terem o conjunto todo. Realço que quem aderir à newsletter recebe alguns grauitamente, de tempos a tempos – esta semana enviaram uma das edições da Lightspeed, revista que costuma vir carregadinha de boas histórias.  Ainda que de menor interesse para mim (mas quem sabe para outros) encontra-se também disponível um conjunto de histórias militares pelas mesmas condições.

Últimas aquisições

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No topo encontra-se Dicionário do Diabo de Ambrose Bierce. Esta pequena, mas caricata edição pela Tinta da China é literalmente um pequeno dicionário ilustrado onde são expostos conceitos conhecidos sob uma outra perspectiva. Eis parte da sinopse:

No seu estilo deliciosamente sarcástico, com um humor satírico inteligente, o autor assume o papel do Diabo para subverter o sentido que habitualmente atribuímos às palavras. Bierce inventou um dicionário politicamente incorrecto, capaz de provocar tudo e todos. O seu humor é hoje tão acutilante como há cem anos atrás.

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Acompanhando este dicionário encontram-se outros dois pequenos livros, Os conjurados de Jorge Luís Borges e Inxalá, de Carlos Quiroga, publicados na colecção Biblioteca de Verão pelo Diário de Notícias. Por sua vez, a Viagem é uma edição bilingue de contos de ficção científica e fantástico, publicada há vários anos pela Simetria. Entre os autores encontramos vários nomes desaparecidos no cenário de publicação recente como Daniel Tércio ou Maria de Menezes, com obras publicadas na antiga colecção de SF da caminho.

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Tendo gostado das publicações da Prado onde participa a autora Patrícia Portela, resolvei experimentar algo só da autora. O lado encontra-se Contos do Gin-Tonic de Mário-Henrique Leiria, um daqueles livros que ando há anos para adquirir. Eis finalmente, e aqui fica a sinopse:

Os Contos do Gin-Tonic são já um clássico da literatura surrealista, sabemos disso. Continuamos a lê-los e a relê-los, ano após ano, pelos dias fora, pelas noites dentro, sozinhos, em casa, aos amigos, em cafés, em bares, em teatros, nas ruas, à luz de um candeeiro qualquer, numa esquina errante, num espaço algures, de súbito reinventado, traduzido, recriado do fundo da noite pela força motriz destas histórias rocambolescas, destes contos que recriam seres e situações, vidas, paixões e desesperos, recortes erráticos de um outro real, forçando-nos, sem dor, a parir mundos e a abraçar outras formas de pensamento… uma outra e mais ágil maneira de ver… é esta a força viva do surrealismo, nas palavras gritadas pelo buril de Mário-Henrique Leiria.

E eis o que uma passagem na Fyodor books me faz à carteira. Para além do Dicionário do Diabo ainda “tive” de trazer estes dois!

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Série de links interessantes (2015-03)

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Expandindo-se muito para além da literatura, o género Steampunk tem dado origem a belíssimas peças de decoração ou de arte como esta acima. Entrelançando elementos naturais com tecnologia a vapor, madeiras e cobres, surgem várias galerias excepcionais para quem gosta do género (Galeria 1 | Galeria 2).

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Igor Verniy

 

Continuando no género Steampunk, deixo-vos um link para o festival de Steampunk em Tóquio que cruza elementos deste género de ficção especulativa, com elementos orientais. Mas já agora, porque não, também, Steampunk na Rússia? Desta vez não sob a forma de arte, mas de objectos de decoração. Igor Verniy cria esculturas steampunk de animais recorrendo a peças antigas seja de automóveis ou de relógios. O resultado é fantástico.

Artigos interessantes

Baddies in books: Steerpike, the great manipulator – O papel dos mauzões na literatura, mais concretamente na trilogia Gormenghast (publicada em português pela Saída de Emergência, sem grande furor, apesar de ser uma excelente trilogia fantástica);

6 SF / F Novels with non-white protagonists that aren’t by Octavia Butler – Depois de alguma polémica na net relativamente a artigos que desaconselham a leitura de obras centradas em homens brancos, eis que surge uma lista com sugestões para seis obras onde se inclui o Stranger In Olondria (que achei muito bom). Questões de género ou de raça à parte, a pequena lista tem boas sugestões de leitura;

Nebula Awards – Estão publicados os nomeados deste ano. Dos listados apenas li Annhilation de Jeff Vandermeer, mas estou curiosa em relação a Three-Body Problem de Cixin Liu e Ancillary Sword de Ann Leckie;

Throwback Thursday: The Tartar Steppe and the Birth of Magical Realism – publicado nos últimos anos em duas edições distintas, O Deserto dos Tártaros de Dino Buzzati é uma das obras que marca o Realismo Mágico. Ainda assim deixo a nota de que, mais do que este, O Segredo do Bosque Velho é-me muito mais querido;