Assim foi: Sustos às sextas (Sessão de 15 de Maio)

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Foto retirada da página oficial do Evento

À entrada esperavam-nos árvores aparentemente fantasmagóricas – grandes esculturas que a parca iluminação fazia alongar os ramos, em assombrosas sombras de braços longos – tudo apropriado ao evento que se seguia, a última sessão da primeira temporada dos Sustos às Sextas, que tem ocorrido mensalmente.

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Depois da usual visita às salas de exposição, que desta vez continuam aquosas e fantásticas obras de arte, eis que se inicia a sessão, com um pequeno resumo de todo o ciclo, onde se realçaram as várias vertentes do evento (desde a música, ao teatro, passando pela literatura e pelo cinema) – um pequeno resumo que recorda a necessidade de existirem eventos diferentes, fora dos tradicionais moldes e temáticas.

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Foto retirada da página oficial do Evento

E eis que se inicia a apresentação de Rogério Ribeiro que seguiu a divergência do sobrenatural e da ciência ao longo das últimas décadas, onde o moralismo mais fechado da ditadura portuguesa afastou o tema espiritismo dos circuitos da normalidade, ainda que, na literatura, tenham continuado associados, principalmente nos mais conhecidos clássicos do género.

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Depois da leitura do conto Aniversário, vencedor do Concurso Literário de Contos de Terror, seguiu-se o Questionário de Terror que se tornaria um dos momentos mais divertidos do evento pela interacção entre as equipas. Depois de uma animada disputa pelo título os vencedores foram dois especialistas no género, David Soares e Gisela Monteiro.

Notou-se a vontade e o esforço dos organizadores, mas essencialmente o prazer, em apresentar temas e vertentes variadas do Horror, com especial destaque para o trabalho de vários portugueses.Agora é aguardar que haja oportunidade para uma segunda temporada do Evento ao qual já nos tínhamos habituado!

Últimas aquisições

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Com alguns adquiridos em segunda mão, outros em promoção, o conjunto desta semana tem especial destaque para o segundo volume de Saga pela G Floy – finalmente vou poder continuar esta série fantástica e desesperar então pelo terceiro:

Dois soldados de lados opostos de um imenso conflito apaixonam-se, e correm o maior dos riscos: criar uma nova vida, que vai constituir uma ameaça tremenda à narrativa belicista de uma galáxia em guerra. Hazel, a recém-nascida filha de Alana e Marko, já sobreviveu a assassinos a soldo, exércitos em batalha e monstros terríveis, mas, no vácuo gelado do espaço, irá encontrar um desafio bem diferente… os seus avós.

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Vencedor do prémio Nobel de 1961, Ivo Andric é o autor de O Pátio Maldito. Lançado em português pela Cavalo de Ferro, parece uma leitura interessante para os próximos dias:

 Frei Petar, monge bósnio cristão, é preso por engano e encarcerado na prisão de pior reputação duma Istambul, então Constantinopla, capital do Império Otomano: «O pátio maldito». Nesta, cruzam-se assassínos, violadores, assaltantes, conspiradores, mas também inocentes e falsos acusados de todas as classes e religiões, cada qual com um percurso, uma história e várias mentiras.

No «pátio maldito», o frade vai conhecendo as histórias dos seus companheiros de infortunio. A sua voz vai-se diluíndo nos muitos relatos dos outros prisioneiros até desaparecer entre as diversas histórias que ouve, as mentiras que cada um inventa e as diferentes noções de justiça e de realidade… Entre ódios e recordações vão-se misturando presente e passado, realidade e ficção, numa história de histórias.

Uma notável metáfora sobre a harmonia entre os homens em condições adversas. Andric descreve os processos pelos quais a História se entranha na vida dos indivíduos e neles se reflete, num eterno jogo entre o particular e o universal, ao mesmo tempo que põe a nu a raiz dos conflitos que têm assolado os Balcãs ao longo dos séculos.

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Já o da direita, Uma Ilha na Lua, promete não ser uma leitura pacífica:

Texto em prosa, esta farsa inclassificável de Blake, Uma Ilha Na Lua, escarnece da pretensão científica. Uma Ilha Na Lua é uma obra inacabada e incompleta, constituída por um conjunto de diálogos e canções sem um nexo óbvio, a não ser o facto de constituírem paródias da conversação de homens e mulheres burgueses nos serões literários e musicais dos círculos londrinos frequentados por William Blake na penúltima década do século XVIII. Nas conversas e canções afloram temas como a educação da criança,  a ciência moderna, as relações entre sexos, a moda ou a religião. Através de um grupo singular de habitantes da lua, cujos nomes alegóricos tipificam as personagens, são postas em cena, por vezes de forma absurda, um conjunto de práticas artísticas, educativas, religiosas e científicas.

Trata-se, de certo modo, de um talk-show do século XVIII, em que a conversação pública tem lugar nos salões polidos onde a burguesia pratica a troca de ideias. No texto de Blake surgem lado a lado o laboratório químico, o púlpito, a sala de aula e a sala de estar, numa espécie de zapping sobre os tópicos de conversa que faziam a agenda do dia. As personagens incluem filósofos, matemáticos, arqueólogos, cirurgiões, químicos. Fazem-se experiências, especula-se, bebe-se e canta-se.

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E porque um Nobel nunca vem só, eis Estrela Errante de J.M.G.Le Clézio, acompanhado por Bestiário de Julio Córtazar:

Volume composto por oito famosos contos, publicado originalmente em 1951, “Bestiário” de Julio Cortázar é um dos marcos da carreira deste autor e da moderna literatura.

Animais invisíveis, como o tigre do conto que dá título ao volume, que se desloca a seu bel-prazer pelos quartos de uma casa, obrigando a família que ali vive a mil cuidados e precauções a fim de evitar encontros indesejados; animais imaginários, como as “mancúspias” que anunciam as fases da Cefaleia; animais que despontam do nada, como os coelhinhos da “Carta a uma rapariga em Paris”; ou outros ainda subjugados ao poder de feitiçarias arcaicas que ganham novas formas e sentidos em “Circe”, todos eles compõem este bestiário fantástico de Julio Cortázar, no qual a descrição realista de atmosferas familiares faz luz sobre a vida secreta de uma sociedade povoada por tensões misteriosas e irracionais.

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Eis por sua vez, Bestas de Lugar Nenhum de Uzodinma Iweala e Tratado da vida sóbria de Alvise Conaro, o primeiro sobre guerras que envolvem crianças, o segundo uma visão interessante do efeito do meio na saúde. Eis parte da sinopse:

O seu Tratado da Vida Sóbria – uma das mais famosas autobiografias da Renascença – continua a pôr em causa a corporação médica mundial, por esta se ter esquecido da base biológica que rege o corpo humano a partir da escolha dos alimentos, da sua qualidade e, sobretudo, da justa medida de calorias necessárias a cada pessoa, individualmente, pois todos os estudos mais ou menos científicos apontam o excesso (ou a carência) como principal causa de disfunções graves.

Este livro é também anticonsumo, anticapitalista, um hino à alegria de viver com saúde e, acima de tudo, um sério aviso àqueles que se submetem cegamente aos poderes da medicina, depois manipulados e explorados de acordo com os interesses dos consultórios e das multinacionais que fabricam os medicamentos.

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Finalmente, estes dois livros de aspecto sombrio são os dois últimos volumes da colecção Novela Gráfica, lançada pela Levoir com o Público.

 

À espera de … (lançamentos internacionais)

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Depois de várias antologias apocalípticas descrevendo cenários de fim da humanidade pelos mais diversos motivos, eis uma nova colectânea, mais focada em desastres ambientais. A listagem de autores incluídos auspicia uma boa amostra de histórias:

Collected by the editor of the award-winning Lightspeed magazine, the first, definitive anthology of climate fiction—a cutting-edge genre made popular by Margaret Atwood.

Is it the end of the world as we know it? Climate Fiction, or Cli-Fi, is exploring the world we live in now—and in the very near future—as the effects of global warming become more evident. Join bestselling, award-winning writers like Margaret Atwood, Paolo Bacigalupi, Kim Stanley Robinson, Seanan McGuire, and many others at the brink of tomorrow. Loosed Upon the World is so believable, it’s frightening.

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Atraem-me histórias sobre livros e bibliotecas – e esta, estará de acordo com a expectativa elevada que estabelece?

Carolyn’s not so different from the other people around her. She likes guacamole and cigarettes and steak. She knows how to use a phone. Clothes are a bit tricky, but everyone says nice things about her outfit with the Christmas sweater over the gold bicycle shorts.  After all, she was a normal American herself once.

That was a long time ago, of course. Before her parents died. Before she and the others were taken in by the man they called Father. In the years since then, Carolyn hasn’t had a chance to get out much. Instead, she and her adopted siblings have been raised according to Father’s ancient customs. They’ve studied the books in his Library and learned some of the secrets of his power. And sometimes, they’ve wondered if their cruel tutor might secretly be God.

Now, Father is missing—perhaps even dead—and the Library that holds his secrets stands unguarded. And with it, control over all of creation. As Carolyn gathers the tools she needs for the battle to come, fierce competitors for this prize align against her, all of them with powers that far exceed her own. But Carolyn has accounted for this. And Carolyn has a plan. The only trouble is that in the war to make a new God, she’s forgotten to protect the things that make her human.

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Nem toda a ficção tem de ser anglosaxónica – de origem russa tem uma descrição deveras peculiar:

Damilola Karpov is a pilot. Living in Byzantium, a huge sky city floating above the land of Urkaina, he makes his living as a drone pilot – capable of being a cameraman who records the events unfolding in Urkaina or, with the weapons aboard his drone, of making a newsworthy event happen for his employers: ‘Big Byz Media’. His recordings are known as S.N.U.F.F.: Special Newsreel/Universal Feature Film.

S.N.U.F.F. is a superb post-apocalyptic novel, exploring the conflict between the nation of Urkaina, its causes and its relationship with the city ‘Big Byz’ above. Contrasting poverty and luxury, low and high technology, barbarity and civilisation – while asking questions about the nature of war, the media, entertainment and humanity.

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In the fantastical, gaslit underground city of Recoletta, Oligarchs from foreign states and revolutionaries from the farming communes vie for power in the wake of the city’s coup. The dark, forbidden knowledge of how the city came to be founded has been released into the world for all to read, and now someone must pay. Inspector Liesl Malone is on her toes, trying to keep the peace, and Arnault’s spy ring is more active than ever. Has the city’s increased access to knowledge put the citizens in even more danger? Allegiances change, long-held beliefs are adjusted, and things are about to get messy!

Abril de 2015

Aqui fica mais um resumo mensal sobre ficção especulativa em Portugal. Esta listinha resume o que achei mais interessante este mês em solo nacional (ou sobre projectos portugueses). Claro que se resume ao que tive acesso, existindo de certeza mais artigos que poderiam cá constar. Convido a deixarem novos blogs a seguir ou outros artigos que tenham achado interessantes.

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Lançamentos Nacionais Relevantes

Talvez por causa da proximidade da Feira do Livro, ou simplesmente coincidência, este foi um bom mês para a ficção especulativa

O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro – Gradiva;

O Homem do Castelo Alto – Philip K. Dick – Saída de Emergência (é uma nova edição);

Dias de sangue e Glória – Laini Taylor – Porto Editora;

Bestiário – Julio Cortazar – Cavalo de Ferro;

A Música do Silêncio – Patrick Rothfuss – Asa;

Fatale Vol.2 – G Floy;

Saga Vol.2 G Floy;

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Críticas interessantes

Ficção científica

Continuam a ser poucos os que criticam SF, mas eis alguns relevantes:

The New Atlantis – Ursula K. Le Guin – Nuno Ferreira;

The Long Tomorrow – Leight Brackett – Intergalacticrobot;

Seventy-two Letters – Ted Chiang – Que a Estante nos Caia em Cima;

Contos vários Fantasy&Co – Tales of Gondwana – estão a ser comentados vários dos contos disponíveis gratuitamente, alguns de autores já conhecidos de antologias portuguesas como Ricardo Dias, Carina Portugal ou Pedro Cipriano;

Behold the Man – Michael Moorcock – Intergalacticrobot;

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Fantasia

De realçar o aparecimento contínuo de livros de autores portugueses:

A segunda vinda de Cristo à Terra – João Cerqueira – Uma Biblioteca em Construção;

Insonho: Durma bem – Vários autores – Intergalacticrobot;

O Lobatruz e outras desventuras – Judith Nogueira – Deus me Livro;

Bons Augúrios – Neil Gaiman e Terry Pratchett – Nuno Ferreira;

A cada dia – David Levithan – Floresta de Livros;

A Música do Silêncio – Patrick Rothfuss – Uma Biblioteca em Construção;

Coisas frágeis – Neil Gaiman – Nuno Ferreira;

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Banda desenhada

Mucha – David Soares – Intergalacticrobot;

A Metrópole Féerica – José Carlos Fernandes – aCalopsia;

Le Confesseur Sauvage – Philippe Foerster – As Leituras do Pedro;

A Arte de Voar – Altarriba e Kim – Intergalacticrobot;

Comprimidos azuis – Frederik Peeters – Leituras de BD;

Em Busca de Peter Pan – Cosey – As Leituras do Pedro;

Moonhead and the Music Machine – Andrew Rae – Máquina de escrever;

Outros

Os que não me parecem encaixar directamente em nenhuma das categorias anteriores:

História Universal da Infâmia – Jorge Luís Borges – Deus me Livro;

Swan song – Robert McCammon – Intergalacticrobot;

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Outros Artigos

Estranhos são os dias em que estou a adicionar uma ligação ao Correio da Manhã…

Colecção Universo Marvel – Que a Estante nos caia em cima;

Um desabafo e uma bela colecção de banda desenhada – Caderião Voltaire;

Bairro problemático na periferia de Lisboa vira galeria de Arte – Conexão Lusófona;

Tracking with close-ups (7) – Viagem a Andrómeda – e porque o título diz muito pouco, fala-se de Terry Pratchet;

A Ficção de ideias de Ted Chiang – Que a Estante nos caia em cima;

Corrida infestada de Zombis em Sintra – Correio da Manhã;

Muitos poucos dedos de conversa sobre cinema de forma quase nada informada – Ficções Distópicas – Que a Estante nos caia em cima;

Luís Corredoura galardoado com um encouragement award – Jornal de Mafra;

Eventos

Sustos às sextas – espreitem também a perspectiva em Intergalacticrobot, bem como os vídeos em Cadernos de Daath,

Animacomics 2015 – Intergalacticrobot, aCalopsia;

Festival In – Intergalacticrobot – as coisas interessantes que se puderam ver na FIL, ficção científica tornada realidade;

Recordar os Esquecidos.

Resumos mensais anteriores

Janeiro 2015

Fevereiro 2015

Março 2015

Arquivos de Dresner – Afonso Cruz

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E porque nem sempre me dá para ler os livros pela ordem correcta e até porque, neste caso, não há grande diferença, acabei por ler o mais recente volume de A Enciclopédia da Estória Universal, Mar, antes deste Arquivos de Dresner. O estilo é o mesmo dos restantes volumes de A Enciclopédia, pequenas histórias interligadas contadas por ordem alfabética, que vão construindo uma história maior a cada entrada.

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A primeira grande história que vai ecoando pelo restante volume é a de um homem que, obsecado com a poesia de Petar Stramboliski, acaba por visitar a tribo Obokowo, onde o poeta terá vivido nos seus últimos dias. Admirado pela peculiar filosofia de vida da tribo, vai-nos contando pequenas e fascinantes histórias rocambolescas.

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Entre tartarugas bicéfalas e atletas que param a meio de importantes corridas, encontramos Sr. Abbott Abbott em exercícios temporais e pequenos trechos de sabedoria índia, intercalados com poemas de Stramboliski discorridos por um pássaro.

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Apesar de ter apreciado mais as histórias presente no volume Mar (talvez por causa da temática, mais dada a pensamentos perdidos), Arquivos de Dresner, surpreende sobretudo ao partir da influência de um livro na vida de um homem, e nas passagens centradas nos Obokowo. Como sempre, divertido, inteligente e leve, mas que não se confunda esta leveza com falta de conteúdo – cada pequena passagem pode dar origem a pequenos sorrisos ou pensamentos mais profundos.

Últimas aquisições

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Os novos habitantes das estantes são pouquinhos mas jeitosos. Os dois primeiros são dois exemplares da colecção Argonauta, da autoria de Clifford D. Simak, de quem li apenas, City, mas fiquei muito bem impressionada. Este Mundos Simultâneos parece uma história algo arrepiante pela premissa:

Lâminas de barba que nunca se gastavam, automóveis eternos, maravilhosas casas pré-fabricadas – tudo isso vendido a preços incrivelmente baixos, eis o suficiente para pôr em perigo de morte e economia mundial. E havia também estranhos acontecimentos: por exemplo, famílias inteiras desapareciam sem deixar vestígios.

Jay Vickers, o escritor, reflectiu sobre esses problemas desconcertantes. Pouco a pouco, o seu inquérito conduziu-o à verdade: a espécie humana encontrava-se num dos pontos críticos da sua história.

Os Mutantes possuem a faculdade extraordinária de passar, por uma simples concentração mental, do nosso planeta para um outro planeta absolutamente idêntico, uma espécie de Terra n.º 2, virgem de casas e cidades, onde tudo é novo, onde tudo está por construir. Este planeta repete-se igualmente, e assim sucessivamente até ao infinito. Não é uma única Terra que gira em volta do Sol, mas uma série de mundos simultâneos, oferecendo aos homens maravilhosas possibilidades de expansão e felicidade.

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Aparentemente de temática bastante diferente parece Caminhavam como Homens:

Autor apresentado em Portugal através da colecção argonauta, Clifford D. Simak dá-nos com o presente romance um estranho e envolvente universo, em que tudo de conjuga para prender o leitor e o escravizar à leitura. Caminhavam como homens é a visão inquietante dum futuro possível que o tempo poderá tornar real.

Entre estes dois encontra-se A Música do Silêncio de Patrick Rothfuss. Ignorando todas as indicações do autor, estou a ler este livro que decorre no mesmo Universo que a sua saga fantástica. Este A Música do Silêncio constituirá uma história à parte e de tom bastante diferente do restante trabalho do autor:

Sob a Universidade há um lugar escuro. Poucas pessoas sabem da sua existência: uma rede descontínua de túneis antigos, corredores serpenteantes e salas abandonadas. Ali, no meio desse local esquecido, situado no coração dos Subterrâneos, vive uma jovem. O seu nome é Auri, e é uma jovem cheia de segredos.”A Música do Silêncio” é um vislumbre breve e agridoce da sua vida, uma pequena aventura só dela. Ao mesmo tempo alegre e inquietante, esta história oferece-nos a oportunidade de ver o mundo pelos olhos de Auri. E dá-nos a oportunidade de conhecer algumas coisas que só ela sabe… Neste livro, Patrick Rothfuss leva-nos ao mundo de uma das personagens mais enigmáticas da série «A Crónica do Regicida». Repleto de segredos e mistérios, A Música do Silêncio é uma narrativa sobre uma jovem ferida a tentar viver num mundo destruído.

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E estes são dois dos volumes da colecção Novela Gráfica que está a ser publicada com o Público pela Levoir. No mínimo curiosos!

Últimas aquisições digitais

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O mais recente lançamento do projecto Adamastor foi, também, uma das minhas mais recentes leituras, Do passado para o futuro, e do futuro para o passado, é um retrato ficcional interessante de um Portugal que ainda não existe e esperemos que nunca exista. Infelizmente, a realidade poderá vir a aproximar-se da ficção.

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Eis um livro que está na minha wishlist há já alguns anos, e que tive oportunidade de ler numa subscrição gratuita do serviço SCRIBD. Deixo a minha opinião, bem como uma sinopse do livro:

Since the time of pre-history, carpetmakers tie intricate knots to form carpets for the court of the Emperor. These carpets are made from the hairs of wives and daughters; they are so detailed and fragile that each carpetmaker finishes only one single carpet in his entire lifetime. This art descends from father to son, since the beginning of time itself.

But one day the empire of the God Emperor vanishes, and strangers begin to arrive from the stars to follow the trace of the hair carpets. What these strangers discover is beyond all belief, more than anything they could have ever imagined… Brought to the attention of Tor Books by Orson Scott Card, this edition of The Carpet Makers contains a special introduction by Orson Scott Card.

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Ganhando um cheque Amazon num passatempo internacional, lembrei-me de procurar que mais havia do autor de The Carpet Makers e eis que encontro este Lord of All Things:

Winner of the 2012 Kurd-Laßwitz-Preis for best German science fiction novel, Lord of All Things is also a story about love against all odds.

They are just children when they meet for the first time: Charlotte, daughter of the French ambassador, and Hiroshi, a laundress’s son. One day, Hiroshi declares that he has an idea that will change the world. An unprecedented idea of how to sweep away all differences between rich and poor.

When Hiroshi runs into Charlotte several years later, he is trying to build a brighter future through robotics. Determined to win Charlotte’s love, he resurrects his childhood dream, convinced that he can eradicate world poverty by pushing the limits of technology beyond imagination. But as Hiroshi circles ever closer to realizing his vision, he discovers that his utopian dream may contain the seeds of a nightmare—one that could obliterate life as we know it.

Crisscrossing the globe from Tokyo to the hallowed halls of MIT to desolate Arctic islands and Buenos Aires and beyond—far beyond—Lord of All Things explores not only the dizzying potential of technology but also its formidable dangers.

 

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E, como não poderia deixar de ser, eis mais um Story Bundle, um conjunto de livros digitais pelo qual se paga o que se quer, sendo que alguns dos livros apenas ficam disponíveis pagando acima de um determinado limite. Desta vez o tema são as edições Indie, mais propriamente os sobreviventes – o organizador escolheu de entre vários livros publicados, os que não só sobreviveram após as primeiras páginas de leitura, como ainda conseguiram entusiasmá-lo:

Every morning, he gets on his treadmill, opens a new indie fantasy or science fiction ebook, and starts his morning walk. Any book that can hold his attention for the duration of that forty minute stroll gets labeled a survivor. But getting there is not easy. Every time he reads something that breaks his immersion in the story—bad grammar, inconsistent worldbuilding, illogical character behaviors, etc.—that book earns a red flag, called a WTF. If he finds three WTFs before he finishes his walk, the clock stops, the book closes, and he goes off to write up a report about what went wrong.

He did this 114 times. These books are the survivors.

 

Série de links interessantes

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Bar steampunk – Romania

E existe alguma razão para que estas compilações se iniciem por diversas vezes com o tema Steampunk – o cruzamento das engenhocas com qualquer estilo originam belíssimos espaços e peças de arte. Neste caso trata-se de um bar na Romania. No artigo podemos ver que, entre mesas toscas e quadros de cavaleiros com goggles, se encontram zeppelins a servir de candeeiro, transportes aquáticos semelhantes a polvos, e máscaras robóticas com engenhocas de roldanas.

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Esculturas surrealistas de Ellen Jewett – clicar na imagem para visualizar artigo e outras esculturas

Mudando totalmente de estilo,esta delicada escultura é apenas uma das muitas que podem visualizar no artigo sobre a arte de Ellen Jewett. Surrealistas e pouco densas, como que recordando um sonho ou uma mistura do essencial dos corpos com a imaginação, a maioria das esculturas junta partes de mais de um animal ou objecto, resultando em fantásticas peças mesmerizantes. Caso estejam curiosos, as peças estão à venda na galeria oficial da artista, desde preços acessíveis (65€) a proibitivos (2 500€).

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Menos naturais e mais metálicas, mas igualmente fantásticas, são as esculturas de Richard Stainthorp. Explorando principalmente a figura humana em transfigurações fantasiosas de imensa fluidez, as peças conseguem ser fabulosas. Apesar da uniformidade em material e cor possuem uma estranha vivacidade.

Eis, outros artigos sobre arte fantástica, bastante interessantes:

Fantast in Focus: Daniel Merriam – imagens espectaculares carregadas de arabescos que transformam qualquer estrutura banal em algo espectacular;

Salvador Dali illustrates Alice in Wonderland – em 1969 o artista terá realizado 12 gravuras para uma versão ilustrada do livro, cada uma mais espectacular do que a anterior.

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Agora para um tema mais literário – alguém recorda o fantástico Baudolino de Umberto Eco? Um livro passado em terras imaginárias com animais míticos, tudo envolto em tropelias de mentiroso? Bem, eis a razão pela qual me recordei desta obra – Legendary Lands, também de Umberto Eco, explora mapas de sítios imaginários e apresenta dissertações sobre a nossa atracção por estes temas. Neste artigo podem ver um pouco mais do que nos espera com a leitura. Continuando com terras inventadas baseadas na realidade, aconselho a leitura deste artigo – Fantasy Worlds that break history’s back. Aqui encontram uma pequena dissertação sobre a transfiguração da história e da realidade.

E entre os artigos que mais gosto de manter, encontram-se sempre algumas listagens de livros, por títulos curiosos:

13 Fantasies Inspired by Mythology from the British Isles – esta pequena lista possui alguns livros óbvios como Mythago Wood de Robert Holdstock, mas também obras menos conhecidas que valerá a pena explorar para quem gosta deste género;

Five books that are also labyrinths – novamente pela TOR.com, um curtíssimo conjunto que possui alguns dos meus livros favoritos e outros que, neste seguimento, foram logo adicionados à lista de aquisições futuras;

Five books about weird metropolises – outra lista que contem obras favoritas, mas à qual, sem pensar muito, juntava muitos mais! Como The Other City de Michal Ajvaz;

16 Ecologically-minded speculative fictions – e se o conceito vos repele ou vos desinteressa, basta olhar para o início da listagem para perceber que talvez estejam a passar à frente de boas obras: Annihilation de Jeff Vandermeer, Oryx and Crake de Margaret Atwood, ou Stand on Zanzibar de John Brunner.

OK, Where do I start with that – a lista das listas – Jo Walton fez um grande índice alfabético explorando a cada letra um conjunto de autores e sugerindo livros para iniciar a leitura. Concordando-se ou não com algumas das escolhas, contem excelentes sugestões, que ainda não tive tempo de explorar para além da letra C. Sim, o conjunto é assim tão grande!

Finalmente, sem qualquer categoria específica eis mais quatro artigos:

Origins of the ghoul – figura explorada raramente nas recentes obras de fantástico negro ou horror, apresenta-se como uma transfiguração da espécie humana;

Jessamy Taylor’s top 10 castles in fiction – castelos que inspiraram ou serviram de palco para grandes obras;

11 Facts about Shirley’s Jackson The Lottery – o excelente conto distópico deu que falar e incomodou muita gente;

9 Great songs about libraris, librarians and books – e porque não ouvirmos, também, algo relacionado com livros?

Março de 2015

Aqui fica mais um resumo mensal. Esta listinha resume o que achei mais interessante este mês em solo nacional (ou sobre projectos portugueses). Claro que se resume ao que tive acesso, existindo de certeza mais artigos que poderiam cá constar. Convido a deixarem novos blogs a seguir ou outros artigos que tenham achado interessantes.

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Críticas interessantes

Ficção científica

Escasseiam as públicações, as leituras e consequentemente as críticas de ficção científica. Ainda assim, vão aparecendo, dois livros de contos, e, bastante supreendente, dois de autoria portuguesa, ainda que um não seja publicado sob o cunho de SF:

Teremos sempre Paris – Ray Bradbury – Leituras do Corvo Fiacha;

O Último Europeu – Miguel Real – Simetria;

Por mundos divergentes – vários autores – Floresta de livros.

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Fantasia

Já publicação de livros de fantasia há com fartura, mas pouca é aquela que não é juvenil ou excessivamente romantizada e pouco original. Eis alguns dos livros que no meio das dezenas de publicações se destacam (mesmo A Quimera de Praga sendo juvenil parece, pelas críticas, interessante):

Insonho: Durma bem – vários autores – Tales of Gondwana;

The Whispering Swarm – Intergalacticrobot;

A Lenda do Vento – Stephen King – Nuno Ferreira;

A quimera de Praga – Laini Taylor – Uma Biblioteca em construção.

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Banda desenhada

Neste ramo não faltam as boas publicações e são imensos os leitores e críticas. Difícil é escolher as melhores:

Saga 4 – Brian K. Vaughan – Que a estante nos caia em cima;

Beterraba – a vida numa colher – Miguel Rocha – aCalopsia;

Foi assim a guerra nas trincheiras – Jacques Tardi – As leituras do Pedro;

A viagem – Edmond Baudoin – Intergalacticrobot;

Eu mato gigantes – Joe Kelly e Ken Nimura – aCalopsia;

Que luz estarias a ler – Ana Biscaia e João Pedro Messeder – Cadeirão Voltaire;

Um contrato com Deus – Will Eisner – Intergalacticrobot;

A louca do sacré-coeur – Jodorowski e Moebius – aCalopsia.

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Outros

Sobre aqueles livros que, no meu entender, não encaixam em nenhuma das anteriores categorias, ainda que genericamente possam ser considerados como ficção especulativa. Eis os artigos que me ficaram:

O grande manuscrito – Zoran Zivkovic – Deus me livro;

O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada – Maurice Druon – Leituras do Corvo Fiacha;

Sete minutos depois da meia-noite – Patrick Ness – Deus me livro;

As raparigas cintilantes – Lauren Beukes – Nuno Ferreira;

Golpes – Jean Meckert – Deus me livro.

Outros artigos

Menos literários, ou não se centrando apenas num livro, mas mais num autor ou acontecimento, eis outros artigos interessantes que fui encontrando este mês, ou projectos de destaque (como Contos não Vendem ou Biblioteca Fantasma).

Lobos. História de guerra e de paz com magia dentro – Público;

O Episcopado da Argentina de Bernard Quiriny lido por Pedro Vieira – Contos não vendem;

No one is actually dead until the ripples they cause the world die away – Viagem a Andrómeda;

Como a tecnologia nos muda, ou não… – Virtual Illusion;

Batman: 75 anos de aventuras – As leituras do Pedro;

Ilustrador convidado – Hélio Frazão – Bang;

Biblioteca Fantasma – Imaginauta.

Lançamentos nacionais relevantes

Os lançamentos são poucos, mas ainda vão surgindo alguns:

A colecção Lua Cheia – Civilização Editora – à falta de site próprio da editora, deixo a listagem consultável na FNAC;

1974 – Filipe Verde – estarei a ver história alternativa portuguesa?

Eventos

E nesta altura do ano que costuma ser um vazio de eventos, Março continuou mostrando que 2015 é excepção. Esperemos que assim continue:

– Sustos às sextas (aqui podem encontrar o relato de Artur Coelho, e aqui, o meu) – o evento deste mês teve direito a apresentação de João Barreiros sobre o horror e a exposição de várias obras em torno dos monstros clássicos;

Recordar os esquecidos – cada vez mais movimentado de sessão a sessão, teve como convidadas Patrícia Portela e Irene Pimentel.

Outros resumos

Dezembro 2014

Janeiro 2015

Fevereiro 2015

Destaque da semana: Novas edições pela Colecção Lua Cheia

Lua cheia

As mais recentes colecções da Civilização Editora são de encher os olhos! Mas neste caso o destaque é para a colecção Lua Cheia onde podemos encontrar novas edições de livros de ficção especulativa, mais propriamente clássicos dos géneros da ficção científica, do fantástico e do horror. Para além dos títulos interessantes e das capas graficamente impressionantes, o preço é bastante razoável e está agora a 20% de promoção.

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Quem não conhece a fantástica história da Dama pé de cabra, aqui compilada por Alexandre Herculano

“A Dama Pé-de-Cabra”, conto que dá título ao livro, conta a história de um nobre que, ao encontrar na serra uma dama, se perde de amores por ela; mas a dama não é quem parece ser e o nobre terá de sofrer muito em consequência das suas escolhas. Um conto misterioso, intrigante, marcante pelo tom com que é apresentado e onde os elementos sobrenaturais são soberanos. “A Abóbada” fala da construção do Mosteiro da Batalha, em particular, da abóbada da casa do capítulo. Este conto envolvente, marcado por descrições soberbas, ilustra como o orgulho excessivo pode ser a ruína de um homem. Um poderoso relato de uma época de grande poder e forte superstição.

frankenUm dos primeiros livros enquadrados no género de ficção científica, um clássico no género que pode ser também classificado como sendo de horror:

É Mary Shelley quem nos remete diretamente para a Antiguidade Clássica ao considerar o seu Frankenstein como o Prometeu moderno. O fogo dos deuses é agora o segredo da vida, que se vê materializado na criatura engendrada pelo Dr. Frankenstein através de uma heterodoxa abordagem do método científico, onde também se cruza alguma da investigação feita em torno do galvanismo e da medicina forense, em voga na época. Apesar de tomar como seu um atributo divino, o Dr. Frankenstein não será capaz de controlar completamente as implicações próprias da sua criação, o que terá, naturalmente, consequências funestas. Temos pois um olhar romântico sobre Prometeu e o mito de Pandora, onde se vislumbram os homúnculos de Paracelso e o Golem da tradição judaica.

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Alicerçada na tradição folclórica do Leste europeu e nas primeiras produções literárias sobre o tema, Carmilla haveria de dar origem ao arquétipo do vampiro feminino na literatura universal. Exerceu um papel fundamental na elaboração de Drácula (1897), sendo considerada a obra que deu a Bram Stoker a ideia e a inspiração para escrever o seu romance. Certa noite, após um acidente de carruagem, uma jovem muito atraente, Carmilla, uma das passageiras, é convidada a ficar hospedada no castelo da família de Laura para se recuperar.Carmilla é uma figura alegre e exótica, totalmente oposta a Laura. Entre elas desenvolve-se uma intensa e apaixonada amizade, mas os estranhos hábitos de Carmilla começam a despertar a curiosidade dos empregados. Quando uma “estranha doença” começa a conduzir à morte várias jovens da redondeza, Laura, cujas noites de sono são dominadas por terríveis pesadelos, procura descobrir os segredos da nova amiga e resistir aos seus encantos

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“Os Crimes da Rua Morgue” é considerado por muitos a primeira obra policial de sempre. Mãe e filha são encontradas mortas num edifício situado na Rua Morgue, uma artéria parisiense. As vítimas foram brutalmente assassinadas e a sala onde foram descobertos os corpos encontrava-se trancada por dentro. Para adensar o mistério, os vizinhos alegam ter ouvido o assassino falar numa língua que ninguém consegue identificar. Quando um homem é acusado do crime, C. Auguste Dupin, um indivíduo solitário e de aguçada inteligência, oferece-se para ajudar a polícia a resolver este caso e impedir que um homem inocente seja preso por um crime que Dupin acredita não ter cometido. Um pelo encontrado junto dos corpos leva-o a crer que o assassino poderá não ser humano…

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O comportamento do Dr. Jekyll, um conceituado médico londrino, começa a preocupar os seus empregados e amigos, especialmente porque, cada vez mais isolado no seu laboratório, recebe frequentemente o intrigante e violento Mr. Hyde.Temendo pela vida do amigo, o advogado Utterson resolve tirar a limpo a história e vai à residência do médico procurar a explicação para tão bizarro comportamento. E é aí que descobre o que realmente se está a passar.

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Em carta datada de 25 de outubro de 1915, dirigida a G. H. Meyer, da Kurt Wolff Verlag, Kafka exprime de forma veemente a sua preocupação pelo facto de o ilustrador escolhido para a sua obra, Ottomar Starke, poder vir a querer representar um inseto na capa de Die Verwandlung (A Metamorfose). “Isso de maneira nenhuma, por favor”, escreve Kafka, em antecipação. “O inseto em si não pode ser esboçado. Não pode ser visto sequer à distância.” Volvidos cem anos em 2015, a Civilização propõe aos seus leitores uma leitura renovada de “A Metamorfose”, de Franz Kafka, no cumprimento estrito da vontade expressa pelo autor, que julgamos reveladora.

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Os contos fantásticos de Machado de Assis, bem pautados pelo estilo francês, concentram o teor mágico e insólito das suas narrativas no elemento onírico. É por meio do sonho, loucura, delírios ou alucinações que os protagonistas se defrontam com aparições fantasmagóricas, aventuras inacreditáveis, ameaças de morte, encontros com cientistas insanos e viagens astrais. Geralmente o enredo tem início em ambientes verosímeis, que em nada remetem ao surreal. E dessa forma Machado conduziu muito bem os seus textos deste teor. Vivendo num mundo crível, monótono e enraizado no quotidiano, os protagonistas são repentinamente lançados em ambientes mágicos, maravilhosos, e que fogem das leis normais da compreensão humana, como em “A Chinela Turca”, conto que dá título a este livro.

Eventos: Recordar os Esquecidos – Patrícia Portela e Irene Pimentel

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Está agendada e planeada mais uma sessão de Recordar os Esquecidos,  a decorrer na Livraria Almedina no Atrium Saldanha, com moderação de João Morales. A sessão deste mês conta com a presença de Patrícia Portela, autora que terá participado em ambos os livros da Prado, Microenciclopédia micro-organismos, microcoisas, nanocenas e seus amigos de A a Z e O Caso do Cadáver Esquisito.

Depois da leitura de ambos a curiosidade levou-me mais longe e já cá anda um livro da autora pelas estantes, Para Cima e Não para Norte.  Por completa coincidência comecei a lê-lo este Domingo, e logo nas primeiras páginas se realçam as referências a Flatland.

Últimas aquisições digitais

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Eis uma publicação portuguesa. De capa simples e interessante, esta pequena colectânea reúne cinco autores de Joel Pulga. Eis parte da sinopse disponibilizada pelo autor (podem ler a completa aqui):

O Último – Aterrorizado com a ideia da morte, um homem deixa-se contaminar pelo vampirismo de forma a prolongar a sua vida indefinidamente. Porém, quando as legiões do Céu e do Inferno se enfrentam na derradeira batalha, vê-se como o último ser humano na Terra. Deixar-se-á arrastar pacificamente para um dos reinos do pós-morte?

Sasabonsam – Durante a Guerra da Guiné, um grupo de guerrilheiros guineenses abate um avião português. Ao investigar os destroços, descobrem não só que o piloto sobreviveu, mas também que este não é humano. Intelectual, um dos guerrilheiros, vê-se obrigado a enfrentar o monstro, assim como o tribalismo que infecta as mentes dos seus camaradas.(…)

Uma Demanda Literária – Na sua busca por livros raros, Cirio encontra a ilusiva livraria de Mormont, cuja localização muda regularmente, mas que se diz conter volumes quase impossíveis de achar. Contudo, mesmo depois de tudo o que passou para ali chegar, terá Cirio concluído a sua demanda?

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De seguida, eis um conjunto de livros de viagens no tempo, organizado pelo Story Bundle, um site que promove conjuntos de livros digitais a preço acessível. E qual o preço? O que quiserem por seis dos livros, 14 dólares para terem o conjunto todo. Realço que quem aderir à newsletter recebe alguns grauitamente, de tempos a tempos – esta semana enviaram uma das edições da Lightspeed, revista que costuma vir carregadinha de boas histórias.  Ainda que de menor interesse para mim (mas quem sabe para outros) encontra-se também disponível um conjunto de histórias militares pelas mesmas condições.

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No topo encontra-se Dicionário do Diabo de Ambrose Bierce. Esta pequena, mas caricata edição pela Tinta da China é literalmente um pequeno dicionário ilustrado onde são expostos conceitos conhecidos sob uma outra perspectiva. Eis parte da sinopse:

No seu estilo deliciosamente sarcástico, com um humor satírico inteligente, o autor assume o papel do Diabo para subverter o sentido que habitualmente atribuímos às palavras. Bierce inventou um dicionário politicamente incorrecto, capaz de provocar tudo e todos. O seu humor é hoje tão acutilante como há cem anos atrás.

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Acompanhando este dicionário encontram-se outros dois pequenos livros, Os conjurados de Jorge Luís Borges e Inxalá, de Carlos Quiroga, publicados na colecção Biblioteca de Verão pelo Diário de Notícias. Por sua vez, a Viagem é uma edição bilingue de contos de ficção científica e fantástico, publicada há vários anos pela Simetria. Entre os autores encontramos vários nomes desaparecidos no cenário de publicação recente como Daniel Tércio ou Maria de Menezes, com obras publicadas na antiga colecção de SF da caminho.

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Tendo gostado das publicações da Prado onde participa a autora Patrícia Portela, resolvei experimentar algo só da autora. O lado encontra-se Contos do Gin-Tonic de Mário-Henrique Leiria, um daqueles livros que ando há anos para adquirir. Eis finalmente, e aqui fica a sinopse:

Os Contos do Gin-Tonic são já um clássico da literatura surrealista, sabemos disso. Continuamos a lê-los e a relê-los, ano após ano, pelos dias fora, pelas noites dentro, sozinhos, em casa, aos amigos, em cafés, em bares, em teatros, nas ruas, à luz de um candeeiro qualquer, numa esquina errante, num espaço algures, de súbito reinventado, traduzido, recriado do fundo da noite pela força motriz destas histórias rocambolescas, destes contos que recriam seres e situações, vidas, paixões e desesperos, recortes erráticos de um outro real, forçando-nos, sem dor, a parir mundos e a abraçar outras formas de pensamento… uma outra e mais ágil maneira de ver… é esta a força viva do surrealismo, nas palavras gritadas pelo buril de Mário-Henrique Leiria.

E eis o que uma passagem na Fyodor books me faz à carteira. Para além do Dicionário do Diabo ainda “tive” de trazer estes dois!

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Série de links interessantes (2015-03)

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Expandindo-se muito para além da literatura, o género Steampunk tem dado origem a belíssimas peças de decoração ou de arte como esta acima. Entrelançando elementos naturais com tecnologia a vapor, madeiras e cobres, surgem várias galerias excepcionais para quem gosta do género (Galeria 1 | Galeria 2).

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Igor Verniy

 

Continuando no género Steampunk, deixo-vos um link para o festival de Steampunk em Tóquio que cruza elementos deste género de ficção especulativa, com elementos orientais. Mas já agora, porque não, também, Steampunk na Rússia? Desta vez não sob a forma de arte, mas de objectos de decoração. Igor Verniy cria esculturas steampunk de animais recorrendo a peças antigas seja de automóveis ou de relógios. O resultado é fantástico.

Artigos interessantes

Baddies in books: Steerpike, the great manipulator – O papel dos mauzões na literatura, mais concretamente na trilogia Gormenghast (publicada em português pela Saída de Emergência, sem grande furor, apesar de ser uma excelente trilogia fantástica);

6 SF / F Novels with non-white protagonists that aren’t by Octavia Butler – Depois de alguma polémica na net relativamente a artigos que desaconselham a leitura de obras centradas em homens brancos, eis que surge uma lista com sugestões para seis obras onde se inclui o Stranger In Olondria (que achei muito bom). Questões de género ou de raça à parte, a pequena lista tem boas sugestões de leitura;

Nebula Awards – Estão publicados os nomeados deste ano. Dos listados apenas li Annhilation de Jeff Vandermeer, mas estou curiosa em relação a Three-Body Problem de Cixin Liu e Ancillary Sword de Ann Leckie;

Throwback Thursday: The Tartar Steppe and the Birth of Magical Realism – publicado nos últimos anos em duas edições distintas, O Deserto dos Tártaros de Dino Buzzati é uma das obras que marca o Realismo Mágico. Ainda assim deixo a nota de que, mais do que este, O Segredo do Bosque Velho é-me muito mais querido;

 

Resumo de Leituras – Março de 2015

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29 – Wastelands – Stories of the Apocalypse – Vários autores – um bom conjunto de histórias apocalípticas que surpreendeu com os autores menos conhecidos, mas que ficou aquém nos autores mais relevantes. Com diferentes abordagens ao tema, algumas muito interessantes, um conjunto aconselhável.

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30 – O Manuscrito Durruti – Rafael Gouveia – pequena história de encontros e desencontros ao longo de várias cidades europeia, que culmina de forma abrupta. Exercício interessante em torno de Durrutti, mas que do ponto de vista da história contada tem pouco para retirar.

Jacaranda

31 – Jacaranda – Cherie Priest – História de horror decorrendo no mesmo Universo que a série steampunk ClockWork Century, onde se cria um ambiente apropriado dentro de um hotel mais habitado do que parece à primeira vista. Engraçada, sem ser excelente, a história possui algumas falhas na concretização, em que a autora parece não saber o que fazer com tanta personagem.

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32 – The Dark Issue I – Vários autores – A primeira edição desta revista possui quatro contos fantástico com detalhes de horror de Nnedi Okorafor (conhecida por Who Fears Death), Rachel Swirsky, Angela Slatter e Lisa L. Hannett. Gostei bastante de dois dos contos, o que é excelente considerando que é uma revista que, até agora, tem sido distribuída gratuitamente.

Wastelands: Stories of the Apocalypse (Parte 3)

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(continuação de:

Part 1: The End of The Whole Mess de Stephen King, Salvage de Orson Scott Card, The People of Sand and Slag de Paolo Bacigalupi, Bread and Bombs de M. Rickert;

Part 2: How We Got In Town and Out Again  de Jonathan Lethem, Dark, Dark Were the Tunnels de George R. R. Martin, Waiting for the Zephyr de Tobias S. Buckell, Never Despair de Jack McDevitt, When SYSADAMINS Ruled The Earth de Cory Doctorow)

Imaginem que os animais, à semelhança das bactérias, conseguiam incorporar pedaços de DNA estranho no seu próprio genoma. Assim parece ser em The Last of the O-Forms de James Van Pelt, onde, sem justificação aparente, todos os animais que nascem se apresentam demasiado discrepantes quando comparados com os progenitores. Permanecem as figuras anatómicas básicas (pernas, boca ou olhos), mas uma vaca origina, por exemplo, um ser cruzado com um crocodilo. Não uma quimera, com parte do corpo de cada um, mas um misto na sua totalidade.

The Last of O-Forms

De animal estranho em animal estranho, um homem construiu um pequeno circo ambulante. Acompanhando-o, encontra-se uma criança que é, afinal, muito mais velha do que parece. De inteligência desmedida, ela é aparentemente humana, mas é um dos novos seres. De cidade em cidade, o dono do circo tenta substistir num mundo em que o que começa a ser raro são os seres originais. Sem ser tão extraordinária como as histórias de George R. R. Martin ou Cory Doctorow, é uma abordagem interessante, explorada de forma inteligente. Caso estejam interessados, este conto encontra-se foi lido no site Drabllecast.

Em Artie’s Angels de Catherinne Wells o cenário é o vulgar mundo radioactivo, que leva os seres humanos a isolarem-se em cúpulas, onde se organizam de acordo com o status social. O que é diferente nesta história é abordagem humana. Artie, apesar de habitar numa das zonas mais pobres, é um visionário, que vê, na ocupação, uma forma de fugir à vida criminosa. Líder nato, consegue influenciar um grupo de crianças a segui-lo. Inteligente, aprende a construir bicicletas que distribui pelos elementos do seu grupo, tornando-os aptos a fugir aos gangs e constituindo um grupo de transportadores, reconhecido até pelos mais favorecidos.

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Retirado do Drabblecast, onde podem encontrar gratuitamente, uma versão audio do conto Judgement Passed

 

O Dia do Julgamento passou. Fora da Terra um grupo de astronautas em missão falha o evento. Quando finalmente se vêem na Terra, descobrem que são os únicos seres humanos do planeta. Incrédulos com os relatos dos jornais, não sabem como proceder: se devem rezar para que Deus se lembre da sua existência, ou se devem permanecer silenciosos e aproveitar o planeta. Assim é Judgment Passed de Jerry Oltion, uma história memorável pela ironia que expressa através dos membros da expedição que, originalmente ateus, se vêem confrontados com algo que nunca esperariam.

Em Inertia de Nancy Kress, a população divide-se entre os afligidos, contaminados por uma doença desfigurativa mas não letal que vivem pacificamente isolados; e os saudáveis, que permanecem num mundo conflituoso de escassez e crise económica. Aceitando a condição que os separa, os afligidos dividem irmamente todos os recursos que possuem, sem guerras nem disputas, o que, na sua condição de isolamento é estranho o suficiente para que alguns cientistas os estudem.

Entre estas histórias encontra-se Still Life with Apocalypse de Richard Kadrey, uma história banal onde a tensão entre os seres humanos dá origem a um evento em cadeia de violência, de tal forma que termina a civilização; Mute de Gene Wolfe é um pequeno puzzle, aberto a várias interpretações onde duas crianças parecem incurraladas e sozinhas no mundo;

Fevereiro de 2015

Eis mais um resumo mensal, desta vez com uma pequena modificação de formato.

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Críticas interessantes

Ficção Científica

O Verdadeiro Dr. Fausto – Michael Swanwick – Leituras do Corvo Fiacha;

Por Mundos Divergentes – Vários autores – Que a Estante nos Caia em Cima;

Exhalation – Ted Chiang – Nuno Ferreira;

Fantasia

A Segunda Vinda de Cristo à Terra – João Cerqueira – Deus me Livro;

Mares de SangueScott Lynch – Nuno Ferreira;

O Poço da Ascenção – Brandon Sanderson – Deus me Livro;

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Banda desenhada

A Morte Persegue-me – Ed Brubaker – Que a Estante nos Caia em Cima;

Poem Strip – Dino Buzzati – aCalopsia;

2001 Nights – Intergalacticrobot;

Revoir Paris – Benoit Peeters, François Schuiten – Intergalacticrobot;

Habibi – Craig Thomson – Cadeirão Voltaire;

Outros

O Deserto dos Tártaros – Dino Buzzati – Leituras do Corvo Fiacha;

A Biblioteca – Zoran Zivkovic – Deus me Livro;

Contos reunidos – Aldous Huxley – Deus me Livro;

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Outros artigos

Vejam Lisboa na Era Neo-Vitoriana – Game Over – Adaptação de várias cidades ao estilo do The Order: 1886 – mas se quiserem ver as imagens oficiais, eis;

O Regresso de Luís Louro: 1994 a 2007 – aCalopsia;

Fantasporto procura histórias… – Simetria;

Micro-contos de Jacques Sternberg, lidos por Joana Bértholo – Contos não vendem;

EBA: Dança e Storytelling – Virtual Illusion.

Lançamentos nacionais mais relevantes

Terras devastadas Stephen King – publicado pela Bertrand é o terceiro volume da série;

O Poço da Ascenção – Brandon Sanderson – publicado pela Saída de Emergência, pertence à saga Mistborn;

A Quimera de Praga – Taini Taylor – a nova aposta fantástica da Porto Editora;

Sete minutos depois da meia noite – Patrick Ness – pela Editorial Presença parece ser um juvenil fantástico com elementos de horror;

Colecção Novela Gráfica – saiu o primeiro volume, Um Contrato com Deus, em capa dura e preço acessível;

História Universal da Infâmia – Jorge Luís Borges – apesar de existirem volumes com a obra completa, a Quetzal tem publicado estes pequenos conjuntos, mais manobráveis.

sustos as sextas

Eventos

Se normalmente os eventos se costumam acumular todos por volta de Outubro / Novembro, parece que este ano é a excepção. Os eventos iniciados em Janeiro prosseguem, e esperemos que assim seja nos próximos meses:

Sustos às sextas – a segunda sessão foi marcada por interpretação ao vivo de passagens do Fantasma da Ópera, por uma pequena sessão em torno do filme Coisa Ruim, e pela leitura de um conto de António Monteiro à luz das velas;

Recordar os Esquecidos – decorreu a segunda sessão de Recordar os Esquecidos na Almedina, sessões moderadas por João Morales onde convidados recordam livros que poucos lembram, ou que nunca foram muito conhecidos.

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Outros resumos

Novembro 2014

Dezembro 2014

Janeiro 2015

Últimas aquisições digitais (algumas gratuitas)

the situation

Publicado em 2008 é uma pequena e espectacular história de um ambiente de trabalho surreal em todos os aspectos, um ambiente de trabalho que se vai tornando cada vez mais hostil e distante enquanto se aprofundam as intrigas entre colegas. Mas sendo uma história de Jeff Vandermeer, claro que não poderia ser assim tão simples. Lentamente percebemos que fora daquela empresa a cidade sofreu alguma catástrofe e os trabalhadores têm muito pouco de humano. The Situation encontra-se disponível gratuitamente. Caso gostem, podem também encontrar uma pequena banda desenhada no site TOR.com.

humble bumdle

 

A Subterranean Press costuma ser responsável por excelentes edições de ficção científica e fantástica, de conhecidos autores dos géneros. Em parceria com a Humble Bundle estão a lançar um “paga o que quiseres” por um excelente conjunto de sete edições digitais: Brayan’s Gold de Peter V. Brett ou Jacaranda de Cherie Priest (conhecida pela série Steampunk iniciada com Boneshaker). Quem pagar mais do que a média tem direito a mais 12 livros de entre os quais destaco os livros de Clive Barker, Ted Chiang, John Scalzi, ou Elizabeth Bear . E quem pagar mais do que 15 dólares recebe ainda a mais 3 livros. Resumindo: por 15 dólares podemos receber 22 livros.

The Situation – Jeff Vandermeer

the situation

Enquanto a mais recente trilogia de Jeff Vandermeer faz furor em 17 países (NTY-bestselling), cá é um nome pouco conhecido, tendo apenas dois trabalhos publicados em português : A transformação de Martin Lake & Outras histórias e Almanaque do Dr. Thackery T. Lambeshead de Doenças Excêntricas (ambos excelentes, já agora).

Publicado em 2008, The Situation é uma pequena e espectacular noveleta de Jeff Vandermeer, uma história surreal e envolvente que é, na prática, bastante real se conseguirmos ver por detrás das transformações físicas que envolvem quer as personagens, que ros objectos. O enredo centra-se num escritório de uma grande empresa, mais especificamente numa pequena equipa em que os membros, além de um projecto comum, desenvolvem projectos individuais.

Tudo parece correr sobre rodas, até que um dos elementos de equipa é transferido para outra área. Sob um manager incompetente, os elementos que até se davam como amigos, partilhando momentos fora do horário laboral, perdem o elemento agregador, começando a divergir, tanto em objectivos individuais, como no projecto em curso. Quando se estabelece uma aliança entre dois dos elementos, inicia-se a hostilização do terceiro.

Claro que, sendo uma história de Jeff Vandermeer, nada poderia ser assim tão simples. Devagar percebemos que a cidade sofreu alguma catástrofe e que, o jovem trabalhador, vê aquela empresa como uma segunda casa. Por outro lado, os trabalhadores pouco têm de humano, mudando de aparência como quem muda de humor. Os projectos, esses, são ainda mais fantásticos, projectos de escaravelhos que ajudam as crianças a aprender, ou de peixes que, engolindo estudantes lhes ensinam capacidades matemáticas.

Sob a capa de toda a surrealidade, está a verdadeira história – a forma como colegas de trabalho pouco honrados interceptam mensagens de outros com intuitos malévolos, onde as amizades são apenas aparentes para alguns – meras alianças oportunísticas. Talvez por isso haja personagens que literalmente mudam de aspecto várias vezes ao dia, e outros que adoptam uma aparência animaléstica, cada vez mais distante e fria.

The Situation encontra-se disponível gratuitamente. Caso gostem, podem também encontrar uma pequena banda desenhada no site TOR.com.

 

Últimas aquisições digitais (algumas gratuitas)

Dark magazine

Se forem ao site oficial da revista podem-se inscrever para receberem quatro volumes gratuitos. O primeiro foi-me enviado já esta semana e ainda que os autores deste não me sejam conhecidos, nos volumes anteriores podemos encontrar Nnedi Okorafor, Silvia Moreno-Garcia ou S.L. Gilbow. Mais conhecidos ainda são os editores: Jack Fisher e Sean Wallace. O primeiro editor da revista Flesh & Blood costuma organizar antologias. Já o segundo é o editor da Prime books, tendo já organizado revistas como a Clarkesworld, The Dark ou Fantasy Magazine. Este será sem dúvida um projecto para acompanhar nos próximos tempos.

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Para quem usa o Kindle reader através de um Samsung existe a possibilidade de adquirir um volume gratuito todos os meses. De entre as quatro possibilidades deste mês escolhi este The Mongoliad:

The first novel to be released in The Foreworld Saga, The Mongoliad: Book One, is an epic-within-an-epic, taking place in 13th century. In it, a small band of warriors and mystics raise their swords to save Europe from a bloodthirsty Mongol invasion. Inspired by their leader (an elder of an order of warrior monks), they embark on a perilous journey and uncover the history of hidden knowledge and conflict among powerful secret societies that had been shaping world events for millennia.

But the saga reaches the modern world via a circuitous route. In the late 19th century, Sir Richard F. Burton, an expert on exotic languages and historical swordsmanship, is approached by a mysterious group of English martial arts aficionados about translating a collection of long-lost manuscripts. Burton dies before his work is finished, and his efforts were thought lost until recently rediscovered by a team of amateur archaeologists in the ruins of a mansion in Trieste, Italy. From this collection of arcana, the incredible tale of The Mongoliad was recreated.

Full of high adventure, unforgettable characters, and unflinching battle scenes, The Mongoliad ignites a dangerous quest where willpower and blades are tested and the scope of world-building is redefined.

A note on this edition: The Mongoliad began as a social media experiment, combining serial story-telling with a unique level of interaction between authors and audience during the creative process. Since its original iteration, The Mongoliad has been restructured, edited, and rewritten under the supervision of its authors to create a more cohesive reading experience and will be published as a trilogy of novels. This edition is the definitive edition and is the authors’ preferred text.

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O site VODO de vez em quando disponibiliza e-books a preços muito acessíveis. Ainda assim quem achar que o preço é excessivo, pode sempre fazer uma proposta de preço, que às vezes até é aceite. Neste momento, dos que se encontram disponíveis interessei-me por um livro de Daryl Gregory, e por esta colectânea de histórias de ficção científica de países tão distintos como Filipinas, Israel, Tailândia, Croácia ou Malácia (entre outros). No site oficial encontram não só uma lista completa de conteúdos como a sinopse:

Among the spirits, technology, and deep recesses of the human mind, stories abound. Kites sail to the stars, technology transcends physics, and wheels cry out in the night. Memories come and go like fading echoes and a train carries its passengers through more than simple space and time. Dark and bright, beautiful and haunting, the stories herein represent speculative fiction from a sampling of the finest authors from around the world.

we are all completely fine daryl gregory

Entre Pandemonium e The Devil’s Alphabet, os livros de Daryl Gregory costumam apresentar boas histórias de premissas originais e improváveis:

Harrison was the Monster Detective, a storybook hero. Now he’s in his mid-thirties and spends most of his time popping pills and not sleeping. Stan became a minor celebrity after being partially eaten by cannibals. Barbara is haunted by unreadable messages carved upon her bones. Greta may or may not be a mass-murdering arsonist. Martin never takes off his sunglasses. Never. No one believes the extent of their horrific tales, not until they are sought out by psychotherapist Dr. Jan Sayer. What happens when these seemingly-insane outcasts form a support group? Together they must discover which monsters they face are within–and which are lurking in plain sight.