Resumo de Leituras – Maio de 2016 (1)

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105 – Crónicas incongruentes – Miguelanxo Prado – Este é o terceiro livro de Miguelanxo Prado que tive oportunidade de pegar. Tal como Fragmentos da enciclopédia délfica este volume é composto por pequenas histórias mas, neste caso, não de ficção científica futurística, mas apresentando conhecidas situações do dia a dia levadas ao extremo;

106 – Mão direita do diabo – Dennis McShade – A primeira aventura que Dinis Machado ue ppublicou sobre o pseudónimo de Dennis McShade centrada no assassino de nome alusivo a D. Quixote, que, tendo um código moral que usa para aceitar apenas determinados trabalhos, gosta de literatura e de música clássica;

107 – The Nightmare Factory Vol.1 – Vários – Adaptação para banda desenhada de alguns bons contos de Thomas Ligotti que exploram sobretudo o terror psicológico que advém da fronteira difusa entre o real e o imaginado. O primeiro apresenta um tributo a Lovecraft, com uma história dentro do ambiente típico deste mestre. As restantes utilizam sonhos, psicoses e demências. Boas histórias e boa adaptação;

108 – A feiticeira de Florença – Salman Rushdie – Depois de ler Dois anos, oito meses e vinte e oito dias de Salman Rushdie resolvi pegar noutro livro do autor. Apesar da temática exótica, misteriosa, fantástica e fascinante com a história de várias personagens entrelaçada ao longo de várias décadas, é menos coeso e centrado que o Dois anos (…). É agradável de se ler e tal como o outro livro possui pequenos episódios fascinantes, mas na sua globalidade não me conseguiu cativar da mesma forma.

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As quinze primeiras vidas de Harry August por Claire North é o terceiro volume da coleção Admiráveis Mundos da Ficção científica que se encontra em lançamento conjunto da Saída de Emergência com o Jornal Público. Livro inédito desta coleção, é o volume que mais antecipava. Vencedor do prémio John W. Campbell Memorial, tinha lançamento previsto para Agosto de 2015, mas só agora chegou às bancas. Se por um lado foi uma tremenda espera, por outro o preço é bastante mais acessível (6,95€).

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A vida aventurosa de Sparrow Drinkwater por Trevor Ferguson promete uma mirabolante aventura ao género das que eram produzidas antigamente com jovens que se metiam com meliantes, despertando para a vida adulta com a descoberta de que a realidade é bem mais dura e menos transparente do que a fantasia:

A mãe de Sparrow acreditava que o filho tinha sido concebido por um corvo que desceu dos céus numa noite de estrelas e explosões. A grande desilusão da sua vida foi que Sparrow nunca tenha aprendido a voar.

Sparrow nascido e criado num manicómio, onde a loucura da mãe e dos que o rodeiam é a sua única realidade, um dia é levado para o mundo exterior. Perde o rasto da mãe, descobre-se sozinho numa grande cidade… e a sua vida aventurosa ainda mal começou!

Esta é a fabulosa história de Sparrow Drinkwater, que atravessa o continente americano obcecado por descobrir a identidade do seu pai, reencontrar a mãe e desvendar o mistério do seu passado. No seu caminho cruzam-se sinistros criminosos, atravessa os túneis secretos sob as ruas da Montreal, vive tremendas perseguições em comboios de alta-velocidade, encontra a «feiticeira» da rua Bloomfield, leva a cabo brilhantes golpes nas altas esferas da finança internacional…

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Há já algum tempo que ando para ler O Ensaio sobre a cegueira de José Saramago, mas as edições que se encontram dos livros de Saramago são tão foleiras que tenho evitado a aquisição, pensando, talvez, numa edição mais antiga em bom estado. Bem, infelizmente apenas está prevista a publicação deste volume em edição de capa dura no âmbito da colecção RTP, mas digam lá que não tem muito melhor aspecto que a edição da Porto Editora? Melhor ainda, esta, de capa dura, custa 10 euros. Aproveitando a promoção de 20% da FNAC… bem… ficou por 8.

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No seguimento do 30º aniversário do acidente de Chernobyl foi publicado pela Levoir, em parceria com o jornal Público, esta banda desenhada da autoria de Natacha Bustos e Francisco Sanchez. O livro também se encontra disponível na FNAC (com os usuais descontos) e apresenta um retrato singular do acidente.

À esquerda encontra-se o primeiro volume de Mr. Hero, uma banda desenhada escrita por James Vance e desenhada por Ted Slampyak, centrada numa personagem criada por Neil Gaiman. Claro que aqui o nome de Neil Gaiman aparece em letras garrafais ocultando os restantes intervenientes – é um nome que vende. Autómato que se move a vapor para ser uma força maléfica, torna-se um herói nobre. Claro que o nome de Neil Gaiman foi o que me levou a pegar no livro, mas o interior foi o que me convenceu a trazê-lo.

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The Nightmare Factory – Stuart Moore, Joe Harris e vários

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The Nightmare Factory é originalmente uma colecção de contos de Thomas Ligotti, um dos autores mais referenciados nos géneros de ficção Weird e de horror, com influências óbvias de Lovecraft e Edgar Allan Poe, onde se destaca o terror psicológico em detrimento da violência física.

Em dois volumes de banda desenhada são adaptados alguns destes contos. As histórias originais são de Ligotti, mas a adaptação para banda desenhada foi realizada por Stuart Moore e Joe Harris na componente narrativa e por Colleen Doran, Lee Loughridge, Ben Templesmith, Ted McKeever, Chris Chuckry e Michael Gaydos na arte. O resultado é um bom e diversificado conjunto de histórias.

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A primeira história, The Last Feast of Harlequin, foi dedicadao por Thomas Ligotti a Lovecraft contendo óbvias referências a este escritor. A história começa com uma simples investigação por um antropologista a um pequeno festival de palhaços. Deslocando-se à vila descobre um ambiente soturno e deprimente, onde não faltam as donzelas há muito desaparecidas e um estranho encontro com um conhecido académico, também julgado desaparecido.

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Em torno do festival de palhaços existirá um ambiente deprimente na vila que atingirá o auge antes do festival, para ser expiado durante as festividades. Tendo esta descrição do ambiente na vila, o antropologista julga escapar a este estado de espírito viajando apenas na véspera para o local – engana-se. Todo este gradiente pesado de sentimentos será sentido durante a viagem. O que descobre é um festival de palhaços que integra, sem compreender antecipadamente a cumplicidade local em torno do evento.

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Em Dream of a Mannikin o pesadelo começa quando uma paciente descreve ao psicólogo um sonho recorrente em que despe e veste manequins numa profissão que terá apenas quando dorme. Ainda dentro do sonho retorna a casa para sonhar com o manequins em que trabalha em sonho. Numa história voltada do avesso em que se duvida do que é real, o que será um sonho dentro de um sonho, quando à nossa volta surgem indícios desse sonho? Utilizando a possibilidade de sugestão hipnótica para suavizar a fronteira da realidade, é um interessante conto de terror psicológico em que o próprio cérebro se torna uma prisão.

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Deambulando novamente sobre a fronteira do que é real e do que pode ser percepcionado, neste caso não por sugestão, mas por doença psicológica, Dr. Locrian’s Asylum descreve a influência que um asilo tem sobre uma vila, décadas depois de ter sido encerrado. É que o Dr. Locrian tinha uma perspectiva peculiar sobre as doenças psicológicas, encarando-as não como algo a ser curado, mas como uma manifestação do sobrenatural.

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Em Teatro Grottesco (que dá nome a uma colectânea de contos de Thomas Ligotti) explora-se a relação do artista com a decadência – até onde poderá ocorrer esse declínio no que é oculto até que o artista se perca mentalmente?

O terror não precisa de ser espampanante para causar impacto – nestes contos de horror adaptados para banda desenhada utilizam-se sobretudo as nuances psicológicas, o terror da expectativa, da depressão e das fronteiras difusas da realidade que causam a incerteza e a loucura.

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Ainda que possam existir monstros nalgumas histórias, é sobretudo o precipício mental que conduz o conto. O ambiente é, em todos, pesado, característica que é explorada pelos vários artistas, em estilos que vão sendo diferentes de conto para conto mas que funcionam bastante bem. Antes de cada conto encontramos uma pequena introdução, referindo influências ou ideias.

Disney Hiper N.º 40

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Este volume Hiper contém oito histórias Disney, de comprimento e público alvo diverso. Se a história que abre e ocupa metade do volume, Mickey e o bando do espirro, é engraçada mas contém um desenvolvimento lento, quase circular, mais voltada para um público juvenil, apesar de apresentar Mickey como um detective inteligente, é a segunda história, Segunda Versão que se torna uma interessante surpresa tecnológica onde populam os Universos paralelos, os robots e a teoria de que a história poderá ser reescrita com viagens no tempo, existindo um espaço fora do tempo que poderá ser usado como escape seguro.

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Em Bandidos nas trevas volta-se novamente a um registo mais relaxado em torno de uma premissa tecnológica engraçada – a de que poderia existir um engenho capaz de induzir a escuridão total num raio de acção, capacidade que é aproveitada por dois ladrões, numa curta história de reviravolta cómica. Histórias de piratas encontram-se naquela fronteira, por vezes, indistinta, entre a realidade e a imaginação, apropriadas para os mais jovens que sonham com encontrar um tesouro. A estalagem das sete conchas aproveita esse ambiente de fascínio e aventura para tecer uma aventura engraçada e relaxada.

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Antes que seja dia traz-nos uma aventura com reminiscências frankesteinianas, começando por nos apresentar uma pequena e misteriosa vila onde os espantalhos estão a desaparecer, roubados dos vários terrenos. O roubo estará relacionado com uma lenda local, na qual um antigo feiticeiro terá utilizado espantalhos para criar um pequeno exército pessoal. Pergunta ao patelobo continua por meandros sobrenaturais, apresentando um reino mágico de pesadelos, que será explorado por engano por Mickey e pela sua amiga Manny.

No final voltamos a um tom mais tradicional e juvenil, com Donald e o compromisso esquecido, que explora a eterna rivalidade entre Donald e Gastão.

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A iniciar o conjunto desta semana temos novo volume de Disney, desta vez do número 40 da Hiper, que me foi enviado pela editora, Goody. Este conjunto parece ser bastante diverso, com histórias futuristas de realidade alternativa e lobisomens. Ops. Patelobos.

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Segue-se o segundo volume de Psicopatos (enviado pela editora Arcadia), um livro cujo título, um trocadilho de psicopata, remete para o tom irónico e divertido das várias tiradas cómicas que possui.

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Estes são os dois volumes que compõem Duna, o clássico de ficção científica de Frank Herbert que inicia a colecção Admiráveis Mundos da Ficção Científica publicada numa parceria entre o Público e a Saída de Emergência. De realçar o preço acessível da colecção e o terceiro volume que foi lançado na passada sexta feira, o único inédito da colecção em mercado português, As primeiras quinze vidas de Harry August de Claire North.

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Já vi várias críticas negativas ou menos entusiastas ao Périplo de Baldassare de Amin Maalouf. No meu caso, talvez por o ter lido numa altura em que era muita dada ao género da ficção histórica, adorei a demanda que decorre num ano de loucura (1666) em que metade da humanidade acha que o mundo vai acabar, e a outra metade se aproveita da disposição da restante. Por sua vez As cruzadas vistas pelos árabes, um dos seus livros mais conhecidos, é uma leitura mais séria, centrada nas cruzadas pela perspectiva de quem foi invadido – uma leitura mais densa em factos e por isso menos fluída.

Este, Os Jardins da Luz não é inédito, mas a edição anterior, da Difel, já desapareceu há muito das livrarias. Este exemplar foi-me enviado pela editora e deverá ser uma das próximas leituras:

Durante muitos anos, o seu grito foi ouvido. No Egito, chamavam-lhe o Apóstolo de Jesus; na China, cognominavam-no o Buda de Luz; a sua esperança florescia à beira dos três oceanos. Porém, rapidamente surgiu o ódio, surgiu o encarniçamento.
Os príncipes deste mundo amaldiçoaram-nos; tornou-se para eles o «demónio mentiroso», o «recipiente repleto de mal» e, no seu humor cáustico, o «maníaco»; a voz dele, «um pérfido encantamento»; a sua mensagem, «a ignóbil superstição», «a pestilencial heresia».
Depois, as fogueiras cumpriram a sua missão, consumindo num mesmo fogo tenebroso os seus escritos, os mais perfeitos dos seus discípulos, e essas mulheres altivas que se recusavam a cuspir sobre o seu nome.

À direita encontramos o mais recente volume das aventuras de DogMendonça, “o mais simpático (e obeso) lobisomem português”. Este volume é diferente dos que compõem a trilogia principal, apresentando-nos quatro histórias mais curtas que foram publicadas originalmente na revista Dark Horse Presents. Estas histórias preocupam-se sobretudo em nos apresentar a personagem DogMendonça e são um complemento engraçado à trilogia. Este volume foi enviado pela editora Tinta-da-china.

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The Bell in the Fog & Other Stories – Gertrude Atherton

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The Bell in the Fog & Other stories é um dos muitos volumes da colecção Tales of Mystery & The Supernatural onde se encontram publicados alguns autores de horror mais clássicos, numa edição mais acessível.

Este reúne histórias de Gertrude Atherton com elementos sobrenaturais e algum suspense que, não induzindo propriamente horror, causam alguma apreensão no leitor. Entre almas penadas que falam sem cessar e encontros com a morte, encontramos histórias trágicas, com amores há muito perdidos, ou nunca alcançados.

Por vezes o horror é de circunstância – é a velhice que a todos ataca e impede de concretizar façanhas juvenis e que coloca uma senhora de 70 anos contra a criada de 40, aspirando a juventude desta que, por sua vez, vê também na sua idade um impedimento para mudar decisões de há muito.

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Em The Greatest Good of the Greatest Number um homem da ciência vê-se numa decisão racionalmente fácil e lógica mas que, contra todo o seu entendimento, se revela bastante mais difícil de concretizar, levando-o a um impasse tortuoso.

De leitura agradável, a maioria destes contos não possui elementos sobrenaturais, mas os que possuem conseguem ser os mais imaginativos do conjunto – almas que se inquietam com os novos barulhos que rodeiam o cemitério ou a morte que lentamente vai subindo as escadas ao “nosso” encontro. Não, na sua maioria não achei que fossem contos excelentes – jogam com o destino e com as circunstâncias da vida, escolhendo por vezes o caminho mais solitário e negro e por isso tornam-se interessantes.

Últimas aquisições

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Este conjunto começa com um volume diferente do habitual, mesmo no âmbito da banda desenhada – um volume de Disney Especial Fantasmas. Este volume é de Novembro de 2015 e por isso aparece no seguimento do Halloween, com histórias propícias à época, dedicadas a Fantasmas.

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Segue-se uma Antologia em tributo a Ray Bradbury, compilando histórias de vários autores conhecidos como Margaret Atwood, Kelly Link, Neil Gaiman ou Harlan Ellison. Como devem reparar o volume não é novo e trata-se de uma cópia com origem numa biblioteca – é normal, noutros países, as bibliotecas desfazerem-se de livros a excelente preço.

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O Gigante Enterrado de Kazuo Ishiguro foi um dos livros mais falados do ano passado por bons e maus motivos. Se por um lado recebeu excelentes críticas, por outro, a referência a livro de fantasia levou a que o autor se declarasse contra tal nomenclatura, despertando várias discussões sobre o tema de literatura de género. Pondo estas questões de lado, já o li e achei-o excelente, diferente de qualquer expectativa que poderia ter criado na sequência de tanta discussão.

Hamlet tinha um tio de James Branch Cabell despertou-me interesse pela forma como coloca a premissa, desfazendo a personagem Hamlet de Shakespeare e referindo que Hamlet será muito mais antigo e bastante diferente do que entretanto passou a ser conhecido:

As antigas sagas dos povos nórdicos narram a gesta de um príncipe viquingue que reinou na Jutlândia no tempo em que o infeliz Justiniano II («o do nariz cortado»), era imperador de Bizâncio. Amleth, ou Hamlet, cujo carácter Shakespeare moldou numa infinidade inventada de traços, dúvidas e filosofias, de ser ou não ser, e cuja loucura fingida comoveu gerações de espectadores de teatro, foi, afinal, uma figura de carne e osso. James Branch Cabell, de quem Mark Twain afirmava ser um dos mais notáveis autores da nova geração, segue de perto as antigas crónicas medievais para iluminar e reviver a vida sanguinária, incestuosa, violenta e «verdadeira» do príncipe Hamlet, num dos romances históricos mais surpreendentes e extraordinários da literatura, aqui pela primeira vez traduzido em português.

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Apesar de ter achado que o primeiro volume de Fatale era interessante mas não especialmente cativante, tive uma grande surpresa com os dois volumes seguintes, bastante mais movimentados e reveladores, onde se destacam as intensas influências lovecratianas com monstros tentaculados, seitas misteriosas e sangrentas e uma mulher como personagem principal capaz de manipular o género masculino recorrendo apenas à voz.

Claro que assim que saiu o quarto volume corri e, apesar de não ter achado tão envolvente quanto os volumes dois e três, apresenta uma história fechada, mais pausada e centrada num único acontecimento central, em que a personagem principal, tendo perdido a memória, encaminha os que a ajudam para a desgraça habitual de obsessão e morte.

Fables é uma longa série de banda desenhada que tem como premissa uma extensa guerra nos mundos das fábulas que leva a que as personagens fantásticas se refugiem no nosso mundo, disfarçadas. Fairest é uma das séries spin-off de Fables, sendo que este volume apresenta uma história fechada engraçada de crime, mistério e redenção.

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Por último, Fragmentos da enciclopédia délfica apresenta-nos, em vários episódios a evolução da espécie humana, com a inclusão de novas tecnologias, novos padrões culturais e a manipulação genética de duas espécies para as fazer ascender a uma nova capacidade intelectual. Um volume interessante, com histórias que se centram sobretudo no carácter humano e na permanência dos mesmos erros por mais evolução tecnológica que exista.

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Echoes Vol.1 – Joshua Hale Fialkov & Ransan Ekedal

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A série data de 2011 mas tem este mês nova edição pela Image, num único volume onde se conta toda a história. Pertencente ao género de horror contemporâneo explora os receios de um homem a quem foram diagnosticados problemas psicológicos concretizando, na história, as acções que tenta controlar.

Tudo começa quando ouve as últimas palavras do pai, que sofreria do mesmo mal, onde lhe indica uma morada e um local onde deverá descobrir algo. Receoso, o que encontra é bastante pior do que poderia imaginar – uma série de bonecas feitas de restos humanos de várias crianças desaparecidas.

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Se, no seguimento do diagnóstico psicológico semelhante ao do pai, já teria medo de ferir alguém, entre as visões provocadas pela ansiedade e a tentativa de o controlarem com medicamentos, após descobrir as bonecas é acometido por falhas de memória, não se recordando de alguns longos momentos do seu dia.

A sensação de descontrolo piora quando uma das raparigas que teria visto num parque desaparece e, na sua caixa de correio, encontra uma encomenda com uma boneca novinha em folha. Vendo-se questionado pela polícia decide, ele próprio, investigar um pouco mais sobre os últimos dias do pai.

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Com a esposa grávida, a personagem principal revela-se um homem consciente dos seus problemas e temeroso de ferir alguém no seguimento de algum episódio psicótico. Educado, charmoso, parece esconder nele um verdadeiro monstro que não consegue controlar.

E estes são os grandes momentos de terror em que associamos cenários de grande violência e maldade a um homem comum e simpático, até charmoso, pelo qual não conseguimos deixar de sentir alguma afinidade.

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Aqui está uma leitura verdadeira arrepiante que nos coloca na expectativa de um verdadeiro monstro que pode estar escondido sob qualquer cara, sob qualquer personalidade realmente empática ou afinal construída com um intuito voraz.

Sem querer deixar escapar elementos que podem arruinar a leitura, acrescento apenas que, tendo apreciado a história de terror apresentada, é a reviravolta moralmente correcta que estraga o final da narrativa, entregando-nos uma solução previsível e deixando de lado o horror mais profundo.

*** SPOILER ALERT ***

Agora sim, posso deixar escapar o que me arruinou o final. O inspector que segue o homem é uma personagem escorregadia e suspeita que se aproveita dos problemas mentais do homem para o culpabilizar. E o final teria sido tão mais brutal se o homem simpático pelo qual simpatizamos fosse o verdadeiro monstro, numa espécie de Jeckyll e Hyde, onde apagões mentais justificassem os episódios psicóticos.

Wytches – Snyder, Jock, Hollingsworth e Robins

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Aqui está uma banda desenhada que é verdadeiramente do género terror. Aproveitando os medos mais profundos que são exacerbados em cenários de grandes florestas escuras onde o vento e a luz provocam as mais hediondas visões, a história de Wytches cria uma versão pouco comum das bruxas, onde as apresenta como seres antigos e cegos, com poderes mágicos ilimitados, através dos quais concedem desejos aos seres humanos, em troca de um nome – o nome de um sacrificado que ficará marcado e que será consumido a todo o custo.

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A história acompanha uma pacata família que se muda para o campo no seguimento de um acidente rodoviário, que deixou a mãe numa cadeira de rodas. Mas a mudança para um local diferente não traz sossego a todos. A rapariga sofre de bullying por parte de outra aluna que acusa alguns sinais de demência. Este pesadelo irá ser substituído por outro ainda maior quando, na floresta, a rapariga assiste à morte da sua torturadora, à mão das bruxas, desaparecendo sem deixar rasto.

Única testemunha dos acontecimentos, e sabendo-se dos abusos que foram ocorrendo, não é de estranhar que a julguem esgotada e desconsiderem as descrições violentas. Mas a aura negra que rodeia a rapariga não se fica por aqui, passando a ser alvo de pequenos episódios macabros que se adensam e irão tornar o confronto com as bruxas inevitáveis – é que o seu nome terá sido nomeado e persiste uma dívida para com estes horríveis seres mágicos.

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A ideia de nomear alguém em troca de um desejo expande o desejo maléfico aos seres humanos, tornando as bruxas meros instrumentos de pessoas corrompidas pelo poder e pela imortalidade – e é aqui que reside o verdadeiro horror.

Uma premissa relativamente simples que usa receios comuns, quase tradicionais, nos cenários mais remotos (como uma floresta inóspita) é normalmente um bom princípio para uma história de horror. E neste caso foi o ponto de partida para uma excelente história – bruxas que se confundem facilmente com árvores e que as usam como refúgio construindo tocas profundas onde cozem as suas vítimas e as chupam até ao tutano.

Contos de S. Petersburgo – Nikolai Gogol

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Contos de S. Petersburgo é um conjunto de seis histórias, quase todas de decadência, onde algum acontecimento peculiar altera a vida de alguém de forma surreal, tornando-a um pesadelo. Quase todas começam com a descrição detalhada do espaço e das pessoas em que se centram, passando apenas depois desta descrição à acção propriamente dita onde estes detalhes são já desnecessários e os acontecimentos carecem de pouco contexto.

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Nevksy Prospekt (retirado de Lessons de Nikolai Gogol’s Nevksy Prospekt)

Numa movimentada praça central um homem cruza-se com uma mulher lindíssima que o leva aos mais fantasiosos episódios – alguns deles serão sonhos onde imagina esta senhora como um anjo caído em desgraça. O conto ganha o nome da praça onde se inicia, Nevksy Prospekt.

Já em O Diário de um Louco vamos conhecendo as deambulações mentais de um funcionário que é apaixonado pela filha do chefe. Pela história vai engendrando formas de ganhar a admiração da jovem, cada vez mais envolvidas pela miragem de uma loucura que se aprofunda – ora troca correspondência com a cadela, ora se imagina o herdeiro do trono espanhol.

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Nikolai Gogol. The Nose. ISBN 978-5-389-02585-1; 2011. Illustrator Igor Oleynikov.

O terceiro conto, O Nariz, é decerto um dos mais famosos do conjunto, e a história que me levou a pegar mais rapidamente no livro, depois de lhe ver referência em Dois Anos, oito meses e vinte e oito dias de Salman Rushdie. Um homem acorda sem nariz – em seu lugar um espaço de pele lisa permanece no rosto. Envergonhado e não podendo assim ser visto por gente importante, procura o nariz que deambula sozinho, livre, pela cidade.

Em O Coche um fazendeiro, já de algumas posses, enaltece as qualidades de um coche a companheiros de jogo e bebida, uns militares que permanecem na região. Prometendo-lhes um almoço no dia seguinte para lhes mostrar a riqueza de tal transporte, esquece-se de avisar a esposa quando chega de madrugada, demasiado bêbado. O resultado é previsível mas nem por isso deixa de ser cómico.

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Gogol. The Portrait. Tokareva Anna

O retrato é um dos contos do conjunto que se apresenta de estrutura quase tradicional, recordando os contos onde o dinheiro fácil fornecido pelo Diabo tem um preço. Aqui, ainda que o dinheiro não venha do Diabo, tem um poder de corromper quem dele usufrui. Um jovem e talentoso artista descobre, num quadro sombrio e assombrado uma avultada soma que lhe permitirá viver desafogado. Mas ao invés de aproveitar para aprofundar os seus talentos, começa a vender-se como retratista a metro.

Em O capote conhecemos o triste mas expectável destino de um homem que, pobre, amealha para o próximo agasalho de verão, fazendo dessa aquisição um grande projecto com o alfaiate. Mal sabe que este projecto há-de sofrer uma reviravolta atirando-o para a desgraça.

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Este excelente conjunto de contos cruza o absurdo e o surreal com o mundano, levando as personagens a situações bizarras ou ridículas de onde se tentam salvar mantendo a honra e a compostura, enquanto a loucura os assombra – seja a loucura enquanto doença psicológica de engrandecimento pessoal, seja a loucura fruto dos desgostos e desapontamentos da vida.

Resumo de Leituras – Abril de 2016 (3)

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81 –  Os contos inéditos de DogMendonça e Pizzaboy – Filipe Melo, Juan Cavia, Santiago Villa Este volume reúne os quatro contos publicados na DarkHorse Presents que tinham por objectivo apresentar as personagens da trilogia. Com o mesmo bom humor que já nos habituaram, os três primeiros contos acompanham o surgir de DogMendonça em Lisboa, enquanto o quarto apresenta uma pequena aventura monstruosa;

82 – Fatale – Vol.4 – Ed Brubaker – Apresentando mais episódios arrepiantes envolvendo uma rapariga com o poder de hipnotizar e comandar qualquer homem, não avança muito na história global da série, apesar de nos apresentar uma história coesa e completa;

83 – Uma caneca de tinta irlandesa – Flann O’Brien – Apesar de ter episódios divertidos este livro foi uma desilusão em ternos de narrativa, primando como objecto de interesse na leitura mais pela forma como vai expondo do que necessariamente pela história em si. Contrariando conscientemente alguns formalismos da escrita, o livro começa com a apresentação de quatro inícios da história ao invés do habitual primeiro. É assim que nos apresenta as personagens, algumas ficcionais que se materializam. Mas afinal quais são as personagens que são reais, se algumas surgem directamente na forma adulta? Com enumerações ocupando quase página inteira, com episódios pouco interessantes, não me agradou enquanto história;

84 – O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro – Não estava à espera de achar excelente, mas assim aconteceu. A história centra-se num casal de velhotes que não se recorda de quase nada da sua vida passada. Até poderia ser normal em idosos, mas o que não é normal é que o mesmo mal ataque toda (ou quase toda) a população daquela zona. Partindo em viagem em busca de um filho esquecido, o casal vai viver episódios de grande acção onde é a forte ligação que os une que os salva constantemente. E são estes detalhes, de grande dedicação entre ambos onde expressam a sua fragilidade e confiança, que tornam a história uma das melhores leituras dos últimos tempos.

Resumo de Leituras – Abril de 2016 (2)

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77 – A Idade de Ouro – John C. Wright – Livro de ficção científica futurista que se centra numa personagem de nome Faetonte. O nome da personagem é uma analogia a uma versão alternativa de um mito grego e ao longo da história vamos encontrando várias referências, quer a personagens emblemáticas de outros livros, quer a correntes filosóficas que aqui se materilizam em estilos de vida. Tudo num cenário de elevada tecnologia e capacidades imortais que contrastam com esta materilização de ideias e personagens da antiguidade;

78 – O comboio dos órfãos – Jim e Harvey – Philippe Charlot – Este volume agrupa duas das primeiras histórias do ciclo, constituindo em si uma história fechada. Apresenta a dura realidade do início do século na América em que, nas cidades, se acumulavam crianças sem pais, ou abandonadas. O que começa por ser uma acção de beneficência e caridade tendo em vista o bem estar destas crianças, distribuindo-as por novas famílias, cedo se torna uma via de engrandecimento moral dos benefeitores que mais parecem estar a distribuir encomendas ou escravos. Uma visão melancólica onde não falta um humor triste e quase desesperado;

79 – Em busca de Peter Pan – Cosey – Publicado na colecção de Novelas Gráficas pela Levoir em conjunto com o Público, tem como palco os Alpes, cenário que por si só justifica uma história. Nos Alpes encontra-se uma vila, em risco de ser esmagada pelo deslocamento de um glaciar – as primeiras previsões até podem dar à vila mais uns anos de sossego, mas a Primavera precoce muda as perspectivas. É neste cenário que se encontra um homem que procura, neste cenário, inspiração para o seu novo romance.

80 – O concílio do amor – Óscar Panizza – Referido no último Recordar os Esquecidos, retrata as figuras celestiais de formas pouco positivas – Deus é uma figura cansada e doente, sofrendo de catarro e acessos de raiva alternados com uma passividade senil, Maria é uma figura vaidosa que finge piedade, e Jesus é um tonto, cansado e dorido, sem ideias próprias. Claro que quem safa o enredo é o Diabo, figura inteligente a quem é atribuída a tarefa de descobrir como castigar o mau comportamento dos humanos.

Últimas aquisições

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Este grupo começa com duas aquisições que há muito se encontravam na minha “lista de desejos”, As histórias de terror do tio Montague e Uma Biblioteca da Literatura Universal de Herman Hesse. O primeiro é um livro juvenil de horror – curiosamente parece que só se publica neste género para jovens:

Edgar não resiste às cativantes histórias de terror que o seu tio Montague lhe conta quando o vai visitar, do outro lado do bosque. Mas qual será a ligação do seu tio a estas histórias sinistras? Prepara-te para morreres de medo quando descobrires que o tio Montague é, afinal, o protagonista da história mais terrífica de todas. Um livro assustador… Terás coragem para o ler?

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The Loney de Andrew Michael Hurley foi inicialmente publicado pela Tartarus Press, numa edição limitada que esgotou em pouco tempo. Como é habitual nas edições da Tartarus, neste momento apenas se encontra disponível pela módica quantia de 600 libras. Bem mais barata foi esta edição, mais recente em capa dura deste livro de terror que foi um dos mais falados de 2015 no género.

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Os Luminares de Eleanor Catton é um daqueles livros que nunca pensei adquirir, mas comecei a lê-lo numa livraria e, não só gostei da escrita, como do mistério e espírito que rodeava as primeiras páginas . Já disse que os sofás nas livrarias são a melhor invenção desde a roda? Estou a exagerar claro, mas dão para pegar em livros curiosos e tirar dúvidas de aquisição. Deixo-vos a sinopse:

Um mistério por resolver no século XIX na cidade de Hokitika, Nova Zelândia, que reagrupa o destino de doze personagens – e inovador pela estrutura reinventada dos romances vitorianos. A corrida ao ouro, o tráfico de ópio, a prostituição e a expiação do passado de cada uma das personagens, além de um grandioso mistério por resolver, relevam a singularidade desta obra: é um thriller e um romance histórico, iluminado por referências astrológicas e chaves simbólicas orientadoras do destino das personagens. Surpreendente e viciante, eis ficção ao mais alto nível literário.

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Depois das habituais aquisições periódicas (da Colecção Marvel da Salvat e dos Heróis DC da Levoir em conjunto com o jornal Público), encontram-se as aquisições de banda desenhada em língua francesa e um volume da Kingpin books. O primeiro, pela sinopse diria que é uma história com uma pitada de FC e de horror, enquanto Meta-baron apresenta um cenário totalmente futurista que me pareceu interessante.

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O melhor do primeiro trimestre de 2016

Estes três primeiros meses foram prolíferos em leituras, com 80 livros lidos, dos quais 38 são banda desenhada em inglês, português e até francês (ver Leituras 2016). Eis um resumo com os favoritos do primeiro trimestre, por ordem de leitura:

historia universal

1 – História Universal da Pulhice Humana – Vilhena – publicado pela E-primatur, uma das primeiras leituras do ano revelou-se um conjunto de episódios históricos transformados em alusões cómicas e satíricas à sociedade em geral, e à portuguesa em particular, com desenhos peculiares a acompanhar.

 

cavaleiro sueco

2 – O Cavaleiro Sueco – Leo Perutz – publicado pela Cavalo de ferro, é história fantástica com detalhes que recordam as histórias mais populares envolvendo o diabo, apresenta um dois homens que atravessam as terras geladas em busca de comida e abrigo – um nobre que terá desertado do exército e um pobre ladrão que se revela mais correcto moralmente do que o nobre. Por uma partida, acabam por trocar destinos, mas com as reviravoltas da vida irão endireitar o caminho de ambos.

dois anos

3 – Dois anos, oito meses e vinte oito dias – Salam Rushdie – Não tendo lido nada do autor antes deste livro, surpreendi-me pela premissa fantástica, e pelo seu desenvolvimento. Apesar de deambular em excesso nalguns episódios, está carregado de reminiscências de histórias conhecidas, com ecos de contos, lendas e histórias fantásticas, apresentando várias histórias cujo destino se cruza. Em  Portugal foi publicado pela Dom Quixote.

low

4 – Low – Vol.1 – Remender, Tochini – Banda desenhada de ficção científica que nos apresenta um futuro distante em que a humanidade foi obrigada a abrigar-se em cidades no fundo dos oceanos. Após várias gerações o ar não aguenta novas renovações, e as sondas enviadas à procura de planetas habitáveis não retornam. Ainda assim, neste mar de pessimismo deprimente , a personagem principal é a eterna optimista, a força que faz andar a história.

contos maravilhoso

5 – Contos Maravilhosos – Herman Hesse – Com estrutura base semelhante a contos populares, de figuras caracterizadas e de moral, estes contos elegantes e coesos possuem um objectivo claro – mas nem por isso o autor descura a criação de ambiente, envolvendo o leitor em cada história. Em Portugal este livro foi publicado pela Dom Quixote.

emphyrio

6 – Emphyrio Jack Vance – Clássico de ficção científica, apresenta uma sociedade distópica num cenário quase medieval ainda que tecnologicamente a humanidade seja capaz de viagens intergalácticas e domine as técnicas da biologia molecular. Mas neste planeta os comuns são mantidos sob uma economia rigidamente controlada, uma forma de manter a sociedade estagnada e dócil.

saga gosta

7 – A Saga de Gosta Berling – Selma Lagerlof – Aqui está, uma leitura mirabolante, carregada de reviravoltas dementes, de personagens irresponsáveis, sonhadoras e inconstantes – tudo envolto por elementos surreais. Pactos com o diabo sorrateiro, donzelas inocentes (ou nem tanto) que se deixam tentar, mulheres poderosas caídas em desgraça por se afirmar a verdade que já todos sabem, castigos com impacto prolongado – ao longo de quase 400 páginas vamos conhecendo a forma como se interligam os destinos destas pessoas numa sucessão de desgraças e poucas alegrias. Em Portugal foi publicado pela Cavalo de Ferro.

descender

8 – Descender – Vol.1 – Jeff Lemire – Banda desenhada de ficção científica que recorda Battlestar Galactica ou A.I. , apresentando um futuro onde algumas máquinas se assemelham a humanos e se revoltaram. A acção é centrada num pequeno robot que tem o aspecto de um rapaz, que estava adormecido na altura da revolta. Anos depois, acorda e tem como único objectivo encontrar a sua família. Infelizmente é uma peça importante no entendimento da revolta.

wytches

9 – Wytches – Vol.1 – Scott Snyder – banda desenhada de horror, pega em terrores antigos e profundos, retomando como cenário uma floresta deserta onde seres sobrenaturais, as bruxas se escondem. Estas bruxas concedem desejos a troco de vidas em cenários negros, misteriosos e sangrentos.

contrato com deus

10 – Um contrato com Deus – Will Eisner – Dizem-me que os livros de Will Eisner são todos semelhantes e que as histórias se repetem em tom e estilo. Bem, a vantagem é que li muito pouco de Will Eisner. O que destaca este volume é trazer-nos o ambiente da América de há algumas décadas, em histórias que retratam os factos daquela vida e daquele quotidiano, centrando-se sobretudo em personagens pobres ou remediadas que vivem na esperança de conseguirem algo melhor. Em Portugal este volume foi lançado pela Levoir em parceria com o jornal Público, na colecção de Novelas Gráficas.

comboio dos orfaos

11 – O Comboio dos órfãos – Jim e Harvey – Philippe Charlot e Xavier Fourquemin – Era para ficar pelas tradicionais 10 referências, mas tinha de citar este livro. Tomando inspiração nos anos 20 da América, acompanha os órfãos (ou crianças abandonadas) que eram recolocadas no interior do país para terem novas famílias e se afastarem de uma vida de vícios. De boas intenções está o inferno cheio – as crianças nem sempre são aceites com boas intenções, e os supostos benfeitores que patrocinam a distribuição das crianças deixam-se levar pela superioridade moral em que se envolvem. Em Portugal este volume foi publicado pela Arcádia.

Resumo de Leituras – Abril de 2016 (1)

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73 – Wytches – Scott Snyder – Banda desenhada de horror, pega em terrores antigos e profundos, retomando como cenário uma floresta deserta onde seres sobrenaturais, as bruxas se escondem. Estas bruxas concedem desejos a troco de vidas em cenários negros, misteriosos e sangrentos;

74 / 75 – Y: The Last Man -Vol.1 / 2 – Brian K. Vaughan – E se todos os homens, de todas as espécies, desaparecessem? Todos, claro, menos um – como não poderia deixar de ser, há um que se safa e é este o elemento principal da história. Se o seu objectivo é percorrer o globo em busca da sua noiva, a sua responsabilidade principal é servir de cobaia para a mais conceituada cientista no tema. Mas tudo vai estando em cidades diferentes e ao percorrem o país de comboio e de moto (o rapaz mais uma soldado e a cientista) vai encontrando grupos feministas radicais e pequenas cidades de pessoas menos sãs;

76 – Elephantmen 2260 – Vol.1 – Starkings & Medellin – Futurista, contem seres criados laboratorialmente que cruzam seres humanos com outros animais, dando origem a grandes homens-elefantes ou homens-rinocerontes. Com pequenas pitadas cómicas, as imagens, de cores brilhantes, apresentam lutas impossíveis entre estes seres geneticamente manipulados e robots ou dinossauros. Sem ser excelente, é leitura agradável e divertida.

Últimas aquisições

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Branca de Neve e os 700 anões é mais um dos livros de Vilhena que terão sido censurados, tanto pelo carácter subversivo como pelas figuras, de teor considerado imoral. Recentemente foi publicado, pela E-Primatur o volume História Universal da Pulhice Humana pelo mesmo autor. Este Branca de Neve e os 700 anões terá sido lançado em 2014, mas só agora o comprei, encontrando-se a bom preço em qualquer livraria.

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O Concílio do Amor de Óscar Panizza foi um dos livros referidos na última sessão de Recordar os Esquecidos (e que hei-de resumir brevemente). Foi daqueles que tive de comprar logo pela vívida descrição que foi feita. Este livro será uma provocação – a história decorre no céu, onde podemos encontrar seres éteros, como querubins ou anjos, mas também Deus, apresentada como uma figura velha, triste e decadente. Na realidade, do conjunto de seres, o único inteligente será O Diabo.

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The Bestiary é o mais recente projecto de Ann Vandermeer, um pequeno volume que apresenta vários monstros, cada um imaginado por um autor diferente. A acompanhar a descrição encontramos pequenas histórias e belíssimas ilustrações que fazem deste livro um elemento especial na estante. Deixo-vos algumas fotos do cuidado interior.

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O Bibliófilo Aprendiz de Rubens Borba de Moraes foi um volume que descobri na livraria Almedina. Neste livro o autor disserta sobre a arte de coleccionar livros, referindo quer truques para a aquisição de volumes raros, quer para a sua preservação. Com algumas ideias geniais, diria que é um volume obrigatório para todos os que gostam de ler sobre livros e sobre a arte de criar uma biblioteca (ainda que a arte de bibliófilo seja muito mais do que isso).

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Depois de ter adorado A Saga de Gosta Berling, bem como o conjunto de contos, O Livro das Lendas, procurei outros livros da autora publicados em Portugal, tendo encontrado este Os Milagres do Anticristo, do qual vos deixo a sinopse:

Um romance magistral e um dos mais representativos na obra de Selma Lagerlöf, «Os Milagres do Anticristo» conta-nos a história de um ícone religioso – e de uma sua réplica com a inscrição O Meu Reino É Só Deste Mundo. A história começa em Roma, no tempo do imperador Augusto, no exacto momento em que este se prepara para ordenar a construção de um novo templo consagrado a si próprio. Uma visão adverte-o de um futuro culto que a sua cidade dedicará a Cristo, e o templo é consagrado a este novo Salvador do mundo. O ícone que o representa atravessa séculos e lugares. A sua réplica, feita por um viajante, chega a uma pequena aldeia no monte Etna, onde começa a fazer milagres até se descobrir a sua identidade profana.

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Estes são três das  mais recentes aquisições de banda desenhada, publicados pela Image. Wytches tem sido um dos volumes mais referidos quando se fala de banda desenhada de horror e, já o tendo lido, posso comprovar que é excelente, aproveitando alguns dos medos mais profundos dos seres humanos, num cenário comum e, à primeira vista, pouco ameaçador.

Descender é uma banda desenhada de ficção científica onde encontro influências (ou ideias semelhantes) a outras obras do género literário, como Battlestar Galactica ou A.I. A personagem principal é um pequeno robot de companhia, construído para integrar uma família humana, mas que acorda descobrindo que a sua família desapareceu e que, nos longos anos que decorreram desde que esteve acordado, as máquinas se revoltaram.

Por sua vez, Elephantmen 2260 foi falado aquando da inauturação da Exposição de pranchas originais na Leituria, despertando interesse por ser um projecto que integrou, em volumes posteriores, um desenhador português, Carlos Pedro, autor de Salomão.

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Cidade-túmulo foi uma recente descoberta numa livraria, volume único disponível, de uma banda desenhada antiga de David Soares. Já Southern Bastards é o mais recente lançamento da G Floy, apresentando um ambiente típico da América ignorante interior, em que todos sabem da vida uns dos outros, mas escolhem não ver para poderem viver descansados. Até que um elemento disruptivo chega à cidade – um elemento de moral rígida que agirá correctamente.

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Resumo de Leituras – Março de 2016 (8)

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69 – Mercy – J.M. DeMatteis – Apesar de ser visualmente atraente, possui uma história demasiado esotérica para o meu gosto, misturando elementos sobrenaturais com deuses nativos numa mística de grande significado que tem bons momentos do ponto de vista gráfico, mas que, como história não me fascinou. Esta edição possui vários extras que ocupam tantas páginas como as da história, desde páginas com estudos a conversas entre o argumentista e o desenhador;

70 – Um contrato com Deus – Will Eisner – O estilo caricaturesco de Will Eisner é usado para representar uma América caracterizada pelos novos habitantes das grandes cidades, que se amontoam em prédios precários e de péssimas condições, aguardando por melhores dias;

71 – Branca de Neve e os 700 anões – Vilhena – Livro proibido em Portugal, apresenta uma caricatura pitoresca que deita por terra a fachada de moral e bons costumes que vigoravam na época em torno dos altos cargos políticos e na direcção de grandes empreendimentos;

72 – Viagem ao país da manhã – Hermann Hesse – Viagem de meandros exotérios, cabalísticos e misteriosos, onde um grupo de homens percorre espaço e tempo com propósitos comuns e individuais. Décadas mais tarde Hermann Hesse tenta descrever essa viagem mas sem sucesso – tudo o que escreve é pouco definido e circunstancial, resultado de um bloqueio mental que tarda em se desvanecer. A razão para tal bloqueio é explicada ao longo do livro. Apesar de ter apreciado bastante outros livros do autor, e de achar esta história curiosa e até, com momentos apreciáveis, não é, no seu todo uma leitura que tenha gostado.

Eventos: Exposição: “Figuras clássicas do Terror”

Figuras clássicas do terror

A partir de amanhã, dia 31 de Março, e até 07 de Maio, irá ser possível visitar gratuitamente a exposição de “Figuras Clássicas do Terror” na Bedeteca da Amadora. A inauguração irá decorrer pelas 21h00. Esta exposição foi criada originalmente para o evento Sustos às sextas (não para o MotelX).

A exposição é constituída por 30 desenhos de personagens marcantes do cinema clássico do terror, contendo figuras tão distintas quanto o Homem Invisível e o Adamastor, sem faltarem, clássicos, o clássico Lobisomem.

Em paralelo com esta exposição encontrar-se-ão, também, em exposição, uma mostra de livros associados ao tema, e uma venda de reproduções.

Para mais informação podem consultar a página oficial do evento.