Resumo de leituras – Junho (3)

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81 – Os bebés da água – Charles Kingsley – história fantástica que é simultaneamente uma paródia à recepção das teorias de Charles Darwin e uma crítica social. Para além do excelente texto há que destacar a qualidade da edição ilustrada que é de encher os olhos;

82 – Contos naturais – Carlos Fuentes – várias histórias que decorrem essencialmente na América do Sul que, ainda que não tenham grande ligação entre elas, exploram, na sua maioria, a condição humana em situações irónicas de contraste social, sem necessidade de cair no pior do ser humano;

83 – Sr. Bentley, o Enraba-passarinhos – Ágata Ramos Simões – história peculiar de uma personagem infâme, capaz das piores travessuras e burlices, sem receio de enganar velhinhas e saltar em cima das campas. Também nesta edição é de destacar o excelente aspecto gráfico;

84 – The very best of Kate Elliott – conjunto de várias histórias de fantástico e ficção científica onde se destaca a intenção de representar as mulheres nas histórias, distorcendo os seus papéis habituais. Entre alguns bons contos existem outros que não apreciei tanto, mas o sentimento que fica em quase todos eles é de estranheza, e de ter lido algo diferente e interessante;

 

Maio de 2015

Aqui fica mais um resumo mensal sobre ficção especulativa em Portugal. Esta listinha resume o que achei mais interessante este mês em solo nacional (ou sobre projectos portugueses). Claro que se resume ao que tive acesso, existindo de certeza mais artigos que poderiam cá constar. Convido a deixarem novos blogs a seguir ou outros artigos que tenham achado interessantes.

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Lançamentos Nacionais Relevantes

Este foi um bom mês para os lançamentos nacionais:

O Grande Bazar – Peter V. Brett – Asa;

Número zero – Umberto Eco – Gradiva;

Os bebés de água – Charles Kingsley – Tinta-da-china;

A pedra das águas – Terry Goodkind – Porto Editora;

A espada de Shannara – Terry Brooks – Saída de Emergência;

Estamos todos completamente fora de nós – Karen Joy Fowler – Clube do autor;

O Dragão de gelo – George R. R. Martin – Gailivro;

Viagens de Chapéu – Susana Cardoso Ferreira – Oficina do livro.

Críticas interessantes

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Ficção científica

Dreaming 2074 – Vários autores – Intergalacticrobot;

The Lifecycle of Software Objects – Ted Chiang – Que a Estante nos Caia em Cima;

Wayward Pines – Blake Crouch – Livros, livros e mais livros;

O Guardião de Memórias – Lois Lowry – Folhas do Mundo;

Over the top – Vários autores – Intergalacticrobot;

Mais que humano – Theodore Sturgeon – Que a Estante nos Caia em Cima;

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Fantasia

Insonho: Durma bem – Vários autores – Que a Estante nos Caia em Cima;

Monstros fantásticos e onde encontrá-los – Newt Scamander – Deus me Livro;

A Ironia e Sabedoria de Tyrion Lannister – George R. R. Martin – Leituras do Corvo;

As Terras Devastadas – Stephen King – Nuno Ferreira;

A Lâmina – Joe Abercrombie – Livros, livros e mais livros;

O Dragão de gelo – George R. R. Martin – Deus me Livro;

Solomon – Carlos Pedro – aCalopsia;

Sete minutos depois da meia-noite – Patrick Ness – Uma Biblioteca em Construção;

Roy Just Wants to Have Fun – Victor Frazão – Uma Biblioteca em Construção;

Dias de sangue e glória – Laini Taylor – Deus me Livro;

Deixa-me entrar – John Ajvide Lindqvist – Livros, livros e mais livros;

Universos Literários – Vários autores – Floresta de Livros;

O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro – Deus me Livro;

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Banda desenhada

Mort Cinder – Héctor Oesterheld – Intergalacticrobot;

Bando de dois – Danilo Beyruth – As leituras do Pedro;

Saga (Vol. 1 e 2) – Brian Vaughan – Leituras de BD;

O Cavaleiro de Westeros – George R. R. Martin – Leituras do Corvo;

O Long Halloween – Jeph Loeb – Que a Estante nos Caia em Cima;

Fatale (Vol. 2) – Ed Brubaker e Sean Philips – As leituras do Pedro;

O livro do Mr. Natural – Robert Crumb – Intergalacticrobot;

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Outros

As Cidades Invisíveis – Italo Calvino – Nuno Ferreira;

A Alquimista das Cores – Aimee Bender – As Leituras do Corvo;

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Outros Artigos

– Quem tem medo de Palmer Eldritch – Máquina de Escrever;

– O Templo do Espírito Santo – Flannery O’Connor – Contos não Vendem;

– “Frankenstein” na Quinta da Regaleira – Câmara Municipal de Sintra;

– Entrevista a Lauren Beukes – Jornal i;

– Hazul por Hazul – Diário de Notícias;

– Reportagem Antena 1 sobre banda desenhada – RTP;

Science Fiction and Fantasy Books at Bivar Bookshop;

– 17 Imagens que colocam Portugal no Centro da Arte Urbana – Green Savers;

Eventos

– Outras literaturas: Ficção científica – Intergalacticrobot;

– Sustos às sextas V – Intergalacticrobot;

– Feira do Livro do Centro de Recursos Poeta José Fanha – Intergalacticrobot;

– XI Festival Internacional de BD de Beja – Leituras de BD – Fotoreportagem e Opinião;

– Tolkien: Constructor de Mundos – Viagem a Andrómeda [mini];

Recordar os Esquecidos;

Resumos mensais anteriores

Fevereiro 2015

Março 2015

Abril 2015

The Supernatural Enhancements – Edgar Cantero

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De premissa aparentemente simples, a história inicial que se assemelha a um simples conto de casa assombrada, transforma-se, apresentando várias camadas intrincadas com maior grau de complexidade e culminando num final muito movimentado e inesperado, onde tudo se interliga.

A história inicia-se quando um homem jovem, A., herda uma fortuna de um parente desconhecido na América. A herança inclui, também, uma velha mansão. Claro que A. deixa a vida monótoma que conhecia na Europa e viaja, com uma jovem amiga para a sua nova propriedade. Mas não pensem que os jovens se dedicam à vida fútil de milionários. Muito pelo contrário, ambos se dedicam a aproveitar o dia-a-dia, mas sem extravagâncias.

Cedo se percebe que a mansão terá pertencido a um estudioso envolvido em experiências paranormais. Em pouco tempo A. começa a apresentar os mesmos sintomas que o familiar suicida, influenciado pelo fantasma da casa, e por sonhos demasiado realistas. Felizmente, a amiga que o acompanha parece imune a estas influências sobrenaturais e, apesar de muda, salva-o de algumas situações desastrosas.

Mas não pensem que a história se resume a assombros e pesadelos – entre os papéis do tio encontram-se cartas encriptadas que levam os dois jovens a explorar a propriedade, descobrindo quartos escondidos e objectos de fortes e desconhecidos poderes. Para além destes puzzles, percebem que o anterior dono da casa pertencia a uma sociedade secreta em que os membros viajam todos os anos para os mais diversos locais.

A história é contada intercalando vários relatos – desde páginas dos diários de ambos, a cartas que escrevem a uma tia, bem como descrições baseadas em câmaras ocultas espalhadas pela casa. Quem as visualiza? Desconhecemos. Tudo isto contribui para o adensar do mistério que parece esmorecer no meio, apesar de serem lentamente fornecidas pistas fulcrais para o desfecho.

Entre puzzles de criptografia e a exploração dos estranhos objectos da casa, a história apresenta fragmentos sobrenaturais fornecendo, aos dois jovens, desafios mentais e emocionais progressivamente tão desafiantes e esgotantes, que começam a temer pela própria sanidade senão pela própria vida.

No final percebemos as razões que os fizeram ficar, bem como o papel que desempenham na casa e consequentemente na sociedade secreta que nela se sedia. Descobrem-se alguns mistérios num final carregado de reviravoltas inesperadas que destroem, num fôlego, todas as expectativas do leitor. Não que a história careça de pontos fracos – o enredo a meio parece tornar-se inesperado ainda que forneça pistas para o restante desenvolvimento, e algumas revelações poderiam ter sido feitas durante a história para garantirem o interesse do leitor ao longo de toda a narrativa.

Ainda assim, quando o enredo se fecha é de tirar o fôlego pela quantidade de camadas que se foram desenvolvendo sem que o leitor se tenha apercebido e a história aparentemente simples transforma-se, rapidamente, em algo mais.

Eis comentário no meu péssimo inglês:

An apparently straight story about a haunted house transforms itself into several intricate and encrypted stories with unexpected layers of complexity. The story begins when a young man inherits a house from a long lost American relative along with an unaccounted wealth. After some changes, the young man (always referred and A.) moves to the house with a mute female friend.

Ghosts and strange vivid dreams start to haunt A., who follows the suicidal tendencies of the deceased. Fortunately he is not alone in the house and together they start exploring the house secrets, finding hidden chambers and strange powerful orbs – an overwhelming worldwide maze. With some supernatural splashes the story develops mental and emotional challenges with a restless and surprising progress.

Resumo de Leituras – Maio 2015 (2)

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70 – Saga – Brian K. Vaughan (Vol.2) – Se o volume anterior tinha sido muito rico em violência e carregado de conceitos novos, este é um volume em que a velocidade acalma, e nos dá a conhecer um pouco mais das personagens que enfrentam agora um pequeno drama familiar. Divertido, leve, e interessante, uma série na qual aguardo ansiosamente pelos próximos volumes;

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71 – Cities and Thrones – Carrie Patel – Apesar de constituir o segundo de uma saga fantástica, lê-se bem isoladamente, apresentando uma cidade estado que foi tomada por uma revolução. A anterior rígida estrutura hierárquica, dominada pelos unhas brancas (característica da aristocracia que se pode dar ao luxo de manter a mãos arranjadas) é substituída por um grupo revolucionário que poderá não estar preparado para aguentar o dia-a-dia de uma grande cidade. Centrando-se demasiado em duas personagens, possui longos períodos parados que, não criando suspense, pouco acrescentam à história. Tratando-se de uma cópia fornecida pela editora, o comentário mais completo apenas será publicado na data do lançamento, início de Julho;

72 – O Homem Corvo – David Soares – Conto infantil de tom negro que prima tanto pela qualidade gráfica como pela qualidade da história, curta e bem concebida (será publicado comentário mais longo nos próximos dias).

Assim foi: Sustos às sextas (Sessão de 15 de Maio)

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Foto retirada da página oficial do Evento

À entrada esperavam-nos árvores aparentemente fantasmagóricas – grandes esculturas que a parca iluminação fazia alongar os ramos, em assombrosas sombras de braços longos – tudo apropriado ao evento que se seguia, a última sessão da primeira temporada dos Sustos às Sextas, que tem ocorrido mensalmente.

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Depois da usual visita às salas de exposição, que desta vez continuam aquosas e fantásticas obras de arte, eis que se inicia a sessão, com um pequeno resumo de todo o ciclo, onde se realçaram as várias vertentes do evento (desde a música, ao teatro, passando pela literatura e pelo cinema) – um pequeno resumo que recorda a necessidade de existirem eventos diferentes, fora dos tradicionais moldes e temáticas.

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Foto retirada da página oficial do Evento

E eis que se inicia a apresentação de Rogério Ribeiro que seguiu a divergência do sobrenatural e da ciência ao longo das últimas décadas, onde o moralismo mais fechado da ditadura portuguesa afastou o tema espiritismo dos circuitos da normalidade, ainda que, na literatura, tenham continuado associados, principalmente nos mais conhecidos clássicos do género.

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Depois da leitura do conto Aniversário, vencedor do Concurso Literário de Contos de Terror, seguiu-se o Questionário de Terror que se tornaria um dos momentos mais divertidos do evento pela interacção entre as equipas. Depois de uma animada disputa pelo título os vencedores foram dois especialistas no género, David Soares e Gisela Monteiro.

Notou-se a vontade e o esforço dos organizadores, mas essencialmente o prazer, em apresentar temas e vertentes variadas do Horror, com especial destaque para o trabalho de vários portugueses.Agora é aguardar que haja oportunidade para uma segunda temporada do Evento ao qual já nos tínhamos habituado!

Eventos: Relembrando a programação deste fim-de-semana

15 de Maio – Outras Leituras – Painel de Banda desenhada

15 de Maio – Sustos às Sextas

16 de Maio – Outras Leituras – Painéis de policial e Ficção científica

E o fim-de-semana começa com o Painel de Banda Desenhada, a decorrer na sexta na Gulbenkian, que conta com a presença de Anton Kannemeyer (África do Sul), Marcelo D’Salete (Brasil) e Posy Simmonds (Reino Unido). Tenho a confessar que os meus conhecimentos do género não são suficientes para reconhecer os nomes, mas pelo que vi em cada uma das páginas que encontrei, fiquei interessada.

A sexta continua com Sustos às sextas, a última sessão deste ciclo (será que existirá outro?) que conta com a participação de Rogério Ribeiro, um dos organizadores do Fórum Fantástico. Será, ainda, lido o conto vencedor do concurso e está previsto um quizz de Terror.

Depois de uma entrada animada no fim-de-semana, é a vez de continuar no Sábado, com os painéis de Policial e de Ficção Científica. No meu caso interessa-me mais o de FC que conta com a participação de João Barreiros, Fábio Fernandes (Brasil) e Lauren Beukes (África do Sul). De destacar a autora que já foi discretamente publicada em português (As Raparigas Cintilantes).

Abril de 2015

Aqui fica mais um resumo mensal sobre ficção especulativa em Portugal. Esta listinha resume o que achei mais interessante este mês em solo nacional (ou sobre projectos portugueses). Claro que se resume ao que tive acesso, existindo de certeza mais artigos que poderiam cá constar. Convido a deixarem novos blogs a seguir ou outros artigos que tenham achado interessantes.

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Lançamentos Nacionais Relevantes

Talvez por causa da proximidade da Feira do Livro, ou simplesmente coincidência, este foi um bom mês para a ficção especulativa

O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro – Gradiva;

O Homem do Castelo Alto – Philip K. Dick – Saída de Emergência (é uma nova edição);

Dias de sangue e Glória – Laini Taylor – Porto Editora;

Bestiário – Julio Cortazar – Cavalo de Ferro;

A Música do Silêncio – Patrick Rothfuss – Asa;

Fatale Vol.2 – G Floy;

Saga Vol.2 G Floy;

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Críticas interessantes

Ficção científica

Continuam a ser poucos os que criticam SF, mas eis alguns relevantes:

The New Atlantis – Ursula K. Le Guin – Nuno Ferreira;

The Long Tomorrow – Leight Brackett – Intergalacticrobot;

Seventy-two Letters – Ted Chiang – Que a Estante nos Caia em Cima;

Contos vários Fantasy&Co – Tales of Gondwana – estão a ser comentados vários dos contos disponíveis gratuitamente, alguns de autores já conhecidos de antologias portuguesas como Ricardo Dias, Carina Portugal ou Pedro Cipriano;

Behold the Man – Michael Moorcock – Intergalacticrobot;

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Fantasia

De realçar o aparecimento contínuo de livros de autores portugueses:

A segunda vinda de Cristo à Terra – João Cerqueira – Uma Biblioteca em Construção;

Insonho: Durma bem – Vários autores – Intergalacticrobot;

O Lobatruz e outras desventuras – Judith Nogueira – Deus me Livro;

Bons Augúrios – Neil Gaiman e Terry Pratchett – Nuno Ferreira;

A cada dia – David Levithan – Floresta de Livros;

A Música do Silêncio – Patrick Rothfuss – Uma Biblioteca em Construção;

Coisas frágeis – Neil Gaiman – Nuno Ferreira;

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Banda desenhada

Mucha – David Soares – Intergalacticrobot;

A Metrópole Féerica – José Carlos Fernandes – aCalopsia;

Le Confesseur Sauvage – Philippe Foerster – As Leituras do Pedro;

A Arte de Voar – Altarriba e Kim – Intergalacticrobot;

Comprimidos azuis – Frederik Peeters – Leituras de BD;

Em Busca de Peter Pan – Cosey – As Leituras do Pedro;

Moonhead and the Music Machine – Andrew Rae – Máquina de escrever;

Outros

Os que não me parecem encaixar directamente em nenhuma das categorias anteriores:

História Universal da Infâmia – Jorge Luís Borges – Deus me Livro;

Swan song – Robert McCammon – Intergalacticrobot;

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Outros Artigos

Estranhos são os dias em que estou a adicionar uma ligação ao Correio da Manhã…

Colecção Universo Marvel – Que a Estante nos caia em cima;

Um desabafo e uma bela colecção de banda desenhada – Caderião Voltaire;

Bairro problemático na periferia de Lisboa vira galeria de Arte – Conexão Lusófona;

Tracking with close-ups (7) – Viagem a Andrómeda – e porque o título diz muito pouco, fala-se de Terry Pratchet;

A Ficção de ideias de Ted Chiang – Que a Estante nos caia em cima;

Corrida infestada de Zombis em Sintra – Correio da Manhã;

Muitos poucos dedos de conversa sobre cinema de forma quase nada informada – Ficções Distópicas – Que a Estante nos caia em cima;

Luís Corredoura galardoado com um encouragement award – Jornal de Mafra;

Eventos

Sustos às sextas – espreitem também a perspectiva em Intergalacticrobot, bem como os vídeos em Cadernos de Daath,

Animacomics 2015 – Intergalacticrobot, aCalopsia;

Festival In – Intergalacticrobot – as coisas interessantes que se puderam ver na FIL, ficção científica tornada realidade;

Recordar os Esquecidos.

Resumos mensais anteriores

Janeiro 2015

Fevereiro 2015

Março 2015

Série de links interessantes

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Bar steampunk – Romania

E existe alguma razão para que estas compilações se iniciem por diversas vezes com o tema Steampunk – o cruzamento das engenhocas com qualquer estilo originam belíssimos espaços e peças de arte. Neste caso trata-se de um bar na Romania. No artigo podemos ver que, entre mesas toscas e quadros de cavaleiros com goggles, se encontram zeppelins a servir de candeeiro, transportes aquáticos semelhantes a polvos, e máscaras robóticas com engenhocas de roldanas.

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Esculturas surrealistas de Ellen Jewett – clicar na imagem para visualizar artigo e outras esculturas

Mudando totalmente de estilo,esta delicada escultura é apenas uma das muitas que podem visualizar no artigo sobre a arte de Ellen Jewett. Surrealistas e pouco densas, como que recordando um sonho ou uma mistura do essencial dos corpos com a imaginação, a maioria das esculturas junta partes de mais de um animal ou objecto, resultando em fantásticas peças mesmerizantes. Caso estejam curiosos, as peças estão à venda na galeria oficial da artista, desde preços acessíveis (65€) a proibitivos (2 500€).

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Menos naturais e mais metálicas, mas igualmente fantásticas, são as esculturas de Richard Stainthorp. Explorando principalmente a figura humana em transfigurações fantasiosas de imensa fluidez, as peças conseguem ser fabulosas. Apesar da uniformidade em material e cor possuem uma estranha vivacidade.

Eis, outros artigos sobre arte fantástica, bastante interessantes:

Fantast in Focus: Daniel Merriam – imagens espectaculares carregadas de arabescos que transformam qualquer estrutura banal em algo espectacular;

Salvador Dali illustrates Alice in Wonderland – em 1969 o artista terá realizado 12 gravuras para uma versão ilustrada do livro, cada uma mais espectacular do que a anterior.

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Agora para um tema mais literário – alguém recorda o fantástico Baudolino de Umberto Eco? Um livro passado em terras imaginárias com animais míticos, tudo envolto em tropelias de mentiroso? Bem, eis a razão pela qual me recordei desta obra – Legendary Lands, também de Umberto Eco, explora mapas de sítios imaginários e apresenta dissertações sobre a nossa atracção por estes temas. Neste artigo podem ver um pouco mais do que nos espera com a leitura. Continuando com terras inventadas baseadas na realidade, aconselho a leitura deste artigo – Fantasy Worlds that break history’s back. Aqui encontram uma pequena dissertação sobre a transfiguração da história e da realidade.

E entre os artigos que mais gosto de manter, encontram-se sempre algumas listagens de livros, por títulos curiosos:

13 Fantasies Inspired by Mythology from the British Isles – esta pequena lista possui alguns livros óbvios como Mythago Wood de Robert Holdstock, mas também obras menos conhecidas que valerá a pena explorar para quem gosta deste género;

Five books that are also labyrinths – novamente pela TOR.com, um curtíssimo conjunto que possui alguns dos meus livros favoritos e outros que, neste seguimento, foram logo adicionados à lista de aquisições futuras;

Five books about weird metropolises – outra lista que contem obras favoritas, mas à qual, sem pensar muito, juntava muitos mais! Como The Other City de Michal Ajvaz;

16 Ecologically-minded speculative fictions – e se o conceito vos repele ou vos desinteressa, basta olhar para o início da listagem para perceber que talvez estejam a passar à frente de boas obras: Annihilation de Jeff Vandermeer, Oryx and Crake de Margaret Atwood, ou Stand on Zanzibar de John Brunner.

OK, Where do I start with that – a lista das listas – Jo Walton fez um grande índice alfabético explorando a cada letra um conjunto de autores e sugerindo livros para iniciar a leitura. Concordando-se ou não com algumas das escolhas, contem excelentes sugestões, que ainda não tive tempo de explorar para além da letra C. Sim, o conjunto é assim tão grande!

Finalmente, sem qualquer categoria específica eis mais quatro artigos:

Origins of the ghoul – figura explorada raramente nas recentes obras de fantástico negro ou horror, apresenta-se como uma transfiguração da espécie humana;

Jessamy Taylor’s top 10 castles in fiction – castelos que inspiraram ou serviram de palco para grandes obras;

11 Facts about Shirley’s Jackson The Lottery – o excelente conto distópico deu que falar e incomodou muita gente;

9 Great songs about libraris, librarians and books – e porque não ouvirmos, também, algo relacionado com livros?

Assim foi: Sustos às sextas (sessão de 17 de Abril)

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E chegámos à quarta sessão! A vantagem de chegar um pouco antes da hora é poder passear descansadamente pelas salas onde se encontram sempre expostas algumas peças de arte interessantes. Desta vez encontramos alguns quadros alusivos ao 25 de Abril, e entre eles, esta peça belíssima, mas também arrepiante.

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Após uma curta apresentação inicia-se a noite, com a declamação de poemas de horror, por Pedro Nunes Sazabra, mais propriamente dos poemas O Adão Inverso  e Um Mal Fascinante de Baudelaire. Componente curta da noite, mas em que a voz iniciou o tom negro que marcou esta sessão. Seguiu-se a interpretação do tema A Água Benta, de Chanson Noire. Assim que se senta o artista põe-se à vontade e revela uma voz espectacular que enche o espaço. Bem, espectacular talvez não seja bem o termo – a palavra que me vem à cabeça é mesmo brutal, pelas inflexões com que acompanha e se sobrepõe ao piano. Perde a visualização de qualquer vídeo quando comparada com a versão ao vivo – e mesmo não apreciando especialmente este género de música, este foi um dos grandes momentos da noite.

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O outro grande momento foi, claro, a palestra de David Soares, um exímio orador que nos levou por uma viagem, ao longo de vários tempos e culturas, entre os vários tipos de canibalismo, matando-se humanos para lhes comer a carne, ou aproveitando-se os restos mortais em mesinhas e remédios. Práticas que para nós tudo têm de bárbaro, mas que, para aqueles que naqueles tempos viviam, tudo tinha de óbvio. E claro que esta é uma descrição bastante simplista do discurso que ocupou a maior parte da noite e que intercalou costumes obscuros com histórias clássicas horripilantes, arrancando pequenas risadas da audiência que experimentou, em simultâneo, o fascínio e a repulsa.

Infelizmente, a noite para mim terminou aqui, mas para os que ainda ficaram, a sessão terá terminado como começou – mais música, mais declamação. Ah ! E um magnífico bolo (pelas fotos) para David Soares, que faria anos nesse dia.

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Foto retirada da página oficial do facebook

 

No global, esta foi uma sessão mais coerente em tom e temática, em que as várias componentes do programa combinaram para um ambiente mais negro e interessante. Como nas sessões anteriores, é de realçar o esforço e o gosto dos organizadores em proporcionar um serão bem passado, num local que tem tudo de perfeito para a dimensão do evento.

Últimas aquisições digitais (algumas gratuitas) – internacional

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Neil Clarke, editor da revista Clarkesworld Magazine, lançou-se numa nova revista, a Forever, que pretende conter, por cada número, dois contos e uma novela. O primeiro volume já foi lançado e é gratuito (basta clicar aqui e seguir para a página do editor), contendo uma novela de Ken Liu, e dois contos, um de Peter Watts e outro de Susan Palwick.

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Para quem gosta de horror lovecraftiano, esta revista publica mensalmente ficção de vários autores conhecidos e lançou há pouco tempo packs anuais a preço razoável. Mesmo assim, disponibiliza gratuitamente alguns conjuntos, em troca de uma subscrição por e-mail no blog oficial (clicar aqui para instruções mais detalhadas).

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Este é o volume gratuito deste mês pela Samsung Book Deals (para quem tem kindle através do tablet da Samsung é disponibilizado um livro por mês). Este é o de Abril (e não, não é mentira). Não se julga um livro pela capa, mas esta não me parece auspiciar grande coisa. Talvez com a sinopse:

Rigel has always known he is not quite human, but the only clue to his origin is the otherworldly bracelet he has worn since childhood.

His search for his parentage leads him to the Starlands, where reality and fantasy have changed places. There he learns that he is a human-starborn cross, and his bracelet is the legendary magical amulet Saiph, which makes its wearer an unbeatable swordsman. Fighting off monsters, battling a gang of assassins seeking to kill him, Rigel finds honorable employment as a hero. He knows that he must die very soon if he remains in the Starlands, but he has fallen hopelessly in love with a princess and cannot abandon her.

Through the imaginative landscape of the Starlands, Rigel’s quest leads him to encounter minotaurs, sphinxes, cyclops, and more fearsome creatures in Dave Duncan’s latest fantasy series.

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Esta antologia chega ao quarto volume, com histórias de Caitlin R. Kiernan e Michael Swanwick, entre outros, e está em promoção, com o excelente preço de 0.99 na Amazon:

In the spirit of classic science fiction anthologies such as Universe, Orbit, and Starlight, master anthologist Jonathan Strahan (The Best Science Fiction and Fantasy of the Year) presents the non-themed genre anthology Eclipse: New Science Fiction and Fantasy. Here you will find stories where strange and wonderful things happen–where reality is eclipsed by something magical and new.

Continuing in the footsteps of the multiple-award-nominated anthologies Eclipse One, Eclipse Two, and Eclipse Three, Eclipse Four delivers new fiction by some of the genre’s most celebrated authors, including Andy Duncan’s tale of a man’s gamble that he can outrun a bullet; Caitlin R. Kiernan’s story of lovers contemplating the gravity of a tiny black hole; Damien Broderick’s chronicle of a beancounter who acquires a most curious cat; Michael Swanwick’s tale of the grey man who pulls an unhappy woman from the path of an oncoming train; Nalo Hopkinson’s story of ghosts haunting a shopping mall; and Gwyneth Jones’s story of an alien priest who suffers a crisis of faith…

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Pela Humble Bundle chega mais um conjunto de livros de ficção científica, onde, pelo preço que se quiser se pode adquirir um bom conjunto de livros. Como é habitual quem oferecer um pouco mais que a oferta média ganha mais uns quantos livros, e quem oferecer mais do que 15 dólares, ganha ainda mais livros. Eis o link. De realçar que o conjunto conta com Beasts of Tabat de Cat Rambo (que adquirido isoladamente custa mais de 7 dólares).

Para quem este conjunto não lhe agrada, tem ainda o StoryBundle, que mais regularidade anuncia conjuntos agradáveis por condições semelhantes, e se encontra neste momento com dois conjuntos, um de fantasia juvenil e outro de viagens no tempo. Já agora, fica a dica, para os assinantes da Newsletter de vez em quando enviam livros gratuitamente.

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Destaque da semana: Novas edições pela Colecção Lua Cheia

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As mais recentes colecções da Civilização Editora são de encher os olhos! Mas neste caso o destaque é para a colecção Lua Cheia onde podemos encontrar novas edições de livros de ficção especulativa, mais propriamente clássicos dos géneros da ficção científica, do fantástico e do horror. Para além dos títulos interessantes e das capas graficamente impressionantes, o preço é bastante razoável e está agora a 20% de promoção.

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Quem não conhece a fantástica história da Dama pé de cabra, aqui compilada por Alexandre Herculano

“A Dama Pé-de-Cabra”, conto que dá título ao livro, conta a história de um nobre que, ao encontrar na serra uma dama, se perde de amores por ela; mas a dama não é quem parece ser e o nobre terá de sofrer muito em consequência das suas escolhas. Um conto misterioso, intrigante, marcante pelo tom com que é apresentado e onde os elementos sobrenaturais são soberanos. “A Abóbada” fala da construção do Mosteiro da Batalha, em particular, da abóbada da casa do capítulo. Este conto envolvente, marcado por descrições soberbas, ilustra como o orgulho excessivo pode ser a ruína de um homem. Um poderoso relato de uma época de grande poder e forte superstição.

frankenUm dos primeiros livros enquadrados no género de ficção científica, um clássico no género que pode ser também classificado como sendo de horror:

É Mary Shelley quem nos remete diretamente para a Antiguidade Clássica ao considerar o seu Frankenstein como o Prometeu moderno. O fogo dos deuses é agora o segredo da vida, que se vê materializado na criatura engendrada pelo Dr. Frankenstein através de uma heterodoxa abordagem do método científico, onde também se cruza alguma da investigação feita em torno do galvanismo e da medicina forense, em voga na época. Apesar de tomar como seu um atributo divino, o Dr. Frankenstein não será capaz de controlar completamente as implicações próprias da sua criação, o que terá, naturalmente, consequências funestas. Temos pois um olhar romântico sobre Prometeu e o mito de Pandora, onde se vislumbram os homúnculos de Paracelso e o Golem da tradição judaica.

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Alicerçada na tradição folclórica do Leste europeu e nas primeiras produções literárias sobre o tema, Carmilla haveria de dar origem ao arquétipo do vampiro feminino na literatura universal. Exerceu um papel fundamental na elaboração de Drácula (1897), sendo considerada a obra que deu a Bram Stoker a ideia e a inspiração para escrever o seu romance. Certa noite, após um acidente de carruagem, uma jovem muito atraente, Carmilla, uma das passageiras, é convidada a ficar hospedada no castelo da família de Laura para se recuperar.Carmilla é uma figura alegre e exótica, totalmente oposta a Laura. Entre elas desenvolve-se uma intensa e apaixonada amizade, mas os estranhos hábitos de Carmilla começam a despertar a curiosidade dos empregados. Quando uma “estranha doença” começa a conduzir à morte várias jovens da redondeza, Laura, cujas noites de sono são dominadas por terríveis pesadelos, procura descobrir os segredos da nova amiga e resistir aos seus encantos

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“Os Crimes da Rua Morgue” é considerado por muitos a primeira obra policial de sempre. Mãe e filha são encontradas mortas num edifício situado na Rua Morgue, uma artéria parisiense. As vítimas foram brutalmente assassinadas e a sala onde foram descobertos os corpos encontrava-se trancada por dentro. Para adensar o mistério, os vizinhos alegam ter ouvido o assassino falar numa língua que ninguém consegue identificar. Quando um homem é acusado do crime, C. Auguste Dupin, um indivíduo solitário e de aguçada inteligência, oferece-se para ajudar a polícia a resolver este caso e impedir que um homem inocente seja preso por um crime que Dupin acredita não ter cometido. Um pelo encontrado junto dos corpos leva-o a crer que o assassino poderá não ser humano…

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O comportamento do Dr. Jekyll, um conceituado médico londrino, começa a preocupar os seus empregados e amigos, especialmente porque, cada vez mais isolado no seu laboratório, recebe frequentemente o intrigante e violento Mr. Hyde.Temendo pela vida do amigo, o advogado Utterson resolve tirar a limpo a história e vai à residência do médico procurar a explicação para tão bizarro comportamento. E é aí que descobre o que realmente se está a passar.

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Em carta datada de 25 de outubro de 1915, dirigida a G. H. Meyer, da Kurt Wolff Verlag, Kafka exprime de forma veemente a sua preocupação pelo facto de o ilustrador escolhido para a sua obra, Ottomar Starke, poder vir a querer representar um inseto na capa de Die Verwandlung (A Metamorfose). “Isso de maneira nenhuma, por favor”, escreve Kafka, em antecipação. “O inseto em si não pode ser esboçado. Não pode ser visto sequer à distância.” Volvidos cem anos em 2015, a Civilização propõe aos seus leitores uma leitura renovada de “A Metamorfose”, de Franz Kafka, no cumprimento estrito da vontade expressa pelo autor, que julgamos reveladora.

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Os contos fantásticos de Machado de Assis, bem pautados pelo estilo francês, concentram o teor mágico e insólito das suas narrativas no elemento onírico. É por meio do sonho, loucura, delírios ou alucinações que os protagonistas se defrontam com aparições fantasmagóricas, aventuras inacreditáveis, ameaças de morte, encontros com cientistas insanos e viagens astrais. Geralmente o enredo tem início em ambientes verosímeis, que em nada remetem ao surreal. E dessa forma Machado conduziu muito bem os seus textos deste teor. Vivendo num mundo crível, monótono e enraizado no quotidiano, os protagonistas são repentinamente lançados em ambientes mágicos, maravilhosos, e que fogem das leis normais da compreensão humana, como em “A Chinela Turca”, conto que dá título a este livro.

Resumo de Leituras – Março de 2015 (4)

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41 – Fantasia negras e outras histórias – Joel Puga – pequeno conjunto de histórias fantásticas, todas negras, de autoria portuguesa, publicado em formato digital. Entre as cinco histórias podemos encontrar bons exemplos de fantasia, sem lamechices ou criancices.

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42 – Insonho, Durma bem – Vários autores – neste volume de aspecto impressionante encontramos várias histórias passadas em terras portuguesas onde se destaca o recordar dos seres que ainda habitam a memória colectiva portuguesa. Bastante distintos na forma de explorar o tema, é um conjunto muito interessante com excelentes histórias.

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43 – Para cima e não para Norte – Patrícia Portela – baseado em Flatland de Abbott, descreve as peripécias de um homem plano que se vê confrontado com a ideia de existirem seres tridimensionais. Obcecado por este ideia, acaba preso e sem família, mas nem assim desiste de tentar provar ou de aceder a esse mundo que lhe parece tão distante.

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44 – Insólito – Loustal – excelente conjunto de quarenta e seis histórias, em que cada uma ocupa uma página com, em média seis quadrinhos. Apesar de curtas conseguem expor situações insólitas e cómicas, tornando-se, nalgumas, críticas sociais ou políticas.

Passatempo – O Exorcista de William Peter Blatty

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Sim, este é o livro que deu origem ao mítico filme de Terror, O Exorcista. Eis a sinopse da edição portuguesa, lançada pela Gailivro:

Publicado pela primeira vez em 1971, O Exorcista tornou-se não só um fenómeno literário como um dos livros mais assustadores e controversos alguma vez escritos. A história centra-se em Regan, a filha de doze anos de Chris MacNeil, uma ocupada actriz que reside em Washington D.C. A criança aparenta estar possuída por um demónio ancestral e cabe a dois padres a dura tarefa de o exorcizar, arriscando a sanidade e a própria vida. O Exorcista transcendeu as páginas escritas e saltou para o grande ecrã, onde se tornou uma referência incontornável do cinema. Mas se pensa que o filme é assustador, leia o livro. Até porque o filme nem chega a aflorar a ponta do iceberg! Propositadamente crua e profana, O Exorcista é uma obra com a capacidade de nos chocar, levando-nos a esquecer que “é apenas uma história”.

Tendo recebido uma cópia há alguns anos da editora, reparei que este é daqueles livros que, não fazendo totalmente o meu género de leitura, não devo ler nos próximos tempos. Eis então um passatempo para que alguém, mais interessado, possa usufruir.

Para ganharem este volume apenas têm de enviar um mail para rascunhos.blog [AT] gmail [DOT] com, indicando nome e morada, com o mesmo título do post “Passatempo – Exorcista“. Como anteriormente não têm de seguir o blog em nenhuma das suas vertentes (se o fizerem é agradável, mas não é obrigatório) – basta enviarem um mail. O passatempo termina a 25 de Abril.

Notas adicionais: Os dados enviados serão usados apenas para o passatempo. Aceitam-se participações em Portugal (continental e ilhas). Para fora de Portugal, apenas se participarem nos portes. Uma particpação por pessoa ou por mail (várias pessoas não podem participar de um mesmo endereço de e-mail e uma mesma pessoa não pode participar de vários endereços diferentes). Participações adicionais serão ignoradas. O único exemplar disponível será sorteado, e o vencedor comunicado neste blog. Irei, também, enviar um e-mail para o vencedor, com o intuito de confirmar os dados antes do envio. Se não me responder em tempo útil (duas semanas) passarei ao segundo contemplado. Porque não trabalho nem moro perto dos correios (nem estes têm um horário compatível com a minha profissão) por vezes demoro um pouco a enviar o exemplar.

As novas estantes

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E chegou a vez das estantes da sala, aquelas que contêm maioritariamente comics e hardcovers. Na prateleira de cima estão as há muito lidas séries The Preacher e Fables. The Preacher é uma história simultaneamente violenta e cómica em que um padre foi possuído por uma criatura sobrenatural que lhe confere autoridade absoluta às suas palavras. Significa que se disser a alguém para contar os grãos de areia da praia, essa pessoa vai literalmente contar todos os grãozinhos (isto para dar um exemplo suave das possibilidades por detrás de tais comandos). Ah! E já disse que o padre tem muito pouco de Santo?

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Já de Fables faz lembrar a série Once Upon a Time, apesar de lhe ser anterior. Aqui as personagens das fábulas viram-se obrigadas a deixar o seu mundo, capturado por forças malignas, e acabaram no nosso mundo, sob forma humana. Os príncipes encantados são afinal homens narcisitas e egoístas que de cavalheiros pouco têm, a Branca de Neve está divorciada e o lobo mau é um detective humano que tenta ganhar a confiança dos outros elementos da sua sociedade. Fábula após fábula, as histórias e as personagens vão mostrando as decepções de vida em que se transformaram os contos, histórias de encantar que não conseguem sobreviver ao quotidiano.

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Outra série que me fascinou foi 1602. Pelo menos o primeiro volume. Neste mundo alternativo ao clássico mundo Marvel, os mesmos poderes surgiram alguns séculos antes, durante os descobrimentos. Depois de uma interessante primeira aventura, a mesma premissa é explorada em 1602 – New World e 1602 – Fantastic Four. Enquanto que em New World conhecemos um homem aranha diferente na colónia Virgínia, em Fantastic Four conhecemos o grupo de heróis numa peça de teatro que tentará salvar Shakespeare.

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E também nestas estantes que residem alguns dos livros de Neil Gaiman, começando por Mirrormask, um livro representativo do filme de mesmo nome, de história estranha, mas bastante estimulante em termos visuais, relembrando por vezes quadros de Dali, ainda que numa faceta mais negra. Se em Mirrormask a história não é o forte, já o mesmo não se pode dizer de Neverwhere. Tendo conhecido a história primeiro em livro e só depois a representação das personagens na banda desenhada, tenho a dizer que o que tinha imaginado não de adequa muito ao estilo apresentado. Ainda assim, é uma história espectacular, uma transformação da cidade cinzenta e opressiva, que ganha espaço e magia no submundo, uma realidade paralela e invisível à maioria dos citadinos, demasiado presos ao seu dia-a-dia.

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Do lado direito encontram-se dois dos livros mais recentes do autor: The Sleeper and the Spindle e Hansel & Gretel. Uma que adorei, outra que nem tanto. Se a primeira transfigura de forma fantástica duas conhecidas fábulas, dando profundidade e novos sentidos à Branca de Neve e à Bela Adormecida, em cenários a três cores (preto, branco e dourado) de tirar o fôlego; já o segundo apresenta-se tão negro quanto a capa contando uma conhecida história sem lhe acrescentar nada de novo, nem às personagens, nem aos acontecimentos.

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E porque faleceu recentemente, aproveito também para destacar um conjunto das obras de Terry Pratchett: três bandas desenhadas baseadas nos seus livros (Eric, The Colour of Magic e The Light Fantastic), Homenzinhos Livres (publicado pela Saída de Emergência) e Hogfather. Para quem não conhece este Universo, e para dar uma noção do nonsense que neles habita, basta descrever o mundo em que decorre, um disco suportado por quatro elefantes, por sua vez sustentados por uma tartaruga gigante. Ainda. A morte é uma personificação originada pela crença dos humanos, tal como outras figuras imaginárias como o Pai Natal. Já os académicos são um bando de lunáticos, demasiado centrados nas suas próprias experiências para se preocuparem com o mundo que os rodeia. E isto são apenas alguns detalhes do extenso mundo, carregado de sátiras em relação aos costumes e hábitos humanos.

 

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No topo estão três exemplares da Letras com Asas, uma nova editora que irá apostar também na ficção especulativa, mais concretamente nos géneros ficção científica e literatura fantástica. Por enquanto publicaram apenas três obras, Immortalis de Carla Ribeiro no género fantástico, O Poder Interior de Bruno Matos no género infantil e Renascer das Cinzas de Susana Almeida como romance.

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Quando ainda há notícias como estas, de lobos e magias, nada mais a propósito do que uma antologia de contos passados no interior português, que exploram monstros sobrenaturais, ainda hoje temidos nas noites escuras e mal iluminadas das florestas e matagais. Entre lobisomens e papões, não me esperam noites descansadas.

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E há que aproveitar as boas promoções e a venda de livros em segunda mão. Apesar de juvenil Sete minutos depois da meia-noite é um volume impressionante, impresso em papel fotográfico, com direito a poster extra e carregado de imagens no interior. Já Uma ideia da Índia de Alberto Moravia pouco tem a ver com os géneros de fantástico ou horror, sendo mais um volume da colecção de literatura de viagem da Tinta da China.

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Passando pela FNAC de Alfragide para pegar a última Bang! não podia vir de mãos a abanar. E tive uma boa surpresa com a pequena secção de banda desenhada que me pareceu mais diversa do que a que tenho visto noutras FNAC’s. Acabei por me agarrar a este Malus da Chili com Carne.

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Depois de Elektra e Ultimate X-Men (oferecidos) não me podia esquecer dos lançamentos da Levoir pelo Público. Este parece que vai a fugir…

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The Dark – Volume 2 – Vários autores

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Mais coeso em qualidade, mas sem histórias tão fortes quanto o primeiro número, este volume da The Dark apresenta-nos novamente quatro histórias fantásticas com toques de horror, começando por Our Lady of Ruins. Neste conto um homem perde-se na floresta enquanto tenta procurar ajuda para o carro avariado. Bem, na realidade encontra-se, não se perde – de uma forma estranha parece passar entre realidades e retornar aos braços da esquecida amada onde se sente completamente integrado. Até ao dia em que acorda novamente neste mundo, perdido na estrada e retorna à esposa que o tinha dado por  morto há muito. Um conto melancólico de um ser humano que, tendo conhecido a perfeição, não se encaixa na realidade que encontra.

Em The Nameless Saint uma velhota encarna quase o perfeito papel de bruxa moderna, uma bruxa de boas intenções que captura as misérias que murmuram aos ouvidos dos humanos, deixando-as em gaiolas inquebráveis pela força. O quotidiano repete-se sem grandes surpresas até um dia. E porque tem sempre de existir um ponto de ruptura dos hábitos repetidos, nesta história este é representado por uma menina curiosa que estranha os hábitos da velhota. Imune aos feitiços que afastam a maioria dos seres humanos, é vista pela velhota como o futuro da profissão. Fazendo as misérias parte da condição humana, neste conto questiona-se indirectamente o seu papel na vida de todos os homens.

Wrought Out From Within Upon the Flesh de E. Catherine Tobler é uma longa história metafórica de dor e abuso, onde uma mulher transformada se esquece do que já foi. Resumida ao aspecto em que o amante a transfigura, aparência submissa e simultaneamente indefesa, parece acordar do torpor quotidiano. Sendo um conto fantástico esta transfiguração não poderia ser algo assim tão simples – de braços transformados em correntes e ferros, vê crescer os dedos e mãos que há muito esqueceu, e volta a conhecer a liberdade de andar e falar. Sem dúvida uma das histórias mais estranhas do conjunto, descreve as sensações da mulher antes e depois da transformação, sensações surreais que causam alguma repulsa.

Finalmente, em Five Boys Went to War uma idosa tenta manter os cinco filhos mortos na guerra que terão voltado sob forma pouco humana. Recordando os dias de cada um, volta a casa depois de comprar carne triturada que pretende distribuir entre eles. Quando chega encontra-os, cada vez mais contaminados pelos fungos, cinco figuras a que se agarra com saudades, mas que pouco parecem ter dos seres humanos que foram. História estranha e arrepiante, termina o conjunto de forma pesada e, novamente, melancólica.

Eventos: Insonho

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Foto de Francisco Fernandes (um dos autores)

Foi no passado dia 7 de Março mas não foi esquecido. No espaço já muito conhecido em eventos do género (Biblioteca Municipal de Telheiras) decorreu o lançamento do livro (agora com livro disponível para venda), com presença de vários dos autores que contribuiram com histórias baseadas no folclore fantástico português.

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Foto de Francisco Fernandes (um dos autores)

 

Centrando-se em locais portugueses, cada uma das 9 histórias explora um monstro, dando espaço aos terrores que habitam nas terríolas do interior ou uma nova interpretação aos seres míticos, origem de medos e pesadelos, desde o lobisomem ao bicho papão. Para os curiosos em saber algo mais, encontra-se disponível um vídeo de todo o evento da autoria de Luís Filipe Silva. Em relação ao livro, será, sem dúvida uma das minhas próximas leituras, mas posso realçar que, graficamente, está excelente.

Eventos: Sustos às sextas (Sessão de 13 de Março)

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Eis que chegou mais uma sexta-feira 13 acompanhada por Sustos às Sextas. À chegada do local destacam-se as melhorias – um caminho mais amigável a passadas e iluminado. No interior, as duas salas contíguas ao salão do evento apresentam novas exposições, com alguns quadros dignos de destaque. Já no salão destaca-se a colecção de jazz que, sem ter relação com a temática do encontro conferia um aspecto curioso ao espaço.

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Mas voltando ao tema. A sessão iniciou-se com a apresentação da exposição Figuras Clássicas do Terror composta por vários quadros de temática monstruosa, onde podemos encontrar, entre outros, um golem, um frankenstein ou um homem invisível. De estilos e autorias diferentes, os quadros formam um conjunto interessante de boa qualidade. Eis um dos mais falados:

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Foto retirada da página facebook do evento

Após a visita à galeria acompanhados por gostosas bolachinhas aterradoras, seguiu-se o momento mais esperado da noite: “A perspectiva do novo horror” de João Barreiros. Introduzindo-nos ao tema com uma breve explicação sobre a origem do prazer que sentimos com o género horror, João Barreiros levou-nos por uma pequena viagem entre os livros que o marcaram.

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Entre livros da extinta colecção argonauta (re)descobrimos A.E. Van Vogt, Clive Barker (com Books of Blood), Peter Straub (com Ghost Story), William Hope Hodgson (com The House on the Borderland) ou China Miéville (autor de um dos meus livros favoritos, Perdido Street Station) sem faltarem as bandas desenhadas e as referências francesas tão fora do que costume ser falado ou publicado em Portugal. Após um curso intervalo, a noite terminou com leitura interpretativa do conto “A Pata de Macaco” de W. W. Jacobs, um clássico do género:

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Foto retirada da página facebook do evento

Resumo de Leituras – Março de 2015

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29 – Wastelands – Stories of the Apocalypse – Vários autores – um bom conjunto de histórias apocalípticas que surpreendeu com os autores menos conhecidos, mas que ficou aquém nos autores mais relevantes. Com diferentes abordagens ao tema, algumas muito interessantes, um conjunto aconselhável.

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30 – O Manuscrito Durruti – Rafael Gouveia – pequena história de encontros e desencontros ao longo de várias cidades europeia, que culmina de forma abrupta. Exercício interessante em torno de Durrutti, mas que do ponto de vista da história contada tem pouco para retirar.

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31 – Jacaranda – Cherie Priest – História de horror decorrendo no mesmo Universo que a série steampunk ClockWork Century, onde se cria um ambiente apropriado dentro de um hotel mais habitado do que parece à primeira vista. Engraçada, sem ser excelente, a história possui algumas falhas na concretização, em que a autora parece não saber o que fazer com tanta personagem.

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32 – The Dark Issue I – Vários autores – A primeira edição desta revista possui quatro contos fantástico com detalhes de horror de Nnedi Okorafor (conhecida por Who Fears Death), Rachel Swirsky, Angela Slatter e Lisa L. Hannett. Gostei bastante de dois dos contos, o que é excelente considerando que é uma revista que, até agora, tem sido distribuída gratuitamente.

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O conjunto começa com uma aquisição em segunda mão, O Japão é um lugar estranho, de Peter Carey. Este é mais um dos belíssimos exemplares da colecção de literatura de viagem, neste caso com várias ilustrações de Anime e Manga. Eis a sinopse:

Peter Carey percorre a Tóquio moderna e entrevista os protagonistas da cultura da «manga», procura respostas impossíveis, naquele estilo levemente ébrio que nos faz nunca perder a sua prosa. The Guardian Escrito com a destreza narrativa de um romancista de créditos firmados (vencedor do Booker Prize por duas vezes), este livro traz em si, também, a urgência da reportagem e a capacidade de observação do melhor jornalismo. Revela-nos aquilo a que muita gente ainda não terá dado a atenção necessária: que há uma nova geração de adolescentes ocidentais a crescer, nesta primeira década do século XXI, sob a influência da cultura popular japonesa. Peter Carey conduz o filho e é conduzido (levando-nos a nós também nessa viagem) pelos labirintos de uma cultura cheia de códigos mais ou menos impenetráveis para um estrangeiro. Uma cultura bem mais transparente para um adolescente familiarizado com os universos da manga e do anime do que para um adulto à procura de uma chave que se revela quase sempre «lost in translation».

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Segue-se O Visitante da Noite & Outros Contos, de B. Traven – este adquirido em promoções Bertrand, aproveitando uma campanha de 20% em tudo. Já há algum tempo que ando de olho no livro – pelo que não deixei passar a oportunidade. Publicado em Portugal pela Antígona, possui uma capa que relembra o dia dos Mortos mexicano, ideia que o resumo na capa parece apoiar:

Impressionado pela exploração a que os mexicanos estavam sujeitos, B. Traven traça neste livro um retrato afectivo e humano deste povo, fundindo com mestria incidentes do quotidiano e histórias do folclore de uma nação. N’O Visitante da Noite e Outros Contos – visões do México rural, entre índios e covis de bandoleros –, os poderes de observação e de descrição de Traven esboçam o retrato da identidade e das forças vitais de um país. A presente colectânea inclui, entre outros contos, «Macario», a lenda de um lenhador que faz um pacto com a Morte, «O Visitante da Noite», no qual a história do México desfila nos sonhos de um solitário forasteiro americano, e «Uma História verdadeiramente Sangrenta», ou as vicissitudes bem-humoradas de um gringo que aspira a ser repórter.

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Seguem-se mais três usados, pequenas bandas desenhadas publicadas pela Polvo, ambas desconhecidas, mas que me pareceram interessantes. O Amor Infinito que te Tenho, de Paulo Monteiro, reúne várias histórias curtas e foi distinguido no Festival de Banda Desenhada da Amadora como Melhor Álbum Nacional:

Este é o primeiro livro de banda desenhada de Paulo Monteiro. Reúne um conjunto de histórias curtas efectuadas entre 2005 e 2010 e mostra de forma clara e concisa o percurso de maturação de um autor que vive intensamente as histórias que conta e desenha.
Já se tornou, com toda a justiça, no livro mais traduzido de sempre da BD portuguesa. A 3ª edição inclui, como novidade, um álbum de fotografias do autor.

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Finalmente, uma adaptação à banda desenhada de O Estrangeiro (de Camus) que conheci numa das sessões de Recordar os Esquecidos, e o primeiro volume da série de Novela Gráfica que está a sair agora com o Público (e vale a pena, quer pelo formato, quer pelo preço).

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Mas nem tudo nas novas aquisções são bandas desenhadas, há também dois volumes curiosos: O Último Europeu e Stoner. O primeiro da autoria de Miguel Real (que esteve presente em Recordar os Esquecidos) possui uma premissa curiosa para o género de livro que é:

Em 2284, a Europa é maioritariamente composta por Baldios governados por clãs guerreiros que escravizam as populações esfomeadas; subsiste, porém, um território isolado por um cordão de segurança com uma sociedade que, por via da ciência e da tecnologia, atingiu um nível altíssimo de felicidade individual, pois todos os desejos podem ser consumados, ainda que apenas mentalmente. Nesta Nova Europa, as relações sexuais são livres e não se destinam à procriação: as crianças, desconhecendo os pais, nascem nos Criatórios em placentas sintéticas e seguem para Colégios onde, sem a ajuda de livros, andróides especializados incrementam as suas competências como futuros Cidadãos Dourados. As famílias reúnem-se por afinidades, ninguém trabalha e nem sequer existem nomes, para que ninguém se distinga, já que todas as conquistas se fazem em nome da comunidade. Mas este mundo aparentemente perfeito sofre uma inesperada ameaça: a Grande Ásia, lutando com graves problemas de demografia, acaba de invadir a Europa… Um velho Reitor, estudioso do passado, é chamado a liderar uma equipa que possa refundar algures a Nova Europa e a deixar testemunho da sua História. Vinte e cinco anos depois da queda do Muro de Berlim, Miguel Real constrói uma utopia sublime no contexto de um novo paradigma civilizacional, revelando o seu talento de escritor e filósofo e, ao mesmo tempo, chamando a atenção para o esgotamento da Europa actual.

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E falando em esquecidos, Stoner de John Edward Williams, lançado em 2014, tem sido livro de destaque, apesar de ter sido publicado originalmente há 50 anos:

Romance publicado em 1965, caído no esquecimento. Tal como o seu autor, John Williams – também ele um obscuro professor americano, de uma obscura universidade. Passados quase 50 anos, o mesmo amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia.

Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: “É o melhor romance que ninguém leu”. Porque é que um romance tão emocionalmente exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial nas mais diferentes latitudes? A resposta está no livro. Na era da hiper comunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta, partilhamos com ele a devoção à literatura, revemo-nos nos seus fracassos; sabendo que todo o desapontamento e solidão são relativos – se tivermos um livro a que nos agarrar.