Assim foi: Sustos às sextas (sessão de 17 de Abril)

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E chegámos à quarta sessão! A vantagem de chegar um pouco antes da hora é poder passear descansadamente pelas salas onde se encontram sempre expostas algumas peças de arte interessantes. Desta vez encontramos alguns quadros alusivos ao 25 de Abril, e entre eles, esta peça belíssima, mas também arrepiante.

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Após uma curta apresentação inicia-se a noite, com a declamação de poemas de horror, por Pedro Nunes Sazabra, mais propriamente dos poemas O Adão Inverso  e Um Mal Fascinante de Baudelaire. Componente curta da noite, mas em que a voz iniciou o tom negro que marcou esta sessão. Seguiu-se a interpretação do tema A Água Benta, de Chanson Noire. Assim que se senta o artista põe-se à vontade e revela uma voz espectacular que enche o espaço. Bem, espectacular talvez não seja bem o termo – a palavra que me vem à cabeça é mesmo brutal, pelas inflexões com que acompanha e se sobrepõe ao piano. Perde a visualização de qualquer vídeo quando comparada com a versão ao vivo – e mesmo não apreciando especialmente este género de música, este foi um dos grandes momentos da noite.

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O outro grande momento foi, claro, a palestra de David Soares, um exímio orador que nos levou por uma viagem, ao longo de vários tempos e culturas, entre os vários tipos de canibalismo, matando-se humanos para lhes comer a carne, ou aproveitando-se os restos mortais em mesinhas e remédios. Práticas que para nós tudo têm de bárbaro, mas que, para aqueles que naqueles tempos viviam, tudo tinha de óbvio. E claro que esta é uma descrição bastante simplista do discurso que ocupou a maior parte da noite e que intercalou costumes obscuros com histórias clássicas horripilantes, arrancando pequenas risadas da audiência que experimentou, em simultâneo, o fascínio e a repulsa.

Infelizmente, a noite para mim terminou aqui, mas para os que ainda ficaram, a sessão terá terminado como começou – mais música, mais declamação. Ah ! E um magnífico bolo (pelas fotos) para David Soares, que faria anos nesse dia.

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Foto retirada da página oficial do facebook

 

No global, esta foi uma sessão mais coerente em tom e temática, em que as várias componentes do programa combinaram para um ambiente mais negro e interessante. Como nas sessões anteriores, é de realçar o esforço e o gosto dos organizadores em proporcionar um serão bem passado, num local que tem tudo de perfeito para a dimensão do evento.

Últimas aquisições digitais (algumas gratuitas) – internacional

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Neil Clarke, editor da revista Clarkesworld Magazine, lançou-se numa nova revista, a Forever, que pretende conter, por cada número, dois contos e uma novela. O primeiro volume já foi lançado e é gratuito (basta clicar aqui e seguir para a página do editor), contendo uma novela de Ken Liu, e dois contos, um de Peter Watts e outro de Susan Palwick.

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Para quem gosta de horror lovecraftiano, esta revista publica mensalmente ficção de vários autores conhecidos e lançou há pouco tempo packs anuais a preço razoável. Mesmo assim, disponibiliza gratuitamente alguns conjuntos, em troca de uma subscrição por e-mail no blog oficial (clicar aqui para instruções mais detalhadas).

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Este é o volume gratuito deste mês pela Samsung Book Deals (para quem tem kindle através do tablet da Samsung é disponibilizado um livro por mês). Este é o de Abril (e não, não é mentira). Não se julga um livro pela capa, mas esta não me parece auspiciar grande coisa. Talvez com a sinopse:

Rigel has always known he is not quite human, but the only clue to his origin is the otherworldly bracelet he has worn since childhood.

His search for his parentage leads him to the Starlands, where reality and fantasy have changed places. There he learns that he is a human-starborn cross, and his bracelet is the legendary magical amulet Saiph, which makes its wearer an unbeatable swordsman. Fighting off monsters, battling a gang of assassins seeking to kill him, Rigel finds honorable employment as a hero. He knows that he must die very soon if he remains in the Starlands, but he has fallen hopelessly in love with a princess and cannot abandon her.

Through the imaginative landscape of the Starlands, Rigel’s quest leads him to encounter minotaurs, sphinxes, cyclops, and more fearsome creatures in Dave Duncan’s latest fantasy series.

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Esta antologia chega ao quarto volume, com histórias de Caitlin R. Kiernan e Michael Swanwick, entre outros, e está em promoção, com o excelente preço de 0.99 na Amazon:

In the spirit of classic science fiction anthologies such as Universe, Orbit, and Starlight, master anthologist Jonathan Strahan (The Best Science Fiction and Fantasy of the Year) presents the non-themed genre anthology Eclipse: New Science Fiction and Fantasy. Here you will find stories where strange and wonderful things happen–where reality is eclipsed by something magical and new.

Continuing in the footsteps of the multiple-award-nominated anthologies Eclipse One, Eclipse Two, and Eclipse Three, Eclipse Four delivers new fiction by some of the genre’s most celebrated authors, including Andy Duncan’s tale of a man’s gamble that he can outrun a bullet; Caitlin R. Kiernan’s story of lovers contemplating the gravity of a tiny black hole; Damien Broderick’s chronicle of a beancounter who acquires a most curious cat; Michael Swanwick’s tale of the grey man who pulls an unhappy woman from the path of an oncoming train; Nalo Hopkinson’s story of ghosts haunting a shopping mall; and Gwyneth Jones’s story of an alien priest who suffers a crisis of faith…

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Pela Humble Bundle chega mais um conjunto de livros de ficção científica, onde, pelo preço que se quiser se pode adquirir um bom conjunto de livros. Como é habitual quem oferecer um pouco mais que a oferta média ganha mais uns quantos livros, e quem oferecer mais do que 15 dólares, ganha ainda mais livros. Eis o link. De realçar que o conjunto conta com Beasts of Tabat de Cat Rambo (que adquirido isoladamente custa mais de 7 dólares).

Para quem este conjunto não lhe agrada, tem ainda o StoryBundle, que mais regularidade anuncia conjuntos agradáveis por condições semelhantes, e se encontra neste momento com dois conjuntos, um de fantasia juvenil e outro de viagens no tempo. Já agora, fica a dica, para os assinantes da Newsletter de vez em quando enviam livros gratuitamente.

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Destaque da semana: Novas edições pela Colecção Lua Cheia

Lua cheia

As mais recentes colecções da Civilização Editora são de encher os olhos! Mas neste caso o destaque é para a colecção Lua Cheia onde podemos encontrar novas edições de livros de ficção especulativa, mais propriamente clássicos dos géneros da ficção científica, do fantástico e do horror. Para além dos títulos interessantes e das capas graficamente impressionantes, o preço é bastante razoável e está agora a 20% de promoção.

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Quem não conhece a fantástica história da Dama pé de cabra, aqui compilada por Alexandre Herculano

“A Dama Pé-de-Cabra”, conto que dá título ao livro, conta a história de um nobre que, ao encontrar na serra uma dama, se perde de amores por ela; mas a dama não é quem parece ser e o nobre terá de sofrer muito em consequência das suas escolhas. Um conto misterioso, intrigante, marcante pelo tom com que é apresentado e onde os elementos sobrenaturais são soberanos. “A Abóbada” fala da construção do Mosteiro da Batalha, em particular, da abóbada da casa do capítulo. Este conto envolvente, marcado por descrições soberbas, ilustra como o orgulho excessivo pode ser a ruína de um homem. Um poderoso relato de uma época de grande poder e forte superstição.

frankenUm dos primeiros livros enquadrados no género de ficção científica, um clássico no género que pode ser também classificado como sendo de horror:

É Mary Shelley quem nos remete diretamente para a Antiguidade Clássica ao considerar o seu Frankenstein como o Prometeu moderno. O fogo dos deuses é agora o segredo da vida, que se vê materializado na criatura engendrada pelo Dr. Frankenstein através de uma heterodoxa abordagem do método científico, onde também se cruza alguma da investigação feita em torno do galvanismo e da medicina forense, em voga na época. Apesar de tomar como seu um atributo divino, o Dr. Frankenstein não será capaz de controlar completamente as implicações próprias da sua criação, o que terá, naturalmente, consequências funestas. Temos pois um olhar romântico sobre Prometeu e o mito de Pandora, onde se vislumbram os homúnculos de Paracelso e o Golem da tradição judaica.

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Alicerçada na tradição folclórica do Leste europeu e nas primeiras produções literárias sobre o tema, Carmilla haveria de dar origem ao arquétipo do vampiro feminino na literatura universal. Exerceu um papel fundamental na elaboração de Drácula (1897), sendo considerada a obra que deu a Bram Stoker a ideia e a inspiração para escrever o seu romance. Certa noite, após um acidente de carruagem, uma jovem muito atraente, Carmilla, uma das passageiras, é convidada a ficar hospedada no castelo da família de Laura para se recuperar.Carmilla é uma figura alegre e exótica, totalmente oposta a Laura. Entre elas desenvolve-se uma intensa e apaixonada amizade, mas os estranhos hábitos de Carmilla começam a despertar a curiosidade dos empregados. Quando uma “estranha doença” começa a conduzir à morte várias jovens da redondeza, Laura, cujas noites de sono são dominadas por terríveis pesadelos, procura descobrir os segredos da nova amiga e resistir aos seus encantos

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“Os Crimes da Rua Morgue” é considerado por muitos a primeira obra policial de sempre. Mãe e filha são encontradas mortas num edifício situado na Rua Morgue, uma artéria parisiense. As vítimas foram brutalmente assassinadas e a sala onde foram descobertos os corpos encontrava-se trancada por dentro. Para adensar o mistério, os vizinhos alegam ter ouvido o assassino falar numa língua que ninguém consegue identificar. Quando um homem é acusado do crime, C. Auguste Dupin, um indivíduo solitário e de aguçada inteligência, oferece-se para ajudar a polícia a resolver este caso e impedir que um homem inocente seja preso por um crime que Dupin acredita não ter cometido. Um pelo encontrado junto dos corpos leva-o a crer que o assassino poderá não ser humano…

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O comportamento do Dr. Jekyll, um conceituado médico londrino, começa a preocupar os seus empregados e amigos, especialmente porque, cada vez mais isolado no seu laboratório, recebe frequentemente o intrigante e violento Mr. Hyde.Temendo pela vida do amigo, o advogado Utterson resolve tirar a limpo a história e vai à residência do médico procurar a explicação para tão bizarro comportamento. E é aí que descobre o que realmente se está a passar.

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Em carta datada de 25 de outubro de 1915, dirigida a G. H. Meyer, da Kurt Wolff Verlag, Kafka exprime de forma veemente a sua preocupação pelo facto de o ilustrador escolhido para a sua obra, Ottomar Starke, poder vir a querer representar um inseto na capa de Die Verwandlung (A Metamorfose). “Isso de maneira nenhuma, por favor”, escreve Kafka, em antecipação. “O inseto em si não pode ser esboçado. Não pode ser visto sequer à distância.” Volvidos cem anos em 2015, a Civilização propõe aos seus leitores uma leitura renovada de “A Metamorfose”, de Franz Kafka, no cumprimento estrito da vontade expressa pelo autor, que julgamos reveladora.

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Os contos fantásticos de Machado de Assis, bem pautados pelo estilo francês, concentram o teor mágico e insólito das suas narrativas no elemento onírico. É por meio do sonho, loucura, delírios ou alucinações que os protagonistas se defrontam com aparições fantasmagóricas, aventuras inacreditáveis, ameaças de morte, encontros com cientistas insanos e viagens astrais. Geralmente o enredo tem início em ambientes verosímeis, que em nada remetem ao surreal. E dessa forma Machado conduziu muito bem os seus textos deste teor. Vivendo num mundo crível, monótono e enraizado no quotidiano, os protagonistas são repentinamente lançados em ambientes mágicos, maravilhosos, e que fogem das leis normais da compreensão humana, como em “A Chinela Turca”, conto que dá título a este livro.

Resumo de Leituras – Março de 2015 (4)

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41 – Fantasia negras e outras histórias – Joel Puga – pequeno conjunto de histórias fantásticas, todas negras, de autoria portuguesa, publicado em formato digital. Entre as cinco histórias podemos encontrar bons exemplos de fantasia, sem lamechices ou criancices.

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42 – Insonho, Durma bem – Vários autores – neste volume de aspecto impressionante encontramos várias histórias passadas em terras portuguesas onde se destaca o recordar dos seres que ainda habitam a memória colectiva portuguesa. Bastante distintos na forma de explorar o tema, é um conjunto muito interessante com excelentes histórias.

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43 – Para cima e não para Norte – Patrícia Portela – baseado em Flatland de Abbott, descreve as peripécias de um homem plano que se vê confrontado com a ideia de existirem seres tridimensionais. Obcecado por este ideia, acaba preso e sem família, mas nem assim desiste de tentar provar ou de aceder a esse mundo que lhe parece tão distante.

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44 – Insólito – Loustal – excelente conjunto de quarenta e seis histórias, em que cada uma ocupa uma página com, em média seis quadrinhos. Apesar de curtas conseguem expor situações insólitas e cómicas, tornando-se, nalgumas, críticas sociais ou políticas.

Passatempo – O Exorcista de William Peter Blatty

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Sim, este é o livro que deu origem ao mítico filme de Terror, O Exorcista. Eis a sinopse da edição portuguesa, lançada pela Gailivro:

Publicado pela primeira vez em 1971, O Exorcista tornou-se não só um fenómeno literário como um dos livros mais assustadores e controversos alguma vez escritos. A história centra-se em Regan, a filha de doze anos de Chris MacNeil, uma ocupada actriz que reside em Washington D.C. A criança aparenta estar possuída por um demónio ancestral e cabe a dois padres a dura tarefa de o exorcizar, arriscando a sanidade e a própria vida. O Exorcista transcendeu as páginas escritas e saltou para o grande ecrã, onde se tornou uma referência incontornável do cinema. Mas se pensa que o filme é assustador, leia o livro. Até porque o filme nem chega a aflorar a ponta do iceberg! Propositadamente crua e profana, O Exorcista é uma obra com a capacidade de nos chocar, levando-nos a esquecer que “é apenas uma história”.

Tendo recebido uma cópia há alguns anos da editora, reparei que este é daqueles livros que, não fazendo totalmente o meu género de leitura, não devo ler nos próximos tempos. Eis então um passatempo para que alguém, mais interessado, possa usufruir.

Para ganharem este volume apenas têm de enviar um mail para rascunhos.blog [AT] gmail [DOT] com, indicando nome e morada, com o mesmo título do post “Passatempo – Exorcista“. Como anteriormente não têm de seguir o blog em nenhuma das suas vertentes (se o fizerem é agradável, mas não é obrigatório) – basta enviarem um mail. O passatempo termina a 25 de Abril.

Notas adicionais: Os dados enviados serão usados apenas para o passatempo. Aceitam-se participações em Portugal (continental e ilhas). Para fora de Portugal, apenas se participarem nos portes. Uma particpação por pessoa ou por mail (várias pessoas não podem participar de um mesmo endereço de e-mail e uma mesma pessoa não pode participar de vários endereços diferentes). Participações adicionais serão ignoradas. O único exemplar disponível será sorteado, e o vencedor comunicado neste blog. Irei, também, enviar um e-mail para o vencedor, com o intuito de confirmar os dados antes do envio. Se não me responder em tempo útil (duas semanas) passarei ao segundo contemplado. Porque não trabalho nem moro perto dos correios (nem estes têm um horário compatível com a minha profissão) por vezes demoro um pouco a enviar o exemplar.

As novas estantes

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E chegou a vez das estantes da sala, aquelas que contêm maioritariamente comics e hardcovers. Na prateleira de cima estão as há muito lidas séries The Preacher e Fables. The Preacher é uma história simultaneamente violenta e cómica em que um padre foi possuído por uma criatura sobrenatural que lhe confere autoridade absoluta às suas palavras. Significa que se disser a alguém para contar os grãos de areia da praia, essa pessoa vai literalmente contar todos os grãozinhos (isto para dar um exemplo suave das possibilidades por detrás de tais comandos). Ah! E já disse que o padre tem muito pouco de Santo?

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Já de Fables faz lembrar a série Once Upon a Time, apesar de lhe ser anterior. Aqui as personagens das fábulas viram-se obrigadas a deixar o seu mundo, capturado por forças malignas, e acabaram no nosso mundo, sob forma humana. Os príncipes encantados são afinal homens narcisitas e egoístas que de cavalheiros pouco têm, a Branca de Neve está divorciada e o lobo mau é um detective humano que tenta ganhar a confiança dos outros elementos da sua sociedade. Fábula após fábula, as histórias e as personagens vão mostrando as decepções de vida em que se transformaram os contos, histórias de encantar que não conseguem sobreviver ao quotidiano.

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Outra série que me fascinou foi 1602. Pelo menos o primeiro volume. Neste mundo alternativo ao clássico mundo Marvel, os mesmos poderes surgiram alguns séculos antes, durante os descobrimentos. Depois de uma interessante primeira aventura, a mesma premissa é explorada em 1602 – New World e 1602 – Fantastic Four. Enquanto que em New World conhecemos um homem aranha diferente na colónia Virgínia, em Fantastic Four conhecemos o grupo de heróis numa peça de teatro que tentará salvar Shakespeare.

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E também nestas estantes que residem alguns dos livros de Neil Gaiman, começando por Mirrormask, um livro representativo do filme de mesmo nome, de história estranha, mas bastante estimulante em termos visuais, relembrando por vezes quadros de Dali, ainda que numa faceta mais negra. Se em Mirrormask a história não é o forte, já o mesmo não se pode dizer de Neverwhere. Tendo conhecido a história primeiro em livro e só depois a representação das personagens na banda desenhada, tenho a dizer que o que tinha imaginado não de adequa muito ao estilo apresentado. Ainda assim, é uma história espectacular, uma transformação da cidade cinzenta e opressiva, que ganha espaço e magia no submundo, uma realidade paralela e invisível à maioria dos citadinos, demasiado presos ao seu dia-a-dia.

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Do lado direito encontram-se dois dos livros mais recentes do autor: The Sleeper and the Spindle e Hansel & Gretel. Uma que adorei, outra que nem tanto. Se a primeira transfigura de forma fantástica duas conhecidas fábulas, dando profundidade e novos sentidos à Branca de Neve e à Bela Adormecida, em cenários a três cores (preto, branco e dourado) de tirar o fôlego; já o segundo apresenta-se tão negro quanto a capa contando uma conhecida história sem lhe acrescentar nada de novo, nem às personagens, nem aos acontecimentos.

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E porque faleceu recentemente, aproveito também para destacar um conjunto das obras de Terry Pratchett: três bandas desenhadas baseadas nos seus livros (Eric, The Colour of Magic e The Light Fantastic), Homenzinhos Livres (publicado pela Saída de Emergência) e Hogfather. Para quem não conhece este Universo, e para dar uma noção do nonsense que neles habita, basta descrever o mundo em que decorre, um disco suportado por quatro elefantes, por sua vez sustentados por uma tartaruga gigante. Ainda. A morte é uma personificação originada pela crença dos humanos, tal como outras figuras imaginárias como o Pai Natal. Já os académicos são um bando de lunáticos, demasiado centrados nas suas próprias experiências para se preocuparem com o mundo que os rodeia. E isto são apenas alguns detalhes do extenso mundo, carregado de sátiras em relação aos costumes e hábitos humanos.

 

Últimas aquisições

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No topo estão três exemplares da Letras com Asas, uma nova editora que irá apostar também na ficção especulativa, mais concretamente nos géneros ficção científica e literatura fantástica. Por enquanto publicaram apenas três obras, Immortalis de Carla Ribeiro no género fantástico, O Poder Interior de Bruno Matos no género infantil e Renascer das Cinzas de Susana Almeida como romance.

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Quando ainda há notícias como estas, de lobos e magias, nada mais a propósito do que uma antologia de contos passados no interior português, que exploram monstros sobrenaturais, ainda hoje temidos nas noites escuras e mal iluminadas das florestas e matagais. Entre lobisomens e papões, não me esperam noites descansadas.

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E há que aproveitar as boas promoções e a venda de livros em segunda mão. Apesar de juvenil Sete minutos depois da meia-noite é um volume impressionante, impresso em papel fotográfico, com direito a poster extra e carregado de imagens no interior. Já Uma ideia da Índia de Alberto Moravia pouco tem a ver com os géneros de fantástico ou horror, sendo mais um volume da colecção de literatura de viagem da Tinta da China.

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Passando pela FNAC de Alfragide para pegar a última Bang! não podia vir de mãos a abanar. E tive uma boa surpresa com a pequena secção de banda desenhada que me pareceu mais diversa do que a que tenho visto noutras FNAC’s. Acabei por me agarrar a este Malus da Chili com Carne.

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Depois de Elektra e Ultimate X-Men (oferecidos) não me podia esquecer dos lançamentos da Levoir pelo Público. Este parece que vai a fugir…

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The Dark – Volume 2 – Vários autores

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Mais coeso em qualidade, mas sem histórias tão fortes quanto o primeiro número, este volume da The Dark apresenta-nos novamente quatro histórias fantásticas com toques de horror, começando por Our Lady of Ruins. Neste conto um homem perde-se na floresta enquanto tenta procurar ajuda para o carro avariado. Bem, na realidade encontra-se, não se perde – de uma forma estranha parece passar entre realidades e retornar aos braços da esquecida amada onde se sente completamente integrado. Até ao dia em que acorda novamente neste mundo, perdido na estrada e retorna à esposa que o tinha dado por  morto há muito. Um conto melancólico de um ser humano que, tendo conhecido a perfeição, não se encaixa na realidade que encontra.

Em The Nameless Saint uma velhota encarna quase o perfeito papel de bruxa moderna, uma bruxa de boas intenções que captura as misérias que murmuram aos ouvidos dos humanos, deixando-as em gaiolas inquebráveis pela força. O quotidiano repete-se sem grandes surpresas até um dia. E porque tem sempre de existir um ponto de ruptura dos hábitos repetidos, nesta história este é representado por uma menina curiosa que estranha os hábitos da velhota. Imune aos feitiços que afastam a maioria dos seres humanos, é vista pela velhota como o futuro da profissão. Fazendo as misérias parte da condição humana, neste conto questiona-se indirectamente o seu papel na vida de todos os homens.

Wrought Out From Within Upon the Flesh de E. Catherine Tobler é uma longa história metafórica de dor e abuso, onde uma mulher transformada se esquece do que já foi. Resumida ao aspecto em que o amante a transfigura, aparência submissa e simultaneamente indefesa, parece acordar do torpor quotidiano. Sendo um conto fantástico esta transfiguração não poderia ser algo assim tão simples – de braços transformados em correntes e ferros, vê crescer os dedos e mãos que há muito esqueceu, e volta a conhecer a liberdade de andar e falar. Sem dúvida uma das histórias mais estranhas do conjunto, descreve as sensações da mulher antes e depois da transformação, sensações surreais que causam alguma repulsa.

Finalmente, em Five Boys Went to War uma idosa tenta manter os cinco filhos mortos na guerra que terão voltado sob forma pouco humana. Recordando os dias de cada um, volta a casa depois de comprar carne triturada que pretende distribuir entre eles. Quando chega encontra-os, cada vez mais contaminados pelos fungos, cinco figuras a que se agarra com saudades, mas que pouco parecem ter dos seres humanos que foram. História estranha e arrepiante, termina o conjunto de forma pesada e, novamente, melancólica.

Eventos: Insonho

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Foto de Francisco Fernandes (um dos autores)

Foi no passado dia 7 de Março mas não foi esquecido. No espaço já muito conhecido em eventos do género (Biblioteca Municipal de Telheiras) decorreu o lançamento do livro (agora com livro disponível para venda), com presença de vários dos autores que contribuiram com histórias baseadas no folclore fantástico português.

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Foto de Francisco Fernandes (um dos autores)

 

Centrando-se em locais portugueses, cada uma das 9 histórias explora um monstro, dando espaço aos terrores que habitam nas terríolas do interior ou uma nova interpretação aos seres míticos, origem de medos e pesadelos, desde o lobisomem ao bicho papão. Para os curiosos em saber algo mais, encontra-se disponível um vídeo de todo o evento da autoria de Luís Filipe Silva. Em relação ao livro, será, sem dúvida uma das minhas próximas leituras, mas posso realçar que, graficamente, está excelente.

Eventos: Sustos às sextas (Sessão de 13 de Março)

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Eis que chegou mais uma sexta-feira 13 acompanhada por Sustos às Sextas. À chegada do local destacam-se as melhorias – um caminho mais amigável a passadas e iluminado. No interior, as duas salas contíguas ao salão do evento apresentam novas exposições, com alguns quadros dignos de destaque. Já no salão destaca-se a colecção de jazz que, sem ter relação com a temática do encontro conferia um aspecto curioso ao espaço.

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Mas voltando ao tema. A sessão iniciou-se com a apresentação da exposição Figuras Clássicas do Terror composta por vários quadros de temática monstruosa, onde podemos encontrar, entre outros, um golem, um frankenstein ou um homem invisível. De estilos e autorias diferentes, os quadros formam um conjunto interessante de boa qualidade. Eis um dos mais falados:

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Foto retirada da página facebook do evento

Após a visita à galeria acompanhados por gostosas bolachinhas aterradoras, seguiu-se o momento mais esperado da noite: “A perspectiva do novo horror” de João Barreiros. Introduzindo-nos ao tema com uma breve explicação sobre a origem do prazer que sentimos com o género horror, João Barreiros levou-nos por uma pequena viagem entre os livros que o marcaram.

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Entre livros da extinta colecção argonauta (re)descobrimos A.E. Van Vogt, Clive Barker (com Books of Blood), Peter Straub (com Ghost Story), William Hope Hodgson (com The House on the Borderland) ou China Miéville (autor de um dos meus livros favoritos, Perdido Street Station) sem faltarem as bandas desenhadas e as referências francesas tão fora do que costume ser falado ou publicado em Portugal. Após um curso intervalo, a noite terminou com leitura interpretativa do conto “A Pata de Macaco” de W. W. Jacobs, um clássico do género:

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Foto retirada da página facebook do evento

Resumo de Leituras – Março de 2015

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29 – Wastelands – Stories of the Apocalypse – Vários autores – um bom conjunto de histórias apocalípticas que surpreendeu com os autores menos conhecidos, mas que ficou aquém nos autores mais relevantes. Com diferentes abordagens ao tema, algumas muito interessantes, um conjunto aconselhável.

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30 – O Manuscrito Durruti – Rafael Gouveia – pequena história de encontros e desencontros ao longo de várias cidades europeia, que culmina de forma abrupta. Exercício interessante em torno de Durrutti, mas que do ponto de vista da história contada tem pouco para retirar.

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31 – Jacaranda – Cherie Priest – História de horror decorrendo no mesmo Universo que a série steampunk ClockWork Century, onde se cria um ambiente apropriado dentro de um hotel mais habitado do que parece à primeira vista. Engraçada, sem ser excelente, a história possui algumas falhas na concretização, em que a autora parece não saber o que fazer com tanta personagem.

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32 – The Dark Issue I – Vários autores – A primeira edição desta revista possui quatro contos fantástico com detalhes de horror de Nnedi Okorafor (conhecida por Who Fears Death), Rachel Swirsky, Angela Slatter e Lisa L. Hannett. Gostei bastante de dois dos contos, o que é excelente considerando que é uma revista que, até agora, tem sido distribuída gratuitamente.

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O conjunto começa com uma aquisição em segunda mão, O Japão é um lugar estranho, de Peter Carey. Este é mais um dos belíssimos exemplares da colecção de literatura de viagem, neste caso com várias ilustrações de Anime e Manga. Eis a sinopse:

Peter Carey percorre a Tóquio moderna e entrevista os protagonistas da cultura da «manga», procura respostas impossíveis, naquele estilo levemente ébrio que nos faz nunca perder a sua prosa. The Guardian Escrito com a destreza narrativa de um romancista de créditos firmados (vencedor do Booker Prize por duas vezes), este livro traz em si, também, a urgência da reportagem e a capacidade de observação do melhor jornalismo. Revela-nos aquilo a que muita gente ainda não terá dado a atenção necessária: que há uma nova geração de adolescentes ocidentais a crescer, nesta primeira década do século XXI, sob a influência da cultura popular japonesa. Peter Carey conduz o filho e é conduzido (levando-nos a nós também nessa viagem) pelos labirintos de uma cultura cheia de códigos mais ou menos impenetráveis para um estrangeiro. Uma cultura bem mais transparente para um adolescente familiarizado com os universos da manga e do anime do que para um adulto à procura de uma chave que se revela quase sempre «lost in translation».

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Segue-se O Visitante da Noite & Outros Contos, de B. Traven – este adquirido em promoções Bertrand, aproveitando uma campanha de 20% em tudo. Já há algum tempo que ando de olho no livro – pelo que não deixei passar a oportunidade. Publicado em Portugal pela Antígona, possui uma capa que relembra o dia dos Mortos mexicano, ideia que o resumo na capa parece apoiar:

Impressionado pela exploração a que os mexicanos estavam sujeitos, B. Traven traça neste livro um retrato afectivo e humano deste povo, fundindo com mestria incidentes do quotidiano e histórias do folclore de uma nação. N’O Visitante da Noite e Outros Contos – visões do México rural, entre índios e covis de bandoleros –, os poderes de observação e de descrição de Traven esboçam o retrato da identidade e das forças vitais de um país. A presente colectânea inclui, entre outros contos, «Macario», a lenda de um lenhador que faz um pacto com a Morte, «O Visitante da Noite», no qual a história do México desfila nos sonhos de um solitário forasteiro americano, e «Uma História verdadeiramente Sangrenta», ou as vicissitudes bem-humoradas de um gringo que aspira a ser repórter.

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Seguem-se mais três usados, pequenas bandas desenhadas publicadas pela Polvo, ambas desconhecidas, mas que me pareceram interessantes. O Amor Infinito que te Tenho, de Paulo Monteiro, reúne várias histórias curtas e foi distinguido no Festival de Banda Desenhada da Amadora como Melhor Álbum Nacional:

Este é o primeiro livro de banda desenhada de Paulo Monteiro. Reúne um conjunto de histórias curtas efectuadas entre 2005 e 2010 e mostra de forma clara e concisa o percurso de maturação de um autor que vive intensamente as histórias que conta e desenha.
Já se tornou, com toda a justiça, no livro mais traduzido de sempre da BD portuguesa. A 3ª edição inclui, como novidade, um álbum de fotografias do autor.

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Finalmente, uma adaptação à banda desenhada de O Estrangeiro (de Camus) que conheci numa das sessões de Recordar os Esquecidos, e o primeiro volume da série de Novela Gráfica que está a sair agora com o Público (e vale a pena, quer pelo formato, quer pelo preço).

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Mas nem tudo nas novas aquisções são bandas desenhadas, há também dois volumes curiosos: O Último Europeu e Stoner. O primeiro da autoria de Miguel Real (que esteve presente em Recordar os Esquecidos) possui uma premissa curiosa para o género de livro que é:

Em 2284, a Europa é maioritariamente composta por Baldios governados por clãs guerreiros que escravizam as populações esfomeadas; subsiste, porém, um território isolado por um cordão de segurança com uma sociedade que, por via da ciência e da tecnologia, atingiu um nível altíssimo de felicidade individual, pois todos os desejos podem ser consumados, ainda que apenas mentalmente. Nesta Nova Europa, as relações sexuais são livres e não se destinam à procriação: as crianças, desconhecendo os pais, nascem nos Criatórios em placentas sintéticas e seguem para Colégios onde, sem a ajuda de livros, andróides especializados incrementam as suas competências como futuros Cidadãos Dourados. As famílias reúnem-se por afinidades, ninguém trabalha e nem sequer existem nomes, para que ninguém se distinga, já que todas as conquistas se fazem em nome da comunidade. Mas este mundo aparentemente perfeito sofre uma inesperada ameaça: a Grande Ásia, lutando com graves problemas de demografia, acaba de invadir a Europa… Um velho Reitor, estudioso do passado, é chamado a liderar uma equipa que possa refundar algures a Nova Europa e a deixar testemunho da sua História. Vinte e cinco anos depois da queda do Muro de Berlim, Miguel Real constrói uma utopia sublime no contexto de um novo paradigma civilizacional, revelando o seu talento de escritor e filósofo e, ao mesmo tempo, chamando a atenção para o esgotamento da Europa actual.

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E falando em esquecidos, Stoner de John Edward Williams, lançado em 2014, tem sido livro de destaque, apesar de ter sido publicado originalmente há 50 anos:

Romance publicado em 1965, caído no esquecimento. Tal como o seu autor, John Williams – também ele um obscuro professor americano, de uma obscura universidade. Passados quase 50 anos, o mesmo amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia.

Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: “É o melhor romance que ninguém leu”. Porque é que um romance tão emocionalmente exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial nas mais diferentes latitudes? A resposta está no livro. Na era da hiper comunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta, partilhamos com ele a devoção à literatura, revemo-nos nos seus fracassos; sabendo que todo o desapontamento e solidão são relativos – se tivermos um livro a que nos agarrar.

Fevereiro de 2015

Eis mais um resumo mensal, desta vez com uma pequena modificação de formato.

divergencia

Críticas interessantes

Ficção Científica

O Verdadeiro Dr. Fausto – Michael Swanwick – Leituras do Corvo Fiacha;

Por Mundos Divergentes – Vários autores – Que a Estante nos Caia em Cima;

Exhalation – Ted Chiang – Nuno Ferreira;

Fantasia

A Segunda Vinda de Cristo à Terra – João Cerqueira – Deus me Livro;

Mares de SangueScott Lynch – Nuno Ferreira;

O Poço da Ascenção – Brandon Sanderson – Deus me Livro;

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Banda desenhada

A Morte Persegue-me – Ed Brubaker – Que a Estante nos Caia em Cima;

Poem Strip – Dino Buzzati – aCalopsia;

2001 Nights – Intergalacticrobot;

Revoir Paris – Benoit Peeters, François Schuiten – Intergalacticrobot;

Habibi – Craig Thomson – Cadeirão Voltaire;

Outros

O Deserto dos Tártaros – Dino Buzzati – Leituras do Corvo Fiacha;

A Biblioteca – Zoran Zivkovic – Deus me Livro;

Contos reunidos – Aldous Huxley – Deus me Livro;

contos nao vendem

Outros artigos

Vejam Lisboa na Era Neo-Vitoriana – Game Over – Adaptação de várias cidades ao estilo do The Order: 1886 – mas se quiserem ver as imagens oficiais, eis;

O Regresso de Luís Louro: 1994 a 2007 – aCalopsia;

Fantasporto procura histórias… – Simetria;

Micro-contos de Jacques Sternberg, lidos por Joana Bértholo – Contos não vendem;

EBA: Dança e Storytelling – Virtual Illusion.

Lançamentos nacionais mais relevantes

Terras devastadas Stephen King – publicado pela Bertrand é o terceiro volume da série;

O Poço da Ascenção – Brandon Sanderson – publicado pela Saída de Emergência, pertence à saga Mistborn;

A Quimera de Praga – Taini Taylor – a nova aposta fantástica da Porto Editora;

Sete minutos depois da meia noite – Patrick Ness – pela Editorial Presença parece ser um juvenil fantástico com elementos de horror;

Colecção Novela Gráfica – saiu o primeiro volume, Um Contrato com Deus, em capa dura e preço acessível;

História Universal da Infâmia – Jorge Luís Borges – apesar de existirem volumes com a obra completa, a Quetzal tem publicado estes pequenos conjuntos, mais manobráveis.

sustos as sextas

Eventos

Se normalmente os eventos se costumam acumular todos por volta de Outubro / Novembro, parece que este ano é a excepção. Os eventos iniciados em Janeiro prosseguem, e esperemos que assim seja nos próximos meses:

Sustos às sextas – a segunda sessão foi marcada por interpretação ao vivo de passagens do Fantasma da Ópera, por uma pequena sessão em torno do filme Coisa Ruim, e pela leitura de um conto de António Monteiro à luz das velas;

Recordar os Esquecidos – decorreu a segunda sessão de Recordar os Esquecidos na Almedina, sessões moderadas por João Morales onde convidados recordam livros que poucos lembram, ou que nunca foram muito conhecidos.

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Outros resumos

Novembro 2014

Dezembro 2014

Janeiro 2015

Jacaranda – Cherie Priest

Jacaranda

Cherie Priest tornou-se mais conhecida com a série steampunk Clockwork Centurey iniciada com Boneshaker. Este volume, pertencente à mesma série, possui uma história bastante mais negra, de cenário contido, onde escasseiam os elementos Steampunk, mas sobejam os de horror.

O cenário é o hotel Jacaranda. De linhas rectas que pouco se enquadram à paisagem, terá sido construído no mesmo local onde terá existido uma velha árvore. Destino de peregrinação, foi cortada para dar lugar à construção massiva que é agora palco de múltiplas mortes em condições suspeitas, constituindo um local aterrador do qual ninguém se decide a partir.

Nas primeiras páginas assistimos à chegada do Padre Juan Rios, em resposta ao pedido de ajuda que recebeu através das cartas da freira Eileen, que lhe expõe as condições das mortes. Com fama de resolver situações complicadas, o Padre apercebe-se da entidade que se desenvolveu no hotel, entidade que será responsável por captar e manter próximo pessoas afligidas pela quebra de promessas e, por isso, facilmente manipuláveis.

Ninguém é isento de sentimento de culpa. Da freira pouco se sabe, mas o Padre terá quebrado um voto quando matou, de uma só vez, 12 bandidos. Com a chegada de um Ranger do Texas (também chamado pela freira), descobre-se o que aflige cada habitante do hotel, e estabelece-se o padrão. Sucedem-se mais mortes escabrosas e finalmente há quem se decida a deixar o hotel – mas o início de um forte temporal obriga todos a fecharem-se sob a luz da vela, enquanto ouvem os murmúrios da velha Jacaranda que os quer destruir.

Ainda que nos livros desta série existam elementos negros de grande inevitabilidade, esta é, das histórias que já li, a única que se insere totalmente no género de horror. Entre as mortes estranhas que se vão sucedendo e os sussurros angustiantes no hotel, encontra-se o sentimento de culpa de cada personagem – sentimento este que os leva a procurar uma expiação para as suas acções.

Ainda que seja uma leitura interessante e aconselhável, não chega a ser extraordinária. Por um lado nunca percebemos realmente a permanência da freira nem as suas motivações, por outro, o trio constituído pelo padre, pela freira e pelo ranger nunca entra em acção, parecendo existir momentos de incerteza sobre o que fazer com estas três poderes em simultâneo. Finalmente, a história termina de forma expectável, deixando o leitor à espera de algo mais.

Este livro faz parte do conjunto lançado pela Humble Bundle.

Últimas aquisições digitais (algumas gratuitas)

the situation

Publicado em 2008 é uma pequena e espectacular história de um ambiente de trabalho surreal em todos os aspectos, um ambiente de trabalho que se vai tornando cada vez mais hostil e distante enquanto se aprofundam as intrigas entre colegas. Mas sendo uma história de Jeff Vandermeer, claro que não poderia ser assim tão simples. Lentamente percebemos que fora daquela empresa a cidade sofreu alguma catástrofe e os trabalhadores têm muito pouco de humano. The Situation encontra-se disponível gratuitamente. Caso gostem, podem também encontrar uma pequena banda desenhada no site TOR.com.

humble bumdle

 

A Subterranean Press costuma ser responsável por excelentes edições de ficção científica e fantástica, de conhecidos autores dos géneros. Em parceria com a Humble Bundle estão a lançar um “paga o que quiseres” por um excelente conjunto de sete edições digitais: Brayan’s Gold de Peter V. Brett ou Jacaranda de Cherie Priest (conhecida pela série Steampunk iniciada com Boneshaker). Quem pagar mais do que a média tem direito a mais 12 livros de entre os quais destaco os livros de Clive Barker, Ted Chiang, John Scalzi, ou Elizabeth Bear . E quem pagar mais do que 15 dólares recebe ainda a mais 3 livros. Resumindo: por 15 dólares podemos receber 22 livros.

Pedindo submissões

Eis algumas novas oportunidades para quem escreve !

call to arms

Planeado o Clockwork para 2015, claro que seria de esperar a edição de um novo Almanaque Steampunk. O formato dos anteriores é bastante interessante (podem ver o de 2012 aqui) pelo que o de 2015 não deve ficar atrás. Para o Almanaque não se procuram apenas histórias, mas também banda desenhada, ilustrações e poesia. Podem ver instruções mais detalhadas no site oficial.

concurso de contos de terror

Já divulgado anteriormente aqui, mas cá fica novamente a nota. A iniciativa enquadra-se dentro do evento Sustos às sextas e procura contos de terror. Através do e-mail ou da página de facebook podem encontrar mais informação.

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Enquanto nos anteriores se aceitam contos, aqui aceitam-se manuscritos, dentro do género ficção especulativa: fantasia, ficção científica e terror. Fica a nota de que não pretendem trilogias nem séries, mas histórias de um volume apenas. Aqui ficam mais detalhes.

 

Destaque da semana: Sete minutos depois da meia-noite

sete minutos depois da meia noite

Mais conhecido pela série Chaos Walking, este premiado autor de livros juvenis vê agora um livro publicado em português: A Monster Calls. Com direito a trailler no site da editora, deixo aqui a sinopse:

Passava pouco da meia-noite quando o monstro apareceu. Mas não era exatamente o monstro de que Conor estava à espera…

A escuridão, o vento, os gritos. O mesmo pesadelo noturno desde que a mãe de Conor ficou doente. Tudo é tão aterrorizador que Conor não se mostra assustado quando uma árvore próxima de sua casa se transforma num monstro… Mas só o monstro sabe que Conor esconde um segredo e é o único a estar ao seu lado nos seus maiores medos.

Inspirado numa ideia original da escritora Siobhan Dowd, que morreu de cancro em 2007, Patrick Ness criou uma história de uma beleza tocante, que aborda verdades dolorosas com elegância e profundidade, sem nunca perder de vista a esperança no futuro. Fala-nos dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para os ultrapassar.

É com ilustrações soberbas que complementam e expandem a beleza do texto que a fantasia e realidade se misturam em Sete Minutos Depois da Meia-Noite.

 

 

Últimas aquisições digitais (algumas gratuitas)

Dark magazine

Se forem ao site oficial da revista podem-se inscrever para receberem quatro volumes gratuitos. O primeiro foi-me enviado já esta semana e ainda que os autores deste não me sejam conhecidos, nos volumes anteriores podemos encontrar Nnedi Okorafor, Silvia Moreno-Garcia ou S.L. Gilbow. Mais conhecidos ainda são os editores: Jack Fisher e Sean Wallace. O primeiro editor da revista Flesh & Blood costuma organizar antologias. Já o segundo é o editor da Prime books, tendo já organizado revistas como a Clarkesworld, The Dark ou Fantasy Magazine. Este será sem dúvida um projecto para acompanhar nos próximos tempos.

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Para quem usa o Kindle reader através de um Samsung existe a possibilidade de adquirir um volume gratuito todos os meses. De entre as quatro possibilidades deste mês escolhi este The Mongoliad:

The first novel to be released in The Foreworld Saga, The Mongoliad: Book One, is an epic-within-an-epic, taking place in 13th century. In it, a small band of warriors and mystics raise their swords to save Europe from a bloodthirsty Mongol invasion. Inspired by their leader (an elder of an order of warrior monks), they embark on a perilous journey and uncover the history of hidden knowledge and conflict among powerful secret societies that had been shaping world events for millennia.

But the saga reaches the modern world via a circuitous route. In the late 19th century, Sir Richard F. Burton, an expert on exotic languages and historical swordsmanship, is approached by a mysterious group of English martial arts aficionados about translating a collection of long-lost manuscripts. Burton dies before his work is finished, and his efforts were thought lost until recently rediscovered by a team of amateur archaeologists in the ruins of a mansion in Trieste, Italy. From this collection of arcana, the incredible tale of The Mongoliad was recreated.

Full of high adventure, unforgettable characters, and unflinching battle scenes, The Mongoliad ignites a dangerous quest where willpower and blades are tested and the scope of world-building is redefined.

A note on this edition: The Mongoliad began as a social media experiment, combining serial story-telling with a unique level of interaction between authors and audience during the creative process. Since its original iteration, The Mongoliad has been restructured, edited, and rewritten under the supervision of its authors to create a more cohesive reading experience and will be published as a trilogy of novels. This edition is the definitive edition and is the authors’ preferred text.

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O site VODO de vez em quando disponibiliza e-books a preços muito acessíveis. Ainda assim quem achar que o preço é excessivo, pode sempre fazer uma proposta de preço, que às vezes até é aceite. Neste momento, dos que se encontram disponíveis interessei-me por um livro de Daryl Gregory, e por esta colectânea de histórias de ficção científica de países tão distintos como Filipinas, Israel, Tailândia, Croácia ou Malácia (entre outros). No site oficial encontram não só uma lista completa de conteúdos como a sinopse:

Among the spirits, technology, and deep recesses of the human mind, stories abound. Kites sail to the stars, technology transcends physics, and wheels cry out in the night. Memories come and go like fading echoes and a train carries its passengers through more than simple space and time. Dark and bright, beautiful and haunting, the stories herein represent speculative fiction from a sampling of the finest authors from around the world.

we are all completely fine daryl gregory

Entre Pandemonium e The Devil’s Alphabet, os livros de Daryl Gregory costumam apresentar boas histórias de premissas originais e improváveis:

Harrison was the Monster Detective, a storybook hero. Now he’s in his mid-thirties and spends most of his time popping pills and not sleeping. Stan became a minor celebrity after being partially eaten by cannibals. Barbara is haunted by unreadable messages carved upon her bones. Greta may or may not be a mass-murdering arsonist. Martin never takes off his sunglasses. Never. No one believes the extent of their horrific tales, not until they are sought out by psychotherapist Dr. Jan Sayer. What happens when these seemingly-insane outcasts form a support group? Together they must discover which monsters they face are within–and which are lurking in plain sight.

Eventos: Sustos às sextas (Sessão de 13 de Fevereiro)

Sustos às sextas é o nome de um evento que se dispõe a falar de horror em diversas artes ao longo de cinco sessões mensais, no Palácio dos Aciprestes em Linda-a-velha. Não tendo podido ir à primeira sessão, foi com agradável surpresa que entrei no belíssimo espaço, através de uma sombria entrada lateral, bem enquadrada no espírito do evento.

Lá dentro, aguardava-me um ambiente acolhedor e nada escuro, com exposições artísticas de teor fantástico (ou fantasioso), de acordo com a temática. Mas o inesperado é a sala principal – mesmo depois de ter visto as fotos da sessão anterior, o espaço que encontrei é ainda mais acolhedor e propício.

sustos 1

Anabela Paixão e António Leitão com Manuela Fonseca ao piano

 

Sentados, eis que a sessão começa com a apresentação de dois trechos do Fantasma da Ópera de Andrew Lloyd Weber. Após a introdução do Prof. Fernando Serafim os trechos foram interpretados por Anabela Paixão e António Leitão, acompanhados por Manuela Fonseca ao Piano. Uma performance arrepiante que começou com uma das mais conhecidas e marcantes músicas deste espectáculo.

sustos 2

Coisa Ruim – conversa com Rodrigo Guedes de Carvalho e Frederico Serra

 

Segue-se uma pequena apresentação de alguns dos mais conhecidos filmes de horror, que nos pretende introduzir à conversa em torno de Coisa Ruim, com Rodrigo Guedes de Carvalho e Frederico Serra. Para quem não viu o filme, tenho a dizer que foi dos poucos filmes portugueses que apreciei. Sem ser um supra-sumo do cinema, destacou-se por aproveitar o ambiente aterrador das quase abandonadas aldeias portuguesas, trazendo à tona o clima supersticioso do interior português.

sustos 3

António Monteiro em leitura de um conto do próprio

 

Após um breve intervalo, inicia-se a terceira e última parte da sessão, a leitura de um conto de horror por António Monteiro da autoria do próprio. Em sala escura iluminada apenas por velas, ouviu-se uma história onde, novamente, se destaca o ambiente rural e sombrio do interior, onde os idosos continuam a fazer as suas mezinhas, e onde se acredita que o diabo anda à solta.

Em suma, espaço extraordinário para um evento muito agradável que aconselho vivamente, e espero que nada me impeça de poder comparecer às próximas sessões.

Página Oficial do Evento