Destaque: Colecção de Clássicos Alêtheia

Colecção de clássicos aletheia

A Colecção de Clássicos Alêtheia destaca-se por conter novas edições de vários clássicos de ficção especulativa (fantástico, ficção científica e horror) com capas bastante aliciantes. Encontramos, portanto, nesta colecção obras como:

metamorfose

A Metamorfose é a mais célebre novela de Franz Kafka e uma das mais importantes de toda a história da literatura. O texto coloca o leitor diante de Gregor Samsa, transformado em inseto monstruoso. A partir daí, a história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverosímil e o sentido de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana — tudo no estilo transparente e perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal.

A ILHA do dr

Em 1887, o navio Lady Vain naufraga no Pacífico. À deriva e sem esperanças de sobreviver em alto mar, Charles Prendick é resgatado por um navio, chefiado pelo doutor Montgomery, com uma missão invulgar: levar algumas espécies de animais selvagens para uma pequena ilha do Pacífico. Ainda debilitado, Prendick é obrigado a desembarcar na ilha, onde conhece a estranha figura do dr. Moreau, um cientista que, exilado em consequência de controversas pesquisas em Inglaterra, realiza experiências macabras com animais.

frankenstein

Romance gótico visionário, esta obra-prima de Mary Shelley é um dos grandes marcos da literatura de ficção científica.

Frankenstein conta a história de Victor Frankenstein, cientista obcecado com a descoberta do segredo da criação da vida que se envolve no jogo dos deuses quando, a partir de matéria inanimada, constrói um ser pensante. As consequências da sua criação provocam, ainda hoje, uma profunda reflexão sobre o que significa ser humano, qual a origem e sentido da vida e que responsabilidades decorrem das nossas ações, desde as mais espontâneas, como a de amar, às mais complexas, como a de criar.

contos de grimm

Desde há dois séculos, as histórias de magia e de fantásticas personagens recolhidas pelos irmãos Grimm têm sido parte do que as crianças — e os adultos — aprendem sobre as vicissitudes do mundo real. Cinderela, Branca de Neve, Hansel e Gretel e Capuchinho Vermelhos são apenas algumas das dezenas de personagens inesquecíveis que figuram nestes contos e dos quais se apresentam nesta obra que a Alêtheia agora edita uma seleção.

 

fantasmas

O Fantasma de Canterville e Outras Histórias é um volume que reúne três dos mais populares contos do muito admirado e controverso Oscar Wilde. São histórias cuja originalidade, sentido de humor e rumos surpreendentes nos conduzem a um mundo de beleza e arte.

coracao de cao

Uma sátira mordaz ao «homem novo» soviético, Coração de Cão, escrito em 1925, apenas pôde ser publicado na União Soviética em 1987, com a perestroika.
Um eminente cientista, especializado em rejuvenescimento humano, enceta uma experiência a um cão vadio das ruas de Moscovo, Charik, depois de o levar para o seu apartamento e ganhar a sua confiança. O respeitável professor transplanta-lhe a hipófise e testículos de um indivíduo acabado de morrer, e o resultado é inesperado: o cão transforma-se em homem, mas um da pior espécie – arrogante, bêbado, desagradável, apoiante do proletariado, que se passou a chamar Poligraf Poligrafovitch Charikov. E assim o professor vê-se perseguido por todo o género de comités e comissões estatais e proletárias que não suportava, deslumbrados com o cão que se transformara em homem numa experiência de laboratório.

dom casmurro

História clássica de amor e ciúme, em Dom Casmurro é narrada a história de Bento e do seu amor de sempre, Capitu. Os dois ultrapassam a relutância que os pais têm na sua união, mas os ciúmes de Bento levam-no a suspeitar que o filho do casal não é dele. Apesar da trama linear, o narrador joga com as expectativas do leitor e comenta a estrutura da história, esbatendo a linha entre ficção e realidade de uma forma bastante atual.

Facas – Valério Romão

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Facas é um livro minúsculo, não chega a ultrapassar o tamanho da minha mão, mas tal como não devemos julgar os livros pelas capas, também não o devemos fazer pelo tamanho. Apesar de pequeno e curto, é um livro que consegue satisfazer na sua totalidade, entregando, em três contos, histórias fortes e sangrentas que ora descem à decadência total do ser humano, ora ascendem a um espírito irónico mas não menos violento, com pequenos elementos surreais.

Facas na solidão é uma das histórias que mais explora o lado negro do ser humano – o pai aleijado assiste impotente ao adultério cometido diariamente pela esposa, à vista de todos, encontrando no filho um objectivo para a vida degradada e degradante que lhe resta. Talvez pela passividade do pai, talvez pelas actividades indiscretas da mãe, o filho cresce e rapidamente gera a sua própria família, família essa que rapidamente cairá por conta dos actos indescritíveis do filho. Actos que aquele homem acabado e desesperado não quer acreditar que tenham sido cometidos pelo filho e que acabam com todas as razões para viver.

A força decadente deste conto não provém apenas dos actos quotidianos descritos, mas, também, da linguagem bruta, brusca e directa com que tudo nos é narrado – forma que quase nos faz sentir asco pelas personagens, pelas circunstâncias, pelas acções que sabemos existirem mas que aqui são postas a nú.

Em Sete pequenos canivetes apresentam-se sete usos violentos para esses objectos, numa prosa musical de tom ligeiramente perverso, maldoso e horripilante. Homens que aspirando a escultores usam a faca não só como talhantes, mas para fins mais artísticos, homens que usam canivetes para provocar a relaxação total ou para responder à frustração do amor que apenas o dinheiro lhes consegue comprar.

O último conto, Faca seiseiseis, traz-nos uma série de episódios violentos que parecem ocorrer por transmissão entre os sucessivos herdeiros de uma determinada família que recebem uma faca como herança. Predestinados a acontecimentos mirabolantes (e fatais), os elementos desta família acabam sempre esvaídos de sangue, mesmo que tenham as vivências mais pacíficas.

Livro de leitura rápida reúne, sob um tema comum, três histórias bastante diferentes – se no primeiro assistimos à dura realidade de um homem que, não construindo nada para si, vê desabar a sua vivência e as suas perspectivas, num final de puro horror fantástico; o segundo é quase uma sucessão de psicopatas ou demências, maleitas psicológicas que pela faca dão azo às suas taras; enquanto que o terceiro nos apresenta o destino com toda a sua carga irónica.

Facas foi publicado pela editora Companhia das Ilhas.

Outros livros do autor

Resumo de Leituras – Junho de 2016 (2)

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137 – This census-taker – China Miéville – Pequeno livro de China Miéville que possui uma história linear apesar das várias referências dispersas a algo mais. Talvez por ter uma grande expectativa associada ao nome do autor, não fiquei particularmente satisfeita com esta leitura;

138 – Sobressaltos – Vários autores – Recentemente foi inaugurada uma exposição no eventos Sustos às sextas onde foram reunidas várias histórias de terror em duas páginas. As histórias são tão diversas em estilo e tom quanto a quantidade de autores convidados e o conjunto possui contos para todos os gostos;

139 – Os Marcianos somos nós – Nuno Galopim –  Nuno Galopim disserta sobre o planeta Marte, ora associado à mitologia de várias civilizações, ora associado a espaço de oportunidades ilimitadas na ficção científica (até claro, ao momento em que foi possível vislumbrar a superfície árida). Um livro interessante que passa essencialmente pela literatura, pela música e pelo cinema;

140 – A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários – António de Macedo – Este livro reúne os textos de António de Macedo que foram sendo publicados na revista Bang!. Os textos centram-se em temas variados da Literatura Especulativa, passando pelas cidades imaginárias, pelos livros inexistentes (ou existentes e míticos), por uma batalha entre dois livros (um de ficção especulativa) e termina apresentando uma história da ficção especulativa em Portugal. Aconselhável aos que gostam do tema e que pretendem ter algumas referências lusitanas sobre a literatura especulativa.

A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários – António de Macedo

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Apesar de ser mais conhecido como cineasta e escritor, António de Macedo exerceu ainda outras actividades, como arquitecto e docente em várias Universidades e especializou-se na investigação e estudo das religiões comparadas, da filosofia ou das formas literárias e fílmicas da ficção especulativa.

É uma das personalidades que mais contribuiu para a produção portuguesa na ficção especulativa e uma das mais injustamente esquecidas figuras do cenário cultural português. Do seu vasto currículo destaco, mais a propósito, os vários livros de literatura fantástica e de ficção científica e os recentes artigos que tem publicado na revista Bang! sobre a ficção especulativa.

A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários, publicado recentemente numa chancela da Saída de Emergência, reúne exactamente esses textos publicados na Bang! onde o autor disserta ora sobre cidades imaginárias (tema de preferência da ficção), ora sobre livros (míticos, falsos, inexistentes ou fugidios), ora resumidamente sobre a história da ficção portuguesa.

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Passando por cidades históricas e míticas, parando nas cidades claustrofóbicas que servem de cenário ao horror fantástico, António de Macedo refere a proporção perfeita na geometria transformada espaço urbano (nem que seja em desenho) ou o espaço urbano transformado pesadelo em Lovecraft, ou local maravilhoso com Randolph Carter.

Transposto esse grande tema fantástico que são as cidades, os textos seguintes centram-se no livro enquanto objecto místico, inexistente mas imaginários, existentes mas ilegíveis, existentes mas desaparecidos no tempo. Em Livros Míticos ou Biblioteca (quase) invisível encontramos os que não querem ser escritos e vivem apenas como perspectiva inconcretizada de um autor, os que se materializaram apenas como citação nalguma obra de ficção, ou os que, existindo, nunca se revelam, escondendo o seu conteúdo por detrás de alguma cifra complexa.

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Já em Mais alguns livros míticos e vários outros (falsos ou não), começa por se falar de conspirações como forma de introduzir livros como o Diário de Hitler que, tendo aparecido há muitos anos, se revelou uma farsa, ou Magia: História, Teoria, Prática de Ernst Schertel que será uma obra bem real da qual existe um exemplar anotado por Hitler. Para além destes, outros livros marcaram lugar na história por serem eles próprios uma farsa aproveitada por quem pretendia disseminar teorias mirabolantes e aproveitar-se delas. Teria sido o caso de Protocolos dos Sábios de Sião ou de Monita Secreta.

Passando de livros que não existem e de livros que existem mas cujo conteúdo é miticamente duvidoso, à luta de géneros, António de Macedo ensaia um combate entre A Sibila e Alraune, comparando eventos e personagens. Esta luta antecipa uma pequena viagem por Os Mundos Imaginários do Fantástico Português, com referência a vários autores (alguns mais conhecidos que outros, alguns desaparecidos do espaço editorial – Luís Filipe Silva, Daniel Tércio, João Barreiros, Maria de Menezes, José Manuel Morais ou João Botelho da Silva).

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Ainda que conhecesse alguns dos textos das revistas Bang!, é sempre um prazer ler sobre cidades fantásticas e livros míticos, achando o texto sobre a história da literatura especulativa em Portugal particularmente interessante, até porque, tanto a elevada publicação como os eventos de Cascais decorreram antes de ter nascido ou numa altura em que, já tendo descoberto a ficção científica, nem sabia que existiam mais leitores por cá.

Sobressaltos – Terror por autores portugueses de BD

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Este volume de banda desenhada de vários autores portugueses prova que eventos como Sustos às sextas são necessários por impulsionarem directa ou indirectamente a produção nacional, seja pela troca de ideias, seja pelas iniciativas que leva à produção na ficção especulativa. O ano passado tivemos um concurso de contos (o vencedor viria a ser publicado na revista Bang!) e uma exposição de monstros que viria a percorrer vários outros eventos.

Este ano tivemos a exposição Sobressaltos para a qual diversos artistas produziram histórias de horror em duas pranchas, inaugurada numa das sessões de Sustos às sextas. O resultado originou este volume de banda desenhada, lançado recentemente no Festival de Beja. Claro que as limitações de espaço não permitem construir extensos e mirabolantes enredos, mas é de destacar que algumas conseguiram bons e divertidos twists. Há histórias para todos os gostos – divertido, psicológico e monstruoso.

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Ossos de Joana Afonso

A compilação abre com o estilo característico de Joana Afonso, uma das que mais gostei porque, apesar de ser bastante simples e sem diálogos, consegue ser divertida e entregar horror. A segunda história de Tiago Pimentel utiliza o conto tradicional do lobisomen, obrigado a correr fado.

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Em nós de Ricardo Drumond e André Oliveira

Em nós de Ricardo Drumond e André Oliveira destaca-se tanto por conseguir contar uma história de horror, mas também pelo aspecto gráfico que confere uma brutalidade exemplar aos cenários aparentemente simples. Já Ouin de Rui Lacas não é propriamente uma história de horror mas aproveita seres sobrenaturais para apresentar um trecho com várias pitadas cómicas (quer nos próprios desenhos, quer no final).

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Meow de Carlota Borba

Estas foram as que mais gostei, mas entre as restantes encontramos defensores da pátria que vêm nos que os rodeiam elementos que degradam a sociedade (e decidem tomar medidas cortantes), histórias de vinganças fantasmagóricas, psicopatas, canibais e monstros vários.

Apesar de não ter gostado de todas as histórias (difícil seria) este é um conjunto diverso que consegue reunir várias vertentes do horror num espaço muito curto e com visuais muito interessantes.

Sobressaltos foi publicado pela Europress.

As histórias de terror do tio Montague – Chris Priestley

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As histórias de terror do tio Montague é um pequeno livro com histórias de horror destinado a um público mais juvenil que surpreende pela positiva. As onze histórias são contadas pelo tio, que, apesar de ser assim chamado será tio-avô ou tio-bisavô – a memória da família já se perde na idade da personagem sombria que habita uma enorme casa nos bosques.

O jovem Edgar não é um rapaz como os outros, ou melhor, é um rapaz que prefere escutar as histórias aterrorizantes do tio do que deambular pelo topo das árvores em diabruras típicas da sua idade. É assim que, num dia que se tornará muito nublado, passa a tarde naquela casa assustadora, repleta de objectos inquietantes que estão quase sempre relacionados com a morte de algum rapaz.

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Bruxas que capturam rapazes, demónios que atraem a desgraça, fantasmas molhados ou criaturas que despedaçam crianças – as histórias são curtas e interessantes, sem condescendência mas expressando, por vezes, um leve moralismo típico do formato conto tradicional. Trepar a árvores muito altas ou entrar em casa alheia trará grandes desgraças, bem como enganar, roubar ou desobedecer.

Esta associação entre uma acção e um castigo está presente em quase todas e apresenta-se sob a forma de estranhos e fortes horrores – pessoas fechadas em salas sem porta, crianças transformadas em árvores ou doces meninas transformadas em psicopatas imparáveis.

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Este pequeno conjunto de histórias direccionadas para um público mais jovem consegue surpreender pela positiva, apresentando um ambiente sombrio, propício à exploração dos mais variados temores.

Em Portugal este livro foi publicado pela Arte Plural Edições.

Eventos: Lançamento – Sobressaltos

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Em Abril, durante uma sessão de Sustos às Sextas, foi inaugurada uma exposição de banda desenhada, composta por 20 obras inéditas de autores nacionais e comissariada por Geraldes Lino e Bruno Caetano. Estas obras consistiam em histórias contadas em apenas duas pranchas, a preto e branco, onde se deveriam criar personagens e enredos ligados ao terror sobrenatural. A exposição esteve no Palácio dos Aciprestes entre os dias 15 de Abril e 02 de Maio.

Decorrido pouco mais de um mês após a inauguração da exposição, as histórias que foram expostas reúnem-se num único volume com o mesmo título, Sobressaltos, resultando numa antologia com momentos de terror, humor e pausas para reflexão.

Esta antologia será apresentada no Festival de Beja, no próximo Sábado, dia 28 de Maio (Teatro Municipal Pax Julia pelas 16h30). Adianta-se de que existirão sessões de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa, no stand da Europress. Os dias em que tal ocorrerá será divulgado assim que houver mais informação.

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Últimas aquisições

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O conjunto é, desta vez, iniciado por dois volumes da Disney, a Hiper e a Especial, ambas enviadas pela editora. Com a comemoração dos 150 anos decorridos desde o nascimento de Rudyard Kipling (Nobel da Literatura) para além da adaptação cinematográfica, surgiram inúmeras edições do seu mais conhecido livro, O Livro da Selva – factor determinante para as histórias apresentadas neste volume: Donald e o intrépido Pato-Tarzan, Donald-Tarzan e o nostálgico King, citando apenas as duas primeiras. Por sua vez, a Hiper parece voltar a destacar-se com algumas histórias complexas do que as que esperaríamos da Disney.

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À boleia pela Galáxia de Douglas Adams é o último volume da colecção Admiráveis Mundos da Ficção Científica publicada pela Saída de Emergência em parceria com o público, um livro que já resultou em duas adaptações, uma para série televisiva, outra para filme e que se caracteriza por um humor peculiar, geek, que marcou o género de tal forma que é referido nas mais diversas produções (sempre que virem o número 42 como resposta para alguma coisa, quase de certeza que é uma referência a esta obra).

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Luís Corredoura ganhou notariedade com o livro Nome de Código Portograal, lançado, aqui há uns anos, no Fórum Fantástico, acabando por vencer um prémio Adamastor de 2014. O Senado é o mais recente livro do autor, e parece prometer uma história bem diferente das anteriores.

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A Amiga Genial é um dos livros de Elena Ferrante, uma das autora mais referidas e elogiadas dos últimos meses. Descrita como realista despertou-me interesse adicional pelo mistério que envolve a autora.

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A vida aventurosa de Sparrow Drinkwater parece enquadrar-se no tipo de história de revelação, de crescimento e despertar para a vida adulta, que misturam uma certa fantasia (ou realismo mágico) com a desilusão do crescimento. Neste caso trata-se de um jovem que nasceu no manicómio, e foi aqui criado pela mãe, louca, crente que de que o filho teria sido concebido por um corvo. O jovem é levado para o exterior, perde rasto da mãe e descobre o mundo bem diferente daquele em que cresceu.

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Esquadrão suicida é o volume que marca o fim da colecção de Super-heróis DC lançada pela Levoir com o Público. Destacando-se pelo desenho na lombada, tem sido alvo de críticas bastante diversas. Não sendo uma fã do Universo DC (excepção para o Batman, claro) estou curiosa em relação a algumas histórias. Mas não em demasiado.

Powers: Quem matou Retro Girl? é a banda desenhada que terá dado origem à série. A premissa não é original – vários seres humanos aparecem com poderes sobrenaturais. Neste caso estes seres mostram-se humanos, manipulados por empresas especializadas em comunicação para aparecerem como heróis em situações que nem os próprios sabem que estão a ser encenadas. Mas por vezes as situações são reais e bem catastróficas.

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Últimas aquisições

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José Rodrigues Miguéis foi um dos autores mais referidos na última sessão de Recordar os Esquecidos (evento mensal que decorre na Almedina todos os meses onde os autores convidados relembram livros que já saíram de circulação há alguns anos ou que, estando ainda à venda, parecem não estar a despertar o interesse que merecem).

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Tendo achado interessante os contos referidos e a forma como o autor vai apresentando a história das personagens procurei os seus livros. Depois de várias pesquisas em páginas de alfarrabistas em que pediam pelo menos 15€ por cada, na Dejá Lu (Livraria em segunda mão em Cascais) encontrei vários a preços bastante mais acessíveis (entre 4 e 5€).

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Adolfo Bioy Casares é um dos mais conhecidos autores latinos, responsável por obras como A Invenção de Morel ou Plano de Evasão. Este livro (que não me recordo de ter visto à venda antes) é uma parceria do autor com Silvina Ocampo.

2084 é um dos mais recentes livros da Quetzal que, segundo a informação disponível, apresenta uma reinterpretação do 1984, actualizando-o para os dias actuais e criando uma distopia com base religiosa. Olhando a sinopse este livro faz-me recordar A História de uma Serva de Margaret Atwood (disponível em Portugal com uma edição da Bertrand).

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À esquerda eis o quarto volume de Saga, uma série de banda desenhada que cruza perfeitamente ficção científica e fantasia para nos dar uma história mirabolante com seres humanóides estranhos em aparência mas revelando todas as características emocionais de seres humanos. A série tem sido uma das mais premiadas e é efectivamente uma das melhores que tive oportunidade de ler.

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Criminal foi outra das aquisições aquando da visita à Dejá Lu, um volume considerável de uma série dos autores de Fatale, Ed Brubaker e Sean Philips que apresenta um homem capaz de executar qualquer golpe desde que não haja perigo e uma femme fatale.

Resumo de Leituras – Maio de 2016 (4)

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117 – Pride & Joy – Garth Ennis – Garth Ennis é o autor de The Preacher e The Boys. Disto isto, esperava mais deste Pride & Joy que nos apresenta a típica história do passado que persegue a personagem principal, um homem que tendo-se envolvido em esquemas duvidosos há muitos anos, é agora perseguido por um dos seus associados implacáveis. Neste contexto, a história explora sobretudo a relação entre o homem e o filho que diferem em quase tudo – o filho é um rapaz sensível e estudioso que tem como objectivo de vida a faculdade e não compreende a vivência rude (mas agora honesta) do pai. Desenvolvimento e personagens cliché que resultam numa história pouco surpreendente;

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118 – The Loney – Andrew Michael Hurley – História de horror distinguida com vários prémios que prima pela subtileza dos acontecimentos, sempre implícitos. Uma história viciante que joga com a empatia das personagens e com o conhecimento prévio do que vai acontecer, sem que se saiba como – uma excelente história;

119 – H-Alt #1 – Vários autores – Revista de banda desenhada portuguesa com pequenas histórias de muitos autores. Como resultado temos uma grande variação na qualidade. De realçar, no entanto, a qualidade da edição e de alguns dos artistas. Irei detalhar o comentário em artigo próprio;

120 – 12 – A Doce – François Schuiten – Banda desenhada clássica que decorre num mundo futuro distópico e quase apocalíptico – a subida constante das águas impele as cidades para o isolamento e como via de comunicação entre eles implementa-se o teleférico. Paralelamente, descontinuam-se os comboios, principalmente os mais antigos a carvão. Se, no início é uma história centrada na ligação que se cria com a máquina que se cuida, numa segunda fase evolui para uma aventura melancólica e quase desesperada.

Assim foi: Sustos às Sextas – Abril e Maio

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Infelizmente, cheguei atrasada à sessão de Abril, mas ainda a tempo de ouvir parte da interpretação de músicas de filmes de terror que representou um interessante momento musical nos Sustos (que podem ver nos vídeos abaixo, disponibilizados entretanto).

A este momento seguiu-se a palestra de António Monteiro sobre “Como escrever uma história de terror em dez lições” onde o escritor (que exerce muitas outras actividades para além da escrita) apresenta, sucinta e explicitamente um conjunto de pontos que são necessários para construir uma boa história.

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O final da sessão (que pareceu muito curta quando comparada com as restantes) foi marcado pela inauguração da Exposição Sobressaltos, uma exposição de banda desenhada dedicada ao terror sobrenatural onde foram apresentadas 20 histórias em duas pranchas. Esta colecção foi concebida originalmente por António Monteiro e João Castanheira e levada a cabo por Geraldes Lino e Bruno Caetano.

Ainda que nalgumas a narrativa fosse mais fraca (o espaço reduzido dificultou decerto a tarefa) a exposição destacou-se sobretudo pelo aspecto gráfico. Será que vai haver publicação em papel?

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Se a sessão de Abril me pareceu mais curta do que o habitual, a sessão de Maio pareceu-me muito longa – ainda bem. A sessão começou com o momento musical em que se interpretaram temas de Zeca Afonso com letra mais propícia ao evento (como Vampiros).

Foi um excelente e emotivo momento musical que contagiou rapidamente toda a sala – estranho como músicas que remetem a um tempo que desconheço conseguem tão facilmente despertar um sentimento tão profundo.

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Seguiu-se um momento não previsto na agenda, a apresentação do trabalho de Luís Vieira-Baptista, autor da exposição Triangulações, através de um vídeo relacionado com o quadro que construiu para o S. Carlos de temática Wagneriana. Esta exposição é mais voltada para o fantástico do que propriamente terror e apresenta temática e forma que associo às correntes artísticas dos anos 70 / 80 de nuances místicas

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Sob o tema O Medo na tradição popular portuguesa Fernando Casqueira dissertou não só sobre a origem do medo (enquanto sentimento e dissecando os vários graus de medo) como a forma como este é usado actualmente para impingir determinadas políticas, uma forma de manipulação massiva. Passando por lendas e histórias lusitânicas, tocou ainda na origem do Halloween como evento de origem portuguesa que regressa agora ao país, modificado.

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Apesar de interessante e, talvez, pela hora tardia achei que a apresentação tocou em demasiados temas em pouco tempo, ficando muito por dizer e explorar. Ainda assim, teve componentes bastante interessantes pela forma como o palestrante expôs algumas teorias menos aceites.

Depois de apresentados os vencedores do concurso de decoração de bolos (com a temática de terror) seguiu-se outro dos grandes momentos da noite, o questionário temático organizado por António Monteiro e João Castanheira que já o ano passado tinha sido caracterizado pela boa disposição e diversão.

Esta foi a última sessão de 2016 – Será que se prevê novo ciclo para 2017? Continuo a realçar neste evento mensal a boa vontade, esforço e empenho dos organizadores que têm procurado diversificar conteúdos e formatos, alternando entre momentos musicais, palestras temáticas e apresentações literárias, sem esquecer o cinema, a banda desenhada e… os bolos!

Ainda que não tenha apreciado todos os momentos de igual forma (até porque nem tudo é do gosto de toda a gente) a diversificação acaba por envolver diferentes pessoas com diferentes interesses. Esperamos novidades!

Resumo de Leituras – Maio de 2016 (3)

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113 – Saga – Vol. 4 – Brian J. Vaughan e Fiona Staples – Depois das aventuras mirabolantes desta família pelo espaço, a fugir de mercenários e militares altamente treinados, finalmente encontram um poiso mais calmo onde a menina pode crescer em paz. Ou quase. A rotina quase dá cabo do relacionamento amoroso e faz com que a família se separe. Neste volume contam-se as circunstâncias em que tal aconteceu. Saga continua com os pormenores imaginativos, as situações caricatas e as personagens suficientemente dementes para aguentar e estimular uma boa história;

114 – As coisas que os homens me explicam – Rebecca Solnit – Partindo de uma cena quase cómica que se passou num jantar em que o anfitrião era um asno condescendente, a autora reflecte sobre o incidente, realçando o papel de cada género naquela conversa. Se a conclusão da autora pode parecer dúbia (afinal, um asno condescendente muitas vezes é-o sempre que suspeita que a pessoa a quem se dirige é inferior) as sucessivas situações de violência, física ou psicológica, em meios domésticos ou públicos deixam a ideia de que será necessário algo mais para fazer evoluir a sociedade;

115 – O Negócio dos livros – André SchiffrinApesar de ser apresentado como um livro que fala sobre a influência das grandes editoras e da forma como orientam o mercado e nos levam a consumir o que pretendem, é mais uma história da experiência pessoal do autor no mercado da edição. Tendo começado numa pequena editora (não por acaso naquela editora, que tinha sido fundada há muito pelo pai já falecido) descreve a preocupação pela construção de um bom catálogo de fundo para aguentar os novos lançamentos de venda inicial mais lenta – um modelo de negócio ignorado pelas novas direcções editoriais que pouco ou nada compreendem do objecto que comercializam;

The Dark 12

116 – The Dark – Issue 12 – Apesar de ter recebido gratuitamente todos os números desta revista, apenas li os primeiros volumes e agora este. Nos primeiros volumes denotava-se uma inconsistência de qualidade entre os contos originais e aqueles que estariam agora a ter nova edição na revista. Este volume captou-me interesse por ter um conto de Angela Slatter e acabei por ler a totalidade da revista. Encontrei um tom mais homogéneo na qualidade e no tema, apresentando arrepiantes contos de fantasia negra.

Últimas aquisições

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A Letra Livre publicou algumas obras sobre os livros, a sua edição, ou o prazer de os coleccionar. Recentemente li o de Ruben Borba de Moraes, O Bibliófilo Aprendiz e foi uma leitura curiosa sobre a arte de criar valiosas colecções. Neste, O Negócio dos livros de André Schiffrin disserta-se sobre a manipulação da leitura pelos grandes grupos económicos.

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Paper Tigers foi o livro que pude escolher por ter ganho o passatempo do Books, Bones & Buffy. Este será um livro de horror de uma autora já publicada nas mais diversas revistas de ficção especulativa:

In this haunting and hypnotizing novel, a young woman loses everythinghalf of her body, her fiance, and possibly her unborn childto a terrible apartment fire. While recovering from the trauma, she discovers a photo album inhabited by a predatory ghost who promises to make her whole again, all while slowly consuming her from the inside out. Damien Angelica Walters’ work has appeared or is forthcoming in “Year’s Best Weird Fiction Volume One,” “Nightmare,” “Strange Horizons,” ” Lightspeed,” “Shimmer,” “Apex,” and “Glitter & Mayhem.”

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A Colecção Privada de Acácio Nobre é o livro mais recente de Patrícia Portela, uma autora que tem participado em diferentes projectos pela Prado e que tem publicado pela Caminho obras em que a realidade se mistura com alguns elementos fantásticos, como Para Cima e Não para Norte. Este foi-me enviado pela Caminho. Deixo-vos a sinopse:

«Fui recolhendo, ao longo de 16 anos, cartas, diários, testemunhos, maquetas de jogos e armadilhas de Acácio Nobre (1869?-1968), um construtor de puzzles geométricos visionário no século XIX que uma ditadura silenciou no século XX e (quase) eliminou de uma História que ainda assim influenciou, de forma subtil e anónima, introduzindo uma marca indelével e inevitável nos séculos vindouros, como o nosso. Acreditando que a obra literária pode desempenhar um papel crucial na reavaliação dos tempos que correm de uma forma que estará para sempre vedada à História, à Academia e à estratégia política, venho por este meio partilhar convosco a “Coleção Privada de Acácio Nobre”, na esperança de encontrar, mas também de dispersar, a sua obra, as suas ideias e os seus manifestos, procurando contribuir assim para a tarefa inglória de lutar pelo direito ao impossível, uma mastodôntica missão num país como este, que, por acidente geográfico, é o meu, e também foi, ainda que por breves momentos e de forma ingrata, o de Acácio Nobre.»

As coisas que os homens me explicam começa por nos apresentar uma situação inusitada de típica condescendência perante uma mulher. Se a situação se poderia ter passado independentemente do género de ambos os intervenientes, os factos e os dados que se apresentam de seguida, em todo o mundo, já não deixam margem para dúvidas quanto à necessidade de que a nossa sociedade continue a progredir.

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Forças de Mercado e O Prestígio são dois dos volumes da Colecção de Ficção Científica que foi publicada pela Saída de Emergência em parceria com o Público. O Prestígio é a obra que deu origem ao filme com o mesmo nome. Por seu lado, Forças de Mercado de Richard Morgan (que já cá esteve em Portugal) é uma obra que se caracteriza pela elevada tecnologia e pelo ritmo acelerado.

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Por último, eis alguns volumes das colecções de Banda Desenhada que estão a sair (ou que já saíram) com o jornal Público.

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The Loney – Andrew Michael Hurley

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Se quando pensam na palavra horror pensam em sangue esguinchado, miolos espalhados ou ambientes góticos e pesadelos onde a loucura envolve todos os nossos pensamentos, precisam de repensar o género. E nada melhor do que The Loney para o fazerem. É que o terror aqui apresentado é lento, não envolve propriamente monstros, apenas alusões, subtis a algo sobrenatural – notas que podem ser percebidas como vulgares contexto num ambiente de extrema religiosidade.

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Edição limitada da Tartarus Press

A história centra-se em dois irmãos, apresentando o ponto de vista do mais novo (o narrador) que é responsável por cuidar de Hanny, o mais velho, que possui um acentuado atraso mental e é incapaz de falar. Entre os dois estabelece-se uma forte ligação, sendo o irmão o única capaz o compreender adequadamente.

Inconformada com a deficiência de Hanny, a mãe investe toda a sua energia num estilo de vida piedoso com uma obsessão por rituais religiosos que devem ser seguidos de forma perfeita no momento certo – só assim se conseguiria atingir o estado de pureza necessário para um milagre. É assim que o filho mais novo acaba por se tornar ajudante do padre, como prova de devoção e forma de redenção.

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Quando o padre sofre uma queda fatal o acontecimento é visto não só como uma desgraça, mas um aborrecimento pela mãe, por perderem alguém que já a conhece e compactua com as suas expectativas religiosas. Ainda por cima estão a preparar uma viagem religiosa que tem como intuito a limpeza da alma – ocasião perfeita para um milagre.

Manipulado sorrateiramente a conversa, a mãe consegue que a viagem tenha o destino por si pretentido – Loney, uma zona rural, quase selvagem, que resiste teimosamente ao avanço da civilização e onde persistem as superstições associados aos lugares traiçoeiros, assombrados por antigas lendas de bruxas e desgraças.

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A história decorre sobretudo em três tempos, partindo de breve referência ao presente para alternar entre os acontecimentos da viagem e os que a antecederam. Devagar, vai-se acumulando uma tensão dramática com base em pequenos detalhes que são percepcionados de forma quase natural.

Se a relutância que os locais têm em os ajudar é vista como típica de um local quase isolado da civilização e os indícios antigos de bruxaria como próprios de uma época distante, encontrar um cadáver no bosque desperta alguma inquietação (até ser descartado como uma possível partida de Carnaval ao desaparecer na visita seguinte). Mas é ao narrador, criança, que vão aparecendo indícios de que algo mais se passa naquela terra.

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Com reminiscências de Of Mice and Men na forma como os dois irmãos se relacionam (e as alusões aos ratos) a narração vai construindo uma história de várias facetas onde nada do que acontece é propriamente uma surpresa. Percebendo-se o que se segue, mas sem saber como, constrói-se um ambiente de expectativa que gera o terror mais psicológico e interior, neste caso exacerbado pelo fervor religioso que impede que se percepcionem os verdadeiros acontecimentos.

Primando pela subtileza do horror, The Loney é um puzzle de construção lenta que nos faz sentir uma enorme empatia pelas personagens centrais e se torna uma leitura viciante.

Fatale – Vol.4 – Ed Brubaker, Sean Phillips

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Se os volumes dois e três da série Fatale são bastante marcados por episódios reveladores onde se evolui bastante no mistério que rodeia a Femme Fatale, o quarto é essencialmente um volume de consolidação destes conhecimentos, em que voltamos a assistir ao efeito estranho que esta enigmática mulher tem nos homens.

Se antes assistimos às consequências, ou a episódios mais fragmentados deste efeito, aqui, sob o efeito da amnésia e sem amarras morais, o poder inebriante tem liberdade para atingir o seu expoente e subsequente entrar rapidamente em declínio e degradação.

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Depois de mais um episódio violento do qual não tem memórias, é recolhida por um rapaz que a esconde na casa que partilha com a restante banda. Tratando-se de uma banda constituída sobretudo por elementos masculinos a desgraça é previsível. Se a presença de uma normal mulher atraente poderia ser motivo para discórdias, então uma mulher capaz de toldar pensamentos e de manipular, facilmente, acções e sentimentos é catastrófica.

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Entre o acumular de tensões na banda e os monstros que a perseguem, ainda que não se recorde deles, é inevitável que se envolva em episódios violentos – uma espécie de ciclo repetitivo que terá de ser rompido mas que, por enquanto persiste.

Em Portugal a série Fatale está a ser publicada pela G Floy.

The Dark – Issue 12 – May 2016

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Desde o primeiro número que sigo este projecto com interesse – o ser gratuito é um bónus para uma revista organizada por Sean Wallace, editor conhecido de outras revistas como Clarckesworld ou The Fantasy Magazine, ou da editora Prime Books que conta com autores como Theodora Goss ou Ekaterina Sedia no seu catálogo.

Depois de ter estado algum tempo sem ler nada no formato digital, a recepção do número 12 despertou especial atenção pela presença de Angela Slatter, uma autora bastante conhecida no meio literário pelas suas histórias de fantasia negras, com as quais já ganhou alguns prémios. Da autora existem, até, antologias publicadas pela Tartarus Press.

Reunindo dois novos contos com nova publicação de dois contos não originais, The Dark parece ter ganho um tom próprio e mais definido neste número. As histórias que se apresentam aqui são, como seria de esperar, de fantasia negra podendo até ser classificadas como horror. Ao contrário das primeiras edições em que sentia uma grande disparidade entre os contos originais e os contos re-editados, este número parece apresentar uma maior coesão na qualidade.

O primeiro conto é The Haferbrautigam de Steve Berman, um conto arrepiante que toca num tema sensível, a pedofilia, e segue um homem que, regressando à terra natal, não perde tempo em encontrar nova vítima. Tal é a sua ânsia em envolver o rapaz que nem se apercebe dos sinais que o rodeiam – é que o homem parece ser o único a vê-lo e acaba por entrar num perigoso jogo.

Em The Body Finder de Kaaron Warren um homem procura o corpo da filha assassinada. Tendo morto o homem que a matou resta-lhe agora procurar pelos locais mais inóspitos. Pelo caminho encontra outros e acaba por se deparar com os sítios onde vários assassinos deixam cadáveres.

Caroline at dusk de Kali Wallace, foi o conto que menos gostei do conjunto, uma história que recorda as mazelas que a violência na infância deixou numa mulher que consequentemente estabeleceu com a irmã uma peculiar relação. De narração circular e passado num espaço bastante limitado, foge bastante do cliché esperado. No final, ao tentar sair do ciclo força um término descabido.

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O quarto e último conto é The Jacaranda Wife de Angela Slatter, uma história fantástica com paralelismo a várias histórias tradicionais onde um homem, procurando esposa, encontra debaixo de uma Jacaranda uma mulher perfeita e bela. Apesar de toda a formosura física mostra-se apática perante as atenções do homem e é incapaz de falar.

Resumo de Leituras – Maio de 2016 (1)

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105 – Crónicas incongruentes – Miguelanxo Prado – Este é o terceiro livro de Miguelanxo Prado que tive oportunidade de pegar. Tal como Fragmentos da enciclopédia délfica este volume é composto por pequenas histórias mas, neste caso, não de ficção científica futurística, mas apresentando conhecidas situações do dia a dia levadas ao extremo;

106 – Mão direita do diabo – Dennis McShade – A primeira aventura que Dinis Machado ue ppublicou sobre o pseudónimo de Dennis McShade centrada no assassino de nome alusivo a D. Quixote, que, tendo um código moral que usa para aceitar apenas determinados trabalhos, gosta de literatura e de música clássica;

107 – The Nightmare Factory Vol.1 – Vários – Adaptação para banda desenhada de alguns bons contos de Thomas Ligotti que exploram sobretudo o terror psicológico que advém da fronteira difusa entre o real e o imaginado. O primeiro apresenta um tributo a Lovecraft, com uma história dentro do ambiente típico deste mestre. As restantes utilizam sonhos, psicoses e demências. Boas histórias e boa adaptação;

108 – A feiticeira de Florença – Salman Rushdie – Depois de ler Dois anos, oito meses e vinte e oito dias de Salman Rushdie resolvi pegar noutro livro do autor. Apesar da temática exótica, misteriosa, fantástica e fascinante com a história de várias personagens entrelaçada ao longo de várias décadas, é menos coeso e centrado que o Dois anos (…). É agradável de se ler e tal como o outro livro possui pequenos episódios fascinantes, mas na sua globalidade não me conseguiu cativar da mesma forma.

Últimas aquisições

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As quinze primeiras vidas de Harry August por Claire North é o terceiro volume da coleção Admiráveis Mundos da Ficção científica que se encontra em lançamento conjunto da Saída de Emergência com o Jornal Público. Livro inédito desta coleção, é o volume que mais antecipava. Vencedor do prémio John W. Campbell Memorial, tinha lançamento previsto para Agosto de 2015, mas só agora chegou às bancas. Se por um lado foi uma tremenda espera, por outro o preço é bastante mais acessível (6,95€).

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A vida aventurosa de Sparrow Drinkwater por Trevor Ferguson promete uma mirabolante aventura ao género das que eram produzidas antigamente com jovens que se metiam com meliantes, despertando para a vida adulta com a descoberta de que a realidade é bem mais dura e menos transparente do que a fantasia:

A mãe de Sparrow acreditava que o filho tinha sido concebido por um corvo que desceu dos céus numa noite de estrelas e explosões. A grande desilusão da sua vida foi que Sparrow nunca tenha aprendido a voar.

Sparrow nascido e criado num manicómio, onde a loucura da mãe e dos que o rodeiam é a sua única realidade, um dia é levado para o mundo exterior. Perde o rasto da mãe, descobre-se sozinho numa grande cidade… e a sua vida aventurosa ainda mal começou!

Esta é a fabulosa história de Sparrow Drinkwater, que atravessa o continente americano obcecado por descobrir a identidade do seu pai, reencontrar a mãe e desvendar o mistério do seu passado. No seu caminho cruzam-se sinistros criminosos, atravessa os túneis secretos sob as ruas da Montreal, vive tremendas perseguições em comboios de alta-velocidade, encontra a «feiticeira» da rua Bloomfield, leva a cabo brilhantes golpes nas altas esferas da finança internacional…

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Há já algum tempo que ando para ler O Ensaio sobre a cegueira de José Saramago, mas as edições que se encontram dos livros de Saramago são tão foleiras que tenho evitado a aquisição, pensando, talvez, numa edição mais antiga em bom estado. Bem, infelizmente apenas está prevista a publicação deste volume em edição de capa dura no âmbito da colecção RTP, mas digam lá que não tem muito melhor aspecto que a edição da Porto Editora? Melhor ainda, esta, de capa dura, custa 10 euros. Aproveitando a promoção de 20% da FNAC… bem… ficou por 8.

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No seguimento do 30º aniversário do acidente de Chernobyl foi publicado pela Levoir, em parceria com o jornal Público, esta banda desenhada da autoria de Natacha Bustos e Francisco Sanchez. O livro também se encontra disponível na FNAC (com os usuais descontos) e apresenta um retrato singular do acidente.

À esquerda encontra-se o primeiro volume de Mr. Hero, uma banda desenhada escrita por James Vance e desenhada por Ted Slampyak, centrada numa personagem criada por Neil Gaiman. Claro que aqui o nome de Neil Gaiman aparece em letras garrafais ocultando os restantes intervenientes – é um nome que vende. Autómato que se move a vapor para ser uma força maléfica, torna-se um herói nobre. Claro que o nome de Neil Gaiman foi o que me levou a pegar no livro, mas o interior foi o que me convenceu a trazê-lo.

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The Nightmare Factory – Stuart Moore, Joe Harris e vários

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The Nightmare Factory é originalmente uma colecção de contos de Thomas Ligotti, um dos autores mais referenciados nos géneros de ficção Weird e de horror, com influências óbvias de Lovecraft e Edgar Allan Poe, onde se destaca o terror psicológico em detrimento da violência física.

Em dois volumes de banda desenhada são adaptados alguns destes contos. As histórias originais são de Ligotti, mas a adaptação para banda desenhada foi realizada por Stuart Moore e Joe Harris na componente narrativa e por Colleen Doran, Lee Loughridge, Ben Templesmith, Ted McKeever, Chris Chuckry e Michael Gaydos na arte. O resultado é um bom e diversificado conjunto de histórias.

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A primeira história, The Last Feast of Harlequin, foi dedicadao por Thomas Ligotti a Lovecraft contendo óbvias referências a este escritor. A história começa com uma simples investigação por um antropologista a um pequeno festival de palhaços. Deslocando-se à vila descobre um ambiente soturno e deprimente, onde não faltam as donzelas há muito desaparecidas e um estranho encontro com um conhecido académico, também julgado desaparecido.

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Em torno do festival de palhaços existirá um ambiente deprimente na vila que atingirá o auge antes do festival, para ser expiado durante as festividades. Tendo esta descrição do ambiente na vila, o antropologista julga escapar a este estado de espírito viajando apenas na véspera para o local – engana-se. Todo este gradiente pesado de sentimentos será sentido durante a viagem. O que descobre é um festival de palhaços que integra, sem compreender antecipadamente a cumplicidade local em torno do evento.

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Em Dream of a Mannikin o pesadelo começa quando uma paciente descreve ao psicólogo um sonho recorrente em que despe e veste manequins numa profissão que terá apenas quando dorme. Ainda dentro do sonho retorna a casa para sonhar com o manequins em que trabalha em sonho. Numa história voltada do avesso em que se duvida do que é real, o que será um sonho dentro de um sonho, quando à nossa volta surgem indícios desse sonho? Utilizando a possibilidade de sugestão hipnótica para suavizar a fronteira da realidade, é um interessante conto de terror psicológico em que o próprio cérebro se torna uma prisão.

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Deambulando novamente sobre a fronteira do que é real e do que pode ser percepcionado, neste caso não por sugestão, mas por doença psicológica, Dr. Locrian’s Asylum descreve a influência que um asilo tem sobre uma vila, décadas depois de ter sido encerrado. É que o Dr. Locrian tinha uma perspectiva peculiar sobre as doenças psicológicas, encarando-as não como algo a ser curado, mas como uma manifestação do sobrenatural.

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Em Teatro Grottesco (que dá nome a uma colectânea de contos de Thomas Ligotti) explora-se a relação do artista com a decadência – até onde poderá ocorrer esse declínio no que é oculto até que o artista se perca mentalmente?

O terror não precisa de ser espampanante para causar impacto – nestes contos de horror adaptados para banda desenhada utilizam-se sobretudo as nuances psicológicas, o terror da expectativa, da depressão e das fronteiras difusas da realidade que causam a incerteza e a loucura.

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Ainda que possam existir monstros nalgumas histórias, é sobretudo o precipício mental que conduz o conto. O ambiente é, em todos, pesado, característica que é explorada pelos vários artistas, em estilos que vão sendo diferentes de conto para conto mas que funcionam bastante bem. Antes de cada conto encontramos uma pequena introdução, referindo influências ou ideias.

Disney Hiper N.º 40

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Este volume Hiper contém oito histórias Disney, de comprimento e público alvo diverso. Se a história que abre e ocupa metade do volume, Mickey e o bando do espirro, é engraçada mas contém um desenvolvimento lento, quase circular, mais voltada para um público juvenil, apesar de apresentar Mickey como um detective inteligente, é a segunda história, Segunda Versão que se torna uma interessante surpresa tecnológica onde populam os Universos paralelos, os robots e a teoria de que a história poderá ser reescrita com viagens no tempo, existindo um espaço fora do tempo que poderá ser usado como escape seguro.

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Em Bandidos nas trevas volta-se novamente a um registo mais relaxado em torno de uma premissa tecnológica engraçada – a de que poderia existir um engenho capaz de induzir a escuridão total num raio de acção, capacidade que é aproveitada por dois ladrões, numa curta história de reviravolta cómica. Histórias de piratas encontram-se naquela fronteira, por vezes, indistinta, entre a realidade e a imaginação, apropriadas para os mais jovens que sonham com encontrar um tesouro. A estalagem das sete conchas aproveita esse ambiente de fascínio e aventura para tecer uma aventura engraçada e relaxada.

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Antes que seja dia traz-nos uma aventura com reminiscências frankesteinianas, começando por nos apresentar uma pequena e misteriosa vila onde os espantalhos estão a desaparecer, roubados dos vários terrenos. O roubo estará relacionado com uma lenda local, na qual um antigo feiticeiro terá utilizado espantalhos para criar um pequeno exército pessoal. Pergunta ao patelobo continua por meandros sobrenaturais, apresentando um reino mágico de pesadelos, que será explorado por engano por Mickey e pela sua amiga Manny.

No final voltamos a um tom mais tradicional e juvenil, com Donald e o compromisso esquecido, que explora a eterna rivalidade entre Donald e Gastão.